PIBID/UFRJ NA SALA DE AULA: EXPERIMENTOS DE INTRODUÇÃO AO MAGNETISMO
Leonardo Rodrigues De Jesus, David Henrique Da Silva Araújo, Vinícius Almeida Alves, Almir Guedes Dos Santos, João José Fernandes De Sousa, Vitorvani Soares
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 27/01/2015
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PIBID/UFRJ NA SALA DE AULA: EXPERIMENTOS DE INTRODUÇÃO AO MAGNETISMO* 1
Leonardo Rodrigues de Jesus 1 , David Henrique da Silva Araújo , Vinícius 2 Almeida Alves 3 , Almir Guedes dos Santos , João José Fernandes de Sousa , 4 5 Vitorvani Soares 6
1 UFRJ/Instituto de Física, leo\_cp2d@hotmail.com
2 UFRJ/Instituto de Física, david.henrique.rj@hotmail.com
3 UFRJ/Instituto de Física, vinny\_td@hotmail.com
4 IFRJ/Campus Nilópolis, SEEDUC-RJ/CE Mal João Baptista de Mattos e UFRJ/Instituto de Física, almirgds\_if@yahoo.com.br
5 UFRJ/Instituto de Física, jjose@if.ufrj.br
6 UFRJ/Instituto de Física, vsoares@if.ufrj.br
## Resumo
No presente trabalho apresentamos a dinâmica de uma aula experimental de introdução ao magnetismo voltada para turmas regulares de 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Marechal João Baptista de Mattos. A atividade experimental sobre magnetismo foi realizada em 2012 e 2013 durante o horário regular de aula, antes da parte expositiva, e auxiliou o professor na discussão com os alunos dos conceitos de força magnética (de atração e repulsão), magnetização de materiais simples, polos magnéticos, linhas de indução magnética e campo magnético. Os recursos didáticos empregados nesta aula foram realizados com materiais de baixo custo, tais como ímãs, bússolas, clipes de papel, entre outros, além de um roteiro experimental e um vídeo didático apropriado, de curta duração. Esta atividade permitiu ainda que licenciandos da UFRJ refletissem sobre experimentos que podem ser usados para ensinar magnetismo na educação básica. O entusiasmo e o interesse dos alunos foram percebidos com clareza a partir do diálogo entre eles e também com os licenciandos e o supervisor, somados aos bons resultados obtidos pelos estudantes em avaliação realizada no final do bimestre. O presente trabalho é um exemplo de atividade elaborada no âmbito da dinâmica de funcionamento do subprojeto PIBID da Licenciatura em Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Palavras-chave : Magnetismo, Materiais didáticos, Formação de Professores, PIBID, Experimentos.
## Introdução
A presente atividade experimental sobre magnetismo foi elaborada e aplicada no Colégio Estadual Marechal João Baptista de Mattos no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID/CAPES/UFRJ) da Licenciatura em Física da UFRJ. A realização, em uma aula regular, de atividades experimentais antes da apresentação expositiva tem sido uma das características dos trabalhos realizados pelo PIBID e a dinâmica do seu desenvolvimento está descrita, de forma geral, em publicações recentes (SANTOS et al., 2013a e 2013b; e SOUSA et al., 2011 e 2013).
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26 a 30 de janeiro de 2015
Durante a preparação das nossas aulas de introdução ao magnetismo, realizamos uma pesquisa não exaustiva na base SciELO sobre atividades em sala de aula que exploram a utilização de experimentos no ensino das propriedades magnéticas dos materiais para o ensino básico . Esta procura simples revelou somente um pequeno número de trabalhos (MOURA e CANALLE, 1999; AGUIAR e ROBILOTTA, 2005; MAGNO et al., 2010; BOSS et al., 2012). Em acordo com estas referências, a nossa atividade experimental de introdução ao magnetismo foi realizada em uma aula regular, antecipando-se à parte expositiva, e auxiliou o professor na discussão dos conceitos de força magnética, magnetização de materiais simples, polos magnéticos, linhas de indução magnética e campo magnético. Nos referidos trabalhos, assim como em nossa atividade, os experimentos também foram acompanhados de perguntas a serem respondidas. Em nosso caso, entretanto, criamos um roteiro especifico com os procedimentos experimentais e exploramos as potencialidades de um vídeo demonstrativo. Estes recursos didáticos são constituídos por materiais de baixo custo; o vídeo escolhido é de curta duração e de livre acesso (OJEDA, 2014); e o roteiro experimental, apresentado no Apêndice deste trabalho, foi elaborado pelos próprios licenciandos, com a orientação do supervisor e do orientador vinculados à escola onde o PIBID atua.
