A UTILIZAÇÃO DE FILMES COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DA FÍSICA: UMA INTERVENÇÃO DIDÁTICA DO PIBID-FÍSICA
Wflander Martins De Souza, Paulo Gervano Do Carmo Pires, Jéssica Alves De Oliveira, Arthur Figueiredo Cardoso, André Luiz De Souza, Erick Eduardo Silva Barbosa, Elisângela Silva Pinto, Gislayne Elisana Goncalves, Marcelo De Ávila Melo
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 27/01/2015
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## A UTILIZAÇÃO DE FILMES COMO RECURSO DIDÁTICO NO ENSINO DA FÍSICA: UMA INTERVENÇÃO DIDÁTICA DO PIBID/FÍSICA
Wflander Martins de Souza , Paulo Gervano do 1 Carmo Pires , Jéssica Alves de Oliveira , Arthur 2 3 Figueiredo Cardoso , André Luiz de Souza , Erick 4 5 Eduardo Silva Barbosa , Marcelo de Ávila Melo7, 6 Elisângela Silva Pinto , Gislayne Elisana Gonçalves 8 9
wflanderm@gmail.com
- 2 Instituto Federal de Minas Gerais campus Ouro Preto, paulogervano@yahoo.com.br
- 3 Instituto Federal de Minas Gerais campus Ouro Preto, alves.joa@outlook.com
- 4 Instituto Federal de Minas Gerais campus Ouro Preto, arthurcfigueiredo@gmail.com
- 5 Instituto Federal de Minas Gerais campus Ouro Preto, andres\_luiz74@yahoo.com.br
- 6 Instituto Federal de Minas Gerais campus Ouro Preto, eduardo\_13d@hotmail.com
- 7 Escola Estadual de Ouro Preto, avilamelo@yahoo.com.br
- 8 Instituto Federal de Minas Gerais campus Ouro Preto, elisangela.pinto@ifmg.edu.br
- 9 Instituto Federal de Minas Gerais campus Ouro Preto, gislayne.egoncalves@ifmg.edu.br
## Resumo
O presente trabalho apresenta uma proposta de metodologia em ensino de Física, de forma interativa e que promove uma reflexão sobre temas científicos que estão presentes na mídia cinematográfica. O ensino de Física em geral, no Brasil, está cada vez mais distante do dia a dia do aluno, pois as aulas são muitas vezes matematizadas, o que impossibilita o aprendizado de forma mais significativa. Neste contexto, a proposta deste trabalho é analisar e criticar a veracidade de algumas cenas contidas em obras cinematográficas, por meio dos fenômenos científicos que são explicados pela Física. Para tanto, foi realizada uma abordagem teórica, qualitativa por meio de uma análise crítica de filmes de diversas modalidades e que permitiu colher informações sobre as percepções dos estudantes quanto ao reconhecimento de cada fenômeno científico que estaria presente nas cenas analisadas. Observou-se grande interesse e grande envolvimento dos alunos no processo de ensino-aprendizagem dos fenômenos físicos, a partir desta proposta metodológica.
Palavras-chave: Cinema, filmes, ensino de física.
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## Introdução
Os fenômenos físicos são encontrados em várias situações em nosso cotidiano. Em uma delas estão os filmes, seriados, desenhos animados e programas de TV, em geral, que contribuem na formação de opinião trazendo entretenimento e diversão.
Portanto, a utilização de uma metodologia mais significativa se justifica diante da constante dispersão e desmotivação dos alunos frente ao ensino de ciências como um todo. Neste contexto, acredita-se que a proposta de utilização de filmes de diversas modalidades, possibilitaria o estímulo de debates em sala de aula promovendo a reflexão sobre temas científicos que estão presentes na sociedade. Tal metodologia facilitaria o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que envolveria os alunos em diálogos simples, como os que estão acostumados a tratar entre os seus pares, mas com o acompanhamento do professor como mediador crítico na construção do conhecimento. Vale mencionar que:
Trabalhar com o cinema em sala de aula é ajudar a escola a reencontrar a cultura ao mesmo tempo cotidiana e elevada, pois o cinema é o campo no qual a estética, o lazer, a ideologia e os valores mais amplos são sintetizados numa mesma obra de arte. Assim, dos mais comerciais e descompromissados aos mais sofisticados e complexos, os filmes trazem sempre algumas possibilidades para o trabalho escolar (Napolitano, 2005, p.11-12).
