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ELEMENTOS INICIAIS DO DIAGNÓSTICO DE ESCOLAS CONVENIADAS AO PIBID/FISICA/UFRN A PARTIR DE MANIFESTAÇÕES DOS ALUNOS

Mykaell M. Silva, Arthur C. Andrade, Auta Stella M. Germano, Ciclamio L. Barreto, Daniel M. Queiroz, Fábio H. N. Lima, Igor S. Sampaio, Jacinto P. Silva Neto, Luanna K. Souza, Lucas P. Branco, Natália N. A. Lira, Naypson A. S. Lima, Wellinton F. Luna

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ELEMENTOS INICIAIS DO DIAGNÓSTICO DE ESCOLAS CONVENIADAS AO PIBID/FISICA/UFRN A PARTIR DE MANIFESTAÇÕES DOS ALUNOS

Mykaell M. Silva *; Arthur C. Andrade ; Auta Stella M. Germano ; Ciclamio L. 1 1 2 Barreto ; Daniel M. Queiroz ; Fábio H. N. Lima ; Igor S. Sampaio ; Jacinto P. Silva 2 1 1 1 Neto 1 ; Luanna K. Souza ; Lucas P. Branco ; Natália N. A. Lira ; Naypson A. S. 1 1 1 Lima 1 ; Wellinton F. Luna ; 1

1 UFRN/Licenciatura em física/<pibidfisicaufrn@gmail.com> 2 UFRN/CCET/DFTE/<autastella@gmail.com>, <ciclamio@gmail.com>

## Resumo

Diagnosticamos no semestre 2014.1 aspectos da realidade de quatro escolas parceiras públicas estaduais em Natal, iniciando o atual projeto-guia das atividades do Pibid/fisica/ UFRN. Neste relato, apresentamos resultados obtidos perante alunos dessas escolas, relacionados principalmente ao seu sentimento em relação às aulas de física. Fizemos a coleta de dados através de aplicação de questionário específico, previamente produzido coletivamente pelo grupo de bolsistas, que também assumiu a sistematização dos dados. Verificamos dentre os alunos assistidos pelo Pibid/fisica/UFRN que em todas essas escolas há um número bastante superior daqueles que se manifestam com afinidades em relação às aulas de física do que aqueles que afirmam alguma repulsa a essas aulas. Analisamos categorias de justificativas para ambos os tipos de manifestação e concluímos que devemos planejar atividades que vão ao encontro de atender a essas afinidades. Há carência de informações sobre a ciência em geral, mas há abertura para implementar um ensino eficaz. Para tanto, faremos uso das estratégias de ensino previstas no projeto-guia, as quais privilegiam uma abordagem CTSA e uma ênfase em física como cultura , as quais têm potencial para suprir as demandas explicitadas pelos alunos nas suas justificativas.

Palavras-chave : Diagnóstico; escolas parceiras; Pibid; questionários; alunos;

## Introdução

Esta contribuição integra diagnóstico de aspectos da realidade escolar em que estão se inserindo bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), subprograma da área de física, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Estes Programa e subprograma existem em vigência na UFRN desde 2007. Atualmente, são quatro escolas da rede pública conveniadas a este subprograma, em que os licenciandos de física, bolsistas do Pibid, atuam sob a supervisão de professores selecionados da própria escola, coordenados por docentes do Grupo de Pesquisa em Ensino de Física e de Astronomia (Gpefa), instância formal do Departamento de Física Teórica e Experimental (DFTE). Este Departamento integra o Centro de Ciências Exatas e da Terra desta instituição. O projeto em desenvolvimento no subprograma desde Março 2014, aprovado no âmbito do Edital No.01/2013 Pibid/UFRN por comitê institucional específico e também pela Capes/MEC, intitulado ' Investigação-ação no ensino-aprendizagem de física com ênfase nas relações CTSA e na abordagem da física como cultura' , previa a elaboração do referido diagnóstico como

