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UMA AVALIAÇÃO SOBRE A OPINIÃO E A MOTIVAÇÃO DOS ESTUDANTES QUE PARTICIPARAM DE UMA SESSÃO DE OBSERVAÇÃO DO CÉU

Silvia Guimarães Suzart Silva, Sérgio Bisch, Giuseppi Camiletti

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Pôster

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Texto completo

## UMA AVALIAÇÃO SOBRE A OPINIAO E A MOTIVAÇÃO DOS ESTUDANTES QUE PARTICIPARAM DE UMA SESSÃO DE OBSERVAÇÃO DO CÉU.

*Silvia Guimarães Suzart Silva , Sérgio Bisch , Giuseppi Camiletti 1 2 3

1 Universidade Federal do Espírito Santo. silvia\_suzart@hotmail.com

## Resumo

Neste trabalho investigamos a opinião dos estudantes antes e depois de participarem de uma sessão de Observação do Céu intitulada 'Nosso Lugar no Universo' e os aspectos motivacionais para a realização de uma atividade de construção de um Sistema Solar em escala, proposto para ser desenvolvido no retorno à sala de aula. O estudo foi desenvolvido com 26 e studantes do Ensino Médio da Escola 'Felipe Modolo' localizada em Mathilde, distrito de Alfredo Chaves - ES, e orientados pela professora de Ciências e por nossa equipe. Os dados foram coletados através de questionários aplicados antes e depois da sessão e do relatório da professora sobre o desenvolvimento do Sistema Solar em escala. Iniciamente os estudantes se mostraram divididos quanto ao interesse por Astronomia, mudando de opinião após a realização da sessão. O relato do professor sobre o desenvolvimento das tarefas depois da sessão, realizadas em sala de aula, indicou que os estudantes apresentaram comportamentos reveladores de uma atividade capaz de promover a motivação intrínseca dos estudantes. Estes resultados são indicativos de que atividades desta natureza têm o potencial de envolver e motivar os estudantes para o estudo da Astronomia e da Ciência de modo geral.

Palavras-chave : Astronomia, Observação do Céu, Sistema Solar, Espaços Não-Formais de Educação, Motivação.

## 1 - Introdução

A 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável reuniu, no Livro Azul (DAVIDOVICH 2010) elementos importantes de orientação para a superação dos novos desafios da política de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I). O documento aponta a importância do desenvolvimento de atividades no contexto da educação não formal para a formação permanente dos indivíduos e o aumento do interesse coletivo pela C,T&I. Ela se processa através de instrumentos como os meios de comunicação, os espaços e atividades científico-culturais, a extensão universitária e a educação à distância. Neste contexto, o Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física da Universidade Federal do Espírito Santo, vem desenvolvendo um Programa de Ciência em Espaços Não Formais de Educação', que articula as atividades de três Projetos de Extensão: Mostra de Física, Show de Física e Observando o Céu de Mathilde. No presente artigo iremos relatar uma investigação com o projeto Observando o Céu de Mathilde, em funcionamento desde janeiro de 2013.

Em investigações já realizadas sobre a motivação do aluno, Tamiasso et al. (2013) sugerem que houveram mudanças no comportamento de alunos

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26 a 30 de janeiro de 2015

aparentemente desmotivados nas aulas tradicionais e melhorias das relações professor-aluno e aluno-aluno, após a participação e realização das atividades propostas em uma das atividades deste Programa de Extensão, que foi o Show de Física. Bassani et al. (2013) indicaram que a participação dos estudantes em uma apresentação de experimentos físicos é capaz de provocar mudanças na motivação e interesse dos estudantes pela Física, o que pode despertar reações emotivas. Segundo Vigotski (apud MONTEIRO e GASPAR, 2007), tais reações exercem a influência mais substancial sobre todas as formas do nosso comportamento e os momentos do processo educativo.

Baseados nestes resultados, estamos estendendo a investigação para as atividades relacionadas ao outro projeto deste Programa, intitulado 'Observando o Céu de Mathilde', de modo que este artigo pretende relatar os resultados obtidos com um grupo de estudantes que participou de um conjunto de atividades propostas no contexto deste Projeto.

