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Feminismos e ensino de ciências: Histórico e implicações para aulas de física

Maria Ruthe Gomes, Katemari Rosa

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
Educação, Política E Sociedade
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## FEMINISMOS E ENSINO DE CIÊNCIAS: HISTÓRICO E IMPLICAÇÕES PARA AULAS DE FÍSICA

## Maria Ruthe Gomes 1 , Katemari Rosa 2

- 1 Universidade Federal de Campina Grande/Unidade Acadêmica de Física, ruthe1010@gmail.com

## Resumo

O objetivo deste texto é oferecer uma introdução aos estudos feministas para o público da educação científica. Além disso, discutimos em que medida os movimentos feministas e as teorias feministas têm influenciado o ensino de ciências, em geral e de física, em particular. Trata-se de um trabalho teórico sobre o feminismo e o ensino de ciências, através de uma leitura crítica que une referências das ciências sociais, da filosofia, dos estudos culturais e da área de ensino de física. O texto aborda como as chamadas ondas do feminismo se manifestam em metodologias e propostas de ensino de física que buscam uma inclusão de meninas e mulheres nas ciências. Por fim, o trabalho aponta que é preciso trazer à tona discussões relacionadas a gênero em sala de aula, tanto porque a sociedade tem expectativas definidas para o comportamento de meninas e meninos que estão em processo formativo, afastando meninas da física, quanto porque a própria construção da ciência é influenciada por questões de gênero.

Palavras-chave : feminismo, ensino de física, educação inclusiva, mulheres na ciência.

## Introdução

Um dos objetivos para o ensino de ciências é o de promover o acesso ao conhecimento científico produzido pela humanidade ao longo dos anos para todas as pessoas, independentemente de raça, credo, gênero, etc. Entretanto, o mundo das ciências, particularmente o da física, ainda é pouco diverso, sendo uma área na qual as mulheres, por exemplo, seguem com baixa participação e subrepresentação na sua produção. As desigualdades em relação às mulheres e a outros grupos têm sido alvo das lutas e debates feministas. Nesse sentido, entendemos que a área de ensino de ciências pode se beneficiar com as contribuições dos estudos feministas a fim de promover um ensino mais inclusivo.

O objetivo deste texto é oferecer uma introdução aos estudos feministas para o público da educação científica. Além disso, queremos discutir em que medida os movimentos feministas e as teorias feministas têm influenciado o ensino de ciências, em geral e de física, em particular. Trata-se de um trabalho teórico sobre o feminismo e o ensino de ciências, através de uma leitura crítica que une referências das ciências sociais, da filosofia, dos estudos culturais e da área de ensino de física. Este texto é produto de um trabalho mais amplo de pesquisa, que investiga a autoeficácia (BANDURA, 1994) de meninas em relação à física.

Neste texto, começamos com uma discussão sobre o que é feminismo e suas origens. Em seguida, trazemos algumas contribuições dos movimentos feministas para a sociedade moderna e discutimos mudanças que ocorreram ao

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longo do tempo dentro desses movimentos. Depois, entramos no debate de como o feminismo influenciou a ciência. Partimos, então, para as contribuições das teorias e dos movimentos feministas para o ensino de ciências. Finalmente, discutimos algumas implicações do feminismo às metodologias e propostas de ensino de física.

## O Que é Feminismo

Definir o que é feminismo não é uma tarefa fácil e, talvez, tampouco desejada. Preferimos pensar na existência de alguns feminismos e, neste trabalho, 1 nos alinhamos com a ideia de que 'o feminismo aparece como um movimento libertário, que não quer só espaço para a mulher - no trabalho, na vida pública, na educação -, mas que luta, sim por uma forma de relacionamento entre homens e mulheres, em que esta última tenha liberdade e autonomia para decidir sobre sua vida e seu corpo' (PINTO, 2010, p.16). É com esse olhar que fazemos uma breve introdução à história do feminismo.

