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O FILME VELOZES E FURIOSOS NO ENSINO DE FÍSICA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA INVESTIGATIVA

Celso Luiz Mattos, Carolina Rodrigues De Souza

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## O FILME VELOZES E FURIOSOS NO ENSINO DE FÍSICA: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA INVESTIGATIVA

## THE MOVIE "FAST AND FURIOUS" IN PHYSICAL EDUCATION: REPORT OF AN INVESTIGATIVE EXPERIENCE

## Celso Luiz Mattos 1 ; Carolina Rodrigues de Souza 2

1

UFSCar/Departamento Metodologia de Ensino, celsoluizmattos@hotmail.com 2 UFSCar/ Departamento Metodologia de Ensino, carolinasouza@ufscar.br

## Resumo

Este trabalho relata o desenvolvimento de uma proposta didática realizada durante um estágio realizado pelo autor dessa pesquisa, enquanto monitor de física para o Ensino Médio. A atividade foi proposta para duas turmas do 1º Ano do Ensino Médio de uma escola particular de Araraquara em setembro de 2013, que teve como base a utilização de cenas do filme 'Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio', a partir de uma abordagem investigativa de ensino. No final da atividade os alunos responderam um questionário, não nominal, em que narraram as suas impressões sobre a atividade proposta . A motivação para a realização de tal atividade se deu durante a discussão teórica nas aulas da disciplina 'Atividades Investigativas no Ensino de Física' que ocorreram na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) durante o segundo semestre de 2013, aliada a desmotivação dos alunos do ensino médio vivenciada na experiência de estágio no mesmo período. Verificou-se no uso do filme de ação, hollywoodiano, relativamente novo (2011) de não caráter científico, uma possibilidade de contextualização de conceitos científicos presentes no ensino de física, visando motivação para discussões conceituais sobre a cena assistida . Ao final da atividade foi possível notar que o uso do filme de ação, numa perspectiva investigativa de ensino, causou sensibilização e motivação nos alunos quanto ao ato de investigar conceitos físicos contidos na cena apresentada.

Palavras-chave : Ensino de física, atividades investigativas, filme de ação, vídeo.

## Introdução

- O ensino de física no Brasil, apesar das pesquisas e iniciativas didáticas propostas nas últimas décadas, vem sofrendo com a falta de conexão, correlação e sentido do que é aprendido em sala de aula com o contexto vivido pelos alunos fora da escola, desenhando um cenário de um espaço escolar que não dialoga com as necessidades, anseios e demandas sociais. As aulas expositivas são predominantes e são reforçadas por resolução de exercícios, como se esse fosse o caminho para um ensino de qualidade. Esse ensino é conservador e pouco atrativo e não possibilita aos alunos adquirirem posição crítica acerca de fenômenos físicos contidos em suas realidades (CLEBSCH, 2004).

Conflitando com a educação atual onde se é enfatizado o acúmulo de informações acabadas, que são transferidas pelo professor, o ensino por investigação auxilia a obtenção de ideias sobre uma situação, que podem ser desenvolvidas em conceitos e teorias úteis para estudos posteriores. Sendo assim, o

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26 a 30 de janeiro de 2015

ensino por investigação tem se mostrado mais efetivo, promovendo maior entendimento e maior engajamento por parte dos estudantes.

Zômpero, Laburú (2011) e Sá et al. (2007) apontam que o ensino por investigação possibilita aos alunos se tornarem ativos de sua aprendizagem, desenvolvendo e aprimorando suas habilidades cognitivas, trabalho em cooperação, formulação de hipóteses, teses e conclusões, análise de dados, e também desenvolvendo a argumentação e o raciocínio científico. Tais habilidades são significativas para o desenvolvimento pessoal do indivíduo, cooperando para sua formação como pessoa, e tal metodologia não deixa de lado os conteúdos conceituais do conhecimento científico. Para isso os alunos têm que se interessarem pelo problema e se sentirem motivados a resolvê-lo (ZÔMPERO e LABURÚ, 2011).

