Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

O Céu ao Alcance de Todos: A Astronomia Usada Para a Popularização e a Valorização da Ciência

Edio Da Costa Junior, Bruno Da Silva Fernandes, Arthur C. Figueiredo, Camila M. Dutra, Lariane De C. Lacerda, Luiz F. B. Queiroz, Pedro H. A. Da Silva, Grasielle C. Superbi, Hennan C. Queiroz, Maria C. S. Araújo, Maria E. S. Araújo, Andreza De J. Siqueira, Marcus Vinícius Duarte Silva

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2015

Texto completo

## O CÉU AO ALCANCE DE TODOS: A ASTRONOMIA USADA PARA A POPULARIZAÇÃO E A VALORIZAÇÃO DA CIÊNCIA a

Edio da Costa Junior , Bruno da Silva Fernandes , Arthur Cardoso Figueiredo , 1 2 2 Camila Mendes Dutra 2 , Lariane de Carvalho Lacerda , Luiz Fernando Barbosa 2 Queiroz 2 , Pedro Henrique Assunção da Silva , Grasielle Custódio Superbi , 2 2 Hennan Crystian Queiroz 2 , Maria Cecília Silva Araújo , Maria Eduarda Silva 2 Araújo 2 , Andreza de Jesus Siqueira , Marcus Vinícius Duarte Silva 2 3

1 Instituto Federal de Minas Gerais, Campus Ouro Preto, Coordenadoria de Física, edio.junior@ifmg.edu.br

2 Instituto Federal de Minas Gerais, Campus Ouro Preto, bolsistas, ifmg.op.astronomia@gmail.com

3 Congonhas, Departamento de Física,

Instituto Federal de Minas Gerais, Campus marcus.duarte@ifmg.edu.br

## Resumo

Diferentes povos ao redor do planeta se interessam e são instigados pelos eventos celestes há milênios. Os registros astronômicos mais antigos datam de mais de 2000 a.C., demonstrando que o hábito de observar o céu tem acompanhado nossos ancestrais há muito tempo. Aliado a isso, a astronomia observacional já provou desempenhar um grande papel motivador nas pessoas, despertando o interesse pela ciência e podendo ser usada como uma ferramenta poderosa de difusão e inclusão científica. Baseado no exposto, e em relatos de projetos semelhantes e bem sucedidos tanto no Brasil quanto no exterior, uma equipe do Instituto Federal de Minas Gerais - Campus Ouro Preto (IFMG-OP) deu início a esse projeto de extensão no segundo semestre de 2011. São oferecidas observações astronômicas com o uso de um telescópio e uma luneta da Coordenadoria de Física (CODAFIS), aproximando o IFMG-OP da comunidade ouro-pretana e das cidades vizinhas. Já foram realizadas observações tanto no IFMG-OP como em pontos bem localizados e de fácil acesso da cidade e da região. As atividades são sempre acompanhadas pelos monitores bolsistas e, quando possível, pelo coordenador do projeto, de forma que possíveis debates ou questionamentos científicos possam ser estimulados. Além disso, diversas vezes também foram apresentados vídeos e séries consagradas sobre astronomia, além de palestras sobre tópicos de interesse. O público alvo do projeto engloba desde estudantes do ensino fundamental a alunos de graduação e pós-graduação, passando por entusiastas e por pessoas que nunca tiveram contato com ciências. Desde o início do projeto cerca de 2000 pessoas já participaram das atividade oferecidas. O elevado interesse e fascínio que o assunto/projeto desperta é a grande motivação para a continuidade dos trabalhos.

Palavras-chave : Astronomia observacional, divulgação científica, telescópio

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Introdução

O interesse e fascínio do homem pelo espaço é algo que se estende por milênios. O primeiro fenômeno espacial documentado se refere às auroras, emissões eletromagnéticas em um grande intervalo de frequências e que podem ser bastante intensas, decorrentes da liberação de energia das partículas do vento solar no interior da magnetosfera terrestre nas regiões polares. Referências a auroras podem ser encontradas em literaturas remotas, tanto do ocidente quanto do oriente, datadas de mais de 2000 anos a.C., mostrando que o fenômeno já despertava interesse, superstição, temor e curiosidade mesmo antes do desenvolvimento da ciência como a conhecemos hoje (Kivelson and Russell, 1995; Akasofu, 1972).

Um outro fenômeno espacial que possui relatos muito antigos na literatura são as popularmente chamadas 'estrelas cadentes', fenômeno caracterizado por luzes em movimento no céu noturno (Oliveira Filho, 2004). Hoje em dia é conhecido o fato de que essas luzes são causadas simplesmente pela entrada de poeira e pequenos corpos interplanetários na atmosfera da Terra, mas no passado elas se encarregaram de mexer com o imaginário popular.

