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Reflexões sobre o processo vivenciado por um licenciando em física durante seus estágios: dos limites às possibilidades

Thiago Flores Magoga, Cristiane Muenchen

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

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Texto completo

## Reflexões sobre o processo vivenciado por um licenciando em física durante seus estágios: dos limites às possibilidades

## Thiago Flores Magoga 1 , Cristiane Muenchen 2

1

Universidade Federal de Santa Maria, thiago.ufsm@gmail.com 2

Universidade Federal de Santa Maria/Departamento de Física, crismuenchen@yahoo.com.br

## Resumo

O presente trabalho busca apresentar o relato e as reflexões de um estagiário de física, durante seu estágio em uma escola da rede estadual de ensino, no município de Santa Maria - Rio Grande do Sul. Estudante do curso de Física Licenciatura da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o futuro professor, no decorrer dos estágios, efetuou várias visitas à escola para o desenvolvimento de observações e construção de planejamentos de aulas, além da própria regência. Para o planejamento das aulas teve-se como ideia inicial o desenvolvimento do trabalho a partir da Abordagem Temática, a qual foi refletida ao longo do processo. Destaca-se que o ponto principal nas atividades realizadas durante todos os estágios foi o processo de reflexão. A partir deste, o qual já vinha sendo trabalhado nos estágios I e II, durante o estágio III o licenciando conseguiu, com o auxilio de sua orientadora, refletir sobre o papel do professor; da escola; dos alunos; e do planejamento; preparando-se, de modo geral, para o início da docência. No presente trabalho serão apresentadas especialmente, portanto, as reflexões efetuadas durante o terceiro estágio.

Palavras-chave: Ensino de Física; Observações; Reflexões; Planejamento.

## INTRODUÇÃO

- O presente trabalho apresenta o relato e as reflexões vivenciadas, por um licenciando de física da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), durante suas disciplinas de estágio, desenvolvidas sob orientação de uma professora do departamento de Física da mesma universidade.

As atividades dos estágios foram desenvolvidas na Escola Estadual de Educação Básica Professora Margarida Lopes, localizada na cidade de Santa Maria.

O curso de graduação referido anteriormente tem uma duração mínima de quatro anos (oito semestres), no qual, desde o terceiro ano (ou seja, a partir do quinto semestre), o estudante começa suas disciplinas de Estágio Supervisionado de Ensino de Física (ESEF). Desta forma, totalizam-se quatro estágios (ESEF I, II, III, IV), e apesar de todos estarem relacionadas em prol de um objetivo comum preparar o estudante para a docência - cada uma das disciplinas de estágio tem uma descrição (planejamento) própria.

Neste trabalho, portanto, serão efetuadas breves apresentações do que foi feito pelo estudante durante as disciplinas de ESEF I e ESEF II, além de discutir de maneira mais ampla - o trabalho desenvolvido no ESEF III, e apresentar algumas considerações acerca do ESEF IV.

## Descrição do Trabalho Desenvolvido e Resultados Obtidos

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## O Trabalho Inicial: ESEF 1 e ESEF II

- O trabalho dos estágios começou a ser desenvolvido no primeiro semestre do ano de 2012, a partir da disciplina de Estágio Supervisionado de Ensino de Física I. Totalizando uma carga horária de 60h, o objetivo da disciplina, era ter uma visão clara e completa de todos os mecanismos de funcionamento de uma escola.

A escola escolhida para o desenvolvimento dos estágios, conforme já destacado, foi a Escola Estadual de Educação Básica Professora Margarida Lopes, localizada no bairro Camobi, na cidade de Santa Maria. Dentre os motivos da escolha pode-se citar o fato da escola ser próxima a UFSM (o que facilitou o translado), e também a cordialidade entre os funcionários da mesma.

