ACOMPANHANDO PEDAGOGOS DURANTE UM CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA
Ruberley Rodrigues De Souza, Milton Batista Ferreira Junior, Daniela Furtado Campos, Viviane Da Silva Sandri, Marta João Francisco Silva Souza, Paulo Henrique De Souza
- Evento
- Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
- Edição
- XI
- Ano
- 2008
- Data
- 24/10/2008
- Linha de pesquisa
- Formação E Prática Profissional De Professores De Física
- Tipo
- Pôster
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Texto completo
## ACOMPANHANDO PEDAGOGOS DURANTE UM CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA
## ACCOMPANYING EDUCATORS DURING A COURSE OF CONTINUOUS FORMATION
Ruberley Rodrigues de Souza 3 16 , Milton Batista Ferreira Junior2 r2W , Daniela Furtado Campos 3 , Viviane da Silva Sandri 4 , Marta João Francisco Silva Souza 5 , Paulo Henrique de Souza6 a6 .
1 Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás - Unidade Jataí, ruberley@cefetgo.br 2 Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás - Unidade Jataí, miltonjr.fisica@gmail.com 3 C 3 Centro Federal de Educação Tec nológica de Goiás - Unidade Jataí, daninhafurtado1@yahoo.com.br 4 Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás - Unidade Jataí, vivianessandri@yahoo.com.br 5 C 5 Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás - Unidade Jataí, martajfss@gmail.com 6C 6Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás - Unidade Jataí, phsouzas@gmail.com
## Resumo
O presente trabalho apresenta um estudo das contribuições de um curso de formação continuada para professoras das séries iniciais da Rede Municipal de Ensino de JataííGoiás, ministrado nos Laboratórios da Licenciatura em Física do CEFET -GO. As atividades práticas e lúdicas, abordando o conceitos físicos passíveis de serem trabalhados nas séries iniciais, foram trabalhadas segundo a proposta do LAPEF/USP . O curso foi estruturado de forma a conter três momentos distintos: relatos das atividades desenvolvidas pelas professoras; levantamento de suas concepções prévias; e realização das atividades práticas. O perfil e as concepções das professoras sobre Ciências e o ensino de Ciências foram levantados a partir de um questionário semi-estruturado, aplicado no primeiro encontro. . Já o levantamento das contribuições do curso foi realizado a partir da observação das aulas de algumas professoras , nas quais foram aplicadas a atividades desenvolvidas no curso . Serão apresentados também os resultados relacionados aos conhecimentos prévios das professoras e às influências do curso em suas práticas diárias.
Palavras -chave: Séries iniciais; formação de professores; Ensino de Física .
## Abstract
The present work presents a study of the contributions of a course of continuous formation for teachers of the elementary school of the Municipal Net of Teaching of Jataí-í-Goiás. This course was supplied at the Laboratories of the Degree in Physics of the CEFET-T-GO. ThThe practical activities of physical knowledge were worked according to the proposal of the LAPEF/USP. The course contained three different moments: reports of the activities developed by the teachers; rising of your
previous conceptions; and accomplishment of the practical activities. In the first day of the course, we applied a questionnaire semi-structured to verify the teachers' initial conceptions about Sciences and your conceptions on the teaching of Sciences. We accompanied the classes of some teachers rs for us to verify the contributions of the course in your class rooms. We will present the results on the teachers' previous knowledge and on the influences of the course in your daily practices.
Keywords: Elementary school; t teachers' formation; Physics teacher.
## Introdução
A Ciência busca construir conhecimentos objetivos, que possibilite melhorias nas condições de vida dos seres humanos. É notável que:
Numa sociedade científica e tecnologicamente avançada, o exercício da cidadania e a democracia só serão possíveis através de uma compreensão do empreendimento cientifico e das suas interações com a tecnologia e a sociedade que permita, a qualquer cidadão, reconhecer o que está em jogo numa disputa sócio-c-científica, alcançar uma perspectiva fundamentada e participar em discussões, debates e processos decisórios. (REIS et al, 2006)
E pensando em uma sociedade avançada em termos científicos e tecnológicos, "faz -s-se necessário ter um olhar diferente e especial para o ensino de Ciências nas séries iniciais" (GRANDINI; KOBAYASHI, 2005).
