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JOGO REVISÃO: REVENDO OS CONTEÚDOS DA FÍSICA ATRAVÉS DOS JOGOS

Beatriz Do Livramento Felicidade, Alessandro Damásio Trani Gomes, Fernando Otávio Coelho

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## JOGO REVISÃO: REVENDO OS CONTEÚDOS DA FÍSICA ATRAVÉS DOS JOGOS

## Beatriz do Livramento Felicidade , Alessandro Damásio Trani Gomes , 1 2 Fernando Otávio Coelho 3

- 1 Universidade Federal de São João del-Rei/DCNAT, beatrizfelicidade@yahoo.com.br
- 2 Universidade Federal de São João del-Rei/DCNAT, alessandrogomes@ufsj.edu.br 3 Universidade Federal de São João del-Rei/DCNAT, focoelho@ufsj.edu.br

## Resumo

Apresenta-se neste trabalho uma proposta de intervenção pedagógica desenvolvida no âmbito do Programa Institucional de Iniciação a Docência (PIBID - CAPES). A atividade foi elaborada e aplicada por uma aluna do curso de Licenciatura em Física da Universidade Federal de São João del-Rei, participante do PIBID. A proposta trata-se de um jogo de tabuleiro genérico, denominado 'Jogo Revisão', aplicado em uma turma com 40 alunos do segundo ano do Ensino Médio de uma escola estadual parceira do programa. A atividade durou entre 30 e 45 minutos e foi aplicada para uma aula de revisão sobre conteúdos relacionados à Termodinâmica. Os alunos foram divididos em equipes de quatro membros. No trabalho, argumenta-se sobre as vantagens da utilização de jogos como instrumentos pedagógicos alternativos para o Ensino de Física, sobretudo pelo seu caráter lúdico e motivador, favorecendo ainda a socialização e a interação em sala de aula. Ao final da atividade, baseado nos relatos dos grupos, conclui-se que a atividade atingiu os objetivos pedagógicos e motivacionais esperados.

Palavras-chave : Jogos; Estratégias de Ensino de Física; Lúdico.

## Introdução

Nas salas de aulas e nos corredores das escolas é comum frases como: ' eu detesto Física ', ' não consigo entender a Física ', ' Física não é para mim ' e muitas outras tantas frases que, infelizmente, os alunos dizem sobre a disciplina de Física. Enquanto os professores basearem suas aulas única e exclusivamente no modelo de transmissão de conhecimento, com toda a matéria sendo escrita no quadro e explicada verbalmente pelo professor, muito pouco desse panorama será alterado, provocando cada vez mais um grande desinteresse pela Física.

Hoje, professores e pesquisadores em Ensino de Física procuram alternativas metodológicas diferenciadas para incetivar nossos alunos, promover um maior engajamento e aumentar a motivação e a curiosidade pela Física, tornando o seu estudo mais interessante e contextualizado.

- A utilização dos jogos educacionais como estratégia de ensino e aprendizagem tem sido abordada com uma frequência crescente nas pesquisas em ensino de ciências nos últimos anos (Yamazaki e Yamazaki, 2014). Porém, a maioria dos trabalhos investiga a aplicação de jogos no ensino fundamental (Pinto, 2009). Relativamente poucas pesquisas focam o uso de jogos no ensino de Física no Ensino Médio (Ferreira e Carvalho, 2004; Pereira, Fusinato e Neves, 2009). Segundo essas pesquisas, os jogos educacionais têm o potencial de propiciar

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aprendizagens mais agradáveis e motivadoras, uma vez que a aprendizagem de conteúdos acontece de forma mais dinâmica e interessante.

A utilização dos jogos implica uma mudança significativa nos processos de ensino e aprendizagem que permite alterar o modelo tradicional de ensino, transformando a rotina da sala de aula, adotando uma metodologia que estimule o aluno a ter uma postura ativa e participativa, o pensamento independente, o desenvolvimento da criatividade, da autoestima e de atitudes positivas frente à aprendizagem.

Este trabalho tem por objetivo apresentar os resultados do desenvolvimento e da aplicação de um jogo de tabuleiro de apoio ao ensino de Física que trabalhe a questão lúdica tentando motivar e despertar o interesse dos alunos para conteúdos de termodinâmica, facilitando o processo de aprendizagem dos mesmos. O jogo foi criado, desenvolvido e aplicado por uma bolsista do PIBID - CAPES - Projeto Institucional de Bolsa de Iniciação a Docência - da área de Física em uma escola estadual de uma cidade no interior de Minas Gerais.