No transcorrer do semestre, na perspectiva de conhecer os mecanismos de funcionamento da escola, foram propostas e desenvolvidas, sob coordenação da orientadora, um total de oito atividades, as quais foram acompanhadas de visitas a instituição e entrevistas com o coordenador pedagógico. Essas atividades consistiam em fazer leituras dos documentos escolares e de textos que tratassem da organização escolar, além de entrevistas com o coordenador pedagógico e com professores acerca dos seus trabalhos e do próprio funcionamento da escola.

As atividades realizadas nesta disciplina, assim como as reflexões a respeito das mesmas, foram relatadas no relatório de estágio I, o qual foi entregue e (re)discutido com a professora orientadora.

A sequência de trabalho de estágios continuou no segundo semestre do mesmo ano. Com o objetivo de pré-planejar um conjunto de aulas, a disciplina de Estágio Supervisionado de Ensino de Física II (ESEF II), foi desenvolvida na mesma escola e sob a mesma orientação.

Assim, as visitas à escola tinham a intenção de auxiliar o processo de préplanejamento do conjunto de aulas. Para auxiliar esse processo foram efetuadas observações de aulas.

As observações de aulas foram feitas em diferentes turmas do 1º ano do ensino médio. Durante esse período foram observadas 10h/aula da disciplina de Física e 2h/aula de cada uma das disciplinas de Biologia, Matemática e Química. Essas atividades de observação visaram conhecer o perfil dos discentes e docentes da escola, e foram registradas em 16 diários (Diários de Observação), além de auxiliar no processo de planejamento.

A escrita de diários visou auxiliar o processo de reflexão, pois como destacam Gonçalves et.al. (2008): 'O diário de aula se configura como um documento pessoal, no qual são registrados aspectos considerados relevantes para o professor '( . GONÇALVES, et.al., 2008, p.42).

Entende-se, portanto, que a prática da escrita de diários é fundamental, pois através desta o professor pode refletir, avaliar e repensar suas ações e seu planejamento. Através da escrita o professor - principalmente o professor no início de carreira, em seu estágio - vai se conhecendo e conhecendo seus alunos, e desta forma, como destacam Galiazzi e Lindemann (2003) o diário se configura como um instrumento de aprendizagem.

A partir da análise e estudo efetuado durante as disciplinas de ESEF I e ESEF II, pensou-se em efetuar o planejamento de aulas a partir de temas, na perspectiva de trabalho da Abordagem Temática (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2011). O trabalho nesta perspectiva torna-se relevante, pois, como destacam Muenchen (2010) e Muenchen e Delizoicov (2012), diferentemente da chamada Abordagem Conceitual - lógica de trabalho presente na escola em questão - na

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qual dá-se ênfase apenas ao conceito científico, na Abordagem Temática utiliza-se do conceito científico para a compreensão de algo maior, de um tema.

Durante as visitas, notou-se que a escola em questão tem por característica o desenvolvimento e a prática de esportes, e que desde cedo os alunos são estimulados a praticarem alguma modalidade esportiva, seja para o incentivo ao bem estar e a saúde, seja para participar de competições. Neste sentido, buscou-se organizar o pré-planejamento de aulas em uma temática relacionando o esporte: a temática 'Esporte, Saúde e Física' .

- O fato determinante para o desenvolvimento do trabalho é que, apesar de existir a liberdade no 'como trabalhar' , o 'o que trabalhar' já estava pré-definido: havia a necessidade de seguir uma lista de conteúdos estipulada pelo professor titular da turma/escola.
- O desafio, portanto, estava proposto: 'planejar aulas a partir de uma abordagem temática, mas com uma lista de conteúdos pré-definidos'. Notoriamente perspectivas/ideias antagônicas, pois no trabalho com abordagem temática, como expõe Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2011), ' a conceituação científica da programação é subordinada ao tema' (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2011, p.189) Contudo, pelo fato do estágio ser o momento de ousar, pensou-se em . encarar este desafio, justamente, na tentativa de não repetir sempre o mesmo, fazer o corriqueiro, e cair na lógica conteudista e repetitiva observada nos diários.

Na sequência é exposto o trabalho desenvolvido no estágio III, além das reflexões efetuadas durante a disciplina acerca do papel do professor, do papel da escola, do papel do aluno, e do planejamento de aulas.

