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ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA E A PERCEPÇÃO DAS DIMENSÕES DA REALIDADE NO ENSINO ESCOLAR

Antony Josué Corrêa.

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Alfabetização Científica E Tecnológica E Abordagem Cts No Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA E A PERCEPÇÃO DAS DIMENSÕES DA REALIDADE NO ENSINO ESCOLAR

## *Antony Josué Corrêa¹

1 Licenciatura em Educação do Campo - UFSC, antonyjosue@gmail.com

## Resumo

O presente trabalho relata a experiência de ensino de ciências com 25 alunos da 4ª série do Ensino Fundamental em uma escola pública do município de Curitibanos, em Santa Catarina. As atividades realizadas em meados de 2013, foram embasadas em princípios da alfabetização científica, desenvolvidas na forma de oficinas, unindo o lúdico aos conhecimentos saberes científicos. Explorando o tema cores e a nossa percepção, por meio de histórias e experiências físicas (prismas, disco de Newton), elencando-se com os alunos os pontos essenciais do que foi abordado e 'experimentado'. Sistematizando-se as informações expressas na forma de um mapa mental, o que lhes contribuiu com sintetizar ideias principais, para estruturação do pensamento e lógica e futuras produções textuais. A temática surgiu das limitações percebidas nos alunos quanto a compreensão de alguns conceitos, e o potencial de se trabalhar tais conceitos com crianças. Limitações provenientes também, na forma com vem-se abordando as ciências na sala de aula, aulas rotuladas muitas vezes pelos alunos como desinteressantes e pouco compreensíveis. Conclui-se que uma abordagem diferenciada, na tentativa de se fazer uma contra proposta a atual realidade do ensino de ciências (e tantos outros), como nos expõe Fourez (1997) ao argumentar a existência de falta de pertinência do modelo de educação científica para muitos alunos, por estes não conseguirem utilizar os conhecimentos científicos como instrumentos de pensamento depois de alguns anos, resulta em mudanças significativas tanto na relação entre aluno e professora quanto com o conhecimento. A experimentação e sua sistematização, proporcionou não apenas maior envolvimento e interesse por parte dos alunos durante a aula, como também, ao tornar 'palpável' o que se ensina, houve boa compreensão, e principalmente um maior sentido de aprender, ao aproximar ciência à realidade dos alunos. Desmistificando o pensamento de que a ciência é arte e verdade para poucos.

Palavras-chave : Ensino de ciências, Alfabetização científica, Formação de conceitos.

## Introdução:

Este trabalho se constitui de um relato e reflexões acerca de uma experiência de ensino de ciência com alunos dos anos iniciais do ensino fundamental na rede pública, no ano de 2013. O ensino de ciências, da forma como tem sido abordado tradicionalmente não tem contribuído para que a aquisição do conhecimento científico se concretize no âmbito escolar, dessa forma julga-se necessário utilizar diferentes estratégias para que esse conhecimento se torne acessível (CHASSOT, 2000). Durante a atividade relatada buscou-se realizar oficinas lúdicas que abordem conteúdos de cunho científico chamando a atenção dos alunos e fazendo-os refletir sobre a ciência, possibilitando diferentes percepções das dimensões da realidade.

As discussões realizadas a partir do relato são inspiradas não pela negação do ensino de ciências baseado no senso comum pedagógico (GIL PEREZ, CARVALHO, 2001), mas sim, a partir das possibilidades para sanar ou evitar alguns dos problemas do ensino de ciências, sobretudo a necessidade de que as ciências

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aprendidas de forma significativa, de forma a envolver efetivamente os alunos no processo de construção do seu conhecimento em ciências (CHASSOT, 2000).

Não é ensinar mais conhecimento, mas ensinar mais com o conhecimento. O conhecimento muda nossa percepção de tempo e espaço, e é função da escola 'formar' e instrumentalizar pessoas para atuarem de forma construtiva na sociedade. A escola pública, gratuita e democrática deve estar centrada no desenvolvimento material e espiritual do ser humano. Mas como garantir que o ensino de ciências privilegie o verdadeiro sentido da alfabetização científica em nossas salas de aula?

