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A UTILIZAÇÃO DE REDES SOCIAIS VIRTUAIS PARA A APRENDIZAGEM: A VISÃO DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

Ellen Rosim Vicente, Herbert Alexandre João, Jerusha Mattos Câmara

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Tecnologia Da Informação E Comunicação
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2015

Texto completo

## A UTILIZA˙ˆO DE REDES SOCIAIS VIRTUAIS PARA A APRENDIZAGEM: A VISˆO DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

Vicente, E. R , Joªo, H. A ; Câmara, J. M . 1 1 ‡

1 Instituto de Física de Sªo Carlos, Universidade de Sªo Paulo/ ellenrosimvicente@gmail.com 2 Instituto de Física de Sªo Carlos, Universidade de Sªo Paulo/ herbertusp@gmail.com 3 Instituto de Física de Sªo Carlos, Universidade de Sªo Paulo/ jemattos1@gmail.com

## Resumo

A utilizaçªo das redes sociais virtuais tornou-se presente no cotidiano dos jovens, neste contexto, sua inserçªo no ensino estÆ cada vez mais próxima de nossa realidade. O objetivo deste trabalho foi verificar qual a visªo de alunos do Ensino MØdio, participantes de um programa de extensªo da Universidade de Sªo Paulo, o 'UniversitÆrio por um dia', sobre o uso dessas redes para a aprendizagem. Observou-se que a maioria dos alunos utilizam as redes sociais virtuais com grande frequŒncia e acreditam que estas podem ser um espaço potencial para o aprendizado, destacando a importância para pesquisa, interaçªo com pessoas, o compartilhamento de informaçıes e como instrumento para busca por informaçıes e notícias. A partir da anÆlise realizada vislumbrou-se a necessidade do desenvolvimento de propostas, por parte da equipe do programa, para explorar os recursos pedagógicos potenciais presentes nessas redes, com o intuito de instrumentalizar os professores visitantes para utilizÆ-las no processo ensino-aprendizagem.

Palavras-chave: Redes sociais virtuais, Ensino mØdio, Ensinoaprendizagem, TIC, Web 2.0.

## Introduçªo

Franco (2012) afirma que nos dias de hoje qualquer pessoa que leia 1 ou escreva, tendo acesso à internet terÆ condiçıes de obter muito mais informaçıes e, tambØm, aprender do que se hÆ dez anos. O autor afirma que mesmo uma criança com pouca compreensªo de uma ou duas línguas, jÆ estÆ em condiçıes de aprender muito mais e com uma velocidade ainda maior, do que um adolescente ou jovem com o dobro de sua idade, que estivesse estudando em alguma instituiçªo de boa qualidade hÆ dez anos. Desta forma, afirma que se a criança tiver desenvolvido algumas competŒncias e habilidades bÆsicas para a aprendizagem, como leitura e interpretaçªo de textos, escrita e a capacidade de aplicar conhecimentos matemÆticos bÆsicos para solucionar situaçıes cotidianas, com suporte da internet, seria capaz de aprender sozinho e de forma autônoma.

O autor acredita que a inovaçªo com relaçªo a esta questªo nªo depende exclusivamente da tecnologia em si, mas dos novos modelos de organizaçªo social que se estruturam na contemporaneidade. Com o surgimento de uma sociedade em rede, sªo desestruturadas as obsoletas instituiçıes e metodologias hierarquizadas de controle das massas, inclusive no que diz respeito às relaçıes educacionais existentes atØ o momento. Assim, para o autor, as Tecnologias de Informaçªo e Comunicaçªo (TIC) tornam possível a horizontalidade

QO6Dq2uD1CaE9BRAyiPV5Ul8sbNK9m3xl/SrieFLUZZVolume4NOESCOLAS.pdf. Acessado em 20 de julho de 2014.

das interaçıes em tempo real, aumentando a velocidade das trocas entre as pessoas.

Para o autor mesmo com essas mudanças na sociedade, ainda existe uma resistŒncia no uso da TIC no âmbito educacional, perpetuando-se a aplicaçªo dos velhos mØtodos de ensino. No entanto, com essa transiçªo para uma sociedade de redes, onde se entra numa nova era de informaçªo e busca do conhecimento, outras capacidades pessoais sªo cobradas, como a criatividade e a inovaçªo.

A partir dessa breve apresentaçªo sobre o aumento de acesso a informaçªo Ø que surge um questionamento apresentado por Moran (2007): como levar os jovens a aprender com as TIC em meio a tantas distraçıes virtuais?