## A Disciplina de ESEF III

No primeiro semestre do ano de 2013, dando sequência aos estágios, desenvolveu-se o trabalho no Estágio Supervisionado de Ensino de Física III (ESEF III). O objetivo do estágio era de repensar o pré-planejamento realizado no estágio anterior, e estruturar cada uma das aulas separadamente. Para tanto, efetuou-se novamente observações de aulas, as quais também foram acompanhadas da escrita de diários (PANIZ, 2007), instrumento que possibilitou a reflexão crítica do estagiário em formação.

- O trabalho que vinha sendo desenvolvido nas disciplinas anteriores e que foi desenvolvido, principalmente, no terceiro estágio estruturou-se em três palavras/pontos chaves: a Observação; a Reflexão; o Planejamento.

Torna-se importante salientar que cada uma dessas palavras contém um significado próprio, e que não há uma lógica sequencial entre uma e outra (no sentido de: primeiro vem uma e depois vem outra). Cada uma dessas palavras (pontos) completa e dá significado a outra, de modo que elas estão permeadas entre si.

Na sequência do texto, no entanto, para facilitar a escrita e o entendimento, será tratado de modo pontual cada uma destas palavras/pontos chaves e a importância destas durante o trabalho de estágio. Em primeira instância, trataremos da Observação.

## a) A Observação

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No decorrer do primeiro semestre de 2013, assim como ocorreu durante o semestre da segunda disciplina de estágio, efetuaram-se observações das aulas de física em turmas de primeiro ano. 1

Após a escolha da turma (denominada 1B), as observações foram registradas em 13 diários, os quais auxiliaram na reflexão e planejamento das aulas.

Diferentes foram os pontos que ajudaram na escolha desta turma dentre os quais se destacam o fato desta ser a mais heterogênea entre todos os primeiros anos, pois possui alunos advindos da 7ª série (atual 8º ano) e da 8º série (atual 9º ano) do ensino fundamental , e também possuir alunos repetentes. Além disso, 2 reclamações dos professores a respeito desta turma no que trata de disciplina e trabalho eram freqüentes. Tudo isto foi encarado como desafio para o estagiário, além de se tornarem justificativa para a escolha da turma.

## b) A Reflexão

Como destacado anteriormente, os pontos 'observação, reflexão, planejamento' estão, todos, relacionados entre si. De nada valeriam as observações se não houvessem as reflexões. Sendo assim, durante o próprio período de observações e escrita dos diários, efetuaram-se as reflexões.

Todos os fatos vivenciados na sala de aula, e refletidos nos diários levaram a discutir pontos como: o papel do professor; o papel da escola; o papel do aluno; e a importância do planejamento. Abaixo seguem breves discussões acerca de cada um destes assuntos.

## Papel do Professor

Nossa discussão a respeito do papel do professor começa com a seguinte passagem de Freire (2012): 'A tarefa de ensinar é uma tarefa profissional que, porém, exige amorosidade, criatividade, competência científica, mas recusa a estreiteza cientificista, que exige a capacidade de brigar pela liberdade sem a qual a própria tarefa fenece' (FREIRE, 2011, p.29) .

Deste modo, como expõe Freire, o professor durante sua tarefa docente, jamais deve esquecer - nem durante o planejamento de aulas, nem durante a sua ação prática - de ser ousado (o que está relacionado com a autonomia), mas coerente; que o professor deve ser competente, mas não deixar de ser amoroso.

Durante as observações efetuadas nos estágios II e III, notou-se que muitos dos professores, ao articularem suas ações (ações que, para eles, levavam a crer que a docência é apenas uma tarefa profissional), não as refletiam. Os docentes, de um modo geral, tratam do 'o que ensinar?' , esquecendo-se do 'por que ensinar?'. Este fato vai aos poucos, 'podando' a ousadia do professor, pois se ele não toma sentido no 'por que vou ensinar aquilo e não isto?', aos poucos, pode ir abdicando de ousar.