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etapa inicial do trabalho [GERMANO; BARRETO; 2013]. Aqui, apresentamos alguns resultados obtidos perante alunos dessas escolas, relacionados principalmente ao seu sentimento em relação às aulas de física, como eles as percebem, se delas gostam ou não, ou se algum outro. Porque tem sido verificada frequentemente, tanto no senso comum quanto em pesquisas anteriores, a ideia de dificuldade e consequente aversão em relação à aprendizagem de física no ensino médio [ver e.g., FRANCISCO et al. , 2012], ao ponto que se este fosse uma corrida de obstáculos, a aprovação em física seria um dos principais. Assim, descrevemos inicialmente os objetivos, contextualizando esta enquete no âmbito do projeto em que se insere. Em seguida, explicamos o modo como procedemos para a obtenção e sistematização de todas as informações, bem como as nuances da análise, configurando a metodologia. Na sequência, apresentamos com máxima clareza e de modo sistematizado, os dados obtidos, na forma de tabelas e gráficos, ao mesmo tempo em que procedemos uma discussão sobre a sua natureza, analisando as possíveis conexões ou divergências entre eles e direcionando a discussão ao fim de identificar possíveis estratégias de ensino de física que possam aprimorar a educação científica dos alunos atendidos pelo Pibid/fisica/UFRN nessas escolas, especialmente enfatizando os aspectos envolvidos nesse ensino que contribuem para uma educação básica bem sucedida, não apenas de acordo com os documentos oficiais da educação brasileira, mas também de acordo com o tipo de ensino de física pretendido para o envolvimento desses alunos: um ensino de física que seja relevante para a vida desses jovens, como cidadãos, como profissionais e como agentes de mudanças na sociedade.

## Descrição do trabalho desenvolvido

Estamos envolvidos em um projeto audacioso, que busca propiciar aos licenciandos bolsistas do Pibid/física a oportunidade de se envolverem de forma contributiva com o desenvolvimento de um ensino de física pleno de significados para os jovens alunos e alunas das escolas parceiras. A expectativa é de que ao longo desse processo estes futuros professores possam aprimorar sua capacidade de questionamento da realidade, desenvolvendo saberes sobre a física e sobre seu ensino, bem como as imprescindíveis habilidades e competências exigidas no seu ofício, a ser exercido de modo reflexivo a fim de poderem pesquisar ao mesmo tempo em que atuam, e de poderem transformar o fruto do seu trabalho em produtos educacionais diversos.

Apenas dois entre os vários objetivos específicos desse projeto dizem respeito ao tema contemplado neste trabalho. Ou seja, pretendemos conhecer e refletir sobre as realidades das escolas parceiras, inclusive sobre o currículo de física nelas assumido e como este é afetado por uma diversidade de fatores, como por exemplo, as realidades socioculturais dos alunos. Pretendemos também identificar e qualificar as dificuldades e potencialidades pedagógicas adequadas e úteis ao ensino de física nessas escolas, a fim de podermos propiciar uma contribuição eficaz através do Pibid/física.

A fim de iniciar esta fase diagnóstica, implementamos discussões coletivas nas reuniões semanais do grupo de bolsistas e professores supervisores, visando a construção de questionários estruturados, contendo questões de múltipla escolha e questões abertas, direcionados às diversas categorias merecedoras de consideração para nos fornecer um retrato da realidade escolar. Tais setores eleitos são: (i) alunos;

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- (ii) professores; (iii) diretores e/ou vice-diretores e coordenadores pedagógicos; e (iv) infraestrutura e servidores não-docentes. Depois de várias versões sucessivamente aprimoradas, os questionários foram organizados para aplicação sistemática em sala de aula das quatro escolas parceiras, a serem solicitados às respectivas categorias de respondentes ainda em 2014.1. No questionário dos alunos, para aqueles que se manifestassem em afinidade ou simpatia com as aulas de física, afirmando que delas gostam, levantamos categorias de justificativas. Fizemos o mesmo para aqueles que afirmassem repulsa ou rejeição em relação a elas. As escolas conveniadas ao Pibid/física/UFRN nesse período, todas localizadas no município de Natal, são as seguintes: (i) Centro de Educação de Jovens e Adultos Prof. Felipe Guerra (CEJAPFG); (ii) Escola Estadual Prof. Anísio Teixeira (EEPAT); (iii) Escola Estadual Edgar Barbosa (EEEB); e (iv) Escola Estadual Sebastião Fernandes de Oliveira (EESFO).

