VISÃO DE PROFESSORES SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DE UM ESPAÇO NÃO FORMAL NO INCENTIVO AO APRENDIZADO DE FÍSICA
Matheus Leal Castenheira, Everton Ribeiro, Irineu Mazzaro
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 28/01/2015
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## VISÃO DE PROFESSORES SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DE UM ESPAÇO NÃO FORMAL NO INCENTIVO AO APRENDIZADO DE FÍSICA
## Matheus Leal Castenheira , Everton Ribeiro , Irineu Mazzaro 1 2 3
- 1 Universidade Federal do Paraná/Departamento de Física, mlc10@fisica.ufpr.br
- 2 Universidade Federal do Paraná/Departamento de Educação, everton\_fisico@hotmail.com
## Resumo
Uma das dificuldades em se ensinar física, são os alunos desinteressados pelo conteúdo. Muitas vezes a falta de interesse do aluno é devido a distância que a disciplina aparenta ter de sua realidade, pois não vê nenhuma aplicação em seu cotidiano. A falta de laboratórios de física nas escolas também é um fator que dificulta o ensino, sem o laboratório dificilmente o professor consegue demonstrar algum fenômeno ou conceito aos alunos. Uma possibilidade de respaldo em relação à essas situações são os espaços de ensino não formais onde o professor pode levar seus alunos para aproximar o conteúdo de sala de aula com o cotidiano do aluno, motivando-o ao estudo da disciplina e incentivando o seu aprendizado. No departamento de física da Universidade Federal do Paraná acontece o Centro de Divulgação de Física, onde funciona o projeto FiBra (Física Brincando e Aprendendo), que consiste em um espaço com experimentos de física de varias áreas temáticas onde os professores podem trazer suas turmas para ver a física na prática de forma mais descontraída e aplicada ao seu cotidiano. Nessa perspectiva, esse estudo busca perceber como os professores que trazem suas turmas até o projeto entendem que esse contribui para o ensino de física e para a motivação de seus alunos.
Palavras-chave : Divulgação cientifica, Educação não formal, Ensino de física.
## Espaços Não Formais
O estudo de ciências incluindo a física vem a cada dia despertando menos o interesse dos alunos. Existem vários fatores que contribuem para isso, um deles é falta de laboratórios de física nos colégios. É de grande importância o laboratório pois os alunos podem observar na pratica tudo que estão vendo dentro de sala de aula e isso contribui para despertar o interesse pela disciplina. (Medeiros Junior, 2013).
Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN's) é explicito a necessidade da experimentação:
É indispensável que a experimentação esteja sempre presente ao longo de todo o processo de desenvolvimento das competências em Física, privilegiando-se o fazer, manusear, operar, agir, em diferentes formas e níveis. É dessa forma que se pode garantir a construção do conhecimento pelo próprio aluno, desenvolvendo sua curiosidade e o hábito de sempre indagar, evitando a aquisição do conhecimento científico como uma verdade estabelecida e inquestionável. (BRASIL, PCN+, p84)
Os espaços de educação não formais, num primeiro momento, podem suprir essa deficiência das escolas (Santos, 2011). Nos últimos anos cresceu significativamente o número desses espaços não formais no Brasil. Em 2005
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existiam 110 dessas instituições em 2009 esse número subiu para 190 e estima-se que hoje já tenha mais de 200 dessas instituições mo país. (Bassoli, et. al., 2013 )
Existem diversos espaços de educação não formal espalhados pelo pais, um deles é o Centro de divulgação de física da Universidade Federal Do Paraná, onde nele funciona o projeto FiBra (Física Brincando e aprendendo).
## Centro de divulgação de física e projeto fibra
Há mais de 10 anos, houve a iniciativa de começar a receber alunos das escolas públicas da região metropolitana de Curitiba, para uma visita aos laboratórios de ensino do Departamento de Física da UFPR.
Estas visitas tornaram-se frequentes e começaram a ser auxiliadas por grupos de alunos do curso de Física, os quais atuaram inicialmente como monitores voluntários, responsáveis por receber e apresentar aos visitantes um conjunto de atividades experimentais de Física.
A partir de 2011 criou-se o Centro de Divulgação de Física que foi composto por três projetos: 'Fibra: Física Brincando e Aprendendo', 'Astronomia: observação e divulgação' e 'Atividades Experimentais para Professores'. Neste trabalho busca analisar apenas o projeto FiBra.
As apresentações no projeto FiBrA são dirigidas, considerando que as aulas experimentais de Física têm grande importância para melhorar a capacidade de observação e compreensão dos fenômenos físicos, estimulando num ambiente educacional, descontraído e lúdico o raciocínio lógico-científico do aluno, além de mostrar que a Física pode ser divertida.
