Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

MÚSICA COMO TEMA PARA O ENSINO DE FÍSICA POR PROJETO

Maria Emilia Faria Seabra, Antônio Marcelo Martins Maciel

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
29/01/2015
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2015

Texto completo

## MÚSICA COMO TEMA PARA O ENSINO DE FÍSICA POR PROJETO

## Maria Emilia Faria Seabra , Antônio Marcelo Martins Maciel 1 2

- 1 Universidade Federal de Lavras/Departamento de Ciências Exatas/me-seabra@hotmail.com
- 2 Universidade Federal de Lavras /Departamento de Ciências Exatas/antoniom@dex.ufla.br

## Resumo

As estruturas curriculares seguidas pela maioria das escolas são organizadas por um conjunto de disciplinas, que por sua vez assumem a responsabilidade de desenvolver conteúdos específicos, caracterizando uma fragmentação desses conteúdos e não a integração dos mesmo. Muitos identificam esta questão como um dos problemas da educação atual. A utilização de uma metodologia diferente da tradicional, conhecida como projeto, orienta a integração dos saberes, possibilitando a alfabetização científica do estudante através de uma aprendizagem significante. Tem-se como característica importante nesse tipo de trabalho, a possibilidade de relacionar os saberes de várias áreas de ensino com a vida cotidiana através de questões instigantes para os alunos, que são ativos no processo. Portanto, este artigo apresenta a descrição de atividades fundamentada na metodologia de uso de Projetos para o ensino de Física, uma das ações do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID), na área de Física, da Universidade Federal de Lavras (UFLA). O tema desenvolvido foi Música e Emoção e teve duração de aproximadamente 4 meses. As atividades com os estudantes da educação básica, entorno de 18 alunos, foram realizadas nas dependências da Escola Estadual Cristiano de Souza (EECS), localizada no município de Lavras. Cinco bolsistas, com a supervisão da professora de Física da escola e um professor orientador da UFLA participaram da implementação desta metodologia, a partir de estudos teóricos e reuniões de planejamento e replanejamento. A proposta permitiu que os conceitos relacionados à ondas, especificamente acústica, fossem aprendidos de forma significativa pelos alunos, sendo considerado por todos os participantes como uma metodologia possível de ser desenvolvida em sala de aula e que favorece a aprendizagem de forma significante.

Palavras-chave : Metodologia por Projeto, Acústica, Ensino de Física.

## Introdução

Tem-se na atualidade que o objetivo da escola, no que se refere à educação básica, é garantir condições para que todos os alunos desenvolvam suas capacidades e aprendam os conteúdos necessários para a vida em sociedade. Deste modo, deve-se promover o exercício da cidadania a partir da compreensão da realidade, para que a escola possa contribuir na formação do aluno cidadão. Os PCNs+(BRASIL, 2002), orientam que devemos considerar a contextualização e a interdisciplinaridade para alcançarmos estes objetivos, sugerindo temas estruturadores como forma de dar significado aos conteúdos específicos de cada disciplina.

Ricardo (2011), ao citar Paulo Freire, destaca que 'educador e educando deverão estabelecer um diálogo, rompendo com práticas tradicionais de ensino, a fim de que a realidade seja percebida e se transforme em objeto de reflexão',

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

promovendo uma educação problematizadora. Aulas que consistem meramente de transmissão de conteúdos são questionadas há muitos anos, nos tempos atuais onde a informação é obtida imediatamente, via internet, faz-se urgente a necessidade da escola ser o local de gerar conhecimento, promover a aprendizagem, levando o aluno a aprender a aprender.

- A organização dos conteúdos programáticos fragmentados dentro das disciplinas e a separação dessas disciplinas por conteúdos específicos apresenta um mundo, na sala de aula, que não representa o mundo vivencial, complexo, no qual o aluno está inserido. Ricardo (2011) apresenta, para o caso particular do ensino de ciências, que esse

…deveria proporcionar aos alunos o acesso a um saber legitimado culturalmente, que consiste em uma forma especializada de representar o mundo por meio de um processo histórico e com a contribuição da vários sujeitos. Assim, um ensino de Ciências totalmente desarticulado do mundo vivencial do aluno acaba gerando a sensação de impossibilidade de interpretar esse mundo. (Ricardo, 2010, p.36)

Diante dos fatos apresentados surge uma questão ao professor consciente de sua prática docente: Como apresentar ao estudante a escola como libertadora, e não limitadora, um local que favorece a aprendizagem, permitindo a leitura do mundo no qual está inserido? Não encontra-se uma única resposta pra essa questão. Mas, ao percebermos que crianças curiosas buscando respostas para tudo que as cercam, felizes por irem à escola e aprenderem coisas novas, ao longo dos anos escolares vão perdendo essa curiosidade e o desejo pelo aprender, devemos nos perguntar se elas não estão tendo respostas às suas perguntas ou se estamos dando respostas à perguntas que elas nunca fizeram. Assim, este artigo apresenta uma metodologia de ensino que vislumbra contemplar a relação dos conteúdos específicos de uma dada disciplina com o mundo vivencial do estudante, onde o novo conhecimento surgirá pela necessidade de respostas na compreensão desse mundo. A metodologia por Projeto dá significado aos conteúdos, possibilita a interdisciplinaridade, sem que professores de outras disciplinas estejam engajados nele, engloba os conhecimentos específicos contidos no planejamento de ensino, favorece o desenvolvimento de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais.

