Do olho humano a Charqueada de São João.
Marco Aurélio Torres Rodrigues, Julio César Damasceno, Luiz Fernando Mackedanz, Marco Aurélio Torres Rodrigues
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 28/01/2015
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## Do olho humano as Charqueadas de São João
## Marco Aurélio Torres Rodrigues , Julio Cesar Gonçalves Damasceno , Luiz 1 2 Fernando Mackedanz 3
## Resumo
A proposta elaborada para este artigo é muito simples, já que a mesma refere-se a um relato de atividades desenvolvidas em sala de aula, por um professor do Ensino Fundamental com formação inicial em Física. Estas atividades foram desenvolvidas no ano de 2013, numa escola do interior do Rio Grande do Sul, no quinto ano do Ensino Fundamental, onde o professor ministrava todas as disciplinas - situação comum e corriqueira nos anos iniciais. Quando o Professor planejou a exposição do conteúdo, Visão, jamais imaginou a proporção que o mesmo atingiria, pois a princípio, iria apenas abordá-lo, de forma trivial, apresentação em PowerPoint, entretanto, alunos e professor foram instigados a ir mais além por necessidades coletivas que surgiram, já na primeira abordagem do assunto. Com isso, percebeu, que simples ou elaborados argumentos não seriam suficientes e então pensou em propor atividades que saciem estas necessidades. Desta forma surgiu a proposta que aqui será relatada.
Palavras-chave : Visão, Multidisciplinaridade, Projetos de Aprendizagem.
## 1 - Introdução
Desde 1998, trabalho com os Anos Iniciais (1º ao 5º) do Ensino Fundamental- antigamente identificados de 1ª a 4ª séries. Embora possa soar de forma curiosa, afinal sou licenciado em Física, justifica-se o exercício de tal atividade por ter a Habilitação em Magistério em meu Ensino Médio - antigo Segundo Grau.
Em anos anteriores, meu filho mais velho fora meu aluno, na quarta série, a turma dele era formidável e, por comodidade ou até mesmo covardia, não propus nada que escancarasse o quanto a abordagem tradicional e pragmática de conteúdos não atendia as expectativas e necessidades daqueles alunos. Entretanto, fazia a leitura desta minha inoperância como docente e tinha consciência da mesma, quando em casa, meu filho questionava-me por que eu não o ensinava na Escola, como 'ensinava em casa', isto é, fazendo experimentos, brincando com leituras de revistas... Mesmo assim, continuavam as minhas velhas práticas pedagógicas, já incorporadas. E tudo isso foi sendo reprisado e reforçado durante os anos que seguiram. Então chegou 2013, e novamente um dos meus filhos voltou a ser meu aluno, agora a mais nova, mas eu estava decidido a mudar, contudo o ano começou
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como todos os outros: verificando a ementa de conteúdos, espiando a lista de chamada. Até que chegou a hora de atuar.
Quando pensei no planejamento da aula sobre a visão humana, não tive dúvidas em apresentá-la de forma tradicional como sempre fiz, afinal em anos anteriores tudo ocorrera normalmente. Contudo, neste ano, as necessidades eram outras. Felizmente, aquela turma do Instituto Estadual de Educação José Bernabé de Souza não era uma turma tradicional, ou então o fato de estar cursando o Mestrado Nacional Profissionalizante em Ensino de Física, na FURG, tenha tornado meus sentidos mais aprimorados e sensíveis.
Portanto, sinto a necessidade de relatar que a abordagem tradicional não foi satisfatória, pois por melhor que estivessem os slides, sua apresentação como recurso didático não era suficiente, e tal insuficiência foi observada, no momento em que um educando, de uma cidade chamada Cerrito, no interior do Rio Grande do Sul, na época com 10 anos de idade, disse: -'Professor, me desculpe, mas não acredito que a imagem fica invertida!' Minha primeira reação foi pensar 'menino mal educado!' Minha surpresa, porém, foi perceber que, no fundo, concordava com o menino.
