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DISCUTINDO HISTÓRIA E FILOSOFIA DA CIÊNCIA E A NATUREZA DA CIÊNCIA NO LABORATÓRIO DIDÁTICO DE FÍSICA: O CASO GALILEU E A QUEDA DOS CORPOS.

Thayná Pinto, Washington Raposo

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## DISCUTINDO HISTÓRIA E FILOSOFIA DA CIÊNCIA E A NATUREZA DA CIÊNCIA NO LABORATÓRIO DIDÁTICO DE FÍSICA: O CASO GALILEU E A QUEDA DOS CORPOS.

## Thayná Pinto 1 , Washington Raposo 2

1 CEFET-RJ/UnED Nova Friburgo, thayreed@gmail.com CEFET-RJ/UnED Nova Friburgo, raposo.cefetrj@gmail.com

2

## Resumo

Neste trabalho apresentamos uma proposta de atividade experimental realizada em uma Escola Pública do Estado do Rio de Janeiro, em nível de ensino médio, na qual buscamos utilizar um recorte de História da Ciência como elemento de contextualização para os conceitos estudados e como motivador para discussões de Natureza da Ciência. Consideramos o episódio do experimento da Torre de Pisa, supostamente, realizado por Galileu para 'comprovar' que os corpos graves caem com velocidades que independem de suas massas. Para discutir este tema, em uma proposta experimental, em sala de aula, montamos uma atividade que por conveniência, separamos em três fases. Na primeira, aplicamos um questionário para averiguar o conhecimento prévio dos alunos a respeito do assunto e em seguida iniciamos uma discussão coletiva. Na segunda fase, montamos um aparato de baixo custo e utilizamos uma abordagem problematizadora sobre o tema, onde os alunos foram orientados a elaborar uma metodologia para a realização da experiência da queda livre de esferas de diferentes diâmetros e massas. E na terceira fase, analisamos os resultados do experimento, confrontamos com os resultados apresentados por Galileu e as controvérsias históricas existentes a respeito ao trabalho de Galileu referente ao estudo de queda livre. Com esta abordagem foi possível discutir mitos históricos a respeito do episódio da Torre, a respeito do trabalho de Galileu e sua postura epistemológica, racionalista ou empirista, além de ensinar procedimentos científicos, discutir a análise de dados empíricos e estimular a curiosidade e a criatividade desses alunos.

Palavras-chave : Ensino de Física, Laboratório didático, História da Ciência, Natureza da Ciência.

## Introdução

Já há alguns anos a utilização das práticas didáticas de laboratório é estimulada e defendida como uma forma de transformar o ensino tradicional e descontextualizado das aulas de ciências. Nesse sentido, diversos pesquisadores, tais como Gil Pérez e Valdés Castro (1996), Borges (2002) e Senra e Braga (2014) , discutem várias maneiras de organizar as atividades experimentais de modo a torná-las mais estimulantes e eficientes no aprendizado de conceitos e no desenvolvimento de competências e habilidades.

No entanto, em detrimento às discussões empreendidas a este respeito, tanto nas universidades como nas poucas escolas que possuem laboratórios, as atividades experimentais ainda são baseadas nas práticas rígidas dos roteiros fechados, que não promovem a reflexão, a criatividade e, muitas vezes, não fornecem aos alunos elementos suficientes para a compreensão clara do que estão fazendo (SENRA E BRAGA, 2014).

A valorização das atividades experimentais nas aulas de física do Ensino Médio pode trazer vantagens ao processo de ensino-aprendizagem, a começar por motivar os alunos, aguçar a curiosidade, ensinar procedimentos científicos etc. (BORGES, 2002). No entanto, a elaboração de atividades experimentais sem um cuidado metodológico e epistemológico pode conduzir estes alunos às concepções ingênuas da Natureza da Ciência

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26 a 30 de janeiro de 2015

(GIL-PEREZ, 2001). A concepção mais comum é a de uma ciência empírico-indutivista, concepção já amplamente difundida e que, no entanto, é bastante equivocada sobre o desenvolvimento científico. Há também, ao contrário, atividades que podem levar a interpretação de que a experimentação é uma atividade secundária, servindo apenas para confirmar 'descobertas' 'geniais' de cientistas teóricos (SENRA e BRAGA, 2014).