Pensando sobre esta questªo Ø que neste trabalho se buscou compreender como alunos de Ensino MØdio, considerados como a geraçªo de nativos digitais, se apropriam dos novos recursos oferecidos pela sociedade em rede para a aprendizagem, especificamente, com relaçªo às redes sociais virtuais. Ou seja, o objetivo foi verificar qual a visªo de alunos do Ensino MØdio, participantes de um programa de extensªo da Universidade de Sªo Paulo, o 'UniversitÆrio por um dia', sobre o uso dessas redes para a aprendizagem.

## Referencial Teórico

## As TIC e suas potencialidades na Sociedade em rede.

Atualmente, percebe-se que com os progressos da ciŒncia e da tecnologia novas oportunidades surgiram como possibilidades abertas ao conhecimento, estando elas disponíveis globalmente. O desenvolvimento das Tecnologias da Informaçªo e Comunicaçªo (TIC) e, principalmente, da Internet, propiciaram inovaçªo aos serviços tradicionais de informaçªo, tornando-se a composiçªo de redes um potencial espaço de colaboraçªo transformando, consideravelmente, as formas de obtençªo, posse e disseminaçªo da informaçªo e do conhecimento.

Neste contexto, a diversidade de fontes para busca do conhecimento e pela facilidade em se obter a informaçªo, tem transformado as formas de aprender. Figueiredo e Afonso (2005) afirmam que grande parte do futuro da aprendizagem e da educaçªo, estÆ no uso de ambientes sociais ricos em interaçªo, atividades e cultura nunca vistos, levando a utilizaçªo inteligente da tecnologia. Tal futuro, segundo os autores, estÆ ligado ao uso das ferramentas Web 2.0 por permitirem aos seus utilizadores criarem e recriarem conteœdos, em espaços sociais interativos, de acordo com suas preferŒncias.

Este ambiente criado a partir das TIC tem proporcionado o desenvolvimento de novas formas de redes sociais, tornando a produçªo e circulaçªo do conhecimento e informaçªo como um processo social (LÉVY, 1996).

Machado e Tijiboy (2005) afirmam que as redes sociais virtuais podem utilizar recursos diversos, tais como: e-mails, fóruns, chats, listas de discussªo, newsletters e softwares sociais (facebook, twitter, myspace). Assim, a combinaçªo das ferramentas presentes na Web 2.0 gera o ciberespaço e constituem as redes de

relaçıes sociais, denominadas comunidades virtuais que, segundo LØvy (1999) sªo agregados sociais que nascem da Internet, ambientes onde se proporciona o encontro entre indivíduos que interagem atravØs da comunicaçªo, gerando discussıes pœblicas em tempo e espaços diversos.

Nesta perspectiva de aprendizagem a partir das redes sociais virtuais, Moran (2006) afirma que estas contribuem para a mobilizaçªo dos saberes, o reconhecimento das diferentes identidades e a articulaçªo dos pensamentos que integram a coletividade. O sujeito aprende porque se sente motivado a isso. Por esta razªo Ø possível à escola fazer uso dessas redes sociais levando em consideraçªo as intervençıes intencionais dos professores, que podem funcionar como agentes capazes de contribuir para o aprofundamento das temÆticas discutidas nesses espaços e orientar as discussıes, auxiliando no aprofundamento dos temas, na síntese de ideias, no levantamento de aspectos significativos e secundÆrios, na anÆlise crítica dos dados e a encontrar espaços virtuais adequados para aprendizagem.

Em conjunto com a açªo do professor, no intuito de tornar efetiva a incorporaçªo das redes sociais virtuais no processo ensino-aprendizagem, Ø fundamental que se estabeleça uma cadeia de açıes envolvendo o sistema educacional. Este œltimo teria por funçıes a implementaçªo de um currículo adequado à utilizaçªo das TIC, alØm de estabilizar o corpo docente para atuar com estas competŒncias. AlØm disso, Ø necessÆrio que se responsabilize pela estrutura e logística para a utilizaçªo das TIC. Estas açıes sªo essenciais para incorporaçªo das TIC no contexto escolar, caso um destes nªo seja efetivado torna-se um obstÆculo para este fim (MOREIRA, 2005).

Franco (2012) afirma que os sistemas educativos devem se tornar sistemas socioeducativos, preocupados com as necessidades locais, em uma composiçªo sócio territorial, ou seja, em redes sociais que se assentem como comunidades compartilhando agendas de aprendizagem.