Durante a disciplina 'Atividades Investigativas no Ensino de Física' oferecida pelo Departamento de Metodologia de Ensino da UFSCar no segundo semestre de 2013, discutiu-se as concepções de uma abordagem investigativa de ensino e com base no referencial teórico (ROGRIGUES e BORGES, 2004; SÁ et. al., 2007; RICARDO, 2003 ;ZÔMPERO e LABURÚ, 2011; FERNANDES e MARQUES, 2012) foi possível conhecer as respectivas características dessa abordagem metodológica.

Segundo Sá et. al. (2007), não se existe uma definição precisa do que é uma atividade investigativa, mas existe um consenso entre os pesquisadores do que uma atividade precisa ter para ser considerada investigativa. Sendo assim, uma atividade investigativa precisa causar a sensibilização do aluno para o tema e este deve estar contextualizado, o aluno é ativo no processo ensino-aprendizagem, crítico e questionador, ele ainda levanta hipóteses e as testam, trabalha em conjunto e socializa os resultados obtidos, entre outras que podem ser consideradas características de uma atividade investigativa.

Segundo o autor, tais atividades são também caracterizadas de acordo com seus níveis de investigação.

Nível 0: O problema, procedimento e conclusão são dados pelo professor.

Nível 1: O problema e procedimento são dados pelo professor e a conclusão cabe ao aluno chegar até ela.

Nível 2: Apenas o problema é dado pelo professor, o procedimento e a conclusão é responsabilidade do aluno.

Nível 3: O problema, procedimento e conclusão é aberto para que o aluno chegue ao resultado esperado.

Esses níveis começam com pouca investigação e vão até o nível máximo de investigação, em que os alunos precisam investigar desde o tema até tirar suas conclusões.

No entanto, para qualquer atividade investigativa, os alunos precisam ser estimulados e motivados. O contexto para a realização de um ensino investigativo precisa ser curioso, problematizador e dialógico. Ricardo (2003) nos aponta que a contextualização não está ligada apenas ao cotidiano do aluno, vai além quando se trata de transpor os conhecimentos obtidos de uma contextualização a fim de teorização e modelização autônoma do indivíduo. Ainda se diz que um conceito ou um modelo estão contextualizados quando são apresentados em um contexto pertinente para o que se pretende estudar. No trabalho de Fernandes e Marques (2012) em que foi estudado a noção de contextualização sob a voz dos elaboradores

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de textos teóricos e metodológicos do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a contextualização traz a ideia de re-significação dos conteúdos conceituais para que os estudantes possam se apropriar destes possibilitando compreensões e intervenções efetivas em suas realidade e que através de situações-problema seja superada a formulação tradicional de exercícios, que já aparecem modelados fisicamente, sendo necessário o acúmulo de conceitos e fórmulas para a sua resolução. Os autores alertam que a contextualização não é a simples aproximação dos conceitos estudados para a realidade do aluno pois isso pode causar o engessamento do conceito estudado, não promovendo a autonomia para o estudante aplicar tal conceito em futuras vivências de sua vida.

Nesse sentido, discutiremos nesse trabalho a possibilidade do uso de filmes de ação, a partir de uma abordagem investigativa, como possibilidades de estimular e contextualizar os alunos do Ensino Médio para as discussões conceituais sobre as cenas assistidas. Trabalhamos com a hipótese de pesquisa se esse atrativo pode ser usado no ensino de física como um motivador e iniciador de discussões nas aulas, e não apenas como uma introdução à um tema específico, que é passado por meio de aulas tradicionais, e que perde a conexão com as cenas vistas.

Segundo Piassi e Pietrocola (2007) os filmes, como os de Hollywood, são grandes atrativos para crianças e jovens, pois possuem apelo audiovisual, efeitos especiais e linguagem simples e acessível a todos. Os autores BRITO e NOLASCO, 2011; NOGUEIRA, 2005 também compartilham dessa ideia, afirmando em seus trabalhos que os filmes de ação apresentam grande proximidade com o publico adolescente e, a principio não trazem conceitos estudados na escola, diferenciandose dos documentários científicos que abordam conceitos já em seu conteúdo e, normalmente, são utilizados, em sala de aula, para comprovar o que já foi apresentado pelo professor.