As atividades foram elaboradas de forma a permitir que os estudantes adquiram compreensões ou noções cientificamente aceitas acerca dos fenômenos magnéticos e seus conceitos, tais como a força magnética de atração e de repulsão existente entre ímãs e a representação dos campos magnéticos de ímãs com linhas de indução, além de rever a concepção ingênua de um ímã poder atrair qualquer tipo de metal. Destacamos, ainda, que as atividades apresentadas neste trabalho também contemplam várias orientações do PCN+ de Física (BRASIL, 2002, p. 1011): (1) Possibilitar, frente a uma situação ou problema concreto, que o aluno reconheça a natureza dos fenômenos envolvidos, situando-os dentro do conjunto de fenômenos da Física e identificar as grandezas relevantes, em cada caso; (2) Reconhecer a relação entre diferentes grandezas, ou relações de causa-efeito, para ser capaz de estabelecer previsões; e (3) Identificar regularidades, associando fenômenos que ocorrem em situações semelhantes, para utilizar as leis que expressam essas regularidades, na análise e previsões de situações do dia-a-dia.
## Aulas de magnetismo com atividades experimentais na literatura
Identificamos três artigos que exploram o emprego de experimentos no ensino de magnetismo para o ensino básico: dois deles para o Ensino Médio (MOURA e CANALLE, 1999; AGUIAR e ROBILOTTA, 2005) e um para o Ensino Fundamental (BOSS et al., 2012). Moura e Canalle (1999) analisaram a localização da polaridade ao quebrar-se um ímã de face retangular. Eles sugerem que o professor, após apresentar os conceitos sobre magnetismo, quebre um ímã de face retangular e, em seguida, os aproxime de diferentes modos para os alunos identificarem os polos do imã utilizado. Em nossa atividade pedimos simplesmente que os alunos aproximem dois ímãs e observe o efeito de tal aproximação. Aguiar e Robilotta (2005) usaram bússolas para mapear o campo magnético terrestre nas proximidades da escola. Eles também relataram que o docente realizou um conjunto de atividades experimentais sobre magnetismo com seus discentes; solicitou a eles que descrevessem o local nas proximidades da escola em que o campo magnético
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foi mapeado; e, ao final, realizaram uma discussão das observações efetuadas. Em nosso trabalho pedimos aos discentes um desenho do campo mapeado pela bússola, dentro do laboratório de física do colégio, indicando a localização dos polos magnéticos e geográfico do nosso planeta. Boss et al. (2012) fixaram previamente ímãs em carrinhos para que, ao aproximá-los, pudessem abordar o conceito de força magnética, e exploraram a ausência de repulsão entre ímãs e metais magnetizados. Eles utilizaram um kit pronto, composto basicamente de carrinhos com ímãs fixados e um trilho, para discutir a atração e a repulsão entre os polos magnéticos. Eles ainda usaram ímãs e metais de mesmo formato cilíndrico, organizados em série dentro de um tubo transparente, evidenciando-se os efeitos de atração e repulsão ao aproximar um ímã de outro e constataram a ocorrência somente do efeito de atração ao aproximar um ímã de um metal ferromagnético. Em nossa atividade não houve qualquer kit pronto e os alunos simplesmente aproximaram um ímã de diferentes maneiras, observando a atração, a repulsão ou nenhum dos dois efeitos.