As atividades relatadas foram desenvolvidas com alunos de 4º ano, na Escola de Educação Básica Sólon Rosa pertencente a rede pública estadual de ensino de Curitibanos (SC) em meados de julho de 2013, durante o processo de estágio de 4º ano de magistério da E.E.B. Santa Teresinha. O trabalho foi iniciado com a observação da turma durante 5 dias, um posterior planejamento, tendo as oficinas a duração de 20 aulas de 45 minutos cada (5 dias). Para compor tal reflexão e relato, escolheu-se uma destas oficinas, com a duração de cerca de 3 aulas. A descrição da oficina segue abaixo:

## Oficina: cores e nossa percepção da realidade:

A aula com os 25 alunos, foi iniciada pelo momento de reflexão, conversa e meditação. Seguiu-se um momento de contação de história, no qual utilizando-se vários recursos, como desenhos e 'cartões mágicos' para se apresentar a história 'O Pássaro sem cor'. No processo de 'contação', a história torna-se viva, questionase os interlocutores acerca das proposições da história,

A criança se faz encantada, como se pudéssemos ver fluir por seus olhos, ouvidos, mãos, o seu ser curiosos, que une-se, miscigena-se à história, aos personagens, às palavras, a um mundo desafiador que é interpretado e por vezes, incompreendido.

Ao se mostrar um desenho do pássaro, questionou-se:

- -Quantas cores pode ter um pássaro? E quantas cores tem este pássaro?'
- -Nenhuma!! -Responderam, questionou-se:
- - Nenhuma?
- -Branca !! - Responderam após uma breve análise. Continuou-se:
- -Ele tem muitas, tudo depende de como nós olhamos para ele.

Utilizando cartões aos quais se atribuiu a qualidade de mágicos, pois estes possuíam a imagem do pássaro sem cor - que era branco-, e no correr da história, por um truque, o pássaro dos cartões ganhava outras cores, sem a substituição dos cartões, apenas se deslocando a imagem para o lado, o que surpreendeu os alunos, 'Como algo pode mudar de cor assim? Mágica existe?

Trecho cantado da história O pássaro sem cor:

Era uma vez, Um passarinho, Um passarinho sem cor. Todos riam dele e diziam, Se não tem cor não é passarinho

Se não tem cor não é passarinho.

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A conversa que se seguiu após a história:

Professor : O que aconteceu com o pássaro? Alunos : Ele mudou de cor ... Professor : Quantas cores tinha o pássaro no início da história? Alunos : Nenhuma...branca.... Professor : Quantas cores ele tinha no final da história? Alunos : Muitas...vermelho, rosa, verde... Professor : Quando ele descobriu as suas cores? Quando o pássaro mudava de cor? Alunos : Quando ele ajudava os outros. Professor : E o que são as cores? O que é uma cor? Alunos : São os lápis... Vermelho, azul e amarelo...preto...branco Professor : mas as cores estão somente nos lápis? Mas o que é uma cor? Do que é feito uma cor? : De tinta...das cores primárias, vermelho, azul e amarelo...a professora de

Alunos artes nos passou...nós fizemos desenhos com as cores primárias...

Esta ideia, de que as cores eram originadas em três cores primárias, era a mais difundida em sala. Então, o grupo de alunos foi levado até um local com pouca luminosidade, e tornou-se a questionar os alunos: 'E ai, o que são as cores? Vocês conhecem as cores? De onde elas vêm? Ou sabem, quem estudou de onde surgem as cores?' As respostas eram negativas. Percebeu-se um fenômeno semelhante ao que foi descrito por Feynman no qual os alunos detinham respostas prontas que 1 foram aprendidas, mas ao perguntá-los várias vezes as quais fosse possível, o que foi aprendido não era realmente suficiente para saciar as reais necessidades e compreender a realidade, sendo preciso iniciar uma ação preciosa, que pode fornecer e/ou consumir toda uma vida, o pensar.

Apresentou-se à platéia o senhor Isaac Newton, sua história e experiências com a adaptação, 'O diário supersecreto do Isaac, não leia', a partir do livro Isaac Newton e sua maça.

Trecho da história contada:

Era uma vez, Alice, tão bela e formosa...certo dia, deslumbrando a vida, assustou-se com os animais que passavam, e por descuido, caiu da cesta em que estava... Foi pisoteada, esmagada, seus pedaços espalharam-se pelo lugar... Um ser estranho se aproximava dela, estava faminto...era um ser enorme, com aquele bico feroz, suas penas, ...e garras... era um pássaro, um pássaro sem cor, mas que tem muitas cores.... - E nós não sabemos ainda o que são cores... -Quem era Alice?

A maça- disse uma aluna, após uma expressão de angústia...

E o pássaro comeu-a ...Engolindo uma das sementes de Alice...a única semente que restara... ela estava agora em lugar quentinho, mas escuro...ela estava na...

Na barriga do pássaro... - Completou alguém...

Mas sentiu que algo se remexia, o pássaro estava com dor de barriga e precisava expulsar aquela semente...ela foi puxada, empurrada...e foi expulsa lá do alto...caiu...

