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HISTÓRIA DA ASTRONOMIA E NATUREZA DA CIÊNCIA EM QUADRINHOS: POTENCIALIDADES E POSSIBILIDADES DE ARTICULAÇÃO COM O LIVRO DIDÁTICO

Mykaell M. Da Silva, Juliana M. Hidalgo Ferreira, José Diogo Dos S. Nicácio, Deyzianne Dos S. Fonseca

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
História, Filosofia E Sociologia Da Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## HISTÓRIA DA ASTRONOMIA E NATUREZA DA CIÊNCIA EM QUADRINHOS: POTENCIALIDADES E POSSIBILIDADES DE ARTICULAÇÃO COM O LIVRO DIDÁTICO

Mykaell M. da Silva , Juliana M. Hidalgo Ferreira , José Diogo dos S. 1 2 Nicácio , Deyzianne dos S. Fonseca 3 4

1 Departamento de Física Teórica e Experimental/ UFRN, mykaell@dfte.ufrn.br

2 PPG em Ensino de Ciências Naturais e Matemática/UFRN, juliana\_hidalgo@yahoo.com

3

PPGECNM/ UFRN, diogonicacio@yahoo.com.br

4

PPGECNM/ UFRN, deyzifonseca@yahoo.com.br

## Resumo

Em defesa da inserção da História e Filosofia da Ciência (HFC) na educação básica, especialistas vêm enfatizando a possibilidade de articular conteúdos de física a aspectos relacionados à natureza do conhecimento científico. Traz-se à tona a relevância de uma compreensão aprofundada dos conteúdos de ciência, na qual o conhecimento científico seja contextualizado como tentativa de resolução de problemas em contraposição a uma visão aproblemática e ahistórica da ciência. Contudo, diversos obstáculos inerentes à transposição didática da HFC vêm sendo relatados, entre os quais se situa a dificuldade dos alunos em relação à leitura. Nesse contexto, propõe-se no presente trabalho refletir sobre potencialidades e possibilidades das Histórias em Quadrinhos como alternativa para a inserção da HFC em sala de aula em colaboração com livros didáticos usuais. Particularmente, discute-se como exemplo uma sequência de tirinhas que contempla recortes da História da Astronomia e a temática Natureza da Ciência. As Histórias em Quadrinhos constituem-se como narrativas ilustradas curtas, agradáveis, de leitura fluida. A familiaridade e interesse pelo universo dos quadrinhos fazem com que sejam um recurso propício à elaboração de propostas receptíveis e adequadas ao público jovem. A articulação com o livro didático, por sua vez, pode ser bem recebida pelos próprios professores.

Palavras-chave : História em Quadrinhos; História e Filosofia da Ciência no Ensino; Natureza da Ciência; livro didático.

## Considerações iniciais

Em defesa da inserção da História e Filosofia da Ciência (HFC) na educação básica, especialistas vêm enfatizando a possibilidade de articular conteúdos de física a aspectos relacionados à natureza do conhecimento científico. Traz-se à tona a relevância de uma compreensão aprofundada dos conteúdos de ciência, na qual o conhecimento científico seja contextualizado como tentativa de resolução de problemas em contraposição a uma visão aproblemática e ahistórica da ciência (MATTHEWS, 1994; GIL PÉREZ et al. , 2001; PEDUZZI, 2001; MARTINS, 2006; LEDERMAN, 2012). A perspectiva de aliar produto e processo vem sendo recomendada pela legislação educacional brasileira (BRASIL, 1999).

Contudo, a significativa argumentação a favor da HFC no Ensino contrasta com a sua presença ainda tímida em salas de aula. As dificuldades são de natureza complexa e não podem ser identificadas como oriundas de algum fator pontual único (MATTHEWS, 1994; MARTINS, 2007). Um dos problemas identificados pela literatura diz respeito aos livros didáticos. Pesquisas indicam que conteúdos

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26 a 30 de janeiro de 2015

histórico-filosóficos presentes nesses materiais costumam ser distorcidos de maneira a propagarem visões ingênuas sobre a ciência (PAGLIARINI; SILVA, 2006). Assinalam, ainda, que os livros didáticos são insuficientes no que se refere à temática HFC, de modo que os professores teriam que recorrer a materiais complementares (BATISTA; MOHR; FERRARI, 2007).

Abre-se como perspectiva interessante, portanto, a elaboração de propostas que possam ser utilizadas pelos professores em articulação com os livros didáticos usuais no mercado. Pode-se, assim, colaborar no sentido de suprir possíveis lacunas de livros tradicionais, que contém pouca ou nenhuma História (e Filosofia) da Ciência. Ou, ainda, pode-se colaborar para o aprofundamento de aspectos que começam a ser contemplados em livros recentes. Isso porque, embora reflitam recomendações explícitas na legislação educacional, ainda assim esses livros deixam lacunas em tentativas de abordar conteúdos científicos de forma integrada ao seu processo de construção histórica.