No entanto, o surgimento de estudos sistemáticos empregando o método científico aos fenômenos espaciais e terrestres tardou muito a acontecer. A alavanca para essa evolução foi a descrição do campo geomagnético em 1600 por Gilbert (Gilbert, 1600). A existência desse campo já havia sido percebida através da orientação de bússolas primitivas vários séculos antes (Akasofu, 1972; Campbell, 1997). Porém, somente com o trabalho de Gilbert (1600) foi possível uma explicação concisa do fenômeno. A partir de então, estudos científicos mais detalhados, e não apenas observacionais, abriram as portas para o desenvolvimento desse ramo da ciência até seu status atual.

Foi a partir daí também que teve início a separação, embora ainda parcialmente, das emergentes ciências espaciais e da astrologia, pseudociência bastante cultuada e creditada naquela época. Infelizmente, até os dias atuais a ciência não é um instrumento muito difundido em todos os setores sociais. Várias crendices populares nitidamente ainda sobrevivem, em uma época em que uma missão tripulada a Marte é uma realidade próxima, uma época em que sondas espaciais lançadas décadas atrás cruzam os limites de nosso sistema solar e continuam enviando os dados coletados à Terra, uma época em que os avanços na genética permitem o tratamento de doenças degenerativas através da manipulação de células clonadas. Isso ainda mantém muitas pessoas alienadas em relação ao método científico. Mas é inegável o grande, rápido e eficiente avanço científico e tecnológico alcançado desde o fim da idade média. Mesmo que muitas pessoas ainda vejam a ciência com certa desconfiança e resistência, é impossível não se beneficiar dos seus resultados e produtos.

No que diz respeito ao telescópio, sua invenção é atribuída ao holandês Hans Lippershey (1570-1619), que teria construído o primeiro exemplar em 1608, em Middlesburg, na Holanda. Galileo Galilei (1569-1642) tomou conhecimento dessa

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

invenção em 1609 e, em 1610, sem ter visto o aparelho original construído por Lippershey, construiu o seu próprio, com um poder de aumento de três vezes (Oliveira Filho, 2004). A partir de então, temos olhado para o céu com telescópios que ampliam cada vez mais nossa capacidade de visão, nos permitindo ver mais longe na imensidão do universo. Com os telescópios atuais, podemos aumentar até bilhões de vezes o nosso alcance visual.

Antigamente, o ser humano vislumbrava-se com as noites estreladas, atribuía ao céu a morada dos deuses, identificava os astros e se orientava pelas estrelas quando navegava pelos mares. No entanto, a magia de observarmos o céu está se perdendo gradualmente. A poluição luminosa, a poluição atmosférica e a correria crescente de nossas vidas modernas têm tornado o vislumbramento da beleza do céu noturno uma prática quase esquecida. Até mesmo o simples nascer e pôr-do-sol já não são mais tão contemplados.

Tendo em vista a perda de interesse da população pelo céu noturno e a grande capacidade de motivação que a astronomia observacional pode despertar nas pessoas (Soares, 2008; Araújo Sobrinho, 2009; Marrone Júnior e Trevisan, 2009; Iachel, 2009; Aroca e Silva, 2011), esse projeto se propõe a popularizar as observações astronômicas e difundir a ciência, principalmente através da utilização de um telescópio e uma luneta. Para tanto, são organizadas observações no próprio IFMG-OP e também em outros locais públicos de Ouro Preto e região, como escolas, praças, estações etc. Além das observações, também são apresentados vídeos e oferecidas palestras sobre o universo e o sistema solar, familiarizando o público aos termos e objetos das observações.

- O telescópio oferece uma poderosa opção de ensino. Com as observações e palestras, buscamos sempre despertar na população a curiosidade e o fascínio pela ciência, levando o termo a pessoas que talvez nunca tiveram contato com a mesma. Por outro lado, almeja-se também estimular um maior interesse pela física em estudantes de ensino fundamental, médio e superior, tanto do IFMG-OP quanto da sociedade em geral. Por fim, vale ressaltar que o projeto ainda tem um papel importante na divulgação do curso de Física, modalidade Licenciatura, do IFMG-OP.
- O projeto existe desde o segundo semestre de 2011 e, a partir de maio de 2012, foi oficializado como um projeto de extensão, com bolsas oferecidas pelo IFMG-OP aos alunos monitores. Sempre contamos com cinco bolsistas por vigência do projeto, sejam estudantes de cursos técnicos ou do curso de Física.