Com o lançamento dos Parâmetros Curriculares Nacionais ( (PCNs) a ciência adquire novas perspectivas, onde "["[...] a educação cientifica só faz sentido se organizada como educação para a cidadania" (ALMEIDA et al, 2001). Vê-se então, que a criança só se tornará cidadã quando este ensino for efetivado. Pois assim, despertarão " [...] o pensamento crítico-reflexivo, o questionamento, a busca de respostas próprias e o seu efetivo exercício dos direitos de cidadão, a consciência de ser parte integrante da sociedade em que vivem" (GRANDINI; KOBAYASHI, 2005).
Embora seja nas séries iniciais que os alunos têtêm contato formal, pela primeira vez, com conceitos físicos, as pesquisas revelam que um grande número de profissionais da educação desta fase e "[...] possuem uma dificuldade significativa no que se refere ao domínio conceitual" (VIDAL et al, 1998). Desta forma faz-s-se com que a Ciências, principalmente nos aspectos que envolvem a Física, continue sendo vista como um conjunto de fórmulas matemáticas, que não sevem para mais nada além de resolver os problemas que os livros didáticos trazem. Isto ocorre porque os cursos que formam esses profissionais trabalham os conteúdos de Ciências dissociados daqueles a abordados nas séries iniciais (OSTERMANN et al, 1992).
Segundo Longhini e Mora (2004), a existência de disciplinas sobre metodologias de áreas específicas do conhecimento, nos cursos de Pedagogia, não é garantia de formação adequada. Ostermann e Moreira (1990) afirmam que a solução desse problema passa pela "[...] reformulação curricular nos cursos de formação de docentes que atuam nesta fase de ensino", ou pelo planejamento e desenvolvimento de cursos de formação continuada que atinjam a ação docente destes profissionais.
Estes cursos devem levar em conta que e a prática pedagógica dos professores das series iniciais "["[...] está relacionada com suas crenças acerca da
natureza da CiCiência e do fazer científico, bem como com suas concepções sobre ensino e aprendizagem, as quais estão o [...] ] ligadas às suas experiências como aluno e como professor" (MONTEIRO; TEIXEIRA, 2004). ).
Cada professor tem sua história, [...] e elas ficam arquivadas nas memórias de cada docente, [...] como indicadores que atuam inconscientemente, condicionando hábitos, definindo atitudes e determinando idéias, convicções, modos de agir e seu saber pedagógico. (i(ibidem)
Portanto, é fundamental que os cursos de formação continuada propiciem o resgate das memórias desses docentes acerca de suas experiências com o ensino de conceitos físicos, enquanto alunos e professores, relacionando-as com suas práticas atuais em sala de aula (MONTEIRO; TEIXEIRA, 2004). Zimmermann e Evangelista (2004) afirmam ainda que os cursos de Metodologia do Ensino de Ciências devem ajudar os professores a superarem suas inseguranças ao ensinar Física.
Segundo Longhini e Mora (2004) e Monteiro e Teixeira (2004), é preciso desenvolver atividades que levem o professor r a refletir sobre sua ação, e, para que haja as intervenções necessárias, a filmagem das aulas executadas popor ele é registro importante para a análise de sua prática. Gonçalves e Carvalho (1995) utilizam as gravações para uma análise detalhada, levando em conta "[...] os níveis na ação do aluno durante a resolução de um problema por meio de experimentação". De acordo com Barbosa-Lima e Alves (1997), o processo de registro das aulas por meio de filmagens e fotografias induz as crianças a "se mostrarem melhor", e possibilita a observação da reação dos alunos diante da nova metodologia, propiciando a reestruturação do curso, caso seja necessário. Segundo Souza e Carvalho (2003), o registro em vídeo "[...] favorece a coleta e análise de dados uma vez que apresenta a sala de aula e seu contexto".
