VIVÊNCIAS DE UMA PRIMEIRA APROXIMAÇÃO ESCOLAR DOS ALUNOS DO PGP/PIBID SANTA HELENA NO ENSINO FUNDAMENTAL
Priscila M. S. Machado Teixeira, Silvia Denise Borges Carneiro Santos, Juliane Vieira Silva, Jennyfer Mayra Andrade Silva, Keila Cunha Andrade, Luciano Vaz De Sá, Luiz Gonzaga Roversi Genovese, Marcia Friedrich
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 27/01/2015
- Linha de pesquisa
- Alfabetização Científica E Tecnológica E Abordagem Cts No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## VIVÊNCIAS DE UMA PRIMEIRA APROXIMAÇÃO ESCOLAR DOS ALUNOS DO PGP/PIBID SANTA HELENA NO ENSINO FUNDAMENTAL *
Priscila M. S. Machado Teixeira ‡1 , Silvia Denise Borges Carneiro Santos ‡2 , Juliane Vieira Silva ‡3 , Jennyfer Mayra Andrade Silva ‡4 , Keila Cunha Andrade ‡5 , Luciano Vaz de Sá ‡6 , Luiz Gonzaga Roversi Genovese ‡7 , Marcia Friedrich 8
‡ Universidade Federal de Goiás/Instituto de Física, pris.if@live.com, silviaufg@hotmail.com, 1 2 3 julianevieirasilva@gmail.com, jennyfermayra@hotmail.com, keila.c.andrade@hotmail.com, 4 5 6 luciano.vazsa@bol.com.br, lgenovese@ufg.br 7
8 Escola Municipal Santa Helena, marcia.friedrich@gmail.com
## Resumo
Este trabalho relata as impressões de uma primeira aproximação dos alunos estagiários e/ou bolsistas do Grande Grupo de Pesquisa/Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (GGP/PIBID) de Física em uma Escola Pública de Ensino Fundamental. Os estagiários e/ou bolsistas relatam suas experiências e expectativas em relação ao primeiro contato com os alunos do Ciclo II (4º, 5º e 6º anos), ao adentrarem em aulas de Matemática acompanhados da professora supervisora, titular do componente curricular. O relato traz considerações significativas, do ponto de vista desses licenciandos, sobre este momento de formação inicial, a saber, a construção de seus Projetos de Investigação Simplificado (PIS) que é feito no Pequeno Grupo de Pesquisa (PGP) daquela escola. Pequeno Grupo de Pesquisa que tem como foco de estudo a alfabetização científica e matemática dos alunos do Ensino Fundamental, a formação de professores e inserção da pesquisa no Ensino Fundamental como forma de abordagem didático-pedagógica que articula a arte e conteúdos de geometria. Foco constituído e materializado no Projeto de Investigação Coletivo (PIC) da professora supervisora. Por fim, tal contexto proporcionou aos estagiários e/ou bolsistas troca de experiências entre eles e deles com o professor supervisor, a interação deles com os alunos do Ensino Fundamental e a aproximação dos agrupamentos da escola com o professor supervisor, a partir de um planejamento prévio.
Palavras-chave : Alfabetização cientifica e matemática; Estágio; Formação de Professores de Física.
## Considerações iniciais
O papel fundamental da educação no desenvolvimento das pessoas e da sociedade amplia-se ainda mais no despertar do novo milênio e aponta para a necessidade de se construir uma escola voltada para a formação de cidadãos (BRASIL, 1997). Tarefa nada fácil para os professores considerando a dificuldade em conciliar suas demandas sociais, acadêmicas, legais e, pessoais. Não por acaso, o papel do professor, seja de física ou não, está sendo questionado e, de certa forma, redefinido em todos os âmbitos educacionais.
Diante desse cenário complexo de formação foi constituído um Pequeno Grupo de Pesquisa (PGP) em uma Escola Municipal de Ensino Fundamental em Goiânia/GO que, com outros cinco, compõem o Grande Grupo de Pesquisa-
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GGP/PIBID-Física. Em uma primeira aproximação, esse grupo procura compreender e atuar sobre tal cenário via a formação dos envolvidos, a saber, estagiários e/ou bolsistas do PIBIB-Física, professor supervisor da escola e professores das disciplinas integradoras (GENOVESE; GENOVESE, 2012) de um curso de licenciatura em física de uma universidade federal do estado de Goiás. O PGP Santa Helena trabalha na perspectiva da alfabetização científico-tecnológica dos alunos da escola de maneira interdisciplinar e contextualizada.
