ENSINO MÉDIO NA VISÃO DOS ALUNOS: APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS
Eliana Priscila Cavalcanti De Brito, Alexandro Cardoso Tenório
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 29/01/2015
- Linha de pesquisa
- Educação, Política E Sociedade
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ENSINO MÉDIO NA VISÃO DOS ALUNOS: APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS
## *Eliana Priscila Cavalcanti de Brito , Alexandro Cardoso Tenório 1 2.
1
IFPE Campus Belo Jardim/UFRPE (nana\_cila@yahoo.com.br)
2 UFRPE/Departamento de Educação (actenorio@gmail.com)
## Resumo
Diante do possível cenário de crise que permeia o ensino médio na atualidade, muito se discute sobre os impasses que rondam esta etapa da educação básica. Neste sentido, este trabalho, que faz parte de um estudo mais amplo, se volta à compreensão sobre os objetivos destinados ao ensino médio. Desta vez, procura-se reconhecer a perspectiva dos jovens estudantes sobre seus anseios com relação à vivência nesta fase da educação escolar. Tendo a ciência como elemento estruturante, os alunos foram provocados a debater sobre a importância de cursar o ensino médio na atualidade. Envolvemos duas turmas do segundo ano do ensino médio regular de uma escola pública de Pernambuco. Utilizamos a abordagem da roda de conversa, para tornar possível emergir os anseios dos alunos com relação a esta etapa da vida escolar. Em seguida, identificam-se as possíveis relações entre os objetivos destinados ao ensino médio, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), com aqueles levantados pelos alunos. Ao final, destacam-se as aproximações e divergências entre as perspectivas dos estudantes e aquela colocada pela legislação.
Palavras-chave : Objetivos. Ensino Médio. LDB. Alunos.
## Introdução
Alguns estudos indicam que o Ensino Médio no Brasil parece está vivenciando um momento delicado, sendo alvo de questionamentos sobre sua identidade e legitimidade (SOUZA, 2007; FRANCO, BELLETATI e PEDROSO, 2013). Ao mesmo tempo, essa perspectiva se alinha com a de Gerard Fourez (2003), que sugere que vivemos em um momento de insatisfação com relação a ciências ensinada na escola, e que diante de um mundo contemporâneo, marcado por rápidas transformações científicas, tecnológicas e sociais, crescem as possibilidades para as necessárias mudanças no ensino de ciências (FOUREZ, 2003).
Diante desse cenário de instabilidade, adotamos a perspectiva de Kuhn (1998) para defender que oportunidades podem emergir, favorecendo efetivas mudanças na educação básica. Sendo assim, a contribuição de Kuhn nos permite inferir que períodos de crises podem ser vistos como episódios recorrentes no processo social de construção dos conhecimentos científicos. Para além do contexto científico, essa abordagem proposta de 'crise de paradigmas' pode ser transposta para compreender outros cenários de instabilidade.
Dessa forma, ao se considerar que o ensino de ciências na atualidade estaria vivenciando um processo de crise, pode-se supor o mesmo para o ensino médio, especialmente, quando tratamos das ciências ensinadas. Para Krawczyk (2011), esta etapa da educação básica mesmo tomando apenas três ou quatro anos de toda a formação educacional, talvez seja a mais controvertida.
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20 a 25 de janeiro de 2013
Nos últimos anos, as discussões tem se voltado para expansão, universalização e democratização do ensino médio. Afinal, conforme as legislações e regulamentos, o ensino médio ao ser incluído na educação básica passou a ser visto como uma etapa obrigatória e gratuita (KUENZER, 2010). Estamos atravessando uma era onde o país busca reconhecimento frente às potencias econômicas do cenário internacional. E neste ambiente, a educação surge como primordial para promover a qualificação de profissionais capazes de colaborar com o esforço pelo desenvolvimento econômico e social, reduzindo a desigualdades regionais do país.