## História dos movimentos feministas

A história do feminismo pode ser dividida no que se costuma chamar de três ondas do feminismo. A primeira onda tinha foco nas lutas pelo direito ao voto e ao trabalho remunerado, a segunda passou a questionar a essencialidade de ser mulher e introduziu a questão de gênero no feminismo, por fim, a terceira onde trouxe uma ampliação da luta feminista para incluir as intersecções de gênero, raça, etnia, idade, classe e outros construtos sociais que podem manter relações de opressão entre as pessoas. A seguir, discutiremos sobre essas três ondas.

Segundo Pinto (2010), a primeira onda teve início no final do século XIX e no inicio do século XX, quando mulheres organizaram-se para lutar por seus direitos, sendo o primeiro deles o que mais se popularizou, o sufrágio, ou seja, o direito ao voto. Essas mulheres ficaram conhecidas como sufragetes. Ainda de acordo com Pinto, as sufragetes realizaram várias manifestações, foram presas inúmeras vezes, foram às ruas e fizeram greve de fome, tudo com o propósito de expor o sexismo institucional da sociedade. A luta pelo direito ao sufrágio durou cerca de sete décadas e mulheres de diferentes partes do mundo se mobilizaram nessa reivindicação, que teve início tanto nos Estados Unidos, quanto em outros países da Europa (GURGEL, 2010, p.3). Entretanto, o primeiro país que garantiu o sufrágio feminino foi a Nova Zelândia, em 1893 (RIBEIRO, 2012).

No Brasil, a luta pelo direito ao sufrágio também foi árdua. Duarte (2003) relata que as ativistas brasileiras se apoiavam principalmente no fato de que diversos países, até mesmo um estado brasileiro, o Rio Grande do Norte, já permitiam o voto feminino. Em 1928, na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, o voto da mulher em eleições aconteceu pela primeira vez no Brasil. Depois desse acontecimento o movimento ganhou ainda mais força e já no ano seguinte, no município de Lajes, Alzira Soriano de Souza foi eleita e se tornou a primeira prefeita brasileira. Apesar disso, o voto feminino só se tornou um direito nacional no dia 24

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de fevereiro de 1932, considerando eleitor o cidadão maior de 21 anos sem distinção de sexo.

A pesquisadora Joana Maria Pedro faz uma análise histórica de como os termos 'mulher', 'gênero' e 'sexo' se desenvolveram ao longo do tempo, num diálogo entre movimentos sociais e feministas (PEDRO, 2005). Nesse trabalho, a autora discute transformações que ocorreram na primeira onda do feminismo e que levaram a uma segunda onda.

A categoria usada na época era 'Mulher'. Esta, pensada em contraposição à palavra 'Homem', considerada universal, ou seja, quando se queria dizer que as pessoas são curiosas, por exemplo, dizia-se de forma genérica 'o homem é curioso'. Aqui, a palavra homem pretendia incluir todos os seres humanos. Até hoje, é muito comum na nossa fala ou na escrita, quando nos referimos a um grupo de pessoas, mesmo sendo em sua grande maioria mulheres, mas tendo apenas um homem presente, usamos o termo plural no masculino. (PEDRO, 2005, p. 80).

É nesse contexto que feministas iniciam uma crítica à universalidade do homem e lutam por uma demarcação para um reconhecimento de que falar sobre 'homem' não inclui as mulheres. O que antes era uma luta pelo social e político passa também a levar em consideração o que é privado. Assim, a segunda onda focava principalmente no combate às desigualdades sociais e culturais, dando prioridade às lutas pelo corpo, prazer e indo contra o patriarcado, sem deixar de lado a política. A segunda onda reafirmava a identidade da mulher, separada da do homem. As manifestações eram formadas essencialmente por mulheres; o período foi caracterizado por reuniões só de mulheres e, de acordo com Pedro (2005), tinha uma perspectiva 'separatista', pois era um movimento só de mulheres, para mulheres e apenas com mulheres.

