A POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA EM UMA CIDADE DO INTERIOR DE SÃO PAULO: UMA ATIVIDADE INVESTIGATIVA COM ALUNOS DO SEXTO ANO
Ariane Oliveira Braga, Áurea Cristina Pires Marcelino, Matheus Moreira Costa
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 27/01/2015
- Linha de pesquisa
- Ciência, Cultura E Arte
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA EM UMA CIDADE DO INTERIOR DE SÃO PAULO: UMA ATIVIDADE INVESTIGATIVA COM ALUNOS DO SEXTO ANO
Áurea Cristina Pires Marcelino , Ariane Braga Oliveira , Matheus Moreira Costa 1 2 3
- 1 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo/Campus Itapetininga, aurea.marcels@gmail.com
- 2 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo/Campus Itapetininga, ariane@ifsp.edu.br
- 3 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo/Campus Itapetininga, matheuscosta@ifsp.edu.br
## Resumo:
Este artigo visa mostrar o trabalho desenvolvido dentro do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). As concepções estudadas foram através da teoria histórico-cultural de Vygotsky e as experiências foram planejadas de maneira que através da mediação, os alunos vivenciassem questões abstratas. Este trabalho permitiu dar significado no universo social em que estes alunos estão inseridos. Foi aplicado um questionário quantitativo no segundo semestre de 2012 para conhecer quais as dificuldades que os alunos tinham com a disciplina de ciências. A análise das respostas foi observar a repetição de assuntos abordados no currículo de ciências (6º e 7ºanos). Após a aplicação do questionário é possível notar nas respostas que os alunos possuíam conceitos contraditórios ao que se foi trabalhado em sala de aula e em relação a poluição atmosférica na cidade de Itapetininga (interior de São Paulo). A partir destas dificuldades encontradas, foram planejadas intervenções que se realizaram no 1º e 2º semestre de 2013. Foi planejado um experimento onde foram propostas as seguintes situações: discussão sobre a poluição do ar em cidades do interior, utilização de novas tecnologias para se fazer pesquisas e identificação dos tipos de coberturas existentes na cidade de Itapetininga (urbana e rural). A proposta que se traz é uma atividade que aborde de uma forma simples a poluição atmosférica e que traga essa realidade bem próxima aos alunos, onde eles irão interagir com o experimento e notar os resultados obtidos. Após a sequência didática os alunos se mostraram mais motivados e interessados na disciplina de Ciências.
Palavras chave: Poluição Atmosférica, Vygotsky, Ensino de Ciências; PIBID.
## INTRODUÇÃO
As ações humanas como: queimadas de pastagens e floretas e as emissões de gases poluentes na atmosfera contribuíram para as alterações no clima global. Essa afirmação está contida no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, 2014) que estuda os fatores humanos e naturais que causam a mudança do clima.
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26 a 30 de janeiro de 2015
- O quinto relatório do IPCC (2014) prevê, na maioria das simulações de cenários futuros, que, a medida que aumenta a magnitude do aquecimento, aumenta, também, a possibilidade de que a mudança climática seja irreversível. Para mudar este cenário desfavorável ao planeta, precisamos de ações urgentes em diversos âmbitos da sociedade.
- O enfrentamento das consequências e causas das mudanças climáticas é extremamente complexo, tornando-se um desafio à sociedade. Uma das atitudes a serem tomadas, no controle dessas mudanças, é a inserção da educação ambiental como um conteúdo importante nas escolas de ensino básico. O Ministério do Meio Ambiente, através do Departamento de Educação Ambiental, elaborou documentos 1 direcionados aos educadores expondo a teoria dos fenômenos por trás das mudanças climáticas.
Para ir ao encontro dessas políticas públicas lançadas pelo governo, escolas e professores implementam atividades de conscientização direcionadas aos alunos e a comunidade em torno da escola.
Este presente trabalho é uma atividade implementada em uma escola urbana na cidade de Itapetininga, através do subprojeto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) do IFSP.
## Educação Ambiental como um instrumento na formação do cidadão
Percebe-se a importância do tema 'Meio Ambiente' na educação em uma breve leitura de documentos norteadores no ensino, como, por exemplo, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). A temática está presente dentro dos PCN de Ciências Naturais, Geografia e Física, além de apresentar um volume como um tema transversal.
A questão ambiental, segundo os PCN é:
'...conjunto de temáticas relativas não só a proteção da vida no planeta, mas também à melhoria do ambiente e da qualidade de vida das comunidades.' (BRASIL, 1997)
Conforme Bentes e Silva (2007), a escola é o melhor ambiente para aprendizagem e conscientização da preservação do meio ambiente e esse conteúdo deve ser uma prática transversal.
Nesta perspectiva, conclui-se que a educação ambiental é sim uma ação de médio a longo prazo que implicará no aumento da conscientização da sociedade.
## PIBID e Educação Ambiental
No segundo semestre de 2012, a Escola Estadual Sebastião Villaça tornou-se uma escola conveniada do PIBID do curso de Licenciatura em Física do
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IFSP/ campus Itapetininga. Assim foram estabelecidas diversas ações didáticas dentro da disciplina de Ciências.
A primeira ação dos alunos bolsistas foi analisar, dentro do conteúdo de Ciências no Ensino Fundamental, quais estariam relacionados à Física e quais as dificuldades mais recorrentes apresentadas pelos alunos de uma turma do 7º ano (6º série).
Para fazer o levantamento das dificuldades mais recorrentes foi proposto um questionário, realizado no final do 4º bimestre de 2012, sobre os tópicos trabalhados na disciplina de Ciências, durante o ano corrente.
