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INCLUSÃO NO ENSINO DE FÍSICA: ENSINO DAS QUALIDADES FISIOLÓGICAS DO SOM PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Jederson Willian Pereira De Castro, Helena Libardi

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## INCLUSÃO NO ENSINO DE FÍSICA: ENSINO DAS QUALIDADES FISIOLÓGICAS DO SOM PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Jederson Willian Pereira de Castro¹, Helena Libardi²

¹ UFLA/MNPEF-SBF/E. E. Sinhá Andrade, jedersonwillian@gmail.com ² UFLA/DEX, hlibardi@dex.ufla.br

## Resumo

Neste artigo falaremos de sobre uma proposta de trabalho para promover a inclusão de alunos com deficiência auditiva no Ensino de Física através do ensino de Acústica: Qualidades Fisiológicas do Som. Para isso trabalharemos com uma sequência didática que inicia com as clássicas aulas expositivas e demonstrativas sobre Ondas, seguido pelas aulas expositivas das Qualidades fisiológicas do som, a utilização do software 'VA - Visual Analyser 2014' para analise da altura, intensidade e timbre dos sons emitido por alguns instrumentos musicais. Durante a realização das aulas, elaboraremos um resumo sobre as qualidades fisiológicas do som e o traduziremos para LIBRAS com o auxilio de um intérprete de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). Esse material deverá ser trilíngue, escrito em português, LIBRAS e Escrita de Sinais, rico em ilustrações. Acreditamos que as estratégias desenvolvidas potencializarão a aprendizagem dos alunos com deficiência auditiva e que o material teórico trilíngue dará autonomia a futuros alunos com deficiência auditiva em seus estudos sobre Acústica.

Palavras-chave: Ensino inclusivo, Deficiência auditiva, Acústica para surdos.

## Introdução

Devido à evolução da política de inclusão das crianças com deficiência em escolas de ensino regular ocorridas no nosso país, na última década o número de matrículas de alunos com algum tipo de deficiência no ensino regular aumentou significante.

Desde o ano de 1998 a Escola Estadual Sinhá Andrade (EESA), na cidade de Sete Lagoas, MG, recebe alunos com deficiência auditiva. A partir de 2002 começamos a trabalhar nessa escola e desde então temos a oportunidade de trabalhar diretamente com esses alunos.

Devido a presença do intérprete de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) na sala de aula, pensávamos que esses alunos estavam totalmente incluídos. Entretanto, após conversar com diferentes interprete de LIBRAS da EESA, passamos a observar com mais atenção o desenvolvimento dos alunos com deficiência auditiva, percebendo que o processo de inclusão requer a participação de todos os profissionais da instituição.

Com o objetivo de participar de forma efetiva do processo de ensino aprendizagem e não apenas lecionar Física enquanto o intérprete interpreta as aulas, desenvolvemos um projeto de ensino inclusivo nas turmas de segundo ano onde temos a presença de alunos com deficiência auditiva.

Trabalharemos em uma turma de ensino médio regular com 27 alunos, sendo 25 ouvintes e 2 alunos com deficiência auditiva acompanhado de um

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26 a 30 de janeiro de 2015

interprete de LIBRAS. O tema que iremos desenvolver é 'Acústica', ou seja, 'Ondas Sonoras'

## Educação de alunos com deficiência auditiva

No trabalho de Lacerda (1998) podemos conhecer um pouco da história ligada à educação de alunos com deficiência auditiva no mundo:

Até o final da Idade Média pensava-se que as pessoas com deficiência auditiva não eram capazes de aprender. Somente no início do século XVI que se começa a utilizar procedimentos pedagógicos diferenciados para ensinar às pessoas com deficiência auditiva.

No início da pedagogia do surdo na proposta pedagógica devida aos 'oralistas' esperava-se que as pessoas com deficiência auditiva aprendessem a língua falada. Em contrapartida, os 'gestualistas' identificaram uma linguagem que permitia que as pessoas com deficiência auditiva se comunicassem de uma maneira diferente da oral.

No século XVIII, o abade Charles M. De L'Epée estuda a língua de sinais usada por pessoas com deficiência auditiva, com atenção para suas características linguísticas. Ele verifica que grupos de pessoas com deficiência auditiva desenvolviam um tipo de comunicação apoiada no canal viso-gestual, que era muito satisfatória. Partindo dessa linguagem gestual, ele desenvolveu um método educacional, apoiado na linguagem de sinais da comunidade de surdos, acrescentando a esta sinais que tornavam sua estrutura mais próxima à do francês e denominou esse sistema de 'sinais metódicos'. Sistema esse que deu origem à Língua Francesa de Sinais e essa por sua vez deu origem à Língua Brasileira de Sinais. Mas como resultado do II Congresso de Milão, em 1880, a linguagem gestual foi praticamente banida na educação.

