ATIVIDADES EXPERIMENTAIS NO ENSINO DE FÍSICA: REFLEXÕES E DESAFIOS EM UMA ESCOLA EM MANAUS (AM)
Esteves Fernandes De Oliveira, Ítalo Borges, Marta Gusmão, Keyla Franco, Ranúsia Tavares
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 27/01/2015
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ATIVIDADES EXPERIMENTAIS NO ENSINO DE FÍSICA: REFLEXÕES E DESAFIOS EM UMA ESCOLA EM MANAUS (AM)
Esteves Fernandes de Oliveira , Ítalo Borges , Keyla Franco , Ranúsia 1 2 3 Tavares 4 , Marta Gusmão 5
4 SEDUC/Escola Estadual Tiradentes, ranusia@gmail.com
## Resumo
Este estudo é baseado na experiência da inclusão de atividades experimentais no ensino de física, desenvolvida pelos alunos do PIBID Física, da UFAM, para os alunos do 1 ensino médio da Escola Estadual Tiradentes em Manaus (AM). Nosso objetivo é relatar este processo inicial, bem como apresentar nossas reflexões sobre tais experiências. Para tal, executamos uma feira experimental e um projeto desenvolvido dentro de sala de aula. Com A feira objetivamos demonstrar experimentos pelos bolsistas do PIBID, chamando a atenção dos alunos para o ensino de física de todas as séries, buscando contribuir com a aprendizagem dos mesmos. Com o projeto buscamos incentivar a prática de atividades experimentais dentro da sala de aula, na qual foi executada por alunos do segundo ano. Pudemos constatar que nestes trabalhos desenvolvidos aproximamos os alunos das atividades experimentais. Adicionalmente, constatamos a importância da parceria da UFAM e PIBID junto à escola, por proporcionar o contato direto do discente universitário em relação à realidade escolar.
Palavras-chave : atividade experimental, aprendizagem, ensino de física.
## Introdução
Este texto é baseado na experiência da inclusão de atividades experimentais no ensino de física, desenvolvida pelos bolsistas do PIBID Física, da Universidade Federal do Amazonas - UFAM, para os alunos de ensino médio da Escola Estadual Tiradentes em Manaus (AM). Neste estudo objetivamos relatar o processo inicial da inclusão de atividades experimentais na escola, bem como apresentar nossas reflexões sobre tais experiências.
Justificamos este estudo pela necessidade de reflexão sobre o ensino de Física, no qual estamos cientes das dificuldades e desafios concernentes ao processo ensino-aprendizagem da disciplina. Neste sentido, é notório que a atividade experimental nunca foi um ponto forte das escolas de ensino regular, principalmente quando os métodos de ensino ficam limitados à exposição de conteúdos científicos, sem quaisquer vínculos laboratorial e/ou experimental (MEGID NETO e PACHECO, 1990).
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26 a 30 de janeiro de 2015
Um dos grandes problemas enfrentados não só pelos alunos de ensino médio, mas também pelos profissionais da área, consigna-se na fama de que esta disciplina é considerada muito difícil e complexa, por este motivo desde cedo os alunos tendem a se distanciar do curso (VALADARES, 1998). Esse desinteresse é salientado também pelos bombardeios de informações e conteúdos a que os alunos são expostos, conforme MEGID NETO e PACHECO (2001, p. 17) .
Ao longo de quase 160 anos, o processo escolar de ensinoaprendizagem dessa ciência tem guardado mais ou menos as mesmas características. Um ensino calcado na transmissão de informações através de aulas quase sempre expositivas, na ausência de atividades experimentais, na aquisição de conhecimentos desvinculados da realidade. Um ensino voltado primordialmente para a preparação aos exames vestibulares, suportado pelo uso indiscriminado do livro didático ou materiais assemelhados e pela ênfase excessiva na resolução de exercícios puramente memorísticos e algébricos [...]. Um ensino que apresenta a Física como uma ciência compartimentada, segmentada, pronta, acabada, imutável.
