PORTFÓLIO: (RE) DIMENSIONANDO O PROCESSO AVALIATIVO
Guilherme Salgueiro Goulart, Lisete Funari Dias, Vera Beatriz Borgmann Reppetto, Carla Rosângela Bairros Alves, Camila Thomazi Ruviaro
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 27/01/2015
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PORTFÓLIO: (RE) DIMENSIONANDO O PROCESSO AVALIATIVO
*Guilherme Salgueiro Goulart , Lisete Funari Dias , Vera Beatriz Borgmann 1 2 Reppetto 3 , Carla Rosangela Bairros Alves , Camila Thomazi Ruviaro 4 5
1 UNIPAMPA/Licenciatura em Ciências da Natureza, guilhermesalgueiro.g@hotmail.com
2 UNIPAMPA/Licenciatura em Ciências da Natureza, lisetefunaridias@gmail.com
3 UNIPAMPA/Licenciatura em Ciências da Natureza, verareppetto@hotmail.com
4 UNIPAMPA/Licenciatura em Ciências da Natureza, carlabairros@hotmail.com
5 UNIPAMPA/Licenciatura em Ciências da Natureza, camilaruviaro@hotmail.com
Resumo: O presente texto pretende registrar os resultados de uma experiência no processo de avaliação de aprendizagem, efetivada na Educação Superior, junto ao Componente Curricular de Leis Físicas na Natureza, no curso de Ciências da Natureza- Licenciatura, da Universidade Federal do Pampa, campus Uruguaiana/RS, em 2013. A atividade caracterizou-se por discutir e problematizar uma das metodologias de avaliação alternativa adotadas pela docente, os portfólios virtuais, apresentados durante a componente curricular, na qual são estudados conteúdos relativos à Mecânica Newtoniana. Parte-se do princípio que, muitas vezes, nas provas tradicionais, são desconsideradas as múltiplas habilidades adquiridas por estes sujeitos, sendo-lhes atribuídas notas que quantificam seu desempenho estudantil. Nas leituras dos referidos portfólios, surge a possibilidade, tanto para conclusões sobre as reflexões da professora, sobre sua metodologia de ensino, quanto para as reflexões do aluno, sobre o processo de construção do conhecimento através da sua forma de estudar. Na análise e discussão dos resultados, tomam-se com base referências alguns autores a exemplo de Hernández (2000), Abib (2011) e Araújo & Alvarenga (2005), para concordar que os portfólios são métodos avaliativos que se mostram completos e inerentes ao aluno, como instrumentos de reflexão, construção do conhecimento e autoavaliação. Sendo assim, como resultado, teremos uma avaliação mais justa e que transcreve qualitativamente as múltiplas habilidades destes sujeitos.
Palavras chave: Portfólio, autoavaliação, reflexão.
## Introdução
O presente trabalho foi desenvolvido no contexto de um curso de formação inicial de professores, Ciências da Natureza- Licenciatura, da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Uruguaiana/RS, no ano de 2013, com o objetivo de relatar e discutir as experiências vivenciadas em sala de aula, explicitadas através dos portfólios virtuais destes estudantes.
A ideia parte da seguinte hipótese: através das leituras dos referidos portfólios, pela professora, surgiria a possibilidade de conclusões, tanto sobre reflexões sobre sua metodologia de ensino, quanto sobre as reflexões do próprio aluno, sobre o processo de construção do conhecimento através da sua forma de estudo. A partir disso, também ficaria evidenciada a possibilidade dos portfólios servirem de instrumento de autoavaliação.
A justificativa pauta-se em discutir uma forma de avaliação não tradicional, através de portfólios virtuais, apresentados durante a componente curricular do
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curso, Leis Físicas na Natureza, na qual são estudados conteúdos relativos à Mecânica Newtoniana.
Com base em um referencial sobre avaliações qualitativas, constituímos a presente investigação, tendo como instrumentos de análise, os textos escritos nos portfólios virtuais propostos como autoavaliação. A partir daí, serão apresentados e discutidos fragmentos dos textos, que evidenciam o significado de portfólio na educação, ou seja, instrumentos de reflexão, construção do conhecimento e autoavaliação.