Em face do necessário aumento de escolarização da população, torna-se assim, urgente não apenas a ampliação do aumento de vagas para comportar os jovens em idades entre 15-17 anos (faixa etária ideal para o ensino médio), mas inclusive o Estado precisa permitir que pessoas fora dessa faixa etária ideal, possam voltar à escola e concluir a educação básica, cuja finalidade se volta para aprofundar os conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, além da preparação básica para o trabalho e a cidadania. Além disso, a função do ensino médio é favorecer o desenvolvimento da ética, da autonomia intelectual e do pensamento crítico, em conjunto com a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos.
Dessa forma, na atualidade, o ensino médio para todos traz novos desafios, que já não são exatamente os mesmos de décadas passadas. Conforme Guerreiro (2013)
Antes, havia um consenso de que o diploma dessa etapa era sinônimo de melhores oportunidades de trabalho e de alguma ascensão social. Hoje o certificado é condição necessária para qualquer emprego, mas não representa mais uma garantia sequer de trabalho. Assim, o conteúdo visto em sala de aula é muitas vezes questionado pelos estudantes, que não entendem como aquilo será útil para a vida profissional (p. 2).
Sendo assim, em oposição à maior oferta de vagas para o ensino médio, a evasão e o abandono escolar surgem como grandes desafios para a desejada melhoria da qualificação educacional dos jovens. E assim, entre os estudantes que conseguem romper a barreira do ensino fundamental, para cursar o ensino médio (OLIVEIRA, 2007), uma grande parcela não conclui este nível de ensino, conforme podemos observar nos dados abaixo:
Os resultados da Pnad de 2010 mostram, entretanto, que o problema está longe de ser equacionado. Dos 10,3 milhões de jovens entre 15 e 17 anos, apenas 50,9% estão no Ensino Médio. O pior é que, dos 3,3 milhões que ingressaram em 2008 no 1º ano do Ensino Médio, apenas 1,8 milhões concluíram o 3º ano em 2010 (ENGEL, 2012, p.1).
Ainda com relação aos desafios do ensino médio, podemos destacar que nosso país possui altos índices de abandono escolar e de evasão, além da repetência, que agrava a distorção idade/série e reforça a vontade de não ir mais a escola. Temos em média, 3,6 milhões de jovens com idade escolar fora das escolas no Brasil e a sua grande maioria está exatamente na faixa etária ideal para o curso do ensino médio. Onde os números mais alarmantes na defasagem da entrada na educação infantil, e principalmente, na saída do ensino médio, chegando em 2010, à taxa de 10,3% (TOKARNIA, 2013).
Segundo o censo escolar de 2011 a taxa de reprovação está cada vez mais preocupante, pois o ensino médio reprovou 13,1% dos seus estudantes, o número
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mais elevado constatado desde os anos 90. E em face destes baixos desempenhos, Guerreiro (2013) questiona: 'o país está regredindo na educação dos jovens? Os alunos do ensino médio aprendem menos hoje e, por isso, são mais retidos?' (p. 1). Mas ainda para a autora, estas reprovações são reflexos de um conjunto de fatores associados a estes desafios .
Estes elevados índices de evasão e reprovação no ensino médio parecem reforçar o argumento que aponta para uma perda de legitimidade da escola, sugerindo uma grande insatisfação por parte dos alunos, por não encontrarem muito sentido nos estudos do ensino médio. Podemos inferir, entre os diversos fatores causadores da desmotivação juvenil, o perfil de ensino que dispomos no ensino médio e que parece não está de acordo com o padrão cultural dos diferentes grupos sociais, da sua realidade familiar.