Dessa forma, este trabalho, que se caracteriza como um estudo de caso, trouxe o referencial teórico que trata do uso de cinema nos processos de ensinoaprendizagem, assim como a contribuição do uso de atividades investigativas no ensino de física.

A partir da obtenção dos dados, na experiência com alunos do ensino médio, a análise dos questionários que foram aplicados no final da proposta didática desenvolvida e tomando por base o referencial teórico construído, tentou-se identificar como se dá a interação dos alunos com a atividade proposta, tal como analise da presença de motivação, interesse, autonomia, participação, argumentação, desenvolvimento do pensamento científico e dificuldades encontradas para a elaboração e aplicação da proposta pelos alunos.

## O filme Velozes e Furiosos numa aula de física - Desenvolvimento da proposta didática

Como monitor de física, de uma escola particular do Ensino Médio, do município de Araraquara, no ano de 2013, e com o aparecimento de quatro aulas vagas, duas aulas em cada turma de primeiro ano, sendo de 50 minutos de duração cada, foi necessária a elaboração de uma sequência didática para que a aula eventual não reforçasse a visão dos alunos de que substituição de aulas é o

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equivalente a não ter aula, aula de descanso ou ainda, um horário vago para que se possa colocar a conversa em dia.

Minha convivência com os alunos havia se iniciado em 2012 em uma escola particular em Araraquara, em que participava das aulas de física como ouvinte, ministrava plantão de dúvidas e substituição em aulas eventualmente quando necessário. Em umas das oportunidades de substituir as aulas do professor regular da disciplina, elaborei uma proposta didática, de caráter investigativo, a partir de uma cena do filme Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio'. O objetivo dessa atividade foi buscar a relação entre os conceitos físicos aprendidos pelos alunos em aulas anteriores de física com a física presente nas cenas do filme Velozes e Furiosos que lhes foi passada, isso foi feito por meio de observações e discussões. Foi usado um questionário, não nominal, como meio de se obter dados dos alunos sobre a proposta didática. Tal questionário continha uma parte destinada aos assuntos abordados durante a discussão na atividade e uma parte destinada a comentar sobre a abordagem metodológica utilizada.

A aula começou com a apresentação da cena escolhida. Não houve explicação sobre a atividade para que não influenciasse no modo como os alunos iriam assisti-la. Com o término da cena, foi questionado aos alunos o que tinham achado do que lhes foi apresentado, as carteiras estavam dispostas em fileiras individuais, e havia pouca participação por parte dos alunos na primeira pergunta sobre as impressões primárias sobre a cena vista. Assim, foi pedido para que afastassem as carteiras e, apenas com as cadeiras, formassem um círculo. Com isso feito, foi possível notar que a dinâmica da turma mudou. Esse simples fato de quebrar com a forma clássica de organização da sala de aula trouxe um ar mais descontraído e amigável para os alunos. Nessa nova organização não existia mais frente ou fundo, todos estavam no mesmo patamar, inclusive o professor que se sentou junto aos alunos no círculo. Terminada a organização da sala o professor deu continuidade à atividade proposta.

## 'O que acharam?' - Professor

As respostas ainda não tinham caráter científico, cada aluno pode responder sua impressão sobre o que foi exibido, de modo que as respostas iniciais foram um indicativo de que tal filme corresponde a uma forma de lazer que é procurada por eles. Após comentarem sobre seus sentimentos sobre o que lhes foram apresentado foi repetida a pergunta sobre o que acharam da cena exibida, e neste segundo momento alguns pensamentos sobre a natureza científica da cena começaram a surgir.