Neste contexto, Sylvio Froes Abreu (1929) ressalta a aplicação do cinema nas escolas, como forma de instrução:
O cinema deve ser um constante auxiliar do professor. Os filmes produzem aspectos típicos de regiões e de povos do mundo inteiro. Entre nós já se vai aplicando o cinema à instrução; temos no Museu, na Quinta da Boa Vista, uma sala onde se fazem frequentemente projeções de grande valor educacional.
O tema 'Física aplicada ao cinema' surgiu com o pensamento de unir o útil ao agradável, uma vez que os alunos se interessam por filmes de ficção. Nesses filmes, os alunos projetam no seu subconsciente os super-heróis, que sempre desafiam todas as leis da natureza, o que facilita as discussões, diálogos e abordagem dos fenômenos físicos, por meio da análise crítica de cada cena escolhida. Para tanto, esta intervenção didática foi realizada nas turmas de 3º ano do ensino médio de uma escola estadual da cidade de Ouro Preto/MG, parceira do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência). Esta proposta representa uma ação conjunta dos alunos bolsistas do PIBID e o professor de Física da escola citada. No desenvolvimento deste trabalho optou-se pela abordagem, com o uso de observação direta, diálogos constantes e anotações frequentes. Observou-se ao fim deste trabalho um crescimento intelectual dos alunos pelo amadurecimento das discussões, diálogos e percepções sobre os fenômenos científicos passíveis ou não de ocorrer em cada cena analisada.
## Resultados e Discussões
Tendo em vista que o objetivo deste trabalho é o uso de filmes como uma proposta metodológica no ensino de fenômenos físicos, buscou-se estimular os debates em sala sobre os fenômenos físicos vivenciados nas cenas dos filmes, a fim
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de permitir um cenário de discussões que conduzisse a uma aprendizagem mais significativa.
O critério pela escolha dos filmes foi o extenso teor científico, a abordagem de temas atuais, que possibilitaria despertar o interesse dos alunos frente o sucesso de bilheteria. Os filmes foram analisados, catalogados e estão apresentados no Quadro 01, juntamente com a descrição da cena, a área relacionada à física e o que pode ser trabalho a partir da cena.
Quadro 01: Descrição das atividades realizada com os alunos de acordo com as cenas de cada filmes.
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Percebeu-se que os alunos interagiram durante todas as atividades propostas. Utilizou-se as observações diretas, diálogos constantes e anotações nos cadernos de campo.
Nas Figuras 1-3 encontram-se fotos das atividades realizadas na Escola Estadual de Ouro Preto, na turma 3ºB.
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Figura 01: Aplicação do projeto. Fonte: Biblioteca da Escola Estadual, cidade Ouro Preto/MG. Data: 12/09/13.
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Figura 02: Aplicação do projeto. Fonte: Auditório da Escola Estadual, cidade Ouro Preto/MG. Data: 13/09/13.
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Foi aplicado, neste trabalho, questionários diagnósticos antes e após a aplicação deste trabalho. A comparação desses questionários foi realizada a fim de se conhecer as percepções dos alunos quanto ao uso desta intervenção didática para despertar no aluno o interesse pelos conteúdos de Física em geral.
Figura 03: Aplicação do questionário. Fonte: Sala de aula da Escola Estadual de Ouro Preto. Data: 05/12/13.