## Descrição da nossa atividade
A elaboração do roteiro foi trabalhosa e reflexiva em quase todas as suas etapas. Entretanto, salientamos que este esforço representou uma experiência construtiva para os monitores. Como de costume, foram realizadas pesquisas na internet e em livros didáticos, além de debates entre os licenciandos e os professores da equipe com o propósito de selecionar os experimentos adequados e a forma de apresentá-los, levando-se em conta o tempo disponível, as possíveis dificuldades que os alunos poderiam ter e também procurando inserir um pouco da história dos temas abordados. Procuramos estruturar o roteiro de forma que ele ficasse de fácil compreensão, sem sacrificar qualquer conceito científico.
No experimento sobre linhas de indução magnética, optamos por um vídeo didático, de livre acesso. Para realizar este experimento ainda não dispomos de ímãs adequados para a fácil visualização das linhas de campo. Os ímãs utilizados no vídeo eram grandes e possuíam um campo magnético intenso, tornando as linhas do campo visualizáveis com limalha de ferro aspergidas sobre uma superfície branca e lisa. Tal processo foi repetido, no vídeo, com ímãs diferentes e, no final, também com pares de ímãs apresentando a interação entre os pares, a atração ou a repulsão, com base nas linhas de indução magnética. O único problema do vídeo era o idioma, por estar em espanhol. Porém, quando necessário, o professor 'dublou' e descreveu as sequências do vídeo durante a aula.
## Aplicação na sala de aula
No início da atividade, os alunos foram distribuídos em grupos de três ou quatro membros e os roteiros foram entregues individualmente para facilitar e agilizar a leitura, a discussão e a compreensão do texto. Após sua leitura, os alunos solicitaram os materiais necessários para o primeiro experimento da atividade, o que foi realizado para cada um deles. Cada grupo entregou ao docente somente um roteiro final, devidamente preenchido, que foi discutido e corrigido pelo professor e sua equipe de monitores, após acordarem critérios de correção e pontuações das questões. O roteiro didático possui uma introdução geral aos assuntos da atividade, uma introdução a cinco experimentos, e um procedimento experimental: registro dos fenômenos observados e análise de fenômenos ou situações físicas, sendo
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finalizado com as referências utilizadas (oficinas ministradas em encontros anteriores de Ensino de Física).
No experimento I, aproximam-se as faces de dois ímãs, sem permitir o contato entre eles, de modo que podemos observar a ação de uma força à distância (força magnética), que pode ser atrativa ou repulsiva. Em seguida, os alunos devem manter um dos ímãs fixo e girar o outro, até que as faces interajam atrativamente ou repulsivamente conforme a escolha inicial. No experimento II, é pedido ao aluno aproximar um ímã de pequenos objetos, tais como: pedaços de isopor, de papel, de madeira, canudinhos de plástico, lacre de alumínio de latinha de refrigerante, clips de papel e moedas. Explora-se, dessa forma, a característica de alguns materiais de interagir atrativamente com um imã (materiais magnéticos), enquanto outros não sofrem a ação da força magnética. No experimento III, observa-se a orientação de uma bússola nas vizinhanças de um ímã. Em seguida, compara-se a interação entre a agulha magnética da bússola e o imã, tendo em vista a interação magnética entre dois imãs estudada no experimento I. Para tal, foi definido o polo norte magnético da agulha da bússola como sendo o pintado, sendo o outro polo o não pintado. Finalmente analisa-se a característica vetorial da força magnética e a noção de linhas de indução magnética (representação do campo magnético). No experimento IV, os alunos assistem ao vídeo (OJEDA, 2014) onde se demonstra a distribuição de limalhas de ferro sobre papel cartão na presença do campo magnético originário de imãs com diversas configurações. Em seguida, cada grupo verifica qualitativamente a presença de campo magnético nas imediações de um imã usando uma bússola. Explora-se, então, os conceitos de campo magnético e linhas de indução magnética. No experimento V, utiliza-se uma bússola como instrumento de orientação geográfica dentro do laboratório do colégio. Identifica-se o polo norte geográfico a partir da orientação da agulha da bússola com o polo sul magnético da Terra.
## Discussões e resultados
FIGURA 1. Exemplo de resposta do roteiro da atividade de magnetismo.