A enxurrada de assuntos trabalhados nesta etapa de modo superficial e desvinculados dos interesses dos estudantes parece acarretar cada vez mais na falta de sentido admitida por estes jovens. E neste sentido, alguns autores chamam a atenção para a necessidade da escola em rever suas práticas e buscar atender as demandas de formação dos alunos para a contemporaneidade (PERRENOUD, 1999; FOUREZ, 2003 e RODRIGUES, SOBRINHO e CARVALHO, 2004). Em conjunto com esse estado de coisas, os alunos estão desmotivados, os professores 'estão permanentemente em contato com as insatisfações e dificuldades de aprendizagem dos alunos e procuram, ao seu modo, encontrar alguma saída, seja por meio da motivação, seja pela utilidade dos conteúdos ensinados' (RICARDO E CORREA, 2009 e MORAES, 2009).
Mais há outros dilemas a serem resolvidos e uma mobilização efetiva, no sentido de enfrentar estes desafios é extremamente importante. Para isto, é necessário concentrarmos nossas forças no entendimento de fatores que permeiam as escolas de nível médio e a demanda dos jovens do século XXI. E concordando com esta perspectiva, Engel (2012) enfatiza que:
Conhecer a realidade que se quer transformar é o primeiro passo para que seja possível adequar o atendimento, planejar e estruturar estratégias de contenção do abandono, avaliar e promover melhorias significativas e eficazes. Para isso, precisamos contar com a sinergia de toda a sociedade na promoção da garantia, às novas gerações, do passaporte mínimo para a inserção no moderno mercado de trabalho - a conclusão e o bom desempenho no Ensino Médio (p.2).
Diante dessas considerações, nosso estudo se voltou para as expectativas que os jovens do ensino médio têm sobre este período de formação, tendo as ciências como elemento estruturante do debate, durante a estratégia da roda de conversa, cuja abordagem metodológica é discutida logo a seguir.
## Metodologia
O presente trabalho parte de uma pesquisa maior, desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências (PPGEC), dissertação, intitulada 'A Ciência Contemporânea no Ensino Médio: Limites e Possibilidade' desenvolvida na Universidade Federal de Pernambuco (UFRPE). E no recorte que fazemos aqui, buscamos compreender a visão dos jovens alunos com relação a vivência no ensino médio regular. Para o presente trabalho, a metodologia
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apresentou ênfase qualitativa, utilizando de uma roda de conversa, cujos depoimentos foram gravados em áudio, e contou com a participação de duas turmas do 2º ano do Ensino médio. A escola em questão integra a rede pública estadual da cidade de Paulista-PE, que faz parte da região metropolitana de Recife.
Para as interpretações dos achados, fizemos uso da técnica da análise de conteúdo. Com a estratégia, é possível reconhecer as aproximações e distanciamentos entre os depoimentos, capturados por meio de unidades de análise, que emergem dos sujeitos. Em outro momento, foi possível relacionar os resultados encontrados nesta investigação, com outras pesquisas de mesmo gênero (BARDIN, 1977). Numeramos os alunos para facilitar a identificação dos mesmos, preservando seus nomes por questões éticas.
Para a roda de conversa, o tema gerador das discussões fica em torno da importância de se cursar o ensino médio na atualidade, e durante o desenvolvimento da discussão o papel da ciência é evidenciado. Em nossa compreensão, a roda de conversa é uma metodologia adotada para criar um cenário de investigação com vários atores ao mesmo tempo. Onde um tema é sugerido pelo pesquisador e a partir deste, uma conversa guiada surge, dando oportunidade de conhecermos mais a fundo sobre as diversas posições, que podem ser convergentes ou divergentes, mas indicam um modo de pensar de um grupo com relação ao conteúdo abordado.