## Metodologia

Os dados desta pesquisa foram obtidos a partir da aplicaçªo de um questionÆrio à 269 alunos do Ensino MØdio de 12 escolas participantes do Programa de extensªo universitÆria denominado 'UniversitÆrio por um dia' e promovido pelo Instituto de Física de Sªo Carlos da Universidade de Sªo Paulo. O período de coleta foi realizado em novembro de 2013. Neste programa, alunos do Ensino MØdio vivenciam o dia-a-dia de um universitÆrio participando de uma aula de física diferenciada realizada no laboratório de ensino, almoçam com os universitÆrios no restaurante do campus e visitam os ambientes de estudo incluindo a biblioteca.

Este artigo estrutura-se como um estudo de caso com intuito de entender a relaçªo desses alunos com as redes sociais virtuais para a aprendizagem, assim utilizou-se um questionÆrio com questıes de mœltipla escolha e dissertativas, sendo elas: 1)'VocŒ utiliza as redes sociais virtuais?'; 2)'Quais vocŒ utiliza?; 3)'Com que frequŒncia vocŒ utiliza as redes sociais virtuais?'; 4)'Em qual local vocŒ as utiliza?; 5)'Em sua opiniªo, Ø possível utilizar das redes virtuais para aprender e estudar?'; 6)'Do seu ponto de vista, como as redes virtuais podem ser utilizadas para aprender e estudar?'. As questıes 1 e 5 continham duas opçıes de

resposta: sim ou nªo, para a questªo 3 os alunos podiam optar por algumas vezes, quase sempre ou sempre. As questıes 2, 4 e 6 sªo de cunho dissertativo.

## Resultados

Como neste trabalho se buscou verificar qual a visªo de alunos do Ensino MØdio, participantes de um programa de extensªo da Universidade de Sªo Paulo, o 'UniversitÆrio por um dia', sobre o uso das redes sociais virtuais para a aprendizagem, foi necessÆrio identificar inicialmente o envolvimento dos alunos com as redes e o uso de suas ferramentas.

Observou-se (Figura 1) que, em sua maioria, os alunos (92,9%) relataram utilizar as redes sociais virtuais, sendo que as redes mais citadas foram o: Facebook, Twitter e o MSN. No mundo, o nœmero de cadastrados no Facebook aproxima-se de um bilhªo de usuÆrios, dos quais 65 milhıes sªo brasileiros (Exame, 2014).

A mesma reportagem afirma que a maior parte dos acessos a Internet ocorre a partir das residŒncias dos alunos, podendo ser compreendida pelo levantamento realizado por Santos (2012) que diagnosticou que 27,2 milhıes de domicílios possuem computador com acesso à internet no Brasil. Os dados obtidos com o questionÆrio aplicado aos alunos demonstraram a mesma tendŒncia de acesso. O segundo maior acesso verificado Ø a escola, demonstrando que existe condiçıes para o aluno utilizar a internet nas escolas, caso comprovado pelo Censo da Educaçªo BÆsica (INEP, 2013) o qual apresenta que mais de 80% das escolas de Ensino MØdio, da regiªo sudeste, contam com o acesso à internet e laboratório de informÆtica.

Figura 1 : GrÆfico com as respostas dos alunos a pergunta: 'VocŒ utiliza as redes virtuais?'.

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Dentre os alunos que acessam as redes sociais virtuais (Figura 2), mais da metade (54,6%) sempre as utiliza que, somado a quase sempre (27,1%), representa valor expressivo (81,7%), o que indica uma alta frequŒncia de utilizaçªo das redes sociais pelos alunos.

Figura 2: GrÆfico com as respostas dos alunos a pergunta: 'Com que frequŒncia vocŒ utiliza as redes virtuais?'.

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Focando a utilizaçªo das redes sociais virtuais (Figura 3) como recurso para a aprendizagem, 74% dos alunos acreditam na possibilidade de seu uso para a aprendizagem, enquanto, 24,9% nªo acreditam no potencial das redes para aprender e estudar.

Figura 3: GrÆfico com as respostas dos alunos a pergunta: 'Em sua opiniªo, Ø possível utilizar das redes virtuais para aprender e estudar?'.

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Ao verificar se os alunos achavam possível aprender e estudar pelas redes sociais virtuais, questionou-se como isso poderia ser feito. A partir das respostas dos alunos categorizou-se essas informaçıes (Tabela 1) a fim de facilitar a anÆlise dos resultados, e vale ressaltar que alguns alunos indicaram mais de uma categoria. Com isso, as categorias encontradas e que tiveram um maior nœmero de indicaçıes foram: Pesquisas (25,1%), Interaçªo com pessoas (18%), Compartilhar informaçıes (17,6%) e para obter Informaçıes e notícias (14%).

