O AUDIOVISUAL COMO TEMÁTICA DE PESQUISA EM PERIÓDICOS BRASILEIROS DE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS
Victor Menezes De Freitas, Wellington Pereira De Queirós, Nilia Oliveira Dos Santos Lacerda
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 27/01/2015
- Linha de pesquisa
- Tecnologia Da Informação E Comunicação
- Tipo
- Pôster
Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2015
Texto completo
## O AUDIOVISUAL COMO TEMÁTICA DE PESQUISA EM PERIÓDICOS BRASILEIROS DE EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS
Victor Menezes de Freitas , Wellington Pereira de Queirós , Nilia Oliveira dos 1 2 Santos Lacerda 3 ,
1 Universidade Estadual de Goiás, vm.freitas@hotmaill.com
2 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Programa de Pós Graduação em Ensino Ciências/ Programa de Pós Graduação em Ensino Ciências da Universidade Estadual de Goiás wellington\_fis@yahoo.com.br
3 Universidade Estadual de Goiás, niliaprof@gmail.com
## Resumo
Embora ainda não se apresente como foco no ensino de Ciências, o uso de recursos audiovisuais parece despertar interesse de pesquisadores e professores de ciências como temática relevante para a área. Assim, o presente trabalho teve por objetivo fazer um levantamento bibliográfico em 10 periódicos de revistas eletrônicas brasileiras da área de ensino de ciências dos últimos 5 anos sobre a utilização dos vídeos no processo de ensino-aprendizagem de ciências. Foram selecionados 38 artigos, utilizando a análise de conteúdo conforme sugere Bardin (1977), que foram analisados quanto às categorias, referenciais teóricos usados, recomendações e concepção de audiovisual. Considerando este cenário, percebemos que os recursos audiovisuais têm ganhado destaque na área de Educação em Ciências. Os resultados mostraram que a categoria predominante é Vídeo/Recurso Didático no Ensino de Ciências e que o uso dos recursos audiovisuais nos trabalhos ainda encontra-se, predominantemente, na perspectiva da instrumentalidade. Além disso, falta maior interdisciplinaridade entre a área de Educação em Ciências e o referencial teórico-metodológico de audiovisual/comunicação.
Palavras-chave : Revisão bibliográfica; educação em ciências; audiovisual
## Introdução
Na educação em ciências e especificamente no ensino de física o uso das tecnologias da Informação e comunicação como recurso didático tem sido utilizados, como, por exemplo, em: estudos de modelagem, simulação computacional (ARAÚJO, VEIT e MOREIRA, 2012) com o objetivo de promover e auxiliar a aprendizagem em física. Nessa direção, materiais digitais de apoio à aprendizagem vem sendo cada vez mais produzidos e utilizados em todos os níveis de ensino (ARANTES, MIRANDA e STUDART, 2010).
Outro tipo de tecnologia são os recursos audiovisuais, como os vídeos. De acordo com Pereira (2008), o vídeo é uma estratégia alternativa para o desenvolvimento de atividades experimentais, que possibilita a exploração do fenômeno ao dar oportunidade ao professor de discutir os modelos físicos e teóricos, que podem levar o aluno ao observar a demonstração gravada a uma melhor compreensão dos conceitos envolvidos. Entretanto, o potencial do vídeo é pouco explorado, em geral a sua apresentação não é pensada como uma metodologia, mas sim como entretenimento ou em alguns casos mero repetidor de aula tradicional. Cabe ao processo educativo em suas várias instâncias aproveitar a motivação que os jovens das várias classes sociais têm com a produção audiovisual e utilizá-las em suas práticas de ensino em sala de aula (PEREIRA, 2008).
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
26 a 30 de janeiro de 2015
O fato da escola utilizar o vídeo como um recurso didático não garante a efetivação de uma aprendizagem significativa de física, como bem afirma Pereira (2008), a solução para a melhoria do ensino de física no Brasil está relacionada a união de várias instâncias como as institucionais, políticas e pedagógicas, ou seja, bem além da simples utilização do vídeo didático. De acordo com o pesquisador não se defende o uso do vídeo como solução das dificuldades dos estudantes, mas sim no aumento de possibilidades de recursos que favorecem a elaboração de estratégias de ensino do professor com a finalidade de contribuir para um processo de ensino-aprendizagem de Física mais significativo.