Raramente a problemática por trás do desenvolvimento científico é colocada em jogo na prática de sala de aula, seja em aulas teóricas ou experimentais. Tendo em vista estas colocações, desenvolvemos uma atividade experimental baseada na contextualização histórica do episódio de Galileu e a queda dos graves, supostamente ocorrido na Torre de Pisa, que serviu de motivador para discussões em torno da Natureza da Ciência.

No presente trabalho, trazemos o relato desta atividade experimental, realizada em uma escola pública de Ensino Médio do Estado do Rio de Janeiro. Procuramos dar ênfase às controvérsias entre os pontos de vista racionalista e empirista da ciência, ponderamos sobre a forma como o episódio é descrito em livros didáticos e discutimos a metodologia experimental e as motivações de Galileu.

## Motivação Histórica

O uso de História e Filosofia da Ciência (HFC) no ensino de física representa um viés amplamente defendido desde a década de 60, no exterior, com o desenvolvimento do projeto de física de Harvard e no Brasil, a partir da década de 80, com a tradução deste 1 projeto em Portugal (PEDUZZI et al, 1990). Fazendo referência a apenas algumas contribuições nesse sentido temos: Zanetic (1989), Matthews (1994), Guerra et al. (1998), Holton (2003), Martins, A. (2007) e Forato (2011).

Tomando como legítima a utilização de HFC para o ensino de física, optamos pelo recorte histórico da obra de Galileu, referente à queda dos corpos, e decidimos por sua utilização como estratégia didática (MCCOMAS, 1998) pelo fato deste episódio histórico fornece a possibilidade de discutir importantes questões relacionadas à veracidade de alguns relatos históricos presentes na literatura não especializada e em livros didáticos. Além disso, a postura de Galileu frente à experimentação e a elaboração teórica possibilitam importantes debates de Natureza da Ciência. Tal atividade pôde, ainda, facilitar a discussão de alguns conceitos não tão intuitivos, como o fato dos corpos de massas diferentes, eliminando-se a resistência do ar, apresentarem o mesmo tempo de queda ao serem liberados de uma mesma altura, conforme discutiremos em: resultados da atividade.

## Visão aristotélica do movimento à época de Galileu

O filósofo grego, Aristóteles (~384 a.C. - ~322 a.C.), defendeu a ideia na qual a velocidade de queda livre de um corpo depende diretamente do seu peso para atingir o 2 solo. Segundo ele, ao soltarmos de uma mesma altura, simultaneamente a partir do repouso, duas esferas de mesmo material, a esfera mais pesada chegaria dez vezes mais rápido ao solo se esta fosse dez vezes mais pesada que a outra (COHEN, 1967).

Na física aristotélica que descreve o movimento dos corpos terrestres, há duas variáveis importantes: a resistência (R) e a causa ou motor (F). Ele acreditava que, para um

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corpo apresentar movimento, deveria existir um motor que atuasse constantemente no mesmo, ou seja, não existiria movimento sem uma causa (PEDUZZI, 1996). Além disso, existiria uma ação inversa da resistência e assim, o movimento de queda livre, por exemplo, ocorreria somente se a causa fosse maior que a resistência do ar (COHEN, 1967). Em termos modernos, a razão entre a força e a resistência é que promoveriam a velocidade do corpo. No caso da queda livre, os corpos mais 'pesados' tenderiam a seguir com mais urgência em direção ao centro da Terra . Novamente usando termos modernos, os corpos 3 com mais massa apresentariam maior velocidade de queda devido a esta urgência em se dirigir para a Terra.