A aplicação do questionário ocorreu gerenciada pelos licenciandos bolsistas do nas salas de aula dos professores supervisores, no caso dos questionários aplicados aos alunos, ou diretamente aos professores, diretores, coordenadores pedagógicos e demais servidores, nos demais casos. Quanto às informações sobre a infraestrutura, os bolsistas recorreram diretamente a todas as possibilidades de coleta de informação sobre os aspectos escolares, entrevistando servidores em geral, bem como pela observação direta individual ou em duplas, percorrendo a escola. Mas como já informado, nesta comunicação estamos interessados exclusivamente nas informações prestadas pelos alunos. Outra comunicação científica [SILVA J. E. et al. , 2014] integrante deste XXI SNEF traz os resultados concernentes às informações prestadas pelos professores dessas escolas, incluindo diretores e coordenação pedagógica.

Os dados coletados através dos questionários foram sistematizados, sempre quando possível tabulados e representados graficamente. Essas tabelas e gráficos serviram à compreensão de uma diversidade de elementos componentes do diagnóstico escolar. A apresentação sistemática de algumas informações é feita a seguir, acompanhada da análise desses elementos.

## Resultados obtidos e discussão

Em cada escola, buscamos identificar a população de alunos do ensino médio vespertino e a fração desta atendida pelo Pibid/física/UFRN. Considerando as turmas em que os questionários foram aplicados, de responsabilidade dos professores supervisores, tivemos diversos casos de omissão de entrega ou de preenchimento das respostas. Excluindo esses casos, definimos os questionários integrantes da amostra a ser considerada apenas por aqueles que foram entregues preenchidos.

A Tabela 1 contém o número de integrantes da amostra por escola e a população de alunos assistida pelo Pibid/física/UFRN confrontada ao total de alunos do ensino médio. Mostra por fim a composição percentual da amostra analisada, também por escola. A Figura 1 abaixo ilustra em setores circulares as porcentagens associadas às escolas na composição da amostra, que totaliza 256 respondentes.

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Tabela 1 - Populações de alunos do ensino médio das escolas parceiras do Pibid/fisica/ UFRN: (i) total de alunos do turno vespertino; (ii) fração assistida pelo Pibid/fisica/UFRN; (iii) Contribuição por escola do número de integrantes da amostra de questionários entregues respondidos.

Figura 1 - Contribuições por escola na composição da amostra analisada de questionários respondidos pelos alunos do ensino médio assistidos pelo Pibid/fisica/UFRN.

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No âmbito da amostra analisada, a maior contribuição, 41,4% (= 106/256) de respondentes dentre as escolas é da EEEB, seguida da EEPAT com 28,9% (= 74/256), CEJAPFG com 16,4% (= 42/256), e EESFO com 13,3% (= 34/256), nesta ordem.

No CEJAPFG, a escola de EJA, todos que se evadiram tornaram-se não-assistidos pelo Pibid/fisica/UFRN e todos que permaneceram, 33,3% (= 42/126), têm sido assistidos e responderam ao questionário; houve 16,4% (= 42/256) de contribuição para a composição da amostra. Na EEPAT 31,3% (= 219/700) dos alunos do ensino médio estavam assistidos pelo Pibid/fisica/UFRN, mas destes apenas 33,8% (= 74/219) responderam ao questionário; essa escola contribuiu com 28,9% (= 74/256) da amostra. Na EEEB, dentre os alunos do ensino médio, tem havido assistência pelo Pibid/fisica/UFRN a 30,7% (= 219/714), mas destes apenas 48,4% (= 106/219) responderam ao questionário; ainda assim, representou a maior contribuição, 41,4% (= 106/256), para a amostra considerada. Finalmente, na EESFO tivemos a menor

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contribuição 13,3% (= 34/256) para a amostra, reflexo da sua pequena quantidade de alunos do ensino médio, dos quais 28,2% (= 50/177) vêm sendo assistidos.

Na Tabela 2 acham-se mostradas as porcentagens de respostas classificadas (gosta, não gosta, outro) da percepção ou sentimento dos alunos do ensino médio dessas escolas parceiras do Pibid/fisica/UFRN em relação às aulas de física, por escola.

Tabela 2 - Porcentagem de respostas classificadas do sentimento ou percepção dos alunos do ensino médio das escolas parceiras do Pibid/ fisica/ UFRN em relação às aulas de física, por escola.

