Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: AS POTENCIALIDADES DOS MAPAS CONCEITUAIS

Aline Costalonga Gama, João Paulo Casaro Erthal

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Processos Cognitivos De Ensino E Aprendizagem Em Física
Tipo
Pôster

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2015

Texto completo

## AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: AS POTENCIALIDADES DOS MAPAS CONCEITUAIS

## Aline Costalonga Gama 1 , João Paulo Casaro Erthal 2

1 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes)/Coordenadoria de Ciência e Tecnologia - Física/ Mestranda do Profissional Nacional em Ensino de Física SBF/POLO 12/UFES/ alinecga@yahoo.com.br

2 Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)/Centro de Ciências Agrárias - Alegre/ Professor do Mestrado Profissional Nacional em Ensino de Física - SBF/POLO 12/UFES/ jperthal@gmail.com

## Resumo

Nesse trabalho apresenta-se o resultado da utilização de Mapas Conceituais como metodologia de avaliação na Educação de Jovens e Adultos (EJA) dos conceitos abordados em Hidrostática na disciplina de Física. A pesquisa foi realizada com um grupo de 10 alunos do Curso Técnico em Segurança do Trabalho do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja) de uma Instituição Federal de Educação do Espírito Santo durante dois encontros de duas horas-aula. A coleta de dados foi feita através do diário de bordo do professor do referido grupo e da análise dos Mapas Conceituais confeccionados pelos alunos. O principal objetivo desse trabalho é detectar as potencialidades da utilização dos Mapas Conceituais como instrumento avaliativo no ensino de Física na EJA, além de ampliar as discussões da abordagem da Física e das formas avaliativas nessa Modalidade de Ensino. A análise dos Mapas permitiu ao professor identificar os conceitos e exemplos presentes na estrutura cognitiva dos alunos, bem como as relações estabelecidas entre esses conceitos. Pode-se observar a participação ativa dos alunos durante a confecção dos Mapas revelando uma possível motivação desses na realização dessa tarefa. Os resultados obtidos mostram a utilização de Mapas Conceituais como uma ótima estratégia na busca verificação da aprendizagem dos alunos, sendo o Mapa Conceitual uma ferramenta funcional na avaliação da aprendizagem na EJA. Pretende-se que esse trabalho possa auxiliar profissionais vinculados a essa Modalidade de Ensino na diversificação dos instrumentos avaliativos.

Palavras-chave : Ensino de Física, Avaliação, Mapa Conceitual, Educação de Jovens e Adultos, Proeja.

## Introdução

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino que trabalha com sujeitos de faixas etárias diversificadas onde cada aluno carrega consigo conhecimentos múltiplos adquiridos ao longo da vida, objetivos, expectativas e anseios diferenciados. O Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja) foi implementado através do Decreto nº 5.840/06 originário do Decreto n° 5.478/05 com o intuito de contribuir para a formação profissional dos participantes na perspectiva de uma formação integral.

Como campo específico do conhecimento, a EJA necessita de especial atenção e, nessa modalidade de ensino, devemos repensar a avaliação a fim de que contemplem-se as especificidades dos sujeitos que a constitui. Segundo o Documento Base do Proeja (BRASIL, 2007) a avaliação não deve reproduzir as

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

26 a 30 de janeiro de 2015

exclusões vigentes no sistema, que reforçam fracassos já vivenciados pelos seus alunos e corroboram com a crença internalizada de que não são capazes de aprender. De acordo com o mesmo documento, a avaliação deve ser entendida como um diagnóstico num processo investigativo e deve servir para orientar o planejamento visando promover aprendizagem e avanços em seus sujeitos. Dessa forma, a avaliação deve propiciar ao aluno conhecimento e reconhecimento, do que sabe e do que ainda precisa saber, entendendo que dificuldades e erros são inerentes ao processo de aprender e ensinar.

