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O IMPACTO DO PERFIL MOTIVACIONAL DO PROFESSOR NO COMPORTAMENTO DO ESTUDANTE EM ATIVIDADES DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA EM ESPAÇO NÃO FORMAL

Sanderley De Jesus Fernandes, Ana Paula Oliveira, Giuseppi Camiletti

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O IMPACTO DO PERFIL MOTIVACIONAL DO PROFESSOR NO COMPORTAMENTO DO ESTUDANTE EM ATIVIDADES DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA EM ESPAÇO NÃO FORMAL

Sanderley de Jesus Fernandes 1 , *Ana Paula Oliveira , Giuseppi Camiletti 2 3

- 1 Universidade Federal do Espírito Santo, sandecoploft@gmail.com
- 2 Universidade Federal do Espírito Santo, ap.fisica.3@gmail.com

## Resumo

Este trabalho apresenta uma proposta de atividade de Divulgação Científica, desenvolvida no contexto da educação não formal, integrada ao cotidiano de um Professor com o objetivo de avaliar os impactos na motivação dos estudantes para o estudo da Ciência Física na forma de um estudo de caso. Baseando-se na literatura sobre motivação, dois aspectos foram analisados: a orientação motivacional promovida pela atividade e o Perfil Motivacional do Professor. A atividade realizada foi o Show de Física da UFES, com um professor de Ensino Médio e seus respectivos estudantes. Os dados para este trabalho foram coletados através de questionários antes da apresentação do Show de Física da UFES e após a realização de atividades pós-Show de Física na escola. Para este grupo de estudantes, os resultados indicaram que a atividade pós-Show foi capaz de promover uma orientação motivacional intrínseca, sendo este um objetivo a ser perseguido em atividades escolares. Em relação ao perfil motivacional, os resultados indicaram que o professor é moderado promotor de autonomia. Portanto, existe um indício de uma relação entre o perfil do professor e a promoção da motivação intrínseca dos estudantes. Ressalta-se a importância deste resultado, no contexto das atividades do Show de Física, uma vez que professores com perfil motivacional promotores de autonomia são facilitadores das necessidades internas dos alunos, permitindo que se desenvolvam no âmbito escolar com segurança, valorizando seu próprio conhecimento e desempenhando esforços sem necessidade de incentivos externos.

Palavras-chave : Educação Não-Formal, Motivação, Show de Física.

## 1 - Introdução

As Instituições de Ensino Superior tem como uma das finalidades promover a divulgação científica nas mais diversas formas de comunicação, como previsto na LDB. Assim, a Universidade Federal do Espírito Santo, através do Programa de PósGraduação em Ensino de Física, ligado ao Mestrado Profissional Nacional em Ensino de Física da SBF/Polo 12/UFES, vem desenvolvendo um Programa de Extensão intitulado 'Popularização de Ciência em Espaços Não Formais de Educação'. Este Programa articula as atividades de três Projetos de Extensão: Mostra de Física, Show de Física e Observando o Céu de Mathilde. No presente artigo iremos relatar resultados de uma investigação relacionada às atividades desenvolvidas no contexto do Show de Física da UFES , em funcionamento desde 1 2011.

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26 a 30 de janeiro de 2015

Em trabalho anterior sobre as possíveis contribuições das atividades do Show de Física para a melhoria da qualidade da Formação do Professor de Física em Serviço, Tamiasso et al. (2013) sugerem que houveram mudanças no comportamento de alunos aparentemente desmotivados nas aulas tradicionais e melhorias das relações professor-aluno e aluno-aluno, após a participação no Show de Física e realização das atividades propostas. Este é um indicativo de que a participação no Show de Física da UFES e o desenvolvimento de tarefas pós Show pode se constituir de uma atividade complementar ao trabalho de sala de aula do professor de Física.

Outro aspecto de interesse relacionado ao desenvolvimento de atividades relacionadas ao Show de Física baseia-se na existência de diferentes perfis motivacionais de professores e seu impacto para a motivação do estudante para as atividades escolares, conforme sugerido por Guimarães e Boruchovitch (2004). Assim, este artigo pretende relatar os resultados de um estudo de caso sobre o impacto do perfil motivacional do professor no comportamento dos seus estudantes para o desenvolvimento de atividades de construção e explicação de experimentos após participarem do Show de Física.