## 2 - Referencial Teórico

Resultados de pesquisas relatados por Guimarães e Bzuneck (2002) apontam que, no contexto escolar, existe uma importante relação entre a motivação do estudante e o nível de qualidade da aprendizagem e do seu desempenho. Segundo os autores:

Um estudante motivado mostra-se ativamente envolvido no processo de aprendizagem, engajando-se e persistindo em tarefas desafiadoras, despendendo esforços, usando estratégias adequadas, buscando desenvolver novas habilidades de compreensão e de domínio. Apresenta entusiasmo na execução das tarefas e orgulho acerca dos resultados de seus desempenhos, podendo superar previsões baseadas em suas habilidades ou conhecimentos prévios. (GUIMARÃES e BZUNECK, pag. 2, 2002),

Guimarães e Bzuneck (2002) afirmam que a teoria da motivação no contexto escolar é constituída de duas dimensões: a intrínseca e a extrínseca . O aluno intrinsecamente motivado tem uma tendência natural para buscar novidade, desafio, para obter e exercitar as próprias capacidades. Refere-se ao envolvimento em determinada atividade por sua própria causa, por esta ser interessante, envolvente ou, de alguma forma, geradora de satisfação. Por outro lado, o aluno extrinsecamente motivado trabalha em resposta a algo externo à tarefa ou atividade, como para a obtenção de recompensas materiais ou sociais, de reconhecimento, ou com o objetivo de atender a comandos ou pressões de outros, ou ainda para demonstrar competência ou valor.

Levando em consideração as características de cada dimensão da motivação, os autores ( ibid. ) defendem que é desejável que as atividades escolares sejam elaboradas de forma a promover a motivação intrínseca dos estudantes. Esta pode despertar processos de aprendizagem da mais alta qualidade, constituindo-se, portanto, num objetivo valioso a ser buscado na área educacional. É possível identificar o tipo de motivação promovida por uma atividade através dos critérios indicadores de motivação intrínseca dos estudantes a partir da observação de comportamentos para a realização de uma tarefa que são a curiosidade para aprender, a persistência, o tempo despendido, o sentimento de eficácia.

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## 3 - Metodologia

## Objetivo

Investigar as opiniões dos estudantes antes e depois de participarem de uma sessão de Reconhecimento do Céu e também aspectos motivacionais para a realização de atividades propostas para serem desenvolvidos no retorno à sala de aula.

## Descrição da Atividade

O projeto Observando o Céu de Matilde visa promover atividades de Divulgação Científica em um espaço não formal de educação, contribuindo para a popularização e difusão da Ciência, por meio de atividades de observação do céu e de ensino e divulgação de Astronomia. As atividades têm sido desenvolvidas no pátio da Estação Ferroviária de Mathilde, que se tornou recentemente um patrimônio histórico e foi restaurado pelo IPHAN e fica localizada a 100 km do campus principal da UFES. Matilde é um distrito do município de Alfredo Chaves - ES, possui aproximadamente 400 moradores e uma escola de Ensino Fundamental e Médio. A escolha do local apresenta vantagens para a observação noturna do céu, devido a baixíssima iluminação ambiente e também a inexistência de poluição do ar. Além disso, está de acordo com a proposta de ampliação das atividades de Extensão Universitária e de Divulgação Científica para uma população totalmente carente desse tipo de atividade.

Para a realização das seções, dois alunos bolsistas do Projeto de Extensão 'Observando o Céu de Mathilde' fazem o agendamento prévio junto aos professores das escolas próximas à Estação. Em seguida, eles se deslocam, levando um telescópio portátil, um datashow e um notebook, para o trabalho com os alunos. As atividades são divididas em duas etapas: 1 - inicialmente os estudantes participam da sessão de apresentação dos conceitos relacionados ao tema da sessão e é realizada a observação do céu; 2 - no retorno à sala de aula é proposta uma atividade pós-observação para ser realizada na escola.