Entretanto, é a partir desse pensar-se mulher e pensar sobre experiências de mulheres, que surge, segundo Pedro (2005), o termo 'gênero', ampliando o pensar sobre o que é ser mulher e o que é ser homem. Em 1949, a escritora francesa Simone de Beauvoir lança o livro 'O segundo sexo', que influencia de forma decisiva o feminismo em várias partes do mundo (MORAES, 1996). Beauvoir buscava, justamente, desnaturalizar uma visão da feminilidade que aprisionava as mulheres, mostrando que essa é uma construção social. Foi daí que surgiu uma das principais frases feministas 'Ninguém nasce mulher: torna-se mulher'. Nesse sentido, o termo 'gênero' veio para subverter uma lógica de determinismo biológico, isso é, de que ser homem ou ser mulher é algo ditado pela biologia; passa a se pensar em gênero como uma construção social.

Historicamente, a maioria dos movimentos e teorias feministas teve como líderes mulheres brancas e de classe média, o que caracteriza o chamado feminismo mainstream. A terceira onda, que teve início na década de 1990 até a atualidade , vem, então, como um questionamento dentro do próprio feminismo 2 sobre que mulheres eram essas que estavam sendo representadas pelo feminismo.

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- O feminismo da terceira onda, segundo Carreira (2010), visa desafiar ou evitar aquilo que se veem como definições essencialistas da feminilidade que colocariam ênfase demais nas experiências das mulheres brancas e de classe média-alta. Ainda de acordo com Carreira, líderes feministas com raízes na segunda onda, como Gloria Anzaldua, Bell Hooks, Pedro Molina Ogeda, Cherrie Moraga, Audre Lorde, Maxine Hong Kingston e diversas outras feministas negras e do sul global , 3 procuraram negociar um espaço dentro da esfera feminista para a consideração de subjetividades relacionadas à raça e classe. É dentro dessa terceira onda que se amplia a necessidade da utilização de abordagens interseccionais para pensar o feminismo. Isso é, uma abordagem mais completa, que confronte as desigualdades resultantes das intersecções entre idade, etnia, orientação sexual, situação econômica e educação. Nesse sentido, pensar-se feminista é mais do que pensar em direitos para mulheres, ou para mulheres brancas e classe média. Os feminismos atuais se colocam como formas de combater a opressão e as desigualdades, seja de homens ou mulheres.

Assim, ao longo da história, o feminismo foi mudando deixando de ser um movimento majoritariamente ativista, com as manifestações e lutas por direito das mulheres brancas e classe média, como as reivindicações para trabalhar fora de casa e direito ao voto. O feminismo entrou para a academia com força, promovendo mudanças em vários campos e mudando pensamentos. Posteriormente, o feminismo passou por uma desconstrução de identidades, questionando o que é ser mulher, o que é ser homem e as posições privilegiadas que as feministas ocupavam (e.g. privilégios de classe, de raça e educacionais). Finalmente, o feminismo chega à atualidade como parte de algo mais amplo, os estudos de gênero, com análises interseccionais e sem perder seu caráter ativista, buscando a inclusão e equidade em todas as esferas.

## O Feminismo e o Mundo da Ciência

- O feminismo contribuiu significativamente para alterar visões predominantes em diversas áreas da sociedade que vão desde a cultura até ao direito, passando pela produção científica e o ensino de ciências.

Ao longo da história, a ciência era definida como uma carreira imprópria para mulheres, a ciência iluminista confirmava a irracionalidade e a incapacidade das mulheres na observação imparcial e objetiva exigidas pelo pensamento científico (CONCEIÇÃO; ARAS, 2013). Até mesmo hoje não é preciso muito esforço para notar que existe uma subrepresentação de mulheres no meio científico como ativas produtoras do conhecimento.

