PERCEPÇÃO DOS ALUNOS SOBRE A INCORPORAÇÃO DE ELEMENTOS DE FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA EM UMA DISCIPLINA INTRODUTÓRIA DO CURSO DE FÍSICA.
Ana Aleixo Diniz, Ruy Carvalho Mattosinho De Castro Ferraz, Alice Helena Campos Pierson
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XI
- Ano
- 2008
- Data
- 24/10/2008
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional De Professores De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## PERCEPÇÃO DOS ALUNOS SOBRE A INCORPORAÇÃO DE ÍÂ ÇÇ ELEMENTOS DE FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA EM UMA DISCIPLINA INTRODUTÓRIA DO CURSO DE FÍSICA.
## ALUMNI'S PERCEPTION ON THE INCLUSION OF CONTEMPORANEOUS AND MODERN PHYSICS ELEMENTS IN A PHYSICS COURSE INTRODUCTORY DISCIPLINE. S S
Ana A. Diniz1, R Ruy C. M. C. Ferraz2, Alice Helena C. Pierson3
1Universidade Federal de São Carlos/ Programa de Pós Graduação em Educação, anaadiniz@yahoo.com.br
2Universidade Federal de São Carlos/Departamento de Física , ruymattosinho@o@yahoo.com.br 3Universidade Federal de São Carlos/Metodologia de Ensino, apierson@ufscar.br
## Resumo
A inserção da Física Moderna no Ensino Médio e nos primeiros semestres do curso de Física é defendida já há algum tempo por vários pesquisadores com justificativas baseadas em aspectos relacionados com o incentivo e a estimulação dos estudantes. Porém, quando nos referimos ao ensino superior, ocorre a preocupação em relação a formação dos futuros professores de física. Essa pesquisa surgiu a partir de uma experiência didática de um professor que inseriu elementos de Física Moderna e Contemporânea em disciplina introdutória do curso de Física em uma universidade pública paulista. Teve como objetivo compreender com profundidade a experiência e para isso utilizou questionários e entrevistas semiestruturadas com os alunos e o docente da disciplina em questão. Podemos considerar que os alunos, em sua maioria, gostaram da mudança, e passaram a ter a Física Moderna e Contemporânea como algo possível para ser ensinado no Ensino Médio, e um meio de estímulo para o restante do curso.
Palavras - chave: Física Moderna, Ensino Superior, Renovação curricular.
## Abstract
The inclusion of the Modern Physics in both High School and University initial semesters has been thought for a long time. Justifications have been pointed towards incitement and stimulation. However, when we think about education in universities, there is a worry concerning to the future teachers formation. A professor's didactical experience who inserted contemporaneous and modern physics elements in his introductory discipline made this research has begun in direction of understanding and describing that experience. Questionnaires and semistructured interviews applied to alumni and to the professor of that discipline were served for this reason. Plenty of alumni - future physics teachers - did like this changing and started to see this new discipline as something possible to be taught as well as an incitement for the remaining of their course.
Keywords: Modern Phys ics; University; Curriculum Renewing.
## Justificativa:
Esse artigo é parte de uma pesquisa realizada em uma universidade pública paulista que relata a experiência de introdução dos conceitos de Física Moderna e Contemporânea em uma disciplina introdutória do do curso de Física na perspectiva dos alunos participantes e seu professor.
A preocupação com a introdução de elementos de Física Moderna e Contemporânea (FMC) no ensino médio e nas disciplinas introdutórias do curso de física já é discutida há algum tempo. Segundo Terrazzan (1994) a tendência de se atualizar o currículo de Física nessa perspectiva justifica-se pela influência crescente dos conteúdos contemporâneos para o entendimento do mundo criado pelo homem atual, bem como a necessidade de formar um cidadão consciente e participativo que atue nesse mesmo mundo.