## Materiais e Métodos

Para as apresentações de vídeos realizadas no IFMG-OP, basicamente foi utilizada uma sala com recursos audiovisuais, bem como o auditório da biblioteca. As apresentações feitas em escolas contam com a infraestrutura das mesmas. Dentre as séries completas apresentadas, destacamos: 'ABC da Astronomia', produzida pela TV Escola; 'Espaçonave Terra', uma produção francesa e 'Cosmos', série de TV realizada por Carl Sagan e sua esposa Ann Druyan.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Nosso telescópio é do tipo Smicht-Cassegraniano de montagem equatorial e de distância focal igual a 2032 mm, fabricado pela MEADE (modelo LX90). É um aparelho de grande razão focal (f10), ideal para a observação de objetos luminosos, como a Lua e planetas. Possui acompanhamento automático e pode ser facilmente movimentado por controle remoto. Além disso, seu sistema de GPS possibilita a busca de objetos no céu através de coordenadas equatoriais. Dispomos também de um conjunto de filtros e de lentes oculares com distâncias focais que variam de 6,4 mm a 40 mm. Finalmente, o aparelho conta também com uma câmera CCD, que somente pode ser operada via software.

<!-- image -->

<!-- image -->

Figura 01: Quadro superior esquerdo: Alunas de cursos noturnos do IFMG participando de observação acontecida no campus. Quadro superior direito: palestra proferida por bolsista projeto a público predominantemente infantil em escola de Rodrigo Silva, zona rural de Ouro Preto. Quadro inferior esquerdo: bolsista auxiliando crianças em observação em drigo Silva. Quadro inferior direito: Crianças fazendo observação com a luneta, sob a do Ro supervisão de um bolsista, na Escola Estadual Marília de Dirceu, em Ouro Preto.

<!-- image -->

tro Regional de Ensino em Astronomia (19º EREA), acontecido em Belo Horizonte. Além do telescópio, que certamente é a maior atração do projeto, também possuímos uma luneta, oferecida à CODAFIS graças a um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A mesma foi recebida pelo coordenador do projeto durante o 19º Encon

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

<!-- image -->

A Figura 1 mostra algumas fotos de atividades acontecidas durante o projeto. Os detalhes podem ser conferidos nas legendas das mesmas.

As observações no instituto e em locais públicos são previamente agendadas e comunicadas à sociedade e também aos alunos e servidores do IFMGOP. A divulgação acontece através de cartazes que são afixados no campus e próximo aos locais das atividades externas, contando com o auxílio do setor de comunicação social do campus para divulgação no site institucional, além de rádios e jornais impressos da cidade.

Todas as etapas do processo são acompanhadas de perto pelo coordenador, que sempre avalia o desenvolvimento e abrangência dos trabalhos, podendo propor alterações ou inclusões de atividades, sempre com o intuito de atingir da melhor forma os objetivos e o público alvo. Além disso, o desempenho dos bolsistas e a correta realização das atividades sempre são colocados em pauta, uma vez que o êxito dos trabalhos propostos depende de forma direta do grau de comprometimento, preparação e organização da equipe.

Dessa forma, o coordenador tem contato direto com o público, uma vez que acompanha os bolsistas nas observações, sempre que possível, tendo um feedback das pessoas assistidas pelo projeto, podendo ouvir suas opiniões. Frente a isso, é possível avaliar a qualidade dos trabalhos, usando a resposta do público como um 'termômetro' para a tomada de decisões e mudanças de estratégias na condução das atividades.

## Resultados e Discussões

Por se tratar de um projeto astronômico, as condições climáticas devem ser adequadas para a realização das observações. Assim, muitas vezes foi necessário cancelar atividades propostas por más condições meteorológicas. Por más condições meteorológicas entenda-se: cobertura de nuvens, que impossibilita a observação celeste por motivos óbvios; umidade do ar e chuva, que podem causar grandes danos ao telescópio como, por exemplo, danificar os equipamentos eletrônicos e levar à geração de mofo nas lentes e espelhos; incidência de neblina, pelos motivos descritos anteriormente. Como o clima de Ouro Preto é bastante chuvoso, umidade e neblinas são corriqueiras e longos períodos de mal tempo, algumas vezes superiores a um mês, impossibilitaram a realização de mais observações.

Entretanto, apesar das dificuldades supracitadas, a equipe de trabalho e os gestores locais acreditam que o projeto tem alcançado de forma bastante satisfatória seus objetivos, atingindo de forma plena seu público alvo. Mais de duas mil pessoas já participaram das atividades oferecidas.