Como resultado, espera-se que a partir desta análise, possamos (re) dimensionar o processo avaliativo como algo mais significativo e contextualizado, na medida em que os alunos/as passam a refletir sobre suas próprias práticas, sendo também explicitados seus anseios, angústias e expectativas com relação à disciplina. Nossa explanação está pautada, fundamentalmente, no discurso dialógico entre professor-aluno, documentado através dos portfólios, onde traremos alguns fragmentos retirados destes documentos que demonstrem seu pensamento durante a escrita dos portfólios.
## 2 Referencial Teórico
A sistemática do avaliar ou ser avaliado, em um âmbito educacional, é um processo extremamente complexo, na medida em que deve levar em consideração uma diversidade de habilidades que os sujeitos compõem ao longo de sua trajetória de vida. Portanto, esta sistemática mostra-se imbuída de um aspecto contínuo e cumulativo que leva em consideração as múltiplas habilidades adquiridas pelos sujeitos, sendo estas predominantemente de caráter qualitativo. No entanto, vê-se um paradoxo entre o ideal e o real, no que se refere aos princípios da Lei de Diretrizes e Bases, que afirma: 'avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais' (BRASIL, 1996).
Além disso, de acordo com Hernández (2000):
Na última década o saber acumulado e repetitivo do conteúdo de material didático, simplesmente transferido pelo professor e completamente descontextualizado de informação, tem sido substituído pela concepção de uma proposta atual de educação que propicie uma avaliação da aprendizagem e esteja em consonância com as finalidades educativas, considerando-se a importância de não se confundir a avaliação com mensuração de conteúdos e, consequentemente, a aprovação (HERNÁNDEZ, 2000, p. 47).
Apesar disso, frequentemente, há uma inversão factual na dinâmica entre o ensinar, aprender e avaliar. As múltiplas habilidades construídas pelos sujeitos são mensuradas de forma quantitativa, onde são atribuídas notas que irão demonstrar o quão satisfatório foi seu desempenho, fazendo com que, nem sempre, a quantidade expresse o real aprendizado do aluno. Nesse sentido, Abib (2011) traz na avaliação alternativa uma possibilidade de autoavaliação e cita, como exemplo, os portfólios:
[...]momentos em que os alunos possam elaborar trabalhos de autoavalição, nos quais possam ser incluídos critérios pessoais de análise do processo, podem ser de grande valor para encontrar novas possibilidades para professores e alunos em que a investigação sistemática e ao longo dos processos de ensino e de aprendizagem promovem a conscientização
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sobre as necessidades de alterações de percursos e mudanças de posturas e atitudes (ABIB, 2011,p.150).
Uma maneira que também se mostra eficaz e que corrobora com esta visão ampla, quanto à avaliação, é a utilização do portfólio como um instrumento de reflexão. Segundo Hernández (2000), o portfólio deve conter as melhores amostras de seu trabalho em forma de imagens, anotações pessoais, experiências de aula, trabalhos, controles de aprendizagem, conexões com outros temas fora da escola e representações que proporcionem 'evidências dos conhecimentos que foram sendo construídos, estratégias utilizadas para aprender e a disposição de quem o elabora para continuar aprendendo' (HERNÁNDEZ, 2000, p.166). Nesta perspectiva, este instrumento deve ser capaz de possibilitar ao professor a articulação de suas ideias, reflexão sobre sua própria prática, vinculando o aprendizado a partir das vivências de seus alunos explicitadas nos portfólios. Desta forma, o uso de portfólio como instrumento avaliativo e estratégia de formação de graduandos/licenciandos tem sido encarado pela docente como um potencializador no processo de ensinoaprendizagem.