Apesar de parecer estranho, à primeira vista, o fato de que as crianças não podem acreditar nas imagens frias de um projetor, por melhor que estejam apresentadas! Afinal, estávamos tratando da visão, um sentido que eles utilizam diariamente, e a idéia de imagens invertidas, propostas com setas que representavam o caminho percorrido pela luz, até a retina, contradiz aquilo que é percebido e captado por elas todos os dias. A partir disso, percebi a necessidade de abordar o assunto de forma diferente, o que fez surgir as atividades apresentadas e discutidas neste trabalho.
Uma preocupação é escolher uma abordagem que seja apropriada para o desenvolvimento das crianças nesta idade (PIAGET,1976). Essa etapa nos permite dimensionar corretamente o tipo de atividade e como ela pode ser desenvolvida ao longo do ano, bem como as oportunidades de crítica e avaliação.
- O ensino deve ser planejado de modo a facilitar a aprendizagem significativa e a ensejar experiências afetivas positivas(MOREIRA,2011).
Em função dos motivos citados anteriormente teve origem esta prática educacional, que identificamos ser contemplada pela Teoria de Educação de Novak. É fato que não estamos reinventando a roda, pois o que relato ter desenvolvido, pode ser observado em alguns recortes na literatura atual.
## 2-Descrição do trabalho
Como a metodologia que adotei inicialmente para introduzir o assunto não se revelou pertinente e adequada, foi necessário planejar novas formas de abordar tal conteúdo, tornando-o, assim, possível de ser compreendido pelos estudantes.
Com este objetivo, me dediquei a elaborar uma nova metodologia de trabalho, que pudesse potencializar o aprendizado para aquelas crianças. Na semana seguinte, retornei com a ideia de desenvolver o conteúdo de forma a otimizá-lo, isto é, atingir o seu máximo, encarando-o como um projeto de aprendizagem (PA) ; não como projetos formais, com data, horário, tarefas com prazos rígidos, mas sim algo passível de mudanças a qualquer instante, o que deve
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ser considerado quando trabalhamos com as séries iniciais, e queremos mantê-los atentos e curiosos às atividades. Para elaborar este PA utilizamos o artigo de Heineck e Arribas (2004), dividindo-o em oito etapas: 1ª construção de câmara escura; 2º utilização da câmara escura; 3º estudo na sala de multimídia; 4º conteúdo de História; 5º produção de novas câmaras; 6º visita as Charqueadas de São João; 7º revelação de imagens e 8º exposição de imagens na mostra pedagógica. Dedicamos o restante da seção para apresentar e discutir cada uma destas etapas, separadamente.
## 2.1-Construção da Câmara Escura
Minha preocupação instantânea era mostrar para os alunos que realmente, as imagens eram obtidas de forma invertida, isto é, de cabeça para baixo. Então, propus que cada um dos alunos construísse uma câmara escura.
Para construção de cada câmara foi necessário: uma lata de Nescau (com tampa), um pedaço de papel seda, fita adesiva, cartona escura, preguinho, martelo e tesoura. Podemos ver que este material é de fácil acesso e, tomando cuidados com o martelo e a tesoura, a construção do equipamento é possível de ser executada por todos os alunos. Gostaria de salientar que os materiais que julgava 'mais perigosos' como o preguinho e o martelo, foram disponibilizados pela escola, ou seja, os alunos não tiveram que trazer de casa!
No primeiro passo, fazemos um pequeno orifício no fundo de cada lata, este orifício foi feito pelo professor em todas as latas, ocasionando um índice nulo de acidentes; segundo, recortamos a parte interna da tampa de plástico da lata, obtendo um 'enorme anel'; terceiro, recortamos um pedaço do papel tipo 'seda' com dimensões um pouco maiores que a tampa da lata; quarto, recortamos um pedaço de papel tipo 'cartona' para escurecer o interior da lata e colocamos no interior da lata; quinto, colocamos o papel tipo 'seda' (já recortado) na 'boca' da lata e prendemos com o 'enorme anel' obtido no segundo passo(em alguns casos foi necessário utilizar a fita adesiva); sexto, construímos um cilindro de cartona com diâmetro um pouco maior que o diâmetro da lata e, para finalizar, encaixamos este cilindro na base da câmara que continha o papel de seda. A atividade, do tipo 'hands-on', foi bem recebida pelos estudantes, e todos conseguiram construir as câmaras escuras. Na figura 01, uma foto dos materiais utilizados na confecção de uma das câmaras.
