PRÁTICAS DOCENTES MOTIVADORAS NO ENSINO DE FÍSICA
Kênia Rodrigues Andrade, Edvaldo Vieira Júnior, Luiz Gonzaga Genovese, Wagner Wilson Furtado
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 28/01/2015
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PRÁTICAS DOCENTES MOTIVADORAS NO ENSINO DE FÍSICA
Kênia Rodrigues Andrade 1 , Edvaldo Vieira Júnior , Luiz Gonzaga Genovese , 2 3 Wagner Wilson Furtado 4
1 Universidade Federal de Goiás/Universidade Aberta do Brasil, keniahistori@hotmail.com 2 Universidade Federal de Goiás/Universidade Aberta do Brasil, jr.shallon@hotmail.com 3 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, lgenovese@ufg.br 4 Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, wagner@ufg.br
## Resumo
O objetivo principal deste trabalho é apresentar a análise de uma relação de desmotivação que se estabeleceu entre uma professora e seus alunos de uma turma do 3º ano do Ensino Médio de uma escola pública de um município do interior de Goiás na disciplina de Física. Durante a pesquisa, deparou-se com uma grande desmotivação por parte da docente e percebeu-se que um dos motivos é que seu trabalho em sala de aula estabelecia uma relação sem interação, sem mediação, fragilizando a construção do conhecimento junto aos discentes, trazendo consequências negativas ao processo de ensino-aprendizagem. Procurou-se investigar se a utilização de algumas práticas de ensino, diferentes das tradicionais usadas nessa turma, traria alguma motivação para o processo ensino-aprendizagem. Propuseram-se, para tal, estratégias de ensino baseadas em atividades mais dinâmicas, criativas e de fácil execução. No desenvolvimento da pesquisa, o professor e os alunos pesquisados conseguiram observar que a relação de desânimo pôde ser alterada com uso dessas pequenas ações que dinamizaram mais todo o processo. Observou-se, neste caso, que a prática docente e a relação que o professor estabeleceu com seus alunos influenciaram diretamente no processo ensino-aprendizagem, tornando-se um fator de motivação para ambas as partes, pois a interação produtiva que se estabeleceu em sala de aula fez com que o docente e os alunos se reconhecessem no processo e passassem a construir uma maior e melhor aprendizagem. Verificou-se, também, que a professora regente mudou sua postura frente à turma, utilizando, no restante do semestre, atividades mais motivadoras em sala de aula.
Palavras-chave : Motivação em sala de aula. Motivação docente. Práticas motivadoras em sala de aula. Ensino de Física.
## O problema: a motivação de alunos e professores
No sistema de ensino e no espaço escolar, as mudanças ocorrem constantemente, especialmente as tecnológicas. Assim, o docente deve sempre manter-se atualizado sobre as novas metodologias de ensino e de como desenvolver práticas pedagógicas eficientes. A não aceitação das constantes mudanças e a falta de reconhecimento profissional geram desmotivação. Para JESUS (2004 apud LÉVY-LEBOYER), 'atualmente, vivemos num período que se pode caracterizar por uma 'crise das motivações', isto é, as pessoas apresentam cada vez menor motivação intrínseca para as atividades profissionais'.
- O professor na sua prática educativa enfrenta diversos desafios, os quais deveriam estimulá-lo a repensar continuamente sua prática. As dificuldades que afligem a classe docente são inúmeras, tais como: ausência das famílias na
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26 a 30 de janeiro de 2015
educação escolar dos filhos, má formação acadêmica, falta de reconhecimento profissional (status profissional), baixo piso salarial, dentre outras.
- O primeiro problema a enfrentar é a falta do apoio e do acompanhamento da família dos alunos, o que é um grande desafio, pois o trabalho e a responsabilidade do professor aumentam significativamente. Outro desafio que merece ser tratado é a falta de formação docente para atuar com um ensino individualizado de acordo com as diferenças dos alunos.