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A aula experimental trouxe um primeiro contato do aluno com os fenômenos relacionados ao magnetismo. A compreensão desses fenômenos pelos alunos foi evidenciada pelas suas respostas ao roteiro (Fig. 1), pela participação e interesse nas aulas expositivas subsequentes. Os experimentos foram realizados no laboratório da escola, com turmas de 40 alunos, em média. O auxilio dos monitores do PIBID ao trabalho do professor permite que as solicitações dos alunos durante as aulas sejam melhor acompanhadas pela equipe. Esta participação do licenciando nas aulas regulares, junto com o professor supervisor, identificando, esclarecendo e orientando as dificuldades dos alunos, lhe possibilita uma capacitação além daquela
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que a universidade pode oferecer. A experiência adquirida em sala de aula lhe permite conhecer os desafios do magistério.
## Conclusões
O envolvimento dos alunos durante a atividade foi clara. Tornar concreto um conceito abstrato como o campo magnético, realizar observações qualitativas com a bússola, descobrir a potencialidade deste instrumento e verificar a existência do campo magnético terrestre ativam a percepção e estimulam o senso de observação dos alunos. Esta conclusão ocorreu a partir das respostas do roteiro e do diálogo entre os alunos e entre cada um deles com os licenciandos e o supervisor. Além disso, o preenchimento do roteiro colaborou para que os alunos pudessem exercitar a redação científica. Este roteiro continua sendo aperfeiçoado de forma a torná-lo mais instrutivo em relação aos conceitos abordados e preciso nas orientações fornecidas aos alunos. Finalmente, concluímos que a atividade descrita permitiu que os licenciandos refletissem sobre diferentes métodos e estratégias para o ensino do magnetismo na educação básica.
## Referências
AGUIAR, R.R., ROBILOTTA, M.R. A Bússola Como Um Tijolo: Um Pouco de Paulo Freire no Ensino de Física . 2005. 16. Simpósio Nacional de Ensino de Física, Rio de Janeiro, 2005.
BOSS, S.L.B., FILHO, M.P.S., MIANUTTI, J., CALUZI, J.J. Inserção de Conceitos e Experimentos Físicos nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental: Uma Análise à Luz da Teoria de Vigotski. Revista Ensaio , Belo Horizonte, v.14, n.3, p. 289-312, set/dez. 2012.
BRASIL. Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio - Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias (PCN+). Secretaria de Educação Básica: Ministério da Educação, 2002.
CORREIA, F.M. et al. Formação de Professores de Física no Âmbito do PIBID/UFRJ: Atuação no Colégio Estadual Marechal João Baptista de Mattos Coelho Neto . 2013. 11. Encontro de Licenciatura em Física, Rio de Janeiro, 2013.
MAGNO, W.C., ANDRADE, M., ARAUJO, A. E. P. Construção de um Gaussímetro de Baixo Custo . Rev.Bras.Ens.Fís. , São Paulo, v.32, n.3, 2010.
MOURA, R., CANALLE, J.B.G. Quebra-se um Ímã, Faz-se um Cientista. Cad.Cat.Ens.Fís. , Florianópolis, v.16, n.2, p. 249-253, ago. 1999.
OJEDA, J.G.R. Imanes Permanentes, Campo y Líneas de Fuerza. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=XCbSF-ZenKo. Acesso em: 30/10/14.
SANTOS, A.G. et al. Atividades Experimentais na Formação de Licenciandos em Física pelo PIBID/UFRJ . 2013. 20. Simpósio Nacional de Ensino de Física, São Paulo, 2013a.
SANTOS, A.G. et al. Formação de professores de Física, pelo PIBID/UFRJ e sua atuação em uma escola pública estadual . 2013. 11. Conferência Interamericana sobre Educação da Física, Guayaquil-Equador, 2013b.
SOUSA, J.J.F. et al. O Licenciando em Física e a Escola Básica no Contexto do PIBID/CAPES em Execução na UFRJ . 2011. 19. Simpósio Nacional de Ensino de Física, Manaus, 2011.