- A presença de mulheres na ciência tem diversas implicações, seja na produção científica ou na própria discussão sobre o que é ciência. Numa perspectiva de teoria do ponto de vista feminista, conhecida como teoria feminista standpoint , está a ideia de que uma renovação da ciência passa, fundamentalmente, pela inclusão das experiências específicas das mulheres no modo de produzir ciência, já

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que as mulheres cientistas são, de modo geral, oprimidas pela comunidade científica (OLIVEIRA; AMÂNCIO, 2006). Similarmente, Chanter (2011) argumenta que ' as teorias feministas foram efetivas na inserção de mulheres na ciência, já que elas são mais propensas a perceber tendências androcêntricas presentes na ciência e na construção do conhecimento científico' (p.91).

Pensando na própria construção do conhecimento científico, Conceição e Aras (2013) trazem argumentos da influência do feminismo para os modelos de ciência. Os autores afirmam que a crítica da epistemologia feminista contemporânea ao modelo cartesiano de ciência, no qual todo conhecimento é construído pela inferência das experiências sensoriais imediatas, lança novos desafios, ao atribuir preconceitos ligados ao gênero tanto ao método científico como a tradição da qual ele faz parte.

Para Oliveira e Amâncio (2006), a concepção da experiência feminina e da imprescindibilidade de dar voz às mulheres, é uma forma de combater a opressão patriarcal instalada na ciência. Dessa maneira, amparadas por uma teoria feminista, as experiências especificas das mulheres (que não são experiências universais) dariam as condições para o desenvolvimento de um conhecimento mais completo e menos distorcido do que se tem tradicionalmente, que é um conhecimento produzido a partir das teorias impregnadas apenas pelas experiências masculinas (CRUZ, 2007). Essa inserção não se dá sem resistência. Sousa (2008) argumenta que pesquisadores temem a presença de mulheres na ciência, pois as mulheres parecem representar 'diversidade, afetividade, subjetividade e emoções' (p. 152), fatores que poderiam ameaçar a credibilidade da ciência uma vez que essa é 'tida como imparcial e objetiva' (p. 152).

É nesse contexto que olhamos para a necessidade de inserção das discussões feministas no ensino de ciências. A discussão não é tão somente para ampliar a presença das mulheres em atividades científicas, numa questão de representatividade, mas também para que se possa promover uma reconstrução e diversificação do pensar e produzir ciência.

## O Feminismo e o Ensino de Ciências

Quando voltamos nossa atenção para as influências do feminismo no ensino de ciências, percebemos que essa relação não é recente. Por exemplo, a questão da educação para meninas foi trazida à atenção do público por Conant, em 1959, quando discutia as diferenças de anos de estudo de meninos e meninas com talento para ciências (Bybee, 1997). Apesar da comunidade de ensino de ciência ter consciência sobre questões de gênero, pouco se tem feito para resolver essa questão de maneira explícita nas reformas curriculares.

Com a contribuição das teorias feministas, no entanto, os estudos sobre a educação científica foram revistos. Barton (1998) reivindica por uma educação científica feminista quando argumenta que uma pedagogia feminista é mais do que o ensino inclusivo. Ela diz que não é simplesmente sobre o ensino para todos, não se trata apenas de um bom ensino, mas um engajamento político e social, o compromisso de ensinar ciência desafiando "as ideologias que justificam as

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desigualdades de poder", usando esse conhecimento para "construir realidades diferentes" (p.viii). A educação científica feminista estaria, portanto, comprometida com uma agenda libertadora.