Quanto à desvalorização social da profissão docente, Nóvoa (1999) salienta que os professores têm sofrido uma situação de mal-estar na profissão, que causa insatisfação, indisposição, desmotivação pessoal com a docência e muitas vezes provoca o abandono da profissão. Segundo o autor,
De acordo com a máxima contemporânea 'busca o poder e enriquecerás', o professor é visto como um pobre diabo que não foi capaz de arranjar uma ocupação mais bem remunerada. A interiorização desta mentalidade levou muitos professores a abandonar a docência, procurando uma promoção social noutros campos profissionais ou em atividades exteriores à sala de aula. (NÓVOA, 1999, p. 105).
- É preciso observar que a responsabilidade pela educação discente não se dá de forma unidimensional, e a legislação brasileira, por meio da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB (BRASIL, 1996), é bastante clara quando se refere a este tema em seu Artigo 2º:
A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1996)
É importante que os docentes não abandonem a profissão por causa desses desafios, mas reflitam sobre estes, desenvolvam motivação pessoal e criem métodos para enfrentá-los. Para Mosquera e Stobäus (2003), o caminho para o bem estar docente está firmado em dois aspectos: a formação docente e o sentido profissional. A formação docente no sentido de: preparar o professor para o real e não estabelecer falsos ideais; dar a ele um papel de inovador pelo conhecimento; adequar os conteúdos de sua formação inicial à realidade da prática pedagógica; e salientar o conhecimento da realidade cultural para adequar o professor às mudanças da profissão. No sentido profissional: valorizar o trabalho docente pelo saber e pela competência; lutar pela relevância social; e considerar a escola e a universidade como focos irradiadores de educação política na comunidade.
- O trabalho docente é abrangente e interativo, uma vez que produz resultados sobre o humano, exige reflexão, aprofundamento sobre a teoria e a prática, requerendo também uma formação continuada. Como diz Freire (2008, p. 28), 'sua experiência docente, se bem percebida e bem vivida, vai deixando claro que ela requer uma formação permanente do ensinante. Formação que se funda na análise crítica de sua prática'.
Para Torres (1999, p. 09), 'a motivação escolar é algo complexo, processual e contextual, mas alguma coisa pode se fazer para que os alunos recuperem ou mantenham seu interesse em aprender'.
Diante dessas dificuldades, surgiu um questionamento que originou essa pesquisa: É possível motivar os alunos a aprender Física e, consequentemente, motivar o professor?
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Com essa dúvida em mente e suas possíveis soluções, nosso objetivo passou a ser analisar a participação e o envolvimento de alunos e professor de Física, que inicialmente estivessem desmotivados, em aulas que apresentassem um enfoque motivador.
Quando falamos em motivação estamos nos referindo a um processo emocional que se caracteriza de diversas formas em cada pessoa. Buscamos essa motivação docente criando metas para o desenvolvimento da aprendizagem em sala de aula.
## Segundo Tapia e Fita (1999),
O interesse escolar não depende de um único fator, seja pessoal ou contextual. Antes, a motivação está ligada à interação dinâmica entre as características pessoais e os contextos em que as tarefas escolares se desenvolvem. Entre as primeiras, destaca-se a importância das metas que se tem no momento de aprender e suas repercussões na aprendizagem escolar. Já aos contextos, destacam-se quatro aspectos essenciais: o começo da aula, a organização das atividades, a interação do professor com seus alunos e a avaliação da aprendizagem. (TAPIA & FITA, 1999, p. 8).
Huertas (2001) afirma que as metas são desencadeadoras da conduta motivada e formam parte do núcleo imprescindível para considerar uma ação como motivadora ou não. Portanto, sem desejo e metas, não há motivação. O professor motivado consegue facilitar o processo de aprendizagem e 'influenciará' o aluno a desenvolver habilidades que visem o despertar para o estudo, ou seja, a motivação da aprendizagem.
Neste sentido, propusemos e executamos estratégias de ensino que utilizaram atividades didáticas mais dinâmicas e fáceis de se colocar em prática, buscando a motivação discente e, consequentemente, a motivação docente.
