Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

CEGUEIRA CONGÊNITA E TRABALHO CIENTÍFICO: UM ESTUDO SOBRE A PERCEPÇÃO DE PROFESSORES EM FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS DA NATUREZA

Estéfano Vizconde Veraszto, Eder Pires De Camargo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2015

Texto completo

## CEGUEIRA CONGÊNITA E TRABALHO CIENTÍFICO: UM ESTUDO SOBRE A PERCEPÇÃO DE PROFESSORES EM FORMAÇÃO EM CIÊNCIAS DA NATUREZA

## Estéfano Vizconde Veraszto , Eder Pires de Camargo 1 2

1 Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação da Universidade Federal de São Carlos, Campus Araras, SP, estefanovv@cca.ufscar.br

## Resumo

Nos últimos anos tem aumentado a presença de alunos com necessidades especiais em escolas brasileiras. Dentre vários desafios inclusivos, um dos maiores é o de ensinar conceitos e fenômenos naturais e científicos para alunos com deficiência visual. Nessa perspectiva esse artigo foi concebido, visando contribuir para mudanças atitudinais e metodológicas a partir do desenvolvimento de um trabalho voltado para a percepção de professores em formação nas áreas de ciências da natureza acerca do processo de conceitualização em ciências em cegos congênitos. Nesse sentido, a pesquisa buscou responder a seguinte questão: Como professores em formação entendem a possibilidade um cego congênito vir a exercer atividades científicas? Para tanto, a investigação foi realizada com cinquenta e três graduandos em anos finais de cursos de licenciatura em Ciências Biológicas, Física e Química, em duas universidades públicas no interior do Estado de São Paulo. Foi aplicado um questionário e as respostas analisadas foram classificadas e categorizadas segundo metodologia qualitativa de Análise de Conteúdo. Os resultados indicaram que os graduandos entrevistados julgam possível de realização de atividade científica por indivíduos cegos. As categorias criadas auxiliarão trabalhos futuros de elaboração de um instrumento de pesquisa maior destinado a investigar a percepção de cegos congênitos sobre fenômenos naturais e o processo de conceitualização em ciências.

Palavras-chave : conceitualização em ciências, cegueira congênita, formação de professores.

## Introdução

Nos últimos anos tem aumentado a presença de alunos com necessidades especiais em escolas brasileiras. Segundo dados do censo escolar nacional de 2012, o acréscimo de matrículas de alunos com necessidades educacionais especiais, dos quais os alunos cegos congênitos fazem parte, na rede regular de ensino, foi de 1313,4% (um mil, trezentos e treze e 4 décimos), passando de 43.923 (quarenta e três mil, novecentos e vinte e três) alunos em 1998 para 620.777 (seiscentos e vinte mil, setecentos e setenta e sete) em 2012 (BRASIL, 2012). Este fato reflete os efeitos de legislações específicas para a educação especial no Brasil e está em consonância com diretrizes educacionais na área e movimentos organizacionais internacionais. Mesmo sabendo que a referida presença não garante a inclusão de fato desses alunos, sem ela intensificam-se relações excludentes (CAMARGO et al, 2009).

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

26 a 30 de janeiro de 2015

Dentre vários desafios inclusivos, um dos maiores é o de ensinar conceitos e fenômenos naturais e científicos para alunos com deficiência visual. Essa consideração se ampara em estudos realizados na área (CAMARGO, 2010; CAMARGO & NARDI, 2006a, 2006b, 2007, CAMARGO et al, 2009) e também na colocação de Masini (1994) que afirma que o ensino é pautado em padrões adotados para alunos videntes. Postura que exclui alunos cegos e com deficiências visuais do processo de ensino-aprendizagem. Fato inconcebível considerando dados do censo da Secretaria de Estado da Educação do Estado de São Paulo que apontam que, apenas para este Estado, no ano de 2012, ocorreram matrículas de 397 (trezentos e noventa e sete) cegos congênitos, 69 (sessenta e nove) alunos cegos e surdos, além dos 992 (novecentos e noventa e dois) alunos com deficiência visual em toda a rede no Estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2012).

