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Helder Antonio De Freitas, M. Lúcia Vital
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XI
- Ano
- 2008
- Data
- 24/10/2008
- Linha de pesquisa
- Tecnologias E Novas Abordagens No Ensino Da Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## MOTIVAÇÃO DO ALUNO E O USO DO COMPUTADOR EM AULAS DE FÍSICA
## STUDENT'S MOTIVATION AND THE USE OF THE COMPUTER IN CLASSES OF PHYSICS
## Helder Antonio de Freitas , M. Lúcia Vital
Instituto de Física da USP , helder.freitas@usp.br
Faculdade de Educação da USP/Departamento de Met. de Ensino Educ. Comparada , mlabib@usp.br
## Resumo
Diversos estudos têm discutido a importância do uso pedagógico do computatador como o uma ferramenta que pode facilitar o ensino . Nesta direção, o presente trabalho tem o objetivo de abordar o estudo da motivação em alunos, através da Teoria de Metas de Realização, em aulas que trataram um tema de física e tiveram o apoio didático do computador r por meio do uso de simulação computacional . A pesquisa desenvolveu-se segundo os parâmetros de uma metodologia qualitativa, sendo os dados obtidos com a utilização de questionários e entrevistas , para a análise de e três alunos que se caracterizavam com problemas de motivação marcantes . Os resultados revelaram uma melhoria nas metas de realização apresentadas e de posicionamentos favoráveis quanto à realização das atividades propostas. Assim, é possível destacar o potencial da associação entre o uso de computadores e atividades que possibilitam o o envolvimento dos alunos para a melhoria da motivação e da aprendizagem em física.
Palavras -chave: motivação, ensino de física, tecnologias computacionais
## Abstract
Several studies have discussed the importance of the pedagogical use of the computer as a tool to facilitate teaching with this in mind, the objective of this present study is to address student motivation through the theory of goal achievement in physics classes that use computers for pedagogical support in the form of computer simulations. The study was developed following the parameters of qualitative methodology. Data was obtained for analysis from interviews with and questionnaires given to, three students who showed significant motivational problems. The results revealed an improvement in the achievement the e goals presented the accomplishment of the selected tasks. Therefore it is possible to show how computer activities can be a powerful tool to promote both student motivation and learning in the area of physics.
Keyword - - motivation, physics education and c omputer technology.
## Introdução
Os conteúdos de Física são considerados em sua maioria de difícil compreensão. Parte dessa dificuldade se deve principalmente pelo fato dos alunos apresentarem dificuldades em Matemática e na visualização dos fenômenos Físicos. A excessiva valorização pela utilização direta de fórmulas na representação de fenômenos Físicos, decorando-as sem conhecimento de sua finalidade ou origem, dificulta ao aluno que ele chegue às suas próprias conclusões acerca de determinados conhecimentotos. Um dos recursos didáticos que pode ser utilizado
como tentativa para amenizar este problema é a telemática 1 . Os diversos modos de utilização do computador permitem a diversificação de estratégias no ensino. O professor dispõe de novas possibilidades para propiciar a construção do conhecimento e os alunos dispõem de uma variedade de meios para isso. o. MORAN (2000) aponta como uma das áreas prioritárias de investimento a implantação das novas tecnologias computacionais, onde o objetivo último seria ter cada sala de aula conectada à Internet e cada aluno com um n notebook .
A nova geração de alunos se sente atraída pelas novas tecnologias de informática e passa grande parte de seu tempo navegando na Internet, à procura de conhecimentos do seu interesse e interagindo com outras pessoas, através dos recursos que a rede mundial de cocomputadores oferece. Em geral, os alunos do ensino fundamental e médio possuem uma grande facilidade para realizar atividades com o uso de computadores, podendo esta ser canalizada para o aprender, ampliando os recursos didáticos utilizados, , limitados frequentemente ao uso de livros didáticos, l lousa e giz .
## Novas Tecnologias e o Ensino de Física
A modelagem c omputacional permite a construção e simulação de modelos de fenômenos físicos a partir das equações matemáticas que representam esses fenômenos. Deste modo, quando o aluno descreve o modelo matemático que traduz um determinado fenômeno, a Modelagem Computacional permite simulações computacionais de tal fenômeno, possibilitando uma análise diferenciada das situações em jogo (VASCONCELOSA e outros, 2003), com chances de favorecer uma maior compreensão dos conteúdos, , contribuir r para o desenvolvimento cognitivo em geral e favorecer uma aprendizagem significativa.