## Resultados e Discussões
Diante dos dados coletados, percebemos um grupo inicial de respostas sobre o porquê de cursar o ensino médio na atualidade. Este primeiro grupo concebe o curso no ensino médio como um forte caráter de 'obrigação/imposição' (Educação como um Dever). Esta categoria geralmente está associada a normas estabelecidas na família, geralmente por seus pais e/ou responsáveis. Em geral, esta perspectiva de um ensino médio como obrigação pode ser percebida, por exemplo, das unidades de análise:
'Por que é o dever dele' (Aluno 13)
'Porque o pai ou a mãe quer' (Aluno 15)
Geralmente, durante o debate, esta perspectiva vem logo acompanhada de uma crítica a esta postura de cursar o ensino médio por obrigação. E assim, ao discordarem desta associação entre ensino médio e imposição, acabam por refletir sobre a importância desta modalidade. Por outro lado, ao compreendermos que a maturidade de muitos dos jovens não seja suficiente para terem clareza do quão é importante esta fase escolar, é possível que a crítica à postura de cursar o ensino médio por obrigação seja um reflexo da perspectiva apoiada pelos seus responsáveis, como podemos perceber da fala do aluno 15:
' Eu acho que tem muito de nós que só vem pra escola por obrigação. Porque o pai ou a mãe quer. Eu acho que não deve ser assim. Se é pra estudar que seja por amor. Porque ninguém vai sair daqui e ter o pai e a mãe pro resto da vida. Então, a gente precisa sim, para ter uma profissão, então tem que buscar porque nada cai do céu não' (Aluno 15).
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20 a 25 de janeiro de 2013
Esta perspectiva onde os alunos apresentam certa dificuldade em expressar as suas afinidades com o ensino médio, também é identificada no trabalho de Leão, Danrell e Reis (2011), onde outros jovens asseguram que possuem uma 'difícil' relação com esta etapa e, assim, buscam 'várias explicações para isso: as condições sociais e econômicas das famílias, o peso do trabalho, a falta de cobranças dos pais, entre outras' (p. 267).
Além disso, observamos um segundo grupo de respostas que entendem o ensino médio como oportunidades para o 'crescimento intelectual' (Educação para o crescimento intelectual). Nesta categoria, os alunos admitem que o ensino médio permita uma aprendizagem em diversos campos de conhecimentos, com potencial de desenvolver a cognição. Esta perspectiva é defendida, por exemplo, pelo aluno 3, quando afirma que cursar o ensino médio ' é algo maior em que você vai se desenvolver '. Ainda adotando esta postura, o aluno 5 sugere que no ensino médio o importante é adquirir:
'Conhecimento. Porque a cada ano que passa a gente aprende novos conhecimentos' (Aluno 5).
Dessa forma, entendemos que esta concepção se aproxima de uma dos quatro objetivos adotados pelo ensino médio, àquele no qual esta etapa da educação deve favorecer 'o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico' (BRASIL, 2000, P. 33). Embora as questões éticas não permeassem, de forma marcante, este momento da pesquisa.
De maneira semelhante, um terceiro grupo de respostas atribui ao ensino médio à capacidade de colaborar com o futuro profissional dos alunos (Educação para o Mercado de Trabalho). Os jovens declaram que o ensino médio é primordial para que se consiga um espaço no mercado de trabalho, tendo assim, maiores possibilidades em seus futuros profissionais. Para os jovens, cursar o ensino médio é importante quando se deseja ' entrar no mercado de trabalho ' (Aluno 16). E ainda sugere que a escolaridade está sendo cada vez mais cobrada pela sociedade, e concorda refletindo que:
'hoje em dia pra trabalhar eles pedem ter o segundo grau.' (Aluno 4)
Emergiu entre os discursos dos jovens também, uma categoria que intitulamos: 'adquirir uma educação básica'. Nela os jovens apresentam uma concepção de que há certo 'mínimo de conhecimento' estabelecido, e que o ensino médio faz parte desta formação, implicando que existiria uma certa 'Educação Básica' para todos (Educação como um Direito, para a Cidadania). De certa forma, não esperávamos essa concepção madura sobre a educação, pudesse emergir entre os alunos. Este ponto de vista pode ser percebido na fala a seguir:
'Eu acho assim que o ensino médio é um complemento que vai complementar o ensino fundamental. O ensino médio revisa tudo aquilo que
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a gente aprendeu no ensino fundamental e mais alguma coisa assim, mais profunda. Então eu acho assim, se a pessoa quiser ir só até o ensino fundamental eu acho que ele num... num tem o seu ensino completo. Como é que eu posso dizer? Num tem as informações precisas (...)' (Aluno 16).