## A pesquisa
A pesquisa foi realizada em uma escola da rede pública do Estado de Goiás, localizada em um município do interior do Estado. Não citaremos a cidade, por questões éticas, pois essa escola é a única instituição pública que possui ensino médio na região, o que identificaria a turma e a professora regente. A escola possui uma boa estrutura física, com salas amplas, biblioteca, sala de informática e algumas salas com TV e ar condicionado, além de quadra poliesportiva.
A escola recebe todos os discentes da cidade que utilizam a educação pública e isso faz com que tenha uma diversidade de alunos com classes sociais, econômicas e culturais bem diferenciadas. Os alunos do turno matutino e do vespertino são mais 'novos', e suas únicas preocupações são com os estudos, tentando atingir bons índices de aprovação e melhores resultados na aprendizagem. Já no turno noturno, os alunos são mais 'idosos' e a maioria trabalha o dia todo, o que os leva a ter maior dificuldade no aprendizado, pois chegam extremamente cansados à escola e, com isso, essas turmas detêm altos índices de reprovação e de evasão escolar.
A turma selecionada para a pesquisa foi do 3º ano, do turno vespertino com apenas seis alunos. A escolha dessa turma foi devida aos professores sempre comentarem que era mais difícil dar aula nessa sala do que em turmas com muitos alunos, principalmente por causa da apatia da turma. Portanto, a existência dessa
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turma foi fundamental para nossa pesquisa, pois era justamente a falta de motivação de professores e alunos que estávamos interessados em pesquisar.
A intervenção foi realizada em duas aulas de 45 minutos da disciplina Física. As atividades foram aplicadas pela pesquisadora com a participação ativa da professora regente, que ajudava na condução das discussões e das explicações necessárias aos temas abordados. A pesquisa foi realizada em outubro de 2013 e a prática docente da professora regente foi acompanhada pela pesquisadora até o final de novembro. Assim, pôde-se verificar se essas pequenas intervenções foram indutoras de mudanças nas práticas da professora.
Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram: questionário aplicado aos alunos, notas de campo referentes às atividades didáticas desenvolvidas em sala de aula e entrevista semiestruturada com a professora regente. As análises realizadas se basearam na tabulação dos resultados do questionário, na leitura das notas de campo e na análise da entrevista. Os alunos foram identificados nas análises pela letra A e um número de 1 a 6.
- O ponto inicial da pesquisa foi o 'plano de atividades', elaborado em conjunto com a professora regente da turma. Nesse plano, foram estabelecidas as 'metas' que Tapia e Fita (1999) e Huertas (2001) afirmam ser o ponto desencadeador da motivação. O plano de atividades foi estruturado pensando-se em uma aula mais dinâmica, partindo-se da ideia que a relação professor-aluno é um aspecto relevante para o trabalho docente e um fator decisivo na aprendizagem.
A pesquisa se iniciou com a aplicação de um questionário aos alunos para compreendermos quais suas impressões sobre o aprendizado da Física. As perguntas foram objetivas, para que não desmotivasse os alunos em respondê-las, pois não queríamos produzir, logo de início, um desinteresse pela pesquisa.
Na primeira atividade em sala de aula, levamos um texto sobre 'tempestade com descarga elétrica' para ser discutido, com o intuito de apresentar um fenômeno presente em seus cotidianos. Neste texto, foi explicado, de forma bem simples, qual a origem de um 'raio' (descarga elétrica), algumas precauções a serem adotadas em dias de tempestades e qual a função de um para-raios. Não havia, neste texto, explicações sobre os conteúdos científicos que iríamos trabalhar em sala de aula. O objetivo de apresentá-lo aos alunos foi tentar levantar os seus conhecimentos prévios sobre o assunto, para neles 'ancorar' o conhecimento científico a ser ensinado, pois, segundo Ausubel (1968), os conhecimentos já existentes na estrutura cognitiva do sujeito seriam os suportes em que o novo conhecimento se apoiaria, induzindo, assim, uma Aprendizagem Significativa. A esse processo, Ausubel denominou de 'ancoragem'. Essas ideias ou conhecimentos anteriores funcionam como âncoras, chamadas por Ausubel de 'subsunçores' . Não foi objetivo desse trabalho levantar os subsunçores presentes na estrutura cognitiva dos alunos, nem verificar se houve indícios de Aprendizagem Significativa, mas apenas utilizar essa ancoragem para induzir as discussões.
