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Descobrindo o encanto da Terra e da Astronomia

Fernanda Schneid Mielke, Eliane Cappelletto

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Ciência, Cultura E Arte
Tipo
Pôster

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Texto completo

## DESCOBRINDO O ENCANTO DA TERRA E DA ASTRONOMIA

## Fernanda Schneid Mielke 1 ,

## Eliane Cappelletto²

1 Universidade Federal do Rio Grande/IMEF, femielke@yahoo.com.br

² Universidade Federal do Rio Grande/IMEF, dfscapp@furg.br

## Resumo

Nos últimos anos, os professores devem responder a um novo desafio: trazer a interdisciplinaridade para as suas salas de aula (FAZENDA, 1993). Pensando nas dificuldades que o professor enfrenta para concretizar essa proposta de ensino, foi criado na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) o Subprojeto Interdisciplinar do PIBID, na tentativa de incentivar os docentes e licenciandos a colocarem essas ideias em prática. O objetivo desse subprojeto foi formar vários grupos de trabalho com alunos e professores de diversas áreas do conhecimento para fomentar atividades em que pudessem interagir. Apresentaremos um destes grupos, que atua na E.E.E.F. Nossa Senhora Medianeira, em Rio Grande, RS. Inicialmente foram observadas as aulas da professora supervisora e avaliadas atividades que seriam interessantes realizar. Encontramos uma turma problemática de 6° ano, cujos alunos possuem faixa etária entre 14 a 15 anos, idade muito superior ao esperado para essa classe. Porém, esse não é o único problema. Os alunos evidenciam muita dificuldade de concentração, comportamentos inadequados e falta de interesse pelos estudos. Na tentativa de mudar tal quadro, nosso grupo decidiu dedicar-se a essa turma, elaborando atividades diferenciadas para incentivar os alunos a se sentirem mais valorizados, pertencentes à escola, e com isso, superar os obstáculos. A partir da ementa curricular do 6° ano, notamos que seria possível e interessante trabalhar temas de Astronomia, realizando atividades interessantes e que também permitiriam abordagens interdisciplinares em sala de aula.

Apoio: Capes

Palavras-chave : Pibid, interdisciplinaridade, ensino de astronomia, 6° ano.

## Introdução

Durante dois anos e meio, uma das autoras participou do projeto PIBID Física na Universidade Federal do Rio Grande, buscando o convívio imediato com a sala de aula. Através desse programa, teve a oportunidade de interagir com alunos do ensino médio, mas a experiência não foi muito satisfatória, pois os alunos não estavam interessados nem motivados a aprender conteúdos da disciplina de Física mesmo que relacionados ao seu dia-a-dia. Com tal situação, sua motivação pela docência diminuiu, chegando até a hipótese de desistir do curso. Foi nesse

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26 a 30 de janeiro de 2015

momento que o professor coordenador daquele subprojeto a incentivou a trabalhar Física com crianças do ensino fundamental.

De início, achou impossível realizar essa tarefa, afinal era algo novo para sua jovem carreira de docente, mas decidiu aceitar esse desafio. E o resultado foi surpreendente, pois as crianças estavam muito mais interessadas, motivadas, participativas e curiosas (se comparadas aos jovens) para realizarem todas as atividades que propunha. A partir dessa nova experiência, resgatou sua vontade de ser docente.

Com o início do PIBID - Interdisciplinar viu uma oportunidade ainda maior de continuar colocando em prática essa experiência, elaborando e aplicando diversas atividades de Ciências e Física com foco na interdisciplinaridade e no convívio com o ensino fundamental.

No Subprojeto Interdisciplinar, cada grupo de pibidianos teve sua escola de trabalho e seu supervisor definidos após várias rodadas de conversas e interações. Nosso grupo, supervisionado por uma professora de Ciências, ficou composto por alunos dos cursos de Física, Biologia, Química e Artes. Começamos a participar das aulas, inicialmente como observadores, e nos deparamos com uma turma que possui vários problemas de comportamento, dificuldade de concentração e faixa etária muito superior ao esperado para essa classe. Pensando em mudar essa realidade, analisamos o conteúdo programado para esse ano e decidimos trabalhar os conteúdos relacionados à Astronomia.

