DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES ENTRE FÍSICA E ARTES: O SOM E A ESCUTA DO ENTORNO ESCOLAR
Julio Moreira, Max Morais, Glória Queiroz
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 27/01/2015
- Linha de pesquisa
- Alfabetização Científica E Tecnológica E Abordagem Cts No Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES ENTRE FÍSICA E ARTES: O SOM E A ESCUTA DO ENTORNO ESCOLAR
## Julio Moreira , Max Morais , Glória Queiroz 1 2 3
## Resumo
Este artigo tem por objetivo relatar o projeto interdisciplinar 'Diálogos interdisciplinares entre física e artes: o som e a escuta do entorno ao cinema', desenvolvido numa parceria entre alunos da UERJ dos cursos de Licenciatura em Física e o de Licenciatura em Artes Visuais, tendo por motivação inicial despertar o interesse dos alunos nas aulas de Física, de Ciências e de Artes dos Ensinos Médio e Fundamental e do Programa de Educação de Jovens e Adultos (PEJA) de uma escola pública, a partir da escuta do entorno escolar como disparador de questionamentos sociais. A interação entre Física e Artes visava à inserção de temas curriculares com abordagem CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) que atravessassem as experiências dos alunos no seu território de convívio, buscando a ampliação de seu conhecimento por meio da Ciência e da Arte. Uma proposta de formação para a cidadania, ou seja, a formação de um aluno capaz de atuar na tomada de decisões sociais, apropriando-se, quando necessário, de conhecimentos científicos e tecnológicos atuais.
Palavras-chave : Abordagem CTS, Projetos, Ensino de Ciências, Ensino de Física, Ensino de Artes e Interdisciplinaridade.
## Introdução
A contar da década de sessenta do século XX, currículos de ensino de ciências com ênfase em CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) vêm sendo desenvolvidos com uma abordagem cujo objetivo central está em educar os alunos para a prática da cidadania, apropriando-se do mundo cotidiano e estabelecendo contatos com outros mundos, tecnológicos e científicos, para aproximação da teoria e da prática. Hoje vivemos tão imersos na ciência e na tecnologia que já podemos , pensar nas aulas, desde a escola básica, por meio dos recursos tecnológicos de que dispomos. Dessa forma, este artigo relata uma experiência didática com a aproximação crítica e plural das relações entre os conceitos de CTS e os de interdisciplinaridade.
A ideia de interdisciplinaridade encontra-se em constante construção, ou seja, toda discussão sobre o tema é passível de análise e reconceitualização. Nas análises à luz das ideias de Olga Pombo (2003) sobre um ensino interdisciplinar, o currículo escolar é trabalhado pelo professor enquanto teoria (campo cognitivo) (re)vista pela prática (campo sensível) em sua potência de transformar os pressupostos teóricos adotados. Tendo as práticas e as teorias de ensino de
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diferentes disciplinas a confluir possibilidades de uma nova linguagem, partilhada e plural em suas vozes.
- O trabalho, aqui apresentado, consiste em um projeto pedagógico que, levado a uma escola publica do Rio de Janeiro, visa à interdisciplinaridade entre Física e Artes no desenvolvimento de formas diferentes de provocar o aprendizado dos alunos sobre os conhecimentos, que abarcam o cotidiano dentro e fora da escola, ajudando-lhes a construir as suas subjetividades. Nesse sentido, esse projeto enfatiza o estabelecimento, na prática cotidiana da sala de aula, de uma escuta múltipla entre educador e educando ao entorno, propondo o ato de escutar como reconhecimento do outro, como processo minimizador das violências que ocorrem na sociedade e que refletem na relação interescolar.
Campos supostamente opostos e afastados foram unidos na escola pela interdisciplinaridade, como proposta por parte dos licenciandos. A atividade em sala de aula dos alunos foi apresentada em evento na 3°CRE - Coordenadoria Regional de Educação do Município do Rio de Janeiro. Assim, no presente trabalho, referenciais teóricos de CTS e de Artes são trazidos para categorizar diferentes comportamentos do processo de escuta e audição vivenciado pelos alunos.