A apresentação é composta de três momentos. Inicialmente são apresentados os conceitos relacionados ao tema da sessão por meio de slides e vídeos. O estudo aqui relatado foi relacionado à sessão intitulada 'Nosso Lugar no Universo'. A apresentação de slides abordou conceitos de localização, dimensões e distâncias, mostrando onde estamos localizados dentro do Sistema Solar, na Via láctea e no Universo. Foram utilizadas também comparações entre os tempos de possíveis viagens entre planetas para trazer uma noção da distancia entre eles. Também foram utilizadas analogias para discutir as diferenças entre as dimensões dos planetas do Sistema Solar. Foi mostrado o vídeo Stars Size Comparison disponível na internet, no sítio < http://www.youtube.com/watch?v=HEheh1BH34Q>, para fornecer uma noção da diferença de tamanho entre os diversos tipos de estrelas existentes na nossa galáxia.

Em seguida, foi realizada uma atividade prática intitulada 'Sistema Solar de bolso' que consiste em representar as distancias dos planetas ao Sol em uma folha de papel. Assim, foi entregue a cada estudante uma tira de papel de tamanho A0, sendo então solicitado que cada um deles realizasse a seguinte atividade: escreva Sol em uma extremidade e Cinturão de Kuiper na outra; a meia distância da tira escreva Urano; a meio caminho de Urano e do Cinturão de Kuiper escreva Netuno; a meio caminho entre o Sol e Urano escreva Júpiter; a meio caminho de Jupiter e

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Urano escreva Saturno; a meio caminho de Jupiter e o Sol escreva Cinturão de Asteroides; entre este e o Sol escreva Marte; entre Marte e o Sol faça três dobras equidistantes; na mais próxima de Marte escreva Terra; na dobra do meio escreva Vênus e na dobra mais próxima do Sol escreva Mercúrio. Esta atividade permite visualizar aproximadamente a proporção das distâncias entre os planetas. O passo a passo desta atividade está disponível na internet, no site: http://nightsky.jpl.nasa.gov/download-view.cfm?Doc\_ID=392.

- A última atividade foi a observação do céu por meio do uso do telescópio para a observação do(s) planeta(s) que estivesse(m) no céu no dia da sessão, que neste caso foi Júpiter, e também a observação da Lua. A duração desta sessão foi de aproximadamente 2h, sendo que foram dispensados 40 minutos para a explanação dos conceitos, 20 minutos para a atividade prática do Sistema Solar de bolso e mais 1 hora para a observação do céu.
- A atividade pós-Observação com os estudantes foi realizada ao retornarem à escola e foi conduzida pelo professor, orientado pela nossa equipe. Ela consistiu na divisão dos estudantes em dois grupos para a preparação e apresentação do Sistema Solar em escala. O grupo 1 ficou responsável por comparar o tamanho do Sol em relação ao dos Planetas, providenciando 'bolas' de tamanho proporcionais a cada um deles. Para o Sol, foi utilizada um balão de aproximadamente 50cm de diâmetro. O tamanho dos planetas foi calculado pelos alunos em função da escala definida pelo diâmetro do balão representativo do Sol que foi fornecido por nós. O objetivo foi possibilitar uma visualização qualitativa da diferença dos tamanhos relativos entre eles.
- O grupo 2, responsável por determinar as posições de cada planeta relativamente ao Sol, os alunos ficaram responsáveis por calcular as distâncias proporcionais entre o Sol e os planetas. Para isso, eles foram orientados a utilizar a quadra de esportes da escola e colocar o Sol em uma extremidade da quadra e o Cinturão de Kuiper na outra extremidade. A posição dos demais planetas segue a mesma lógica do Sistema Solar de bolso. O objetivo foi possibilitar uma visualização qualitativa da diferença das distâncias relativas entre eles. Após a preparação das atividades de cada grupo, o professor foi orientado a marcar uma aula para a montagem final, envolvendo o trabalho dos dois grupos, para possibilitar a visualização, na quadra de esportes, de um sistema solar em escala relativa. É importante ressaltar que os 2 grupos utilizaram escalas diferentes para cada atividade. Se o grupo 1 houvesse utilizado a mesma escala que o grupo 2, os astros teriam seu tamanho muito maior do que foi representado. Analogamente, se o grupo 2 houvesse utilizado a mesma escala que o grupo 1, só poderiam ser representadas na quadra da escola as distâncias dos planetas mais próximos do Sol.

