APLICAÇÃO DA FÍSICA NO CINEMA: DETECÇÃO DE ERROS EM PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS
Moisés De Souza Machado, Almir Guedes Dos Santos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 27/01/2015
- Linha de pesquisa
- Ciência, Cultura E Arte
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## APLICAÇÃO DA FÍSICA NO CINEMA: DETECÇÃO DE ERROS EM PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS
## Moisés de Souza Machado 1 , Almir Guedes dos Santos 2
1 IFRJ / Campus Nilópolis, moises\_d\_souza@hotmail.com
2 IFRJ / Campus Nilópolis, SEEDUC-RJ / CE Mal João Baptista de Mattos e UFRJ / Instituto de Física, almir.santos@ifrj.edu.br
## Resumo
A presente proposta apresenta uma alternativa para a realização de aulas que envolvam a reprodução de cenas de filmes, nas quais existem por vezes erros conceituais de Física que geralmente passam despercebidos pelas pessoas que os assistem. Isso ocorre porque há filmes de ficção científica que possuem efeitos especiais para aumentar o entretenimento das pessoas, porém não levam em conta conceitos físicos. Obras cinematográficas são apreciadas por um público de todas as idades e parte dessas produções contém situações em que a Física é ignorada, principalmente os gêneros de ação, aventura e ficção científica. Embora saibamos que se tratam de ficção, a partir dessa ideia construimos uma proposta didática que envolve a utilização de trechos de filmes nas aulas de Física, contendo situações em que as aplicações dos conceitos físicos foram empregadas de forma errada ou até mesmo o fenômeno físico foi ignorado. Propomos que seja utilizada com turmas a partir do 9 ano do ensino fundamental, tanto na sala de aula o quanto na sala de recursos audiovisuais. Os alunos assistirão duas cenas de diferentes filmes e responderão questões que os permitam identificar conceitos e fenômenos físicos e encontrar partes que são impossíveis de acontecer no ponto de vista físico. Com o auxílio desta proposta, que ainda não foi aplicada, há a expectativa do aluno desenvolver uma concepção cientificamente correta da Física existente no filme, além de aumentar sua percepção para identificar fenômenos físicos no dia a dia.
Palavras-chave : Física e Arte, material didático, mecânica, filmes.
## Introdução
A ideia desse trabalho surgiu graças a dois acontecimentos durante a minha formação. Estava certo dia assistindo uma animação japonesa chamada Akira (1988, por Katsuhiro Otomo), e em determinada parte do filme ocorreu uma cena de explosão no espaço, algo normal em diversos desenhos animados e filmes. O fato curioso foi a cena reproduzida não ter tido som, algo totalmente de acordo com a Física. O outro acontecimento foi durante o meu período de estágio supervisionado, onde um aluno, que acabara de fazer sua prova, perguntou-me: 'Moisés, o som ecoa no espaço?'. Então, respondi: 'O som não ecoa no espaço, pois sendo uma onda mecânica, precisa de um meio material para se propagar.' O aluno ficou frustrado em ter errado uma questão de avaliação envolvendo a propagação de ondas mecânicas no vácuo.
A partir desses dois acontecimentos, pensei sobre o fato de o aluno ter errado esta questão, tendo concluído que ou ele não prestou atenção na aula ou não estudou devidamente o assunto, tendo talvez apenas seguido sua concepção influenciada por filmes. Além disso, identifiquei num desenho animado de longa
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26 a 30 de janeiro de 2015
metragem uma cena que apresentava corretamente um conceito da Física. Apesar de serem produções de ficção, essas situações me deram a ideia de trabalhar a Física presente nos filmes, com o objetivo de detectar e utilizar nas aulas erros conceituais presentes nas produções cinematográficas.
O objetivo principal deste trabalho, que ainda não foi aplicado, é apresentar uma proposta didática para abordagem de conceitos e fenômenos físicos utilizando trechos de filmes, que possam enriquecer as aulas de Física, utilizar materiais que a escola pode oferecer, proporcionar aulas mais dinâmicas e formar nos alunos uma visão analítica não só de filmes, mas de diversas situações do seu cotidiano. Essa proposta pretende colaborar para que o aluno tenha mais interesse pela Física, já que o que aprendeu na sala de aula é utilizado em situações do dia a dia, e adquiram concepções cientificamente corretas.