Com base nessas breves considerações teóricas esse artigo foi concebido, visando contribuir para mudanças atitudinais e metodológicas a partir do desenvolvimento de um trabalho voltado para a percepção de professores em formação nas áreas de ciências da natureza acerca do processo de conceitualização em ciências em cegos congênitos. Nesse sentido, considerando o breve contexto introdutório, este artigo traz o relato de um projeto de pesquisa que busca investigar: Como professores em formação entendem a possibilidade um cego congênito vir a exercer atividades científicas?

## Objetivos e contornos da pesquisa

De forma específica, este trabalho busca analisar concepção de professores em formação da área de ciências da natureza (física, química e biologia) acerca da possibilidade de cegos congênitos exercerem atividades científicas.

Todavia, antes de prosseguir é preciso esclarecer o termo 'cegueira congênita'. De acordo com o decreto 5.296 (BRASIL, 2004) são considerados deficientes visuais duas categorias de pessoas: os cegos e os que possuem baixa visão. Cega é aquela pessoa cuja acuidade visual, no melhor olho, e com a melhor correção óptica, é menor que 20/400 (0,05), ou seja, essa pessoa vê a 20m de distância aquilo que uma pessoa de visão comum veria à 400m de distância. Desta maneira, o entendimento de 'cegueira' como ausência de visão, não é assim explicitado legalmente. Pessoas com acuidade visual menor que a citada são consideradas cegas mesmo que sejam capazes de ver vultos ou alguma imagem.

É considerada com baixa visão toda pessoa cuja acuidade visual, no melhor olho, e com a melhor correção óptica, é menor que 20/70 (0,3) e maior que 20/400 (0,05), ou ainda, os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores (CAMARGO, 2012a, p.31).

Essas colocações são pertinentes considerando que os sujeitos dessa pesquisa responderam questões sobre a percepção acerca de indivíduos com cegueira congênita. Assim, agora cabe destacar que este trabalho teve como público alvo cinquenta e três alunos de cursos de licenciatura. Especificando foram analisados dados provenientes de 53 (cinquenta e três) alunos de graduação em cursos de licenciaturas da área de Ciências da Natureza (19 alunos de Biologia, 23 de Física e 11 alunos de Química) de duas universidades públicas do interior do Estado de São Paulo. A escolha da amostra priorizou alunos de graduação em vias

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

de concluir o curso, considerando que os mesmos já tenham tido experiência docente, seja nas disciplinas de estágio ou como professores regulares.

## Educação e inclusão

Faz-se necessário que professores desenvolvam habilidades para conceber, criar e aplicar diferentes procedimentos didáticos e metodológicos que, de fato, garantam a inclusão do aluno com necessidade especial. É preciso que, tanto professores atuantes no ensino regular, como aqueles que estão em processo de formação superem concepções pré-estabelecidas de que a deficiência é um fator limitante e impeditivo no processo de ensino-aprendizagem (CAMARGO et al, 2009).

A inclusão contrapõem-se à homogeneização e normalização, defendendo o direito à heterogeneidade e à diversidade (MANTOAN, 2003). É pela diferença do outro que percebemos nossa identidade. A diversidade tem por referencial central a multiplicidade e a convivência de elementos distintos (CAMARGO, 2012b). Assim, renegando qualquer ato excludente, a educação regular deve garantir a participação de todos os alunos, sejam eles portadores ou não de necessidades especiais, em cada atividade, ato ou dimensão escolar.

Segundo Vigotski (1997), a cegueira não é apenas a falta da visão ou o defeito de um órgão singular, mas também é uma característica que provoca uma reestruturação profunda de todo o organismo e da personalidade do indivíduo que a possui. A cegueira, ao criar uma configuração da personalidade, dá origens a forças inexistentes nos indivíduos, modifica certas funções do organismo, reestrutura e forma de maneira criativa e orgânica todas as características psicológicas do homem.

Sem adentrar na discussão sobre qual abordagem epistemológica seria mais próxima da realidade (a do vidente ou a do não vidente), o trabalho é fundamentado em aspectos que apregoam que a inclusão é o caminho mais aceitável para que as diferenças possam vir a se complementar no processo de ensino-aprendizagem.