Como se trata de um projeto destinado, principalmente, a leigos em astronomia, sempre foram preferidas as observações em datas em que seria possível visualizar a Lua. Além disso, é necessário que o astro esteja no céu nas primeiras horas da noite, para que as observações sejam feitas em horários

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

compatíveis com o público alvo. Tais dias correspondem basicamente à fase lunar Nova e Crescente. Em dias de Lua Cheia, apesar da mesma estar visível no início da noite, a observação de outros corpos é dificultada pelo grande brilho do nosso satélite. Além disso, observações demoradas e sem o uso de filtros adequados durante a fase 'mais brilhante' podem causar danos à visão, exigindo uma maior atenção da equipe do projeto.

O motivo de se dar preferência à Lua é simples: por ser o astro mais próximo da Terra, é possível observá-la com uma grande riqueza de detalhes no que diz respeito a crateras, relevo, sombras e cores. Assim, já foi constatado em várias observações que a mesma exerce um grande poder motivador sobre os observadores.

Obviamente, as observações não se restringem apenas à Lua. Saturno chama muito a atenção das pessoas, pois se diferencia dos outros planetas pelos seus anéis perfeitamente visíveis com o telescópio. Júpiter também tem se mostrado um grande estímulo, pois é possível ver seus quatro maiores satélites naturais, as chamadas luas galileanas, além de manchas e cores do planeta. Além destes, já foram observados os planetas Marte e Vênus, bem como várias estrelas (simples e duplas), constelações, aglomerados e nebulosas.

Além do caráter acadêmico e extensionista do projeto, levando conhecimentos astronômicos à população em geral, podemos também ressaltar outros resultados indiretos. Por exemplo, o nome IFMG-OP foi melhor difundido junto à comunidade, seja de Ouro Preto como de distritos e cidades vizinhas. Além disso, há uma maior divulgação do curso de Física do campus , mediante as atividades desenvolvidas.

## Conclusões

- O projeto se mostrou muito incisivo ao despertar a atenção das pessoas para a ciência. Além disso, o curso de Física do IFMG/OP recebeu uma publicidade extra, uma vez que várias pessoas interessadas no assunto questionaram e se interessaram pelo mesmo.

Como constatado em outros projetos e estudos (Soares, 2008; Araújo Sobrinho, 2009; Marrone Júnior e Trevisan, 2009; Iachel, 2009; Aroca e Silva, 2011), foi bastante perceptível a imensa influência e fascinação que a astronomia observacional desperta nas pessoas, em especial nas crianças. É comum ouvir das crianças, ao se afastarem do telecópio, frases e exclamações do tipo: ' É lindo! ', ' Incrível! ', ' A Lua tem buracos, que legal! ', etc. É notável que os adultos também se maravilham ao observarem o céu, mas é inegável que, em geral, os pequenos demonstram uma maior alegria e muito mais curiosidade frente a um telescópio. Se quisermos mudar nossa sociedade para melhor, é evidente que devemos começar pelas crianças. Devemos despertar nelas a curiosidade, incentivá-las na busca por verdades e objetivos, além de 'recheá-las' com bons conceitos de valores e de

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

moral. Dessa forma, o projeto sempre incluiu as crianças em suas atividades, seja trazendo-as ao campus, seja levando o telescópio a escolas de ensino fundamental.

Acreditamos que os resultados obtidos foram bastante significativos. Apesar das características da cidade de Ouro Preto, como neblina, umidade e chuvas regulares que, com relativa frequência, acabaram impossibilitando as observações por longos períodos, ainda assim foi possível levar os trabalhos a muitos lugares. Mais de duas mil pessoas participaram das atividades desenvolvida.

Com as atividades, foram atingidos não só estudantes e interessados em astronomia, mas também o público não-acadêmico. Através de relatos e reações dos participantes, acredita-se plenamente que um maior interesse científico nos envolvidos foi desenvolvido. Por exemplo, numa observação ocorrida em um distrito da cidade chamado Rodrigo Silva, um morador nos afirmou o seguinte: 'Trabalho de turno, então algumas vezes estou de plantão de madrugada. Sempre que posso fico observando o céu. Acho maravilhoso! Consigo perceber que tem uma mancha de luz no céu (a Via-Láctea) . Agora aprendi mais sobre o assunto, e quero aprender ainda mais. Vou pesquisar!' . Já no distrito de Santa Rita de Ouro Preto, outro morador nos disse: 'Quando era mais novo tive interesse em estudar sobre isso (Física e Astronomia) , mas faltou oportunidade. Sinto-me motivado novamente! Espero que essa oportunidade não falte ao meu filho!' . Finalmente, em atividade realizada em uma praça de Ouro Preto, uma senhora nos confidenciou: 'Ainda não desisti de estudar. Estou terminando o Ensino Médio esse ano e participarei do ENEM. Agora que vi a Lua, me sinto mais motivada!'.