Outros estudos relacionam o interesse de adolescentes por aspectos relacionados à Física Moderna como responsáveis pela escolha do curso superior na área de Física, como concorda Kalmus (1992) e Stannard (1990) em um levantamento realizado ainda em 1984 com alunos s do Departamento de Física do Reino Unido que apontavam o interesse por tópicos de relatividade restrita, de partículas elementares, de teoria quântica, dentre outros presentes na Física Moderna, como sendo determinantes para suas escolhas profissionais.
Assim, aos argumentos apontados por Terrazzan (op. cit.), podemos acrescentar aspectos relacionados com o incentivo e motivação dos alunos como justificativa para a defesa de reformulações curriculares que incorporem tópicos de FMC no ensino médio, assim como em disciplinas iniciais nos cursos de Física.
AnAnalisando o trabalho de Ostermann e Moreira (2000) é possível verificar que há uma grande concentração de estudos nesta área de FMC para o ensino médio (EM), enquanto que essa tendência não é a mesma para o ensino superior. Segundo os autores , podem-se e considerar três vertentes representativas de abordagens metodológicas para a introdução de FMC no ensino médio: "...exploração dos limites dodos modelos clássicos; não utilização de referência aos modelos clássicos; escolha de tópicos essenciais ."(pg. 4)
Ostermann e Moreira (1998) não apenas defendem a introdução da FMC no ensino médio como localizam um conjunto de temáticas, tais como o efeito fotoelétrico, as leis de conservação, a dualidade onda-partícula, os semicondutores, o laser, r, a relatividade restrita, entre outros, como tópicos de interesse, curiosidade e estímulo dos alunos e assim prproporcionar que os alunos aprendam na escola assuntos que lêem em revistas de divulgação ou jornais (Wilson, 1992 apud Ostermann e Moreira, 2000)0).
A preocupação e necessidade de reformulação dos projetos curriculares dos cursos de Física também já é alvo de discussões há algumas décadas. No ano de 1986, foi realizada uma conferência internacional no Fermi National Accelerator Laboratory (Batavia, Illinois), cujo tema central foi exatamente a discussão sobre o ensino de FMC em disciplinas iniciais nos cursos de graduação em Física e no ensino m médio. (Aubrechtht, 1986 a apud Ostermann e Moreira, 2000)0).
Junto com a reformulação dos currículos também é levantada pelos pesquisadores da área a preocupação em relação à formação dos futuros professores de Física, ou seja, a influência da proposta curricular na atuação docente dos futuros licenciados , afinal tenha o professor consciência ou não de que modelo orienta sua ação educativa, estas têm conseqüências na relação com seus alunos e na relação destes com o conhecimento. (Luckesi,1996)
A partir dessa discussão, que posossui um conjunto bastante relevante de propostas e argumentos bem estruturados, essa pesquisa propõe-s-se a a discutir a introdução dos conceitos de FMC em disciplinas introdutórias do curso de Física, a, analisando uma experiência didática realizada por um docente em uma disciplina (Física A) introdutória do curso de física de uma universidade pública paulista em que introduziu elementos de FMC no decorrer da disciplina com a intenção de responder a seguinte questão de pesquisa:
"Como o professor e os alunos do curso de Física (Licenciatura e Bacharelado) percebem e avaliam a introdução de conceitos de Física Moderna em uma disciplina introdutória do curso? Que contribuições a experiência realizada pode proporcionar para futuras reformulações curriculares e formaçação acadêmico-oprofissional? "
## Caracterização e e Metodologia d da pesquisa
Trata -s -se de uma pesquisa que se aproxima de um estudo de caso, desenvolvido a partir de uma abordagem qualitativa dado ter sido organizada de maneira a aprofundarmos a compreensão de um momento que foi vivido por um conjunto de indivíduos, mas sem interferência, ou com um mínimo de interferência, do pesquisador. Tem como objetivo compreender o evento em estudo e ao mesmo tempo buscar desenvolver compreensões passíveis de serem generalizadas para outros espaços semelhantes.