Vocês sabem por que as coisas caem?

Pela gravidade!!! -Respondeu apressadamente alguém...

E o que é a gravidade? -Não sabia...talvez nem nós saibamos ao certo ainda...

Alice caiu no solo fértil, e ali cresceu, tornou-se uma árvore...

Longe da li, nascia Isaac, um bebê apenas meio litro, com a observação do médico de que a criança não tinha expectativa de vida...Isaac era perseguido, até que decide

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mudar e tornar-se o melhor. Ele fazia-se este tipo de pergunta: O porquê as coisas caem? O porquê existimos? Estava sentado embaixo de...de quem? De uma árvore...da Alice.... E dizem que caiu sobre ele uma Maça...

## Se continuou os questionamentos:

De onde vem à luz? Da lâmpada? Do sol? Quando há luz, vemos as cores, e no escuro vemos algo?

Então as cores dependem da luz e dos nossos olhos? Mas será que as cores desaparecem quando fechamos os olhos? Se a professora de vocês fechar os olhos, 2 e vocês continuarem com eles abertos, as cores irão desaparecer? E se mesmo de olhos abertos, for uma escura noite, continuarão a ver muitas cores?

Com o que enxergamos? Com os olhos ou com o cérebro?

Será que todos enxergam tudo igual? Não. As abelhas enxergam em tons de roxo, os cães e gatos, enxergam as coisas em preto, branco, azul e amarelo. E nós que cores enxergamos? Quais são as cores fundamentais?

As cores vêm da decomposição da luz, querem ver?

Figura 01: Experiência 1 - Decomposição da luz com um prisma, obtendo-se várias cores.

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## Experiência 1: Decompondo a luz:

Fez-se um feixe de luz atravessar um prisma. Dentro do prisma ocorre uma confusão, e a luz que era unida separa-se espalhando-se por todo o lugar em feixes de luzes coloridas.

O efeito de refração da luz pode ser obtido com peças de vidro, plástico ou acrílico que possuam formas tridimensionais independente do formato. Algo parecido pode ser conseguido com cd's e lanternas.

Ao se afastar um pouco a cortina permitindo que entrasse na sala um feixe de luz, e que este atinge-se o prisma, a ciência e o encanto preencheu aquele lugar, as crianças maravilharam-se, pois aquele pedaço de vidro dispersava luz e cores por vários pontos da sala, via-se cores no teto, nas paredes, ao lado das bandeiras, nas roupas dos alunos.

Espetacular foi quando ao deixar um pouco mais de luz passar pelo vão da cortina, permitindo que entrasse na sala um feixe de luz, e que este atingisse o prisma, as crianças maravilharam-se, com aquele pedaço de vidro dispersando luz e cores, viam-se cores no teto, nas paredes, ao lado das bandeiras, nas roupas dos alunos.

Utilizou-se uma grande variedade de materiais postos sobre o feixe de luz, cd's, prismas de diferentes materiais e formas, bolhas de sabão, lentes. Permitindo

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ao sobrepô-los, diversificar os efeitos. Sobrepondo-se os prismas de diferentes formas, obteve-se padrões de projeções que lembravam flores. Misturou-se sabão a água, criando-se muitas bolhas com a mistura e alguns canudinhos. Estas bolhas, colocadas sob o feixe de luz, também tornavam-se coloridas. Aproveitando-se dos materiais, e dos feixes de luz que adentravam a sala, borrifou-se água na direção destes, obtendo-se pequenas gotículas que dispersavam a luz, causando uma confusão de cores, e cheiros - haja vista, que se utilizou para tal, um frasco de perfume. Isaac também tinha o costume de experimentar muitas de suas experiências, e fez-se o mesmo, com a diferença de que ele experimentava as vezes coisas tóxicas, e nós experimentamos apenas as doces cores.

Os alunos se dispuseram no entorno da mesa, sobre a qual se distribuíam lentes, vidros, bolhas, lanternas. Atentamente, os alunos viram despejar um pó aparentemente branco nos frascos, apontou-se a lanterna para eles, e nada de tão especial. Um vidro preenchido por uma gosma verde (gelatina), foi colocado à frente da lanterna, o que propagou uma bela luz verde pela mesa. Acrescentou-se água em nos vidros antes preenchidos com pó, estes em contato com a luz verde, pareciam escuros, e ao mudar-se a disposição dos vidros sobre a mesa, a surpresa, era alaranjado. Depois saboreou-se toda a gelatina com suas cores. E se misturarmos as cores a uma alta velocidade, o que acontece?