E, nesse sentido, o presente trabalho relata de forma sistemática o movimento de inserção e ambientalização dos estagiários e/ou bolsistas do Curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de Goiás (UFG), que compõem o Pequeno Grupo de Pesquisa (PGP/PIBID Santa Helena), com a escola pública de ensino fundamental e os alunos dos agrupamentos D, E e F do Ciclo II (GOIÂNIA, † 2012), cujas idades variam de 9 a 12 anos.
A primeira aproximação com os alunos foi possível a partir de Projetos de Investigação Simplificado (PIS) dos estagiários integrantes e o Projeto de Investigação Coletivo do professor (PIC) que propõem a participação dos Estagiários do Curso de Licenciatura em Física dentro do campo escolar (GENOVEZ, 2008), promovendo uma troca de conhecimentos entre universidade e escola. Essa aproximação aconteceu nas aulas de Matemática onde os estagiários puderam interagir com os alunos auxiliando-os em suas atividades.
A intervenção foi cuidadosamente planejada em reuniões semanais do PGP. Os alunos adentraram para a 'ambientalização' juntamente com a professora supervisora que é titular da escola no componente curricular Matemática. Foi planejada uma atividade que previa atividade prática de dobradura envolvendo conceitos matemáticos. Cada aluno estagiário após a intervenção relatou sua experiência em relatório individual escrito e enviado para a sistematização, que será descrita a seguir.
## Olhares e diálogos de uma primeira aproximação
O PGP Santa Helena se desenvolve desde 2011 quando da entrada na escola de um estagiário, do curso de Licenciatura em Física da UFG, interessado em trabalhar os fenômenos físicos para os alunos do Ensino Fundamental primeira fase (LEANDRO et al, 2013). Perpassou pelo ano de 2012 e 2013 realizando um diálogo de professores de áreas diversas entre elas, Pedagogos, Matemáticos, Físicos, Professores de Português, Educação Física e Inglês. Várias atividades foram realizadas, até a culminância em uma Mostra Cientifica. No ano de 2014, avançando à relação entre a escola e a universidade, o PGP promoveu a chegada de novos estagiários e/ou bolsistas do GGP-PIBID-Física. Os trabalhos iniciaram em fevereiro de 2014, após várias reuniões e seleção de supervisores e alunos pibidianos. Em abril os professores supervisores apresentaram seus Projetos de Investigação Coletivo (PIC) no Grande Grupo de Pesquisa (GGP) no Instituto de Física da UFG. A partir deste momento os estagiários e/ou bolsistas do GGP-PIBIDFísica se dirigiram ao PGP com o qual estabeleceu maior afinidade. Afinidade no sentido de que os anseios do estagiário e/ou bolsista, previamente sistematizado no seu Projeto de Investigação Simplificado (PIS), tivessem correspondência com à
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temática e as preocupações do PIC do professor supervisor e do PGP (GENOVESE; GENOVESE, 2012).
O PGP/PIBID Santa Helena conta com seis estagiários, dos quais quatro fazem parte do PIBID, e uma professora supervisora. Trata-se de uma Escola Municipal de Ensino Fundamental primeira fase, sendo o tema do PIC e, portanto, do PGP a 'Alfabetização Científica e Matemática: Pesquisa, Formação de Professores e Produção de Conhecimento no Ensino Fundamental' (FRIEDRICH, 2014).
Durante o primeiro semestre ocorreram reuniões semanais para a orientação e elaboração dos Projetos de Intervenção Simplificado (PIS) dos alunos. Após várias reuniões em grupo com o PGP e discussões sobre propostas de trabalho, foi decidido pelo grupo que o mesmo faria uma primeira aproximação, ou melhor, a ambientalização dos estagiários e/ou bolsistas junto aos alunos da escola na sala de aula. Foram distribuídas as salas e as datas em que cada estagiário e/ou bolsista deveria comparecer para adentrar na sala de aula juntamente com a professora supervisora que é professora de Matemática da escola. O movimento foi realizado como uma primeira aproximação com alunos dos agrupamentos D, E e F . As aulas foram ministradas pela professora supervisora e os estagiários auxiliaram. O intuito era promover e estabelecer vínculo afetivo entre os estagiários e/ou bolsistas com os alunos dos agrupamentos e, portanto, diminuir a tensão e ansiedade de todos os envolvidos. Processo denominado pela professora supervisora de 'ambientalização'.