A cena exibida mostrava dois carros puxando por meio de cabos de aço, um cabo em cada carro, um cofre que estava fixado em uma parede. O cofre foi arrancado da parede e os carros o puxavam em alta velocidade fugindo da polícia. A cena continha vários cortes, mostrando os pilotos dos carros, a fuga da polícia e o cofre sendo arrastado pelas ruas brasileiras.

Os próprios alunos começaram com a discussão a fim de saber se era possível fazer na vida real aquilo que acabaram de ver. Como era a primeira vez que faziam alguma atividade parecida com aquela (como foi relatado nos questionários) foi necessário a intervenção em vários momentos para que fosse dada direção na discussão. Alguns conceitos que tinham estudado, como força, velocidade, aceleração, quantidade de movimento e atrito, começaram a aparecer e com isso foi necessário que se buscasse maiores informações sobre a cena. Como nenhum

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aluno teve a ideia de procurar na internet sobre os carros usados e sobre o cofre, foi pedido para que eles fizessem essa pesquisa e anotassem o que achassem relevante. A escola conta com internet wirelless e trabalha com a utilização de tablets na sala de aula, que facilitou na busca pelas informações desejadas.

As informações obtidas sobre os carros foram marca, ano e modelo, com isso foi possível se procurar sobre dados técnicos do carro, aceleração, rpm, potência, entre outros. Já sobre o cofre foi preciso procurar nas informações sobre o filme em que foi encontrado em um fórum virtual sobre a obra que o cofre em questão pesava 1 tonelada. Essas informações foram úteis para que pudéssemos prosseguir com a discussão.

O desenrolar da aula foi feito todo com base em diálogos entre os presentes. Sendo assim, não houve, e também não era a intenção que houvesse, a preocupação com aplicação de fórmulas e a modelização matemática do que havia sido discutido em aula. Após a discussão, e já se aproximando ao fim do horário disponível para a atividade, foi passado o questionário aos alunos que puderam responder no tempo de 15 minutos. Os questionários não tinham a identificação dos alunos para que pudéssemos ter dados mais reais do processo vivido. A realização do questionário foi inicialmente pensada e julgada necessária pelo professor para que se tornasse um momento em que o aluno pudesse pensar e refletir individualmente no que foi trabalhado durante a atividade.

A atividade proposta teve seu nível de investigação variado durante o seu desenvolvimento pois foi necessária a mediação do professor durante a atividade para dar continuidade a mesma. As mediações ocorreram em todas as etapas, problemas, procedimentos e conclusões. Originalmente todas as etapas estavam em aberto para que os alunos pudessem ter autonomia durante a investigação, mas se fez preciso a mediação do professor para que a discussão não parasse e a atividade continuasse sendo interessante para os alunos. Esse processo foi realizado buscando trazer para a discussão elementos novos para que os alunos pudessem integrá-los ao que já havia sido discutido.

## Resultados obtidos

O filme escolhido agradou a todos, alguns gostavam mais do gênero Ação que outros, porém todos gostaram da cena vista e até pediram para que a mesma fosse passada novamente, mostrando que o filme com seus apelos audiovisuais agrada aos jovens dessa faixa etária, 14-16 anos. Foi possível notar que até os alunos mais quietos e introvertidos participaram da discussão, levantando hipóteses e/ou mostrando algo interessante que encontraram na internet.

Havia, porém, um certo desconforto por parte dos alunos em discutirem a física conceitual de forma aberta com a turma. Para eles a física é uma matéria que precisa ter contas, isso ficou evidente nos questionários, que tiveram a tentativa de realizar algumas contas usando os conceitos que haviam trabalhado em outras aulas da disciplina.

Em uma das questões que perguntava se era possível estimar a velocidade com que os carros estavam puxando o cofre foi verificado a tentativa exaustiva de aplicarem fórmulas e pegar dados da cena vista, embora seja importante a manipulação de variáveis e suas relações, as respostas dos alunos ficaram centradas neste tipo de resolução, mostrando que o ensino com aulas tradicionais,

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focadas na resolução de exercício e na substituição de números em uma fórmula, não permitem que os alunos percebam a relação do conceito físico com o contexto em que vivem.