A análise destas filmagens, das aulas das professoras e dos relatos e reflexões ocorridos durante o curso, nos derem condições de responder as seguintes questõtões : um curso de formação continuada, planejado e ministrado segundo os moldes do ensino por investigação , é capaz de mudar a prática docente das professoras das séries iniciais nas aulas de Ciências? ? A metodologia de ensino proposta favorece a participação e o envolvimento dos alunos nas aulas de Ciências? ? Além disso, estávamos preocupados também em verificar r a avaliação que as professoras tinham do próprio curso e das possibilidades e vantagens da utilização o de atividades e experimentais i investigativas nas aulas de Ciências.
## Metodologia
Esta pesquisa foi desenvolvida ao longo de um curso de formação continuada para professores da Rede Municipal de Ensino de Jataí, cujo objetivo era trabalhar conteúdos físicos e metodologias de ensino passíveis de serem aplicados nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Para isto, a equipe pesquisadora desenvolveu atividades experimentais e lúdicas segundo a perspectiva de um ensino encarado como atividade de investigação, no qual: "os alunos testam seus conceitos espontâneos, trabalham ativamente em todo o processo, argumentam, questionam, interferem e sofrem interferência do grupo no qual estão inseridos" (SOUZA; CARVALHO, 2004). Como exemplo desta metodologia, utilizamos e discutimos alguns dos filmes produzidos pelo Laboratório de Pesquisa em Ensino de Física - LAPEF (USP, 2006).
Cada encontro do curso, num total de nove, era dividido basicamente em três partes: 1) relatos das experiências didáticas realizadas pelas professoras; 2) aplicação de um teste diagnóstico com a finalidade de evidenciar os conhecimentos prévios das professoras; e 3) realização de atividades práticas de modo que e as professoras pudessem testar seus conhecimentos.
- O curso iniciou -s -se com 25 professoras, cuja seleção ficou a cargo da Secretaria Municipal da Educação (SME), que usou como critério o atendimento do maior número de escolas municipais e a condição de de pertencer r ao ao quadro efetivovo daquela Secretaria. O perfil destas professoras e suas visões sobre a Física e o ensino de Ciências foram levantados a partir de um questionário semi-estruturado aplicado no primeiro encontro do curso. Realizamos também uma avaliação do curso, feita a partir de um questionário contendo questões objetivas e subjetivas, que buscavam verificar as contribuições do curso para cada uma delas.
Além das aulas realizadas nos laboratórios da instituição formadora, as professoras tinham como tarefa a aplicação das atividades, vistas no curso, em suas salas de aula, trabalhando os experimentos com seus alunos segundo uma abordagem investigativa, ou seja, não se limitando à simples manipulação ou observação. Elas deveriam fazer com que os alunos refletissem, discutissem, explicassem e relatassem o que fora contemplado na atividade (CARVALHO, 1997) . Após a realização de cada atividade as professoras deveriam escrever um relatório explicitando a metodologia adotada e como ela foi aceita pelos alunos, o que favoreceria a sua reflexão no momento de seu relato.
Paralelamente, foram observadas aulas de Ciências ministradas por algumas professoras-cursistas, nas quais eram aplicadas atividades desenvolvidas no curso. O objetivo destatas observações foi verificar a influência do curso na forma destas professoras trabalharem Ciências em suas salas de aula. Estas aulas foram filmadas, de forma a possibilitar uma melhor observação da metodologia de ensino adotada pela professora e também a postura de seus alunos com relação a esta metodologia e aos conhecimentos fís icos trabalhados. Os relatos das experiências didáticas realizadas pelas professoras no início de cada encontro também foram filmados e analisados.
## Caracterização das professoras
Das 25 professoras que iniciaram o curso, somente 15 atuavam em salas de aula das séries iniciais do Ensino Fundamental, tanto da zona urbana quanto da zona rural. A maioria delas (c(cerca de 70%) possui formação em Pedagogia, uma possui apenas o Magistério e as demais possuem formação em áreas desvinculadas da educação para a as séries iniciais como, por exemplo, Letras e Matemática.