Percebe-se, portanto, que a ação do professor deve passar pelo processo de reflexão, no qual o 'por que ensinar?' está relacionado. Na escola em questão, o

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estagiário do presente trabalho vivenciou, durante o conselho de classe da escola, outro exemplo no qual a reflexão foi abdicada. Durante a reunião a maioria dos professores tinha o mesmo discurso: 'Os alunos não querem nada como nada'; 'Os alunos não são mais os mesmos.'; 'Os alunos... os alunos...' . Em nenhum momento houve reflexão por parte dos professores a respeito dos seus próprios atos, dos seus próprios planejamentos. Em nenhum momento a coordenação pedagógica (responsável por coordenar o conselho de classe) interveio sobre os professores para perguntar sobre suas ações, para questionar, problematizar o papel do professor.

E o papel da escola nesse processo? A seguir, procura-se refletir sobre o mesmo.

## Papel da Escola

Ao tentar discutir qual o papel da escola precisa-se definir alguns pontos, como, por exemplo: quem faz parte desta escola? Em relação ao que, ou a quem, queremos discutir o papel da escola?

Segundo o Projeto Político Pedagógico da escola Professora Margarida Lopes (E.E.E.B.P.MARGARIDA LOPES, 2007), a escola é formada por quatro segmentos: professores, pais, funcionários e alunos. O conjunto destes quatro segmentos forma a chamada Comunidade Escolar.

Assim como todo segmento administrativo, cada um dos componentes da comunidade escolar possui direitos e deveres; ou seja, cada um exerce uma função/cargo específico. Este fato ajuda-nos a prosseguir para a próxima discussão: em relação ao que, ou a quem queremos discutir o papel da escola?

Pelo fato de anteriormente se discutir acerca do processo de reflexão por parte dos professores, pode-se de abordar o papel da escola em relação a este processo.

Entende-se que em muitos casos, os professores não tiveram uma formação inicial que privilegiasse o diálogo e a reflexão, o que não significa, no entanto, que essa formação não seja necessária durante sua docência. Nestas situações cabe em nossa opinião -que o segmento de funcionários (especificamos: coordenação/supervisão pedagógica), auxilie neste processo.

Entende-se, portanto, que o papel da escola, relativo ao diálogo e reflexões das ações entre os professores, seja orientado pelo segmento administrativo da escola, em outras palavras, a coordenação/supervisão pedagógica tem o direito e dever de propiciar este processo.

## Papel do Aluno

A partir das vivencias construídas na escola, e da escrita dos diários, refletiuse que deve ser cultura do aluno/jovem (pois natural já é) o ato de problematizar, de perguntar, de se envolver. O aluno/jovem deve ser participativo, deve ser inquieto, e não deve deixar se alienar. Segundo Freire (2011a): 'Quanto mais o homem é rebelde e indócil, tanto mais é criador, apesar de em nossa sociedade se dizer que rebelde é um ser inadaptado'.

Novamente, como vem sendo dito desde o início, os pontos chaves (observações e reflexões) vão se misturando. Também, obviamente que muito do papel do aluno está relacionado com o papel do professor e com o papel da própria escola. A participação do aluno deve ser levada em conta na prática, reflexão e

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planejamento do professor. Segue-se, então, ao próximo ponto chave destacado nas atividades dos estágios: o planejamento.

## c) O Planejamento

- O objetivo do estágio III, relacionado ao planejamento, era o de desenvolver/replanejar as aulas já estruturas no estágio II.

Como dito anteriormente, houve um desafio: desenvolver conteúdos préestabelecidos a partir da abordagem temática, com o intuito de dar sentido a eles. Para auxiliar no processo de planejamento, se elaborou e distribuiu aos alunos da turma 1B um questionário. O questionário tinha por objetivo tentar identificar a opinião dos alunos acerca do tema. Fato é que a aplicação do mesmo demonstrou que o 'tema' talvez não fosse tão relevante. Intensificaram-se, portanto, as reflexões a respeito da temática, simultaneamente à construção da mesma.