Rezende, Pereira e Vairo (2011) apontam que mesmo que não se apresente como grande foco no ensino de Ciências, como outras linhas de pesquisa (formação de professores, História e Filosofia da Ciência etc.), o uso de recursos audiovisuais parece ensejar interesse de pesquisadores e professores de ciências como temática relevante para a área. Neste sentido, o presente trabalho tem por objetivo fazer um levantamento bibliográfico nos periódicos da área de ensino de ciências dos últimos 5 anos sobre a utilização dos vídeos no processo de ensino-aprendizagem de ciências.
## Metodologia
No presente estudo, foi realizado um levantamento bibliográfico nas revistas eletrônicas brasileiras da área de ensino de ciências. Os periódicos selecionados, um total de dez, foram os seguintes: Alexandria, Ciência & Educação (C&E), Investigações em Ensino de Ciências (IEC), Caderno Brasileiro de Ensino de Física (CBEF), Revista Brasileira de Ensino de Física (RBEF), Ensaio-Pesquisa em Educação em Ciências (EPEC), Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (RBPEC), Revista Brasileira de Informática na Educação (RBIE), Revista Experiências no Ensino de Ciências (REEC), Revista Tecnologias na Educação (RTE).
Para este estudo utilizamos a análise de conteúdo, organizando os dados conforme sugere Bardin (1977, p. 89-95), em três momentos: 1) uma pré-análise, que consiste na fase de organização do material; 2) a exploração do material, processo de codificação dos dados brutos de acordo com seus elementos comuns; e 3) o tratamento dos resultados, que corresponde à inferência e à interpretação, por meio de diagramas, tabelas e gráficos.
Assim, no primeiro momento, realizamos um levantamento dos artigos, nos periódicos citados, no período de 2009 a 2013, buscando pelos termos: Vídeo e audiovisual. A partir de uma leitura flutuante, percebemos que, em vários textos, esses termos apareciam fora do contexto pretendido por esse estudo. Descartamos os artigos que apenas citam o vídeo como recurso tecnológico para elaboração de outros recursos didáticos como hipermídia, blogs e uso na sala de aula não discutindo em nenhum momento o recurso audiovisual propriamente dito.
## Resultados
Após a primeira leitura, restaram 38 trabalhos. Classificamos os artigos selecionados de acordo com o ano de produção e quantificamos por periódicos e seus respectivos totais, como mostrados na Tabela 1.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Nota-se também uma concentração mais acentuada nos periódicos RBEF e REEC. Observa-se uma regularidade na publicação de artigos ao longo dos anos de 2009 e 2013 (oito artigos/ano) totalizando de trinta e oito artigos num período de cinco anos. Concordamos com Rezende, Pereira e Vairo (2011, p.190) que, em seu artigo de revisão bibliográfica, avaliaram onze artigos no período compreendido entre 2000 e 2008 (dois artigos/ano) nos dizem que: 'Não se pode afirmar que a produção sobre a temática RAVs na área de Educação em Ciências tenha ou não destaque considerando o quantitativo de artigos selecionados'.
Tabela 1 - Distribuição de artigos analisados por periódico e por ano de publicação
Considerando este cenário, percebemos que os recursos audiovisuais têm ganhado destaque na área de Educação em Ciências com um aumento de 345,45% no número de trabalhos publicados quando comparado com o levantamento Rezende, Pereira e Vairo (2011)
Assim, delineamos sete categorias principais, com base na análise dos artigos, conforme a tabela 2.
