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Abordagem do Conceito de Inércia Através da Metodologia da Problematização

Diego Novaes Soares, Maressa Perovano Michio Fraga, Jéssica Bonicenha Loureiro, Pedro Leite Barbieri

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ABORDAGEM DO CONCEITO DE INÉRCIA ATRAVÉS DA METODOLOGIA DA PROBLEMATIZAÇÃO

Diego Novaes Soares 1 , Jéssica Bonicenha Loureiro , Maressa Perovano Michio 2 Fraga 3 , Pedro Leite Barbieri 4

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## Resumo

Esse artigo relata a experiência dos bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência (PIBID), alunos de Licenciatura em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - Campus Cariacica. O trabalho foi realizado em uma escola estadual situada no município de Cariacica-ES, objetivando o ensino da Primeira Lei de Newton e o conceito de inércia, aos alunos do primeiro ano do Ensino Médio, para a maior compreensão dos fenômenos físicos, problematizando-os em seu cotidiano. Para facilitar o aprendizado dos alunos foram utilizados vários exemplos em diferentes situações, e experimentos na qual os alunos eram convidados a participar, possibilitando aos alunos observar a física em situações práticas, entender a importância dessa ciência, e até mesmo se sentir motivado a aprender mais sobre física. Como método de avaliação foi utilizado questionários, um antes da aula e outro depois, desse modo foi possível conhecer o conhecimento prévio dos alunos, suas dúvidas, o que aprenderam com a aula, e se o método de ensino foi eficaz. Após o segundo questionário as questões foram discutidas em sala, dando mais ênfase as questões na qual os alunos de maneira geral sentiram mais dificuldade, na tentativa de sanar as dúvidas que ainda permaneciam e significar esse conceito aos alunos.

Palavras-chave : Problematização; Ensino; Inércia.

## Introdução

Grandes são as dificuldades enfrentadas quando se trata do ensino de física no Brasil. Os estudantes do ensino médio se sentem pouco motivados à estudar física, devido a não compreensão da sua importância, entendendo a física como algo distante da realidade dos mesmos. Um motivo para esse desinteresse esta na falta de aulas experimentais que aborde a física de forma mais prática.

No intuito de reverter essa situação em uma turma de primeiro ano do Ensino Médio, introduzimos aulas usando o Método da Problematização, que tem como objetivo principal a aproximação do aluno ao conteúdo, apresentando exemplos cotidianos e divertidos, fazendo da aula um debate

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26 a 30 de janeiro de 2015

onde encaminhamos os alunos ao questionamento, a curiosidade e o interesse, dispensando assim, aquela falsa ideia de que a Física é de difícil compreensão.

## Referencial Teórico

'Todo o conhecimento do homem construído na ciência tem origem em um questionamento, uma dúvida oriunda dos fenômenos observados na natureza, então se o conhecimento cientifico é fruto de uma tentativa de responder pergunta, então porque pretender que alunos aprendam as respostas sem conhecer as perguntas que os cientistas fizeram antes.'(LABRA, 2007)

Uma boa maneira de fazer com que o aluno entenda determinados conceitos científicos é utilizando problematizações contendo elementos comuns de seu cotidiano, ou fazendo analogias com acontecimentos simples para explicar conceitos mais complexos. É preciso que o aluno veja a ciência acontecer para que ele a compreenda, e para que ele perceba a ciência com mais facilidade, seus professores devem contextualizar os conceitos científicos. Podemos entender a contextualização como a maneira de significar algum conceito e a problematização é uma maneira de trabalhar a contextualização 'é possível generalizar a contextualização como recurso para tornar a aprendizagem significativa ao associá-la com experiências da vida cotidiana ou com os conhecimentos adquiridos espontaneamente' (Brasil, 1999, p.94) .

Dessa forma, os alunos conseguem identificar fenômenos físicos em seu cotidiano e então aprimorar a sua capacidade de questionar e de pensar.

O conteúdo que foi trabalhado em aula através das problematizações foi a 1ª Lei de Newton também chamada Lei da Inércia, foi escrita por Isaac Newton em 1687 em seu livro ' Philosophiae naturalis principia mathematica' . As leis de Newton são as bases de toda a mecânica clássica. A 1ª Lei de Newton explica a tendência que os corpos tem de permanecer em seu estado de movimento, seja o repouso, ou movimento retilíneo uniforme, até que uma força externa altere isso.

## Metodologia

A experiência partilhada neste relato utiliza-se de uma metodologia didática de problematização do conteúdo durante um trabalho do PIBID (Programa Institucional Brasileiro de Iniciação a Docência) em uma turma de 1º ano do Ensino Médio de uma escola estadual. Optamos por esta prática didática, no intuito de despertar o interesse dos alunos para o conteúdo apresentado, citando exemplos cotidianos, mostrando aos alunos que a Física não está distante da realidade deles.

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Como a turma trabalhada já havia estudado o conteúdo, começamos aplicando um pré-teste para verificarmos os conhecimentos que eles tinham antes da aula. Ao fim da primeira aula, aplicamos o mesmo teste para analisarmos os progressos de aprendizagens. As dúvidas que permanecessem após o segundo teste foram retomadas como ponto de partida para a aula seguinte.