## 2 - Referencial Teórico

Guimarães e Bzuneck (2002) argumentam que a motivação do aluno no contexto escolar tem um papel central no nível e qualidade da aprendizagem e do desempenho. Um estudante motivado mostra-se ativamente envolvido no processo de aprendizagem, persistindo em tarefas desafiadoras, despendendo esforços, usando estratégias adequadas, buscando desenvolver novas habilidades de compreensão e de domínio. Apresenta entusiasmo na execução das tarefas e orgulho acerca dos resultados de seus desempenhos, podendo superar previsões baseadas em suas habilidades ou conhecimentos prévios (Guimarães & Boruchovitch, 2004).

Guimarães & Boruchovitch (2004) apontam que o Perfil Motivacional do Professor é um fator a ser levado em consideração para promover a motivação do estudante no desenvolvimento de tarefas escolares. Esta característica está vinculada à personalidade do professor, mas é vulnerável a fatores sócios contextuais como, por exemplo, o número de alunos em sala de aula, o tempo de experiência no magistério, o gênero, a idade, as interações com a direção da escola, as concepções ideológicas, entre outros (Guimarães, 2003).

Osterman (2000, apud GUIMARÃES 2003) argumenta que o apoio oferecido pelos professores aos estudantes tem uma influência direta sobre o envolvimento com a escola e com as atividades escolares. O papel do professor deveria ser cuidadosamente analisado, possibilitando uma compreensão mais adequada dos motivos comumente atribuídos à falta de motivação ou de atitudes impróprias dos estudantes em relação à escola. Geralmente, os problemas neste âmbito são associados a causas internas, particulares do aluno, ao seu ambiente familiar ou ao próprio grupo de colegas a que pertence.

Neste sentido, Reeve (1998, apud Guimarães & Boruchovitch 2004) aponta que o estilo motivacional do professor refere-se à crença e confiança do professor em determinadas estratégias de ensino e de motivação. Alguns apresentam personalidade mais voltada para o controle, enquanto outros tendem mais a

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respeitar o outro em suas interações. Assim, Deci et al. (1981) consideram a existência de dois estilos motivacionais do professor, que variam em um continuum de Altamente Controlador a Altamente Promotor de Autonomia.

Os professores facilitadores da autonomia de seus alunos nutrem suas necessidades psicológicas básicas de autodeterminação, de competência e de segurança. Para que isso ocorra, eles oferecem aos alunos reconhecimento e apoio aos interesses, oportunizam escolhas e provém feedbacks significativos, fortalecem sua auto regulação autônoma e buscam alternativas para levá-los a valorizar a educação, em suma, tornam o ambiente de sala de aula principalmente informativo. Em contrapartida, os professores que confiam em um estilo relativamente controlador estabelecem para seus alunos, formas específicas de comportamentos, sentimentos ou de pensamentos, oferecendo incentivos extrínsecos e consequências para aqueles que se aproximam do padrão esperado. No ambiente de sala de aula o controle é a principal característica (Guimarães & Boruchovitch, 2004).

Resultados de pesquisas realizadas com alunos desde o ensino fundamental até o nível universitário, indicam que alunos de professores com estilo motivacional promotor de autonomia demonstram maior percepção de competência acadêmica, maior compreensão conceitual, melhor desempenho, perseveram na escola, aumentam sua criatividade para as atividades escolares, buscam desafios, são emocionalmente mais positivos, menos ansiosos, buscam o domínio e são mais intrinsecamente motivados, quando comparados a alunos de professores com estilo motivacional controlador (ibid.).

Portanto, o estilo motivacional do professor é importante fonte de influência para a orientação motivacional dos estudantes, refletindo no seu desempenho escolar e, por isso, merece interesse e atenção por parte dos interessados em propor atividades motivadoras aos estudantes (ibid.).