Tabela 2- Quantidade de Artigo Por Categoria de pesquisa
## Formação de Professores
Dois artigos se enquadraram nessa categoria. Comparando com as categorizações feitas por Rezende, Pereira e Vairo (2011) o número de artigos desta categoria aumentou 100%. Nas pesquisas analisadas, encontramos as seguintes características: exibição de vídeos por professores como importante recurso de aproximação do aluno e, produção audiovisual com professores do ensino
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
fundamental com abordagem CTSA. Os autores defendem o uso de vídeo por ser, o mesmo, um elemento vivencial do aluno capaz de otimizar sua aprendizagem, mas destacamos que o roteiro e os vídeos não foram produzidos por alunos. Alertamos que o ideal é que haja uma preparação antecipada dos conceitos e conteúdos como base para os alunos produzirem seus próprios vídeos
Portanto, acreditamos que há uma necessidade de formação de professores que oriente os mesmos, a trabalharem o processo de exibição/produção audiovisual com os alunos de forma que o vídeo saia da perspectiva da instrumentalidade tornando-se vídeo fundamento (REZENDE, PEREIRA e VAIRO, 2011). O vídeo como fundamento, por exemplo, em uma perspectiva educacional progressista permite que o aluno invista características de cidadão propositor e divulgador social do conhecimento científico. Assim, podemos sugerir uma abordagem de CTS de intervenção social direta, feita por alunos, como um enfrentamento ao modelo de ciência e tecnologia imposto.
## Vídeo/Recurso Didático no Ensino de Ciências
As principais características desta categoria são: execução de atividades ilustradas em vídeo na sala, gravação para posterior reprodução e análise, exibição de vídeo com a intenção de despertar a sua imaginação e criatividade, produção de animação digital como organizador prévio, exibição de vídeos de telejornais para abordagem CTS, exibição de vídeos bilíngues, exibição de filmes do cinema em sala de aula para explicar conceitos de dinâmica a partir de trechos dos mesmos. Os artigos que representam esta categoria seguem a produção de vídeos de acordo com Moran (2003): Vídeo Produção Documentação, Vídeo Ilustração (por trazer a realidade distante), Vídeo Conteúdo de ensino, Vídeo Sensibilização Produção/de Aula, (vídeo como organizador prévio) em que os alunos são instigados a desejarem aprender.
Consideramos que, na maioria dos casos, os autores não nos revelam muito as características nem o conteúdo dos vídeos e/ou usa o termo gravações para designar a exibição de uma produção audiovisual realizada por outros alunos. Subestimou-se o potencial do vídeo quando, sob a perspectiva da instrumentalidade, o mesmo não é abordado com as características propostas na literatura da área linguagens oral, escrita, visual, gestual-matemática e a necessidade da cooperação entre elas para promover uma visão do fenômeno. Executam-se as atividades sem se preocupar muito com o processo da produção audiovisual. A produção não está colocada como um meio de posse dos instrumentos científicos tecnológicos, uso dos mesmos e sua apropriação como manifestação própria da comunicação humana (MORAN, 2003; MACHADO, 1988).
Analisando os artigos os autores concluem que: o uso do vídeo como recurso bilíngue só é inclusivo quando aplicado por um professor preparado. Os educandos mostraram-se mais motivados e envolvidos em atividades de exibição de vídeos ao ponto de se interessarem por outras áreas da Física, inclusive, por outras disciplinas. Por fim, uma sugestão de produção de vídeos como organizador prévio sem o formato da animação digital.
Concluímos que, em nenhum caso, os autores fundamentam a análise fílmica com base nos pressupostos educacionais ou em referenciais da área de audiovisual e, alguns elaboram questionário de autoria própria. Em outros casos, os autores produzem vídeos, mas não fundamentam a produção audiovisual e nem
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
exibição das mesmas com base em algum pressuposto educacional ou em referenciais da área de audiovisual. Um dos trabalhos cita os processos de criação de roteiro e produção de vídeos, mas também não fundamentam os mesmo. Outros usam as teorias de Ferrés (1996, p.92) na construção do curta digital, mas o processo de construção do mesmo não fica muito claro.