## Referencial teórico

Utilizaremos como referencial teórico a Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel (MOREIRA, 1983). Nessa perspectiva, na mente de cada indivíduo existe uma estrutura cognitiva que contém os conceitos, as ideias, as teorias que o indivíduo aprendeu e/ou construiu em sua interação com o mundo e com os outros indivíduos. A estrutura cognitiva é um veículo para representar e atuar sobre o mundo, sendo permanentemente modificada pela aquisição de novos conceitos, pelo refinamento dos conceitos existentes, pela realização de novas interligações entre conceitos, pelo esquecimento da informação temporariamente ali armazenada. Na mobilidade da estrutura cognitiva está o segredo da capacidade de aprender do ser humano. Aprender é mudar. Novas aprendizagens são ancoradas em conceitos já existentes na estrutura cognitiva do aprendiz, daí a importância de se identificar previamente essas concepções e ensinar de acordo.

## Procedimento metodológico

A proposta de intervenção em sala de aula compreende várias etapas coerentes, constituindo uma pequena unidade didática. Para sua elaboração foram utilizadas diversas bibliografias (ASIMOV, 1986, 1991; CANIATO, 1990; GREF, 1998; site da UFRGS, etc.). No início da unidade, a professora supervisora discutiu a origem do universo e os planetas solares. Nesse período estávamos de férias e os experimentos foram deixados para serem realizados quando retomássemos os trabalhos.

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Nossa proposta inicial era dividir a turma em grupos. Cada grupo deveria confeccionar um planeta. Ao final da tarefa de pesquisa e montagem dos planetas, organizaríamos o sistema solar da turma construído conjuntamente, colaborativamente. Gostaríamos de ter realizado a proposta dessa maneira, pois o objetivo principal era que a turma conseguisse notar a diferença entre os tamanhos dos planetas e avaliasse as distâncias entre eles. Porém, ao retornarmos das férias, nos deparamos com a necessidade de mudanças nas atividades planejadas, pois a professora de Geografia havia proposto atividade semelhante, embora mais simplificada, com a mesma turma.

Percebe-se aqui um fato comum e recorrente nas escolas brasileiras: o pouco diálogo existente entre professores e disciplinas. O ato educativo é o desenrolar solitário de propostas individuais que não envolvem, não agregam professores de áreas distintas ou até mesmo de uma única disciplina. Propor atividades interdisciplinares é, antes de tudo, aprender a dialogar, a compartilhar ideias, vivências e experiências. É planejar, tecer e executar projetos em conjunto, colaborativamente.

A atividade da professora de Geografia consistia em dividir a turma em grupos, mas cada grupo deveria fazer um sistema solar completo. Tomando conhecimento de que a atividade já estava marcada, entendemos que ficaria repetitivo para os alunos construírem sistemas solares em duas disciplinas e optamos, então, por auxiliar a montagem nas aulas de Geografia. Não teríamos, contudo, a liberdade de realizá-la segundo nosso planejamento, uma vez que várias regras (diferente da nossa proposta) já haviam sido determinadas pela professora de antemão.

A segunda atividade realizada na aula de Ciências foi demonstrar as fases da lua de maneira experimental. Para isso, levamos a turma para o pátio e utilizamos uma bolinha de isopor (Lua), a luz solar (Sol) e o aluno (Terra). Conseguimos identificar as quatro fases da lua, pois íamos girando o aluno e acompanhando qual era a fase correspondente.

Utilizamos cruzadinhas, a criação de histórias em quadrinhos, a criação de poesias e/ou músicas para avaliar o que havíamos trabalhado até o momento e finalizar o bimestre.

Nosso planejamento previa a experimentação com eclipses lunares e solares, porém não foi possível, pois várias aulas foram canceladas, por motivo de fortes chuvas e atividades da escola. Gostaríamos de ter realizado ainda um teatro ou debate com os alunos, no qual deveriam compreender a evolução desses conceitos dentro da história da Ciência. Essa atividade foi cancelada porque não tivemos a aceitação da turma para realizá-la. Aqui novamente vemos que a realidade escolar, com o planejamento global da escola, bem como as particularidades de turmas e estudantes, influenciam diretamente nas possibilidades de experimentação ou realização de atividades inovadoras e interdisciplinares. Não basta o professor querer. Todos têm que aderir à proposta.

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Decidimos, então, refazer o planejamento de acordo com o conteúdo programático da disciplina. A partir desse momento deixamos os conteúdos de Astronomia e começamos a trabalhar com assuntos como efeito estufa, camada de ozônio, radiação solar e camadas da atmosfera.

Começamos pela atividade das camadas da atmosfera, no qual explicávamos as camadas existentes e suas características. Depois os alunos formaram trios e deveriam fazer um desenho que explicasse o que foi trabalhado em aula.

Algumas atividades serão realizadas no mês de novembro. Pretendemos fazer uma pequena explicação sobre o efeito estufa e aplicaremos alguns questionamentos. Planejamos o seguinte experimento que exemplifica o efeito estufa:

Material necessário: caixa de sapato sem tampa, dois copos iguais, papel alumínio, papel filme, uma luminária, termômetro, água.