No encontro o tema abordado foi à geometria e as dobraduras. No trabalho estavam presentes os conceitos da geometria, a começar pelo ponto, reta, plano até chegar a figuras geométricas. O objetivo da aula era a apresentação do conteúdo e à medida que se explicava uma figura geométrica era exemplificado com uma dobradura. A partir das dobraduras foi possível construir um ambiente de diálogo com os alunos que possibilitou a exploração das figuras geométricas, de maneira a construir uma rosácea e um cubo.
A partir das intervenções os alunos estagiários realizaram relatos que indicam que as vivências dos mesmos estão, em certa medida, em consonância com a Proposta Curricular para o Ensino de Ciências da Rede Municipal de Goiânia (1992), e apontam que o professor tem o papel de orientar no desenvolvimento de habilidades intelectuais e práticas, visando à busca pelo conhecimento e a crítica fundamentada, a percepção de problemas concretos e a busca de soluções para os mesmos possibilitando a intervenção do aluno em seu cotidiano.
A aluna P relata que 'no agrupamento E foi possível observar uma grande participação dos alunos em relação às perguntas da professora. Por meio da participação dos alunos na construção da explicação dos conceitos geométricos foi possível observar nas falas dos alunos sinais de habilidades processuais (WARD, 2010) . Habilidades tais como classificação, comparação. Os alunos compararam o quadrado com o 'perequinho' (tipo de pipa), o losango com a 'pipa', diferenciaram o quadrado do retângulo, pois segundo os alunos 'os tamanhos são diferentes'. No agrupamento D houve boa participação dos alunos, mas devido às dificuldades de compreenderem de maneira mais abstrata foi abordado de maneira geral a parte lúdica da montagem da rosácea, e trabalhado apenas a parte geométrica sem aprofundamento dos conceitos. E, por fim, no agrupamento F . houve dificuldades ao captar a atenção dos alunos. Boa parte estava dispersa e desmotivada. Não demonstraram tantas habilidades de comparação e classificação quanto aos demais agrupamentos, porém, deve-se levar em consideração fatores externos como
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'horário', pois a aula foi ministrada no último horário e não foi possível haver uma boa explanação do conteúdo por parte da professora supervisora'.
À medida que a aluna P relata as observações sobre possíveis sinais de habilidades, entende-se a importância educativa das ciências para as crianças de maneira amplamente reconhecida. Halen ( apud , VARELA e MARTINS, 2007) aponta algumas destas razões: contribuir para que as crianças compreendam o mundo que as rodeia; desenvolver formas de descobrir, comprovar ideias e utilizar as evidências; desenvolver ideias encorajando-as a serem capazes de construir suas próprias explicações causais auxiliando na aprendizagem posterior de ciências; gerar atitudes mais positivas e conscientes sobre a ciência, enquanto atividade humana.
A aluna S, por sua vez, sinalizou que: 'Na primeira turma que entramos apesar de alunos muito agitados a aula foi tranquila, todos estavam muito interessados em fazer a rosa para dar de presente para sua mãe. O que mais marcou neste dia foi na sala seguinte, uma menina revoltada com a mãe dizendo que a mãe não merecia que ela lhe fizesse uma lembrança de presente. A professora com muita calma lhe explicou algumas coisas sobre a vida, e pediu que a menina repensasse nas atitudes que estava tomando e que conversasse com a mãe, para resolver a situação. Outra coisa interessante foi um aluno em uma aula anterior quando estava dobrando o papel falou de tal 'perequinho' que parece que uma raia ou pipa, mas não deu para entrarmos em detalhe, pois a aula terminou'.