Entendendo, como afirma Freire (2013), que formar é muito mais que treinar o educando no desempenho de destrezas, a utilização de Mapas conceituais como metodologia de avaliação da aprendizagem na EJA está ligada à concepção avaliativa emancipatória e processual, onde os alunos participam do processo de forma crítica e ativa. Busca-se através da utilização dessa ferramenta gerar conhecimento e segurança nos alunos, inclusive em relação à própria participação do aluno no processo avaliativo. Mendonça (2013) defende o Mapa Conceitual como um instrumento que permite aos alunos expor suas ideias, criar, opinar e discutir. Moreira (2010) afirma que os Mapas Conceituais podem ser utilizados como instrumento de avaliação da aprendizagem para obter uma visualização da organização conceitual que o aprendiz atribui a um dado conhecimento. A utilização dessa ferramenta valoriza o aluno, contribui para o aumento de sua autoestima e melhora seu o desempenho em sala de aula. Essa metodologia pode proporcionar uma maior proximidade e diálogo entre professor e aluno e o desenvolvimento de habilidades que transpõem a repetição mecânica.

Mendonça, Silva e Palmero (2007) relatam a utilização de Mapas Conceituais no Ensino de Ciências na Educação Fundamental com o objetivo de identificar como os alunos estruturavam seu conhecimento. Krummenauer, Costa e Silveira (2010) utilizaram os Mapas Conceituais na avaliação da aprendizagem na EJA em uma estratégia de ensino voltada para a Contextualização através de situações que envolviam o estudo do Movimento Circular Uniforme. Almeida e Moreira (2008) investigaram as dificuldades de estudantes de graduação em Física na aprendizagem dos conceitos de óptica e utilizaram os Mapas Conceituais como instrumento didático para facilitar a aprendizagem significativa desses conceitos. Martins, Verdeaux e Sousa (2009) visando promover a aprendizagem significativa de conceitos de ondulatória, acústica e óptica utilizaram Mapas Conceituais. Santana e Palheta (2013) utilizaram Mapas Conceituais com estudantes de Ensino Fundamental da EJA na análise de uma mini-estação meteorológica. Machado e Ostermann (2005) descrevem uma proposta de avaliação para alunos do Curso de Magistério baseada na utilização de Mapas.

Ruiz-Moreno et al. (2007) discutem critérios de análises dos Mapas Conceituais, enquanto Souza e Boruchovitch (2010a, 2010b) apresentam uma reflexão sobre o uso de Mapas Conceituais com estratégia de ensino/aprendizagem e ferramenta avaliativa formativa. Araújo, Menezes e Cury (2002) propõem um ambiente para avaliação do processo de aprendizagem baseado em Mapas Conceituais.

Além da motivação trazida por todos os trabalhos acima citados, a utilização de Mapas Conceituais proposta nessa pesquisa está embasada nos trabalhos de Ferracioli (2007), Mendonça (2013), Moreira (2006, 2010), Novak e Cañas (2010) e Novak (2000). O objetivo dessa pesquisa é levantar as possibilidades e limitações

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

da utilização de Mapas Conceituais como instrumento de avaliação da aprendizagem na EJA bem como direcionar estratégias de ensino e metodologias avaliativas voltadas para a EJA.

## Aporte teórico

O Documento Base do Proeja (BRASIL, 2007) prevê que, nesse programa, a avaliação deve ser desenvolvida numa perspectiva interativa, considerando o aluno como ser criativo, autônomo, participativo e reflexivo. A avaliação deve ser emancipatória, processual, contínua, mediadora, formativa e diferenciada para que novas exclusões não sejam reproduzidas. Nos métodos avaliativos tradicionais, a prova é elaborada exclusivamente pelo professor, dissociando o processo de ensino, a aprendizagem e a avaliação da aprendizagem, essa última ocorrendo através da classificação das respostas em certas e erradas.