## Amostragem

A sessão intitulada 'Nosso Lugar no Universo' foi realizada com 26 estudantes de Ensino Médio da Escola 'Felipe Módolo', localizada em Mathilde, distrito de Alfredo Chaves - ES, coordenados pela respectiva professora de Ciências e orientados pela nossa equipe.

## Estratégia de Coleta de Dados

- Os dados provenientes dos alunos foram coletados a partir de dois questionários , um aplicado antes e outro depois da apresentação do Show. O questionário antes é constituído de oito afirmações, onde o estudante deve

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responder escolhendo as opções: concordo , discordo e não sei e de três perguntas com resposta aberta. O objetivo foi mapear a relação dos alunos com a Astronomia e o interesse em estudar assuntos relacionados a mesma. Os resultados estão apresentados na Tabela 01. O questionário depois procurou levantar a opinião dos estudantes sobre a sessão de Observação do Céu, alguns conceitos discutidos durante a mesma e investigar possíveis mudanças no interesse dos alunos relacionados ao estudo da Astronomia. É constituído de quatro afirmações onde o estudante deve responder escolhendo as opções: concordo , discordo e não sei e de três perguntas com resposta aberta. Os resultados estão apresentados na Tabela 02. Solicitamos também ao professor um relato sobre a realização das atividades.

## 4 - Análise de Dados

Inicialmente são analisados os dados relacionados aos questionários aplicados aos estudantes antes e depois da participação da sessão 'O Nosso lugar no Universo' e em seguida é analisado o relato do professor sobre as atividades realizadas pelos estudantes pós-sessão.

Os resultados do Questionário Antes estão apresentados na Tabela 01 e mostram que a grande maioria dos alunos assinalou a opção não sei ou discordo da Afirmação 1. Isso indica uma possível falta de conhecimento dos assuntos relacionados à Astronomia. No entanto, os resultados da Afirmação 2 indicam que eles tem interesses no assunto.

Tabela 01: Resultados do questionário aplicado antes da sessão 'Nosso Lugar no Universo'.

Como a Astronomia é uma Ciência fortemente ligada à Física, os estudantes foram também questionados sobre a mesma. Na Afirmação 3, as opiniões revelaram que a grande maioria dos estudantes gosta da Física. Mas, na Afirmação 4, os percentuais indicam que eles ficam divididos na determinação para estudar Física, corroborando os resultados encontrados por Tamiasso et al (2013), em um estudo semelhante a este, onde os estudantes participaram da apresentação do Show de Física da UFES. Com relação ao professor, a grande maioria dos estudantes assinalou que gosta de suas aulas, que ele tem domínio do conteúdo, que ele estimula o estudante a participar das aulas e foram unânimes em dizer que ele se preocupa com o aprendizado da turma.

Com relação às perguntas abertas, os estudantes foram questionados se já haviam participado de alguma atividade relacionada à Astronomia: 52% reponderam sim, afirmando ter participado da OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia). A

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segunda pergunta foi se eles conheciam os planetas e a estrela que formam o Sistema Solar: 37% dos estudantes responderam que sim. Por fim, eles foram questionados sobre a diferença entre o Sistema Solar e a Via Láctea: apenas 21% dos estudantes souberam distinguir corretamente um do outro. Assim, apesar de metade dos estudantes (52% deles) terem participado da OBA, apenas alguns deles (12%) tinham clareza de alguns conceitos básicos de Astronomia.

A Tabela 02 mostra os resultados do Questionário Depois da sessão. Na afirmação 1, 72% dos estudantes admitiu que gostaria de participar de um grupo para o desenvolvimento de atividades relacionadas à Astronomia. Em relação ao resultado antes da sessão, pode-se observar que houve uma mudança de opinião da maioria dos indecisos e de todos os discordantes, após a sessão. As opiniões ficaram divididas quando questionados se gostariam de estudar Astronomia. A grande maioria demonstrou gostar da sessão e todos a recomendariam aos seus colegas.