## Referencial Teórico
A educação CTS tem por intuito fomentar no indivíduo a compreensão dos conhecimentos científicos e tecnológicos, para que ele possa investigar sua realidade e as influências destes na construção ética na sociedade, tornando-o apto à tomada de decisões partindo do pensamento crítico (AIKENHEAD, 1987; YAGER, 1990). Conforme Santos e Mortimer (2000), os argumentos para abordagens CTS identificam, assim, três objetivos gerais: (1) aquisição de conhecimentos, (2) utilização de habilidades e (3) desenvolvimento de valores (BYBEE, 1987).
Um currículo pautado nas diretrizes do CTS, segundo Auler (2007), apresenta saberes e vivências dos alunos integrados ao conteúdo curricular. Tendo a contextualização do currículo como primordial para a formação de cidadãos com consciência científica e tecnológica capazes de participar ativamente na tomada de decisões sociais. Neste caso, tanto Décio Auler (2007) como Michael F. D. Young (2011) têm preocupações quanto à qualidade do ensino do professor em sala. O primeiro acredita que transversalidade e cunho social são os caminhos ideais para a formação dos cidadãos; o segundo, entretanto, afirma que o ideal é fazer um currículo a partir de conceitos científicos, que constituam um conhecimento que deve ser acessível a todos.
- O termo CTS, para Oliveira e Queiroz (2013), possui o potencial de agregar discussões sobre política, inovação e ambiente. Tendo a interpelação de uma abordagem da Arte, ligada ao CTS (CTS-ARTE), não como agente motivador de produção, mas enquanto campo sensível disparador de questionamento político, social, ambiental e emancipador, o qual permite o diálogo entre as diversas formações culturais.
- A importância da utilização de projetos para abordar temas a partir da interdisciplinaridade
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A interdisciplinaridade é um eixo que é entendido como um modo de atuar em sala de aula, onde se parte de um tema que permita abordagens das mais diversas disciplinas. Pombo (1993) defende que a interdisciplinaridade não surge como mais uma proposta pedagógica concebida e elaborada totalmente no exterior da escola e, posteriormente, veiculada junto aos professores sem sua autonomia. Pelo contrário, afirma que, cada vez mais, parte dos professores a iniciativa de desenvolver projetos coletivos ou individuais de caráter interdisciplinar. Em virtude disso, a autora considera ser urgente (re) pensar, não apenas o ensino das ciências, mas o ensino em geral, e retomar o sentido de unidade, de confluência das diversas formas de conhecimento e atividade humanas - impedir o empobrecimento cultural, advindo da fragmentação do mundo. Dessa forma, a importância interdisciplinar se dá na busca de maior interação entre discente e docente, por abarcar a experiência e o convívio desse grupo com o seu entorno.
Para Hernandez (1998), a função principal do projeto é possibilitar aos alunos o desenvolvimento de estratégias globalizadoras de organização dos conhecimentos escolares, mediante o tratamento da informação.
Barthes (1990), partindo de considerações de que 'ouvir é um fenômeno fisiológico; escutar é um acto psicológico' (p. 201-2) enfatiza modos de escuta que procedem do ouvir. Ou seja, a construção cultural e territorial do indivíduo acontece no reconhecimento de sua escuta, no seu entorno, a criar significações sociais e psicológicas, e não em capacidade fisiológica de ouvir. Dessa forma, Barbosa (2000) considera o componente sonoro nas obras audiovisuais como influenciador para o ouvido criar escutas que interajam num ambiente de produção de sentidos, influenciando na leitura da imagem, como exemplo, o cinema.
## Metodologia
O projeto 'Diálogos interdisciplinares entre Física e Artes: o som e a escuta do entorno ao cinema' foi levado, pelos licenciandos de Física e de Artes, à Escola Municipal República de El Salvador, localizada no bairro Piedade. Sendo apenas duas turmas contempladas: uma de 7° ano e outra de PEJA II, com faixas etárias de 12 a 14 e de 17 a 60 anos, respectivamente. Assim, foram realizadas as seguintes atividades sequenciais, num total de 4 tempos letivos de 50 minutos cada: 1) vídeodebate sobre o filme Psicose (HITCHCOCK, 1960); 2) atividade didática de identificação de sons de instrumentos musicais e produzidos por objetos em atrito, seguida por escrita identificando a imagem relacionada ao som ouvido; 3) atividade didática sobre ondas sonoras e produção de imagem na Física relacionando com atividade didática sobre os tipos de escuta e tipos de som em Artes; 4) atividade didática de 'cartografia da escuta do ambiente sonoro do entorno escolar que chega à sala de aula'.