## 3 - Metodologia

## Objetivo

Investigar os impactos do Perfil Motivacional de um Professor no comportamento dos estudantes para o estudo da Ciência Física a partir da realização de uma atividade de Divulgação Científica no contexto da Educação Não Formal, integrada ao cotidiano do Professor.

## Descrição da Atividade

A atividade utilizada no contexto desta investigação foi O Show de Física da UFES , que pode ser caracterizado pela promoção da divulgação científica em espaço não formal de educação segundo a definição de Vieira et al (2005). A educação nãoformal ocorre quando existe a intenção de determinados sujeitos em criar ou buscar determinados objetivos fora da instituição escolar. Assim, ela pode ser definida como a que proporciona a aprendizagem de conteúdos da escolarização formal em espaços como museus, centros de ciências, ou qualquer outro em que as atividades sejam desenvolvidas de forma bem direcionada, com um objetivo definido (ibid.).

O Show se constitui de uma apresentação de sete experimentos de Física das áreas de Mecânica (banco de pregos e canhão de vórtices), Termodinâmica (congelamento de balões, congelamento de chips do tipo fandangos, choque

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térmico, todos usando nitrogênio líquido), ondas (tubo de Rubens) e eletromagnetismo (bola de plasma). Ele ocorre em um auditório e os experimentos são apresentados no contexto de pequenas estórias por dois locutores, que dialogam entre si e integram a plateia à dinâmica de apresentação, proporcionando a interatividade do público com os experimentos em um clima descontraído e prazeroso. O público alvo são estudantes e professores de Ensino Médio e o objetivo é despertar a curiosidade e interesse para o estudo e entendimento da Ciência Física. Neste sentido, a importância do lúdico está na possibilidade de aproximar, de uma forma prazerosa os alunos dos conceitos físicos abstratos, ressalta Santos et al . (2004).

A dinâmica do Show proposta pelo nosso grupo não contempla a explicação dos fenômenos físicos envolvidos nos experimentos durante a apresentação, pois representaria uma quebra na sequência proposta de interatividade e envolvimento dos apresentadores com a plateia. Assim, o entendimento dos conceitos e princípios envolvidos nos fenômenos explorados com os experimentos deve ocorrer depois da participação no Show, no retorno à escola com o envolvimento do professor responsável pelo grupo.

A atividade pós-Show com os estudantes é realizada ao retornarem à escola e é conduzida pelo professor. Esta consiste na divisão dos estudantes em grupos, para a construção e/ou explicação de um dos experimentos vistos durante o Show. Ao final, estes trabalhos desenvolvidos pelos estudantes devem ser apresentados para os demais colegas da turma. A equipe do Show auxilia o professor tanto na orientação dos alunos para o desenvolvimento das atividades quanto no dia das apresentações para os demais colegas da turma.

## Contexto das Atividades e Sujeitos

Para a realização deste estudo, o Show de Física foi apresentado para um grupo de 60 estudantes da segunda série de uma Escola de Ensino Médio e seu respectivo professor de Física, situada no município de Vitória - ES, pertencente à rede particular de ensino. O Show foi apresentado no auditório da própria escola.

## Estratégias para a Coleta de Dados

Momentos antes do inicio da apresentação, foi solicitado aos alunos que respondessem a um questionário antes do Show. Ele é composto por oito questões onde o aluno deveria expressar sua opinião escolhendo uma dentre as seguintes opções: Concordo , Discordo e Não Sei . Após a apresentação do Show e o retorno à sala de aula, o Professor responsável iniciou com seus alunos as atividades de construção e/ou explicação de um dos experimentos vistos durante o Show. Para investigar os impactos destas atividades depois do Show e buscar um avaliação sobre a orientação motivacional que elas promoveram nos estudantes, utilizamos um questionário composto de 28 afirmativas, com quatro possibilidades de respostas: Concordo Plenamente, Concordo, Discordo e Discordo Plenamente . Ele foi proposto originalmente por Amabile et al (1994) e denominado Work Preference Inventory (WPI). GUIMARÃES (2003) traduziu para o Português e validou o instrumento no contexto de atividades de uma disciplina de Psicologia da Educação. A autora (ibid.) indicou que tal questionário poderia ser adaptado e utilizado para identificar a componente motivacional intrínseca ou extrínseca promovida pela atividade.