## Metodologia

Para o cumprimento dos objetivos deste artigo foram empreendidas técnicas de pesquisa qualitativa (BOGDAN & BIKLEN, 1994; CHEN, 1997; MORALES & MORENO, 1993). Essa abordagem permitiu subsídios para interpretar informações peculiares provenientes de opiniões pessoais e subjetivas dos indivíduos envolvidos na pesquisa. Para esse estudo as informações coletadas se deram através de um questionário aberto. Assim, o material foi explorado, classificado, organizado e interpretado segundo técnicas provenientes da Análise de Conteúdo, atendendo em todos os aspectos os interesses investigativos do projeto (PATTON, 1980; LÜDKE & ANDRÉ, 1986; BARDIN, 1991).

## O instrumento de pesquisa

Definido o público alvo conforme já mostrado anteriormente, para o desenvolvimento da proposta, o trabalho selecionou um conceito específico da Física, apresentando-o na forma de questionário para alunos de Licenciatura em Física, Química e Biologia.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

As questões do instrumento de pesquisa foram elaboradas a partir do referencial teórico de Leontiev (1988) que aponta que embora os conceitos e fenômenos sensíveis estejam inter-relacionados por seus significados, psicologicamente são categorias diferentes de consciência. Esta ideia está embasada no conceito de funções psicofisiológicas, que vêm a ser as funções fisiológicas do organismo. O grupo inclui as funções sensoriais, mnemônicas e tônicas. Nenhuma atividade psíquica pode ser executada sem o desenvolvimento dessas funções que constituem a base dos correspondentes fenômenos subjetivos de consciência. Nesse sentido Leontiev (1988) aponta que

se mentalmente excluirmos a função das cores, a imagem da realidade em nossa consciência adquirirá a palidez de uma fotografia branca e preta. Se bloquearmos a audição, nosso quadro do mundo será tão pobre quanto um filme mudo comparado com o sonoro. Todavia, uma pessoa cega pode tornar-se cientista e criar uma nova teoria, mais perfeita, sobre a natureza da luz, embora a experiência sensível que ela possa ter da luz seja tão pequena quanto aquela que uma pessoa comum tem da velocidade da luz (LEONTIEV, 1988. cit, p.13)

Essas considerações motivaram a elaborar as questões sequentes e apresentá-las ao público foco de investigação.

Questão 1. Acerca de uma pessoa totalmente cega de nascimento reflita e responda com toda tranqüilidade e sinceridade. (1.1) É possível que ela se torne cientista? Explique. (1.2) Ela pode compreender a natureza da luz? Explique.

Questão 2. A visão não constitui requisito para o conhecimento de alguns (ou muitos) fenômenos físicos (e de outras naturezas). Você concorda ou não com a afirmação apresentada? Explique.

Questão 3. A experiência sensível que um cego congênito (cego de nascimento) pode ter da luz é tão pequena quanto aquela que uma pessoa comum tem da velocidade da luz. Você concorda ou não com a afirmação apresentada? Explique.

## Orientações para análise dos dados

Os questionários foram utilizados para investigar as concepções dos professores em formação segundo os objetivos já apontados anteriormente. A partir de então, todo o material reunido passou por um processo de análise e classificação de dados até a obtenção das variáveis. O trabalho foi organizado em três etapas, segundo a teoria de Bardin (1991):

- i) pré-análise: organização do material constituído e uma leitura flutuante, para obter uma categorização dos dados obtidos;
- ii) a exploração do material: a administração sistemática das decisões tomadas;
- iii) tratamento dos resultados e interpretação: fase que combinou a reflexão, intuição e o embasamento nos dados empíricos para estabelecer relações buscando resultados a partir de dados brutos, de maneira a se tornarem significativos e válidos.

A partir desse processo as informações passaram por codificação efetuada segundo regras precisas. Os dados brutos deram lugar a categorias específicas criadas a partir das regras de contagem (BARDIN, 1991). Essa categorização diferenciou os dados reagrupando-os segundo regras embasadas nos referenciais

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

teóricos. Esta estratégia de ordenação foi adotada para que uma representação simplificada dos dados brutos pudessem ser catalogadas e analisadas. Assim, a abordagem qualitativa foi utilizada para descobrirmos as principais ideias de professores em formação na área de ciências da natureza.