Outro ponto de destaque na categoria Vídeo/Recurso Didático no Ensino de Ciências é a produção de audiovisuais. As principais características que encontramos nas pesquisas foram: analisar as características do relatório experimental de Física, por meio da produção de um vídeo por alunos (relatórios audiovisuais); avaliar a aplicação da estratégia FlexQuest sobre o ensino de radioatividade utilizando a Teoria da Flexibilidade Cognitiva; exibição de filme de desenho animado, cujas informações científicas distorcidas, auxiliaram no desenvolvimento do projeto; produção de um documentário amador a partir da discussão de temas de um filme; desenvolvimento de um vídeocast montando passo a passo uma pilha eletroquímica; investigação do processo de produção de vídeos por estudantes como alternativa para atividades no laboratório didático. Os artigos que representam esta categoria seguem a produção de vídeos de acordo com Moran (2003): Vídeo como Conteúdo de Ensino, Vídeo como Ilustração, Vídeo Sensibilização, Vídeo Produção Intervenção, Vídeo Produção Entrevistas, Vídeo Produção Experiência e Férres (1996): Vídeo Processo, Vídeo Programa Motivador.
Analisando os artigos os autores concluem que a produção de um vídeo é considerada uma estratégia vantajosa face aos aspectos recursivo-reflexivo e motivacional-tecnológico que podem favorecer a aprendizagem; a televisão é formadora de opiniões e que, se for alienadora, pode 'mascarar' a realidade. Cabe a escola adaptar-se às necessidades dos professores para que capacitem em relação ao uso de tecnologias em sala de aula. Concluem ainda que as estratégias aplicadas estimularam os alunos '... tornando-os um cidadão crítico capaz de compreender o que acontece ao seu redor.'(palavras dos autores); a teoria da Aprendizagem significativa se constitui como um importante sustentáculo para explorar documentários em sala de aula; a produção de vídeos, quando realizada por alunos como atividade de laboratório, dá conta da especificidade da própria realização das atividades experimentais.
Alguns autores valorizam o trabalho com o vídeo por considerá-lo um elemento mais próximo da cultura do aluno, do que o aluno da cultura escolar. Isto permite que os estudantes externalizem seu pensamento criativo, ao produzir um vídeo envolvendo fenômenos físicos com uso espontâneo de recursos como música, dramatização, imagem, animação, entre outros. Justamente, este fato ocorreu espontaneamente nos trabalhos de produção audiovisual sem a solicitação do professor. Isto reforça a ideia de Rezende, Pereira e Vairo (2011) de que o vídeo está mais associado como um elemento de cultura do aluno do que uma estratégia de ensino propriamente dita. Justificam a abordagem com o vídeo por terem a intenção de criarem novas oportunidades no processo de ensino-aprendizagem, de forma que o ensino seja mais prazeroso e interativo com os alunos.
Houve artigo em que os autores trabalharam com a manutenção de um portfólio no qual deveriam constar as ideias básicas do vídeo (sinopse, história a ser contada, público alvo, espectadores do vídeo, local, espaço onde ocorre a história, época, quando ocorre, personagens, quem está envolvido) utilizando uma espécie
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
de roteiro que orienta um caminho a ser seguido pelos alunos. Na investigação do processo de produção audiovisual, os autores referem a algumas ferramentas de metodologia de produção audiovisual, mas não deixam claro o nível de aprofundamento e de fundamentação com a área da comunicação e cinema. Embora alguns autores digam que seguiram 'as técnicas de filmagem', não notamos detalhes deste procedimento nos trabalhos, nenhuma citação ou referência bibliográfica.
No geral, poucos autores dão destaque à investigação do 'processo' de produção audiovisual, não preocupando com o estudo deste processo. Na maioria dos casos, a produção de audiovisual com características interdisciplinares ainda é incipiente, de forma que não há fundamentação em suas técnicas e autores da área da comunicação e educação.
## Ensino Aprendizagem/Tomada de Dados
O vídeo nesta categoria é uma importante ferramenta de registro de dados sendo usado, apenas, como um marcador de temporal acurado com ganho de tempo no laboratório. Possui a característica de instrumento de coleta de dados através do registro espacial e temporal de experimentos para posterior análise com a utilização de softwares tais como: StroboMovie desenvolvido para captura de quadros, Tracker para vídeoanálises, VideoPoint e VirtualDub.