A presente pesquisa foi realizada durante o ano de 2007, porém a disciplina que possibilitou a realização do estudo foi ministrada no primeiro semestre do mesmo ano. A coleta de dados ocorreu nos dois semestres e utilizou como instrumentos de tomada de dados questionários respondidos pelos alunos matriculados no primeiro semestre e realização de entrevistas com o professor responsável pela experiência e alguns alunos participantes no segundo semestre (após o término da disciplina).
O objetivo principal de realizar o questionário para os alunos responderem no decorrer do período letivo foi obter um panorama geral do grupo de discentes que seriam pesquisados. O questionário abordou as seguintes temáticas: informações sobre o o ensino médio; opção no vestibular; satisfação com o curso/universidade; existência, ou não, de conhecimento prévio de FMC; reprovação nesta disciplina; as percepções próprias sobre a disciplina em si entre outras perguntas. As perguntas mais centrais do questionário foram as questões que os alunos responderam especificamente sobre a experiência que eles estavam participando. Desta maneira, as respostas (separadamente cada questão) dos alunos foram divididas em algumas classes que abrangiam pontos de vista extremos e intermediários.
A partir da entrevista realizada com o professor procurou-s-se obter elementos que permitissem melhor caracterizar a experiência em si, verificar suas expectativas
- e motivações, suas perspectivas após a experiência e por fim, verifificar como o próprio idealizador da proposta avaliava a experiência realizada.
As entrevistas com os alunos procuraram ter acesso às suas argumentações possibilitando um aprofundamento das informações obtidas no questionário. Com esse objetivo foram entrevistados quatro estudantes, sendo três deles representativo de diferentes grupos de posicionamentos localizados a partir do questionário e um que se colocou, desde o início, como voluntário para tal etapa da pesquisa. As entrevistas, realizadas após o fim de e todo o processo da disciplina, foi estruturada de forma a identificar seguintes elementos: Motivação para fazer Física; conhecimentos anteriores de FMC; visão atual de FMC; expectativas iniciais; participação na disciplina; avaliação da sua aprendizagem e da disciplina; aspectos de destaque da experiência; avaliação da experiência.
- O plano da disciplina proposto pelo professor responsável foi inicialmente organizado conforme tabela abaixo, prevendo a introdução de tópicos de FMC com uma maior ênfase nas p partes I e VI.
Tabela 1: Plano inicial proposto pelo professor.
## Apresentação e análise dos dados:
## Questionário aos alunos:
O questionário aos alunos foi respondido por 23 dos 38 alunos inscritos na disciplina. Entre os 23 alunos que responderam 16 realizaram os estudos do Ensino Médio em escolas particulares. Em relação ao total de alunos (23), dez são ingressantes na universidade em 2007. Entre os alunos ingressantes no ano de 2006, dois já definiram a ênfase do curso (ambos em bacharelado).
Nenhum aluno proveniente da escola pública teve FMC no EM e, mesmo entre os 16 alunos provenientes da escola particular, apenas cinco tiveram contato com a FMC formalmente na escola e outros dois tiveram contato de maneira informal/ extracurricular. Para estes sete alunos foi perguntado o que eles relacionavam com a FMC, e os tópicos elencados se concentravam nos seguintes temas: teoria especial da relatividade, Física quântica, Física das partículas, história da FMC e em destaque Albert Einstein (podendo estar relacionado com as comemorações em 2005 dos 100 anos do ano miraculoso de Einstein).
Contrariamente ao esperado, quando, na questão seguinte, foi solicitado que os alunos caracterizassem a FMC e relacionassem assuntos, temas ou tópicos que lhes viam a cabeça quando falávamos deste assunto, não há grandes diferenças entre as respostas fornecidas pelos alunos que não tiveram contato com FMC no EM e aqueles que tiveram. Este fato, provavelmente, deve-s-se aos alunos de maneira geral já estarem influenciados pelas aulas que já haviam tido na universidade, e assim, não é possível dizer que as concncepções dos alunos são as mesmas devido a um motivo específico.