## Análise dos dados: categorização das respostas

Este artigo aborda somente a análise do primeiro item da questão um, por considerar que o material coleta gerou margem para uma discussão aprofundada da temática direcionada aos objetivos deste artigo. Novas análises que consideram as demais questões estão sendo processadas.

## Classificação das respostas: análise de frequência simples

Tomando como base a questão 1, apresentada anteriormente, as respostas dos alunos indicaram, na sua grande maioria, que os futuros professores consideram que um indivíduo cego congênito pode vir a se tornar um cientista. Nesse sentido, 46 (quarenta e seis) alunos responderam de forma positiva e apenas 2 (dois) são da opinião que tal fato não é possível. Além dessas duas respostas, também foi possível observar que outros 5 (cinco) alunos apresentaram respostas classificadas como "depende" em função de mostrarem respostas positivas e negativas juntas. Partindo das respostas apresentadas, uma análise de frequência simples foi desenvolvida e é apresentada no quadro 1.

Quadro 01: Possibilidades de um cego congênito vir a ser um cientista: frequência das respostas. Fonte: elaborado pelos autores

## Criando as categorias

Seguindo as orientações metodológicas apresentadas anteriormente, as respostas dos alunos foram organizadas, classificadas e categorizadas segundo padrões que levaram em conta a semelhança das respostas dadas (Quadro 2). Os nomes dados às categorias, bem como suas definições, foram escolhidos a partir da ideia central das respostas apresentadas e também a partir do embasamento teórico adotado no trabalho e citado anteriormente (CAMARGO, 2010, 2012a, 2012b; CAMARGO & NARDI, 2006a, 2006b, 2007, CAMARGO et al, 2009). Pela limitação de espaço, as transcrições das respostas não serão apresentadas. Vale ressaltar que alguns alunos apresentaram opiniões variadas, algumas vezes contraditórias, que foram classificadas em mais de uma categoria.

Quadro 02: Categorias de análise. Fonte: elaborado pelos autores

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Considerações finais

As categorias criadas e apresentadas no Quadro, sinalizam que os dados apontaram que, na opinião dos alunos pesquisados, cegos congênitos têm condições suficiente para seguir a carreira científica. Considerando as dificuldades

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

elementares que esse desafio impõem, como a participação efetiva da sociedade e o planejamento e adoção de metodologias alternativas, auxiliadas por recursos de apoio didático com características táteis e auditivas, ou ainda em tecnologias assistivas, um indivíduo cego congênito (assim como qualquer outra pessoa) pode ter êxito ao seguir uma carreira científica se assim for a sua intenção.

Nesse sentido, a pesquisa trouxe informações elementares para que uma investigação maior seja empreendida. A partir dos resultados aqui apresentados, a intenção é centrar esforços para desenvolver pesquisas destinadas a entender melhor o processo de conceitualização em cegos.

Antes de finalizar, e considerando dados da categoria criatividade, concebida principalmente a partir da resposta de um aluno da física, da universidade federal, é possível ainda destacar que a cegueira não deve ser encarada como um defeito, uma deficiência, uma debilidade, mas sim, em certo sentido, uma fonte de revelação de atitudes, uma vantagem, um ganho perceptivo sob alguns aspectos relacionados a abstração de fenômenos que não tem dependência direta com modelos visíveis.

Como base nessas considerações, surgem dúvidas que não têm a pretensão de serem respondidas neste trabalho. Essas indagações aparecem apenas como um convite à reflexão: Será que muitos dos modelos científicos abstratos aceitos atualmente não seriam melhor explicitados se fossem concebidos por cegos congênitos? A cegueira não seria uma vantagem perceptiva sobre um mundo no qual toda a primeira impressão é quase sempre visual?

## Referências

BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Trad.: RETO, L. A. e PINHEIRO, A. Primeira Edição. Edições 70, 1991, Lisboa, Portugal: 71, 96-98, 101-103, 117-119.