Novak (2000) estabelece que um dos problemas da avaliação tradicional é que os exames tradicionalmente aplicados não conseguem examinar mais do que uma pequena parte dos conhecimentos relevantes considerados na instrução e não oportunizam ao aluno mostrar como o conhecimento está organizado em sua estrutura cognitiva. Esse autor sugere a utilização de Mapas Conceituais como ferramenta de avaliação onde podemos observar a hierarquia de conceitos, a diferenciação progressiva de conceitos e a reconciliação integradora entre os conceitos antigos e recentes, o que para a EJA é fundamental quando se considera as especificidades de seus sujeitos, pois permite ao professor avaliar os progressos alcançados pelos alunos e estimular a participação dos mesmos no processo de construção do conhecimento.

Moreira (2010) afirma que o Mapa Conceitual como instrumento de avaliação da aprendizagem, é uma técnica não tradicional de avaliação que busca informações sobre os significados e relações significativas, na concepção do aluno, sobre um determinado tema específico.

Freire (2013) afirma que ensinar não é transferir conhecimento e sim criar as possibilidades para a sua produção e construção. Nesse sentido a avaliação deve estimular o falar com o aluno e não para o aluno e os Mapas Conceituais podem favorecer esse diálogo.

Ferreira e Silva (2011) afirmam que o erro tem sido grande causa de desmotivação, exclusão, desmoralização e evasão escolar. Para as autoras o erro deve se tornar fonte de aprendizagem e não de exclusão ou classificação e através dele deve-se promover a superação de obstáculos. Utilizar Mapas Conceituais como ferramenta de avaliação permite ao aluno acompanhar seu desenvolvimento e indica os caminhos para os avanços, desde que lhe seja oportunizado refazer o Mapa quando necessário.

É importante destacar, como afirma Ferracioli (2007) que qualquer Mapa Conceitual é apenas uma das possíveis representações de conhecimento e não a representação do conhecimento, de modo que o Mapa pode ser refeito e refinado a qualquer momento. O referido autor apresenta uma estratégia de mapeamento conceitual para os estudantes constituída de duas etapas, sendo uma delas o preparo do aluno para confecção do Mapa e a outra a realização do mapeamento conceitual. Provavelmente, em um primeiro momento, os alunos apresentarão dificuldades para elaborar e usar Mapas Conceituais, daí a necessidade do

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

professor orientar seus alunos e estar presente no processo de construção dos mapas, sendo que Novak e Cañas (2010) sugerem que bons mapas geralmente resultam de três ou mais versões.

## Metodologia

Os Mapas Conceituais foram elaborados de acordo com os aspectos sequenciais abordados por Ferracioli (2007), Novak (2000), Novak e Cañas (2010) e Moreira (2006, 2010). Participaram da pesquisa 10 alunos do Curso Técnico em Segurança do Trabalho do Proeja do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Espírito Santo - Campus Vitória, durante dois encontros de duas horas-aula. Após a exploração teórica e experimental do conteúdo de Hidrostática foi proposto aos estudantes à confecção de um Mapa Conceitual sobre os Conceitos abordados em Hidrostática seguindo os aspectos pedagógicos abordados por Freire (2013) e Ferreira e Silva (2011). Antes, porém, os alunos fizeram a atividade de preparo para o mapeamento conceitual (FERRACIOLI, 2007) para aprenderem e entenderem a proposta de sua utilização. Os dados de análise consistiram dos Mapas Conceituais, referentes ao conceito de Hidrostática, confeccionados pelos alunos e do diário de bordo do professor.

## Apresentação e discussão dos resultados

Nos Mapas analisados, produzidos após a instrução formal, foi verificada a presença do conceito principal Hidrostática presente em todos os Mapas. A maioria dos estudantes incluiu em seus mapas os conceitos de pressão, densidade e empuxo, altamente relevantes no conteúdo abordado. Foram evidenciados exemplos como: prensa hidráulica, direção hidráulica e o funcionamento do submarino, presentes em 50% dos mapas analisados. A seguir são expressos os conceitos evidenciados pelos estudantes nos mapas que confeccionaram.