Foi possível observar que, de uma maneira geral, o índice de aprovação da experiência foi de 65% (apenas oito estudantes desaprovaram). A A fim de melhor caracterizarmos a aprovação ou desaprovação da experiência analisamos os dados considerando se o aluno havia, ou não, visto FMC no EM e se o aluno era repetente daquela disciplina, ou não.
Entre os dezesseis alunos que não tiveram FMC no EM, quatro desaprovaram a experiência (ou seja, de maneira ra geral, apenas 25% desaprovaram), dentre estes, dois eram repetentes e os outros dois não, ou seja, a desaprovação da experiência não está relacionada com a repetência, ou não, e sim com o caso de não terem visto FMC no EM. Mas em compensação, desses mesmosos dezesseis alunos, entre os doze que aprovaram, nove são repetentes. Portanto, a aprovação é muito maior nos alunos que (além de não verem FMC no EM) já tiveram uma experiência anterior com a disciplina, por conseqüência, é possível dizer que a "aprovação" está relacionada com uma maior vivência universitária. Já no caso dos sete alunos que tiveram FMC no EM, quatro desaprovaram (~50%) entre esses quatro alunos apenas um era do primeiro ano.
Agora, analisando os 13 alunos repetentes, dois tiveram FMC no EM, entre os que tiveram um aprovou a experiência e o outro não. E os outros onze que não tiveram FMC no EM, apenas dois desaprovam a experiência.
Já para os dez alunos não repetentes (cinco tiveram FMC no EM), entre os que viram FMC no EM apenas dois aprovam e entre os que não viram, três aprovam, e dois dos três que desaprovaram, justificam pela falta de maturidade do aluno ingressante. Normalmente nas respostas dos alunos eles relacionam a
desaprovação com a falta de maturidade e conhecimento para tratar FMC logo no início do curso.
Entre os alunos que aprovaram a experiência, houve alguns discentes que declararam que os motivos para tal opinião era a crença numa futura facilitação na disciplina do 3º ano do curso (Física Moderna/ Física Moderna e Contemporânea).
Há também alunos que relatam a aprovação, mas com ressalvas, tais como a preocupação com o conteúdo "tradicional" da disciplina. Neste sentido existem dois alunos que justificaram a desaprovação por, exatamente, avaliarem que poderiam não ter visto to todo o conteúdo de Física A, o que poderia prejudicá-á-los frente aos seus colegas das outras turmas da mesma disciplina que ocorriam concomitantemente e não acrescentavam elementos de Física Moderna e Contemporânea em sue plano de ensino .
- O diagrama (Figura 1) abaixo organiza o nível de satisfação dos alunos diante da experiência vivenciada na disciplina de Física A e apresenta os elementos preponderantes nas suas justificativas.
Figura 1: Classificação (satisfação) dos alunos perante a disciplina de Física A.
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## Legenda:
1 - não apresenta nenhum aspecto negativo (interessante e ótima; bom professor) .
2 - apesar das dificuldades iniciais valorizam positivamente a experiência .
3 - embora considerem a experiência interessante ressaltam problemas diversos (cansativa, maçante, complicado...) .
4 - valorizam a experiência apenas como preparação para estudos posteriores de FMC.
5 - apresentam um sentimento de perda em relação às demais turmas de Física A independente da valorização ou não da experiência .