BOGDAN, R e BIKLEN, S. Investigação Qualitativa em Educação : uma introdução à teoria e aos métodos. Trad. Alvarez, M. J.; Santos, S. B. e Baptista, T. M. 1 Edição, Porto Editora Lda. Porto, Portugal, 1994.

BRASIL, Ministério da Educação. Censo Escolar. 2012, INEP, Brasília, INEP, 2012. Disponível em: < http://www.inep.gov.br/basica/censo/Escolar/Sinopse/sinopse.asp. > Acesso em: 4

Jun 2013.

BRASIL. Casa Civil. Decreto nº 5.296 de 2 de Dezembro de 2004. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. 2004. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/\_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm >. Acesso em 4 Jun 2013.

CAMARGO, E. P. Saberes docentes para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de Física . 1. ed. São Paulo: Unesp, 2012a. v. 1. 260p

CARMARGO, E. P. O Perceber e o Não Perceber: algumas reflexões acerca do que conhecemos por meio de diferentes formas de percepção. In: Masini, Elcie F. Salzano (org.). Perceber : raiz do conhecimento. São Paulo: Vetor, 2012b.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

CARMARGO, E. P. A comunicação como barreira à inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de mecânica. Ciência e Educação , Bauru, v. 16, n. 1, p. 259-275, 2010.

CAMARGO, E. P.; NARDI, R. MIRANDA, N. A.; VERASZTO, E. V. Contextos comunicacionais adequados e inadequados à inclusão de alunos com deficiência visual em aulas de óptica. REEC. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias , v. 8, p. 98-122, 2009.

CAMARGO, E. P. & NARDI, R. Dificuldades e alternativas encontradas por licenciandos para o planejamento de atividades de ensino de óptica para alunos com deficiência visual. Revista Brasileira de Ensino de Física , vol. 29, N. 1, 2007.

CAMARGO, E. P. & NARDI, R. Ensino de conceitos físicos de termologia para alunos com deficiência visual: dificuldades e alternativas encontradas por licenciandos para o planejamento de atividades. Revista Brasileira de Educação Especial , Marília, v.12, n. 2, p.149-168, 2006a.

CAMARGO, E. P. & NARDI, R. Planejamento de atividades de ensino de mecânica e física moderna para alunos com deficiência visual: dificuldades e alternativas. Revista electrónica de investigación en educación en ciencias , vol 1, N 2, P: 39-64, 2006b.

CHEN, H. Applying mixed methods inder the framework of theory-driver evaluation. New Directions for Evaluation . 1(74), 1997: 61-72.

LEONTIEV, A. N. (1988). Uma contribuição à teoria do desenvolvimento da psique infantil. In: VIGOTSKI, L. S., LURIA, A. R., LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem . São Paulo: Cortez Editora.

LÜDKE, M. e ANDRÉ, M. E. D. A. Pedagogia em Educação : Abordagens Qualitativas. São Paulo: EPU. Editora Pedagógica e Universitária, São Paulo, 1986.

MANTOAN, M. T. E. Inclusão Escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.

MASINI, E. F. S. Impasses sobre o Conhecer e o Ver. In: O perceber e o relacionar-se do deficiente visual : orientando professores especializados. Brasília: CORDE, 1994.

MORALES, M. & MORENO, M. Problema en el uso de los terminos cualitativo/cuantitativo en la investigación educativa. In: Investigación en la Escuela , 21 (2): 149-157, 1993.

PATTON, M. Q. Qualitative evaluation and research methods . Sage Publications. Second Edition.Newburry Park, California, USA, 1980.

SÃO PAULO.

Censo Escolar Estado de São Paulo

: Informe 2012.

Governo do Estado de São Paulo. Secretaria de Estado da Educação. Centro de

Informações Educacionais. Disponível em <

http://www.educacao.sp.gov.br/a2sitebox/arquivos/documentos/399.pdf >. Acesso em 30 Mai 2013.

SASSAKI, Romeu K. O novo poder : Seu impacto nas entidades assistenciais. São Paulo, 1995.

VIGOTSKI, L. S. Obras Escogidas : V Fundamentos de Defectología . Editora Aprendizaje Visor. 2ª ed. Madrid, 1997, p.391.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.