A exemplificação desta proposta consistiu, então, em utilizar duas cenas de diferentes filmes, sendo uma para cada filme, envolvendo conceitos físicos de Mecânica. Embora sua aplicação possa ser feita inicialmente de algumas maneiras, a estratégia escolhida para aplicação do presente trabalho foi realizar aulas expositivas seguidas pela exibição das cenas dos filmes. Este trabalho é destinado a alunos a partir do 9º ano do ensino fundamental, quando já começaram geralmente a aprender conteúdos de Física nas aulas de Ciências.
Com o passar dos anos, as propostas de Educação em Ciências (Naturais) passaram por uma evolução para colaborar com o desenvolvimento cognitivo dos alunos. Novos métodos são elaborados a fim de que as aulas sejam motivadoras, para que os mesmos possam aprender conteúdos de Física sem que perca seu interesse nela. Neste trabalho propomos o uso integrado de filmes com as aulas de Física para incentivar os alunos a aprender a disciplina. A forma com que os filmes serão utilizados durante as aulas envolve a detecção de erros presentes em produções cinematográficas, apontando as cenas em que o uso da Física está mal empregado ou ignorado a fim de enriquecer as aulas.
## Produções cinematográficas e Física: aspectos educacionais
Este projeto de aplicação situa-se na abordagem 'Ciência e Arte', o que ocorre quando podemos identificar conhecimentos da Física em manifestações artísticas, tais como em peças de teatro, letras de músicas da MPB e em livretos de literatura de Cordel. O cinema também pode ser destacado como objeto de estudo, já que a Física também está presente nesse campo artístico. De acordo com os Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais, os PCN+ (BRASIL, 2002, p. 68), por exemplo, destacamos como competências relevantes:
Compreender a Física como parte integrante da cultura contemporânea, identificando sua presença em diferentes âmbitos e setores, como, por exem-plo, nas manifestações artísticas ou literárias, em peças de teatro, letras de músicas etc., estando atento à contribuição da ciência para a cultura humana. [...] Compreender formas pelas quais a Física e a tecnologia influenciam nossa interpretação do mundo atual, condicionando formas de pensar e inte-ragir. Por exemplo, como a relatividade ou as ideias quânticas povoam o imaginário e a cultura contemporânea, conduzindo à extrapolação de seus conceitos para diversas áreas, como para a Economia ou Biologia.
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Existem trabalhos que foram aplicados com a utilização de filmes, especialmente os com gênero de ação, tendo como objetivo identificar quais fenômenos físicos ocorreram em determinadas cenas. Filmes de ação e aventura podem ser utilizados pelos educadores para que os alunos identifiquem conceitos físicos, enquanto os de ficção científica são usados para detectar erros conceituais empregados.
Esses filmes dispõem de cenas que por vezes desconsideram as leis da Física, com o intuito de torná-lo mais interessantes para que as pessoas os assistam. A disciplina de Física não é bem apreciada por boa parte dos alunos devido a sua dificuldade de aprendizado, os quais, por conseguinte, perdem rapidamente o interesse. A grande preocupação que o docente tem em relação a esse tipo de dificuldade é fazer com que os alunos fiquem motivados pelo conteúdo lecionado. De acordo com Bini e Pabis (2008, p.2):
Nós educadores sabemos que é preciso oportunizar um ambiente democrá-tico e propício ao desenvolvimento harmonioso dos alunos, objetivando a participação e a responsabilidade de cada um nesse ambiente, pois quando o mesmo é agradável, a aprendizagem ocorre com mais facilidade e torna-se prazerosa.
A citação acima aponta que o professor pode realizar uma aula que seja interessante para os alunos, tornando a sala de aula um ambiente confortável para a aprendizagem, com o objetivo de que a turma seja motivada a assistir e participar das aulas. Para Bini e Pabis (ibid), o docente tem que ter ideias e criar artifícios para elaborar aulas atrativas e que façam os alunos se interessarem pelos assuntos abordados.
A finalidade do Ensino de Física não é apenas guiar o aluno para seguir uma carreira científica, mas também influenciar os que desejam se formar em outras áreas, em que o ensino de ciências não esteja ligado fortemente a suas futuras profissões, como, por exemplo, os cursos voltados para a área de humanas. Ou seja, os docentes de Física possuem a função de lecionar sua disciplina para que os alunos, independente de sua escolha profissional, tornem-se aptos a compreender qualquer fenômeno natural que venham a encontrar em seu dia a dia.