Analisando o diagrama acima é possível verificar que 14 dos 23 alunos que responderam ao questionário posicionam-s-se de maneira bastante positiva em relação à experiência. Sete alunos não nos pareceram tão enfáticos nessa avaliação embora não a critique. Neste grupo cabe fazer destaque a uma resposta que, embora valorize a experiência, o faz a partir de um argumento que não nos pareceu se enquadrar nos objetivos principais ou perspectivas da inovação proposta. Do conjunto total de 23 alunos, apenas dois posicionaram-s-se contrários à experiência a partir da sensação de perda de conteúdo ou de mais tempo disponível para a discussão dos tópicos tradicionais da disciplina. Na avaliação deles fica subentendido que os alunos das outras turmas de Física A saíram em vantagem em relação a eles.
É interessante observamos que o posicionamento se altera um pouco quando, na questão seguinte desfoca a experiência em si e solicita que os alunos posicionem-s-se de maneira mais geral sobre introduzir FMC desde o início do curso de Física. Nesse caso, embora a maioria dos alunos posiciona-s-se favoravelmente, o fazem de maneira menos incisiva.
## Entrevista com professor:
Através da entrevista realizada com o professor podemos verificar que os seus ideais são pautados na reformulação do currículo de Física e também numa tentativa de incentivar os discentes e ampliar suas visões sobre o que pode ser pesquisado e estudado, hoje em dia, com a Física. O professor também se mostra muito interessado em ensaiar inovações curriculares, ainda que num primeiro momento apenas pontualmente, no espaço que dispõe como professor. É nessa perspectiva que se propôs a ensinar FMC no ensino superior em disciplinas introdutórias do curso de Física no intuito de atingir objetivos mais profundos no âmbito da formação dos seus alunos. Isso pode ser observado em um trecho específico da entrevista, como segue abaixo:
"...como eu postulo que a FMC já deve entrar no Ensino Médio então eu devo começar pelo menos onde eu posso atuar , primeiramente, que é no Ensino Superior..."
O professor percebe lacunas no currículo da Física que classifica como muito graves, principalmente, para os alunos com ênfase na licenciatura, defendendo que as disciplinas básicas deveriam incorporar conceitos de FMC em seus respectivos temas, uma vez que os alunos da licenciatura possuem poucas disciplinas que abordam tais conceitos (a saber: Física Moderna, Física Moderna e Contemporânea e Instrumentação e Prática de Ensino de Física Moderna). Outro aspecto que motivou o professor a realizar essa experiência foi um artigo do Físico Feynman da década de 60.
Entretanto ele reconhece que ainda é cedo para tirarmos grandes conclusões desta experiência por ter sido realizada em apenas uma turma e, além disso, uma turma não homogênea (ingressantes e não ingressantes).
Pesquisador- r- "E as expectativas com essa mudança...?"
Professorr"São absolutamente ainda indefinidos os resultados, é uma experiência que eu não posso dizer se teve resultados, ou não teve... isso prerecisa ser aplicada a outras turmas."
Mesmo reconhecendo estas dificuldades, o professor aponta que em relação ao aproveitamento dos alunos seguiu as mesmas porcentagens que nas outras turmas, nas quais ele foi o docente responsável, ou seja, a introdução de tópicos de FMC não influenciou no aproveitamento final dos alunos .
Um aspecto que o professor avalia como importante de ser introduzido numa próxima experiência é um levantamento sobre os conhecimentos que os alunos já têm em relação à FMC. O professor deixa claro que tem a intenção de repetir a experiência nas próximas vezes que ministrar a disciplina de Física A.
Na avaliação sobre a importância da experiência realizada o professor defende a introdução de FMC não apenas em Física A como igualmente nas demais disciplinas de Física básica (Física B, C e D), mas reconhece que sua perspectiva não é consenso entre os professores de física.
Durante a entrevista, o professor sempre enfatizou que essa experiência realizada já é utilizada em outros cursos no exterior.
Professor -"...aliás esse negócio não é inovador...eu não estou inventando nada...eu simplesmente estou dizendo vamos fazer isso, vamos fazer isso no Brasil..."