SOUSA, J.J.F. et al. O Subprojeto Física do PIBID-UFRJ: A Atuação em Sala de Aula . 2013. 20. Simpósio Nacional de Ensino de Física, São Paulo, 2013.
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## Apêndice - Roteiro experimental sobre o magnetismo
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Autores: ALVES, V.A. ; SOUSA, J.J.F. ; SANTOS, A.G. ; SILVA, J.C.G.; JESUS, L.R.; RODRIGUES, D.F.; CRUZ, T.L.; CORREIA, F.M.; ARAÚJO, D.H.S.; e VALANI, L.M. Apoio: Subprojeto Física do PIBID/CAPES/UFRJ. Agradecimentos: CAPES (MEC), Instituto de Física (UFRJ) e Colégio Estadual Marechal João Baptista de Mattos (SEEDUC-RJ) (atividade aplicada nesta escola em turmas da 3 série do Ensino Médio nos anos de 2012, 2013 e 2014). Apoio: CAPES. a
## Atividade de Introdução ao Magnetismo
## INTRODUÇÃO
Em eletrodinâmica, estudamos as cargas elétricas em movimento ordenado (corrente elétrica) e os efeitos produzidos nos condutores, como, por exemplo, o efeito Joule no filamento de uma lâmpada incandescente. Iniciamos agora o estudo do magnetismo.
## EXPERIMENTO I - Força Magnética
As primeiras observações de fenômenos magnéticos são muito antigas, tanto que se acredita que foram realizadas pelos gregos em uma cidade da Ásia denominada Magnésia (Figura 1). Eles verificaram que existia, nesta região, certa pedra que era capaz de atrair pedaços de ferro. Sabemos atualmente que estas pedras são denominadas ímãs naturais, sendo constituídos de óxido de ferro. O termo 'magnetismo' foi, então, usado para designar o estudo das propriedades destes ímãs, em virtude do nome da cidade onde foram descobertos.
Figura 1 Antiga cidade da Ásia denominada Magnésia.
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Considerando que todas as forças obedecem à 3ª Lei de Newton, ímãs se atraem (ou se repelem) com forças magnéticas de mesma intensidade e mesma direção, mas com sentidos opostos.
Materiais: 2 ímãs.
Passos: 1) Pegue dois ímãs e aproxime ambos por uma de suas faces maiores sem deixá-los encostar um no outro, sendo esta denominada Situação 1; 2) Use a outra face maior de um dos ímãs da Situação 1 para realizar novamente o procedimento apresentado no item anterior, sendo esta denominada Situação 2.
Questões: 1. Descreva o que foi observado pelo grupo nas duas situações e relate o nome da força que atua entre os ímãs?
2. Desenhe os dois ímãs com as forças de natureza magnética, ou simplesmente forças magnéticas (representadas por: ), que estão agindo sobre eles em cada uma das duas situações.
## EXPERIMENTO II - Materiais magnéticos
Observou-se que um pedaço de ferro colocado nas proximidades de um ímã permanente adquiria as mesmas propriedades deste ímã. Então, foi possível obter ímãs não naturais (ímãs artificiais), de várias formas e tamanhos, utilizando pedaços de ferro e outros materiais. Deve-se destacar que nem todos os metais interagem magneticamente com ímãs, contudo há materiais não metálicos e magnéticos. Um teste simples para verificar se o material possui propriedades magnéticas é aproximá-lo de um ímã, de forma que havendo atração ou repulsão, o material será magnético.
Materiais: 1 ímã, 1 clipe de papel, 1 moeda de 10 centavos, 1 pedaço de papel, 1 lacre de lata de refrigerante, 1 pedaço de canudo, 1 bloco de madeira e 1 pedaço de isopor.
Passo: Pegue o ímã e aproxime-o de cada material listado acima, verificando qual sofre interação magnética com o ímã.
Questão : Dos materiais testados, quais interagem magneticamente com o ímã?