Ao serem questionadas sobre as contribuições do curso de formação inicial para sua atuação como professora de Ciências, os resultados revelaram o que já foi constatado anteriormente por Ostermann et al (1992): os cursos de formação inicial para professores das séries iniciais não trabalham Ciências como uma disciplina de auxílio ao futuro profissional. Isto acaba por provocar, como mencionado pelas professoras, dificuldades em ensinar Ciências, embora a maioria delas tenha afirmado gostar de ensinar tal disciplina.
Um resultado que merece destaque, foi o fato de cerca de 20% das professoras afirmarem que sentem algum tipo de preconceito em relação ao ensino
de Física: elas disseram que a Física é muito difícil e que é uma ciência só para pessoas muito inteligentes. Ou seja, estas professoras possuem uma história de ensino de Física que deve ser quebrada, pois isto pode refletir em suas aulas de conhecimento físico.
## Conhecimentos prévios das professoras
Os res ultados dos testes diagnósticos, ministrados no início de cada encontro, demonstram que as professoras têm várias deficiências em relação aos conhecimentos físicos, apresentando concepções semelhantes àquelas das próprias crianças, o que pode reforçar as coconcepções alternativas de seus alunos. Por exemplo, embora a definição do conceito de sombra, da maioria das professoras, estivesse correta, suas concepções acerca deste fenômeno não estavam de acordo com o conhecimento cientificamente aceito. A concepção substancialista para a sombra, na qual ela pertence ao objeto (GONÇALVES; CARVALHO, 1995), foi apresentada por quase metade das professoras. Além disso, várias delas (cerca de 20%) apresentaram uma concepção de sombra como "reflexo", ou retrato, do objeto.
- O conhecimento prévio das professoras em relação à astronomia representou para nós uma grande surpresa, principalmente pelo fato do teste diagnóstico ter sido aplicado cerca de 30 dias após solicitarmos às professoras que lessem o texto: Um episódio na vidida de Joãozinho da Maré Y (CANIATO, 1983). As concepções delas se mostraram semelhantes àquelas constatadas por Ostermann e Moreira (1999), Puzzo et al (2004) e Langhi e Nardi (2005). Segundo a maioria das professoras (mais de 70%) o formato da órbita da Terra é uma elipse de grande excentricidade, o que acreditamos contribuir para o pensamento de parte delas de que o verão ocorre quando a Terra está mais próxima do Sol.
As professoras apresentaram também concepções alternativas relacionadas à força e movimento e calor e temperatura. Para a maioria delas somente haverá movimento se uma força, no mesmo sentido do movimento, estiver presente. Revelaram não conhecer a explicação para o fato de um agasalho manter uma pessoa aquecida, inclusive afirmando que um gelo envolto num cobertor derreteria mais rapidamente do que aquele exposto diretamente ao ambiente. Boa parte das professoras relacionou o calor com o fato do corpo estar quente, ou seja, quanto mais quente um corpo , mais calor ele possui.
Esta ta limitação nos c conhecimentos das professoras reforça, mais uma vez, , a necessidade dos cursos de formação docente enfocar as concepções alternativas de forma que sejam apresentadas e discutidas, fazendo com que percebam as limitações destes conhecimentos e conseqüente substituição dos mesmos por novos conhecimentos cientificamente aceito.
## Observações das aulas das professoras
Durante o acompanhamento das professoras , em suas salas de aulas, observamos que os alunos se mostraram bastantes receptivovos à nova metodologia adotada pelas professoras, demonstrando muita empolgação em participar das
atividades. Eles manipulavam os experimentos, buscavam solucionar os problemas propostos pelas professoras, questionavam, apresentavam soluções, e disputavam a oportunidade de expressar a forma com que haviam desenvolvido a atividade. A empolgação era tanta, que, nas últimas aulas, alguns alunos pediram para que suas professoras fizessem outro curso, no ano seguinte, para dar aulas com experimentos para eles, pois nunca haviam tido aulas com este tipo de atividade.