Segundo Araújo & Alvarenga (2005), o portfólio é compreendido como um instrumento facilitador dos processos de auto e hetero-avaliação, nas funções simultâneas de estruturação e revelação dos processos de desenvolvimento profissional. Logo, ao implementar a prática avaliativa, junto ao portfólio, abrem-se novas possibilidades ao docente, uma vez que esta atividade irá compilar todas os pensamentos, sentimentos, maneira de agir, habilidades e competências de seus alunos. Esta análise possibilita ao professor conscientizar-se do contexto ao qual seu aluno está imbuído, o que possibilita a realização de um trabalho articulado e vinculado com o contexto destes indivíduos.
A partir disso, para os licenciandos, abrem-se novas possibilidades. A avaliação através da utilização de portfólios deve ter como resultado, o estimulo ao questionamento, a discussão, a superposição, a proposição, a análise e a reflexão, fugindo assim, de velhas práticas padronizadas, impositivas e burocráticas que, muitas, vezes mostram-se mecanicistas, pois os alunos acabam por decorarem um determinado conteúdo com a finalidade de atingir uma determinada média.
## 3 Procedimentos Metodológicos: Recorte de Portfólio
Com base nesse referencial teórico, analisamos alguns portfólios gerados ao longo do componente curricular Leis Físicas na Natureza, onde podemos vivenciar algumas práticas adotadas pelos graduandos ao longo da disciplina, sendo possível observarmos sua trajetória e crescimento não só acadêmico, mas sim, pessoal. A construção destes portfólios deu-se através de ciclos, tendo como produto final, a implementação de quatro portfólios reflexivos durante o semestre letivo, onde deveriam, predominantemente, serem explicitadas, na escrita, suas metodologias de estudo, eventuais resoluções de exercícios e, principalmente, suas análises com relação às aulas, bem como seu entendimento com relação ao conteúdo. A fim de motivar as escritas, foi englobado pela docente um valor na média final dos discentes a fim de motivá-los ao exercício da escrita reflexiva.
A professora, ministrante do componente curricular Leis físicas na Natureza, durante sua explanação do plano de ensino, ressaltou que uma de suas avaliações seria a construção de quatro portfólios reflexivos, construídos semanalmente e sempre apresentados antes da prova tradicional. Inicialmente, os alunos mostravam-
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se apreensivos, muito por desconhecerem o significado deste 'novo' método avaliativo. Com o decorrer das semanas, estes dados foram sendo gerados pelos alunos e, a partir destes, a professora pode perceber a heterogeneidade contida na classe, visto que alguns alunos mostravam-se mais introspectivos ao relatar suas práticas diárias de estudo. Alguns demonstraram uma afinidade maior com a disciplina e, já outros, reiteravam seu desejo em compreender melhor a disciplina, mas se sentiam desconfortáveis, principalmente quando o assunto era relacionado aos cálculos e equações contidas na Mecânica Clássica. Essas avaliações iniciais serviram como parâmetro para que a professora pudesse refletir sobre sua própria metodologia, já que os conteúdos eram abordados através de um livro de Física do ensino superior. Ficou evidente que muitos alunos não conseguiriam acompanhar o conteúdo, tão facilmente, na forma como o livro sugeria, por conta de chegarem na universidade com um déficit em seus conhecimentos prévios de física. Este fato fez com que a professora reformulasse suas estratégias de ensino.
Na perspectiva da reflexão, construção do conhecimento e autoavaliação, procuramos resgatar o significado de avaliação por portfólios através de recortes dos quatro portfólios desenvolvidos por um dos graduandos durante a componente curricular. Portanto, a fim de exemplificarmos, serão demonstrados esses recortes na sequência. O depoimento do aluno está representado pela letra A com um índice, número, referente à semana, na qual o portfólio foi desenvolvido. Os tópicos selecionados serão analisados e discutidos no próximo tópico.
## Explanações Iniciais - concepções do aluno
- A1: Nosso primeiro encontro ocorreu durante o dia 27 de Junho, onde inicialmente foi apresentada pela professora uma explanação com referencia ao plano de ensino elaborado pela mesma.