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## EXPERIMENTO III - Pólos magnéticos
Verificou-se que os pedaços de ferro eram atraídos com maior intensidade por certas partes do ímã, as quais foram denominadas pólos do ímã . Ímãs possuem dois pólos, denominados pólo sul (magnético) e pólo norte (magnético). Nos ímãs em forma de barra, por exemplo, eles localizam-se em suas extremidades, sendo neles também que a força magnética é mais intensa (Figura 2). Se você manusear dois ímãs de pólos magnéticos conhecidos, facilmente descobrirá que:
Pólos magnéticos iguais se repelem e pólos magnéticos opostos se atraem.
Figura 2 Um ímã em barra possui dois pólos, em suas extremidades.
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Materiais: 1 bússola (ímã de pólos conhecidos) e 1 ímã de pólos desconhecidos.
*ATENÇÃO! Não ponha o ímã em cima da bússola e nem balance esta, pois poderá danificá-la!!!)
Passos: Baseado no que já foi dito, procure verificar onde estão os pólos do ímã desconhecido e quais são eles.
Questão: Descreva como você encontrou os pólos do ímã desconhecido e quais são eles.
## EXPERIMENTO IV - Linhas de indução magnética
Figura 3 A interação magnética do ímã com determinados materiais possibilita a atração magnética.
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## Campo magnético
Um ímã cria uma região de influência em torno de si, que exerce influência tanto sobre outros ímãs, como em alguns materiais, tais como ferro, cobalto, níquel e algumas ligas (Figura 4). Essa região é denominada campo magnético. Quando colocamos material magnético próximo a um campo magnético ele se alinha de acordo com o campo.
## Linhas de indução magnética
Quando um ímã interage com outro ímã ou certos materiais, podemos interpretar tal situação considerando que o ímã estabelece no entorno um campo magnético. Para representar o campo magnético, utilizamos linhas de indução
magnética que saem do pólo norte de um ímã para o sul de outro (e/ou do mesmo) ímã, as quais, por sua vez, são tangenciadas pelas agulhas das bússolas.
## Bússola
A bússola, que foi inventada pelos chineses, constitui-se de um pequeno ímã em forma de losango, denominado agulha magnética, que quando suspenso pelo seu centro se alinha paralelamente as linhas de indução magnética (local) do campo magnético terrestre.
Materiais: 1 ímã / 1 bússola
Passos (1 etapa): a 1) Coloque o ímã sobre a mesa; 2) Gire a bússola, horizontalmente, ao redor do ímã, verificando o que ocorre; 3) Escolha ao menos três posições ao redor do ímã em que a bússola aponte para direções diferentes.
Passos (2 etapa): a Os próximos passos serão observados no vídeo 'Imanes Permanentes, Campo y Líneas de Fuerza (...)' (Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=XCbSF-ZenKo. Acesso em: 06/06/2014).
1) Após afastar a bússola do imã, uma folha de papel cartão é colocada sobre o mesmo; 2) Bem devagar, derrama-se limalha de ferro sobre a folha de papel cartão; 3) O procedimento 2 é repetido com ímãs de diferentes formatos em baixo da folha de papel cartão.
Questões: 1. O que acontece quando a limalha de ferro é derramada na folha de papel cartão? 2. Desenhe um dos ímãs mostrados no vídeo com as respectivas linhas de indução magnética formadas pelas limalhas:
## EXPERIMENTO V - Campo Magnético Terrestre
## Campo magnético terrestre
Desde a invenção da bússola sabe-se que a Terra se comporta como se fosse um enorme ímã, cujo pólo norte magnético está situado nas proximidades do pólo sul geográfico e vice-versa (Figura 4). Chamamos de pólo norte da agulha magnética da bússola à extremidade que aponta para o norte geográfico, pois é atraído pelo pólo sul magnético terrestre. O outro é chamado pólo sul da agulha magnética da bússola.
Até meados do século XX, acreditava-se que o magnetismo terrestre estendia-se por todo o espaço. No entanto, pesquisas recentes, usando sondas espaciais, demonstraram que o campo
Figura 4 A Terra pode ser considerada um enorme ímã.
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magnético terrestre se limita a uma região do seu entorno chamada magnetosfera.
Material: 1 bússola.