Tal relato indica que um dos papéis da escola é o desenvolvimento integral da criança em suas competências. À medida que se evidencia a relação professoraluno-conhecimento, salienta-se as dimensões afetivas, relacionadas as expectativas de cada aluno que estão diretamente relacionadas a sentimentos de paixão, medo. As dimensões de ordem pedagógica estão relacionadas aos recursos didáticos, referentes às estratégias de problematização que o professor cria a fim de proporcionar um ambiente facilitador de aprendizado para o aluno (CARVALHO, et al, 2014). A aluna segue dizendo que:
' a terceira turma foi a mais surpreendente, o agrupamento D, turma 2. Os mais novos foram os mais receptivos e carinhosos, pareciam ansiosos pela presença dos estagiários', diz a estagiária e bolsista 'J' Dando continuidade, ela . afirma: 'esta foi a turma que mais precisou de ser chamada a atenção e a que mais necessitava de ajuda. Inclusive uma das garotinhas queria que eu a fizesse para ela, e quando questionada o porquê ela mesma fazia, afinal, eu também deveria ajudar seus colegas, dizia que só precisava que eu ficasse perto. Fiquei também observando um dos garotos, parecia ser mais velho (maior), e enquanto passava pela sala e ajudava os pequenos a cortar os papeis, ele já estava bem adiantado e ficava esperando os próximos passos. O aluno tido como mais 'tinhoso' da turma foi exatamente o mais carinhoso, me dando boas vindas e abraçando quando a aula acabava, apesar de também ter incitado bagunça durante a atividade. A última turma mesmo com a presença da estagiária não demonstrava interesse ou curiosidade além de saber quem era e por que estava lá. A aula decorreu de forma tranquila, e faziam a atividade por fazer'.
Este relato indica o quanto a inserção do estagiário na escola e na sala de aula aproxima o mesmo da ação pedagógica que, segundo Pimenta (2011, p. 42), 'são as atividades que os professores realizam no coletivo escolar supondo o desenvolvimento de certas atividades, materiais orientadas e estruturadas'.
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A aluna J fez ainda outro relato: 'Como se esperava, a primeira turma, foi o agrupamento F2, correspondente ao sexto ano da organização seriada. Dentro desta turma, a realização foi bastante tranquila e o que mais surpreendeu foi a participação, apesar do pouco barulho e desordem. Notou-se que as crianças demonstram querer realizar a atividade, e buscaram a ajuda da estagiária perguntando e pedindo ajuda principalmente na medida dos lados para ficar 'certinho'. A segunda turma foi a turma E1, que apresentou no meio da intervenção um brinquedo chamado 'perequinho', que, segundo eles, é um papel dobrado no meio duas vezes que voa, como uma pipa. Notei a capacidade de fazer ligação entre essa atividade e imaginar as brincadeiras que aquele simples papel dobrado pode trazer. Uma das garotas me deixou muito animada, por que quando era explicado e dado os passos, apesar de toda a dificuldade para fazer a dobradura ou entender o que era o quadrado e porque fazia daquele jeito para ter os lados iguais, não deixava de fazer, atitude oposta a uma outra garota que não queria fazer e nem ao menos tentava, dizendo que não tinha porque fazer por ter problemas com a mãe. Fiquei também observando uma das garotas do fundo que fazia e ficava observando os outros que ainda não tinham conseguido '.
Mediante uma perspectiva construtiva há uma grande preocupação por parte do professor em considerar os conhecimentos prévios dos alunos, pois são estas ideias espontâneas ou já adquiridas que promovem condições para a construção do conhecimento. A solução do problema deve levar a explicação do contexto mostrando aos alunos que Ciências não é a natureza, mas leva a uma explicação da natureza (CARVALHO, et al , 2014). Nesse processo de interação social entre aluno e professor deve-se levar ambos à uma argumentação e alfabetização científica (SASSERON E CARVALHO, 2011).
É perceptível nos relatos acima esse apontamento, quando os alunos citam o 'perequinho' e a associação entre o conhecimento mediado na sala de aula e o conhecimento do seu contexto cultural. As ideias espontâneas influenciam o movimento do aluno em direção ao conhecimento cientifico. Entendimento que os estagiários sinalizaram nos relatos e foram discutidos no PGP. E mais. Foi também sinalizado que o afetivo atua sobremaneira no envolvimento dos alunos nas atividades, como também o enfrentamento das ideias espontâneas.
A aluna K relatou o seguinte: 'Fomos para a sala de aula com a Supervisora, o tema abordado foi Geometria, com o objetivo de levar o aluno a compreender a linguagem geométrica como forma de perceber, representar e distinguir o plano e o espaço. A professora inicia a aula definindo um retângulo através de uma folha de papel ofício, e com essa folha ela faz dobraduras, distinguindo todas as formas geométricas até alcançar o formato de um Losango, cujo objetivo era a construção de uma rosácea, para os alunos presentear as mães no Dia das Mães. A estratégia didática utilizada pela professora foi muito criativa e esclarecedora. A aula prendeu a atenção dos alunos e foi possível observar o interesse e o aprendizado dos mesmos. Nós auxiliamos os alunos na construção do objeto em questão, mas a maioria, só com a explicação da professora conseguiu fazer. A participação na sala se aula, para mim deixou evidente que podemos adquirir aprendizado junto aos alunos, ao invés de só reuniões discutindo metodologias dissociadas dos anseios dos alunos '.