Na questão em que foi perguntado como o aluno avalia o realismo do filme pode-se notar que a discussão causou um olhar crítico sobre a cena vista, muitos alegaram, com argumentos científicos.

'Em parte é real, mas na maior parte do filme é surreal. É real pelo atrito, tração, etc entre o carro e o cofre, embora essas coisas da física não terem sido representadas realmente pois o carro não apresenta 'trancos' diante o choque do cofre com os outros carros, etc.' - Aluno 1

'Acho que o filme não foi tão fiel com a realidade, já que não seria possível por exemplo o cofre bater em vários carros em um espaço curto de tempo e não modificar a direção e muito menos a velocidade em que o carro está puxando o tal cofre se encontra' - Aluno 2

'Inicialmente, sem analisar as informações do carro parecia impossível dois carros tirarem do repouso um cofre de 1 tonelada. Porém, após analisar e descobrir que cada carro possui pouco menos de 2 toneladas, passei a acreditar que talvez seja possível tirar o cofre do repouso, mas na situação em que isso foi inserido (filme) ficou exagerado e surreal' - Aluno 3

'Péssimo, pois o diretor não levou em conta as leis da física' - Aluno 4

As respostas dos alunos 1, 2, 3 e 4, nos mostra que o filme, além de cumprir o papel de gerador da discussão, permitiu que os alunos contextualizassem os conceitos físicos estudados na cena em que tinham visto. E conforme Ricardo (2003) comenta, a contextualização não se dá apenas na realidade do aluno, mas em situações-problema onde o conceito é necessário para o seu entendimento.

Quando questionados sobre a atividade, como a avaliam, como consideram o próprio rendimento e quais os pontos positivos e negativos os alunos revelaram a aprovação da atividade. Destacaram como ponto positivo, a capacidade de os fazer 'pensar' que a atividade proporcionou, assim como, da possibilidade de poderem se expressar durante o processo de ensino-aprendizagem, contrapondo a cultura do silêncio e da figura do professor como centro desse processo. Muitos também destacaram a importância da atividade possibilitar a visualização da aplicação dos conceitos físicos e refletir sobre, como podemos ver nos comentários a seguir.

'Achei a atividade muito boa, porque foge da 'rotina de aula', e é mais dinâmica e divertida. Colocou todos para pensar se determinada cena seria possível de realizar ou não.' - Aluno 2

'Muito boa. Muito melhor do que ficar parado na carteira, tendo uma aula chata de física, que ficamos apenas prestando atenção que não nos faz pensar e raciocinar direito.' - Aluno 5

'Achei divertida porque essa atividade nos propõe a falar o que achamos.' Aluno 6

'É uma atividade mais dinâmica, mais prática e mais legal de fazer, podendo ver na prática as leis da física, o que é contrário dos exercícios feitos na apostila nas aulas de física.' - Aluno 7

'Bom, fez com que a classe interagisse mais com o assunto.' - Aluno 8

'Bem interessante e interativa, os professores poderiam fazer mais atividades como essa.' - Aluno 9

Muitos responderam que não acharam nenhum ponto negativo. Alguns responderam que o ponto negativo da atividade foi ter que responder o questionário. Em comparação com aulas tradicionais os alunos alegaram que nestas eles ficam sentados em silêncio, só o professor tem a palavra e precisam ficar aprendendo muitas fórmulas que não estão inseridas em um contexto, já com a atividade usando

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vídeo foi possível ver alguns conceitos físicos sendo aplicados, o que ajudou na compreensão de conceitos que ainda estavam muito abstratos,

'Melhor desse jeito, pois você acaba participando mais da aula e você se diverte mais porque ao invés de você ficar só escutando o professor falar, você acaba falando mais que o professor.' - Aluno 6

'Positivos: filme, discussão, sair da rotina / Negativo: responder o questionário.' Aluno 10

'Achei muito didático pois não é uma atividade comum que se realiza diariamente em sala. Esta atividade é menos enjoativa do restantes das aulas.' - Aluno 11

As falas dos alunos 2, 5, 6, 7, 8, 9 e 11, evidencia que segundo a proposta de aula investigativa o aluno se torna ativo e participativo, conforme aponta Zômpero, Laburú (2011) e Sá et al. (2007), e que isso é um atrativo e tem a aprovação dos alunos. Assim, a aula se torna agradável pois quebra com a rotina das aulas, como aponta o Aluno 10.