Segundo os autores VASCONCELOSA , SANATANA e NETO (2003), o uso do computador no ensino de Física, com utilização de software com simulações e apresentação audiovisual pode facilitar o ensino, não oferecendo, todavia garantias de sucesso pleno. Embora isso seja óbvio, é sempre bom rerealçar que e muitos experimentos científicos baseados em cálculos matemáticos são complexos e trazem dúvidas e dificuldades aos alunos. O uso do computador pode auxiliar na solução desses cálculos, oferecenendo também a possibilidade de visualizar, refletir sobre os dados e modelos e analisá -los. Atividades bem estruturadas e o ensino assistido por computador constituem um meio didático que pode levar os alunos a conhecererem o papel estruturador da matemática na Física.
FIOLHAIS e TRINDADE (2003), posicionando-s-se a favor da Internet, relatam que com ela a aprendizagem pode tornar-s-se mais interativa e pessoal. O professor ajuda o aluno a procurar e selecionar a informação mais relevante nos vastos "oceanos de informação" fornecendo-lhe objetivos para neles navegarem. Nestas circunstâncias, o papel do professor deixará de ser tão central, com um orador e muitos ouvintes . O professor pode se tornar parceiro dos seus alunos no processo de aprendizagem. O foco passa da ênfase do ensinar para a ênfase do aprender, onde e o docente deixa de reproduzir conhecimento abrindo caminhos coletivos de busca e investigação para a produção do conhecimento do seu aluno e do seu
próprio. O aluno, por sua vez, precisa deixar de ser passivo, só escutando, lendo, decorando e repetindo fielmente os ensinamentos do professor, para tornar-se criativo, crítico e atuante na produção de conhecimento.
A utilização da Internet como ambiente auxiliar no processo de ensinoaprendizagem oferece, para o trabalho do professor, inúmeros recursos que facilitam a tarefa de preparar as aulas, fazer trabalhos de pesquisa e ter materiais atraentes para apresentação, subsídios teóricos sobre a sua utilização como ferramenta pedagógica, além de se constituir um meio de relevantes possibilidades pedagógicas que permite que os trabalhos de pesquisa sejam compartilhados por outros alunos e divulgados instantaneamente em rede, para quem quiser. O professor pode, através de uma metodologia inovadora, criar possibilidades de encontros presenciais e virtuais que levem o aluno a acessar as informações disponíveis em todo o universo da Internet, motivando-o e sensibilizando-o -o do valor da atividade que vai ser realizada e de sua importância neste processo. A partir daí, o aluno participa e se torna co-responsável pela qualidade e escolha das informações coletadas, sendo o professor o mediador deste processo de aprendizagem (MORAN, J. M., MASETTO, M.T. e BEHRENS, M.A., 2000).
A riqueza dos recursos telemáticos não substitui a presença e a ação do professor, pois há a necessidade de orientação a respeito de como direcionar o uso desses recursos para as atividades de pesquisa, de busca de informações e, por conseguinte, a construção do conhecimento, direcionando os alunos para que não se dispersem neste universo de informações , realizando, seu verdadeiro papel de mediador e motivador da aprendizagem. O aluno cresce e se desenvolve não devendo estranhar se ele chegar a dados ou informações que o professor ainda não possuía. Muitos dados e informações não significam necessariamente mais e melhor conhecimento. O desafio para os educadores é o de escolher as informações verdadeiramente importantes entre tantas e torná-las significativas.
Se, por um lado, os alunos ficam encantados e eufóricos com a chegada dos equipamentos, por outro lado , existe a resistência da maioria dos professores em familiarizarr-s -se com os computadores e explorar os recursos didáticos disponíveis. A presença de computadores nas escolas, como acontece em toda transição de paradigma, gera certo desconforto, principalmente em professores, devido à complexidade do seu uso como meio pedagógico, que requer dos professores uma formação específica para a sua utilização. Há professores que se preocupam com a aprendizagem na perspectiva da construção do conhecimento, estimulando a pesquisa, a investigação, a imaginação e a criatividade. Outros, por sua vez, resistem ao novo e outros tantos já utilizam o computador, mas ainda centrados na transmissão de conhecimentos.