A maior parte dos visitantes são turmas de Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas, mas o projeto recebe também turmas de escolas particulares e outro grupos de pessoas que têm interesse pelo assunto. As visitas duram em torno de 2 horas e abordam os seguintes temas da física: mecânica, elétrica, ótica, radiação, ondulatória, astronomia, termodinâmica e física moderna. Todos estes temas são abordados com experimentos didáticos, demonstrados pelos monitores e com a participação dos visitantes. Os experimentos em si são de caracter demonstrativos, dando ênfase a observações, conceitos físicos e aplicações no cotidiano.
Os visitantes chegam ao projeto e são recebidos pelos monitores os quais transmitem informações gerais sobre o funcionamento do projeto. Na sequência se o número de visitantes ultrapassar 30 o grupo é dividido em 2 sub-grupos seguindo rotas de experimentos diferentes, para que possam aproveitar melhor a visita.Os monitores fazem as apresentações dos experimentos dando explicações, chama atenção para os conceitos físicos envolvidos na prática, de uma maneira simples e descontraída, na tentativa de atrair a atenção dos presentes para o tema exposto, sempre com a proposta de fazer relações com a aplicação do conceito no cotidiano.
## Forma de Divulgação do Centro de Divulgação de Física
A cada início de ano são enviadas cartas-convite às escolas de Curitiba e região metropolitana. Esta carta contém um folder com as informações do projeto com as orientações e procedimentos que devem ser adotados pela escola para participar da iniciativa. O projeto também é divulgado no site http://fisica.ufpr.br/fibra
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e participa do evento Feira de Cursos e Profissões da UFPR junto com a divulgação do curso de física num estande específico e conta sempre com uma sala reservada exclusivamente para a apresentação de alguns experimentos práticos e didáticos.
Para participar do projeto, os professores ou os responsáveis pelas instituições fazem contato através de ligações telefônicas ou mandam e-mail agendando o dia e horário da visita o projeto.. No dia e horário marcado, o professor responsável comparece com sua turma ao projeto, onde assistem e participam das experiências apresentadas.
## Metodologia
O professor ( ou professores) responsável pela turma, em geral acompanha as apresentações. Quando estes são os próprios professores da disciplina física, é comum ocorrer algum tipo de intervenção por parte deste professor, exatamente para chamar a atenção de algum ponto relacionado com a estudos prévios em sala de aula.
Ao término das apresentação, o professor que acompanhou a visita ao projeto FiBra é convidado a responder um questionário. Nele há algumas questões com objetivo de avaliar o projeto e monitores. Ao ser respondido este questionário é colocado em uma caixa lacrada que é aberta somente durante as reuniões do projeto. Neste dia de reunião, as respostas, críticas e sugestões dos professores visitantes são lidas, analisadas e discutidas pelos monitores e orientadores.
Muitos professores trazem ao projeto mais de uma turma preenchendo assim somente um questionário, então o número de questionários não corresponde exatamente ao número de visitas.
Para esta pesquisa foi lido todos os questionários do ano de 2013 e feito uma levantamento daqueles que apresentavam conteúdo relevantes para esta análise. Entende-se aqui como conteúdo relevante as respostas que apresentam comentários sobre o projeto e a apresentação, e não apenas respostas como, 'bom', 'legal', 'interessante' e etc. Assim separou-se os questionários em 2 categorias, respostas comuns, para os comentários acima citados e respostas diferenciadas, quando haviam comentários. Esta categoria (respostas diferenciadas) dividiu-se em 3 subcategorias: críticas, elogios e sugestões.
Partindo da analise deste questionário fez se o levantamento dos aspectos que mais se destacaram na perspectiva dos professores em relação ao projeto e as apresentações, buscando perceber a contribuição do projeto para os visitantes.
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## Resultados e Análises
Analisando 137 questionários obtidos no ano de 2013 observou-se que 106 tinham somente respostas comuns. Os outros 31 questionários continham respostas diferenciadas. Esses resultados são apresentados no Gráfico 01.
Gráfico 01: Análise das Respostas
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A maior parte dos questionários, correspondendo a 77% do total, apresentava respostas comuns, as quais eram positivas, demonstrando a satisfação dos professores visitantes com o projeto.
As sugestões para melhorias corresponde a 5% e todas elas são sobre a infra estrutura do projeto, como por exemplo, na fala á seguir:
Amplo espaço uma pena que não tem isolamento acústico entre os 2 grupos pois isso acaba os dispersando um pouco a atenção. (Professor 10)
Bem distribuído para o número de alunos que visitou para um número maior ficaria difícil a visualização. (Professor 13)
Esses comentários referem-se à infraestrutura porém, com a arquitetura do prédio não é possível o isolamento acústico, em relação ao número de alunos por visita e justamente pela forma como os experimentos estão dispostos que se restringe o número de alunos por visita, para que a apresentação seja agradável e siga uma certa sequencia lógica, para conexão entre temas.