Deve-se levar em conta, no entanto, que contemplar a HFC em propostas didáticas envolve enfrentar certos obstáculos relacionados à transposição didática desses conteúdos (FORATO, 2012) 1 . Fatores complexos, como extensão e profundidade de narrativas, recortes históricos e formulação discursiva, demandam reflexão tendo em vista o nível de escolaridade visada. À luz dessas considerações, o presente trabalho apresenta exemplar de História em Quadrinhos (HQ) elaborado, sobretudo visando à abordagem de questões relativas à Natureza da Ciência (NdC) 2 . Discutem-se, por meio de exemplo, as potencialidades da HQ, gênero que costuma fazer parte do universo cotidiano dos alunos, como porta 'confortável' de entrada para a HFC em sala de aula. Finalizando o trabalho, registra-se a possibilidade de articulação da HQ com livros didáticos.

## História da Astronomia e Natureza da Ciência em quadrinhos

Em sua natureza, as Histórias em Quadrinhos são narrativas visuais, que comunicam numa 'linguagem' que se vale da experiência visual comum ao criador e ao público. A compreensão fácil advém da mistura imagem-palavra e da tradicional decodificação de texto. De enredo rápido, as HQ conquistaram uma posição inegável na cultura popular e vêm demonstrando caráter estimulador da leitura dos jovens, fazendo parte da dieta literária inicial da maioria deles (EISNER, 1989, p. 7).

A presente iniciativa é norteada pela possibilidade de explorar as potencialidades desse veículo de comunicação tendo em vista fins didáticos de aproximação de conteúdos histórico-filosóficos ainda pouco familiares aos estudantes. Foram propostas quatro sequências de tirinhas sobre temáticas relacionadas à História da Astronomia e à Natureza da Ciência: 1) A elaboração de conhecimento pelos pensadores antigos e o papel dos pressupostos relacionados à sua visão de mundo nesse processo; 2) A construção do universo aristotélico a partir de ideias de Eudoxo - ciência como atividade de cooperação; 3) A proposta heliocêntrica de Aristarco, divergência em relação ao modelo aristotélico; 4) Paradigmas estabelecidos por Ptolomeu 3 .

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A composição de cada sequência de tirinhas foi realizada a partir da consulta a trabalhos aprofundados sobre a História da Astronomia, bem como textos históricos originais (MARTINS, 1994; LOPES, 2001; COPÉRNICO, 2003). Os necessários recortes foram realizados, fundamentalmente, levando em consideração o objetivo didático de contemplar episódios históricos que permitissem a contextualização de discussões sobre a natureza do conhecimento científico, em oposição às seguintes visões deformadas da ciência: a-problemática e a-histórica, individualista e elitista, acumulativa de crescimento linear (GIL PÉREZ et al , 2001).

A composição dos quadrinhos implicou lidar com desafios da transposição didática da HFC para o contexto educacional. Avaliou-se o volume e a profundidade das informações, a cognoscibilidade dos conteúdos, dentre outros aspectos. Nas HQ a extensão dos trechos escritos é peculiarmente limitada . Essa característica 4 constitui uma dificuldade importante para a sua elaboração tendo em vista a abordagem de conteúdos histórico-filosóficos, geralmente complexos e pouco conhecidos pelos alunos. Por outro lado, nas HQ, as imagens vêm como recurso permanente em auxilio à compreensão das falas dos personagens. Assim, superados os obstáculos em sua elaboração, e, por outro lado, considerando a usual dificuldade dos alunos em relação à leitura, as HQ podem constituir um veículo relevante para a inserção da HFC no contexto educacional: são caracterizadas pela leitura fluida e costumam ser bem aceitas pelo público jovem.

## A sequência 'Observando o céu'

O presente trabalho, por motivos de limitação de espaço e necessidade de aprofundamento das discussões, focaliza exclusivamente a primeira sequência de tirinhas. A temática específica dessa sequência é a observação do céu e o encaminhamento para a elaboração de modelos na Grécia Antiga (Figuras 01 a 04). Os quadrinhos são elaborados de forma a direcionar a atenção do leitor para o diálogo de personagens que comentam sobre suas percepções acerca dos astros. O cenário é bastante simples, neutro e as ilustrações são inseridas quando relevantes como auxílio à compreensão dos conteúdos. Igualmente, advém da intenção de ter os diálogos como foco central (e não quem produziu o quê ), a opção de não 5 identificar os personagens como pensadores famosos da História da Ciência. Adicionalmente, de forma deliberada, abre-se, assim, espaço para uma possível reflexão sobre a importância das contribuições à ciência de personagens anônimos, pessoas cujos nomes nem ao menos ficaram registrados na História.