- O próprio termo gravidade, na antiguidade, representava uma propriedade dos corpos graves, ou seja, corpos 'pesados' teriam gravidade. Segundo Martins R. (2006) as palavras correspondentes a 'gravidade', de todos os idiomas, se originaram do termo indoeuropeu 'gwer' que significa, simplesmente, pesado, assim, a palavra gravidade significava apenas uma propriedade dos corpos pesados (graves), aquilo que os fazia cair (MARTINS, 2006).
- O meio também desempenhava um importante papel sobre o movimento dos corpos, para Aristóteles. As suas discussões tratam do estudo de situações concretas, observáveis na natureza , assim, a influência de meios como o ar e a água no movimento 4 dos corpos é algo importante na física aristotélica (PEDUZZI, 1996). Aristóteles não concebia a existência de um vazio (vácuo) porque, segundo ele, sem haver uma resistência ao movimento de um objeto este teria velocidade infinita, que é algo impensável.

## A Lenda da Torre de Pisa

Ao contrário do que se pensa popularmente, a física aristotélica não era uma unanimidade desde o século III a.C, perdurando sem contestação por toda a idade média (MARTINS, 2001). Havia grandes dúvidas quanto à veracidade de vários pontos do edifício teórico da física de Aristóteles. Durante a idade média, vários pensadores como Averróis, Nicole d'Oresme, Jean Buridan e vários outros buscaram explicações mais plausíveis que as fornecidas pela física aristotélica (MARTINS, 2001). É nesse contexto histórico que se insere Galileu Galilei (1564-1642) e sua obra. Além disso, Galileu tinha o objetivo de encontrar meios de corroborar com as ideias de Copérnico a respeito do heliocentrismo. Isso implicava em encontrar novas explicações físicas para o movimento dos corpos terrestre, que não dependessem da Terra ser o centro do universo, e explicasse a não percepção do movimento da Terra.

- É nesse contexto que surge uma das lendas mais conhecidas sobre o trabalho de Galileu, a lenda da Torre de Pisa. Segundo a lenda, do alto da Torre de Pisa, Galileu deixou cair, simultaneamente, esferas de mesmo diâmetro e massas distintas e outras de diâmetros e massas diferentes, de modo que fossem abandonadas a partir do repouso, da mesma altura (SILVEIRA e PEDUZZI, 2006). Para o espanto de todos os sábios da universidade de Pisa presentes, o que se observou é que as esferas atingiam o solo ao mesmo tempo, ou
- 3 A física dos fenômenos terrestres de aristotélica se tratava de um modelo teórico que dependia incondicionalmente da Terra estar no centro do universo e da existência dos quatro elementos fundamentais: terra, água, ar e fogo. Segundo ele, existiria um lugar natural de equilíbrio para cada elemento e, estando estes elementos fora de seu lugar natural, os corpos compostos por eles tenderiam a retornar a estes lugares naturais com maior ou menor urgência, de acordo com a quantidade de tal elemento presente na sua composição.
- 4 Deve ficar claro que Aristóteles não realizava experiências, assim como entendemos hoje. A observação da natureza é sim um elemento presente em sua doutrina, porém a atividade experimental como intervenção intencional na natureza, com o intuito de prova ou gerador de teorias, só ocorrerá na Ciência Moderna. Este tipo de procedimento passou a ser realizado a partir da renascença e diversos fatores contribuíram para que se estabelecesse esta visão de ciência experimental. No estudo de história da Ciência é importante perceber que cada período apresenta uma visão de ciência característica e critérios apropriados para a mesma.

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seja, suas velocidades não apresentavam proporcionalidade com as suas massas, contrariando Aristóteles (SILVEIRA e PEDUZZI, 2006).