O fato das aulas terem sido filmadas não apresentou problemas em relação ao comportamento dos alunos. As professoras comentaram que os alunos se vestiam melhor quando sabiam que teriam uma aula diferenciada de Ciências, pois sabiam que iam ser filmados. Eles questionavam os pesquisadores quando seriam as próximas filmagens e ficavam tristes quando não podiam se expressar, pois queriam aparecer, evidenciando o que Barbosa-a-Lima e Alves (1997) já haviam diagnosticado. Contudo, houve uma turma de alunos de uma escola da zona rural que não demonstrou tanta disposição em ser filmada. Estes alunos às vezes ficavam tímidos diante da filmadora e evitavam a participação nas atividades, o que nos obrigou, em alguns momentos, a não filmar a atividade, limitando-nos a observar e registrar os principais acontecimentos.
A escolha das professoras que seriam acompanhadas se deu por dois fatores: nosso interesse em observar o desenvolvimento das atividades tanto na zona urbana quanto rural; e pela disposição de algumas delas em possibilitar o acesso dos pesquisadores às suas salas de aulas. Embora não tenha sido critério de escolha, todas estas professoras ministraram suas aulas em turmas do 5º ano do Ensino Fundamental de 9 anosG (equivalente à 4ª ª série do EF de 8 anos). A seguir, descreveremos alguns detalhes observados n nas aulas d de seis professoras.
## Professora "A":
A professora "A", que atuava em uma escola da zona urbana, não possui formação para o magistério, mas estava cursando Pedagogia. Em sua 1ª aula, sobre sombras, iniciou a atividade questionando os alunos a fim de levantar suas concepções prévias, organizando-os de forma que todos pudessem anunciar suas idéias, e realizando questionamentos, do tipo: "É possível fazer sombras iguais com objbjetos diferentes?". Em seguida levou os alunos para o pátio, e com figuras de formas diferentes pediu-lhes que testassem suas hipóteses. Todos os alunos, sem exceção, se envolveram na atividade. Depois de solucionado o problema e retornando à sala de aula, a professora dinamizou a turma de forma que todos os grupos expusessem suas soluções.
Após a conclusão da atividade, a professora abriu um espaço para os questionamentos dos alunos, de forma que as dúvidas fossem sanadas. . A discussão mais interessante, proromovida nesta oportunidade, foi relacionada à possibilidade de se fazer sombra na água. Após uma breve reflexão da professora, e o pedido para que os alunos testassem suas hipóteses, um deles a interrompeu dizendo:
-É possível sim professora. A senhora lembra daquele o que é o que é que diz o que entra na água e não se molha?
Este episódio exemplifica o quanto os alunos se envolveram nesta atividade , buscando em seu cotidiano o as respostas aos questionamentos e interagindo entre eles e com a professora. Percebe-s-se que esta professora seguiu todas as etapas da metodologia investigativa. Ela considerou as concepções prévias dos alunos, dando espaço para eles t testarem-nas e deixando-o-os à vontade para argumentarem .
Porém, a empolgação apresentada nas as primeiras auaulas foi desaparecendo com o passar do tempo , e suas aulas passaram a não seguir todas as etapas das primeiras. Embora ela continuasse solicitando os relatórios na forma de desenho, escrita ou histórias em quadrinhos, a argumentação dos alunos ficou comprometida.
## Professora "B":
A professora "B", que atua numa escola da zona urbana, é formada em Letras -Português/Inglês e especialista em Metodologia de Língua Portuguesa. Sua primeira aula não atendeu às expectativas do curso, pois não problematizou uma situação-problema para que os alunos respondessem a partir de suas hipóteses, utilizando -se dos materiais que dispunham, e não possibilitou a eles argumentarem sobre o que tinham feito.
Com o passar do tempo houve um grande progresso na metodologia adotada em suas aulas, aproximando-se cada vez mais dos objetivos previstos no curso. Numa conversa com a professora ela explicitou que nas primeiras aulas ela não havia compreendido a proposta do curso, e acreditava que bastaria realizar as atividades experimentais com os alunos. Porém, as discussões realizadas no inicio de cada encontro fizeram com que a metodologia ficasse mais clara.