Guimarães e Bzuneck (2002) afirmam que a teoria da motivação no contexto escolar é constituída de duas dimensões: a intrínseca e a extrínseca . O aluno

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intrinsecamente motivado tem uma tendência natural para buscar novidade, desafio, para obter e exercitar as próprias capacidades. Refere-se ao envolvimento em determinada atividade por sua própria causa, por esta ser interessante, envolvente ou, de alguma forma, geradora de satisfação. Por outro lado, o aluno extrinsecamente motivado trabalha em resposta a algo externo à tarefa ou atividade, como para a obtenção de recompensas materiais ou sociais, de reconhecimento, ou com o objetivo de atender a comandos ou pressões de outros, ou ainda para demonstrar competência ou valor (ibid.).

Por fim, para levantar o perfil motivacional do professor responsável pelos estudantes, solicitamos que ele respondesse a um questionário que apresentava oito vinhetas, contemplando situações do cotidiano de um ambiente escolar. Após cada vinheta, apresentavam-se quatro alternativas que correspondem à diferentes formas do professor lidar com o problema, devendo ser respondidas usando uma escala variando de 1, com o significado muito impróprio, até 7, com o significado muito apropriado . O questionário foi concebido de modo que cada opção de resposta representa um ponto ao longo de um continuum que vai de um estilo Alto Controlador (AC), passando por Moderado Controlador (MC), Moderado Promotor de Autonomia (MA) até Alto Promotor de Autonomia (AA).

Segundo a proposta dos autores, a pontuação de cada escala é computada pela média das oito respostas e os resultados para os quatro estilos são combinados: Estilo Motivacional=2(AA)+MA-MC-2(AC). Neste trabalho escolhemos excluir a vinheta de número sete do original por não se aplicar no contexto do público alvo do Show de Física. Este instrumento foi proposto originalmente por Deci (1981), denominado Problems in School (PS), traduzido e validado por Guimarães (2003) e chamado pela autora de Problemas na Escola (PE), que foi a versão utilizada por nós.

## 4 - Análise de dados

Inicialmente são analisados os dados relacionados aos Questionários aplicados aos estudantes e em seguida é analisado o Perfil Motivacional do professor responsável pelos estudantes. O conteúdo do Questionário aplicado antes do Show e as respectivas respostas dos estudantes estão mostrados no Quadro 01.

Quadro 01 : Percentuais de respostas das questões respondidas pelos estudantes, antes da apresentação do Show de Física.

Os resultados das questões de 1 a 4 corroboram os encontrados em estudo anterior por Tamiasso et al (2013) e apontam uma grande aceitação dos estudantes

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pela Física e pelo estudo da mesma. Os percentuais começam a diminuir quando questionados em relação à disponibilidade em participar de um grupo para construir experimentos e cai ainda mais quando questionados sobre a participação em um grupo para estudar os experimentos. Estes resultados indicam uma afeição pela Ciência Física por parte dos estudantes e também parecem apontar para uma resistência a se envolverem em atividades práticas relacionadas a mesma.

- O Questionário aplicado depois da realização das atividades de construção e/ou explicação dos experimentos vistos no Show teve o propósito de coletar dados para determinar a componente motivacional intrínseca ou extrínseca promovida pela atividade pós-Show. Para cada uma das 28 questões respondida pelo estudante, foi atribuído o seguinte valor numérico para as respostas: Concordo Plenamente (2), Concordo (1), Discordo (-1) e Discordo Plenamente (-2). Para cada estudante, foi somado o valor numérico das 28 respostas, de modo que um resultado positivo indica um aluno motivado intrinsecamente e um resultado negativo indica um aluno motivado extrinsecamente. No total, 48 (80%) estudantes apresentaram soma positiva, 8 (13,3%) apresentaram soma negativa, 4 (6,7) apresentaram soma nula.