Em oposição a uma visão individualista e elitista de ciência, enfatiza-se ao longo dos quadrinhos que a ciência é uma atividade de cooperação . Destaca-se o esforço de personagens que faziam 'longas observações do céu', estabeleciam problemas de interesse e construíam conhecimento de forma coletiva. Ressalta-se que a ciência é uma criação humana, uma busca de descrições coerentes para o funcionamento da natureza . Perfeição, beleza e ordenação do céu, fundamentos essenciais para a astronomia grega da época, são trazidos à tona com a intenção de ressaltar a dependência da observação em relação a pressupostos teóricos , em oposição a uma visão empirista-indutivista da ciência. Enfrenta-se o desafio de apresentar esses fundamentos de forma simples e clara ao público jovem,

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introduzindo a ideia de firmamento em linguagem simplificada, que busca a proximidade com o aluno, visando a sua autonomia na leitura.

Figura 01: Cooperação, imaginação e criatividade na ciência.

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Figura 02: Ideal grego de perfeição do céu como pressuposto teórico.

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Utilizam-se recursos visuais simples, característicos da HQ, para reforçar esclarecimentos a respeito da regularidade pensada pelos gregos . Assim, chega-se a um aspecto fundamental dos modelos elaborados pelos gregos na tentativa de descrever o que observavam. Enfatiza-se a surpresa dos pensadores ante a percepção de que algumas estrelas pareciam ter 'movimentos estranhos', fora do padrão esperado. Entram, então, em cena importantes aspectos relacionados à natureza do conhecimento científico: por um lado, a possibilidade de desacordo entre os pesquisadores, e, por outro, o treinamento compartilhado como componente essencial para o acordo. As falas registram a possibilidade de diferentes interpretações para uma mesma imagem. Por outro lado, há também a subsequente sinalização do elemento de acordo: a importância da permanência do desenho, qualquer que fosse ele.

As tirinhas indicam personagens que questionam as observações e personagens que as rejeitam . Isso porque qualquer mudança de posição de uma estrela com relação a outras era incompatível com a visão grega de um mundo perfeito, regular, harmônico e belo. Destacando, então, outro aspecto relacionado à natureza do conhecimento científico, as tirinhas procuram se contrapor a uma visão

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de ciência a-problemática e a-histórica: como os gregos lidaram com aquele problema?

Figura 03: Os movimentos 'errôneos' dos planetas.

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Figura 04: Explicar movimentos dos planetas sem abandonar seus pressupostos.

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Ressaltando esforço e criatividade na ciência, as tirinhas mostram personagens que observam com cuidado variações na posição de algumas estrelas, e passam a chamá-las de forma especial, diferenciando-as das de comportamento padrão. Caracterizando a ciência como tentativa de descrever fenômenos naturais, mostra-se o interesse pela compreensão dos movimentos dos 'planetas', pautado pela ideia inicial de perfeição. Para os gregos, toda aparente irregularidade dos movimentos celestes é mera impressão. Os movimentos são 'compreensíveis', podendo ser reduzidos a regularidades. Finalizando, então, o primeiro conjunto de quadrinhos, expressa-se, por meio de uma linguagem simples, novamente buscando a autonomia do leitor, a intenção grega de 'salvar' os fenômenos. Define-se, então, o que seria o ofício do astrônomo naquele contexto cultural.

## Considerações finais: possíveis articulações com livros didáticos

A presente seção discute acerca da possibilidade de articulação das tirinhas com livros didáticos do Ensino Médio. Aponta-se na direção de intervenções que busquem explorar as potencialidades da HQ apresentada, de forma que essa se constitua como material complementar, colaborando com livros didáticos atuais. Dessa forma, não se advoga descartar o que já se tem, mas sim, indica-se o apoio da HQ no sentido de proporcionar uma melhor compreensão do processo de

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construção do conhecimento científico. Essa perspectiva colaborativa se fundamenta em aspectos apontados em pesquisas empíricas: a importância dos livros didáticos como uma das principais fontes para alunos e professores; fragilidades e lacunas em livros didáticos, ainda que esses não sejam completamente desprovidos de elementos da História e da Filosofia da Ciência (PAGLIARINI; SILVA, 2006; BATISTA; MOHR; FERRARI, 2007).