Suas últimas aulas foram muito bem trabalhadas: problematizando uma questão para os alunos solucionarem; intervindo, sem dar respostas, para orientálos na solução do problema; e promovendo um momento para os grupos apresentarem a forma como chegaram à solução do problema. A professora dinamizava as atividades de forma que cada aluno do grupo tivesse uma função, de forma que ninguém ficasse excluído da atividade. Dentro dos grupos havia "escrivões" (q(quem escrevia o relatório), "redatores" (aqueles que ditavam para o escrivão o que estava acontecendo na atividade), e "experimentadores" (aqueles que realizavam a atividade experimental). Quando se mudava a atividade as funções dos integrantes dos grupos também mudavam.
## Professora "G":
A professora "G" é formada em Letras -Português, e trabalhava em uma escola da zona urbana. Esta professora sempre conduziu suas aulas questionando os alunos e levando -o -os a pensar sobre as experiências, e a partir de suas respostas prosseguia com as atividades. Após a realização das experiências ela dava início a uma discussão, questionando o que era preciso para a realização das atividades, como tinham conseguido realizá-la e se havia diferença entre a sua forma e a do colega, sempre d dando oportunidade de falarem sobre suas descobertas, dificuldades e conclusões. O espaço dado era sempre muito bem aproveitado, as crianças se manifestavam, concluíam por si só demonstrando crescimento na fala e na escrita. Ao final da socialização do conhecimento, era pedido para elas registrarem o que tinham aprendido, na forma de desenhos; textos; relatórios; e receitas.
Esta professora se mostrou questionadora, buscando com que seus alunos descobrissem sozinhos, trabalhando e não dando respostas. Ela não tinha problemas com trabalhos em grupos, pois os alunos sempre ficavam à vontade durante as aulas. Todas as atividades de Ciências foram aproveitadas para outras disciplinas, como Português, Artes e Matemática. Além disso, ela também utilizou os conhecimentos aprendidos pelas crianças para a realização de uma feira de ciências na escola, onde foram expostos os materiais que os próprios alunos tinham confeccionado. Durante a realização desta feira percebemos que as crianças realmente tinham noção do que explicavam.
## Professora "F":
A professora "F" é formada em Pedagogia, e atuava em uma escola da zona rural. Acompanhamos apenas duas de suas aulas, pois por problemas de saúde ela teve que abandonar o curso. Ela era uma professora de postura tradicional, daquelas de quadro e giz, e seria interessante acompanhá-la para verificar possíveis alterações desta postura.
Durante as aulas filmadas, ela não abriu espaço para debates, trocas de idéias e perguntas dos alunos. A socialização proposta por ela foi mínima e ineficaz, visto que nesta etapa houve apenas uma repetição de sua fala anterior e não uma conclusão dos alunos. Inclusive, ela foi franca ao nos afirmar que não gostava de atividades em grupos, porque os alunos faziam muita bagunça .
## Professora "M":
A professora "M" é formada em Letras-Português e especialista em orientação educacional, e atuava em uma escola da zona urbana. Em suas primeiras aulas, ela tentou desenvolver todas as atividades vistas no curso, mas com o passar do tempo percebeu que nem todas as experiências trabalhadas poderiam ser executadas em sua sala, devido à à duração da aula.
Ela introduzia o conteúdo, citava os objetivos da aula, aplicava os experimentos, fazia debate dos experimentos e dos resultados que os alunos haviam encontrado. Em seguida, pedia que eles fizessem um relato, na forma de desenho ou relatório, do que haviam aprendido. Durante a realização da atividade deixava os alunos manipularem, em grupo, o experimento, intervindo às vezes para ajudá-los a solucionarem os problemas. Nestas aulas, ela adotou uma postura bem criativa, utilizando poemas e textos para ilustrar o conteúdo a ser estudado.
Infelizmente, nas três últimas aulas os objetivos das atividades ficaram comprometidos. Os questionamentos sobre os experimentos eram feitos durante a experiência, a professora introduzia o conteúdo rapidamente, pedia para que os alunos desenhassem o que tinham aprendido com o experimento, que já não era mais tão questionador como antes.
## Professora "N":
A professora "N" é formada em Pedagogia e pós -g-graduada em Psicopedagogia, e exercia a função de coordenadora pedagógica de uma escola da zona rural. Apesar dela ser coordenadora, não teve muitas dificuldades em aplicar as atividades, em uma turma de 5º ano. Contudo, suas aulas eram muito curtas.