Tabela 02: Resultados do questionário aplicado depois da sessão 'Nosso Lugar no Universo'.

Com relação às perguntas abertas, os estudantes foram solicitados a dizer o que sentiram durante a sessão: 99% respondeu utilizando os adjetivos: legal, interessante, animo, prazer e vontade de aprender mais coisas sobre Astronomia. Eles também foram questionados sobre o que mais gostaram durante a sessão: As respostas ficaram divididas entre a observação com o telescópio e a explicação do conteúdo . Já em relação ao que os estudantes menos gostaram, apenas 16% disseram que gostariam de ter visto mais coisas, tanto com relação à observação quanto com relação à explicação do conteúdo.

Uma última pergunta feita aos estudantes solicitava que dessem uma nota à sessão 'Nosso Lugar no Universo'. A média aritmética das notas dadas foi de 9,28 em 10,0 possíveis Este resultado também é um indicativo da grande aprovação da . sessão pelos estudantes. Os resultados encontrados apontam que sessões relacionadas à Astronomia, tal como a que foi relatada aqui, no contexto de espaços não formais de educação podem despertar o interessar e motivá-los para o entendimento do nosso Sistema Solar, da Via Láctea, entre outros temas.

No relato da Professora sobre o desenvolvimento das atividades depois da sessão 'Nosso Lugar no Universo', foi informado que o desenvolvimento da atividade recebeu 1/3 da nota do trimestre de cada aluno participante. O grupo 1 foi formado por 16 alunos e ficou responsável por encontrar/produzir as 'bolas' representativas de cada planeta do Sistema Solar. O Grupo 2 foi formado por 10 alunos e ficou responsável por determinar as posições de cada planeta relativamente ao Sol, no espaço da quadra de esportes. Os pontos positivos levantados pelo professor durante o desenvolvimento das atividades foram:

- 1. Melhorou o envolvimento, a interação e a participação dos alunos durante as aulas;

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- 2. A maioria dos estudantes se empenhou em realizar as tarefas.
- 3. Despertou a curiosidade e o interesse dos alunos sobre Astronomia;
- 4. Ampliou o conhecimento sobre o tema;
- 5. Entusiasmo dos alunos na realização das atividades;
- 6. Interação dos alunos nas atividades realizadas em grupo.

Os ponto 1 e 2 indicam que a atividade de construção de um modelo do Sistema Solar em escala é capaz de modificar o comportamento dos estudantes aparentemente desmotivados nas aulas tradicionais, corroborando com Tamiasso et al (2013). Como a proposta desta atividade difere bastante do que, em geral, é feito em uma aula tradicional, a observação deste comportamento dos estudantes pode ser um indicativo da necessidade de mudança de estratégia das aulas tradicionais. E uma possibilidade é o desenvolvimento de atividades onde o estudante assume uma postura mais ativa em relação ao que deve ser aprendido.

Nos pontos 3 e 4, a percepção do professor indica que os alunos tiveram interesse em entender o tema que foi tratado na sessão e curiosidade para aprender. Estes comportamentos dos estudantes, percebidos pelo professor, segundo Guimarães e Bzuneck (2002) são alguns indicadores de que esta atividade é capaz de promover a motivação intrínseca dos estudantes. Portanto, atividades desta natureza tem o potencial de envolver os estudantes no estudo dos conceitos relacionados à Astronomia.

No trabalho de Tamiasso et al (2013), estes pontos também foram relatados pelos professores que fizeram parte do estudo. Assim, a corroboração destas observações, por outros professores, em atividades desenvolvidas pós-visita a uma atividade de Divulgação Científica em um Espaço Não Formal de Educação, reforça a hipótese de que o desenvolvimento desse tipo de atividade é capaz de melhorar os comportamentos relatados pelo professor e consequentemente a qualidade das suas aulas.