## Desenvolvimento

No sentido de verificarmos os conhecimentos prévios e identificarmos as maiores dúvidas com relação à primeira lei de Newton desenvolvemos e aplicamos o seguinte questionário.

- 1) O que é inércia?
- 2) A inércia está relacionada a que propriedade da física?
- 3) O que acontece se não houver forças agindo sobre um corpo?
- 4) Considerando que você está em repouso em relação a cadeira em que está sentado, então:
- a) ( ) Está em movimento em relação ao planeta Terra.
- b) ( ) Em repouso em relação à uma formiga andando na parede.
- c) ( ) Em movimento em relação ao Sol.
- d) ( ) Em repouso em relação a um aluno passando ao lado.
- 5) Quem desenvolveu os estudos da Lei do Princípio da Inércia?

Os resultados obtidos do pré-teste estão expostos abaixo:

Figura 01: Resultados do pré-teste

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Com ajuda do professor orientador, planejamos a aula iniciando a aula perguntando 'Por que é necessário a utilização do cinto de segurança nos veículos?' e a partir dessa problematização debatemos com os alunos, dando maior importância à observação dos fenômenos envolvidos na situação. Aos poucos adicionamos novas situações, como por exemplo, ao frear um carro, ampliando o campo de discussão. Citamos novos exemplos,

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como montanhas-russas, ônibus e motos e, se necessário, induzíamos o aluno ao questionamento de certos pontos, mas sem dar respostas prontas.

Em todos os exemplos uma resposta foi comum 'Quando acontece a arrancada nós vamos para trás e quando freia nós vamos para frente', foi quando perguntamos 'em relação a o que?', após essa pergunta os alunos ficaram em dúvida do que responder, então antes de respondermos e introduzirmos a ideia de Referencial, aplicamos o seguinte experimento: Colocamos uma folha de papel na beirada de uma mesa e em cima dela um estojo, perguntamos então 'Se puxarmos rapidamente essa folha o estojo ficará como?' , eles responderam que o estojo permaneceria em repouso, então perguntamos novamente 'em relação a o que? à mesa? à folha? ' e a resposta foi unânime, 'à mesa'.

Perguntamos se ao puxar a folha lentamente o estojo também permaneceria em repouso em relação à mesa, a resposta foi 'ele se moverá junto com a folha' , mas não sabiam responder o motivo. Explicamos então, que a força feita não venceu o atrito da folha com o estojo que estava funcionando como uma força externa que modifica o movimento a ser realizado pelo estojo. Ao final da aula os alunos já estavam mais familiarizados com conceito de inércia, mas faltava mostrar algumas propriedades dessa lei, como a relação inércia e massa. Então perguntamos 'o que é mais fácil frear, um carro pequeno ou um caminhão? ', a maioria disse que era o caminhão, mas alguns permaneciam com dúvidas. Sendo assim, pedimos para que uma aluna empurrasse uma cadeira e depois uma mesa cheia de livros, perguntamos qual foi o mais difícil de retirar do repouso e a resposta foi 'a mesa', citamos outros exemplos como chutar uma bola de borracha e uma de boliche. O assunto foi novamente debatido e concluímos que quanto maior a massa de um corpo, maior a sua inércia.

Encerramos a aula tirando dúvidas e apresentando o conceito formal da Lei do Principio da Inércia e apresentamos brevemente a biografia de Isaac Newton, logo após reaplicamos o teste, para verificarmos os avanços e aprendizagem da turma. Segue baixo o resultado do teste final:

Figura 02: Resultados do teste final

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No término da primeira aula, reaplicamos o questionário, para verifica e verificar as principais dúvidas. Corrigimos as questões em sala e respondemos as perguntas dos alunos. Assim podemos constatar que o aprendizado foi alcançado com maior facilidade.

Figura 03: Aula apresentada

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## Conclusão

Tendo em vista que o conhecimento cientifico nasce da iniciativa de entender a natureza e seus fenômenos, a utilização de exemplos que estão ligados ao cotidiano rompe com alguns mitos do pensamento popular e também mostra o quão perto a física está do cotidiano do aluno, assim como o PCN (Parâmetro Curriculares Nacionais) propõe, uma física mais próxima da realidade do aluno. Ao vermos o progresso da turma em relação ao domínio do conteúdo, percebemos que a metodologia aplicada teve resultados satisfatórios e que deixou os alunos mais confortáveis e envolvidos com o assunto estudado. Sendo assim, julgamos importante a contextualização e o debate sobre o que está sendo estudado para assim, desenvolver a percepção e senso crítico dos alunos.

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## Referências

PIETROCOLA, Maurício, Física em Contextos - Vol.1, São Paulo-SP: FTD, 2010.

RAMALHO, Junior, Os Fundamentos da Física - Vol.1,São Paulo- SP: Moderna.

BERBEL, N. A. N. Metodologia da problematização: Experiências com questões de ensino superior, ensino médio e clínica. Londrina: EDUEL, 1998b.

BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília: MEC, SEMTEC, 1999.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.