Figura 01: materiais utilizados na construção de uma das câmaras escura.
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Na figura 02, a imagem mostra a quantidade de câmaras construídas pelos
Figura 02: câmaras escuras em cima da classe de cada aluno.
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## 2.2 - Utilização da Câmara Escura
Na introdução, falamos que o fato da imagem invertida não ser percebida pelas crianças torna este conceito da formação de imagem muito abstrato. É possível, portanto, imaginar o alvoroço das crianças quando começaram a utilizar suas câmaras e, perceberem que as imagens realmente, como num conto de fadas, ficavam invertidas.
Neste instante, fiquei deslumbrado, pela observação, de como a estrutura cognitiva de um estudante responde positivamente, quando influenciada de forma programática. Segundo Ausubel, 'a estrutura cognitiva, pode ser influenciada de maneira programaticamente, pelo emprego de métodos adequados de apresentação do conteúdo e utilização de princípios programáticos apropriados na organização sequencial da matéria de ensino' (MOREIRA, 2011). Isto mostra que o professor deve ter uma sensibilidade no momento que está preparando a aula para escolher uma metodologia mais adequada para aquele conteúdo, sem esquecer de considerar o público que deseja atingir.
Cabe registrar que percebi esta resposta positiva dos estudantes, ao analisar os textos produzidos pelos mesmos, ficando evidenciado em suas colocações e, também em frases espontâneas que surgiam durante as observações das imagens. Não quero parecer demagogo, muito menos utópico, afirmando que foi obtida uma 'revolução cognitiva', mas, quero sim, reafirmar que os estudantes evoluíram cognitivamente, chegando até mesmo relacionar, imagem no olho humano com imagem fotográfica, isto é, obtida em uma câmara.
## 2.3 - Estudos do Olho Humano na sala de multimídia
Na próxima etapa, retornamos ao ponto de partida, isto é, voltamos a sala de multimídia, para novamente discutir o olho humano. Desta vez, porém, abordei o assunto começando por deficiências visuais, miopia, hipermetropia, astigmatismo...
Neste instante, acredito ser adequado relatar de forma detalhada, como foram abordadas as deficiências visuais, entretanto, por hora, apresentarei a miopia, pois a outras seguiram a mesma sequência didática.
Comecei perguntando se tínhamos algum aluno, ou aluna com dificuldades de enxergar objetos situados longe e, também se alguém costumava sentar muito próximo do televisor ou computador - três alunos acusaram tal problema -. Logo em seguida relatei que isto seria um probleminha com nossos olhos. Para tornar claro, a
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alunos.
existência de tal problema, solicitei aos alunos que usavam óculos e sofriam com esta deficiência, para retirar os mesmos, ir até o fundo da sala e olhassem para uma fruta que estava na minha mão. Na continuidade, pedi para tentarem detalhar o que estavam visualizando. É claro, os detalhes não foram precisos.
Vencida a etapa de mostrar tal deficiência, parti para explicar o que ocasionava este problema e a possível correção; para este fim utilizei uma imagem que mostrava um esquema do olho humano. Tentei explorar ao máximo tal esquema, discutindo cada parte do olho ali apresentada, após indiquei onde seria obtida a imagem por um olho míope e onde seria obtida a imagem por um olho saudável. Quase finalizando, utilizei uma segunda imagem, que mostrava o esquema de um olho míope e a visão de um olho míope e, fiz as devidas considerações.
Agora, sim, finalizando, mostrei lentes divergentes que auxiliam na correção de tal problema. Todas as outras deficiências citadas seguiram esta mesma linha de abordagem, fazendo as devidas adequações, em virtude de serem problemas distintos do apresentado anteriormente.
## 2.4 - Aula de História
O mês de Setembro, no Rio Grande do Sul, é dedicado ao estudo da 'Origem da Revolução Farroupilha', na componente curricular de História. A revolução teve sua origem no descontentamento dos estancieiros gaúchos com o preço do charque - carne de origem bovina, que era salgada para não estragar e, servia tanto para alimentar os escravos, como para ser comercializada para o centro do País praticado pelo governo central do Império.
