A ENERGIA NUCLEAR EM PORTAIS DE NOTÍCIAS: ELEMENTOS DO DISCURSO DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA EM NOTÍCIAS POLÍTICAS.
Romulo Ramunch Mourão Silva, Luis Gustavo D Carlos Barbosa, José Marcio De Castro Neto
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 29/01/2015
- Linha de pesquisa
- Divulgação Científica E Educação Não Formal
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## A ENERGIA NUCLEAR EM PORTAIS DE NOTÍCIAS: ELEMENTOS DO DISCURSO DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA EM NOTÍCIAS POLÍTICAS.
## Romulo Ramunch Mourão Silva¹, Luis Gustavo D' Carlos Barbosa 2, José Marcio de Castro Neto 3.
- 1 Universidade Federal do Triângulo Mineiro/Instituto de Ciências Exatas, Naturais e Educação. rramunch@gmail.com
## Resumo
O presente trabalho, fruto de uma das disciplinas oferecidas pelo curso de Licenciatura em Física - UFTM, tem como objetivo investigar e desvelar elementos do discurso de divulgação cientifica, especialmente em notícias com a temática 'energia nuclear', em portais de notícias na internet, que atingem o grande público. Busca analisar os recursos utilizados dos discursos pedagógicos e midiáticos que compõem o gênero híbrido de divulgação científica. Quais as estratégias que os autores utilizam para problematizar os fatos e acontecimentos e formar humanisticamente, cientificamente e informar acerca do assunto. Para tal, foram analisadas quatro notícias de portais de notícias que possuem grande força na mídia brasileira, os portais 'r7.com' e 'globo.com', buscamos três notícias próximas ao episódio de Fukushima, em 2011, e uma no ano anterior, para comparação. Nas notícias analisadas pudemos observar uma grande preocupação em algumas notícias com relação a explanações que facilitassem o entendimento do interlocutor e uma larga utilização de hipertextos que prezam por aflorar emoções e 'vender a notícia'. Foi observado também um padrão em relação ao grau de utilização dos discursos e imparcialidade dos autores.
Palavras-chave : Discurso, Divulgação Científica, Nuclear, Política.
## Introdução
O tema energia nuclear está em discussão há décadas e abrange diversos campos para reflexão, desde desastres em usinas, seus riscos e benefícios na geração de energia elétrica, até a discussão do seu uso para fins bélicos. Cientistas, políticos, ecologistas e outros especialistas em diversas áreas debatem sua utilização em larga escala e seus riscos. Apesar de tema atual e controverso dentro da sociedade brasileira e mundial, a energia nuclear ainda hoje é pouco discutida dentro de sala de aula.
No Brasil, destacam-se alguns trabalhos recentes sobre a energia nuclear no ensino de física, Costa et al (2011), Pitanga (2010) e Silva, Pessanha e Bouhid (2011) foram analisados por Strider et al (2013) e em suas estratégias utilizadas dentro de sala de aula, 'prevalece, explicitamente, a preocupação com o desenvolvimento de um pensamento crítico por parte de alunos e professores sobre a Energia Nuclear' (p. 2). Nosso trabalho, produto da disciplina Estudo e Desenvolvimentos de Projetos II - UFTM, pretende focalizar o jornalismo web e seu potencial educativo através de elementos característicos da divulgação científica, pois, segundo, Gaspar (2002), Souza (2004) apud Valério e Bazzo (2006) 'não
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26 a 30 de janeiro de 2015
restam mais dúvidas de que o exercício da cidadania exige agora muito mais do que podem oferecer os saberes formalizados nas disciplinas escolares'. Argüello (2002) ibd afirma que 'as escolas não educam em ciências, e muito pobremente divulgam seus resultados'.
Segundo pesquisa realizada pelo IBOPE no segundo semestre de 2013 1 105,1 milhões de pessoas possuíam acesso a internet e 52,7 milhões acessavam a internet regularmente, um aumento de 1,8% em relação ao mês anterior. Além deste crescimento em larga escala da própria rede mundial temos inserido nesse contexto o crescimento de portais de notícias online, que tem, por causa de suas ferramentas, um grande dinamismo, cf Palacios (2003), tornando o internauta ao mesmo tempo em que é leitor, ouvinte e telespectador, informando com maior rapidez e precisão que outros meios de comunicação como a televisão, rádio e a mídia impressa. Além disso, é prática recorrente nas escolas, pedidos de pesquisa online por parte do professor, em especial no que se refere a temas contemporâneos polêmicos como a energia nuclear.