Na década de 1960, começaram a surgir estudos sobre as línguas de sinais utilizadas pelas comunidades surdas. Apesar da proibição dos oralistas no uso de gestos e sinais, raramente se encontrava uma escola ou instituição para surdos que não tivesse desenvolvido, às margens do sistema, um modo próprio de comunicação através dos sinais.

O descontentamento com o oralismo e as pesquisas sobre línguas de sinais deram origem a novas propostas pedagógico-educacionais em relação à educação da pessoa com deficiência auditiva, e a tendência que ganhou impulso na década de 1970 foi a chamada comunicação total, que defende a ideia de que a língua de sinais é a língua natural dos surdos. A comunicação total, envolvendo sinais, fala e outros recursos, mostrou diferenças em vários exemplos de implementação. Este método teve melhoras em relação ao oralismo, mas foram observados diversos problemas de comunição por parte dos alunos, principalmente na escrita. Os sinais, por sua vez, ocupam um lugar meramente acessório de auxiliar da fala, não havendo um espaço para seu desenvolvimento, embora a importância maior da comunicação total tenha sido o contato com sinais, que era proibido pelo oralismo.

Em paralelo ao desenvolvimento das propostas de comunicação total, estudos sobre línguas de sinais foram se tornando cada vez mais estruturados e com eles foram surgindo também alternativas educacionais orientadas para uma educação bilíngue. Essa proposta defende a ideia de que a língua de sinais é a

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língua natural dos surdos, que, mesmo sem ouvir, podem desenvolver plenamente uma língua viso-gestual.

Em relação à história da educação de pessoas com deficiência auditiva no Brasil, sofremos grande influência dos estudos realizados na França, tanto no fim do Império quanto em toda a Primeira República. Sendo que em 1857 foi fundado o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, que passou a ser denomino Instituto Nacional de Educação de Surdos - INES, através da Lei no 3.198, de 6 de julho de 1957, onde sugue a atual Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS. (ALBRES, 2005).

Com a criação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), na década de 1950, do Instituto Pestalozzi e diversas escolas especiais para surdos no Brasil, o Ministério da Educação (MEC) tem a necessidade de orientar a proposta curricular para o ensino especial com país (ALBRES, 2005). A partir dai surge, por parte do Governo Federal, varias propostas de ensino relacionas à Educação Especial por meio de inúmeras políticas de inclusão.

## Inclusão do aluno com deficiência auditiva no ensino de Ciências.

Para Lacerda (2000) a presença do intérprete de LIBRAS em sala de aula não garante as condições necessárias para que ocorra a inclusão dos alunos com deficiência auditiva. Além disso, pensamos que mesmo que o professor domine parcial do total da LIBRAS e que dê apenas uma atenção especial para os alunos com deficiência auditiva isso não será suficiente para que ocorra a aprendizagem do aluno.

Segundo Glat (1998), a dificuldade de abstração e a falta de vocabulário não permitem que os alunos recebam as informações de forma adequada e por isso eles têm dificuldades para apreender os conteúdos trabalhados em sala de aula. Daí a necessidade elaboração, construção e utilização de recursos didáticos teóricos e práticos para serem aplicados no processo de ensino-aprendizagem destes alunos.

De acordo com Ausubel, a aprendizagem significativa (mecanismo humano por excelência, para adquirir e armazenar a vasta quantidade de ideias e informações de qualquer campo de conhecimentos) ocorre apoiada em subsunçores. Por exemplo, se o conceito de força já existir na estrutura cognitiva do individuo, ele servirá de subsunçor para a aprendizagem de força eletromagnética (MOREIRA, 1999). Da mesma forma, esperamos que os conceitos de ondas sirvam de subsunçores para aprendizagem significava de Acústica.

Segundo Moreira (1999), 'Ausubel considera a linguagem como importante facilitador da aprendizagem significativa'. Por causa disso acreditamos que um material trilíngue potencializará a aprendizagem dos alunos com deficiência auditiva pelo fato de comunicar com eles na sua primeira língua.

## Metodologia

O trabalho a ser desenvolvido em uma turma do 2º ano do ensino médio regular na E. E. Sinhá Andrade, onde iniciaremos com o estudo sobre Ondas, onde serão utilizados como recursos didáticos a aula expositiva e a aula demonstrativa. Para a aula demonstrativa nesta primeira etapa observaremos algumas propriedades das ondas, tais com período, frequência, velocidade de propagação e comprimento de onda, usando dois tipos de molas de aço com diferentes constantes elásticas.