## Controvérsias historiográficas a cerca deste episódio

De fato, Galileu descreveu em seu livro 'Duas novas ciências' e em diversas anotações, com riqueza de detalhes, suas experiências sobre o estudo do movimento. No entanto, não há consenso entre os historiadores quanto à veracidade da realização destas experiências, da forma como Galileu às descreve e como se popularizou. Há ainda inúmeras falhas e distorções nas descrições históricas, sobre sua obra, que ajudaram a criar um personagem quase 'mitológico' de Galileu (ARAUJO, 2008).

Alguns especialistas, como Alexandre Koyré (1892-1964), defendem que, na época, não existiam recursos eficazes o suficiente para se obter resultados tão precisos quanto os que são apresentados por Galileu (Koyré, 1991). Desta forma, para Koyré, a experimentação não teria tanta importância assim para o trabalho do filosofo natural florentino.

De acordo com Pierre Thuilier (1994), consta nas anotações de Galileu a realização de experimentos no qual ele deixara cair objetos de lugares com alturas consideráveis que, acredita-se, podem ter sido torres. No entanto, não se sabe ao certo se foi a Torre de Pisa ou alguma outra em especial. Esta lenda foi mencionada por Vincenzo Viviani, o primeiro biógrafo de Galileu, ao escrever sobre esta experiência. Ele menciona que Galileu havia subido na Torre de Pisa para realiza-la, na presença de professores e filósofos, mostrando que o tempo de queda de esferas com diferentes 'pesos' era o mesmo (THUILIER, 1994). Conforme o próprio Galileu menciona em 'Duas Novas Ciências':

'Mas, eu, Simplício, que fiz a experiência, posso lhe assegurar que uma bala de canhão, pesando cinquenta ou cem quilos, ou mesmo mais, não atingirá o solo um palmo à frente de uma bala de mosquete pesando só meio quilo, contanto que ambas sejam soltas de uma altura de 200 côvados (antiga unidade de comprimento) [...] a maior se avantaja à menor de uma distância de dois dedos, isto é, quando a primeira atinge o solo, a outra está mais atrás, a uma distância de dois dedos'. (GALILEU, 1988)

Este anacronismo histórico talvez tenha surgido por certo exagero ou devaneio do próprio Galileu que, ao narrar o episódio muitas décadas depois, pode não ter sido muito claro para seu biógrafo (THUILIER, 1994). Viviane, que conheceu Galileu nos últimos anos de vida, criou uma história fantástica sobre o episódio (COHEN, 1967) que, segundo Koyré (1991), não seria cabível. Por que motivo os professores experientes da universidade de Pisa dariam ouvidos e se dariam ao trabalho de irem até a Torre de Pisa para observar as experiências de um jovem professor, recém-chegado, e que a ninguém era simpático (KOYRÉ, 1991)?

Essas discussões vão além de meros debates acadêmicos. São controvérsias que têm grande importância na compreensão da Natureza da Ciência e da complexidade cultural, histórica e epistemológica que a interpretação do trabalho científico apresenta. No que diz respeito ao trabalho de Galileu, há duas linhas principais de pensamento que apresentam versões diferentes do pensador florentino: a linha empirista, onde o experimento é o essencial gerador de conhecimento, e a racionalista, onde todo experimento é posterior, e secundário, às elaborações racionais (ARAUJO, 2008).

Nesse contexto, Alexandre Koyré (1991) despertou dúvidas quanto à veracidade dos experimentos de Galileu. Segundo ele, o experimento do plano inclinado , por exemplo, 5 só poderia ter sido idealizado, pois é 'rigorosamente impossível' de ser realizado com os

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recursos de medição da época e, no entanto, os dados apresentados coincidem perfeitamente com a teoria.

Por outro lado, Stillmann Drake (1910-1993), nos anos 70, teve acesso aos manuscritos de Galileu, da Biblioteca Nacional de Florença, e refez os seus experimentos chegando à conclusão de que Galileu foi um grande experimentador. Ao contrário de Koyré, Drake defende que as atividades experimentais de Galileu foram decisivas para que ele pudesse arquitetar suas teorias sobre o movimento. E ainda, na opinião de Drake, os detalhes experimentais descritos por Galileu eram muito precisos para serem apenas de pensamento, como afirma Koyré (ARAUJO, 2008).