Como segunda atividade sobre o conteúdo, foi realizado um simples experimento em sala de aula. Neste experimento, um canudinho atraiu uma latinha de refrigerante, propiciando discussões relacionadas à eletrização.
A pesquisa, de cunho qualitativo, foi realizada segundo os parâmetros de Lüdke & André (1986). Segundo as autoras,
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A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento [...] Os dados coletados são predominantemente descritivos [...] A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto. [...] O 'significado' que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador. (LÜDKE & ANDRE, 1986, p.11-13).
## Análise das intervenções
Em um dos primeiros contatos com o caso, ouvimos o seguinte comentário da professora regente de Física da turma selecionada para a pesquisa:
Às vezes é mais difícil dar aula nesta turma que em outra com 30, 40 alunos. Eles são extremamente apáticos, não interagem. (Profa. regente).
Esse comentário e os de outros professores, nos incentivaram a estudar e realizar nossas intervenções nessa turma, pois a desmotivação nela era exacerbada, tanto por parte dos docentes quanto dos discentes.
Iniciamos as análises a partir das respostas ao questionário. Nelas, observamos que metade da turma afirmou que 'gosta' das aulas de física. Dois alunos foram questionados quanto às respostas dadas e afirmaram:
Acho muito interessante saber das coisas. É muito legal, só não gosto das contas. (Aluno A1).
Detesto, pois tem muita conta. (Aluno A5).
Essas ponderações nos remeteram a um problema corriqueiro nas aulas de Física: a extrema importância dada aos problemas numéricos em detrimento dos princípios e conceitos, que consideramos serem muito mais importantes para o dia a dia desses alunos.
Todos os alunos foram unânimes em afirmar que não havia aulas com metodologias diferentes das chamadas 'tradicionais' com quadro e giz e livro didático. Observamos, neste caso, o quanto é forte o ensino dito tradicional, mesmo estando em uma situação em que há aversão dos alunos pelo aprendizado.
Metade da turma afirmou que consegue relacionar ciências, especialmente a Física, com o seus cotidianos. Interessante notar que os alunos que afirmaram gostar das aulas de Física foram os mesmos que afirmaram conseguir relacionar a ciência com seu cotidiano. Isso nos leva a pensar que se conseguirmos mostrar que a Física está presente no dia a dia dos alunos a motivação pelo assunto pode aparecer e os conceitos podem ficar mais fáceis de serem compreendidos por eles.
Quanto ao tempo destinado fora de sala de aula ao estudo da Física, todos os seis alunos afirmaram que não estudavam fora do ambiente escolar. As justificativas apresentadas foram, em geral, relacionadas aos seguintes aspectos: ajudar na arrumação da casa; trabalhar fora e chegar em casa cansado; não estudar no final de semana por ter necessidade de vida social.
Consideramos, a partir dessas justificativas apresentadas pelos alunos, que os alunos não organizam seus horários para estudos. Acreditamos que um fator fundamental para essa atitude é o Programa de Intensificação de Aprendizagem (PIA), que é um período (sempre no final de cada semestre letivo) em que o aluno, que está na iminência de reprovação ou progressão parcial (aquele estudante que vai para a série seguinte 'devendo' uma ou duas disciplinas), estará focado em rever conteúdos já estudados, sendo facilmente aprovado. Para esses alunos, a
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aprovação já é dada como certa, independentemente do que fazem ou de quanto estudam, o que os leva a estudar somente neste período e não ao longo de todo o semestre.