- O professor é bastante enfático na defesa da proposta particularmente quando se refere aos alunos do curso de licenciatura. O professor demonstrou concordar com o argumento que o licenciado que teve FMC desde o início de sua graduação, tem um diferencial para introduzir FMC na sala de aula do EM e também no ensino superior.
## Entrevista com os alunos:
A partir da análise dos questionários foi possível organizar três grupos básicos utilizado para a seleção dos alunos a serem entrevistados:
- ß Grupo I (aluno B): alunos que aprovaram a experiência de Física A com FMC (nenhum aluno deste grupo teve contato com FMC no Ensino Médio);
- ß Grupo II (aluno C): alunos que aprovaram a experiência de Física A com FMC, porém com algumas ressalvas (os alunos tiveram alguma experiência com FMC no EM);
- ß Grupo III (aluno D): alunos que desaprovaram a experiência de Física A com FMC e não tiveram contato com FMC no Ensino Médio.
Como já dito anteriormente, através da análise do questionário foram localizados três grupos de alunos e assim teríamos três entrevistados, mas em um questionário um aluno expôs que gostaria de participar das entrevistas. Avaliamos que seria importante obtermos seu depoimento (Aluno A) e por essa razão contamos com quatro entrevistas.
## Aluno A:
O perfil do aluno A pode ser resumido pelo seu forte interesse nas ciências exatas mesmo antes de entrar na faculdade. Estudou no Ensino Médio em uma escola particular e ele tinha muita dificuldade com a Física, porém, se dedicou e passou a gostar. Outro diferencial nesse aluno é o seu contato precoce com textos científicos e mesmo alguns artigos científicos sobobre Física. Foi desta maneira que ele teve um contato informal com FMC.
- O aluno "A" colocou -se muito satisfeito com o curso (de uma maneira geral) e principalmente da experiência de Física A, devido aos tópicos abordados e também pela grande admiração ao prprofissionalismo do docente responsável pela disciplina. O mesmo confessa uma dificuldade na disciplina, mas enfatiza que a curiosidade era maior. O assunto que mais chamou a atenção do aluno foi o tempo relativo e a simultaneidade.
A sua opinião de estender FMC nas outras disciplinas básicas de Física foi altamente positiva, como pode ser visto:
"Eu acho fantástico, pois é uma coisa que chama atenção. E para os alunos de Física deve ser muito interessante e iria sair da mesmice, e com isso preparar melhor quando a gente sair formado daqui, sabendo pensar diferente, com raciocínio rápido e não saber resolver aqueles exercícios do livro..."
Em relação ao ensino médio com a presença da FMC acredita ser uma boa iniciativa, porém, com algumas ressalvas:
"...eu acho muito válido se tirassem a Física do vestibular, porque senão vai ser mais uma matéria para decorar fórmulas...tirando do vestibular eu acho que poderia atrair mais pessoas para Física e mesmo se tornar mais agradável o ensino de Física...se eu fosse professor de Física de ensino médio com certeza eu daria FM. E eu daria o conteúdo de FM no início do Ensino Médio, pois é relacionada com o cotidiano..."
## Aluno B:
O aluno "B" estudou, no ensino médio, em uma escola particular e já tinha feito Física A três vezes antes, ou seja, é um aluno mais experiente e com uma vivencia acadêmica maior. Foi enquadrado no grupo I, pois ele não teve FMC no EM, mas aprovou a experiência acadêmica.
Na perspectiva do entrevistado, a disciplina foi muito boa e, além disso, incentivava uma grande parcela dos alunos, além de também poder r facilitar o momento de fazer a disciplina de Física Moderna futuramente.