Diante desta realidade, propomos a realização da inclusão de atividades experimentais na escola Estadual Tiradentes, com o intuito de tentarmos aproximar os alunos com o mundo dos experimentos, visando não apenas impressioná-los com os resultados observados, mas também contribuir com a aprendizagem dos mesmos e estimulá-los a desenvolver suas habilidades nesta área.
## Relatando as atividades realizadas
## A Feira de Física
Esta exposição de atividades experimentais realizada pelos alunos do PIBID - FÍSICA da UFAM ocorreu no mês de fevereiro de 2013, no pátio da Escola Estadual Tiradentes. Nossa preocupação principal foi realizar uma atividade que chamasse atenção dos alunos para o ensino de Física, algo que 'fugisse' das tradicionais aulas teóricas e das salas de aula, não apenas para expor as atividades experimentais, mas também para contribuir com a aprendizagem de cada aluno que assistisse às apresentações.
A escolha dos experimentos se deu de acordo com o nível de cada série. Para os primeiros anos os experimentos foram sobre cinemática, para os segundos anos o experimento constituiu-se sobre tensão superficial e óptica, finalmente, para os terceiros anos, os experimentos escolhidos foram sobre a polarização da água e mini gerador de energia. Cada experimento visava explicar a essência da Física inserida nele, deixando a matemática e as contas de lado. Com o experimento sobre cinemática visávamos compreender principalmente o conceito de Inércia, neste contexto a primeira Lei de Newton foi base para compreensão. Adicionalmente, o conceito de forças e o conceito da conservação de energia foram explorados, nos ajudando a explicar qual o fenômeno apresentado e sua relação com a transformação de energia.
Em relação aos segundos anos, escolhemos um experimento sobre tensão superficial. Neste, visamos a compreensão de uma estrutura simplificada de como se comporta o fluido (a água), e o que acontece quando entra em contato com uma substância surfactante (detergente). Também para esta série, aproveitamos os
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experimentos sobre espelhos, para reforçar o estudo sobre óptica geométrica reflexão e ângulo de reflexão.
Para os terceiros anos, apresentamos o experimento 'curvando a água', no qual explicamos a polarização da água e porque que o filete de água se curva perante a aproximação de um canudo eletrizado. Mostramos o funcionamento de um mini gerador para que os alunos compreendessem o estudo de circuitos e geração de energia.
É importante salientar que para esta atividade houve a exigência da participação dos alunos pela professora, que lhes solicitou uma seleção de pelo menos três atividades experimentais a serem observadas, que deveriam ser apresentadas em sala de aula, posteriormente. Desta forma, podemos afirmar que a presença do público só foi possível devido à exigência de um trabalho similar que deveria ser realizado pelos alunos.
Este trabalho foi recebido pela maioria dos alunos da escola com demonstrações de interesse e curiosidade, ver Figura 01, sendo perceptível a sua participação, pois os mesmos além de fazerem anotações, fizeram e responderam algumas perguntas feitas pelos expositores. Foram feitas perguntas como: 'aonde isso acontece na vida real?!' durante a explicação sobre a inércia, ou ainda pelo aluno do terceiro ano, este indagou se haveria novamente outra atividade similar a que estava sendo realizada. Tais exemplos demonstram que o objetivo da exposição das atividades experimentais foi alcançado. Apesar de ter sido apenas a primeira oportunidade de inclusão de atividades experimentais nesta escola, acreditamos ter estimulado o interesse dos alunos em relação aos temas abordados.
Figura 01: Demonstração de Experimento sobre força de atrito.
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## O projeto Experimentando e Aprendendo
Este projeto foi desenvolvido no período de agosto a novembro de 2013. Foi aplicado com 05 (cinco) turmas de segundo ano, total de 120 (cento e vinte) alunos e visava dar continuidade aos assuntos abordados em salas de aula.
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Utilizamos um questionário prévio de identificação opcional, que nos ajudou a conhecer a opinião dos alunos sobre a disciplina de Física e sobre o contato com atividades experimentais em sala de aula.