## As três ondas e o ensino de ciências

Barton (1998) fornece uma análise das influências das três ondas do feminismo na educação científica. A primeira onda teria trazido a atenção para a subrepresentação das mulheres na ciência, promovendo estudos que mostraram a falta de modelos de mulheres dentro do empreendimento científico. Como os produtos da influência desta primeira onda, tivemos programas extraclasse para incentivar meninas na física, ensinando estratégias para que meninas desenvolvessem habilidades na física. A segunda onda focava a própria ciência, questionando sua natureza e práticas. Esse questionamento levou a um ensino de física que buscava incorporar formas marginalizadas do saber e um ensino inclusivo de gênero, assumindo carinho, cooperação e compaixão como valores das mulheres, e que esses deveriam ser encorajados na ciência, no ensino e na aprendizagem das ciências. A terceira onda trouxe a ideia de que raça, gênero e classe só podem ser vistos como situados social e historicamente. Como resultado para o ensino de ciências, essa abordagem levou a uma revisão de como a ciência está situada nas escolas, o papel de estudantes, professoras e professores. Um argumento que resultou da influência da terceira onda é o de que tanto o ensino de física como a pesquisa científica são atos políticos e ativistas.

Brotman e Moore (2008) buscaram mapear o debate em torno das meninas na ciência por meio de revisão da literatura publicada entre os anos de 1995 e 2006 sobre educação científica. As autoras identificaram quatro temas em que as discussões podem ser categorizadas. As categorias elaboradas foram: equidade e acesso, currículo e pedagogia, reconstruindo a natureza e a cultura da ciência e identidade. De certo modo, essas categorias seguem o padrão das ditas ondas de feminismo, sendo o terceiro e quarto temas contemplados pelas discussões da terceira onda.

As pesquisas em educação científica relacionadas com currículo e pedagogia e com meninas na ciência eram, basicamente, sobre como ajustar o currículo para formas de aprendizagem das meninas e suas experiências (BROTMAN; MOORE, 2008). Assumindo que meninas são mais cooperativas do que meninos e que elas procuram por uma compreensão conceitual mais profunda, além de experiências de aprendizagem que sejam mais ativas, experiências curriculares que procuram ser inclusivas para meninas costumavam adotar essas orientações. Os estudos analisados por Brotman e Moore sugeriram que os currículos favoráveis às meninas são benéficos tanto para meninos e meninas.

Gilbert (2008) discute implementações curriculares que foram uma resposta ao debate na literatura sobre o feminismo na educação científica. Ela particularmente analisa uma intervenção na Nova Zelândia, que tinha o intuito de ser inclusiva para meninas. A autora mostra que a subrepresentação de meninas na ciência foi um problema oficialmente reconhecido nas propostas curriculares. No âmbito escolar brasileiro, de acordo com os PCN's (BRASIL, 1998), as discussões

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das questões de gênero estão previstas nos temas transversais. Além disso, os livros didáticos, principalmente através do Programa Nacional do Livro Didático, tornam-se um meio oficial para tratar das representações e expectativas em relação a gênero. Oliveira (2011) argumenta que, mesmo com os costumes, estratégias de adoção e utilização do material em nossas escolas, é quase imperceptível a questão de gênero implícita no livro didático. As relações de gênero trazidas nos livros didáticos cumprem o posicionamento social do homem e da mulher separando suas atividades, lugares de atuação, questões profissionais, entre outros. Dessa maneira, é preciso trazer à tona discussões relacionadas a gênero em sala de aula, uma vez que a sociedade tem expectativas definidas para o comportamento de meninas e meninos em processo formativo; a mulher como produtora da ciência não parece fazer parte desse imaginário nos textos de livro didático de física.

## Conclusão

Neste artigo apresentamos um breve histórico dos movimentos feministas, discutimos algumas de suas principais contribuições para a sociedade moderna e mostramos como questões trazidas pelos movimentos feministas estão presentes no ensino de física, ainda que de forma implícita. Com este trabalho, esperamos evidenciar a importância de uma reflexão sobre como o ensino de física está inserido num contexto histórico e social mais amplo que passa por discussões de gênero. Além disso, esperamos que este texto possa servir como um ponto de partida para professoras e professores de física, bem como estudantes de licenciatura em física que queiram tornar suas práticas mais inclusivas a partir de um debate das questões de gênero.

## Referências

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