Tabela 01: Conceitos válidos e relevantes presentes nos Mapas desenvolvidos pelos alunos.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

De acordo com Mendonça (2013) quanto maior o respeito à hierarquia dos conceitos, melhor organizado estará o Mapa. Neste estudo, podemos constatar que o grau de hierarquia conceitual foi bem utilizado por 6 alunos, apresentando Mapas que se mostravam altamente explicativos, entretanto um desses mapas apesar de obedecer a hierarquias, apresentava-se conceitualmente deficiente.

As ligações cruzadas entre os conceitos centrais da matéria de ensino não estiveram presentes na maioria dos mapas apresentados e 30% dos alunos não trouxeram mapas de conceitos (ou conceitos relevantes ao conteúdo abordado). Mendonça (2013) estabelece que as ligações cruzadas representam as relações entre conceitos pertencentes a segmentos distintos do mapa e a presença de tais ligações pode indicar capacidade criativa de quem o elaborou. A falta dessas ligações nos Mapas apresentados apenas ratifica as dificuldades dos sujeitos que compõem esse estudo. Isso sugere que os Mapas Conceituais também permitem ao professor identificar os diferentes níveis de entendimento e as dificuldades dos alunos acerca de um dado conteúdo.

A tabela 2 apresenta a classificação dos Mapas segundo critérios estabelecidos por Mendonça (2013). Dos Mapas apresentados, 50% são satisfatórios indicando uma resposta positiva ao instrumento avaliativo utilizado. Vale salientar, que 30% dos alunos pesquisados apresentaram grandes deficiências em Habilidades e Competências da área de Linguagens e Códigos, necessárias para um bom desempenho escolar. Destacamos também a oportunidade de aprendizagem dada ao professor nesse processo, visto que pode reelaborar seu modo de ensinar e avaliar contribuindo para melhoras no processo de ensino e aprendizagem revelando, como afirma Freire (2013), que quem forma se forma e (re)forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado.

Tabela 02: Classificação quanto à qualidade dos mapas.

Na figura 1 são apresentados dois Mapas confeccionados por alunos distintos, revelando os diferentes significados atribuídos aos conceitos. Observamos que nenhum dos pesquisados apresentaram mapas idênticos e com isso, reforçamos a conclusão de Moreira (2010) de que o aluno apresenta em seu Mapa evidências daquilo que está aprendendo do conteúdo. Em nossa análise percebemos que 30% dos mapas revelam a falta de compreensão sobre o tema exposto e 20% são conceitualmente pobres.

Na figura 1, o Mapa apresentado à direita possui a maioria dos conceitos abordados no estudo de Hidrostática e estabelece boa relação hierárquica entre os

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

mesmos. O aluno demonstra ter compreendido significativamente o conteúdo ao fazer ligações entre conceitos presentes em seguimentos distintos do Mapa, ao apresentar a diferenciação progressiva dos conceitos e ao citar exemplos relevantes ao conteúdo. A utilização de frases onde deveriam ser apresentados apenas conceitos e a ausência de conectores entre esses, evidencia a falta de treinamento do aluno perante essa ferramenta cognitiva, entretanto isso não diminui a potencialidade do Mapa Conceitual como ferramenta avaliativa evidenciada nesse estudo, apenas sugere que devemos estimular o uso e treinamento dessa metodologia. O mapa da esquerda está desorganizado e não demonstra hierarquia. Os conceitos não são apresentados em elipses o que, apesar de não ser obrigatório, torna simples a identificação dos conceitos que pretende-se mostrar através dos mapas. O aluno coloca as linhas que conectam os conceitos de maneira sinuosa, dificultando a leitura do Mapa. Existem erros conceituais graves e indica que o aluno não possui domínio do conteúdo. Apresenta no Mapa um exemplo dado em sala sobre densidade e alguns conceitos relevantes no estudo da hidrostática, mas o Mapa sugere uma aprendizagem mecânica, onde os conceitos apresentados demonstram memorização e nenhuma atribuição de significados.