## A proposta de atividade

O trabalho foi realizado em horário alternativo às aulas regulares, contou com a participação de 25 alunos e foi dividido em três fases, conforme Tabela 1.

Na primeira fase aplicamos um questionário bastante curto, cinco questões apenas, Tabela 2, para averiguar as concepções dos alunos a respeito da queda dos graves e saber o que eles conheciam de Galileu e do episódio da Torre de Pisa. Em seguida utilizamos as ideias presentes neste questionário como motivador de uma discussão coletiva. Apresentamos, em seguida, um trecho de um texto que tratava do experimento da Torre de Pisa e que expunha a visão mais comumente conhecida do episódio, a visão empirista (SILVEIRA e PEDUZZI, 2006). O texto utilizado foi um trecho do artigo de Silveira e Peduzzi (2006) Três Episódios de Descoberta Científica: da caricatura empirista a uma outra história. Este artigo foi retomado na terceira fase do trabalho, onde discutimos outro trecho do texto que trata da visão historicamente aceita do trabalho de Galileu.

Em seguida propusemos a realização de uma experiência para testar as hipóteses levantadas em sala de aula. Para tanto, solicitamos que os alunos se reunissem em grupos e elaborassem uma metodologia para a experiência. Após esse momento, discutimos os procedimentos e as metodologias apontadas por eles e elaboramos um único 'roteiro' experimental.

Tabela 1: Cronograma de atividades.

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Na segunda fase, segundo encontro com os alunos, montamos o experimento e realizamos a coleta de dados, conforme o 'roteiro' estabelecido anteriormente. Em seguida discutimos alguns métodos para o tratamento dos dados e análise dos mesmos. Deixamos este trabalho de tratamento de dados como tarefa de casa para os alunos.

Na terceira fase da atividade discutimos às análises realizadas pelos alunos, acertamos os erros pontuais cometidos pelos mesmos no tratamento dos dados e elaboramos conclusões possíveis para os resultados obtidos. Em seguida, discutimos qualitativamente a influência da resistência do ar na realização da experiência e analisamos as mínimas diferenças de tempo, percebidas na experiência, na queda de esferas de diferentes massas. Por fim, apresentamos as discussões históricas a respeito do experimento da Torre de Pisa, segundo os pontos de vista dos historiadores da ciência: Stillman Drake e Alexandre Koyré , já mencionados anteriormente. Estes historiadores são considerados os principais estudiosos da obra de Galileu e, embasados por eles, discutimos a realização desta experiência por Galileu. Além disso, exploramos a controvérsia racionalista x empirista de seu trabalho para discutir o trabalho científico de Galileu. Por fim reaplicamos o questionário para comparar a evolução nas respostas dos alunos.

Tabela 2 : Questões para levantamento dos conhecimentos dos alunos.

## Resultados da Atividade

O objetivo do questionário, aplicado no início do trabalho, foi de obtermos um levantamento do conhecimento pré-existente nos alunos sobre o assunto. A reaplicação do mesmo, ao final, teve objetivo de avaliar se ocorreu evolução nas respostas destes alunos.

Não é nosso propósito tecer longas considerações e avaliar profundamente os dados obtidos com este questionário. Estamos apenas utilizando-os como argumento para validar nossas observações sobre a relevância deste trabalho.

Na primeira questão, que trata do conhecimento dos alunos sobre o personagem Galileu, todos os 25 alunos que responderam ao 1º questionário disseram já ter ouvido falar de Galileu, no entanto, ao entrarem em detalhes, disseram basicamente que ele era um físico e matemático importante, ou um cientista.

Reproduzimos fielmente, a seguir, a fala de dois alunos a este respeito.

Aluno 8 - 'Ele era um cientista, matemático e físico antigo'.

Aluno 9 - 'Não sei bem, mas acho que foi um físico italiano'.