Como a cidade de Pelotas, foi uma importante cidade na época gloriosa da produção de charque e ainda hoje conserva em ótimo estado algumas propriedades produtoras de charque, combinamos com os estudantes uma excursão, para fazer uma visita, a uma destas propriedades, denominada Charqueada São João. Este local, às margens do Arroio Pelotas serviu de cenário para a gravação do filme 'O tempo e o Vento', bem como a minissérie 'A Casa das Sete Mulheres', ambas ambientadas na época da Revolução Farroupilha.
Porém, não fomos lá apenas com intuito de estudar História, mas também com o objetivo de produzir algumas imagens fotográficas, não com câmaras modernas,- digitais, mas sim,- utilizando nossas câmaras escuras ( através de um processo chamado de fotografia 'pinhole').
## 2.5 - Confecções de Novas Câmaras
Como nosso projeto foi executado, paralelamente, com outras atividades, quando chegamos próximos da visita à Charqueada de São João, a maioria dos estudantes não tinha mais suas câmaras escuras, produzidas no início do processo. Portanto, resolvemos confeccionar novas câmaras escuras aprimoradas, com orifícios menores e desta vez, não cortamos as tampas, nem tampouco utilizamos papel de seda.
Essa etapa foi bastante trabalhosa, pois além de construir novamente as câmeras, tivemos que escurecer completamente o interior do laboratório de Física que é uma sala pequena, mas com várias aberturas -, já que iríamos utilizar este espaço para carregar as câmaras com filmes fotográficos, isto é, colocar os filmes sensíveis a luz no interior das câmaras. Utilizamos lona preta nas aberturas, fixando-
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as com fita adesiva. Volto a salientar que esta etapa foi cansativa, pois minha classe compreendia por volta de 3 dezenas de alunos e no laboratório, cabia no máximo dez destes educandos, ficando o Professor a todo momento solicitando o auxílio das Monitoras Escolares. Os filmes fotográficos foram adquiridos com recurso da Escola. Então, na véspera da viagem, como tínhamos combinado, os estudantes foram à Escola à noite, acompanhados de seus pais e responsáveis, para carregar as câmaras.
## 2.6 - Visitação à Charqueada de São João
Ao chegarmos á Charqueada de São João, fomos orientados na visita por um guia, que contou aos alunos toda história daquele local. Logo após, cada aluno teve a possibilidade de fotografar uma única vez o que achasse interessante. O dia estava ideal para a prática desta modalidade de fotografia, mas com uma incidência de sol considerável, logo as câmaras não poderiam ficar muito tempo expostas. Reuni os estudantes. Conversamos a respeito. Logo após, as imagens foram registradas por cada aluno com a respectiva câmara.
Na figura 03, temos a imagem obtida por um dos alunos utilizando sua câmara escura na visitação a Charqueada São João.
Figura 03: Imagem de uma das laterais da Charqueada São João.
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## 2.7 - Revelação das imagens
No dia seguinte, após a viagem, era momento de revelar as imagens. Para isso, dividi a turma em 5 grupos, com 5 componentes cada e um grupo com 6, em virtude do espaço do nosso laboratório ser pequeno para toda a turma entrar de uma só vez.
Para o processo de obtenção de imagens, utilizamos três produtos: o revelador, o fixador e o interruptor (stop). Nesta etapa, minha preocupação foi enorme com a saúde das crianças, afinal, estávamos trabalhando com produtos químicos. Então cada aluno utilizou luvas descartáveis e, ficavam poucos minutos no laboratório; sendo que a 'preparação' dos três produtos era feita antes dos alunos entrarem no laboratório e,ficou sob minha responsabilidade. Cabe salientar que não houveram registros de problemas de saúde.
No laboratório de Física, utilizávamos uma lâmpada vermelha para poder enxergar o que estávamos realizando. O interessante, é que de início, os alunos já questionaram o motivo da lâmpada ser vermelha. É evidente que fiz as devidas
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considerações e explicações; quatro alunos antes mesmo de revelar as imagens informaram que seus filmes estariam 'queimados', já que os mesmos tinham sido expostos a luz branca, isto é, eles espiaram a câmara, abriram na rua para dar uma olhadinha. Na figura 04, com um pouquinho de dificuldades ( em virtude da iluminação e qualidade de imagem) observamos os alunos trabalhando no laboratório de física expostos a luz vermelha para revelação dos filmes.