Nos poucos casos em que os alunos participam do processo de gravação do vídeo, não há uma preocupação didática na discussão teórica acerca do processo de produção dos vídeos em sala de aula. As atividades são mais centradas no software sem preocupar-se com o processo teórico da produção audiovisual.
## Abordagem Cultural, Social e de Gênero
Abordagem Cultural, Social e de Gênero aumentou 300% quando comparado com as categorizações feita por Rezende Filho, Pereira e Vairo (2011). Os artigos que representam esta categoria seguem a produção de vídeos de acordo com Moran (2003): Vídeo integração/suporte (hipermídia), Vídeo Produção Documentação e Vídeo Sensibilização.
As características do vídeo nesta categoria: Gravação de vídeos por professores pesquisadores para compor hipermídia etnográfica; uso da TV Digital Brasileira viabilizando o ensino-aprendizado de alunos portadores de deficiências físicas; exibição de vídeos de redes sociais sobre temas polêmicos para avaliar a influência da mídia na opinião dos educandos. De forma geral, o vídeo é utilizado como uma forma de despertar sobre o impacto que o desenvolvimento científico e tecnológico traz.
## História, Filosofia e Ensino de Ciências
Esta categoria manteve-se com um artigo publicado desde o último levantamento feito por Rezende, Pereira e Vairo (2011), com aumento de 100% considerando um período de cinco anos. Moran (2003) classifica como vídeo Ilustração. Aqui, os autores fazem uma análise fílmica caracterizando as imagens de ciência e de cientista veiculadas em filmes de animação infantil. Segue a proposta de um roteiro de observação composto por categorias pré-estabelecidas e
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
elaboradas com base nas leituras das visões deformadas de ciência e tecnologia. Como conclusão, os autores sugerem o uso de desenhos animados por considerálos uma alternativa para motivar a discussão sobre o papel da ciência.
## Vídeo transcrição
O vídeo é utilizado como ferramenta de gravação pra posterior transcrição e categorização de atividades de pesquisa. Exemplos de atividades desta categoria são: gravações de aulas para posterior exibição e avaliação, de entrevista semiestruturada, de ações e verbalizações de professores. Consideramos muito oportuno este tipo de vídeo em pesquisas qualitativas.
## Outros
Destaca-se nesta categoria: levantamento bibliográfico com o tema audiovisual; estudo propondo exibição de documentários e, um estudo quantitativo/qualitativo do número de professores que usam a televisão e o rádio. Não há exibição/produção do vídeo didático como instrumento mediador na prática educacional e nem trabalhos que fundamentem qualquer análise fílmica.
## Considerações finais
Os dados encontrados com este levantamento bibliográfico mostram que as pesquisas sobre audiovisual continua incipiente e pouco explorada no Ensino de Ciências. Poucos autores dão destaque à investigação do 'processo' de produção de audiovisual. Esta produção, não está colocada como um meio de posse dos instrumentos científicos-tecnológicos nem mesmo, como manifestação própria da comunicação humana. Na maioria dos casos, a produção de audiovisual, com características interdisciplinares, ainda é incipiente não havendo fundamentação em suas técnicas e autores da área da comunicação e educação.
Consideramos que o uso do vídeo, na perspectivada da instrumentalidade, pouco pode contribuir com a formação de um aluno participativo e atuante, na escola e sociedade, de forma a investir as características de cidadão propositor e divulgador social do conhecimento científico, principalmente, no enfrentamento às construções históricas criadas em torno da ciência e tecnologia. O engajamento dos alunos ao fazerem uso espontâneo, embora não solicitados, de elementos próprios da área da arte e comunicação como: música, edição, dramatização para melhor se expressarem, revela a urgência do uso do vídeo na perspectiva fundamento, (REZENDE, PEREIRA e VAIRO, 2011). Esta visão do vídeo permite aproximar a cultura escolar da cultura do aluno através de um elemento que está mais associado à afetividade e emocional do que à razão do educando.