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Após as aulas de ondas, iniciaremos o estudo de Acústica. Inicialmente utilizaremos aulas expositivas para fazer a introdução, falar sobre as qualidades fisiológicas do som, reflexão e refração, frequências naturais e ressonância, corda vibrantes e tubos sonoros e efeito Doppler.

Utilizaremos o software 'VA -- Visual Analyser 2014' para analise da altura, intensidade e timbre dos sons emitido por alguns instrumentos musicais. Analisaremos a altura do som utilizamos diferentes notas musicais através do gráfico amplitude x tempo, com isso obtermos o período de um nota e sua respectiva frequência. Para a nota Lá emitida pelo Grand Piano obtermos a figura 1 onde além do período, pode verificar a forma da onda, que se refere ao timbre.

Figura 1

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Também verificamos no gráfico amplitude x frequência a frequência predominante nos sons emitidos. No caso da nota Lá emitida pelos Grand Piano obtermos a figura 2 onde vemos a predominância da frequência 440Hz.

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Na sequência do trabalho, confeccionaremos um material teórico sobre Acústica: Qualidades fisiológicas do som. Esse deverá conter uma linguagem objetiva, ser rico em ilustrações e traduzido para LIBRAS e SignWriting 1 . Para isso contaremos com a colaboração do intérprete LIBRAS.

Para a tradução dos textos em português para LIBRAS e SignWriting utilizaremos o 'Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue' (CAPOVILLA e RAPHAEL, 2013) e o livro 'Sinalizando a Física' (CARDOSO e colaboradores, 2010). Com isso teremos um material de apoio pedagógico Acústica: Qualidades Fisiológicas do som trilíngue, escrito em Português, LIBRAS e SignWriting .

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## Resultados esperados e considerações finais

Com a utilização do software Visual Analyser , esperamos dar significado às qualidades fisiológicas do som, analisando diferentes notas musicais emitidas por diferentes instrumentos. Tal software nós permite verificar a forma das ondas, o que nos permite estudar o timbre, período e frequência para verificar a altura, e a intensidade dos sons.

A sequência didática para ensino Acústica apresentada tornará o ensino de Física inclusivo por levar em consideração a deficiência auditiva dos alunos com deficiência auditiva sem com isso deixar de lado os alunos ouvintes. Acreditamos que a sequência didática e os materiais aqui propostos possam ser utilizados para ensinar Acústica para qualquer aluno independente de sua condição auditiva.

Esperamos que com a utilização do material teórico trilíngue os alunos com deficiência auditiva possam ter autonomia para realizar seus estudos sem depender do interprete de LIBRAS. Isso poderá potencializar a aprendizagem desses alunos, pois estaremos valorizando sua identidade.

## Referências

ALBRES, N. A. A educação de alunos surdos no Brasil do final da década de 1970 a 2005: análise dos documentos referenciadores. 2005. 129 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Centro de Ciências Humanas e Sociais, Campo Grande, MS, 2005. Disponível em &lt;http://editora-araraazul.com.br/cadernoacademico/007\_teseneiva.pdf&gt;. Acessado em 07/07/2014.

CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL, W. D. Dicionário enciclopédico ilustrado trilíngue da língua de sinais brasileira. 3ª Ed Revisada e Ampliada. São Paulo: EdUSP, 2013.

CARDOSO, F. C.; BOTAN, E.; FERREIRA, M. R. Sinalizando a Física - 1 Vocabulário de Mecânica. Sinop: Projeto "Sinalizando a Física", UFMT. 2010. Disponível em &lt;https://sites.google.com/site/sinalizandoafisica/vocabularios-defisica&gt;. Acesso em 19/06/2014.

GLAT, R. A integração de portadores de deficiência: uma reflexão. 2. ed. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1998.

LACERDA, C. B. F.; Um pouco da história das diferentes abordagens na educação dos surdos. Cadernos CEDES; volume 19, número 46, páginas 68-80. Setembro 1998.

LACERDA, C. B. F.; O intérprete de língua de sinais no contexto de uma sala de aula de alunos ouvintes: Problematizando a questão. In: LACERDA, C. B. F.; GÓES, M. C. R. (Org.) Surdez: processos educativos e subjetividade. São Paulo: Lovise, 2000. p. 51-84.

MOREIRA, M. A.; Teorias de Aprendizagem. São Paulo: Editora Pedagógica e Universitária, 1999.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.