Ela sempre iniciava sua aula problematizando uma situação-problema, que era solucionada pelos alunos no decorrer dos experimentos. No término de cada aula solicitava aos alunos que relatassem, em forma de relatório e de desenho, o que tinham aprendido. Além dos experimentos, esta professora levava textos e curiosidades, pesquisados na internet ou em livros, para os alunos. Em algumas aulas ela introduzia o conteúdo, mas não respondia todos os questionamentos que surgiam. Alguns debates não ocorreram, pois, por r ser r coordenadora, às vezes surgia uma emergência que a obrigava a deixar r a turma para resolvê-la.
## Relatos das professoras
Comentaremos, nesta seção, de forma bem sucinta, algumas constatações proporcionadas pelos momentos destinados aos relatos das professoras. Nesta oportunidade as professoras descreviam as atividades desenvolvidas em suas salas de aulas, relatando seus anseios e os pontos positivos e negativos da metodologia adotada. Eram momentos riquíssimos para troca de experiências e motivação para as professoras realizarem as atividades em suas salas de aulas. Além disso, elas apresentaram inúmeras sugestões interessantes e criativas para trabalhar as atividades propostas no curso de forma interdisciplinar. Verificamos também que seus depoimentos eram coerentes com o observado em suas salas de aula, embora algumas delas se mostrassem muito mais entusiasmadas durante o depoimento do que na execução da aula.
Nestas oportunidades, sempre havia uma discussão entre as professorascursistas e os pesquisadores, onde elas expunham as dificuldades enfrentadas e as surpresas em relação aos seus alunos. As professoras afirmaram que seus alunos assistiam a programas educativos exibidos pela TV Cultura e TV Futura, onde conceitos científicos eram abordados de forma alegre, leve e de fácil absorção. Segundo elas, estes programas auxiliavam os alunos no desenvolvimento das atividades de Ciências. Às vezes, quando elas levavam para a sala de aula alguma novidade com o propósito de desafiar os alunos a resolver um problema, elas eram surpreendidas com respostas bem articuladas, que não esperavam obter.
Durante os relatos elas falavam das experiências vividas com seus alunos, da motivação e da curiosidade de cada um deles. Falavam também da cobrança dos alunos em relação ao curso e as novidades que as professoras levariam para eles. Segundo as professoras, seus alunos sempre questionavam quando elas teriam mais aulas e quando levariam mais atividades interessantes para eles.
Estes momentos nos propiciaram também constatar o grau de envolvimento das professoras com o curso. Enquanto algumas professoras se motivaram bastante e aproveitaram para ampliar seus conhecimentos, outras se mostraram desmotivadas, passando a impressão de que estavam ali por obrigação. Não sabemos exatamente como se procedeu a seleção das professoras, realizada pela SME, mas com certeza nem todas estavam ali interessadas na ampliação de seus conhecimentos.
## O curso
Na visão das professoras, o curso atendeu às suas expectativas, pois aprenderam novas metodologias de ensino e ajudou a esclarecer r suas dúvidas em relação aos conteúdos de Ciências. Além disso, algumas delas afirmaram que suas
expectativas foram superadas , pois, por se tratar de Física, achavam que os conteúdos seriam trabalhados de forma cansativa, e que este seria "mais um daqueles cursos monótonos" de que elas estavam acostumadas a participar.
Elas foram unânimes em afirmar que o curso fez com que mudassem a forma de ministrar suas aulas de Ciências, justificando que a aprendizagem dos alunos se tornou mais significativa, e que o entusiasmo deles as motivava a buscar atividades diferentes. O curso as fez perceber que a Ciência pode ser trabalhada de forma prazeros a, relacionando-a com o cotidiano dos alunos. Afirmaram também que a realização das experiências, segundo a metodologia de ensino discutida no curso, fazia com que os alunos expressassem suas idéias prévias, que às vezes opunham-s-se à realidade, e despertava va a curiosidade deles. Além de propiciar o desenvolvimento de uma argumentação mais concisa por parte dos alunos.