A aluna J afirmou que: 'Em relação aos planejamentos, a partir do momento em que saímos das salas e nos reunimos para analisar o que foi feito, percebemos que algo que podemos contar é a participação dos pequenos. Então contando com isso (essa participação) fizemos o planejamento da pesquisa e das intervenções
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visando usar a receptividade e tendo em conta a capacidade dessas crianças para proporcionar-lhes os desafios dos jogos e brincadeiras na construção do conhecimento abordado nestas e, posteriormente, articulá-los aos conteúdos de Física'.
- A fala das alunas retrata a importância do planejamento das ações e a metodologia trabalhada. Esta vai ao encontro da posição de Genovese e Genovese (2012) quando ressaltam que:
- [...] as metodologias tem como pano de fundo suas respectivas perspectivas de ensino, servem para que o estagiário consiga observar, problematizar, estudar e analisar a prática docente, tanto do professor supervisor - que é professor regente das turmas onde ocorre o estágio - , como as dimensões associadas a sua própria prática (ciclos de planejamento, elaboração, execução e analise do plano de aula implementado em sala de aula) enquanto futuro professor em formação, durante a intervenção na escola campo (GENOVESE E GENOVESE, 2012, p. 171).
A estagiária K segue dizendo em seu depoimento que: 'O ensinoaprendizagem caminha a passos lentos devido a competitividade que há entre colegas e profissionais. O trabalho coletivo existe, mas são poucos os que sabem seu significado real. Digo isso, porque posso sentir na escola a falta de união, não há interesse entre os colegas uma cumplicidade em alcançar o objetivo que nos mostra essa profissão, que é um ensino-aprendizagem que realmente venha sanar as dificuldades dos discentes, ou seja, motivá-los a um conhecimento científico. Pude notar o esforço e o interesse da Supervisora em nos ajudar a aprender como transmite o conhecimento, mas pelo que pude perceber, seu tempo é pouco, mas ela trabalha com vigor para nos auxiliar. Para mim esse dia em que tivemos a oportunidade de auxiliá-la na sala de aula, foi o dia mais produtivo desde o início do estágio'.
Nessa fala é possível perceber a concepção tradicional de ensino que ainda perpassa os espaços acadêmicos e escolares. Este que, ao longo da trajetória humana objetivou perpetuar os conhecimentos e valores de uma sociedade (GENOVESE e GENOVESE, 2012, p. 173).
Ressalta-se a importância da universidade e do professor supervisor no estabelecimento do diálogo necessário para a construção do planejamento do aluno estagiário. Para Pimenta (2011) a existência de grupos de estudos e de equipes abrem caminhos para a realização de um trabalho conjunto. Igualmente Genovese e Genovese (2012) ressaltam que 'a partir das análises oriundas das observações, o estagiário poderá construir um olhar crítico sobre a prática do professor supervisor fornecendo-lhe elementos para elaborar um projeto de intervenção' (p. 171-172), ou revisitar o projeto no sentido de aproximar aos anseios dos estagiários.
## Caminhos e expectativas: interação de saberes
Em especial a realidade na qual está o profissional da Educação em Ciências e Matemática, ou seja, anos iniciais do EF, uma escola da Rede Municipal de Goiânia (RME), cujo espaço está sendo desenvolvido o presente projeto, se abre como um lócus de alfabetização científica e formação profissional em contexto.
- A alfabetização científica e matemática, associada à formação dos profissionais envolvidos no projeto são a maior parte da expectativa e dos desafios do projeto. Demanda que vem ao encontro de anos de trabalho em escolas públicas
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de Ensino Fundamental, onde se percebe segmentos separados em conteúdos 'engavetados'. Por isso, a necessidade da interconexão entre os profissionais e consequentemente a interdisciplinaridade são fundamentais para a formação do cidadão que está estampada em Projetos Políticos Pedagógicos fragmentados.
A aluna S ressalta ainda que: 'a inteligência vai se construindo a partir da interação entre o sujeito e as circunstancias do meio social. Um dos fatores essenciais à construção do conhecimento é a vida em sociedade e, para aprender a pensar socialmente, são imprescindíveis a orientação do professor e o contato com outras crianças. Pensando neste contato não são só as crianças que aprendem, nós estagiários aprendemos muito com as crianças. Percebi também que nós, estagiários, não devemos estar preparados só para dar aula, mas para consolar, ajudar, conversar, dar um conselho, ouvir, por que vamos encontrar muitas adversidades.