Constata-se sem dificuldade que há em geral uma grande afinidade em relação às aulas de física, independente da escola (em média na amostra, 82% declaram que gostam ou gostam muito das aulas de física). Esta informação vem ao encontro do que possivelmente representam os conteúdos de física para a vida presente e futura desses alunos, a qualidade do professor, que é também supervisor do Pibid/fisica/UFRN, as ações dos licenciandos bolsistas desse subprograma que os assiste etc. Teremos oportunidade de conferir esses e outros motivos na sequência deste documento. Este resultado é de certa forma surpreendente, pois sabemos de registros que levam na direção oposta, mais especificamente, que há desencontros ou mesmo divergências entre o conhecimento prévio dos alunos e a física correspondente que lhes é apresentada na escola, que em geral os alunos não conseguem se entender com a matemática necessária à compreensão dos conceitos físicos e que há uma ausência de comunicação entre a física eventualmente aprendida e a realidade cotidiana (FRANCISCO et al., 2012). Esses ingredientes estão relacionados aos danos causados à construção dos saberes e à compreensão dos fenômenos físicos e estão também, provavelmente, entre os fatores determinantes como causas das dificuldades que têm os alunos para aprender física. Certamente são tais fatores que levam a maioria dos alunos da educação básica a perceberem a física com algum sentimento de rejeição ou repulsa. A grande afinidade explicitada pelo grupo vai ao encontro de resultados similares relatados no último SNEF em São Paulo: DIJKINGA, E. A. et al. , 2013. Algumas conclusões deste trabalho levam à viabilidade da implementação de inovações metodológicas, o que parece ser também o nosso caso. Nossos resultados de certo modo corroboram aqueles que constam em uma enquete similar feita por bolsistas deste mesmo subprograma por ocasião da sua primeira coordenação (OLIVEROS, M. C. et al. , 2010). A escola era então em bairro da periferia da cidade do Natal, ao contrário das atuais escolas pesquisadas, mas como nos nossos resultados, os alunos daquela escola não demonstraram uma atitude essencialmente negativa em relação à disciplina de física. Mas suas respostas, assim como as dos alunos das nossas escolas parceiras, indicam alguns problemas no ensino de física. Esperamos

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poder planejar atividades que possam sanar esses problemas destacando as ênfases de atuação do projeto que ora desenvolvemos.

Levantamos as justificativas para essa afinidade, especificamente, que gosta das aulas de física, com condicionamento favorável , divididas em categorias, bem como as justificativas com condicionamento adverso , também separadas por categorias. Dentre as primeiras, destaca-se claramente a afirmação 'gosto das aulas de física porque acho interessante'. Sintomaticamente, é justo na escola de EJA, em que há alunos de uma ampla diversidade de grupos etários, onde encontramos a menor quantidade que optou por essa resposta específica. Era de esperar que alguns alunos manifestassem afinidade com a disciplina de física 'porque gosta do professor', mas é também na escola de EJA em que essa justificativa tem menor incidência. Há também aqueles que gostam das aulas de física 'porque acham importante' para sua formação, mas é novamente na escola de EJA onde essa resposta não tem eco, com apenas uma ocorrência. Surpreendentemente, uma parcela não desprezível respondeu que gosta das aulas de física 'porque gosta dos cálculos' envolvidos e outra parcela equivalente respondeu simplesmente 'porque gosta das aulas', sem especificar a razão. Entretanto, outra parcela não desprezível não deu qualquer justificativa para sua afinidade com as aulas de física. Curiosamente, houve um respondente (ainda mais da escola de EJA) que declarou que gosta das aulas de física 'porque acha fáceis os conteúdos da disciplina' e também um respondente do ensino médio (em toda a amostra) que afirmou gostar das aulas de física 'porque quer ser físico'.

Registramos ademais as alegações relacionadas às justificativas com condicionamento adverso . Assim, o maior contingente afirma que gosta das aulas de física, 'mas acha difíceis os conteúdos da disciplina'. Aqueles que afirmam que gostam 'mas não entendem nada do assunto', assim como aqueles que gostam 'mas têm dificuldades com cálculos' se apresentam em pé de igualdade numérica na amostra, embora ambos com apenas uma ocorrência na escola de EJA.