Outro ponto que pode ser destacado para a realização deste trabalho é a concepção alternativa que os alunos têm acerca do assunto ensinado, de modo que mesmo que o professor tenha abordado certo assunto, há probabilidade dos alunos errarem determinada questão ao fazer uma avaliação. Isso se deve em parte à concepção intuitiva que os discentes adquirem após assistir filmes, principalmente os de ficção científica. Os PCN+ (BRASIL, 2002, p.83) salientam que:
Os alunos chegam à escola já trazendo em sua bagagem cultural vários conhecimentos físicos que construíram fora do espaço escolar e os utilizam na explicação dos fenômenos ou processos que observam em seu dia-a-dia. Muitas vezes, constroem até mesmo modelos explicativos consistentes e diferentes daqueles elaborados pela ciência.
Essas considerações precisam, então, ser levadas para a sala de aula para permitir que o professor tenha o papel de elaborar uma aula que faça seus alunos entenderem a Física de uma maneira mais instigante. Sendo assim, ao aprender conteúdos de ciências, o aluno precisará refletir sobre os mesmos e perceber seu
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proveito no cotidiano, não só para benefício próprio, mas também ajudando as pessoas com conhecimentos que acabou de obter.
## Revisão de literatura
Piassi e Pietrocola (2006) propõem o uso de filmes de ficção científica como recurso didático para aulas de Física, enfatizando que são numerosas as possibilidades de aplicação dos filmes no ensino. É utilizada a análise de diversos filmes para estabelecer parâmetros gerais com o intuito de serem elaboradas propostas didáticas. Os autores utilizam o filme 'Contato', que conta a história de uma cientista que busca indícios de outras formas de vidas no universo, na sala de aula, com o qual constroem um conjunto de categorias e técnicas de análise para ter o aproveitamento didático que o filme pode oferecer. Este trabalho teve um aprofundamento na aproximação entre cultura e ciência e no interesse do aluno por filmes de ficção científica.
A ideia de Secco e Teixera (2007) consistiu na utilização de desenhos animados possibilitando uma ponte entre Física e Arte, na qual a Física trabalha com a parte cientificamente precisa e objetiva da realidade e a Arte se preocupa com a dimensão da percepção psicológica do mundo, tendo o objetivo de entretenimento e diversão, ignorando por vezes as ações que de fato ocorrem em nossa realidade. Para os autores, o uso de desenhos animados no ensino de Física tem o objetivo de descrever o acontecimento de fenômenos presentes nas animações, despertando o interesse e a curiosidade do aluno.
No artigo de Dark (2005) é discutido o uso dos filmes de ficção científica com suas alunas no curso introdutório de Física no Spelman College, tendo várias razões para fazê-lo na sala de aula. A motivação inicial para seu trabalho foi ver suas alunas jogando games e vendo televisão com bastante ânimo. Ela reparou que outros professores se aproveitaram dessas situações, e incorporaram em suas aulas nas turmas de ensino médio atividades baseadas em filmes. Foram usadas algumas tarefas de acordo com o filme que a turma assistiu, onde as alunas deveriam escrever uma resenha sobre as atividades físicas presentes em tal filme. Também foi realizada uma prática de fazer um cálculo dos valores que são mencionados no filme e com o resultado obtido puderam discutir se o que acontece com o filme é ou não verídico.
Tassara et al. (1973) utilizou um conjunto de cinco filmes mudos, de curta duração, com a ajuda da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Os filmes abordavam o tema Centro de Massa e foram apresentados para os alunos do Curso Básico de Física da mesma universidade. A prática experimental tinha duas finalidades: verificar se os objetivos dos filmes eram atingidos quando foram exibidos isoladamente, e identificar a eficiência dos filmes numa situação típica de ensino. A ideia do artigo era fazer com que o aluno, que não conhecia o referido conceito físico, aprenda quando é exposto pelo filme. Se o aprendizado não desse certo, a causa poderia ser falhas no roteiro ou na execução do filme. Cada produção era reproduzida duas vezes consecutivas e questões foram elaboradas para verificar se os curta metragem atingiram seus objetivos. Os alunos submetidos aos testes não poderiam ter suporte em nenhum livro, professor, etc. Os resultados obtidos com essa prática envolvendo filmes foram satisfatórios.
Diferentemente de Secco e Teixera (2007), não serão utilizados desenhos animados na presente proposta de ensino, mas sim trechos de filmes. Porém,
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compartilhamos da ideia de usar vídeos como recurso didático, despertando o interesse e a curiosidade do aluno, a fim de construir uma nova concepção com a ajuda dos filmes. A proposta didática deste trabalho utiliza a Física presente em trechos de filmes para permitir ao professor abordar com os estudantes situações corretas ou equivocadas, diferindo do que é feito tradicionalmente, com o objetivo de os alunos aprenderem conceitos e fenômenos físicos do cotidiano.