Os trabalhos analisados nesta pesquisa continuam não apresentando articulação sobre questões estéticas da produção de vídeos e as consequências desta escolha com o processo educacional. A dimensão estética, própria da produção audiovisual, é ignorada nos projetos de ensino de ciências. Desta forma, é importante introduzirmos, nestes tipos de trabalho, noções teóricas da área do cinema e comunicação de forma a incrementar qualidade no processo de ensinoaprendizagem. É preciso investigar o processo de produção audiovisual à medida que os estudantes expõem seu pensamento criativo ao produzir um vídeo. O processo de produção possibilita avaliarmos a produção intelectual do aluno, pois
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
revela seu pensamento, ideia, evolução como bem afirma Rezende, Pereira e Vairo (2011)
Como aconteceu com Vasconcelos e Leão (2012), onde os alunos desenvolveram vídeos espontaneamente e, com Rezende, Pereira e Vairo (2011), onde os alunos fizeram uso espontâneo de elementos da área da comunicação sem que fossem solicitados, entendemos que os trabalhos analisados podem aproveitar, em grande maioria, os aspectos estéticos, a necessidade de auto-afirmação pelo vídeo, a necessidade de credenciamento social através das imagens em movimentos, as características de denúncia e a oportunidade de voz que a produção de vídeo pode trazer. Desta forma, poderemos ter uma prática pedagógica voltada para a formação de cidadãos mais críticos. Isto tudo é reforçado quando associamos com o número crescente de recursos audiovisuais comercializados, número de curtas publicados, crescimento de festivais, aumento do número de cursos de formação audiovisual, etc.
Assim, a presente pesquisa também aponta que há uma necessidade de formação de professores que os oriente a trabalhar o processo de exibição/produção audiovisual com os alunos de forma mais sistematizada. Isto implica numa reestruturação curricular e uma mudança do conceito de escola de forma que a mesma esteja mais preparada e aberta. É importante considerar aqui um cuidado para não transferir essa responsabilidade para o professor e à escola isoladamente. Deve-se destacar de modo que fique claro o desmantelamento que vem acontecendo com as escolas brasileiras em especial as públicas. Muda-se o foco quando dizemos que há uma necessidade de todos: escola, família, poder público a dar atenção especial à construção de projetos de políticas públicas levadas a sério.
## Referências
ARAÚJO, I. S.; VEIT, E. A.; MOREIRA, M.A. Modelos computacionais no ensino aprendizagem de física: um referencial de trabalho. Investigações em Ensino de Ciências , Porto Alegre, v. 17, n.2, p. 341-366, 2012.
ARANTES, A. R.; MIRANDA, M. S. STUDART, N. Objetos de aprendizagem no ensino de física: usando simulações Phet. Física na Escola , São Paulo, v.11, p.2731, n.1, 2010.
BARDIN, L. Análise de Conteúdo . Lisboa: Edições 70, 1977. 229p.
FERRÉS, J. Vídeo e Educação . Porto Alegre: Artmed, 2ed., 1996
MACHADO, A . A Arte do Vídeo . São Paulo: Brasiliense. 1988
MORAN, J. M. et. al. Novas tecnologias e mediação pedagógica . Campinas, SP: Papirus 2003
PEREIRA, M. V. Da construção à utilização de um vídeo didático de física térmica. Cadernos de aplicação , Porto Alegre, v. 21, p.514-530, n.2, 2008.
REZENDE, L. A. C.; PEREIRA, M. V.; VAIRO, A. C. Recursos Audiovisuais como temática em periódicos brasileiros de Educação em Ciências. Revista Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências , São Paulo, v. 11, n.2, p.183-204, 2011.
VASCONCELOS, F.C.G.C; LEÃO, M.B.C. Utilização De Recursos Audiovisuais Em Uma Estratégia Flexquest sobre Radioatividade. Revista Investigações em Ensino de Ciências v. 17 n. 1, p. 37-58, 2012.
\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.