Com base em leituras e estudo acerca de Abordagem Temática, se verificou que 'a temática' (Esporte, Saúde e Física), estava muito mais próximo a uma contextualização (muito próximo do esponteneísmo) do que realmente a um tema, pois a lógica conteudista se sobrepôs na estruturação da temática.

Entretanto, um dos fatores positivos destacados no planejamento da temática, foi a inserção dos chamados Três Momentos Pedagógicos (3MP) , descritos por 3 Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2011), e proximidade destes com o diálogo. Além disto, talvez justamente pelo fato de trabalharmos com os 3MP, o processo de avaliação estava configurado de uma maneira diferenciada, aproximando-se de uma avaliação processual, a qual valoriza não somente a nota, mas o trabalho desenvolvido, a participação, e tem por sentido captar os avanços tanto por parte dos alunos quanto por parte do professor.

Contudo, na perspectiva de problematizar, e não apenas de contextualizar, foi efetuada uma alteração na parte final do planejamento, parte esta que está relacionada com os conteúdos de energia, trabalho e potência.

Nesta parte foi pensado um trabalho - também baseado em abordagem temática - que envolvesse questões de tomada de decisão, para que o aluno debatesse e refletisse acerca do consumo consciente e vantagens e desvantagens das diferentes formas de energia.

O trabalho nesta perspectiva, baseado em questões que envolvam tomada de decisão, aproxima-se com a Abordagem Temática de cunho CTS (Auler, 2007; Muenchen e Auler, 2007; Santos e Mortimer, 2001). Torna-se importante dizer que a aproximação com este eixo não abandona os pensamentos anteriores referentes ao diálogo e a avaliação.

## A Disciplina de ESEF IV (A Ação)

As observações reflexões / efetuadas, e o planejamento construído estiveram entrelaçados para/na ação . Todas as atividades e todo o trabalho desenvolvido durante os estágios I, II, e III, foram realizados para auxiliar o estágio IV.

A disciplina de Estágio Supervisionado de Ensino de Física IV (ESEF IV) desenvolvida no segundo semestre de 2013 - foi a última das disciplinas de estágios

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Esta última disciplina consolidou o pensamento, e a construção efetuada, mas também buscou concretizar a teoria através da prática, além de evidenciar - ainda mais - a importância do diálogo e da reflexão.

De maneira geral, o maior problema enfrentado pelo licenciado foi justamente o desenvolvimento da temática 'Esporte, Saúde e Física', a qual foi sendo reestruturada ao longo do estágio. Obviamente, houve outros 'percalços', dos quais se destaca o fato de que muitas das aulas que estavam planejadas para um período, se estenderam para dois ou três. Nestas situações o licenciando sempre tentou acompanhar o ritmo dos alunos e fazer com que eles discutissem e refletissem entre si.

No final do estágio, elaborou-se um questionário para que fossem avaliado a disciplina e o próprio professor. De maneira geral, as respostas obtidas sinalizaram que o trabalho desenvolvido foi de grande importância, pois um dos pontos sinalizados pelos alunos foi justamente a importância do diálogo nas aulas, assim como o constante processo de reflexão para o aperfeiçoamento do trabalho de regência. Como exemplos, citamos duas respostas:

- [...] adorei suas aulas,você sempre se esforçando e com extrema vontade de nos ensinar algo que ficasse para nossas vidas,de uma maneira que deixava a todos,muito interessados pela sua aula,principalmente a mim,que aprecia muito o seu jeito de lecionar,não sendo aquela pessoa fechada pro mundo,que não acha que está sempre certa,que sabe ouvir aos alunos,que trabalha para com eles. (Aluno A).
- [...] tua metodologia é incrível! Gostei muito, o jeito de explicar, a forma como tenta nos compreender [...] em relação a disciplina com a forma e os exemplos a qual tu empunhava eu cresci muito, com teus diálogos e etc. (Aluno B).