Os pontos negativos levantados pelo professor durante o desenvolvimento das atividades estão listados abaixo:

- 1. O período de realização da atividade proposta coincidiu com o período de aplicação das avaliações, dificultando a realização da atividade;
- 2. Por ser a céu aberto, o espaço da quadra de esportes escolhido para a representação do Sistema Solar dependia das condições climáticas, provocando atrasos na realização da mesma;

Com relação ao ponto 1, as aulas da referida escola ocorrem no turno noturno de modo que, em geral, os alunos não tem disponibilidade para a realização de tarefas em horários alternativos. Portanto, as tarefas extras precisam disputar espaço com as obrigatórias, tornando-se uma dificuldade constante na realização de atividades tais como a montagem do Sistema Solar em escala, pós-sessão de Observação do Céu. O ponto 2 revela um problema de ausência de espaço físico adequado para a realização de atividades desta natureza. Embora tais dificuldades atrapalhem a realização da atividade, elas não devem ser utilizadas como impeditivas (e não foram!) para a realização das atividades. Os benefícios obtidos justificam o esforço necessário para a realização das tarefas.

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## 5 - Conclusão

Este trabalho buscou investigar as opiniões dos estudantes antes e depois de participarem de uma sessão de Observação do Céu e também aspectos motivacionais para estudar assuntos relacionados à Astronomia no retorno à sala de aula. Os resultados relacionados à opinião dos estudantes sugerem que antes da sessão eles não tinham muito conhecimento/informação sobre a Astronomia, não demostrando muito interesse pelo tema. Depois da sessão, os resultados indicam que houve uma mudança na opinião dos mesmos sobre o tema. Além disso, eles foram unânimes em dizer que recomendariam tal sessão aos seus colegas. O relato do professor nas atividades pós-sessão de construção do Sistema Solar em escala, no retorno à sala de aula, indica que os estudantes apresentaram comportamentos reveladores de uma atividade capaz de promover a motivação intrínseca dos mesmos (GUIMARÃES e BZUNECK 2002).

Estes resultados são indicativos de que, atividades desenvolvidas no contexto de espaços não formais de educação, articuladas ao trabalho do professor em sala de aula, tem o potencial de envolver e motivar os estudantes para o estudo da Astronomia e da Ciência de modo geral (TAMIASSO et al 2013) . Em um futuro próximo, esta atividade poderá servir ainda como uma das tarefas a serem realizadas pelos estudantes no tempo extra previso na implantação da escola em tempo integral, já em discussão nas secretarias de educação.

## 6 - Agradecimentos

Aos estudantes e à professora da escola 'Felipe Módolo', responsável pela articulação das atividades junto a nossa equipe.

## 7 - Referências

DAVIDOVICH, L. Livro Azul da 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável - Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia/Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, 2010.

BASSANI, N.; TAMIASSO, S.; AMEIXA, G.; GOMES, G.; CAMILETTI, G. Investigação da contribuição do Show de Física da Ufes para o aumento do interesse de um grupo de alunos de ensino médio pela Ciência Física - In: Atas do XX Simpósio Nacional de Ensino de Física, São Paulo, SP, 2012

GUIMARÃES, S. E. R.; BZUNECK, J. A. Propriedades psicométricas de uma medida de avaliação da motivação intrínseca e extrínseca: um estudo exploratório. Psico-USF , v. 7, n. 1, p. 01-08, 2002.

MONTEIRO, I.C.C.; GASPAR, A. Um estudo sobre as emoções no contexto das interações sociais em sala de aula. Investigações em Ensino de Ciências , Porto Alegre, 2007, p. 71-84. Disponível em: <http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/vol12/n1/v12\_n1\_a3.htm> Acesso: maio 2012.

TAMIASSO S., SIMAN M., AMBRÓZIO R. e CAMILETTI G . Uma avaliação sobre a opinião e a motivação dos estudantes que participaram de um Show de Física. In: XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Ciências - ENPEC. 10 a 14 de novembro de 2013, Águas de Lindóia -SP. Disponível em http://www.adaltech.com.br/testes/ixenpec/resumos/R1680-1.pdf . Acesso em maio 2014.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.