Além disso, como os alunos se interessam por filmes, eles poderão ficar mais envolvidos em uma prática educacional que envolva um vídeo, do que em uma tarefa de resolução de problemas descrita em seu livro. Isso se aproxima bastante dos aspectos contidos no trabalho da Dark (2005), onde é possível encontrar essas características (interesse dos alunos por filmes e melhoria de aprendizagem dos estudantes com a utilização de outro recurso didático). Não utilizamos nesta proposta a ideia de exibir um conjunto de filmes mudos feito por alunos, conforme descrito no artigo de Tassara et al. (1973), no entanto, os objetivos do referido trabalho coincidem com o nosso, que é ensinar conceitos físicos para alunos mediante a execução de filmes e o desenvolvimento da prática de identificação e análise científica das cenas, melhorando a interação entre os alunos com discussões, a fim de contribuir com o aprimoramento de suas compreensões científicas.
## Descrição da proposta
Este trabalho pode ser aplicado de diversas formas, como na exemplificação de aspectos teóricos em Física durante a aula, na aplicação de trabalho extracurricular ('tarefa escolar' para casa, por exemplo), na utilização em Feira de Ciências e antes da aula teórica expositiva, esta proposta didática é destinada para os alunos que já puderam aprender em aulas teóricas anteriores conteúdos de Física abordados nas cenas e/ou trechos dos filmes apresentados. Será apresentada na Tabela 1 uma descrição detalhada das 6 etapas a serem seguidas pelo professor que quiser utilizar esta proposta didática de utilização de filmes em suas aulas de Física.
Tabela 1: Proposta didática de utilização de filmes (etapas da aplicação).
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Para exemplificar a presente proposta, foram utilizadas duas cenas de diferentes filmes contendo erros conceituais de Física em Mecânica, particularmente envolvendo cinemática e princípios da dinâmica. Os trechos que serão exibidos no trabalho podem ser retirados dos filmes com auxílio do programa Windows Movie Maker, que pode ser encontrado já instalado em computadores com sistema operacional Windows 7 ou superior, porém, caso não o tenha instalado o referido aplicativo pode ser encontrado no site da Microsoft, cujo download é gratuito.
- O formato do vídeo editado por esse programa, WMV, roda em qualquer computador com Windows instalado. Se o PC disponibilizado pela escola tiver o Linux instalado, os trechos terão que ser convertidos para o formato MPEG, o qual é aceito em aplicativos de vídeos com sistemas operacionais diversos. O professor que deseja aplicar essa proposta em sua turma, não tem a necessidade de se fixar apenas nestes dois trechos, pois há liberdade para o educador pegar outros filmes para sua apresentação, tendo, para isso, que pesquisá-los para trabalhar com os temas selecionados em sua aula.
## Ilustração da proposta
A aplicação desta proposta didática poderá ser feita tanto na sala de aula quanto na sala de vídeo, desde que a escola tenha um datashow disponível e um computador ou notebook para o professor fazer a exibição dos trechos de filmes para a turma. Se o docente não tiver os materiais necessários disponibilizados pela escola para a exibição dos vídeos, ele pode utilizar seu notebook para a reprodução dos trechos (nesse caso, algumas vezes, pois a reprodução será repetida para vários grupos da turma).
Outra possibilidade envolve aproveitar tecnologias de fácil acesso, pois como boa parte dos alunos, ou a turma inteira, utilizam celulares ou smartphones com a capacidade de reproduzir vídeos, o professor solicita em aula anterior que tragam os cabos USB pertinentes para a conexão com o notebook do docente. Sendo assim, o professor poderá transferir os trechos dos filmes para os aparelhos dos discentes, de modo que estes tenham a liberdade de repetir o vídeo quantas vezes quiserem para entender a situação presente nas cenas apresentadas nos filmes. Para as escolas que possuem sinais de internet wireless , o professor poderá hospedar os trechos no Youtube, e quando for aplicar a proposta (cuja Tabela 2 apresenta dois filmes usados para ilustrá-la) dará as instruções necessárias para que os alunos possam reproduzí-los em seus celulares. Para tal, é necessário que estes aparelhos tenham algum aplicativo capaz de reproduzir vídeos.