"Os alunos, quando têm aulas com auxílio do computador, r, se mostram eufóricos e não vêem a hora de chegar a esperada aula, sendo que neste dia a assiduidade é visivelmente maior por ser uma aula divertida para eles, levando-os a interagirem com seus colegas, não percebem o tempo passar e, com o decorrer das aululas, passam a realizar suas atividades de modo autônomo, assumindo o professor o papel de mediador. O universo escolar tende a ser mais prazeroso ao aluno, dependendo de cada circunstância e da perspectiva que cada um constrói em relação a este contexto." (CUNEGATTI, C.M.S., p.72)
Pode acontecer também que alalgumas destas mudanças não sejam bem aceitas pelos alunos, por estarem acostumados a serem apenas ouvintes, recebendo tudo pronto do professor. Na sociedade da informação, estamos todos reaprendendo a integrar o humano e o tecnológico, onde ensinar não é só falar, mas se comunicar com credibilidade, para que se avance no grau de compreensão do que já existe.
O universo dos recursos telemáticos está transformando rapidamente o mundo em que vivemos e a escola necessita se reorganizar e reinventar para que as novas tecnologias, mais especificamente o computador, tragam contribuições significativas para a aprendizagem . O uso do computador é uma realidade sem volta, ou seja, nunca deixará de existir e está presente em toda a sociedade. Cabe à escola adotá -lo efetivamente na aprendizagem. A razão para se obter resultados qualificados e duradouros pode estar no reinventar a escola, transformando-a em um espaço prazeroso de construção de conhecimentos . O potencial l tecnológico desenvolve -s -se de forma desenfreada e precisa ser viabilizado na perspectiva de enriquecer e mobilizar a formação autônoma dos cidadãos.
## Metas de Realização o como indicadores de motivação
Conforme MIDGLEY, KAPLAN, MIDDLETON e MAEHR (1998), em 1990, um estudo foi realizado por um grupo de pesquisadores na Universidade de Michigan, com auxílio de alunos por um período de oito anos, o que colaborou para desenvolver e aprimorar a precisão das escalas de avaliação das Metas de Realização dos alunos. Estas escalas foram usadas em diversos tipos de estudos . Os resultados demonstraram estabilidade, consistência e eficiência na medição das escalas, bem como a importância de sua construção. Estas escalas estão sendo usadas por pesquisadores que abordam o e estudo de motivação, através da teoria de Meta de Realização.
A Teoria descreve duas metas de realização em particular: a Meta-Aprender e a Meta -Performance. Tratam -s -se de duas metas qualitativamente definidas e diferentes entre si, que exprimem o propósito ou o porquê do aluno se envolver em atividades. Cada uma delas possui um mediador cognitivo bem definido que fornece uma explicação específica dos comportamentos de realização que se verificam nas situações de aprendizagem escolar, ou seja, representam aquilo que o aluno busca atingir ou realizar.
Estudos apontam que alunos orientados à Meta-Aprender apresentam padrões aceitáveis e consistentes com a a construção de conhecimento, o que já não é constante nos alunos orientados à Meta -Performance, os quais se apresentam às vezes de forma positiva e, outras vezes, negativa . O aluno orientado à Meta -Aprender se esforça a bastante e seu sucesso é medido frente ao progresso obtido com a atividade. O aluno orientado à Meta -Performance se esforça para ganhar julgamentotos favoráveis de suas competências e seu sucesso é definido em relação aos seus colegas de classe.
MIDGLEY, KAPLAN, MIDDLETON e MAEHR (obra citada), relatam que pesquisas realizadas por Elliot e Harackiewicz (1996) e Elliot e Igreja (1997) criaram dois enfoques diferentes para a Meta-Performance: O primeiro, que destaca os alunos preocupados em terem sucesso e , o outro , que destaca alunos preocupados em não fracassar. Outras pesquisas foram realizadas, o que levou às Metas de Realizaç ão a serem mensuradas através de três escalas diferentes: Meta-A-Aprender, Meta -PerformanceeAproximação e Meta-Performance-Evitação.