## Os jogos e o Ensino de Física

Os jogos educacionais são instrumentos pedagógicos importantes que podem contribuir para superar algumas dificuldades no Ensino de Física, atuando como um agente motivador, favorecendo a aprendizagem e contribuindo para que crianças e jovens construam conhecimentos físicos e desenvolvam habilidades sociais e competências diversas.

Para Miranda (2001), os jogos educacionais são estratégias pedagógicas poderosas, pois, com eles, diversos objetivos podem ser atingidos, relacionados à cognição (desenvolvimento da inteligência e da personalidade); afeição (desenvolvimento da sensibilidade e estreitamento de laços de amizade e afetividade); socialização; motivação (envolvimento da ação, do desafio e mobilização da curiosidade) e a criatividade dos estudantes.

Ramos e Ferreira (2004) afirmam que as manifestações lúdicas devem estar a serviço da educação, e podem representar estratégias pedagógicas altamente proveitosas para o aprendiz, proporcionando a ele oportunidades de conhecimento e aprendizagem, através de desafios, reflexões, interações e ações.

O conhecimento que emerge do jogo é resultado de trocas, das interações que ocorrem entre os sujeitos e meio. Demonstrando interesse, os alunos interagem entre si, com a atividade e por consequência, com o conteúdo e conceitos físicos implícitos nela. Quando isso ocorre, o jogo passa a ser uma estratégia importante nos processos de desenvolvimento e de aprendizagem.

No decorrer do jogo, o professor tem a oportunidade de observar o conhecimento, o comportamento e a atitude individual de cada aluno, constituindo assim, uma ferramenta importante para a verificação da aprendizagem do conteúdo, para o aluno e para o professor. Ao detectar falha na aprendizagem, o professor pode aproveitar a oportunidade e fazer os esclarecimentos necessários, esclarecer dúvidas e reforçar a aprendizagem.

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Um ponto importante a se destacar é justamente o papel decisivo do professor na utilização de jogos educacionais em sala de aula. Inicialmente, na elaboração e no planejamento do jogo, na seleção do conteúdo abordado, das regras e da dinâmica a ser estabelecida. Durante a atividade, o professor atua como um motivador e incentivador, dirimindo as dúvidas e coordenando as ações de maneira sútil.

- O grande desafio para o professor é fazer com que o jogo, que por sua natureza, envolve alegria, diversão, barulho, encantamento, se transforme em uma atividade pedagógica que solidifique a aprendizagem do aluno e faça com que ele assuma um papel ativo e seja agente de sua própria aprendizagem. Para Pereira, Fusinato e Neves (2009), os jogos educacionais constituem um desafio no que diz respeito à aceitação final dos alunos, por sua necessidade de unir diversão ao aprendizado. Além disso, o desenvolvimento desses jogos requer do professor, um cuidado especial para encontrar um equilíbrio entre diversão e aprendizagem de modo a evitar que um prejudique o outro.

Pode-se concluir, baseado nos trabalhos aqui apresentados, que os jogos podem e devem ser usados como metodologia de ensino. Seu uso poderá tornar a aprendizagem de conteúdos específicos mais interessantes, deixando de lado um pouco o método tradicional baseado na tríade quadro-saliva-livro, ou seja, pode-se trocar as atividades tradicionais por outras mais interessantes, motivadoras, desafiadoras e catalisadoras de novas aprendizagens.

## Metodologia

- O jogo educacional foi desenvolvido para ser aplicado em uma turma de 2º ano do ensino médio de uma escola pública estadual. O jogo é do tipo tabuleiro e foi nomeado como 'Jogo Revisão', com o objetivo de ser utilizado em sala de aula para uma revisão de conteúdo de Termodinâmica de forma diferenciada, agradável e dinâmica para os alunos. No momento de nomear o jogo, teve-se a preocupação de nomeá-lo com um nome genérico, pois o tabuleiro, figura 1, pode ser utilizado posteriormente para outros conteúdos, desde que outras cartas perguntas sejam confeccionadas.

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Figura 1: Foto do tabuleiro do 'Jogo Revisão'.