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Figuras 02 e 03: Experiência 2 - Experimento realizado com alunos. Decomposição das cores (esquerda) e sobreposição de cores (direita).

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## Experiência 2: Disco de Newton

Para unirmos as cores novamente, colocamo-las 'num' círculo, e giramos, elas acabam sobrepondo-se, originando a cor branca. Para tal, acoplou-se ao disco um 'equipamento' de brinquedos de corda.

## Alguns dos resultados em sala:

Demonstrou-se aos alunos que as cores não se limitam as cores primárias, ou somente ao lápis de cor e tinta, deixando-os apreciar os efeitos da refração e percepção de que as cores são 'coisas' que surgem da 'decomposição' e reflexão da luz sobre os objetos. De que a luz vem do sol que eles sentem todos os dias, e que é uma estrela imensa, assim como aqueles minúsculos pontos que vemos no céu à noite.

Já em sala, e de posse de materiais que remetem a partes do corpo humano, em especial olho, neurônio e cérebro, demonstrou-se os caminhos da luz até a nossa compreensão das imagens.

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Utilizando-se das conversas e curiosidades, e de uma das grandes dádivas humanas, o questionar, demonstrou-se todo um novo universo aos educandos. A atividade que se seguiu foi a de organização das informações obtidas e esquematização destas, para melhor entendimento. Isto se deu pela composição coletiva de um registro na forma de mapa mental (ou conceitual), na qual educandos possuíam uma folha e o professor o quadro, com uma caricatura do Isaac como ponto central, buscando-se organizar as informações, elencando-se palavras e frases chaves lembradas pelos alunos, e associando a estes desenhos, personagens das histórias. Se optou por tal forma de atividade, tendo em vista as dificuldades que se encontra nos alunos na produção e compreensão textual, objetivava o treino da análise, síntese, e esquematização de ideias para uma produção textual mais extensa, considerou-se o fato dos mapas mentais, terem uma forma dinâmica, diferente do convencional e comparável a nossas redes de pensamentos.

Figura 04: Mapa elaborado com os alunos.

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## Afinal de contas por que alfabetização cientifica? Para que ciências?

Segundo Chassot(2000), o objetivo do ensino de ciências nas escolas não se deve à formar cientistas, o desafio, segundo o autor, seria encarar as ciências como uma linguagem que pode propiciar um entendimento mais crítico do mundo pelos alunos e alunas, ampliando a percepção e compreensão de mundo e dos ser humano, para além dos paradigmas estabelecidos de homem, branco, eurocêntrico e infalível. Para tal, sonha-se com seres pensantes que se transformem e sejam multiplicadores das boas mudanças. A ciência é a linguagem com a qual escrevemos uma percepção de realidade, é um meio com o qual interagimos.

Debruça-se sobre questões de ensino e aprendizagem, na tentativa de compreender e sanar defasagens dos educandos acerca de conceitos científicos, e superar limites humanos de preconceitos sobre a dimensão do universo, exercitando a consciência e percepção da necessidade de transformar.

Por vezes o ensino torna-se maçante, ao dedicar-se ao estudo de autores e currículos oficiais, mas nós somos mais parecidos aos milhões de 'heróis' esquecidos do que aos heróis inventados. Quer-se associar a ciência ao cotidiano, torná-la presente na vivência dos educandos. É necessário deixar de ser informador para ser formador.

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Quer-se ciência com o social, ciência sem alguns rótulos, e suja, contaminada e encharcada de realidade. Busca-se voltar aos 'rascunhos', a concepção de que não está acabado, ao reinventar, ao invés de prender-se a verdades absolutas, que não passam de representações da realidade.

## O que é alfabetização científica (AC)?

Em primeiro lugar, devemos ter claro o que nos diz Ático Chassot (2000), , ao referir-se à este como o conjunto de conhecimentos que facilitariam homens e mulheres fazer uma leitura do mundo onde vivem. Objetivando-se formar seres que exerçam a consciência de cidadania, a independência de pensamento e a capacidade crítica. Chassot (2000, p. 97) pondera que os alunos "não só saibam ler melhor o mundo onde estão inseridos, como também, e principalmente, sejam capazes de transformar este mundo para melhor". Subentende-se que alfabetizar cientificamente seja 'tornar' o indivíduo 'humano', haja vista, que ter um corpo biologicamente constituído é necessário para a existência humana, mas não suficiente, pois a humanização (o ser cultural) do corpo constituído somente surgirá das relações sociais e das construções mentais provenientes destas.