A aluna J diz que: 'A partir da experiência proporcionada mudaram-se as perspectivas de como imaginava trabalhar nas intervenções e também os objetivos. Se incluem agora as necessidades dos alunos e as limitações percebidas nesse primeiro contato, e com essa ambientalização proporcionada nas aulas da Professora de matemática, além de percebemos melhor o ambiente da escola, percebemos as capacidades desses alunos. Percebemos como muito importante nos familiarizarmos com os alunos e eles nos ver como parte da escola'.
Nesse sentido, a inserção dos estagiários do curso de Licenciatura em Física é fundamental para o desenvolvimento dessa comunidade escolar, ora denominada campo escolar (GENOVEZ, 2008). De campos dicotomizados pela comunidade científica, surge uma 'contracultura' (BOURDIEU, 1979) onde os sujeitos envolvidos interagem naturalmente. Uns em formação inicial (buscando a profissionalização), outros em exercício da função (atuantes demonstrando profissionalismo nas suas ações de formação) e enfim, algo que se amalgama na formação de ambos apontando para a identidade profissional (BRZEZINSKI, 2011). O que se coloca aqui vai ao encontro do que Bourdieu (1979) afirma:
De um modo mais geral, acho que uma verdadeira contracultura deveria oferecer armas contra as formas suaves da dominação, contra as formas avançadas de mobilização, contra a violência suave dos novos ideólogos profissionais que frequentemente se apoiam numa espécie de racionalização semi-científica da ideologia dominante, contra os usos políticos da ciência, da autoridade da ciência, ciência física ou ciência econômica, sem falar da biologia ou da sócio-biologia dos racismos avançados, isto é, altamente eufemizados (BOUDIEU, 1979, p. 4).
Segue-se ainda outra linha de atuação onde sobressai a pesquisa e produção do conhecimento científico que deságua no sujeito principal do processo que é o educando. Tanto os estagiários, como o profissional da educação que já está na profissão, buscam formar-se e constituírem-se profissionais da educação reflexivos da sua própria prática.
Nesse sentido fica clara a importância da relação das instâncias envolvidas no estágio.
## Considerações Finais
A aproximação intencionalizada e simétrica entre a escola e a universidade cria oportunidades. A forma colaborativa com que os agentes do PGP atuam abre possibilidades de aprendizado para ambos, estagiários e professor supervisor. Por
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um lado os estagiários têm acesso a vivências e à cultura do campo escolar, por outro, formação continuada do professor supervisor.
De acordo com Longhini (2008), Ramos e Rosa (2008), um processo de formação coerente e adequado, além de atuar sobre as concepções dos docentes, pode favorecer a aprendizagem dos conteúdos específicos de ciências, de modo a reduzir o sentimento de incapacidade ou insegurança do professor para a realização de um trabalho dinâmico, interdisciplinar e aberto às propostas de inovação em sala de aula.
Neste trabalho foi apresentada uma aproximação escola-universidade, onde estagiários puderam conhecer e se ambientalizarem com a cultura escolar. Nessa troca de culturas em conjunto com a professora supervisora houve uma participação ativa das realidades do campo escolar provocando um exercício de autonomia do pensamento crítico refletindo numa formação em contexto à formação de futuros professores.
## Referências
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BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, MEC/SEF, 1997.
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CARVALHO, A. M. P.; OLIVEIRA, C. M. A.; SASSERON. L. H. ; SEDANO, L.; SILVA,.B; CAPECCHI, M. V.C.M; ABIB, M. L. V. S.; BRICCIA, V. Ensino de ciências por investigação: Condições para implantação em sala de aula, 2014, Cengage Learning Edições Ltda.
DI SANTO, Joana Maria R. Centro de Referência Educacional - Consultoria e Assessoria em Educação. Disponível em: Acesso em outubro/2007.
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GENOVEZ, L. G. Homo magister: conhecimento e reconhecimento de uma professora de ciências pelo campo escolar. 2008. 228 f. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências) Faculdade de Ciências, UNESP, Bauru, 2008.
GOIÂNIA. Escola para o século XXI: Programa mínimo de ciências, 1ª a 8 série. Secretária Municipal de Educação, 1992
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