Figura 1: Dois mapas confeccionados por alunos distintos sobre os conceitos abordados em Hidrostática.

<!-- image -->

Foi verificado que a postura dos alunos perante a avaliação foi diferente do que se observa em avaliações tradicionais, na qual se tem nervosismo, desmotivação, temor e ansiedade em demasia. Durante a confecção dos Mapas, corroborando com Novak e Cañas (2010), percebemos o envolvimento dos alunos, alegria, motivação e entusiasmo nos insights de conceitos.

## Considerações finais

Neste estudo percebemos a necessidade de olhar para a EJA de maneira diferenciada e o Mapa Conceitual permitiu diversificar a forma avaliativa de modo a contemplar a heterogeneidade existente dentro de uma mesma turma. Acreditamos como destaca Freire (2013), que aprender criticamente é possível, mas que isso exige a presença de educadores inquietos, criadores, instigadores, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes. A avaliação realizada através dos Mapas Conceituais exigiu maior empenho do professor, principalmente no que tange a análise dos Mapas produzidos, mas o momento avaliativo propiciou momentos de aprendizagem e de discussão do conhecimento, tanto para o professor, como para o aluno.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Corroborando com Mendonça (2013) verificamos que a utilização de Mapas Conceituais como instrumento avaliativo revelou-se uma ferramenta funcional, competente e de possibilidades diversas. Avaliar não é uma tarefa fácil, mas argumentamos que esse momento deve servir de orientação para o professor refletir sobre sua prática pedagógica orientando ações futuras e para o aluno refletir sobre seus erros e acertos identificando seus avanços e suas dificuldades.

Refletindo sobre a forma como utilizamos o Mapa Conceitual em nossa pesquisa, indicamos que os Mapas Conceituais não sejam aplicados somente ao término do conteúdo, sendo que a utilização dessa ferramenta ao longo do processo instrucional permitiria ao professor acompanhar os avanços de cada aluno e a aprendizagem desses. A avaliação deve ocorrer de forma contínua na busca uma aprendizagem emancipatória e formativa. A confecção dos Mapas Conceituais permitiu ao aluno interagir com o próprio conhecimento ao elaborar o Mapa, desenvolver sua autonomia e expor seu conhecimento.

Argumentamos que todos são capazes de aprender e precisamos respeitar o tempo e a especificidade de cada aluno. Defendemos que a avaliação não deve servir de punição ao aluno e que a utilização de Mapas Conceituais torna-a muito mais agradável e oportuniza ao aluno o autoconhecimento e reconhecimento do que ainda necessita aprender. Vale lembrar, que a função da avaliação não é a reprovação e sim a orientação, tanto para o professor quanto para o aluno, no processo de ensino e aprendizagem. Concluímos que o uso de Mapa Conceitual como ferramenta avaliativa na EJA atende ao Documento Base do Proeja e que a utilização dos mesmos implica a atribuição de novos significados aos conceitos de ensino, aprendizagem e avaliação, pois o mesmo é um instrumento dinâmico que reflete a compreensão do aluno sobre determinado assunto no momento que o confeccionou, permitindo identificar a organização do conhecimento na estrutura cognitiva do aluno e intervir, caso necessário, na metodologia de ensino utilizada buscando a ocorrência da aprendizagem significativa.

## Referências

ALMEIDA, V. de O.; MOREIRA, M. A . Mapas Conceituais no Auxílio à Aprendizagem Significativa de Conceitos da Óptica Física . Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 30, n. 4, 2008.

ARAÚJO, A. M. T.; MENEZES, C. S. D.; CURY, D. Um ambiente integrado para apoiar a avaliação da aprendizagem baseado em mapas conceituais . In Anais do Simpósio Brasileiro de Informática na Educação . v. 1, n. 1, pp. 49-59, 2002.