## Considerações

No decorrer deste texto, a partir da análise dos diários reflexivos da prática pedagógica, forma apresentadas reflexões de um licenciando em física durante suas disciplinas de Estágio Supervisionado de Ensino de Física. Torna-se importante destacar que neste trabalho priorizaram-se os relatos e as reflexões efetuadas especialmente no terceiro estágio, mas que de certa forma todo o trabalho desenvolvido nos estágios, esteve balizado na Observação, Reflexão, Planejamento, para posterior Ação. Entende-se que o trabalho de um professor deve estar fundamentado nestes aspectos, pois assim, o desenvolvimento da tarefa docente consolida-se a cada indagação, a cada observação e reflexão, em prol do planejamento e da construção do conhecimento com os educandos.

A busca por um trabalho balizado nos pontos acima está associada à ideia de homem (ser humano) compartilhada entre os autores. Como expõe Freire (2011b), o homem é um ser de relações, e por ser um ser de relações é um ser que a todo o momento está 'se construindo' (trata-se de um ser inacabado). Por isso, a reflexão, apresentada no presente trabalho, assim como os outros pontos citados acima, são fundamentais para o desenvolvimento dessas relações, e principalmente, das relações escolares. Jamais se pode esquecer, da importância do diálogo, pois é a partir dele que as relações se efetivam.

Todo o trabalho desenvolvido nas disciplinas de estágios visou preparar o licenciando para a ação docente. Torna-se importante salientar, portanto, que em

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nenhum momento da ação docente, o processo de reflexão deva ser esquecido, e que este deve sempre vir acompanhado do diálogo, pois é a partir destes que construímos o processo de ensino/aprendizagem.

## Referências

AULER, D. Enfoque Ciência-Tecnologia-Sociedade: Pressupostos para o Contexto Brasileiro . Ciência & Ensino , v. 1, n. especial, novembro de 2007.

DELIZOICOV, D. ; ANGOTTI, J. A. P. e PERNAMBUCO, M. M. C. A. Ensino de Ciências: Fundamentos e Métodos. São Paulo: Cortez; 2011.

E.E.E.B.P.MARGARIDA LOPES. Projeto Político Pedagógico da Escola Estadual de Educação Básica Professora Margarida Lopes . Ed 2007. Santa Maria - RS, 2007.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia . São Paulo: Paz e Terra; 2011a.

FREIRE, P. Educação e Mudança . São Paulo: Paz e Terra; 2011b.

FREIRE, P. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar . Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; (2012).

GALIAZZI, M. C. e LINDEMANN, R.H. O diário de estágio: da reflexão pela escrita para a aprendizagem sobre o professor. Olhar de Professor , v.6, p.135-150, 2003.

GONÇALVES, F. P. et al. O Diário de Aula Coletivo no Estágio da Licenciatura em Química: Dilemas e Seus Enfrentamentos. Química Nova na Escola . n.30, p. 42-48, 2008.

MUENCHEN, C. A disseminação dos três momentos pedagógicos: um estudo sobre práticas docentes na região de Santa Maria/RS . Florianópolis: PPGECT/CE. Tese de Doutorado em Educação. Centro de Educação, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2010.

MUENCHEN, C.; AULER, D. Configurações curriculares mediante o enfoque CTS: desafios enfrentados na educação de jovens e adultos. Ciência & Educação . vol. 13, n.13, p. 421-434, 2007.

MUENCHEN, C.; DELIZOICOV, D. A construção de um processo didáticopedagógico dialógico: aspectos epistemológicos. Revista Ensaio . vol. 14, n.3, p. 199-215, Setembro-Dezembro/2012.

PANIZ, C. M. O Diário da Prática Pedagógica e a Construção da Reflexividade na Formação Inicial de Professores de Ciências Biológicas da UFSM . Santa Maria: PPGE/CE. Dissertação de Mestrado. Centro de Educação, Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2007.

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SANTOS, W. L. P.; MORTIMER, E. F. Tomada de decisão para ação social responsável no ensino de ciências. Ciência & Educação . v.7, n.1, p.95-111, 2001.

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