Este questionário prévio foi aplicado com 120 alunos do segundo ano, para podermos conhecer as opiniões sobre o interesse, a necessidade, auto avaliação na disciplina de física e o contato direto com atividades experimentais em sala de aula. No que diz respeito à necessidade da disciplina, 50% dos alunos consideraram a disciplina importante, seguidos das porcentagens de essencial (23%), complementar (19%) e facultativa (8%). Em relação ao interesse dos alunos para com a disciplina, 58% dos alunos consideraram seu interesse médio, seguidos de baixo (21%), alto (11%), muito alto (5%) e muito baixo (5%). Já na questão auto avaliação, 37% dos alunos se consideraram bom, seguidos de regular (32%), ruim (23%), ótimo (4%) e muito ruim (4%). Para o contato com atividade experimental, preferimos desconsiderar feiras científicas ou similares, e nos limitamos somente a atividades realizadas em sala de aula. 51% dos alunos disseram sim, porém poucas vezes trabalharam com experimentos, 3% dos alunos disseram que sim, já trabalharam varias vezes e 46% dos alunos disseram que não tiveram contato algum com experimentos, conforme Figura 02.
Figura 02: Contato com atividades experimentais em sala de aula.
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Após a aplicação deste questionário, houve uma oficina de experimento, intitulada 'nuvem na garrafa', ministrada pelo próprio bolsista para ter um contato direto com as turmas, ver Figura 03(a) e Figura 03(b). Nesta, houve uma conversa informal sobre o experimento em questão, para análise do fenômeno ocorrido.
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Figura 03 -(a) Experimento nuvem na garrafa, antes do fenômeno . (b) Experimento nuvem na garrafa, observado no momento em que ocorre o fenômeno .
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Cada turma foi dividida em 04 (quatro) grupos para as apresentações, nas quais cada grupo ficou responsável por apresentar um experimento e um roteiro experimental.
No que concerne às apresentações, a maioria das turmas apresentaram com êxito seus experimentos, uns bem feitos e outros com pequenas falhas na apresentação. Ao final deste período, foi aplicada uma avaliação para conhecermos a opinião dos alunos sobre esta forma de ensino. No geral os alunos apontaram que é uma forma interessante que o professor pode adotar para ensinar a disciplina.
Ao término das apresentações foi aplicada uma avaliação individual que continha questões objetivas e dissertativas, nestas últimas, havia uma questão para o aluno interpretar (no contexto da Física) o seu experimento trabalhado em sala de aula, e outra para opinar sobre a utilização de aulas experimentais.
Os resultados foram positivos à medida que alguns alunos conciliaram a parte prática com a parte teórica do assunto que trabalharam.
## Reflexões e Desafios
De todas as dificuldades encontradas na execução das atividades, elencamos alguns itens que consideramos desafios para a inclusão das atividades experimentais na escola, como: a baixa carga horária da disciplina durante a semana, o excesso de carga horária dos professores e a falta de estrutura física adequada dos laboratórios das escolas.
Associada a alta carga horária dos professores (a maioria ministra aula nos três turnos), a baixa carga horária da disciplina é um fator que interfere diretamente na execução de atividades experimentais, pois os professores tendem a escolher entre aplicá-las ou ministrarem os conteúdos que constam no vestibular. De acordo com conversas informais com os professores de Física da escola, esta carência de atividades é justificada pela sua falta de tempo. Neste aspecto lembramos que o
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professor é o sujeito que transmite conhecimento, para isso é necessário tempo e preparação dentro e fora de sala de aula. MARQUES (2009) diz:
O professor é um trabalhador essencialmente intelectual, que utiliza o intelecto para desempenhar sua atividade, não só em sala de aula como fora dela, em casa, na elaboração das provas, na preparação das atividades escolares (...) sabe-se que todo professor leva trabalho da escola para casa. Sua atividade não se esgota no ambiente físico da Instituição de Ensino. A aula ministrada em alguns minutos esconde várias horas de preparação, estudo, pesquisa, meditação, leitura etc.