Torna-se importante entender como a mídia procura estruturar as notícias, pois, são exatamente essas que informam e (in)diretamente formam conceitos, ideias e acrescentam conhecimento acerca do tema pesquisado. Assim poderemos contribuir com a formação crítica dos professores enquanto leitores e mediadores de leituras que pretendem tornar os estudantes mais participativos e capazes de dissertar e se posicionar sobre temas controversos. O trabalho desenvolvido tem como objetivo reconhecer quais os recursos que as redações 'online' se utilizam para divulgar notícias políticas ou acontecimentos que tenham forte componente tecnocientífico . Em específico, como são articulados modelos e conceitos para a compreensão pública da energia nuclear como opção energética, marcada por benefícios e riscos.
## Considerações sobre o discurso de divulgação científica
Compreendemos que embora notícias políticas ou relatos jornalísticos resguardem estruturas linguísticas próprias e diferentes de um texto elaborado exclusivamente para a popularização da ciência. Contudo, os primeiros, em se tratando da energia nuclear, certamente resguardam mediadores, recursos e estratégias típicas de um texto de divulgação científica, já que supõem forte necessidade de esclarecimento de elementos tecnocientíficos ao público leitor no ato de explicação e contextualização de fatos ou debates.
Assim, torna-se necessário estabelecer marcos do discurso de divulgação científica, já razoavelmente explorado na literatura, para iluminarmos os textos informativos ou reflexivos do jornalismo web. Partimos da noção que o texto, seja ele escrito, digital ou multimodal da divulgação científica constitui um gênero híbrido, conforme argumentam Cunha & Giordan (2009). Segundo eles,
'ao produzir o discurso da divulgação científica o divulgador/jornalista desloca a Ciência para o campo midiático, o trabalho do divulgador/jornalista é resultado de um gesto interpretativo do discurso da Ciência e não apenas uma reformulação do discurso da Ciência (...). É a constituição de um novo gênero de discurso. O divulgador/jornalista passa a
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inscrever seu discurso num intervalo que compreende a Ciência, a Mídia e o público leitor.' (p. 6)
Ao analisarmos notícias do jornalismo web sobre energia nuclear, estamos em busca de melhor caracterizar as minúcias e meandros desse intervalo. O uso de elementos para 'venda' do texto ao leitor, mesclados a ferramentas pedagógicas mediadoras de uma virtual aproximação da ciência, torna o discurso da divulgação científica lócus que se relacionam saber, não-saber e o desejo de saber. Em outras palavras, Grillo (2008) afirma:
'os enunciados de divulgação científica dialogam, por um lado com o discurso científico, assumindo a posição de mediador competente e, por outro, com a presunção do universo de referências do seu destinatário constituído por aquilo que o divulgador pressupõe que ele domina, e acima de tudo, não domina.' (p. 68)
A partir destas ideias, e em diálogo com a crescente demanda pela criticidade explicitada por Strider et al (2013), procuramos desvelar os elementos pedagógicos, científicos e midiáticos presentes na complexidade dos textos de jornalismo online sobre energia nuclear, atentos sobretudo a recursos metalinguísticos e uso de paratextos . Possíveis elementos ideológicos também 2 3 foram analisados.
## As notícias em análise
Segundo a pesquisa realizada pela empresa Alexa os portais de notícia 4 'globo.com' e 'r7.com' estão entre os domínios mais acessados, e foram escolhidos por terem maior participação informativa, maior domínio de todas as outras mídias e por não possuírem portais de notícia mistos, que abrangem outros serviços. Como recorte temporal escolhemos notícias que foram redigidas em torno do evento de Fukushima, no Japão, em que um tsunami, no início de 2011, causou a destruição de alguns dos reatores da usina nuclear no local. Existe entorno do desastre de Fukushima, uma quantidade maior de notícias sobre o tema analisado em relação a outras.