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Para o jogo, foram desenvolvidas 31 cartas (figura 2). Dessas cartas, havia 15 perguntas teóricas e de cálculo, sendo 12 questões de nível intermediário (na cor preta) e 3 questões de nível um pouco mais avançado (na cor vermelha). O restante das cartas era do tipo 'curti' e 'não curti', que continham ordens favoráveis e desfavoráveis como 'avance duas casas' ou 'fique duas rodadas sem jogar'.

Figura 2: Foto com as cartas elaboradas para o jogo.

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As regras do jogo são simples, semelhantes às regras de outros jogos do tipo tabuleiro e foram elaboradas pela estudante de Física, participante do PIBID. No quadro 1 estão as regras estabelecidas para o jogo. Para Ramos e Ferreira (2004),

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o ato de brincar implica na utilização de regras e/ou no domínio de certas habilidades sendo o aprendizado, portanto, intrínseco ao ato de jogar determinado jogo proposto.

Foram utilizados 5 kits contendo o tabuleiro, as cartas, um dado e as tampinhas de garrafas. Ao todo, participaram do jogo 40 alunos. Os alunos foram divididos em equipes com 4 membros. Cada partida foi disputada entre duas equipes. As partidas duraram em média, entre 30 e 45 minutos.

## Quadro 01: As regras do Jogo Revisão

Regras do Jogo Revisão

## INSTRUÇÕES

- · Os alunos deverão ser divididos em equipes de 4 alunos.
- · Cada equipe deverá escolher a cor da tampinha que representará sua equipe.
- · Iniciará o jogo, a equipe que tirar o maior número com o dado.
- · Durante o jogo, o número que sair no dado, a equipe avança o número de casas equivalente.
- · A equipe deve fazer o que se pede na casa (por exemplo: pergunta em vermelho ou preto, símbolo de mão positiva ou negativa).
- · Cada equipe deverá ter em mãos lápis, papel e uma calculadora, caso seja necessário para responder alguma pergunta.

## REGRAS

- · Cada equipe terá no máximo 2 minutos para responder cada pergunta com interrogação na cor preta e, no máximo 3 minutos para responder cada pergunta com interrogação na cor vermelha .
- · Caso a equipe extrapole o tempo, a pergunta será repassada para a equipe adversária, e esta também terá 2 ou 3 minutos para responder, de acordo com a cor da interrogação.
- · Para resposta errada, no caso das perguntas com interrogação na cor preta a equipe deverá voltar uma casa e, no caso das perguntas com interrogação na cor vermelha, a equipe deverá voltar 3 casas e ficar uma rodada sem jogar.
- · Ao passar por 3 carinhas do smile, a equipe tem a oportunidade de jogar novamente o dado.
- · O mesmo aluno poderá responder as perguntas por 2 vezes consecutivas. Caso isso ocorra por mais de 2 vezes, a equipe adversária terá o direito a NÃO responder uma pergunta, caso a equipe não saiba a resposta.
- · Não será permitida comunicação entre as equipes. Caso ocorra, a equipe deverá voltar ao início do jogo.
- · Vence o jogo a equipe que chegar ao FIM primeiro.

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## Resultados e discussão

De uma forma geral, foi possível perceber que o jogo atingiu seu objetivo inicial, ao proporcionar aos alunos um momento de aprendizagem, mas de forma leve e descontraída. Os alunos gostaram muito da atividade desenvolvida. O comportamento e o envolvimento da turma como um todo suportam tal afirmação.

Após o término, foi proposto aos alunos que fizessem uma avaliação da atividade. Uma folha própria foi entregue aos grupos para que os mesmos

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respondessem por escrito. Seguem abaixo, comentários dos grupos de alunos sobre a atividade:

- 'Aprendemos de um novo modo, extrovertido e muito interessante. Através deste jogo conseguimos alcançar a meta, vencer e aprender o conteúdo de forma mais interativa.' - Comentário Grupo 1
- 'A dinâmica foi interessante e auxiliou no aprendizado da Termodinâmica e das máquinas térmicas. Foi altamente visível que o conhecimento apenas não garantia a vitória do jogo. E claramente não há apenas uma resposta para a mesma pergunta.' Comentário Grupo 4

Segundo a opinião dos alunos, em geral, a maior vantagem de estratégias de ensino como o jogo é a de proporcionar uma atividade interessante, diferente, divertida, e que ajudou a desenvolver e a revisar o conteúdo de Termodinâmica.