Para a apresentação do projeto os alunos assistiram ao filme Psicose (1960) em preto e branco, de Alfred Hitchcock. Escolhido em virtude dos seus , efeitos sonoros, para associá-los aos tipos de escuta, vistos posteriormente nas atividades didáticas em sala de aula, realizando, assim, um debate profícuo com os alunos.
A segunda atividade consistiu na identificação de sons gravados por meio de áudio, tendo sido ouvidos pelos alunos sons de 5 objetos em atrito e de 5 instrumentos musicais: no primeiro momento, os alunos ouviam os sons e
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descreviam por escrito aquilo que mais se aproximava do objeto ou instrumento em questão. Isso foi proposto com o intuito de fazer com que os alunos, por um momento, parassem e utilizassem a escuta para significação do som.
A terceira etapa foi relacionar essas atividades ao embasamento teórico e interdisciplinar de física e de artes, aplicando conceitos como sintetizado no resumo e nas figuras 01 e 02 a seguir.
Apresentamos, a seguir, um breve resumo dos conceitos apresentados aos alunos, tanto de Física quanto de Artes.
## O Som e a Imagem na Ciência; Acústica e Óptica: FÍSICA
A ONDA MECÂNICA é a propagação da energia através de partículas de um meio material, sem que essas partículas sejam transportadas, ocorrendo apenas sua oscilação em série. Nesse contexto, corpos, quando colocados em vibração, produzem SOM ; essa vibração se transfere no ar de molécula a molécula, agitandoas em torno de seu ponto de equilíbrio, até alcançar nossos ouvidos. O som tem como principais características: intensidade, timbre e altura.
A INTENSIDADE é uma característica do som que está relacionada à energia de vibração da fonte que emite as ondas. A ALTURA é uma característica do som que nos permite classificá-lo em grave ou agudo. Geralmente os homens têm voz mais grave e as mulheres voz mais aguda, ou seja, voz grossa e fina, respectivamente. Essa propriedade do som é caracterizada pela FREQUÊNCIA da onda sonora. O TIMBRE é a característica sonora que permite distinguir sons de mesma frequência e mesma intensidade, desde que as ondas sonoras correspondentes a esses sons sejam diferentes, emitidas, por exemplo, por instrumentos musicais diferentes. A DURAÇÃO é o tempo de produção do som, e pode ser longa ou curta.
Figura 01: Módulos de frequência e percepções. Disponíveis em: <http://sociedaderacionalista.org> e <http://fisicamoderna.blog.uol.com.br/>
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Figura 02: A música e a imagem (esta imagem foi idealizada pelos autores)
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## O Som e a Escuta no Cinema: ARTES
## Numa perspectiva das Artes - Percebendo o SOM
Classificação dos elementos sonoros no cinema, de acordo com Álvaro Barbosa (2000): SONS DIEGÉTICOS - sonoridades objetivas; o som que os personagens conseguem perceber em cena (carros numa cidade, o ruído de uma multidão, etc.); SONS NÃO DIEGÉTICOS - sonoridades subjetivas; o som que os personagens não conseguem perceber, mas que tem papel importante na compreensão das cenas (voz do narrador, etc.); SONS META DIEGÉTICOS -sonoridades subjetivas; som do imaginário de uma personagem quando ela está
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com o espírito alterado.
## A ESCUTA
A partir de Rolland Barthes (1990), é possível salientar três tipos de escuta dos sons: CAUSAL - refere-se ao estar alerta, tal como o animal que suspeita de sons estranhos e procura indícios; SEMÂNTICA - procura pela decifração dos fatos, pelo significado; FÍLMICA - o sujeito é imerso em vários sons, transferência que ocorre nas cenas do filme. Por exemplo, ao pararmos para observar um filme, entramos num universo onde os sons são criados a produzir outra forma de escuta.