Foram selecionadas quatro notícias para que fossem analisadas, são elas: 'De Hiroshima a Fukushima', do site <revistaepoca.globo.com>, datada de 18/03/2011 e atualizada em 21/03/2013, 'Desastre de Chernobyl serve como lição á Fukushima', do site < noticias.r7.com> e datada de 26/04/201, 'Agência Nuclear da ONU diz que não é possível comparar Fukushima com Chernobyl', do site < noticias.r7.com> e datada de 12/04/2011, e por fim 'Brasil prevê ampliar energia nuclear; entidade pede prospecção de urânio', do site < g1.globo.com> e datada de 18/05/2010.
## Recursos didáticos - a ciência e o discurso pedagógico
Em três das quatro publicações foram observados métodos explanatórios que tinham a intenção de dar ao interlocutor conhecimento de como funcionavam a ciência e/ou a tecnologia envolvida nos evento que estavam sendo noticiados.
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Em 'De Hiroshima a Fukushima' observamos que os autores fizeram uma tradução de termos técnicos para uma linguagem mais simples como, por exemplo, de 'fissão' para 'quebra'. Nesta mesma notícia os autores se utilizaram de imagens, que é uma das ferramentas que o modal portal de notícia possui, a hipertextualidade, citada por Palacios (2003), para explicar passo a passo o funcionamento dos reatores. Em uma das imagens observamos explicações que eram apontadas por números, inclusive nas peças do reator, o que nos causa a impressão de que a explicação, principalmente no caso da tecnologia, se assemelha com um manual de instruções (Fig. 1). Nesta mesma imagem temos explícito o processo de fissão do urânio, que ocorre do reator, sua explicação se dá de forma análoga, porém, possui características mais próximas dos gêneros textuais típicos de livros didáticos. Cada etapa do processo de fissão era detalhada de forma ilustrativa (através da própria imagem) e de forma textual bem simples, dessa mesma maneira é dada a explicação do funcionamento dos raios alfa, beta e gama, em outra imagem, que possuí o uso da metalinguagem para facilitar o entendimento do interlocutor.
Figura 1: Infográfico da reportagem "De Hiroshima a Fukushima'.
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No título 'Agência Nuclear da ONU diz que não é possível comparar Fukushima com Chernobyl' pudemos observar uma ferramenta linguística comumente utilizada em livros didáticos, a metáfora que estava acompanhada, curiosamente, com a lenda do imaginário da maçã que caiu sobre a cabeça de Newton. Neste caso o autor preocupou-se, através de um applet, em explicar conceitos que circulam a emissão de radioatividade, suas unidades de medidas, o
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que elas representam e seus efeitos sobre o ser humano. O vídeo utilizou exemplos comuns como, por exemplo, a quantidade de sieverts que um raio X expõe um ser humano em comparação a exposições de maior grau. Embora estejamos diante de recursos que nos recordam livros didáticos, o marcador de 50 mSv nos lembra o contexto político e a necessidade de situar o leitor historicamente ao apontá-lo como antigo limite máximo para funcionários do setor nuclear.
Na notícia intitulada 'Desastre de Chernobyl serve como lição á Fukushima' o autor priorizou em descrever, através de um vídeo, também, a sequência de acontecimentos dentro e fora dos reatores que causaram o desastre, desta forma, ao explicar os acontecimentos dentro do reator priorizou explicar a tecnologia e como ela foi danificada.
Na notícia que antecedeu o episódio em Fukushima, 'Brasil prevê ampliar energia nuclear; entidade pede prospecção de urânio' não encontramos ferramentas nem características dos discursos didático ou científico. Isso sinaliza, possivelmente, que a demanda por explicação surge em contextos de crise política ou desastre. A sensibilização e comoção pública parecem demandar uma sofisticação dos modelos e conceitos de CT por parte dos leitores. O que é curioso, ou mesmo paradoxal é que as três notícias que se utilizam de paratextos didáticos estão em seções Mundo ou Internacional , enquanto que a única que não se utiliza de tais recursos e noticia fato nacional encontra-se justamente na seção Ciência/Saúde.
Figura 2: Imagens do applet explicativo da reportagem "Agência Nuclear da ONU diz que é impossível comparar Fukushima com Chernobyl".
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## Recursos de venda - a ciência e o discurso midiático
Mais presente que o discurso didático e científico, o discurso midiático e suas ferramentas linguísticas foram observados em todos os títulos. A partir das análises do discurso midiático pudemos também observar as questões ideológicas, que se revelam nos textos pela dimensão de marketing e venda das notícias.