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Tabela 2: Filmes selecionados para a proposta
O trecho do filme 'Velocidade Máxima' mostra um ônibus trafegando em um viaduto a 80 km/h, porém, se a velocidade for reduzida o veículo explodirá. O problema é que este viaduto está com um vão inacabado, já que está em obras. A única alternativa que o motorista tem para evitar a explosão é atravessar o ônibus de um vão para o outro (ver Figura 1), mantendo sua velocidade constante. No vídeo, o ônibus consegue atravessar o vão, mas na vida real isso seria cientificamente impossível de acontecer. Antes do salto, o coletivo possui uma velocidade horizontal, ou seja, não possui uma componente na vertical e o vão possui suas extremidades niveladas. Quando o ônibus abandona uma das extremidades inacabadas do viaduto, a aceleração da gravidade irá atuar, fazendo com que o veículo adquira uma componente vertical para baixo da velocidade e caia, impossibilitando a realização do salto.
Figura 1: Ônibus atravessando o viaduto com o vão inacabado.
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No filme 'RED: Aposentados e Perigosos' foi separado o trecho em que o protagonista Frank Moses está fugindo de agentes que desejam tirar sua vida. Em determinado momento há a colisão entre o carro do perseguidor e o do Frank, fazendo o carro deste derrapar. O protagonista sai do veículo no momento que está realizando tal derrapagem (ver Figura 2), e como o automóvel está em movimento, Frank deveria ter sofrido a ação da inércia. Porém, a primeira lei de Newton é ignorada nessa cena, pois vemos Frank sair normalmente do carro, como se este estivesse em repouso, e em seguida começar a atirar nos perseguidores. Se isso acontecesse na vida real, o personagem iria capotar no chão ao sair do carro, já que ele está em movimento juntamente com o automóvel.
Figura 2: Personagem saindo do carro em movimento.
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Antes de exibir as cenas, sugerimos que o professor revise conceitos relacionados à velocidade e às leis de Newton que estejam presentes nos trechos apresentados. Em seguida, o docente pergunta aos alunos se já assistiram ao filme, de modo que, para aqueles que não viram, possa ser feita uma síntese dos filmes
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pertinentes, salientando-se as situações presentes nas cenas que serão reproduzidas para a turma. No filme Velocidade Máxima, por exemplo, o professor destaca a situação em que o ônibus está mantendo uma velocidade constante e não pode reduzi-la abaixo dos 80 km/h. Após assistirem os vídeos, os alunos deverão se organizar em grupos para começarem a responder as perguntas contidas em um roteiro didático elaborado baseando-se na 4 etapa da tabela 1 e distribuído pelo a professor, com o qual poderão identificar os fenômenos físicos e detectar as partes impossíveis do ponto de vista físico contidas nos trechos dos filmes apresentados.
## Considerações finais
Há a expectativa de que o aluno desenvolva uma concepção cientificamente correta dos fenômenos físicos que aparecem nas cenas, com a ajuda das explicações do professor durante a aplicação da proposta. Se os alunos não conseguirem identificar os erros conceituais físicos contidos nos vídeos, o professor irá repetir a mesma atividade, explicando quais são os fenômenos ou conceitos físicos e apontando os erros que fazem parte do vídeo, além de apresentar a situação conceitual física cientificamente correta que deveria acontecer nos trechos dos filmes.
## Referências
BINI, L.R. e PABIS, N. Motivação ou Interesse do Aluno em Sala de Aula e a Relação com Atitudes Consideradas Indisciplinares. Revista Eletrônica Lato Sensu. Ano 3, nº1, 2008.
BRASIL. PCN+ Ensino Médio - Orientações Curriculares Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. 2002.
DARK, M. Using Science Fiction Movies in Introductory Physics. Phys. Teach. 43, p. 463465, 2005.
PIASSI, L. P. C. e PIETROCOLA, M. Possibilidade dos Filmes de Ficção Científica como Recurso Didático em Aulas de Física: A Construção de um Instrumento de Análise. X Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Londrina, 2006.
SECCO. M. e TEIXERA. R. R. P., As leis da física e os desenhos animados na educação científica. Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo, São Paulo, 2007.
TASSARA E., HAMBURGER E., MORAES J., ZANETIC J., MURAMATSU M., GEBARA N., SOARES V., Avaliação de Filmes Didáticos de Física. Revista Brasileira de Física, vol. 3, nº 3, p. 603-618, 1973.
## Lista de filmes utilizados
Akira: AKIRA. Direção de Katsuhiro Otomo. Japão: Akira Committee Company Ltd., 1988. 124 min.
Contato: CONTACT. Direção de Robert Zemeckis. Estados Unidos: Warner Bros e South Side Amusement Company, 1997. 150 min.
RED: Aposentados e Perigosos: RED. Direção de Robert Schwentke. Estados Unidos: Summit Entertainment, 2010. 111 min. Dublado.
Velocidade Maxima: SPEED. Direção de Jand e Bont. Estados Unidos: 20th Century Fox, 1994. 116 min.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.