Os alunos orientados à Meta -Aprender apresentam seu modo de pensar, as relações afetivas e o o comportamento bem definidos. Sentem-s-se capazes de progreredir intelectualmente com inovação e criatividade, através de seus esforços e persistência. Nesse caso, há f fatores internos e sob seu controle, deixando vir à tona sentimentos de orgulho e realização, facilitadores da motivação intrínseca. Os erros são consnsiderados como inerentes ao processo de aprendizagem, valorizando-se não as boas notas, mas o valor da descoberta, ou seja, esforçam -s-se e desenvolvem
estratégias adequadas de estudo em busca dos objetivos de aprendizagem, sem apresentarem ansiedade que seja prejudicial. Valorizam a aprendizagem, persistem perante as dificuldades, superam os desafios, buscam o conhecimento e o crescimento intelectual.
- O aluno orientado à Meta -Performance -A -Aproximação preocupa-s-se com a opinião que formarão sobre sua inteligência, adotando, desta forma, estratégias de aprendizagem que lhe garantam sucesso . Dependendo da situação, esta orientação pode também levar o aluno a se interessar pela disciplina e adotar estratégias de estudo para alcançar os objetivos que lhe são impostotos. Procura realizar tarefas escolares e responder questionamentos dos professores, preocupando-s-se para que o resultado seja considerado como sendo melhor que a de seus colegas de classe e para mostrar a professores e aos seus pares, como sendo o mais esperto da turma. Procura tirar boas notas, s se esforça e persiste, mas obtém resultados superficiais.
- O aluno orientado à Meta -Performance -Evitação tem o pensamento de que é inútil e que não pode realizar as atividades escolares , nem responder r aos questionamentos dos professores. Procura agir de tal forma que os outros não percebam a sua incapacidade e para que não façam julgamentos de que ele sabe menos que os outros de sua turma. Sua preocupação é de não se ver em situações constrangedoras, nas quais poderia ser considerado por r seus colegas e professores como estúpido. Possui baixa persistência e faz pouco esforço, não tem interesse por boas notas e apresenta tendência à ansiedade, que é prejudicial à motivação intrínseca. Considera -se como incapaz e como um dos piores da classe. Não possui o objetivo de aumentar sua competência , nem de demonstrar capacidade, mas sim de executar as tarefas escolares com o mínimo de esforço. Faz pouco uso de estratégias para a aprendizagem e prefere tarefas fáceis.
- O meio social onde o aluno está inserido, principalmente entre os adolescentes, influencia sobremaneira nas Metas de Realização para as quais está orientado e, por conseqüência, em toda a sua vida acadêmica, pois apresenta comportamentos e preocupações sociais mais intetensas, como por exemplo: agradar os pais, ter um bom resultado em um vestibular ou em um concurso público, entre outros, ou seja, o meio social gera influências de caráter motivacional extrínseco.
Conforme BORUCHOVITCH e BZUNECK (2001), a motivação do aluno no contexto escolar está associada a um tipo de Meta de Realização. Cada Meta de Realização representa uma razão específica para o aluno aplicar esforços ou buscar outros objetivos desejáveis. Cada uma dessas Metas é uma orientação que goza de certa estabilidade, não, porém, como o são os traços de personalidade. Podem ser alteradas em função das condições do ambiente de sala de aula. Portanto, um aspecto importante relativo a essa teoria das Metas de Realização é que há possibilidade de serem mudadas nos alunos pelos Educadores, mediante algum procedimento de intervenção.
- O ambiente criado na sala de aula pelo professor pode ser determinante na orientação do aluno para uma das Metas de Realização apresentadas, e é tarefa dos educadores desenvolverem propósitos, metas, expectativas, crenças e emoções através de estratégias de ensino que resultem numa motivação positiva para a aprendizagem, em um clima encorajador e sensível às necessidades internas e perspectivas pessoais dos alunos. Na sala de aula, as ações dos professores influenciam no comportamento, no envolvimento, nas estratégias de raciocínio e no grau de esforço esperado dos alunos.