Tal situação reflete nas aulas de Física caracterizadas pelos alunos como aulas difíceis e complexas, em que salientam o excesso de informações e conteúdos ministrados pelos professores. Esta afirmação é corroborada nos dados obtidos através da aplicação dos questionários, nos quais o desinteresse dos alunos para com a disciplina de Física está estimado de médio para muito baixo. Os dados afirmam que 58% dos alunos classificam seu interesse como médio, 21% como baixo e 5% como muito baixo.
Outro problema encontrado é a baixa qualidade do laboratório, pois além de compartilhamento deste espaço com outras disciplinas da área de ciências, há falta de material adequado para a realização das atividades experimentais.
Apesar dos desafios citados pudemos observar que nestes trabalhos desenvolvidos aproximamos os alunos das atividades experimentais. Adicionalmente, salientamos a importância da parceria da UFAM e PIBID junto à escola, por proporcionar o contato direto do universitário com a realidade escolar durante sua formação profissional, bem como com o objetivo de promover a melhoria da qualidade da educação básica, além de articular de forma integrada a educação superior do sistema federal com a educação básica do sistema público. No PIBID, os bolsistas têm a oportunidade de relacionar-se diretamente com a realidade escolar e amadurecer na docência durante sua formação sob uma perspectiva diferenciada no seu campo de atuação.
## Considerações finais
Entendemos que a escola é um ambiente que deve proporcionar ao aluno e ao professor uma oportunidade de crescimento intelectual, pessoal e profissional através da educação. Oportunidades estas que se tornam desafios devido ao 'sucateamento da educação'. Neste panorama, o Ensino de Física enfrenta uma rejeição pelos alunos das escolas, e que apesar de várias tentativas pela melhoria na relação física - aluno observa-se que existe um distanciamento entre a proposta de ensino e o que é ensinado. Desta forma, para tentarmos fugir deste cenário apresentamos neste estudo alternativas para a inclusão de atividades experimentais no processo ensino aprendizagem da disciplina de Física.
No reconhecimento de que a escola se constitui no principal espaço de acesso ao conhecimento, entendemos que com estas atividades, buscamos alcançar melhorias na relação entre o ensino e aprendizagem da Física e entre o professor e o aluno, tendo como foco principal o rendimento do discente dentro de
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sala de aula e o estímulo voltado às atividades experimentais, tanto do aluno como do professor da rede pública de educação.
## Agradecimentos
À CAPES, pelo apoio financeiro. À Gestão e o corpo docente da Escola Estadual Tiradentes pelo acolhimento e espaço cedido.
## Referências
FARIAS, Ernesto Martins Infraestrutura: a situação das escolas brasileira , 2012. Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/politicaspublicas/infraestrutura-situacao-escolas-brasileiras-681883.shtml>. Acesso em: 18 de abril. 2013.
GASPAR, Alberto Experimentos de ciências para o ensino fundamental . Ed Ática 1 Ed. 2003. a
LOCH, G et. al -O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência na Universidade Federal de Santa Maria e a Aprendizagem da docência para a educação básica in X Congresso Nacional de Educação - EDUCERE, Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2011.
MARQUES, Gérson. O Professor do Direito Brasileiro, Orientações fundamentais de Direito do Trabalho . São Paulo: Ed. Método, 2009.
NASCIMENTO et. al -A importância da experiência vivenciada no PIBID para a formação de professores de Física in VII CONNEPI, Palmas -Tocantins, 2012.
NETO, Jorge M.; PACHECO, Décio. Pesquisa sobre o ensino de Física no nível médio no Brasil: concepção e tratamento de problemas em teses e dissertações . In: NARDI, Roberto (Org.). Pesquisas no ensino de física. 2.ed. São Paulo: Escrituras Editora, p. 15-30, 2001.
VALADARES, E.C.; MOREIRA, A. M. Ensinando física moderna para o segundo grau: efeito fotoelétrico, laser e emissão de corpo negro . Caderno Catarinense de Ensino de Física, v.15, n2, 1998.
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