As críticas, que correspondem a 6%, na maior parte são direcionadas a monitores do projeto. De certa forma, já se é esperado, pois com algumas mudanças que ocorrem anualmente existem alterações no quadro de integrantes do projeto. Estas críticas surgem no aspecto de em alguns casos os monitores estarem um pouco retraídos e a apresentação acabar não sendo dinâmica como se tinha expectativa. Outra situação é a falta de segurança que ocorre com alguns monitores quando novos, pois levam um tempo de adaptação. Outros são novos no curso e é a primeira vez que entram em contato com o publico portanto a inexperiência e insegurança são facilmente percebidas pelos professores. Visto que essa dificuldade terá que se enfrentada, é melhor que os monitores tenham a oportunidade enfrentarem o problema enquanto participam de atividades num espaço formativo
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dentro da Universidade, com a chance de supera-la antes de iniciar com a docência propriamente dita.
Os elogios, que correspondem a 12%, nos mostram a importante contribuição que o projeto tem na motivação do interesse do aluno pela física, facilitando a aprendizagem:
O projeto é bem organizado, a apresentação bem animada, sempre interagindo com os alunos, os quais sempre saem mais interessados pelo assunto. (Professor 14)
O trabalho de aproximação do aluno com o conceito científico é importante para a compreensão do mundo, e é isso que o fibra faz. (Professor 1)
O aluno ter contato com a parte experimental é de suma importância para a motivação do aprendizado, como isso é difícil de fazer em sala de aula o projeto é de grande importância na formação dos alunos pois sempre que trago uma turma percebo uma grande melhora em sala após a visita. (Professor 15).
Baseando-se na analise dos questionários podemos perceber que apesar das críticas os professores se sentem satisfeitos com o trabalho desenvolvido no projeto. Esse fator corrobora com as afirmações de Lopes (2011) a qual aponta que os alunos gostam de trabalho prático, relacionar o que aprendem na escola com o seu cotidiano e de aprender em um lugar onde possam expressar suas opiniões.
Outro fator relevante, que nos permite novamente visualizar essa satisfação por parte dos professores, mostra que o projeto tem passado por um crescimento no número de visitas que tem recebido nos últimos anos, resultado este que é apresentado pelo Gráfico 02.
Gráfico 02: Número de visitantes por ano
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Esse resultado vai ao encontro do que afirma Bassoli, et. al. ( 2013), tem existido não só um crescimento no número de novos espaços como o aumento na procura por esses espaços.
## Considerações finais
Professores cada vez mais tem buscado esse tipo de espaço para complementar o que é dado em sala de aula, proporcionando ao aluno uma
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experiência diferenciada, onde pode se ter uma contextualização do que é visto em sala e a aplicação disso no seu cotidiano.
Partindo das respostas levantadas em nossa analise, principalmente nas subcategorias criticas, sugestões e elogios, algumas conclusões podem sem levantadas. Primeiramente o interesse dos professores pelo projeto, o que se pode ver pelo aumento no número de visitantes nos últimos anos (Gráfico 02) Em segundo lugar a preocupação com a infraestrutura ao elogiarem a organização dos experimentos e sugerirem algumas modificações.
Outra característica que deve ser ressaltada é o fato dos alunos se sentirem mais interessados pelo conteúdo de física, justamente por ter tido um contato diferenciado através de uma visita fora de seu ambiente escolar. Ou seja, a matéria é vista de uma maneira informal e divertida deixando o aluno mais a vontade e proporcionando uma maior interação do aluno durante o processo.
Muitos alunos quando ingressam no ensino médio tem um receio com a disciplina de física, dificultando assim o seu aprendizado. Seria de grande valia se todo aluno quando estivesse no 9° ano do ensino fundamental tivesse a oportunidade de visitar um espaço como este, para despertar o interesse do aluno pela área da física, evitando assim que ele chegue a ensino médio com prejulgamento em relação a disciplina.
Portanto pode-se afirmar que os espaços não formais possuem um papel significativo no aprendizado e ensino de física para alunos de ensino fundamental e médio, pois desperta o interesse pelo assunto e motiva-os a estudar. Isso se dá justamente pela característica de espaço não formal, onde o aluno tem contato com a informação e formação de maneira mais livre, descontraída, participando de atividades de ciências que contribuem para o seu desenvolvimento .
## Referências
BASSSOLI, Fernanda. et al. A mediação em espaços não formais: o que pensam os mediadores de um centro de ciências sobre os seus papeis?. XX Simpósio nacional do ensino de física, 2013, São Paulo.
SANTOS, Elinei Pinto dos. et al. Contribuições das casas de ciências e tecnologias para a aprendizagem e motivação dos estudantes para a disciplina física. In: XIX Simpósio nacional do ensino de física, 2011, Manaus.
MEDEIROS JUNIOR, Luciano Gomes. Desmistificando a física através de experimentos lúdicos na região do nordeste fluminense do estado do rio de janeiro. In: XX Simpósio nacional do ensino de física, 2013, São Paulo.
LOPES, Teresa Cristina Teles. Contribuição da Avaliação Formativa para o Desenvolvimento Cognitivo em Alunos de Física. Doutoramento em Ensino das Ciências - Ensino da Física. 2011, Coimbra.
BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais: Ciências da Natureza,Matemática e suas Tecnologias. Brasília, 1998.
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