Algo muito interessante ocorreu quando foi questionado sobre sua opinião em relação ao conteúdo de FMC no EM. O aluno realmente nunca tinha pensado neste assunto, pois ele primeiro fez a linha de raciocínio analisando que alunos do primeiro ano de Física (ou seja, acabaram de sair do ensino médio) conseguem acompanhar, pois a matemática não é diferente, é conhecida. E assim o aluno concluiu e afirmou a sua idéia:
"...dá para pôr sim, a matemática dá conta. Mas com cautela...mas ao mesmo tempo, ajuda pois os jovens querem ver as coisas novas (modernas) o que vê no jornal...se eu fosse docente, eu acho que ao longo do curso, porque eu acho que precisa desse link, para não virar outra Física para os alunos, se não fizer isso vai dificulta esse link."
Essa idéia de realizar o ensino de FMC ao longo do EM é bem interessante é já pode estar relacionada com as suas próprias experiências na universidade, ou seja, se ele já pode ter FMC desde a primeira disciplina do curso, porque os "seus" futuros alunos também não poderiam?
## Aluno C:
O perfil do aluno "C" é de um estudante que teve contato com revistas científicas e livros, não didáticos, na área da Física. O seu ensino médio foi em uma escola particular, na qual, teve contato com professores que ensinaram alguns tópicos de FMC, tendo o foco maior sobre a Relatividade e um pouco sobre a Física Quântica. Outro ponto interessante sobre esse aluno são os seus planos de iniciar em breve um curso para alunos de sua cidade que estão no ensino médio, com exatamente estes tópicos de FMC.
"...eu e mais um amigo a gente está pensando em montar um curso de FM para o ensino médio pois a gente já tem uma bagagem através dessa Física A, e fazer divulgação, pois os alunos já podem ter a visão de FM no EM"
Demonstrou se interessar muito pelos assuntos abordados na FMC, e, inicialmente, achou interessante a experiência acadêmica, e já relacionou que tais tópicos de FMC podem ser compreendidos pelos alunos do ensino médio.
A opinião do Aluno "C" é bem clara sobre o que ele pensa da FMC no EM, mas de qualquer maneira é interessante a sua resposta, mesmo porque eu lhe pergunto como ele iria introduzir a FMC no EM:
Pesquisador Você como professor de EM, como seria a sua abordagem de FM?
Aluno "C" -"...seria mesclando....mas com calma, com conceitos sem matemática e mais para frente vai aumentando com matemática e Física...vai que alguns desses alunos não vira um grande cientista no futuro."
## Aluno D:
O perfil do aluno "D" é bastante diferente comparativamente com os outros alunos entrevistados. No dia da entrevista ele contou que tinha saído a resposta de transferência de curso e , portanto, não se identificava mais como estudante do curso de Física. É ingressante na universidade do ano de 2006, o curso de Física não era a sua primeira opção no vestibular (diferente dos outros alunos entrevistados) e o seu ensino médio foi realizado no ensino público, no qual não teve aulas de FMC e por último, ele inicialmente acredita que não existe uma justificativa, na visão dele, para ter FMC no EM.
Durante a entrevista, mostrou, em vários momentos, o seu desacordo com a experiência didática realizada com a disciplina, como popode ser observado com o seguinte trecho da entrevista:
Pesquisador O que você achou que mudou da primeira vez que você fez Física A e a que você teve agora?
Aluno "D"--"...os conceitos introduzidos foi bem mais complicado, foi mais difícil, introduziu pa rtículas e a Física tradicional...relatividade pesou!..."
Algumas partes da entrevista demonstram que o aluno "D" encarava a disciplina (ou o curso), de forma um pouco diferente daquelas apresentadas pelos outros alunos entrevistados:
Pesquisador -Tem algum assunto que te chamou particularmente a atenção? Alguma discussão que tenha marcado de FM?
Aluno "D" -"...Fórmula de um sobre a raiz que foi decorada mesmo, e os conceitos tem bem pouco, era mais para decorar..."