Figura 04: laboratório de física, revelação de imagens
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## 2.8 - Exposição das imagens
Nossa Escola todos os anos promove um evento intitulado Mostra Pedagógica do Instituto JBS e, em 2013, não foi diferente, a mostra foi realizada. E foi neste evento, que nosso projeto foi concluído, pois os alunos organizaram a exposição das imagens exatamente no local onde as fotos foram reveladas, no laboratório de Física. Na figura 05, apresentamos uma das fotografias obtidas pelos estudantes, que mostra a fachada da Charqueada São João; nela fica nítido, que chegamos a um resultado, validando todo o nosso trabalho. Conseguimos outras imagens, todavia como tinha informado anteriormente, esta dá uma idéia da fachada. A visitação foi intensa. Eles ficaram extasiados e também exaustos de tantas explicações que davam aos visitantes. Contudo, conduziram tudo muito bem.
Figura 05: imagem de uma das câmaras
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## 3 - Resultados Obtidos
Os resultados foram os melhores possíveis: alunos interessados, participativos, críticos, atuantes, dispostos, professor motivado. Agora, a questão fundamental é: e a aprendizagem, ela existiu? Creio, que sim, pois trabalhei com
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estas crianças durante dois anos (2012 e 21013). No primeiro ano - 2012 - eles limitavam-se a reproduz minhas solicitações, já no segundo ano, durante e após, estas atividades descritas, era possível perceber elementos que sinalizavam uma aprendizagem, no mínimo, libertadora.
Quando teus alunos começam a ficar críticos, ousados, confiantes, dispostos, participativos é por que algo aconteceu e, este algo, tem nome, aprendizagem. Outro ponto, que fortalece minha ousadia, em acreditar que realmente existiu aprendizagem, foi o relato dos pais. Eles disseram que tinham de sentar e assistir aulas de problemas visuais e correções, formação de imagens, origem de máquinas fotográficas, obtenção e revelação de imagens..., ministradas pelos seus filhos.
## 4 - Conclusões/ considerações
Este trabalho nos permitiu perceber que um bom planejamento das atividades passa pelo conhecimento da turma por parte do professor e de uma proposta atrativa, que contemple o cotidiano dos estudantes, e assim criam-se atividades que despertem o interesse, mantendo-os ativos durante todo o desenvolvimento da atividade. Fica nítido como propõe a Teoria de Aprendizagem de Novak, o engrandecimento pela atividade crítica, proporcionado por uma atitude propositiva pelo professor.(MOREIRA,2011)
Essas simples atividades descritas, aqui qualificadas como projeto de ensino, me fez questionar: Será que estas atividades são possíveis de serem executadas por Professores e Professores com formação distinta da área de ciências? Será que estes profissionais, na maioria oriundos da Pedagogia, estão preparados para estes desafios?
Estes questionamentos passaram a servir como inspiração para dissertação do meu mestrado. Como acredito ser negativa a resposta, a preparação de atividades semelhantes à descrita neste trabalho, em um número significativo, para proporcionar a estes professores material que permita uma aprendizagem situada crítica dos estudantes nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
Finalmente, precisamos chamar a atenção para a necessidade de nós, professores com formação em Física, ou demais Ciências da Natureza, voltemos nosso olhar para esta faixa etária, aproveitando a natural curiosidade da criança para desenvolver uma correta visão das ciências, o que permitiria uma verdadeira alfabetização científica para o Brasil.
## Referências
HEINECK, R; ARRIBAS, S.D. Câmara Escura. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, V.21, nº especial, p. 303-307, 2004.
MOREIRA, Marco Antônio. Teorias de Aprendizagem. 2 ed. Editora EPU, 2011.
PIAGET, Jean. A equilibração das teorias cognitivas: Problema Central do desenvolvimento. Jorge Zahar, 1976.
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