A fim de refletir sobre possíveis articulações, procurou-se observar em uma amostra restrita de livros didáticos de Física para o Ensino Médio possíveis referências às temáticas específicas da HQ elaborada. Notou-se um aspecto positivo, tendo em vista que trechos relacionados à História da Astronomia na Grécia Antiga foram encontrados em todos os livros analisados: (A) TORRES; FERRARO; SOARES, 2010, p-240-242; (B) MÁXIMO; ALVARENGA, 2003, p. 71; (C) SANT'AANNA; MARTINI; REIS; SPINELLI, 2010, p. 256-257; (D) MÁXIMO; ALVARENGA, 2011; p. 198-199; (E) KAZUHITO; FUKE, 2010, p. 326. Por outro 6 lado, em todos esses trechos, lacunas significativas no que tange à História e Filosofia da Ciência foram percebidas, sobretudo no que diz respeito a simplificações que obscurecem aspectos significativos da Natureza da Ciência, os quais poderiam ser explorados.

Os livros A, B, C e B analisados trazem introduções históricas sobre sistemas de mundo, as quais se iniciam com alusões a modelos propostos na Grécia Antiga. A título de exemplo do que se nota de forma recorrente, cita-se frase que abre texto de conteúdo histórico em um deles: 'Os primeiros modelos propostos para explicar as observações sobre o céu foram apresentados pelos gregos' (SANT'AANNA; MARTINI; REIS; SPINELLI, 2010, p. 256). Seguindo esse tipo de indicação rápida, os livros introduzem de imediato os modelos, isto é, produtos da ciência grega , deixando de lado os processos envolvidos em seu desenvolvimento. Não fazem alusão às visões de mundo gregas , pressupostos teóricos, culturais, que se manifestavam em expectativas de que as estrelas mantivessem posições relativas fixas. Não evidenciam o caráter surpreendente da identificação de movimentos inesperados de determinadas estrelas, as quais passaram a chamar 'planetas'. Dos exemplares analisados, apenas o livro E não explicita de forma imediata os modelos gregos. Esse livro traz observações que os antecediam, mas, em contrapartida, não explica o impacto dessas observações. Não indica o que significavam para os gregos em termos de choques com suas visões de mundo e a consequente relação com as tentativas de conceber modelos. Lê-se, unicamente:

A maior parte das estrelas mantinha, aparentemente, posições fixas entre si. As 'estrelas' que não se comportavam dessa maneira foram denominadas planetas (significado errantes ) (KAZUHITO; FUKE, 2010, p.323).

A identificação de que determinadas estrelas se comportavam de modo diferente das outras parece ter como implicação apenas a necessidade de nomenclatura adicional. Perde-se, assim, a oportunidade de discutir questões relacionadas à natureza do conhecimento científico.

Os exemplares analisados deixam lacunas significativas que merecem ser exploradas em intervenções didáticas. Os modelos não transparecem como

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impulsionados por problemas a resolver. Parecem resultados simples, imediatos, não se sabe de quê. Pode-se perguntar, então, acerca de aspectos importantes não trazidos pelos livros: Mas o que seriam 'modelos'? O que estaria por trás dessas tentativas de explicar os movimentos dos astros por meio de modelos? A que problemas esses modelos (produtos) respondem? Por que justamente tentaram composições de movimentos circulares?

A expectativa de que os movimentos estranhos dos planetas pudessem ser explicados com base em composições de movimentos circulares, os ideais de perfeição e regularidade, elementos culturais importantes, que alicerçavam a ciência grega são deixados de lado pelos livros didáticos. Perde-se uma oportunidade interessante de mostrar uma 'ciência viva', que enfatize o empenho dos personagens em resolver problemas. Perde-se a oportunidade de apresentar a ciência como atividade humana socialmente construída em um contexto cultural. Perde-se, ainda, a oportunidade de introduzir aspectos que dirigiriam a uma compreensão contextualizada do próprio conceito de modelo, o qual perpassa os demais conteúdos do Ensino Médio como um elemento central para a própria Física.

Como a HQ destacada na seção anterior procura mostrar as tentativas gregas de conceber modelos de mundo são carregadas de pressupostos teóricos interligados a elementos culturais da época. As irregularidades eram problemas a resolver e deveriam ser compreensíveis, isto é, reduzidas a regularidades. Em sala de aula, seria interessante que o professor buscasse esses elementos que (como se pôde observar) vão além do que o livro didático costuma trazer, estimulando questionamentos que remetam ao processo de construção do conhecimento. Assim, é justamente atuando nas lacunas observadas que a sequência de tirinhas proposta pode exercer um papel complementar ao livro didático: explorando elementos da natureza do conhecimento científico, visando a uma compreensão mais ampla da ciência na sociedade.

- O exemplo discutido no presente trabalho busca refletir sobre as potencialidades e possibilidades das HQ com gênero interessante para a inserção da HFC na educação básica. A familiaridade e interesse pelo universo dos quadrinhos fazem com que sejam um recurso propício à elaboração de propostas receptíveis e adequadas ao público jovem. A articulação com o livro didático, por sua vez, pode ser bem recebida pelos próprios professores.

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