- A1: Durante este primeiro encontro, senti-me extremamente motivado com as propostas feitas pela professora, em principal com o 'Modellus' que consistia na inserção de ferramentas didáticas pedagógicas alicerçadas à tecnologia, onde podemos observar a preocupação da professora em nos estimular a utilizarmos recursos inovadores, visto que a física muitas vezes é vista pelos estudantes de uma forma abstrata.
- A2: Durante a segunda semana, mais precisamente no dia 01 de Julho, a professora apresentou em sua proposta um tópico essencial para o desenvolvimento da física - Unidades de medida - esta unidade demonstra o caráter dimensional da física onde lidamos constantemente com grandezas. Porém acho que a abordagem poderia sem um pouco mais dinâmica sem se levar muito em consideração o livro didático adotado, pois por mais instrutivo e bem explicativo que seja o livro o professor não pode apenas ficar refém dele.
- A2: No dia 06 de Junho, em um sábado, realizei alguns exercícios de física, porém, admito, que com a base que obtive durante o ensino fundamental e médio. Enfrentei alguma dificuldade na questão de número 40, porém quando perguntei a professora foi me passado que não era preciso, naquele momento, resolver tal exercício, pois não tínhamos entrado naquele conteúdo.
## Compreensões, dificuldades, estratégias de estudo e autoavaliação
A4: Durante a quarta semana desenvolvemos os conteúdos de cinemática em uma dimensão, onde foi elaborado pela professora uma apresentação em slides o que nos possibilitou termos um maior entendimento do conteúdo desenvolvido.
A4: Além disso, cada teoria que nos foi apresentada era seguida de um exemplo que contemplava todos os tópicos explorados. Eu, individualmente
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não senti muita dificuldade neste conteúdo, talvez por minha aproximação para com a disciplina e também por ter saído a tão pouco tempo do ensino médio.
A4: Porém cabe ressaltar que resgatei muitas coisas que são deixadas de lado no ensino médio, e também aprendi outras tantas, como por exemplo, de onde vêm as equações dos movimentos uniformes e uniformemente variados? O porquê dos livros de ensino superior não fazerem aquela velha referência de que quando o movimento é de queda livre utiliza-se o g positivo. Nesta mesma linha pude perceber uma ligação entre os componentes curriculares de Cálculo Diferencial e Integral e Leis Físicas no qual vemos os conceitos de Cálculo diretamente relacionados com velocidade e aceleração instantâneas, como mostrado pela professora durante o material montado por ela que, através de um hipertexto, nos reportava a vídeos que demonstravam esta relação.
A4: Nesta semana optei em realizar alguns exercícios pedidos pela professora, nos quais senti alguma dificuldade na questão de número 39 da pág. 32 do livro adotado. Imediatamente ao sentir dificuldade na questão mandei minha dúvida via Moodle e fui respondido por e-mail pela professora, onde a partir do passo a passo demonstrado por ela pude elaborar minhas próprias convicções frente a questão e, consequentemente, pude entendê-la.
## Realização de Exercícios de Forma Reflexiva
A3: Exemplo 3.3: Este exemplo pareceu-me de muito fácil entendimento, uma vez que o vetor a v pode ser decomposto para se determinar os componentes do vetor aceleração, onde este aponta para a esquerda (sentido negativo de x) e para baixo (onde se encontra o sentido negativo de y) - Com relação ao eixo cartesiano, ambos os componentes serão negativos.
º 30 cos a a x -=
º 30 asen a y - =
Exemplo 3.4.: Neste exemplo notamos que o valor de vx é negativo porque a resultante está tendendo a esquerda do plano cartesiano onde se encontra o infinito negativo, portanto o valor de vx = -6 m/s enquanto que o valor de vy = 4 m/s devido ao vetor resultante estar indo para cima. Logo para calcularmos a velocidade deste corpo basta aplicar a regra do paralelogramo, onde a partir do gráfico obtemos um triângulo retângulo e a partir disso podemos determinar, pelo Teorema de Pitágoras, sua resultante. Para calcularmos o ângulo formado entre a resultante e o eixo vx, basta aplicarmos a relação trigonométrica que envolve a tangente, onde a partir dos módulos achados teremos os ângulos formados.