Apesar de não estudarem em horários extraclasse, todos afirmaram que prestam atenção às aulas, mas que não conseguem compreender nada, mesmo prestando atenção. Segundo os alunos, a não compreensão dos conteúdos está diretamente relacionada com o uso da Matemática. Todos afirmaram que possuem grandes dificuldades e que possuem grande aversão a qualquer cálculo, mesmo em operações básicas (soma, subtração, multiplicação e divisão). Assim, com essa dificuldade em Matemática e com o ensino da Física totalmente voltado para a resolução de problemas, o resultado não poderia ser outro senão a desmotivação e a apatia em sala de aula.
Alguns afirmaram que não compreendem as aulas por não interagirem com os colegas e, principalmente, com o professor. Esse resultado corrobora um dos principais fatores da desmotivação: a falta de interação dentro de sala de aula.
Assim, com a intenção de estimular o diálogo entre os alunos e entre nós e eles, aplicamos a primeira atividade: o texto 'tempestade com descarga elétrica'. Como resultado da problematização apresentada no texto, os diálogos entre os alunos aconteceram espontaneamente, surgindo nas discussões os conhecimento prévios presentes em suas estruturas cognitivas. Percebemos que eles começaram a interagir, partindo de simples diálogos como os que se seguem:
Já levei choque pegando em outra pessoa e na maçaneta da porta. (Aluno A2).
Os pelos dos braços ficam eriçados quando chego perto da TV. (Aluno A4).
Alguns gados na chácara que moro morreram durante uma tempestade, pois estavam próximos da cerca. (Aluno A1).
Observamos que houve um diálogo espontâneo, que era interrompido pela pesquisadora ou pela professora regente, quando necessário, para explicar algum conceito ou para fazer comentários específicos sobre a teoria abordada no texto. Neste momento, percebemos o surgimento de motivação por parte dos alunos.
Como última atividade sobre o conteúdo, foi realizado um simples experimento em sala de aula. Neste experimento, um canudinho atraiu uma latinha de refrigerante, cujo fenômeno propiciou discussões relacionadas à eletrização.
Nesta atividade, percebemos que os alunos ficaram intrigados com a atração entre a latinha e o canudo e a velocidade com que a lata se movimentou. Foi muito importante para a pesquisa observar a participação de todos os alunos e perceber que inclusive a professora regente ficou bastante motivada. A atividade experimental em sala de aula está ilustrada na Figura 1.
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Figura 1 - A atividade experimental em sala de aula.
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Observamos, nesta pequena intervenção, que é possível fazer surgir a motivação de uma turma e do próprio professor com simples recursos didáticos, como foi o caso desse experimento de custo zero.
Na parte final da pesquisa, entrevistamos a professora regente, que apresentou suas impressões da dinâmica utilizada. Apresentamos, a seguir, um recorte dessa entrevista:
Todos os recursos didáticos utilizados foram extremamente simples de se realizar e sem a necessidade de tomar muito tempo;
Primeira vez a turma interagiu;
Percebi o quanto é necessário que faça sentido para o aluno, o que está sendo estudado;
Evidente que sei que os problemas referentes à desmotivação docente são amplos e difíceis de se solucionar. Não é com um plano de atividade que tudo estará resolvido, mas pelo menos na prática em sala de aula me senti bem e com vontade de ajudar na aprendizagem de cada um dos alunos;
Quanto à questão do não uso de métodos diferentes em sala de aula, sempre achei trabalhoso fazer isso, mas quero tentar a partir de agora.
A professora ressaltou que não elaborava aulas com experimentos, pois achava bem trabalhoso, porém, observamos, como estagiária, que ao longo do final do semestre, após a nossa intervenção, a professora começou a introduzir pequenos experimentos em suas aulas. Percebemos que essa postura fez diferença e levou os alunos a ficarem mais interessados pela aula. Isso não ocorreu em todas as aulas, mas, percebemos que foi um começo. Neste ano, de 2014, como professora desse colégio com contrato temporário, notamos que a professora regente de nossa pesquisa utilizou em suas aulas textos, experimentos e outras técnicas, como, por exemplo, mapas conceituais.