Ao responderem esta questão pela segunda vez, após a realização do trabalho, eles identificaram a importância de Galileu para a astronomia e para o estudo da natureza.

Aluno 8 - 'Ele fez experiência dos corpos caindo da mesma altura e ajudou a afirmar a teoria do heliocentrismo'.

Aluno 11 - 'Ele foi um filósofo natural que ajudou a afirmar a teoria do heliocentrismo, que o Sol é o centro do Universo'.

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Percebe-se ainda alguma confusão em suas falas, como no uso do termo: 'afirmar a teoria heliocêntrica', no entanto eles já reconhecem algumas contribuições de Galileu ao falar sobre ele.

Quanto ao conhecimento da experiência da Torre de Pisa (questões 2,4 e 5), inicialmente tínhamos nove alunos afirmando conhecer este evento histórico, porém estes não souberam explicar com certeza do que se tratava. Todos os demais 16 alunos disseram não conhecer esta experiência e não responderam às questões 4 e 5.

Ao término do trabalho, e reaplicação do questionário, obtivemos respostas bastante interessantes, ao qual reproduzimos algumas, fielmente, a seguir.

## Questão 2

Aluno 8 - 'Uma experiência feita na Itália para ver se duas esferas de massas diferentes, jogadas da mesma altura, chegam juntas ao chão'.

Aluno 17 - 'Ele soltou duas esferas do alto de uma torre para ter uma experiência de qual chegaria primeiro ou se chegariam juntas'.

## Questão 4

Aluno 9 - 'A estimativa de tempo é de mais ou menos 0,001s. Tem uma diferença muito pouca e que as vezes ao olho nu não se consegue perceber'.

Alunos 5 - 'Chegariam quase juntas, com pouquíssima diferença de tempo'.

## Questão 5

- Aluno 9 - 'Por exemplo, o chumbo e a madeira, o chumbo levaria 0,8 e a madeira 0,9, que é uma diferença muito pouca'.

Aluno 3 - 'Em uma experiência feita, se provou que isso é imperceptível a olho nu e que tudo depende da resistência do ar'.

- Os valores apresentados no discurso dos alunos e as referências a 'chumbo e madeira', que os alunos fizeram, dizem respeito aos valores obtidos na experiência e aos materiais com que as esferas usadas para a experiência eram constituídas.
- É bastante interessante observar como o aluno 3 compreende a importância da consideração da resistência do ar para entender a chegada das esferas ao solo, com o pequeno intervalo de tempo observado.
- Os dados coletados na experiência foram bastante próximos, mesmo para esferas de massas muito diferentes. Esse fato chamou muito a atenção dos alunos. Ao observarem quão pequenas foram as diferenças nos tempos de queda de corpos com massas muito diferentes, alguns alunos perguntaram se a experiência não estava errada. Isso nos possibilitou propor a extrapolação teórica de que, o tempo de queda não depende da massa dos corpos, o que provocaria as diferenças de tempo seria a resistência do ar e, por fim, pudemos propor que, na ausência de resistência do ar, as esferas cairiam juntas, pois aceleram com uma mesma intensidade.

## Conclusões

Com esta atividade, pudemos trabalhar a curiosidade, a criatividade e o prazer da descoberta, uma vez que possibilitamos aos alunos a participação ativa na elaboração da metodologia experimental e promovemos uma compreensão do problema que queríamos estudar. Tivemos ainda importantes discussões a acerca das distorções nas descrições históricas e sobre a complexidade em se tentar interpretar o trabalho de Galileu. Com isso pudemos apresentar uma ciência mais viva e dinâmica, menos dogmática e descontextualizada, possibilitando discussões pouco convencionais em aulas de física e em atividades experimentais. Observamos considerável motivação dos alunos para a realização

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das atividades e pudemos perceber a ampliação do conhecimento destes alunos sobre Galileu, a queda dos corpos e sobre natureza da ciência.

## Referências Bibliográficas

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