Tabela 1: Categorias formadas a partir das respostas dos alunos a questªo: 'Do seu ponto de vista, como as redes virtuais podem ser utilizadas para aprender e estudar?'.

As categorias c ompartilhamento de informaçıes e a Interaçªo com pessoas demonstram que a aprendizagem pode ocorrer de modo colaborativo. Outras categorias como Pesquisas e Informaçıes e notícias sugerem a própria potencialidade das redes virtuais sociais que por precisar da internet possibilita a expansªo e a democratizaçªo do acesso, alØm da produçªo do conhecimento, promovendo a disseminaçªo do conteœdo (LÉVY, 2003). Sites especializados , Jogos educativos e Vídeos aparecem como os menos indicados, demonstrando o desconhecimento do potencial desses recursos.

## Conclusªo

Com base nos dados levantados no presente estudo e considerando as estatísticas referentes ao uso da Internet, nota-se um nítido aumento no uso das ferramentas da Web 2.0 e, especialmente, das redes sociais virtuais. Os alunos participantes desta pesquisa, em sua maioria, demonstraram utilizar as redes, indicando alta frequŒncia de seu uso. A maioria acredita que as redes sociais virtuais Ø um ambiente em potencial para a aprendizagem, observou se que as categorias mais citadas demonstram o carÆter colaborativo dessa ferramenta.

Findando este trabalho, apresenta-se que a maior parte dos alunos soube indicar possibilidades para utilizaçªo das redes para a aprendizagem. Por outro lado, verificou-se que houve uma limitaçªo na variedade de ferramentas apontadas pelos alunos e atØ mesmo aquelas reconhecidamente potenciais para a educaçªo, como os vídeos, foram pouco citados.

A partir da anÆlise realizada vislumbrou-se a necessidade do desenvolvimento de propostas, por parte da equipe do programa, para explorar os recursos pedagógicos potenciais presentes nessas redes, com o intuito de instrumentalizar os professores visitantes para utilizÆ-las no processo ensinoaprendizagem.

## ReferŒncias

Figueiredo, A. D.; Afonso, A. P. (2005). Context and Learning: a Philosophical Framework, in Figueiredo, A. D. &amp; A. P. Afonso, Managing Learning in Virtual Settings: The Role of Context, Information Science Publishing, Hershey, USA, pp.122.

INEP. Censo da educaçªo bÆsica: 2012 - resumo tØcnico. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2013. Disponível em: &lt; http://download.inep.gov.br/educacao\_basica/censo\_escolar/resumos\_tecnicos/res umo\_tecnico\_censo\_educacao\_basica\_2012.pdf&gt;. Acesso em: 20 de junho de 2014.

LØvy, P. O (1996). Que É O Virtual? Sªo Paulo: Editora 34.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_. (1999). Cibercultura. Sªo Paulo: Editora 34.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_. (2003) InteligŒncia coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. 4'ed. Sªo Paulo: Loyola.

Machado, J. R.; Tijiboy, A.V. (2005). Redes Sociais Virtuais: um espaço para efetivaçªo da aprendizagem cooperativa. Novas Tecnologias na Educaçªo, v. 3(1), CINTED-UFRGS.

Moran, J. M. (2007) Desafios na Comunicaçªo Pessoal: Gerenciamento integrado da comunicaçªo pessoal, social e tecnológica. Sªo Paulo: Paulinas, 3' ed.

Moran, J. M.; Behrens, M. A.; Masetto, M. T. (2006). Novas tecnologias e mediaçªo pedagógica. Sªo Paulo: Papirus. 12' ed.

Moreira, A. P., Loureiro, M. J. &amp; Marques, L. (2005). Percepçıes de professores e gestores de escolas relativas aos obstÆculos à integraçªo das tic no ensino das ciŒncias. Disponível

em:&lt;http://ddd.uab.cat/pub/edlc/edlc\_a2005nEXTRA/edlc\_a2005nEXTRAp452perpr o.pdf&gt; Acesso em: 20 de junho de 2014.

Santos, A. R. (2012). Uso de internet no Brasil: Uma anÆlise baseada em Teoria da resposta ao Item (TRI). Dissertaçªo. Escola de Administraçªo de Empresas de Sªo Paulo, Sªo Paulo, Brasil.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.