Ao estar diante de um jogo, que envolve conhecimentos e conteúdo de Física, o aluno mobiliza os conhecimentos que já possui, interage com os colegas de sala, com o professor e expande seus conhecimentos através dessa socialização.

- O jogo também trás benefícios indiretos, igualmente importantes. Durante atividades lúdicas como os jogos, os alunos aprendem a respeitar a opinião dos colegas e a emitir opiniões em um ambiente amigável, típico dos jogos, contribuindo para o aumento dos laços de coleguismo e do respeito em sala de aula.

## Considerações finais

Este trabalho teve como objetivo demonstrar os valores educacional e motivacional de jogos em sala de aula, sobretudo em momentos como o de revisão do conteúdo ministrado em aulas anteriores. Dessa forma, desejou-se mostrar também para os alunos que eles são capazes de aprender de formas variadas e que aprendizagem e o estudo podem não ser sempre enfadonhos e tediosos.

Procuramos construir um jogo genérico, que pode ser facilmente adaptado para ser utilizado em qualquer nível de ensino, abordando qualquer assunto, não só de Física, mas de qualquer disciplina, podendo ser usado e reutilizado várias vezes.

- O trabalho aqui descrito corrobora resultados de pesquisas anteriores (Pereira, Fusinato e Neves, 2009; Rahal, 2009) que indicam que a utilização de jogos e de atividades lúdicas no ensino de física contribui para aumentar a motivação e melhorar a aprendizagem e o desempenho de alunos nos conteúdos abordados nos jogos.

Porém, nosso trabalho também apresenta as limitações identificadas por Yamazaki e Yamazaki (2014) em uma revisão da literatura a partir de artigos disponíveis na internet (e localizados através da ferramenta de busca Google Acadêmico ) que dizem respeito a pesquisas empíricas cujo foco seja a análise do potencial de ensino-aprendizagem de conteúdos científicos por meio de jogos educacionais. Segundo os autores, a grande maioria dos trabalhos na área carece

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de pressupostos teóricos ou de uma maior fundamentação teórica, legitimada por trabalhos nas diversas linhas de pesquisa - epistemológicas, educacionais ou sociológicas.

Portanto, mais trabalhos são necessários, para podermos estabelecer, empírica e teoricamente, o real impacto dos jogos educacionais, para o processo de ensino e aprendizagem de física. Quem quer jogar um jogo de Física hoje?

## Referências

FERREIRA, M. C.; CARVALHO, L. M. O. de. A evolução dos jogos de Física, a avaliação formativa e a prática do professor, Revista Brasileira de Ensino de Física , v.16, n. 1, p.57-61, 2004.

MIRANDA, S. No Fascínio do jogo, a alegria de aprender. In: Ciência Hoje, v.28, p.64-66. 2001.

PEREIRA, R. F.; FUSINATO, P. A.; NEVES, M. C. D. Desenvolvendo um jogo de tabuleiro para o ensino de física. In: ENCONTRO DE NACIONAL DE PESQUISA EM EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS, VII, 2009, Florianópolis. Atas... Florianópolis: UFSC, 2009.

PINTO, L. T. O uso de jogos didáticos no ensino de ciências no primeiro segmento do ensino fundamental da rede municipal pública de Duque de Caxias . 2009, 132p. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências)-Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ensino de Ciências,Nilópolis, 2009.

RAHAL, F. A. S. Jogos Didáticos no Ensino de Física: Um exemplo da Termodinâmica. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE ENSINO DE FÍSICA, XIII, 2009, Atas... Brasília: UNB, 2009.

RAMOS, E. M. F.; FERREIRA, N. C. Brinquedos e jogos no ensino de Física. In: Roberto Nardi. (Org.). Pesquisa em Ensino de Física . 3ª edição, p.105-125. São Paulo: Escrituras, 2004.

YAMAZAKI, S. C.; YAMAZAKI, R. M. O. Jogos para o ensino de física, química e biologia: elaboração e utilização espontânea ou método teoricamente fundamentado? Revista Brasileira de Ensino de Ciência e Tecnologia . Ponta Grossa. Vol. 7, N. 1, p. 159-181, 2014.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.