- O aluno orientado à Meta -Performance -Evitação apresenta déficits motivacionais ao realizar uma tarefa escolar e, se supomos que o uso de recursos computacionais se c constitua como um importante motivador, a hipótese seria de que este aluno, quando utilizar os recursos computacionais como um instrumento pedagógico, apresente melhora em sua motivação, podendo até apresentar características ligadas à Meta de Realização, Meta-Aprender. Sendo assim, a presente pesquisa a teve o objetivo de responder à seguinte questão: pode haver mudança de percepção motivacional no aluno orientado à Meta-Performance-eEvitação, após viv enciar uma atividade que utiliza como recurso didático a tecnologia computacional?"
- A metodologia adotada teve o objetivo de estudar a possibilidade de identificar, em uma sala de aula, três alunos orientados à Meta-Performance-eEvitação e verificar se, durante a atividade realizada com recurso didático do computador, estes apresentariam alguma mudança e em suas metas de realização.
- A Pesquisa foi realizada em uma escola particular, localizada na periferia da Zona Norte da Capital de São Paulo, com 27 alunos e alunas, entre 13 e 14 anos. Estes alunos pertencem à classe social média-baixa e estão no 9ª ano do Ensino Fundamental. A escola adota sistema apostilado e, entre outros recursos didáticos, possui um laboratório de ininformática com sete computadores não coconectados à Internet, que são também utilizados em outras escolas pertencentes à mesma rede de ensino, sendo que, para tal, são transportados de uma escola para outra pelo próprio professor de Informática.
As aulas de informática para os alunos do 1º ao 8º anos possuem no currículo assuntos gerais sobre informática. Já para os do 9º ano é proposto a eles que a cada bimestre escolham uma das disciplinas do curso e o professor desta disciplina escolhida desenvolve algum tema para ser trabalhado durante as aulas de informática. No segundo bimestre de 2007, os alunos escolheram a disciplina de Ciências e, por este motivo, por sua vez foram escolhidos para serem o alvo da presente Pesquisa.
Os instrumentos utilizados para identificar para qual Meta de Realização os alunos estavam orientados e se houve mudanças de metas quando realizou a atividade com apoio didático do computador, foram três: um questionário, uma conversa com a professora sobre seus alunos e uma entrevista com os alunos.
- O Artigo (MIDGLEY, C., KAPAPLAN, A., MIDDLETON, M., and MAEHR, M., 1998), originalmente escrito em inglês, apresenta um escala de avaliação das Metas de Realização com um questionário de 18 perguntas organizadas de tal forma que as 06 primeiras identificam alunos orientados à Meta-Aprender; as 06 próximas, alunos orientados à Meta -Performance -A -Aproximação e as 06 últimas alunos orientados à Meta -PerformanceeEvitação. Após a tradução para o português, estas questões foram intercaladas em uma seqüência onde a 1ª identifica alunos orientados à Meta -Aprender, a 2ª alunos orientados à Meta-Performance-eAproximação, a 3ª alunos orientados à Meta-Performance-e-Evitação e assim por diante, até a 18º questão, conforme o Anexo 1.
Este questionário teve por objetivo ser um indicativo para qual Meta de Realização os alunos estavam orientados, sendo que as respostas para cada questão eram "concordo", "concordo parcialmente" ou "não concordo", com atribuições de 2, 1 e zero ponto, respectivamente. Com este critério, os valores máximo e mínimo para cada a Meta de Realização, visto que são 6 questões que identificam cada uma das três , variam de zero a 12 pontos, sendo que pontuações
superiores ou igual a 6, foram consideradas como um indicativas de que o aluno poderia estar se percebendo orientado para esta determinada Meta de Realização .
Um segundo questionário, semelhante ao primeiro, com o mesmo sistema de resposta e pontuação, fofoi desenvolvido com as mesmas perguntas, só que desta vez não com questões genérica e, sim, especificas para a atividade que foi desenvolvida com auxilio pedagógico do computador .
A conversa com a professora foi realizada de modo informal e tinha a intenção de verificar qual sua impressão sobre determinado aluno durante suas aulas e verificar se estas impressões condizem com as Metas de Realizações apontadas no primeiro questionário.
Foi perguntado a ela qual a visão que tem do aluno, o que o aluno tem que fazer para melhorar, se ele é esforçado, se ele tem dificuldade para aprender, se ele faz perguntas durante a aula e se ele procura se esconder para passar despercebido durante as aulas.