Em dois dos quatro artigos temos logo no título abordagens que fazem duras críticas à energia nuclear, utilizando-se da memória do interlocutor para relembrar fatos do passado, remetendo a tragédias de maior grau que a do presente momento, são elas 'De Hiroshima a Fukushima' que relembra ao interlocutor a infelicidade da explosão de duas bombas atômicas no Japão, e a notícia 'Desastre de Chernobyl serve como lição a Fukushima', que remete o interlocutor a catástrofe ocorrida na Ucrânia á aproximadamente 28 anos.
Nestas notícias também observamos uma grande quantidade de imagens chocantes, principalmente em 'Desastre de Chernobyl serve como lição a Fukushima' onde existem fotos dos problemas de saúde atribuídos ao desastre
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nuclear, além de um vídeo de pessoas que rezavam por entes mortos em um local público. Em 'De Hiroshima a Fukushima' logo em seguida ao título uma imagem onde dois homens estão com trajes de proteção NBQ, a imagem é legendada de 'Heróis' (Fig. 3).
Na notícia 'Desastre de Chernobyl serve como lição a Fukushima' temos durante todo o texto escrito sentenças, inclusive com link que leva a outra notícia, que transportam o interlocutor a um discurso completamente contrário ao uso da energia nuclear, como por exemplo, '(...) a tragédia japonesa é mais um lembrete ao mundo dos perigos da energia nuclear.'. No título 'De Hiroshima a Fukushima' em determinado momento do texto abre-se um debate entre vozes que defendem o uso da energia nuclear e outras que rejeitam o uso dela, em seguida existe a fala do Ministro Edilson Lobão, afirmando que o programa nuclear brasileiro não irá cessar, porém, essa fala é colocada ao lado de uma imagem onde uma criança está sendo examinada por soldados japoneses (Fig. 3), o que acaba por contrapor as vozes que defendem o uso da energia nuclear. Também observa-se, que mesmo o paratexto intitulado A reação nuclear no reator (Fig. 1), dedicado ao discurso científico pela exposição de conceitos e modelos, há forte apelo midiático pela presença de um marcador ideológico. O subtítulo diz como funciona a fissão nuclear que gera energia - e também medo. Os autores expressam um tom valorativo claro também no segundo parágrafo, logo após introduzir o sol da bandeira nipônica como imagem do nosso Sol - exemplo de reator de fusão nuclear e logo energia limpa - lamentam: 'Por enquanto, tudo o que conseguimos foi reproduzir, no interior de reatores nucleares, uma reação mais suja, de fissão nuclear'.
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Figura 3: Á esquerda imagens da reportagem "De Hiroshima a Fukushima', á direita imagem do applet da reportagem "Desastre de Chernobyl serve como lição a Fukushima ".
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Um lugar diferente parece ser dado a figura dos cientistas. Isso pode ser evidenciado pelo fato das quatro reportagens não trazerem vozes de cientistas como porta-vozes de princípios explicativos ou lançamentos de tecnologia, fato muito comum e até característico de textos de divulgação científica. Em duas das reportagens, os cientistas recebem voz como avaliadores de riscos, com componente mais político que científico. Na reportagem 'De Hiroshima a Fukushima', mais marcadamente ideológica contra o uso civil da energia nuclear, dois físicos brasileiros pronunciam-se contra a ampliação do programa nuclear brasileiro em oposição a vozes de ministro e presidente de agência. Isto favorece a criação de um cenário maniqueísta, Ciência X Política, o que pode induzir a um viés tecnocrata da 'verdade esclarecida X arte de dissimular interesses', o que não é nem um pouco saudável para uma educação crítica.
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## Considerações Finais
Nas notícias analisadas observamos um discurso pedagógico mais frequente em relação a tecnologia se comparado a ciências propriamente, porém, torna-se hoje impossível dissociá-las. Conforme argumentam autores como Latour (2000) e Santos (2004), a ciência e a tecnologia, juntamente com a sociedade, devem ser vistas como parte de uma mesma rede, sendo apropriadamente denominadas tecnociência , pois cada vez mais são mutuamente constitutivas. O discurso didático nas notícias analisadas se utilizou de elementos e métodos explanatórios que vemos comumente em livros didáticos e principalmente de recursos visuais, o que acaba facilitando o entendimento do que está sendo explicado. Acreditamos também que o 'desejo de saber' por parte do grande público, citado acima, torna-se presente em momentos de crise e comoção social.