A opinião do aluno entrevistado é de que e não se deve ensinar FMC no ensino médio, pois, em sua opinião seriam mais algumas fórmulas para os alunos aprenderem. E quando ele foi questionado sobre se ele fosse um professor do ensino médio, como ele iria dar FMC se fosse uma exigência dos alunos e/ou da direção da própria escola, ele disse:
"...eu acho que eu não daria FM no EM...se eu fosse professor eu só daria se caísse no vestibular, e se os alunos pedissem...(eu iria) seguir a ordem cronológica. Depende da pertinência das matérias. Seria depois de tudo no terceiro ano, talvez só mecânica eu daria relatividade em seguida."
## Considerações Finais:
A A partir dos dados obtidos é possível destacar que, em muitos aspectos, os resultados obtidos são coincidentes aos encontrados na literatura da área de pesquisa em ensino de Física (nacional e internacional).
Após alguns anos de propostas da inserção de conceitos de FMC no ensino médio, através do campo de pesquisa analisado, nenhum aluno proveniente do ensino público, teve contato com esses assuntos; e apapenas um terço dos alunos provenientes do ensino particular teve tais aulas.
Uma parcela dos alunos que não tinham como primeira opção o curso de Física, não estavam satisfeitos com o curso/universidade, mas aparentemente este fato não interferiu na avaliação da experiência.
A maioria dos alunos relaciona o ensino de Física no EM como "decorar fórmulas", mas mesmo assim os alunos declaram que buscaram o curso de Física por ela mesma, ou seja, por gostarem dos seus inúmeros ramos de estudos; porém houve outros alunos que optaram por este curso devido à facilidade com as matérias de exatas no Ensino Médio.
Todos os alunos que já haviam feito Física A anteriormente relataram que a grande mudança entre a disciplina que estavam fazendo e a(s) anterior(es) é, a introdução de conceitos de FMC; alguns alunos ainda relataram que a "didática" (a maneira de dar aula) do professor ajudou muito.
Outro importante aspecto observado foi a relação que a maioria dos entrevistados fez com a possível, futura atuação como docentes de Física no Ensino Médio, na qual eles relatam haver uma grande possibilidade de lecionarem aulas de FMC e este fato se deve, grande parte, ao contato com tópicos de FMC desde disciplinas introdutórias do curso.
Uma característica também observada foi que a maioria dos alunos declarou que se sentiram mais incentivados para o curso e para a própria disciplina, correlacionando tal fato aos tópicos de FMC introduzidos na disciplina, coincidindo com perspectiva do professor e com a literatura sobre incentivar os discentes. E em particular, a preocupação com uma a reformulação curricular e conseqüentemente a formação dos futuros físicos (licenciados e bacharéis), também fazia parte da preocupação do docente que concorda com os referenciais da pesquisa.
## Referências bibliográficas:
KALMUS, P. I. Particle physics at A-A-level-the universities' viewpoint. Physics Education, Bristol, v. 27, n. 2, p. 62-64, Mar. 1992.
LUCKESI, C.C.; Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Editora Cortez, 1996.
OSTERMANN, F., MOREIRA, M. A. Tópicos de física contemporânea na escola média brasileira: um estudo com a técnica Delphi. In: ENCONTRO DE PESQUISA EM ENSINO DE FÍSICA, 6., 1998, Florianópolis. Atas. Florianópolis: Imprensa UFSC, 1998. 19p. [Seção de Comunicações Orais] 1 CD -Rom.
OSTERMANN, F., MOREIRA, M. A. Uma revisão bibliográfica sobre a área de pesquisa "Física Moderna e Contemporânea no ensino médio".
Investigações em Ensino de Ciências, vol. 5, n. 1. Porto Alegre, 2000. (página eletrônica). Acesso em 15 de novembro de 2007.
STANNARD, R. Modern physics for the young. Physics Education, Bristol, v. 25, n. 3, p. 133, May 1990.
TERRAZZAN, E. A. Perspectivas para a inserção de física moderna na escola média. (tese de doutorado). Curso de Pós -Graduação em Educação - - USP/ São Paulo, 1994.
Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.