Similarmente, levantamos as justificativas com reforço favorecedor para a não-afinidade (não gosta) com as aulas de física, assim como as justificativas adversamente condicionadas . A alegação para não gostar das aulas de física que se destaca é o fato de 'achar a disciplina difícil e por isso mesmo não entender nada do assunto'. Deram outras respostas diversificadas, inclassificáveis como gosta ou como não gosta, 11 alunos, enquanto outros 5 não deram qualquer resposta.

Além da percepção sobre a física e sobre as aulas de física, foram captadas através do questionário outras dimensões vigentes na mente dos alunos. Destacamos aqui as mais realçadas. Assim, evidenciou-se contraditoriamente pouca referência a temas específicos quando lhes foi solicitado destacar experiências no contato com a ciência, não necessariamente com a física, que lhes tenham sido significativas. Afora menções por alunos da Sebastião Fernandes de Oliveira sobre aspectos sobre o clima, ênfase a eles levada por predileção do professor, houve escassas lembranças sobre notícias ou fatos da ciência. Detectou-se também hábitos de estudo, destacando-se elevado uso do caderno com notas de aula e o desprezo pelo livro-texto com que são agraciados via Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). A audição de músicas foi revelada como

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quase onipresente no dia a dia de grande parte dos alunos. Escasso foi o conhecimento de notícias em geral sobre ciência.

## Considerações e conclusões

Consideramos que as informações coletadas são expressões espontâneas e autênticas dos respondentes, os quais não tinham por que falsear suas respostas. A ausência de ambigüidade entre as justificativas reforça sua autenticidade e espontaneidade. No que pese lidarmos com adolescentes, muitos dos quais não responderam ao questionário por não se tratar de uma atividade obrigatória, acreditamos que aqueles que responderam o fizeram com a melhor das intenções compatíveis com os objetivos que lhes foram explicados. Detectamos um reconhecimento de uma dimensão interessante e importante nas aulas de física, e isso nos propicia um campo de atuação potencialmente rico para inovar em metodologias. Com abordagens calcadas em ensinar física como componente da cultura e inserida no contexto das relações com a tecnologia, a sociedade e o meio ambiente, acreditamos que poderemos conquistar fortemente esses alunos, mesmo muitos daqueles que expressaram não-afinidade com a disciplina, haja vista que os motivos precisam ser remediáveis ou mesmo preveníveis. Evidentemente, um esforço será feito para incorporar, no âmbito das ênfases adotadas, experiências bem sucedidas, como por exemplo, a relatada por Helio Bonadiman, H. e Nonenmacher, S. E. B., 2007.

Sabemos que dentre esses motivos há os que são de natureza estrutural, tais como o desdém institucional em relação à profissão docente e as condições de trabalho dos professores ficando a desejar. Mas há os motivos concernentes às ações de sala de aula e é nestes que a ação do Pibid como Programa institucional se foca. A ação dos bolsistas do Pibid/fisica/UFRN, sempre supervisionada, deverá se pautar em um número de ações pedagógicas que busquem em geral aprimorar a qualidade dos conteúdos desenvolvidos em sala de aula. Essa ação, seguindo a diretrizes do projeto original (GERMANO; BARRETO; 2013) terá o viés e o foco das ênfases adotadas de CTSA e física como cultura, mas podem nesse escopo também contemplar abordagens complementares. Ou seja, os aspectos de problematização e contextualização privilegiarão essas ênfases, mas podem quando possível recorrer a abordagens complementares. Dar atenção especial aos alunos em momentos deliberadamente propiciados para que eles expressem conhecimento prévio sobre questões relacionadas aos conteúdos específicos pretendidos para a aula ou qualquer outra atividade. Amparar alunos que apresentam dificuldade em lidar com matemática e que avaliam os conteúdos como difíceis, criando oportunidades de aprendizagem, até mesmo com atendimento individual em plantões pedagógicos, em que essas deficiências sejam supridas, mas principalmente em que uma ênfase conceitual seja privilegiada ou utilizada para mediar a construção do entendimento da linguagem matemática. Planejar junto ao supervisor sequências didáticas em que pertinentemente seja incluída referência a tópicos e conceitos de física moderna e contemporânea, visando mesclá-los aos conteúdos de física clássica, assim criando motivações adicionais para o estudante. Buscar sempre que possível inserir abordagem que explicite a natureza dinâmica da física, especialmente contando com a história da ciência, a fim de abrir a visão e propiciar percepção do estudante em relação à ciência,