A10: Ex1: Para que um corpo fique em equilíbrio encontre as três tensões. Considere massa igual a 50kg e g=10m/s²:
Figura 1: Esquema de um corpo em equilíbrio
<!-- image -->
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Chegou-se no referido esquema, Figura 1, através da decomposição das trações T1 e T2, onde também, através da regra de ângulos pudemos deduzir os ângulos.
Inicialmente para resolver a questão isolou-se, através do diagrama de corpo livre, Figura 2, a tração 3, onde vemos que a tração é igual ao peso, pois:
Figura 2: diagrama de corpo livre
<!-- image -->
Somando-se vetorialmente tem-se:
T3-P=0
T
<!-- formula-not-decoded -->
Utilizando-se a fórmula do peso para T3, tem-se:
T3 = m.g
T3 = 50.10 Æ T3 = 500 N
Como já dito acima, decompus as trações 1 e 2 e apliquei a 1ª Lei de Newton, pois o problema questiona sobre quais valores das trações o corpo encontra-se em equilíbrio. Logo:
<!-- formula-not-decoded -->
a) 1ª Lei em x Æ ∑ Fx = 0
T
2x - T1x = 0
b) 1ª Lei em y Æ ∑ Fy = 0
T1y + T2y - T 3 = 0
Aplicando-se a decomposição de vetores:
T2x = T2 cos 20°
T2x = 0,94 T2
T1x = 0,57 T1
T1y = 0,82 T1
T2y = 0,34 T2
Chega-se então a um sistema, onde para resolvê-lo apliquei o método da substituição:
0,94 T2 - 0,57 T1 = 0
0,94 T2 = 0,57 T1
T2 =
T2 = 0,61 T1
Para achar T1 e T2, substitui o valor de T2 na segunda equação a fim de obter o valor de T1:
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Para achar T2 substitui na fórmula (T2 = 0,61 T1), obtendo:
T
```
T1y + T2y - T 3 = 0 0,82 T1 + 0,34 T2 = 500 0,82 T1 + 0,34.(0,61T1) = 500 0,82 T1 + 0,2074 T1 = 500 T1 = 486 N 2 = 296 N
```
## 4 Análise e Discussão do Relato
A análise sobre os depoimentos, escritos nos portfólios pelo autor deste trabalho, graduando do curso de Ciências da Natureza, durante o componente de Leis Físicas, será feita pela professora, co-autora 2.
Explanações iniciais - pré-concepçõesNesses fragmentos está evidenciado o contato inicial, durante as primeiras semanas do graduando, junto ao componente curricular. O aluno fez uma análise semanal das atividades desenvolvidas. Sentimentos de motivação, preocupação, críticas à metodologia da professora, logo foram explicitados.
Compreensões, dificuldades, estratégias de estudo e autoavaliaçãoNesse tópico é demonstrada, pelo aluno, toda sua metodologia de estudo no componente curricular. Também é evidenciada, pelo aluno, a mudança de metodologia da professora, em virtude de muitos alunos evidenciarem dificuldades com a explanação do conteúdo, por meio de um livro de Ensino Superior.
Realização de Exercícios de Forma Reflexiva -Nesses fragmentos são demonstrados, de forma descritiva, os passos utilizados pelo aluno ao resolver problemas. Nota-se nesse item, a forma reflexiva ao desenvolver a resolução dos exercícios. No que se refere à Física, nota-se, a falta de apropriação de alguns conceitos, a exemplo de: O aluno apresenta os passos seguidos para a resolução do problema, mas ainda há pouca intimidade com o tratamento vetorial das grandezas físicas; Ainda não está claro o tratamento de vetor e o módulo deste vetor, a exemplo de: '[...] a tração 3, onde vemos que a tração é igual ao peso ', 'Somandose vetorialmente tem-se T3-P=0' ; Faltou refletir sobre os módulos serem iguais, mesma direção, mas sentidos contrários, o que justificaria o termo: ' fórmula do peso para T3'; Quando o aluno apresenta esta simbologia ∑ = 0 R F , a professora corrige
∑ = 0 R F v , mas o mesma simbologia segue nos próximos passos para a soma vetorial das componentes ; No fragmento '[...] aplicando a decomposição de vetores', ainda se percebe um passo mecânico, sem a reflexão.