A entrevista se constitui como o principal instrumento de pesquisa para a caracterização dos perfis motivacionais. Ela teve a intenção de deixar o aluno falar, incentivando -o, principalmente a relatar algum caso em sua vida escolar que o caracterize como um sujeito orientado a Meta-Performance-e-Evitação.
Foi realizada uma primeira entrevista e após o aluno ter realizado a atividade com apoio didático do computador, foi realizada uma s segunda entrevista, que teve o objetivo de constatar se houve alguma mudança na percepção da Meta de Realizaç ão Motivacional apresentada a na entrevista anterior. r.
## Procedimento e análise dos dados antes da atividade
- O objetivo inicial foi o de selecionar no universo dos 27 alunos, pelo menos 03 que apresentassem percepção vovoltada para a orientação o Meta-Performance-eEvitação , para tanto, primeiramente foi aplicado o primeiro questionário , adotado o seguinte critério:
- a. Conforme explicado anteriormente , fofoi considerado como alunos os que se percebem orientados a Meta-Performance-Evitação, aqueles que apresentaram pontuação maior ou igual a 6, independente dos pontos obtidos na Meta-Aprender e na Meta -Performance -Aproximação;
- b. Foi considerado como indicativo de que se percebem orientados para Meta -PerformanceeAproximação, os os alunos que apresentaram pontuação maior ou igual a 6 para esta Meta de Realização e pontuação menor que 6 , para MetaPerformance -Evivitação.
- c. Considerado como indicativo de orientação para Meta-Aprender os alunos que apresentaram pontuação maior ou igual a 6 para esta Meta de Realização e pontuação menor que 6 nas outras duas M Metas de Realização.
Desta forma, obteve-s-se o resultado expresso no Quadro I.
Quadro I: Metas de Realização apresentadas pelos alunos
Como o objetivo foi selecionar no máximo 03 alunos para serem objetos da pesquisa, primeiramente adotamos o mesmo critério do do item "a", para selecionar entre os 12 alunos, os 06 que apresentavam pontuação igual l ou maior que 7 .
A segunda etapa a foi realizar uma conversa informal com a professora sobre o comportamento destes 06 6 alunos e através de seu parecer, r, foram selecionados os os 03 alunos que mais apreresentavam indicativos de orientação à Meta-Performance Evitação .
Após esta ta seleção, foi realizada uma entrevista, com o objetivo de verificar se estavam realmente orientados à Meta -Performance -Evitação, conforme indicava o questionário e a conversa com a professora.
Os alunos relataram que consideram como "o bom professor " " aquele que osos levam a fazer o menor esforço possível, que não os os obriguem em a pensar, e, sim, lhe dêem respostas prontas . Consideram -s -se como incapaz es e o erro como algo muito ruim. Sentem -se inferiores perante os outros alunos, os quais consideraram como sendo mais inteligentes que eles, pois não necessitam fazer tanto esforço quanto eles para aprender. Diante do insucesso, demonstram sentimentos de inferioridade , de incapacidade, de frustração, de fracasso, o, de tristeza, de vergonha e de aflição, os quais lhe trazem angústia . Eventualmente realizam esforço devido à pressão de seus pais, que pagam a escola e cobram deles es resultados satisfatórios , desta forma, não se destacam com boas notas, mas obtém, no final, a média necessária para progredir. Na sala de aula, não se arriscam am a responder questionamentos dos professores s por pensarem que não vão conseguir e desta forma , sererem motivos de deboche por parte dos seus colegas, inclusive relataram experiências anteriores desagradáveis a este respeito . Proferiram expressões como:
- "... eu me sinto fracassada..."
- "... eu penso que não tenho muito raciocínio..."
- "... eu sou meia lerda..."
- "... eu me sinto o bobo da classe..."
- "... me sinto o menos capacitado da família..."
```
"... eu me senti um nada... comecei a chorar..."
```
- "... sinto que sou um nada... mal, incapaz de fazer..."
- "... eu fico quieta... para não falar besteira..."
## Atividade
O Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria da Educação, distribuiu nas escolas públicas do Estado, entre outros, um CD com um programa de computador chamado Laboratório Virtual de Eletricidade, (NOVO DISC MIDIA DIGITAL Ltda, 2007), com o qual é possível desenvolver diversas atividades experimentais sobre o o tema e eletricidade .