## Considerações finais

Deste modo, foi possível verificar que tal atividade quebrou com a dinâmica da aula tradicional, em que o conhecimento flui unidirecionalmente, e agora passa a ser multidirecional. Os alunos trocaram informações e ideias entre si e com o professor, aproximando as relações sociais entre professor-aluno e aluno-aluno. O vídeo foi o gerador de toda a discussão e se mostrou eficaz nesse papel de motivador e contextualizador, em uma proposta de ensino investigativo, para que os alunos pudessem questionar e criticar o que haviam visto na cena sob o olhar da física. Além de possibilitar a revisão conceitual teórica do que haviam estudado até o presente momento, conflitando o que foi aprendido com o que foi discutido e o que foi visto em cena, a atividade despertou nos alunos a motivação e o interesse em discutir sobre física, fato esse que não ocorre com frequência em aulas tracionais.

## Referências

BRITO, C. E. C. A FÍSICA DE HOLLYWOOD: SERIA ESTA UMA FONTE SEGURA DE CONHECIMENTO?. 2011. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação em Física)Universidade Católica de Brasília. Orientador: Diego Oliveira Nolasco da Silva.

CLEBSCH, A. B. Realidade ou ficção? A análise de desenhos animados e filmes motivando afísica na sala de aula. 2004. Dissertação (Mestrado em Ensino de Física) - Universidade Federal doRio Grande do Sul, Porto Alegre.

FERNANDES, C. S. ; MARQUES, C. A. - A contextualização no ensino de ciências: A voz de elaboradores de textos teóricos e metodológicos do Exame Nacional do Ensino Médio. Investigações em Ensino de Ciências (Online), v. 17, pp. 509-527, 2012.

NOGUEIRA, L. P. - O uso de filmes no ensino de Física - Centro de Tecnologia e Ciências,Instituto de Física, UERJ, novembro, 2005.

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PIASSI, L. P.; PIETROCOLA, M. - Quem conta um conto aumenta um ponto também em física: Contos de ficção científica em sala de aula. Disponível em: <http://www.cienciamao.if.usp.br/dados/ale/\_2007quem.arquivo.pdf> acessado 13/10/2013.

PIASSI, L. P.; PIETROCOLA, M. - Possibilidades dos filmes de ficção científica como recurso didático em aulas de física: A construção de um instrumento de análise. Disponível em: <http://www.cienciamao.if.usp.br/dados/epef/\_possibilidadesdosfilmesd.urld otrabalho.pdf> acessado em 13/10/2013.

RICARDO, Elio Carlos . A Problematização e a Contextualização no Ensino das Ciências: acerca das idéias de Paulo Freire e Gérard Fourez. In: IV Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, 2003, Bauru. IV ENPEC, 2003.

RODRIGUES, B. A., BORGES, A. T; O Ensino de Ciências por Investigação: ReconstruçãoHistórica XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física - Curitiba, 2004.

SÁ, E. F. de, PAULA, H. de F. e, LIMA, M. E. C. de C. e AGUIAR, O. G. de; As Características das Atividades Investigativas Segundo Tutores e Coordenadores de Um Curso de Especialização em Ensino de Ciências -Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências, 6, Florianópolis, SC,Atas...SBF, 2007.

## Obra analisada

VELOZES & FURIOSOS 5: Operação Rio. Direção: Justin Lin. Produção: Neal H. Moritz, Vin Diesel e Chris Fottrel. Original Film e One Race Film, 2011. DVD (130 min), color. Título original: Fast Five.

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