Em seguida, calculamos a média das respostas de todas as notas encontradas e o resultado foi positivo com o valor de 7,33. Considerando a amostra de 60 estudantes, realizamos o teste Z estatístico, com o objetivo de verificar se a média encontrada é estatisticamente diferente de zero. O resultado encontrado confirmou a hipótese testada, com p-valor menor que 0,05 (95% de confiaça). Este resultado aponta que após a atividade pós-Show, este grupo de estudantes apresentou uma motivação com componente motivacional intrínseca.

- A literatura (GUIMARÃES & BZUNECK 2002) aponta que o aluno intrinsecamente motivado tem uma tendência natural para buscar novidade, desafio, para obter e exercitar as próprias capacidades. Refere-se ao envolvimento em determinada atividade por sua própria causa, por esta ser interessante, envolvente ou, de alguma forma, geradora de satisfação. Assim, atividades que despertam esta orientação motivacional sustentam processos de aprendizagem da mais alta qualidade, constituindo-se, portanto, num objetivo valioso a ser buscado na área educacional (ibid.).

Portanto, a importância do resultado encontrado por nós, reflete um estado motivacional dos estudantes favorável à aprendizagem após a realização das atividades propostas pela equipe do Show, apontando-a como uma atividade promissora para o envolvimento dos estudantes no estudo da Ciência Física. No entanto, como este estudo foi realizado com um grupo de alunos de uma escola e como não foi medido o estado motivacional dos mesmos antes da atividade, não é possível mensurar, no resultado por nós encontrado, o tamanho da influencia das atividades pós Show para a motivação dos alunos.

Para mapear o Perfil Motivacional do Professor, compilamos os dados do questionário PE (GUIMARÃES, 2003) e realizamos o cálculo (Estilo Motivacional=2(AA)+MA-MC-2(AC)), estabelecido por Deci et al (1981) e que foi descrito no último parágrafo da seção anterior. O resultado numérico encontrado para o perfil motivacional foi de 5,29. De posse deste valor, Machado et al (2012) propõe que a classificação do Perfil pode ser feita de acordo com os critérios abaixo:

- 9 De 9 até 18: Perfil Promotor de Autonomia;
- 9 De 0 até 9: Perfil Moderado Promotor de Autonomia;

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- 9 De 0 até -9: Perfil Moderado Controlador;
- 9 De -9 até -18: Perfil Controlador.

Portanto, para o professor deste estudo, o resultado obtido o classifica-o como tendo um perfil motivacional Moderado Promotor de Autonomia . Machado et al (2012) salientam que este perfil de professor é capaz de nutrir os recursos motivacionais internos dos estudantes mediante a satisfação das necessidades psicológicas básicas de autonomia, competência e pertencimento. E complementa sinalizando que estas são as três condições básicas para que uma pessoa se sinta motivada a desenvolver alguma tarefa.

A partir deste resultado do perfil do professor, buscamos uma relação com as opiniões dos estudantes expressadas no questionário antes do Show, que estão mostrados no Quadro 01. Os resultados das afirmações de 5 até 8, mostrando opiniões positivas dos alunos sobre o professor, indicam concordância com as características de um perfil moderado promotor de autonomia. Machado et al (2012) ressaltam que em sala de aula, o professor com este perfil é capaz de oferecer razões significativas para o envolvimento em atividades aparentemente pouco interessantes ou satisfatórias. É capaz também de fazer uso de linguagem informativa, não controladora, respeitar o ritmo de aprendizagem do aluno e reconhecer e aceitar a manifestação de emoções negativas no ambiente de sala de aula.

Assim, a constatação de uma opinião positiva dos estudantes sobre o professor e a realização de uma atividade pós-show que evidenciou a capacidade de promover a motivação intrínseca dos estudantes, parecem estar relacionada com o perfil motivacional do professor que participou deste estudo. Trata-se, portanto, de um estudo de caso onde é apontada uma relação entre o perfil motivacional do professor e a motivação do estudante, no contexto de uma atividade de divulgação científica no contexto de um espaço não formal de educação, como é o caso do Show de Física.