Utilizando -s -se este programa , foi desenvolvida uma atividade e experimental com objetivo de que os alunos identificassem a relação o que há entre Potencia (P) em watts (W), Tensão Elétrica (U) em volts (V) e corrente elétrica (i) em Ampère (A). Primeiramente foi apresentado um esboço do tema a ser tratado, esclarecendo qual o caráter Físico de cada uma dessas grandezas e em seguida foi proposto um questionário a ser respondido com o transcorrer da atividade .
Esta atividade foi desenvolvida durante quatro horas aulas, com todos os 27 alunos, sendo que 24 alunos se reuniram em grupo nos sete computadores
existentes e foi providenciado mais um computador para cada um dos 03 alunos selecionado para a pesquisa.
## Procedimento e análise dos dados depois da atividade
Após a atividade , foi aplicado o segundo questionário, para todos os alunos, com a intenção de verificar se, de um modo geral, havia uma mudança na indicação das Metas de Realização dos alunos . O critério de classificação das Metas de Realização foi o mesmo adotado no primeiro questionário , sendo que, desta vez, obteve -s -se o resultado expresso no Quadro II.
Quadro II: Percepções motivacionais dos alunos relativas à à atividade
Foi realizada com o os três alunos selecionados, uma segunda entrevista, com o objetivo de verificar se durante a realização da atividade houve alguma mudança na Meta de Realização para a qual mostraram ser orientados.
Os alunos, num primeiro contato com a atividade, a consideraram como sendo difícil , e até, de que não seriam capazes de realizá-la, mas durante a execução se envolveram, não desistiram perante as dificuldades e não apresentataram sentimentos de ansiedade , sendo o o esforço realizado, prazerosos . Relataram que sempre que titiveram dúvidas perguntaram para o professor ou para os colegas de classe, sem constrangimento. Apresentaram entusiasmos e concentração na a execução da tarefa, não percebendo nem o tempo passar e, ao final, demonstrararam satisfação , sentindo -se aliviados os e capaz es, por terem terminado a tarefa com êxito . Em um deles, a realização da atividade lhe trouxe um conforto que o fez, inclusive, continuar a explorar o programa computacional, quando ao final , passou a realizar uma disputa com seu colega, utilizando os recursos oferecidos pelo programa . Em seus lares, teteceram comentáririos positivos com seus pais, sobre a atividade que estavam desenvolvendo na escola, principalmente por ser algo novo para eles .
## 5. Conclusão
Os alunos pesquisados quanto à orientação da Meta-Performance-e-Evitação, apresentaram claros indicativos de melhora. O primeiro deles passou de 8 pontos para 3 pontos, o segundo , de 9 pontos para 2 pontos e o terceiro , de 7 pontos para 4 pontos . Já com a entrevista , mostrou que no inícício da atividade o aluno se colocava numa posição defensiva, por não conhecer e ter medo do novo, comportamento característico dos que se percebem orientados à Meta-Performance-Evitação, mas após este primeiro contato, após se envolvererem e se familiarizarem com a atividade, apresentaram várias características de alunos que se percebem orientados a MetaPerformance -A -Aproximação, como previa a nossa hipótese. Des ta forma, nonossos resultados evidenciam que a atividade pedagógica proposta trouxe melhoras para o perfil motivacional dos alunos.
Cabe destacar que as Metas de Realização não podem ser encaradas como características intrínsecas que determinam o comportamento dos alunos de forma rígida. As mesmas devem ser encaradas como tendências dos alunos sobre suasas possibilidades de realizar uma tarefa escolar. Por conseguinte, podemos admitir que um aluno inicialmente orientado à Meta -Performance Evitação, ao realizar uma tarefa na qual gradativamente vá obtendo sucesso, poderá apresentar acréscimos
em sua motivação, podendo se sentir valorizado por ter concluído a tarefa. Pode ocorrer também o contrário , caso vivencie estratégias que produzam sensações de fracasso.
Diante disso , pode-s-se esperar que alunos com problemas motivacionais possam apresentar melhorias se tivererem aulas constantemente de Física com atividades que os envolvam e que possam proporcionar-r-lhes um bom desempenho. Neste sentido, aulas que envolvam a utilização de computadores podem ser de grande valia.