Por fim, fizemos uma atividade didática de Cartografia da escuta do ambiente sonoro do entorno escolar, a partir da percepção e de escuta dos sons ouvidos na sala de aula. Percebendo os arredores da escola, identificou-se e registrou-se, numa planta baixa da sala, a provável origem do som em relação á posição dos alunos dentro do espaço de aula. Para realização da atividade, os alunos foram divididos em grupos, tendo o PEJA II quatro grupos e o 7° ano seis grupos, a utilizar papel 40kg, canetinhas coloridas, régua, recortes de papel colorido em formas geométricas - para que trabalhássemos a noção de espaço a fim de que os alunos melhor se localizassem a encontrar a origem do som.
## Análise de dados
O procedimento de pesquisa utilizado neste trabalho foi a análise de conteúdo (Moraes, 1999), que tem por finalidade descrever e interpretar o conteúdo de toda classe de documentos e textos. Essa análise, conduzindo a descrições sistemáticas, qualitativas ou quantitativas, buscou reinterpretar as mensagens atingindo uma compreensão de seus significados num nível que foi além de uma leitura comum, ou seja, atentando assim para o fato de que a compreensão do contexto é indispensável para o entendimento do texto. O trabalho teve início com a seleção e leitura das produções dos alunos nas seguintes atividades: 1) Identificação dos sons; 2) Uma atividade com um desenho e a redação de um pequeno texto, que teve como base as seguintes solicitações: I) Desenhar um modelo do que se percebe como uma onda; II) Por meio do desenho, apontar o comprimento de onda III) Escrever um pouco sobre o que entendeu do que foi dito em sala; 3) Atividade didática de Cartografia da escuta do ambiente sonoro do entorno escolar, partindo da sua posição na sala de aula. Dentre elas foram retirados alguns trechos de declarações produzidas durante a realização da atividade na escola.
Buscando aspectos considerados relevantes na temática da educação para a cidadania, relemos as frases selecionadas para uma primeira identificação de aspectos - categorias prévias - presentes no contexto. No processo de interação com os dados, essas categorias foram testadas, sendo suprimidas ou ampliadas. Este ajuste das categorias buscou abranger elementos importantes em tais enunciados. A categorização 'é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento, segundo o gênero, com os critérios previamente definidos' (Bardin, p. 111). Para cada categoria foi produzido um texto descrevendo seu significado e, para exemplificá-las, foram usadas citações originais dos aspectos relevantes dos trabalhos analisados.
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## Categorização
Foram analisadas 33 respostas sobre as atividades individuais, sendo os alunos identificados como AP (aluno do PEJA II) ou AEF (aluno do Ensino Fundamental) e em seguida numerados, e 16 respostas dos trabalhos em grupo, sendo da primeira retiradas 92 unidades de análise e no quadro foram divididas nas respectivas categorias e subcategorias: (a) os sons (objetos em atrito e instrumentos musicais); (b) formação da onda (concepções mentais); (c) interdisciplinaridade: Artes versus Física. Na segunda parte da categorização foi disposto um relato acerca das cartografias feitas pelos grupos.
Quadro 01: Organização das categorias e seus enfoques e a classificação dos relatos feitos pelos alunos, identificados por códigos.
Faremos agora uma breve descrição e exemplificação de cada categoria:
Os sons: Esta categoria está relacionada com a identificação do som com a imagem. Exemplo: O aluno AEF11 conseguiu acertar quase todos os instrumentos musicais (guitarra, bateria e piano) apenas pelo som, exceto o último o qual ele chamou de clarinete, quando era um oboé. Quanto aos objetos em atrito ele os identificou sem dificuldades.
Formação de ondas: Essa categoria tem como base perceber qual o modelo que o aluno retém sobre sua forma. Exemplo: Nesta categoria, o aluno AEF15 desenhou o mar com fortes ventos causando ondas com cristas grandes e simétricas numa paisagem com sol, pássaros e nuvens.