Nesta análise, assim como em todas as leituras feitas nos portfólios dos demais discentes, consideramos todas as representações que potencializam uma avaliação mais homogênea, que contemple, em parte, todos os eixos do desenvolvimento cognitivo dos estudantes, tais como: escrita, conceitos, expressão de opinião, criatividade, reflexão e autoavaliação. Para tal avaliação, o portfólio teve o papel de uma aproximação virtual dos alunos para com a professora, tendo em vista que este curso tem funcionamento noturno e, portanto, a grande maioria de seu público desenvolve outras atividades durante o turno inverso, sendo então,
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praticamente, impossível manter um atendimento presencial com a professora fora do período das aulas.
## Considerações finais
Conclui-se que o portfólio serviu como uma ponte entre professor e alunos, ou seja, um veículo de comunicação direta que retrata as dificuldades enfrentadas pelos acadêmicos. Outro aspecto evidenciado foi a mudança de postura dos acadêmicos, pois estes passaram a se posicionar de forma mais crítica e participativa em aula, através das escritas, fazendo com que ficasse evidente a caracterização da reflexão.
Na reflexão do aluno analisado, evidenciou-se também o portfólio como instrumento potencializador no estudo da física, uma vez que foi gerado, por meio dessas escritas, um processo de construção reflexiva de conhecimento. Além disso, a partir do momento em que se faz uma recapitulação de conhecimento, estamos, mesmo que intrinsecamente, exercitando e consolidando nosso desenvolvimento cognitivo. Como evidencia maior da contribuição dos portfólios, no decorrer do componente, obteve-se, dos 24 alunos inscritos no componente, a aprovação de 21 alunos, totalizando, assim um aproveitamento de 87,5 %. Considera-se, porém, que não foi apenas o portfólio que refletiu nesse excelente desempenho dos alunos, mas, sem sombra de dúvidas, contribuiu de forma significativa para isso. Foi por meio dele, que a professora detectou as maiores dificuldades enfrentadas pelos alunos.
A partir dessa investigação, concluímos que os métodos avaliativos, pautados no uso de portfólios, mostram-se completos e inerentes ao aluno, como instrumentos de reflexão, construção do conhecimento e autoavaliação e, como resultado, teremos uma avaliação mais justa, transcrevendo qualitativamente as múltiplas habilidades destes sujeitos. Aliado a isto, temos a consolidação da autonomia intelectual desses, pois passam a pensar e ressignificar suas práticas, a fim de afirmar os conhecimentos já adquiridos, consolidando assim, como produto principal, a potencialização destes conteúdos. Além disso, constata-se a evidência de um maior aproveitamento, tanto na expressão oral, quanto na escrita.
## Referências
ABIB, Maria Lúcia Vital dos Santos. Avaliação e melhoria da aprendizagem em Física . In: Ensino de Física. Coleção Idéias em Ação. São Paulo: Cengage Learning. 2010. p.141-157
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil\_03/leis/l9394.htm>. Acesso em março de 2013.
HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura Visual, mudança educativa e projeto de trabalho . Porto Alegre: Artmed, 2000.
ARAÚJO, Zilda Rossi e ALVARENGA, Georfravia Montoza. Portfólio: uma alternativa para gerenciamento das situações de ensino e aprendizagem. Est. Aval.Educ., [on line] São Paulo, v.17, n.35, n.35, set./dez.2006. Acesso em: 21 Nov. 2013.
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