As professoras sugeriram para um próximo curso, que: fosse elaborado um material teórico para os cursistas, pois muitas delas não possuem aces so a meios informativos, tais como internet; as atividades fossem iniciadas no começo do ano, para que pudessem aproveitar a seqüência dos conteúdos e o mesmo tivesse uma maior duração; as inscrições f fossem abertas a todos os interessados, de forma que as pessoas se inscrevam motivadas pelo desejo de se aperfeiçoar; os conteúdos relacionados à Biologia fossem também trabalhados .
Um ponto negativo do curso foi a alta taxa de evasão. Das professoras que iniciaram o curso, apenas 16 compareceram à maioria dos encontros. Além disso, somente 12 delas (menos de 50%) desenvolveram as atividades propostas em suas salas de aulas. Isto nos faz concordar com as professoras que sugeriram que em um próximo curso as inscrições sejam abertas a todos os professores, possibilitando assim que somente aqueles que realmente estejam interessados se inscrevam, e não deixando a escolha por conta da SME.
## Conclusão
Durante a realização do curso de formação continuada, constatamos que as professoras não possuíam conhecimentos científicos suficientes para ministrar aulas sobre conhecimentos físicos. Várias delas possuíam concepções alternativas semelhantes àquelas apresentadas por seus alunos, levando-nos a concluir que se faz urgente a reformulação dos cursos de formação inicial e/ou cocontinuada dos professores das séries iniciais, de forma a possibilitar uma melhoria do ensino brasileiro.
Acreditamos que este curso tenha auxiliado as professoras a mudar suas concepções em relação ao ensino de Ciências. Foi possível perceber que as atividades experimentais estimularam os alunos a tomarem uma postura mais questionadora, auxiliando-os na construção da autonomia. Foi notável também o quanto estas atividades contribuíram para uma melhoria das relações sociais, tanto aluno/aluno quanto professor/aluno. Eles aprendem a compartilhar idéias, a aceitar outras idéias, a contraporem àquelas que não concordam . Além disso, observamos que houve uma aproximação e envolvimento daqueles alunos ditos "excluídos" do conhecimento.
Percebemos o quanto estas professoras se sentiram mais bem preparadas para ministrar as aulas de Ciências, e o quanto elas foram capazes de mudar a realidade maçante do sistema educacional, que muitas vezes as obrigam a seguir
metodologias que são ineficazes para o processo de ensino-aprendizagem. Contudo, percebemos também que o acúmulo de atividades, no final do ano letivo, fez com que algumas professoras demonstrassem certo grau de desmotivação na realização das últimas atividades em suas salas de aula. Isto nos leva a pensar qual seria o melhor período e a duração ideal para a realização de um futuro curso.
Durante o acompanhamento das professoras, percebemos que a grande quantidade de atividades desenvolvidas, e o reduzido tempo de uma aula de Ciências , prejudicaram sua aplicação nas salas de aulas das professoras. Algumas etapas da metodologia ficaram comprometidas, pois as professoras estavam preocupadas em realizar todas as atividades aprendidas no curso, prejudicando principalmente a argumentação ão por parte dos alunos .
Acreditamos que a parte mais importante do curso tenha sido aquela destinada aos relatos das professoras. Estes relatos propiciaram algumas discussões que fizeram com que algumas delas repensassem e redirecionassem a forma com que vinham trabalhando as atividades em em suas salas de aula. Pudemos constatar também, nestes momentos, o interesse e a empolgação de algumas professoras, com relação ao curso e aos resultados que vinham conseguindo alcançar em suas salas de aula. Por outro lado, percebemos também a falta de interesse de outras professoras, demonstrando o comodismo em que estavam acostumadas.
Como proposta de um trabalho futuro, pretendemos verificar a repercussão do curso no trabalho diário dessas professoras. Para isto, precisaremos acompanhar o trabalho de algumas delas, com o objetivo de constatar as influências do curso em seu trabalho pedagógico. Desta forma, poderemos verificar se, após o tétérmino do curso, elas continuarão o utilizando a metodologia proposta no curso.
## Referências
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