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sua construção humana e seu papel na sociedade. Valorizar a experimentação como instrumento essencial e imprescindível de validação ou rejeição de teorias e modelos. Explicitar a proximidade existente entre o formalismo da física, com seus conceitos, princípios, equações etc., e o dia a dia vivenciado pelos alunos. Problematizar os cenários contemplados e contextualizar os conteúdos a serem desenvolvidos, seja com fenômenos da natureza, seja com aplicações tecnológicas. Empenhar-se a buscar comunicar sempre uma visão integral da física, evitando assim a assimilação pelo aluno de um corpo de conhecimento fragmentado e artificial. E esmerar-se pela inserção de conexões interdisciplinares, especialmente trazidas no contexto de tarefas solicitadas, a fim de que o estudante possa vivenciar na busca das explicações esta tão desejada compreensão dos fenômenos.

Vamos assim e então nos empenhar para implementar atividades cuidadosamente planejadas, primordialmente privilegiando as ênfases CTSA e física como cultura, que visem um ensino de física que seja relevante para a vida desses jovens, como cidadãos, como profissionais e como agentes de mudanças na sociedade.

## Referências

GERMANO Auta Stella de M.; BARRETO, Ciclamio L.; Investigação-ação no ensino- aprendizagem de física com ênfase nas relações CTSA e na abordagem da física como cultura. Natal: UFRN, 2013: Projeto do Pibid/física/UFRN, aprovado no âmbito do Edital No.01/2013 - Pibid/UFRN por comitê institucional específico e também pela Capes/MEC. Disponível em www.pibid.ufrn.br/fisica; Acesso: 5/7/2014.

DIJKINGA, Elaine A; SIQUEIRA, Adrieli; EIDAM, Jéssica M.; CARALP, Julio; HENISCH, Ademir K.; da SILVA; Jeremias B.: Investigação sobre a visão dos estudantes do ensino médio sobre a vida, escola e a disciplina de física. (T1099-1) - XX Simpósio Nacional de Ensino de Física - São Paulo: SBF, 20 a 25 de Janeiro, 2013. Disponível em http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/ snef/xx/sys/resumos/T1099-1.pdf Acesso: 31/7/2014.

FRANCISCO, Guilherme de Sousa; SILVANO, Felipe C.; OLIVEIRA, Pedro H.; OLIVEIRA, Ana Rita P.: O que pensam os alunos da educação básica sobre a disciplina física . Pôster P001, XIV Encontro de Pesquisa em Ensino de Física - Maresias, SP: SBF, Novembro 2012. Download Livro Programa: http://www.sbfisica.org.br/~epef/xiv/ Acesso: 31/7/2014

BONADIMAN H. Helio; NONENMACHER, Sandra E. B., 2007. O gostar e o aprender no ensino de física: uma proposta metodológica. Cad. Bras. Ens. Fís., v. 24, n. 2: p. 194-223, ago. 2007. Disponível em https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/view/1087/843 Acesso: 05/07/2014.

OLIVEROS, Marcílio C.; FERREIRA, Juliana M. H.; SOUZA, José de Arimater; CÂMARA, Amanda T. A.; SILVA, Edimilson F.; SILVA, Fábio M.; SOUZA, Ivan A.; SILVA, Jane C.; SILVA, Jucimério; AZEVEDO, Juliane B.; QUEIROZ, Pedro E. Formação de professores: Avaliando as atitudes de alunos em relação à disciplina de física. (T-0215-2) XII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física. SBF: Águas de Lindoia, SP, 2010.Disponível em http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/epef/xii/sys/resumos/ T0215-2.pdf Acesso: 5/7/2014.

SILVA*, Jeany Eunice da; CARVALHO, Alex S.; GERMANO, Auta Stella M.; BARRETO, Ciclamio L.; SILVEIRA, Diego B.; SILVA, Emmanoel M.; SILVA, Mackson E. F.: A Rotina Pedagógica dos Professores de Física e de Ciências em Escolas Parceiras do Pibid/fisica/UFRN e Perspectivas para Ações do Programa. Comunicação científica submetida e aceita ao XXI Simpósio Nacional de Ensino de Física. UFU, Uberlândia, MG, 26 a 30 Janeiro 2015.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.