- A ciência é uma construção conceitual, sendo muito mais do que a enunciação de princípios e leis naturais, provem da mente que elabora modelos e teorias na tentativa de criar sentido para a realidade. Quando se ensina algo, se faz de forma intencional, e se está compartilhando e comercializando (comprando e adquirindo) ideias, ideias que impregnam na mente, e fazem-nos agir diferente, ideias que determinam -o que e como somos. Não há ensino neutro, apolítico, todo ensino é determinante e obtém impacto, bom ou ruim, sendo necessário educar com reflexão, para que não sejam apenas condicionamentos.
- A significação da Alfabetização cientifica paira basicamente sobre três aspectos: o interesse dos educandos pelas ciências, à interação das ciências com os aspectos sociais dos alunos, e a compreensão científica da vida em um contexto geral. Como argumenta Hurd (1998), se faz necessário um ensino de ciências que envolva a produção e utilização da Ciência na vida do humano, oportunizando mudanças revolucionárias ao se fazer ciência, e se produzir a existência.

As coisas existem independentes de nosso conhecimento, e muito do que compreendemos depende de quão aguçada e 'disposta' é nossa percepção. Desta forma, aprender e ensinar ciência, é um exercício de comparar e refletir acerca de modelos, e não de adquirir saberes pretensamente absolutos e verdadeiros, de pensar possibilidades.

## Considerações finais

A partir da concepção aqui esboçada, busca-se ao questionar os alunos, investigar as formas de pensar os fenômenos que envolvem a realidade e algumas dificuldades presentes no ensino e na aprendizagem destes conceitos, instrumentalizando educandos neste processo. De conversas com alunos e professores, chegou-se a percepção de defasagens escolares e a questões primordiais e curiosas, percebeu-se que realmente os educandos detinham por vezes conceitos decorados e sem real sentido, e que a experimentação lúdica do cientifico não havia sido proporcionada a eles. A partir destas questões, buscou-se

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o embasamento teórico com pesquisas em diversos meios de informação, e dos conceitos básicos, foram criados e adaptados materiais tornando-os lúdicos, chamativos e relevantes. Com esta prática beneficiam-se alunos, e professores, pois pensa-se em instrumentalizar ambos com ideias, conhecimento e materiais.

Percebe-se que muitos fracassos na escola ocorrem pelo fato dos alunos não compreenderem os conceitos básicos, não se discute aqui os culpados, mas não podemos ignorar a realidade de nossos alunos, questiona-se o porquê não aprende-se o básico? Propõem-se outras possibilidades para sanar e evitar esta defasagem, ou seja, dar significado ao ensino de ciências. Não se quer levar fórmulas, nem ao menos formar cientistas, o objetivo é cativar os alunos e apaixona-los pelo conhecimento.

A informação não precisa ser procurada, muitas vezes é ela que de formato atraente infiltra-se no dia a dia dos educandos. O que se pode fazer é instrumentalizar o aluno para que exercite seu pensar e suas construções mentais, e que ao entrar em contato com as informações, saiba analisa-las, significando-as, não apenas copiando-as, evitando viver em uma realidade deformada por qualquer interesse, -e o nosso atual ensino, forma ou deforma? -Precisamos de seres humanos e que sejam leitores de livros, e de mundo, não apenas capazes de perceber uma realidade, inerte em informações e processos de (de)codificação aprendidos, mas que sintam-se encantados com a ciência e a vida, valorizando e refletindo acerca das outras dimensões, dos conceitos e seres que o cercam.

Ensinar e aprender de forma significativa e encantadora em um mundo, preenchido de seres, exige reflexão equiparada a reflexão da luz, pois não é preciso ter um ensino homogêneo, o mundo toma forma e beleza quando a luz se decompõem e nos revela suas diferenças. Quanto mais refletimos, maiores são as chances de percebermos a realidade em que existimos.

## Referências

CHASSOT, Attico. Alfabetização Científica: questões e desafios para a educação . Ijuí: editora Unijuí, 2000.

FEYNMAN, Richard P. Deve ser brincadeira. Imprensa Oficial Sp, 2000.

FURIÓ, C.; VILVHES, A.; GUISASOLA, J.; ROMO, V. Finalidades de La Enseñanza de Lãs Ciências em La Secundaria Obligatoria. Enseñanza de lãs ciências, v. 19, n°3, p. 365-376, 2010.

GIL-PÉREZ, D.; CARVALHO, A.M.P. Formação de professores de Ciências : tendências e inovações. 6 ed. São Paulo: Cortez, 2001.

HURD, P.D. Scientific Literacy: new minds for a changing world, Science Education , v. 82, n. 3, 407-416, 1998.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.