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Percebeu-se por meio da análise das respostas dos questionários uma grande satisfação, interesse e envolvimento por parte dos alunos, em relação ao uso dos filmes como método facilitador no processo do ensino-aprendizagem. Essa percepção se deu por meio das respostas ao questionário final, no qual os alunos discorreram sobre os conteúdos abordados nos filmes propostos, de forma a relacioná-los com conceitos físicos. Neste sentido, pode-se citar como por exemplo: 'Sobre o filme 'Velocidade Máxima', explique, fisicamente, o motivo de ser impossível o salto que o ônibus realizou.' Em outros filmes trabalhados outros questionamentos sugiram, tais como: 'Quais são as aplicações da energia nuclear?' Quais os elementos químicos que controlam a radiação em uma usina nuclear?' 'Quais as consequências da radiação para o corpo humano?' 'Qual o efeito da falta da gravidade e da gravidade intensa para o corpo humano?' Desta forma, foi possível perceber que esta proposta teve um cunho interdisciplinar, uma vez que em muitas situações problemas houve o envolvimento de mais de uma área do saber. Além disso, foi possível reconhecer uma aceitação dos alunos na metodologia proposta, sendo evidente diante da resposta dos alunos frente ao questionamento sobre a opinião deles com relação ao uso de filmes para abordar fenômenos físicos. Cerca de 93,3% responderam que preferem aprender os conteúdos abordados pela Física por meio da metodologia proposta. Acrescentaram que conseguiram ter uma aprendizagem mais significativa com uma forma diferente de ensinar física e com a atuação dos alunos bolsistas do PIBID.
Vale mencionar que a proposta foi trabalhar juntamente com o professor de física, seguindo os conteúdos ensinados, para dar suporte aos alunos no processo de ensino-aprendizagem, a fim de aumentar o interesse dos alunos com relação ao estudo de ciências em geral. Fato que pode ser comprovado pelo professor no dia a dia escolar. Por meio desta proposta, buscou-se fazer uma análise crítica sobre os conteúdos de ciências, em geral, presente em cada cena analisada. Mas, sempre se preocupando em alertar aos alunos que não se pode acreditar em tudo que se vê nos filmes.
## Conclusões
Nesta proposta metodológica pretendia-se chamar a atenção dos alunos, despertar o interesse pela ciência em geral, por meio da utilização dos recursos didáticos da mídia, ou seja, o cinema. Dentro deste contexto, pode-se observar que houve um grande envolvimento, interesse por parte dos alunos e um aproveitamento mais significativo em relação a aprendizagem dos fenômenos científicos abordados. Pois, ao longo das discussões sobre esses fenômenos presentes em cada cena trabalhada, perguntas foram surgindo e o grau de aprofundamento das perguntas foi cada vez mais elevado ao longo do desenvolvimento deste trabalho. Pode-se despertar nos alunos a capacidade de articular o conteúdo abordado às vivências do cotidiano. Enfim, este trabalho permitiu realizar um processo de ensinoaprendizagem de forma dialogada, por meio da troca de experiências. Ademais, foi possível avançar fronteiras além do conteúdo abordado pela física, pois conteúdos de outras áreas do saber emergiram durante os diálogos, possibilitando concluir que este trabalho também teve um cunho interdisciplinar.
## Referência
- [1] ALMANAQUE Abril: 1998. São Paulo: Abril, 1998.
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- [2] MCDERMOTT, L. C; Millikan lecture 1990: What we teach and what is learned closing the gap. American Journal of Physics , v. 59, n. 4, p.301-315,1991.
- [3] NAPOLITANO, M. Como usar o cinema na sala de aula . São Paulo: Contexto, 2005.
- [4] PIASSI, Luís Paulo & PIETRICOLLA, Maurício. Ficção científica e ensino de ciências: para além do método de 'encontrar erros em filmes . Universidade de São Paulo. 2009.
- [5] PIASSI, Luís Paulo & PIETRICOLLA, Maurício. Possibilidades dos filmes e ficção científica como recurso didático em aulas de Física: a construção de um instrumento de análise . Universidade de São Paulo.
- [6] VIDAL, Diana Gonçalves. Cinema, laboratórios, ciências físicas e escola nova . FEUSP, 1994.
[7] Xavier, C.H.G. ; Passos, C.M.B. ; Freire, P. T. C. ; Coelho, A.A. O uso do cinema para o ensino de Física no Ensino Médio. Experiências em Ensino de Ciências (UFRGS), v. 5, p. 93-106, 2010.
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