No que diz respeito aos acadêmicos, é visível que muitos passaram a enxergar a Física e a Astronomia com outros olhos. Relato de uma aluna de Ensino Médio da cidade de Itabirito, vizinha a Ouro Preto: 'Ainda tenho dúvidas, mas acho que vou fazer Física mesmo. Física é muito interessante!' Já em Ouro Preto, um aluno de graduação da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), participou de uma observação e comentou: 'É incrível! Passei a vida inteira vendo fotos dos planetas (Júpiter e Saturno). Não consigo acreditar que estou olhando uma imagem real deles!'. Na Escola Estadual Horácio Andrade, também em Ouro Preto, um dos alunos do Ensino Médio afirmou: 'Agora achei a Física interessante! Até gosto de Física, mas em sala de aula só vejo fórmulas!' . Em outra observação em Ouro Preto, um jovem casal participou e relatou: 'Somos de Curitiba, estudamos na federal de lá. Não conseguimos ver estrelas lá por causa da luz da cidade. Nem sei se lá tem observatório, mas se tiver, iremos frequentar. O trabalho de vocês é muito interessante e motivador!' .

Baseado nisso, o projeto foi recentemente renovado por mais um ano. Dessa forma, as atividades continuarão no final de 2014 e no primeiro semestre de 2015, seguindo o mesmo modelo de execução aplicado nos dois primeiros anos de trabalho.

Finalmente, os membros da equipe acreditam que projetos parecidos devam ser incentivados e levados a cabo por outros grupos. Exemplos não faltam de sucesso atingido com abordagens parecidas. Além disso, há muito não nos

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

contentamos mais em apenas olhar para o céu, mas descobrimos que fazemos parte dele, ocupando esse 'pálido ponto azul', termo utilizado pelo astrônomo Carl Sagan para descrever nosso planeta em seu famoso livro Pale Blue Dot: A Vision of the Human Future in Space 1 (Sagan, 1994).

## Agradecimentos

Os autores agradecem à FAPEMIG, à CAPES e ao CNPq pelo auxílio financeiro em diferentes etapas da realização e apresentação do trabalho.

## Referências

Akasofu, S. I.; Chapman, S. Solar-Terrestrial Physics . Oxford: Oxford University Press, 1972.

Araújo Sobrinho, A. Jornadas Astronômicas: Difusão e Socialização dos Conhecimentos do Céu. Natal: Editora do IFRN, 2009.

Aroca, S. C. e Silva, C. C. Ensino de astronomia em um espaço não-formal: observação do Sol e de manchas solares . Revista Brasileira de Física. Vol. 33, n. 1, 1402, 2011.

Campbell, W. H. Introduction to Geomagnetic Fields. Cambridge: Cambridge University Press, 1984.

Gilbert, W. De Magnete: Original 1600 Book Translated by P. Fleury Mottelay in 1893 . New York: republished by Dover Publications, 1958.

Iachel, G; Bacha, M. G.; de Paula, M. P.; Scalvi, R. M. F. A montagem e a utilização de lunetas de baixo custo como experiência motivadora ao ensino de astronomia . Revista Brasileira de Física. Vol. 31, n. 4, 4502, 2009.

Kivelson, M. G; Russel, C. T. Introduction to Space Physics . New York: Cambridge University Press, 1995.

Marrone Júnior, J.; Trevisan, R. H. Um perfil da pesquisa em ensino de astronomia no Brasil a partir da análise de periódicos de ensino de ciências . Caderno Brasileiro de Ensino de Física. Vol. 26, n. 3, p. 547-574, 2009.

Oliveira Filho, K. S.; Saraiva, M. F. O. Astronomia e Astrofísica . São Paulo: Editora Livraria da Física, 2ª Ed., 2004.

Soares, M. C. R.; Rabiu, A. B.; Gopalswamy, N.; Thompson, B. J.; Davila, J. M.; Araújo Sobrinho, A. Outreach activities during the 2006 total solar eclipse sponsored by the International Heliophysical Year . Advances in Space Research. Vol. 42, n. 11, 1792-1799, 2008.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Sagan, C. E., Pale Blue Dot: A Vision of the Human Future in Space (1st ed.). New York: Random House, 1994.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.