Na análise das respostas dos alunos o tema 'poluição atmosférica' foi recorrente e, o conteúdo das respostas estavam impregnadas de senso comum, como por exemplo: 'as cidades do interior não apresentam problemas de poluição', 'o efeito estufa é maléfico para o planeta' ou 'só o homem é o culpado da poluição'.
Além disso, nas questões teóricas sobre o tema, o índice de acerto nas respostas foi de apenas 40%.
Para auxiliar os alunos em uma aprendizagem significativa e, também, auxiliálos a superar alguns pensamentos de senso comum, os bolsistas do PIBID planejaram uma atividade que abordasse, de uma forma simples, a poluição atmosférica e que, também, fosse vinculada com a sua realidade.
## O DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE EXPERIMENTAL EM SALA
A atividade foi dividida em cinco partes:
- 1) Construção do coletor de poluente;
- 2) Exposição do coletor ao ambiente externo na casa dos alunos;
- 3) Depois do período de exposição, a comparação entre os filtros dos alunos;
- 4) Orientação para construção de um relatório sobre poluição atmosférica, utilizando pesquisas em sites da internet;
- 5) Com o resultado observado nos coletores foi construído um 'mapa da poluição' da região em torno da escola
## A Construção do Coletor e a exposição do coletor
Para observar os aerossóis presentes na atmosfera, utilizou-se filtro de papel (coador de papel) e um palito de churrasco como suporte. A opção por esse material se deu por serem de baixo custo. (Figura 01)
Os alunos foram orientados a colocarem os seus coletores em janelas ou paredes externas de suas casas, durante uma semana e a retirarem os coletores a noite para que o orvalho noturno não danificasse o experimento. (Figura 02)
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## Resultados da exposição do coletor e a pesquisa
Nesta fase, os alunos trouxeram seus coletores e os exibiram (Figura 03). Todos participaram de uma classificação dos coletores, em ordem do aparentemente 'mais poluído' para o 'menos poluído'. Neste momento da atividade empírica, todos os atores envolvidos estavam discutindo algo que, até aquele momento, era uma realidade imperceptível.
- O próximo passo foi elaborar um relatório sobre poluição atmosférica incluindo os resultados obtidos. Eles poderiam utilizar artigos e sites que tratam sobre educação ambiental, para auxiliar na preparação dos relatórios. (Figura 04)
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Figura 01 :
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Filtro montado para exposição Figura 02: Filtro exposto ao ambiente externo
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Figura 03: Resultado da coleta de poeira Figura 04: Relatórios elaborado pelos alunos
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## A construção do 'mapa da poluição' da região da escola
Para finalizar a atividade, a turma recebeu um mapa onde marcaram a localização de suas casas e atribuíram cores para a classificação do 'grau' de poluição observado em seus coletores. As regiões dos filtros que apresentaram um nível insignificante de poluição foram representadas no mapa com a cor verde; com a cor amarela, foram representadas as regiões dos filtros que continham uma quantidade razoável de poeira; por último, a cor vermelha foi utilizada para representar as regiões dos filtros que continham um alto índice de poeira. Ressaltamos que essa atividade foi uma construção coletiva e que todas as marcações no mapa foram debatidas entre o grupo de alunos. A escola se localiza no ponto vermelho no mapa a Figura 05.
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Figura 05: Mapa entregue para os alunos.
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## RESULTADOS OBTIDOS:
Como o observado na Figura 06, os alunos que residem em torno da escola, notaram que os filtros que deixaram expostos durante uma semana, possuíam uma quantidade considerável de poeira (comparando com os outros filtros) e esta, por sua vez, era escura e densa. Uma justificativa para a cor escura do coletor era a proximidade de avenida onde há um grande fluxo de carros e caminhões. O objetivo do trabalho não era discutir qual partícula de poeira estava no filtro, mas sim conscientizar os alunos que mesmo uma cidade do interior possui poluição atmosférica.
Figura 06: Mapa elaborado com os alunos.
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Após a atividade (experimento e pesquisa), foi realizado um novo questionário e foi possível verificar o quanto esse recurso didático contribuiu no aprendizado dos alunos. Além do número de acertos ter alcançado 90%, foi possível observar que a atividade foi eficiente na conscientização dos alunos sobre os cuidados com o meio ambiente.
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## CONSIDERAÇÕES FINAIS
As concepções prévias sobre 'poluição atmosférica' são bem arraigada e, por isso, é importante a utilização de recursos didáticos que promovam a integração do alunos para que ele se torne o ator do próprio conhecimento. E a atividade proposta neste trabalho foi ao encontro desta percepção.
Ao analisar as pesquisas que os alunos desenvolveram é possível chegar à conclusão que eles não estão habituados a fazer pesquisas ou descrever uma atividade, nota-se que os alunos possuem dificuldades em elaborar textos pequenos e em fazer pesquisas acadêmicas através da web ou consultar os livros disponíveis na biblioteca. Isso é um ponto que deve-se mais trabalhado, incentivar o aluno a leituras de textos de alfabetização científica e motivá-los a escrever sobre suas impressões dos textos lidos.
- O trabalho apresentou diversos aspectos positivos entre eles, a sua possibilidade motivar os alunos, leva-los a discussão de hipóteses e a construção coletiva de um conhecimento. E o mais importante de todos a uma conscientização do meio ambiente e o entendimento dos problemas ambientais do cotidiano.
## Referências Bibliográficas:
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