Passos: 1) Lembrando que a bússola também é atraída por metais magnetizados, antes de utilizá-la verifique a presença de metais por perto; 2) Pegue a bússola e a mantenha na posição horizontal (utilize, por exemplo, a mesa como referência de direção horizontal); 3) Gire-a algumas vezes mantendo-a na direção horizontal, reparando que ela sempre aponta para a mesma direção e o mesmo sentido.
Questão: Introduza na representação abaixo do laboratório de física (Figura 5) um vetor que indique a direção e o sentido em que a agulha da bússola parou. A partir do desenho da bússola, desenhe também onde se encontram aproximadamente os pólos norte e sul geográfico terrestre.
Figura 5 - Laboratório de Física: à esquerda se encontra a porta e à direita as duas janelas. Fonte: Autores deste roteiro didático.
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## REFERÊNCIAS
BONJORNO, J.R.; BONJORNO, R.A.; BONJORNO, V.; RAMOS, C.M. Física Novo Fundamental, 1ª Ed., vol. único. São Paulo: Ed. FTD, 1999.
BRASIL. Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio - Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Secretaria de Educação Básica: Ministério da Educação, 2002. Disponível em: BISCUOLA, G.J.; BOAS, N.V.; DOCA, R.H. Tópicos de Física, 1ª Ed., vol.3. São Paulo: Ed. Saraiva,
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/CienciasNatureza.pdf. Acesso em: 22/ 04/ 2010. 2001.
LUZ, A.M.R.; ÁLVARES, B.A. Física - Ensino Médio, 1ª Ed., vol. 3. São Paulo: Ed. Scipione, 2006. OLIVEIRA, M.P.P.; POGIBIN, A.; OLIVEIRA, R.C.A.; ROMERO, T.R.l. Física em Contextos Pessoal, Social e Histórico, 1ª Ed., vol. 3. São Paulo: Ed. FTD, 2010.
VIANNA, D.M., SANTOS, A.G., DIAS, M.A., CHAGAS, S.M.A., SOUSA, J.J.F., MOREIRA, L.F., JESUS, L.R., ALVES, V.A., SILVA, J.C.G., GALHARDI, E., COELHO, J. Coelho, SILVA, T.S., LACERDA, M., ALMEIDA, A., MORATTI, E.. Atividades Experimentais no Âmbito do PIBID/UFRJ: Eletrodinâmica, Magnetismo e Ondulatória. XX Simpósio Nacional de Ensino de Física, 2013, Local: USP, São Paulo, SP.
CORREIA, F.M., CRUZ, T.L., JESUS, L.R., RODRIGUES, D.F., SILVA, J.C.G., SANTOS, A.G., SOUSA, J.J.F., VIANNA, D.M. e MOREIRA, L.F. Formação de Professores de Física no Âmbito do PIBID/UFRJ: Atuação no Colégio Estadual Marechal João Baptista de Mattos - Coelho Neto. XI Encontro de Licenciatura em Física, 2013, Local: UFRJ, Rio de Janeiro, RJ.
## LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Antiga cidade da Ásia denominada Magnésia. LUZ, A.M.R.; ÁLVARES, B.A. Física - Ensino Médio, 1ª Ed., vol. 3, p. 196. São Paulo: Ed. Scipione, 2006.
Figura 2 - Um ímã em forma de barra possui dois polos, situados em suas extremidades . LUZ, A.M.R.; ÁLVARES, B.A. Física - Ensino Médio, 1ª Ed., vol. 3, p. 196. São Paulo: Ed. Scipione, 2006.
Figura 3 - A interação magnética do ímã com determinados materiais possibilita a atração magnética. BISCUOLA, G.J.; BOAS, N.V.; DOCA, R.H. Tópicos de física, 1ª Ed., vol. 3, p. 277. São Paulo: Ed. Saraiva, 2001.
Figura 4 - A Terra pode ser considerada um enorme ímã. BONJORNO, J.R.; BONJORNO, R.A.; BONJORNO, V.; RAMOS, C.M. Física Novo Fundamental, 1ª Ed., vol. Único, p. 561. São Paulo: Ed. FTD, 1999.
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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.