Os jovens também acreditam que é importante cursar o ensino médio, para que haja possibilidade de seguir com os estudos posteriores (Educação para Universidade). Dessa maneira, a vivência nesta etapa, de acordo com as concepções dos alunos, é primordial para se conseguir fazer parte de uma instituição de ensino superior. Alguns alegam que é importante cursar o ensino médio dizendo: ' Sei lá pra fazer o curso superior' (Aluno 17), enquanto outros detalham esta perspectiva assumindo que:
'Porque o ensino médio acima de tudo pra uma porta pra faculdade, e se você não faz o ensino médio você não faz ENEM, não faz faculdade' (Aluno 3).
E por último, surge a crença no ensino médio enquanto espaço de possibilidades, onde várias opções de futuro e de escolhas estão disponíveis (Educação para realização pessoal). Os alunos entendem que vivenciando esta etapa, têm a chance de conhecer novos horizontes e redefinir seus projetos de vida. Os secundaristas admitem que o ensino médio os auxilie ' a ser alguém na vida ' (Aluno 13). E ainda, de uma forma mais aberta e poética, a creditam que através dessa vivência, 'podemos sonhar mais alto' (Aluno 3).
Em face dos discursos apresentados neste artigo, devemos favorecer a copreensão das possibilidades associadas ao aprendizado da ciência para o indivíduo. Embora muitos desejos expressos pelos alunos no que diz respeito a vivência no ensino médio, não estejam claramente voltados à importância da educação científica das ciências naturais, compreendemos que aprender ciência vai além da objetividade expressa por eles em suas falas.
Se focarmos na aprendizagem em física, por exemplo, as possibilidades que são lançadas diante da gama de conceitos e conteúdos trabalhados ao longo do estudo desta disciplina, são de fato, imensuráveis. Não só evidenciamos questões bastante expressivas na rotina do homem, como ler gráficos, compreender tabelas e leis matemáticas. Mas sim, a identificação de competências mais intrínsecas no modo de agir, pensar e reagir ao cotidiano de cada pessoas. Segundo os PCNEMs, essas
habilidades e competências concretizam-se em ações, objetos, assuntos, experiências que envolvem um determinado olhar sobre a realidade, ao qual denominamos Física, podendo ser desenvolvidas em tópicos diferentes, assumindo formas diferentes em cada caso, tornando-se mais ou menos adequadas dependendo do contexto em que estão sendo desenvolvidas. Forma e conteúdo são, portanto, profundamente interdependentes e condicionados aos temas a serem trabalhados (BRASIL, 2000, p. 24).
## Considerações Finais
E assim, de um modo geral, os alunos atribuem ao ensino médio um importante aliado na construção de oportunidades para o seu futuro. Mesmo os alunos não se sentindo representados pelo modelo de ensino instalado no ensino
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médio, vêm profunda importância nesta etapa de formação, almejando melhorias sociais e individuais das mais diversas.
Alinhado com a LDB, podemos perceber que os alunos almejam assim um ensino médio que garanta 'a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos', e ainda 'a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores' e também, 'o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico'.
Por outro lado, não vimos contemplado na fala dos alunos, que o ensino médio permita a todos 'a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina'. Esse comportamento era esperado, pois um dos grandes desafios na educação (FOUREZ, 2003; CARVALHO, 2004) é superar a dicotomia entre teoria e prática, implicando em um ensino de pouco significado para os alunos. Como se os alunos não percebessem esta perspectiva diante do 'seu' ensino médio, sem conseguir associar os fundamentos científicos-tecnológicos ao contexto da 'sua' sala de aula.
## Referências
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