Acabamos por verificar nas notícias em torno do evento de Fukushima, uma quantidade muito maior de explanações de conteúdo tecnocientífico em relação a Energia Nuclear, ao contrário de notícias distantes e sem eminência de acontecimentos, onde temos nenhuma ou pouca explicação, pois a energia parece ser tratada de forma corriqueira e não controversa.
- O discurso midiático e suas ferramentas permitem ao autor dar as notícias, junto com as ferramentas do modal portal de notícia, uma maior facilidade para descrever fatos e para problematizar a cerca de um assunto. Verificamos uma quantidade maior de notícias com tom de recriminação da energia nuclear e nelas grande utilização de imagens apelativas e que tinham como intenção aflorar emoções no interlocutor. Acreditamos que isso acaba por prejudicar o senso crítico, que a as mídias tem como trabalho social, formar.
Podemos concluir que o gênero de discurso da divulgação científica, quando não inserido em uma esfera mais específica de enunciação em que o destinatário tem o claro interesse em aprender ciência e tecnologia, os autores optam por utilizar uma linguagem mais simples e o mais próxima possível do cotidiano, afastando-se aparentemente para mais distante do discurso científico e intensificando o componente midiático.
Disso implica maiores cuidados na mediação do professor ao acompanhar ou recomendar leituras de notícias na internet, pois se Cunha & Giordan (2009) nos ensinam que o texto de divulgação científica não nos garante a compreensão da ciência em sala de aula devido a mudança de esferas comunicacionais (p.10), o que diremos de textos cujo objetivo principal é noticiar acontecimentos sociais ou políticos, cujo rigor na abordagem de conteúdos C&T nos parecem menos rígido.
Como desdobramentos para estudos futuros, apontamos a necessidade de investigações que versem sobre o uso destes textos em sala de aula, os sentidos constituídos nas enunciações e turnos de fala entre as vozes dos professores, alunos, jornalistas autores e outros que falem a partir do texto. Só a partir desta nova etapa, poderemos aprofundar os benefícios e exigências do uso de textos jornalísticos da internet, tão caros e frequentes na crescente inserção de questões sociocientíficas no ensino de ciências.
## Referências
GRILLO, S. V. de C. Gêneros Primários e Gêneros Secundários no Círculo de Bakhtin: implicações na divulgação científica. Revista Alfa. São Paulo, n. 52 (1). 2008.
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CUNHA, M. B da; GIORDAN, M. A Divulgação Científica como um Gênero de Discurso: Implicações na sala de aula. Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências. Florianópolis, 2009.
BAZZO, M.; VALÉRIO, W. A. O papel da divulgação cientifica em nossa sociedade de risco: em prol de uma nova ordem de relações entre ciência, tecnologia e sociedade. Revista Iberoamericana de Ciência, Tecnologia, Sociedad e Innovación, Madrid, n.7, dez. 2006. Disponível em:
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STRIEDER, R.; WATANABE, G.; GURGEL, I. Energia Nuclear no âmbito da Educação CTS. IX Congresso Internacional sobre investigação em Didática das Ciências. Girona, 2013.
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YONAHA, L. et al. De Hiroshima a Fukushima. 2011. Disponível em: < http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI219473-15227,00DE+HIROSHIMA+A+FUKUSHIMA.html>. Acesso em: 22 de maio de 2013.
REDAÇÃO DO PORTAL DE NOTÍCIAS R7. Agência nuclear da ONU diz que não é
possível comparar Fukushima com Chernobyl.2011. Disponível em: < http://noticias.r7.com/internacional/noticias/agencia-nuclear-da-onu-diz-que-nao-epossivel-comparar-fukushima-com-chernobyl-20110412.html>. Acesso em: 25 de maio de 2013.
REDAÇÃO DO PORTAL DE NOTÍCIAS R7. Desastre de Chernobyl serve como lição a Fukushima. 2011. Disponível em: <
http://noticias.r7.com/internacional/noticias/desastre-de-chernobyl-serve-comolicao-a-fukushima-20120425.html>. Acesso em: 30 de maio de 2013.
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