## Referências Bibliográficas
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CACHAPUZ, A.; GIL -PERES, D.; CARVALHO, A.M.P.; PRAIA, J.; VILCHES, A. (orgs). A A Necessária Renovação do Ensino das Ciências. São Paulo, SP. Cortez , 2005.
CUNEGATTI, C.M.S., As novas tecnologias da educação colocam desafios outros à escola, Revista Educação nas Ciências, Ijuí, RS, Unijuí, 2004.
FIOLHAIS, C., TRINDADE, J.; Física no Computador: O computador como uma ferramenta no ensino e na aprprendizagem das ciências físicas , Revista Brasileira de Ensino de Física, São Paulo/SP, 2003.
MIDGLEY, C., KAPLAN, A., MIDDLETON, M., and MAEHR, M.; University of Michigan, URDAN, T., Santa Clara University, ANDERMAN, L.H., University of Missouri, Kansas City, ANDERMAN, E., University of Kentucky, and ROESER, R., Stanford University, The Development and Validation of Scales Assessing Students' Achievement Goal Orientations , Contemporary Educational Psychology 23, 113-3-131 (1998) Article nº. EP980965.
MORAN, J. M., MASETTO, M.T. e BEHRENS, M.A.; Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica, Campinas, SP, Papirus, 2000.
NOVO DISC MIDIA DIGITAL LTDA, A, Laboratório Virtual de Eletricidade, Editora Interactive e e Sistemas Educacionais Ltda., São Paulo/SP, 2007.
VASCONCELOSA, F.H.L., CARVALHO, R.O., ROMEU,M.C., SANATANA, J.R., NETO,H.B., A utilização de software educativo aplicado ao ensino de Física com o uso da modelagem , Fortaleza, CE, XVI Simpósio nacional de ensino de Física -- UFC Artigo, 2003.
VASCONCELOSA, F.H.L., SANATANA, J.R., NETO,H.B.; Aprendizagem mediada por computador: uma experiência de ensino de Física com a utilização da simulação computacional , Fortaleza, CE, XVI Simpósio nacional de ensino de Físísica -- UFC Artigo, 2003.
VEIT, E.A., Modelagem computacional no Ensino de Física, Porto Alegre, RS, Instituto de Física, UFRGS , XVI SNEF, 2005.
## ANEXO 1
## QUESTIONÁRIO 1:
- 1. Eu gosto de realizar na escola tarefas com que eu realmente aprenderei, mesmo que eu cometa muitos erros.
- 2. Eu me sentiria realmente bom, se fosse o único da classe a responder as perguntas dos professores.
- 3. É muito importante que eu não seja visto como um estúpido na frente dos meus colegas.
- 4. Uma razão importante para que eu faça tarefas na escola é que eu gosto de aprender coisas novas.
- 5. É importante para mim que os outros estudantes em minha classe pensem que eu sou bom nas tarefas que realizo.
- 6. Uma razão importante para que eu faça as tarefas é para que eu não fique envergonhado.
- 7. Tarefa que eu gosto de fazer é aquela em que eu possa realmente pensar.
- 8. Eu quero realizar as tarefas com mais sucesso do que os outros estudantes da minha classe.
- 9. Eu me preocupo, quando faço meu trabalho, se os professores irão pensar que sou menos capaz do que os outros.
- 10. Uma importante razão para que faça a tarefa na escola é porque sempre quero melhorar, aprender mais.
- 11. Eu me sentiria bem sucedido se aprendesse mais do que os outros estudantes.
- 12. Uma das razões para que faça meu trabalho é porque não quero que pensem que eu sou "burro".
- 13. Eu faço minha tarefa na escola porque estou interessado nela.
- 14. Eu gostaria de mostrar aos meus professores que sou o mais esperto da classe.
- 15. Uma razão para não participar da aula é que não q quero que me vejam como um estúpido.
- 16. Uma importante razão para que eu realize uma tarefa na escola é que eu goste dela.
- 17. É importante para mim fazer as atividades melhor do que os outros alunos.
- 18. Um de meus objetivos principais é evitar que me vejam como incapaz de realizar minhas tarefas.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.