BRASIL, MEC, SETEC. Documento Base do Proeja . Programa nacional de integração da educação profissional com a educação básica na modalidade de educação de jovens e adultos, 2007.

FERRACIOLI, L. Mapas conceituais como instrumento de eliciação do conhecimento. Revista Didática Sistêmica. Rio Grande/RS, v. 5, 2007, p. 65-77.

FERREIRA, M. J. de R. ; SILVA, S. A. F. da . Avaliação do ensino e da aprendizagem na EJA e no PROEJA: reflexões e propostas. In: Rony C. O. Freitas; Alex Jordane; Marcelo Q. Schimidt; Maria Auxilidora Vilela Paiva. (Org.). Repensando o PROEJA: concepções para a formação de educadores. 1ed.Vitória: Editora Ifes, 2011, p. 209-238.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa . Rio de Janeiro: Paz e Terra, 47ª ed, 2013.

KRUMMENAUER, W. L.; COSTA, S. S. C. da; SILVEIRA, F. L. da. Uma experiência de ensino de física contextualizada para a educação de jovens e adultos. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências , v. 12, n. 2, p. 69-82, 2010.

MACHADO, M. A; OSTERMANN, F. Utilização de Mapas Conceituais como instrumento de avaliação na disciplina de Física na modalidade Normal: Relato de uma experiência em sala de aula . XVI Simpósio Nacional de Ensino de Física. 2005.

MARTINS, R. L. C.; VERDEAUX, M. de F. da S.; SOUSA, C. M. S. G. de. A utilização de diagramas conceituais no ensino de física em nível médio: um estudo em conteúdos de ondulatória, acústica e óptica . Revista Brasileira de Ensino de Física , v. 31, n. 3, 2009.

MENDONÇA, C. A. S. Critérios utilizados para Analisar Mapas Conceituais em vários níveis de ensino (Versão preliminar) Garanhuns. Pernambuco. Agosto, 2013.

MENDONÇA, C. A. S.; SILVA, A. M.; PALMERO, M. L. R. Uma experiência com mapas conceituais na educação fundamental em uma escola pública municipal. Experiências em Ensino de Ciências , v. 2, n. 2, p. 37-56, 2007.

MOREIRA, M. A. Mapas Conceituais e Diagramas V . Instituto de Física. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 2006.

MOREIRA, M.A. Mapas conceituais e aprendizagem significativa . São Paulo: Centauro Editora, 2010.

NOVAK, J. D.; CAÑAS, A. J. A teoria subjacente aos mapas conceituais e como elaborá-los e usá-los . Práxis Educativa, Ponta Grossa, v.5, n.1, jan./jun. 2010. Disponível em:

http://cmap.ihmc.us/Publications/ResearchPapers/TeoriaSubjacenteAosMapasConc eituais.

NOVAK, J.D. Aprender a criar e utilizar o conhecimento: Mapas conceituais como ferramenta de facilitação das escolas e empresas (A. Rabaça &amp; J. Valadares, Trad.). Lisboa: Paralelo Editora. 2000. (Obra original publicada em 1998).

RUIZ-MORENO, L. et al . MAPA CONCEITUAL: ENSAIANDO CRITÉRIOS DE ANÁLISE . Ciência &amp; Educação , v. 13, n. 3, p. 453-463, 2007.

SANTANA, E. B.; PALHETA, F. C. A contextualização e a aprendizagem significativa: uma experiência na EJA . Atas do IX Encontro Nacional de Pesquisa em Educação e Ciências, Águas de Lindóia, 2013.

SOUZA, N. A. de; BORUCHOVITCH, E. Mapas conceituais: estratégia de ensino/aprendizagem e ferramenta avaliativa. Educação em Revista , v. 26, n. 3, p. 195-217, 2010a.

SOUZA, N.; BORUCHOVITCH, E. Mapas conceituais e avaliação formativa: tecendo aproximações. Educação e pesquisa , v. 36, n. 3, p. 795-810, 2010b.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.