Foi interessante verificar como pequenos detalhes podem fazer a diferença, e melhorar significativamente o interesse profissional de um professor. Ficou claro o campo de possibilidades que se abriu para a professora trabalhar em sala de aula de forma motivadora para ela e para os alunos.
Com essas simples atividades propostas, não solucionamos todos os problemas que ocorriam em sala de aula, porém, de forma imediata, foram capazes de despertar de novo um pouco da paixão pela docência da professora regente, mostrando, assim, que simples atitudes em sala de aula podem funcionar como elementos motivadores, trazendo de volta o prazer de estar em uma sala de aula e ter a possibilidade de intermediar a construção do conhecimento.
## Considerações finais
Analisando os resultados dessa pesquisa, observamos que as relações aluno-aluno e professora-alunos foram aspectos importantes para a prática docente e, também, um fator decisivo para a motivação dos alunos. Observamos, não somente nestas atividades, mas também ao longo do final do semestre, que, quando a professora regente e os alunos passaram a conviver, a interagir, se estabeleceu uma relação que se tornou o cerne do processo ensino- aprendizagem.
Observamos, também, que o desenvolvimento de aulas mais dinâmicas com procedimentos pedagógicos diferenciados, com aproximação do conhecimento científico do mundo vivencial do aluno, contribuiu para o enfrentamento do ensino
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centrado apenas na utilização de quadro, giz e livro didático, muitas vezes sem significado tanto para o aluno quanto para o professor.
- O estabelecimento das metas e o desenvolvimento das atividades planejadas permitiram refletir sobre a prática e concluir sobre a necessidade de aulas mais atraentes, buscando, assim, motivar a todos. Observamos, com a participação nesta pesquisa, que a superação do dito 'ensino tradicional' pôde induzir uma prática pedagógica mais dinâmica e participativa, o que gerou motivação docente e discente.
Verificamos, também, o quanto foi saudável uma boa interação professoraluno, pois a interação produtiva que se estabeleceu em sala de aula fez com que o docente e os alunos se reconhecessem no processo e passassem a construir melhor este processo de ensino-aprendizagem. Concluímos, neste estudo, que quando docentes e discentes se encontraram e passaram a conviver, a interagir, logo se estabeleceu uma relação, e esta, por sua vez, se transformou em um processo educativo que conduziu à construção do conhecimento.
## Referências Bibliográficas
AUSUBEL, David P. Educational Psychology: A Cognitive View. New York: Holt, Rinehert end Winston, 1968.
BRASIL. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional : nº 9394/96. Brasília: 1996.
FREIRE, Paulo. Professora sim, tia não : cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Editora Olho d'água. 19. ed. 2008.
HUERTAS, J.A. Motivacion : querer aprender. Buenos Aires: Aique, 2001.
JESUS, Saul Neves de. Desmotivação e crise de identidade na profissão docente . KATÁLYSIS, v. 7, n. 2, jun./dez. 2004. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/katalysis/article/view/6458>. Acesso em 28 out.. 2014.
LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E. D. A. Pesquisa em Educação : abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
MOSQUERA, J. J. M.; STOBÄUS, C. D. O Mal-Estar na Docência : causas e conseqüências. Relatório de Pesquisa. Porto Alegre: Faculdade de Educação da PUCRS, 2003.
NÓVOA, Antônio (org). Profissão Professor . Porto / Portugal: Porto Editora, 1999.
TAPIA, J. A.; FITA, E. C. A motivação em sala de aula : o que é, como se faz. 4 ed. São Paulo: Loyola, 1999.
TORRES, J. C. Apresentação: a motivação para a aprendizagem. In: TAPIA, J. A.; FITA, E. C. A motivação em sala de aula : o que é, como se faz. 4 ed. São Paulo: Loyola, 1999.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.