Interdisciplinaridade: Essa categoria também mostra a importância da relação entre a Arte com os temas tratados para que o aluno possa interligar as áreas de conhecimento propostas. Exemplo: O aluno AP12 associou o conceito de imagem a partir do filme e relacionou dizendo 'Eu entendi que o filme psicose é feito pela música e pela imagem'. Associando aos momentos de medo e de suspense, nos quais os sons se relacionavam, contribuindo com o sentido da imagem.
Com relação às atividades em grupo, a proposta inicial era categorizar a partir do contexto do que foi aprendido acerca dos tipos de escutas, no entanto, as
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respostas de todos os grupos foram pautadas na escuta semântica. Tanto os alunos do 7° ano, quanto os alunos do PEJA II não sinalizaram no mapa a escuta causal nem a fílmica. As respostas dos alunos identificados por códigos são: CEF1, CEF2, CEF3, CEF4, CEF5, CEF6, CEF7, CEF8 e CEF9 para os mapas do Ensino Fundamental; E CP1, CP2, CP3, CP4, CP5, CP6 e CP7 para os mapas do PEJA II. Exemplo: No mapa CEF4, há o registro de batuque na mesa, ventilador ligado, professor falando, cadeira sendo arrastada e passos em sala de aula. No mapa CP1, os alunos notaram pessoas conversando no corredor, moto passando, carro passando, mesa arrastando, professor falando; outro aluno ouviu pessoas gritando, professor falando alto, pacote de biscoito sendo aberto e mochila sendo aberta.
## Análise do Projeto
Pode-se também analisar e categorizar o presente projeto sob a perspectiva de Pombo (1993) pensando na quantidade de disciplinas trabalhadas, partindo sempre de uma teoria a ser abordada mediante os objetivos que se almeja alcançar e as atividades que se pretendem realizar. Num projeto Pluri ou Multidisciplinar, pode haver alguma integração, e até mesmo certa coerência, na abordagem de um tema, mas existe uma resistência e um pensamento em "arrumar" os assuntos numa ou noutra parte da disciplina. Vamos analisar o projeto em um aspecto: o número de disciplinas envolvidas, o grau de integração disciplinar e os pressupostos e teóricos metodológicos da atividade integradora. Como resposta ao processo de integração entre Física e Artes tivemos:
Perspectiva integradora: Esta categoria trata dos princípios teóricos subjacentes às ocorrências de ensino integrado e que baseiam e arranjam o trabalho de integração e pode ocorrer em qualquer um dos três eixos: pluridisciplinaridade (em que há o paralelismo), a interdisciplinaridade (com o perspectivismo/convergência) e a transdisciplinaridade (por meio holismo/unificação). No caso deste projeto, enquadramo-lo na interdisciplinaridade, ou seja, cada uma das disciplinas (Física e Artes) que trouxemos para o estudo de um objeto comum - o som do entorno escolar -buscou o encontro e não o confronto de suas metodologias, de transposição conceitual, da procura de linguagens comuns, numa palavra, de convergência e complementariedade dos discursos. Esta categoria tem por base duas áreas curriculares convergindo a um ponto (Figura 03)
Figura 03: Categoria Perspectiva Integradora, figura adaptada de Pombo (1993)
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## Considerações Finais
Ao término da análise realizada do projeto desenvolvido, os professores avaliaram o processo de escuta interdisciplinar como modo de percepção e significação psicológica do seu próprio ouvido e de seus alunos ao entorno escolar e
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às práticas curriculares letivas, segundo contextos socioculturais e políticos. Junto com os alunos foram além de uma simples escuta sonora, repercutindo dificuldades e necessidades na escola e no meio social mais amplo. A leitura do comportamento e das relações que se estruturaram no espaço da escola pôde levar a mudanças nas atitudes dos alunos e dos professores, sugerindo modos de enfrentar desafios do cotidiano no Ensino de Ciências (Física) e de Artes, exigindo uma tomada de decisão no sentido de ouvir e colaborar nas transformações sociais feitas a partir de uma nova visão de mundo, não fragmentada, mas construída interdisciplinarmente.
## Referências
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