## Conclusão

Este trabalho procurou analisar os impactos na motivação de um grupo de estudantes para o estudo da Física a partir de realização de uma atividade de Divulgação Científica no contexto da Educação Não Formal integrada ao cotidiano do Professor. As atividades do Show de Física foram realizadas com os estudantes de um professor de Ensino Médio e a análise dos dados, visando avaliar os impactos da atividade na motivação do estudante para o estudo da Ciência Física, foi realizada levando-se em consideração a possível relação entre dois aspectos: a orientação motivacional promovida pela atividade e o Perfil Motivacional do Professor.

- O tratamento estatístico dos dados provenientes do questionário WPI, evidenciou que os estudantes apresentaram uma componente motivacional intrínseca após a realização das atividades pós-Show. O resultado do questionário PE proposto por Guimarães (2003) sugere que o professor deste estudo possui um perfil Moderado Promotor de Autonomia. Portanto, existe um indicativo de que o Perfil Motivacional do Professor pode ter favorecido este comportamento dos estudantes. Ressalta-se a importância deste resultado, no contexto das atividades do Show de Física, uma vez que professores com perfil motivacional promotores de autonomia são facilitadores das necessidades internas dos alunos. E ainda, eles

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permitem que se desenvolvam no âmbito escolar com segurança, valorizando seu próprio conhecimento e desempenhando esforços sem necessidade de incentivos externos (GUIMARÃES & BORUCHOVITCH 2004).

Nosso grupo de pesquisa está dando continuidade a essa investigação, envolvendo novos professores nas atividades do Show de Física e nas consequentes atividades pós-show. Portanto, estamos buscando ampliar o conjunto de dados para avançar no entendimento da possível relação existente entre o perfil motivacional do professor e a componente motivacional promovida nos estudantes. Entender como professores promotores de autonomia ou professores controladores interferem na motivação dos estudantes no contexto das atividades desenvolvidas nos espaços não formais, pode fornecer orientações úteis para a formação continuada destes profissionais.

## Referências

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DECI, E. L; SCHWARTZ, A. J.; SHEINMAN, L; RYAN, R. M. An instrument to assess adults' orientations toward control versus autonomy with children: Reflections on intrinsic motivation and perceived competence . Journal of Education Psychology , Arlington, v. 73, n. 5, p. 642-650, 1981.

GUIMARÃES, S. E. R.; BZUNECK, J. A. Propriedades psicométricas de uma medida de avaliação da motivação intrínseca e extrínseca: um estudo exploratório. Psico-USF , v. 7, n. 1, p. 01-08 2002.

GUIMARÃES, S. E. R. Avaliação do estilo motivacional do professor: Adaptação e validação de um instrumento . Tese (Doutorado em Educação) Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, São Paulo. 2003.

GUIMARÃES S. E. R.; BORUCHOVITCH, E. O Estilo Motivacional do Professor e a Motivação Intrínseca dos Estudantes: Uma Perspectiva da Teoria da Autodeterminação. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2004, 17(2), pp.143-150. São Paulo, 2004.

SANTOS, E. I.; PIASSI, L. P. C. e FERREIRA, N. C. Atividades Experimentais de Baixo Custo como Estratégia de Construção da Autonomia de Professores de Física: Uma Experiência em Formação Continuada. In: Atas do IX EPEF - Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Jaboticatubas, MG, 2004.

MACHADO, A. C. T. A.; RUFINI, S. E.; MACIEL, A. G.; BZUNECK, J. A. Estilos motivacionais de professores: preferência por controle ou por autonomia. Psicol. cienc. Prof. [online]. 2012, vol.32, n.1, pp. 188-201. ISSN 1414-9893.

TAMIASSO, S. ; CAMILETTI G. G. ; SIMAN, M. B. ; AMBROZIO, R. M. . Uma Avaliação sobre a Opinião e a Motivação dos Estudantes que Participaram de um Show de Física. In: Encontro de Pesquisa em Ensino de Ciências, 2013, Águas de Lindóia. Anais do IX Encontro de Pesquisa em Ensino de Ciências, 2013.

VIEIRA, V.; BIANCONI, M. L.; DIAS, M. Espaços não-formais de ensino e o currículo de ciências. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 57, n. 4, out./dez, 2005.

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