Procedimento: Forre a caixa de sapato com o papel alumínio apenas por dentro. Ponha a mesma quantidade de água nos dois copos. Ponha um dos copos dentro da caixa e o outro do lado de fora. Feche a caixa com papel alumínio. Acenda a luminária próximo à parte de cima da caixa. Aguarde por aproximadamente quinze minutos. A luminária representará o Sol. Após os quinze minutos, os alunos devem comparar a temperatura da água dos dois copos. Devem verificar que a água que ficou dentro da caixa (sob o aquecimento da luminária) ficou mais quente. Isso será explicado porque o ar do interior da caixa foi aquecido pela luz que passou pelo filme plástico e não conseguiu sair.

Iremos propor que eles cantem um rap com o tema relacionado ao aquecimento global e produziremos um vídeo com a apresentação deles.

Na sequência dessa unidade, pretendemos mostrar uma reportagem apresentada no programa Bem Estar da Rede Globo, no qual um experimento é realizado com papeis expostos ao sol sem proteção e protegidos com protetores solares, procurando explicar a diferença entre os níveis de proteção e explicitando a necessidade de se utilizar protetor solar no dia-a-dia.

## Resultados e discussão

Como o projeto ainda não foi concluído, os resultados até agora são parciais, mas já são animadores e positivos. Embora haja ainda muito imobilismo e resistência por parte de alguns estudantes, vários aderiram às tarefas propostas. Até esse momento notamos que nem sempre as atividades que planejamos são bem aceitas pelos alunos e é um grande desafio que consigamos fazê-los ter interesse pelas aulas e pelas atividades. Nesse caso, por exemplo, o debate ou teatro que nós havíamos proposto não foi ao agrado da turma e por isso decidimos não realizar essas atividades.

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Percebemos também que em nossa carreira docente, deveremos ter várias opções para realizar nossas aulas, afinal gostaríamos de ter realizado a construção do sistema solar de uma maneira, mas tivemos que mudar nossa proposta ou não conseguiríamos realizar a atividade prevista.

Notamos que, quando temos atividades concretas realizadas pelos próprios alunos em aula, existe maior probabilidade de haver participação e empenho dos estudantes. A turma como um todo está melhorando em alguns aspectos como: comportamento e interesse nas aulas, porém as notas ainda estão baixas.

As figuras 1 e 2 ilustram algumas das atividades interdisciplinares realizadas com a turma de 6º ano na disciplina de Ciências.

Fig. 1 - Atividade 1 - Sistema solar construídos pelos alunos.

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Fig. 2 - a) Atividade 2 - Professora demonstrando as fases da Lua. b) Atividade 3 - Esboço dos estudantes das camadas da atmosfera.

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## Considerações finais

Através do PIBID temos a oportunidade de vivenciar a sala de aula, perceber que vida de professor não é nada fácil e termos a certeza de que queremos realmente seguir essa carreira antes mesmo de chegar ao estágio ou à vida profissional. Felizmente nosso grupo pretende continuar a carreira docente, mesmo que em muitas vezes nos deparemos com situações desmotivadoras, como a falta de interesse dos alunos ou a falta de acompanhamento da família na escola.

Mesmo existindo diversos motivos para desanimar a continuação em sala de aula, o prazer de ver os alunos realizando as atividades e notar que nosso trabalho está servindo de incentivo para os estudos e para a vida deles é muito mais que gratificante, é motivador para irmos mais além e conseguirmos cativar mais estudantes a sentir o prazer pela educação.

## Referências

ASIMOV, I. Contando as Eras. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1986.

ASIMOV, I. 111 Questões sobre a Terra e o Espaço. 2. ed. São Paulo: Best Seller, 1991.

BERNARDES, A.O., GIACOMINI, R. Viajando pelo Sistema Solar: um jogo educativo para o ensino de astronomia em um espaço não formal de educação. Física na Escola , v. 11, n. 1, p. 42-44, 2010.

CANIATO, R. O céu. São Paulo: Ática, 1990.

CARVALHO, S.H.M. de. Uma viagem pela Física e Astronomia através do Teatro e da Dança. Física na Escola , v. 7, n. 1, p. 11-16, 2006.

FAZENDA, I.C.A. et al. (Coord.). Práticas Interdisciplinares na escola. 2. ed. São Paulo: Cortez,1993.

MOREIRA, M.A. Uma Abordagem Cognitivista ao Ensino de Física : a teoria de aprendizagem de David Ausubel como sistema de referência para a organização do ensino de ciências. Porto Alegre: Ed. da Universidade/UFRGS, 1983.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.