## Objetivos

O principal objetivo desta investigação é verificar o quanto a metodologia aqui descrita favorece o desenvolvimento do aluno reflexivo, crítico e autônomo. Para tanto, utilizaremos o tema 'Música e Emoção' como meio para relacionar conteúdos de Física com o cotidiano do aluno; desenvolver com os alunos o hábito da pesquisa como forma de obter informações necessárias na busca de um dado conhecimento; abordar aspectos interdisciplinares favorecendo a percepção da Física como construção humana. Para licenciandos e professores, além dos objetivos destacados, objetivamos conhecer mais sobre a metodologia, aprender como utilizá-la, verificar sua potencialidade e avaliar a possibilidade de desenvolvêla na sala de aula.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Descrição do trabalho desenvolvido

O trabalho aqui descrito teve início com um grupo de estudo composto por cinco licenciandos do curso de Licenciatura em Física, uma professora supervisora da escola de educação básica e um professor orientador da universidade. Os principais materiais de estudo foram o artigos de Pietrocola (2002) As ilhas de racionalidade e o saber significativo: o ensino de ciências através de projetos e de Pietrocola (2004) Água hoje e sempre: Consumo sustentável . Após os estudos, o grupo selecionou 4 temas/questões com potencialidade para serem desenvolvidos na escola. Foram eles: Viagens espaciais. Seria possíveis realizá-las? Tecnologias para o futuro. O que você espera que aconteça? Qual o nosso lugar no Universo? e Música e emoção . A escolha do tema/questão ficou a cargo dos alunos da educação básico e os mesmos escolheram o último, Música e emoção .

Durante os quatro meses de desenvolvimento do trabalho tivemos em média duas reuniões semanais, cada uma com cerca de 2 horas de duração. Nas reuniões planejamos as atividades, refletimos e avaliamos as atividades desenvolvidas na escola, e replanejamos a partir das reflexões. Todos os encontros geraram relatórios descrevendo o desenvolvimento das atividades, as dificuldades encontradas e as percepções e avaliações de todos os componentes do grupo, tanto a respeito do desenvolvimento da atividade quanto da aprendizagem dos alunos, sempre na perspectiva de uma avaliação reguladora e formativa, respectivamente.

## A seleção de estudantes e a escola

O processo de seleção dos alunos foi bem simples. Visitou-se as salas do nono ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio no dia 11 de março de 2013, apresentamos brevemente as ideias das nossas atividades, ressaltando que o projeto tinha o foco de trabalhar com determinados assuntos que os alunos tinham curiosidades. Esclarecemos que detalhes seriam dados no primeiro encontro. No primeiro dia de atividades cerca de 21 alunos compareceram, a maioria alunos do nono ano. Finalizamos a nossa atividade em julho com 12 alunos que estiveram presentes em todas as atividades.

Todos os encontros aconteceram nas tardes de quarta-feira, com exceção da apresentação da orquestra de Câmara da UFLA. A escola disponibilizou salas de aula, sala de computação e biblioteca, além do pátio para as exposições e apresentações.

## A metodologia por projeto

O conhecimento oriundo das ciências deve estar intimamente relacionado à tecnologia e ao contexto social, além de estar relacionado à outras áreas do conhecimento. Portanto, adotar tal perspectiva implica pensar em metodologias diferentes das tradicionais. Para Pietrocola (2004), uma sugestão de mudança vem através da aplicação de atividades por projeto:

As atividades por projeto têm sido uma estratégia metodológica capaz de tratar em sala de aula situações ligadas ao mundo vivencial dos estudantes. Nesse tipo de atividade não há a fragmentação do objeto de estudo. Ao

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

contrário, a ideia é integrar todos os aspectos da situação estudada em representações que deem conta da sua complexidade. (Pietrocola, 2004, p.01)

Podemos apontar como ponto vantajoso neste processo que:

A relação precisa ser de sujeitos participativos, tomando-se o questionamento reconstrutivo como desafio comum. Sem a intenção de distribuir receitas prontas, que desde logo destruiriam a qualidade propedêutica desta proposta, busca-se orientar estratégias que facilitem a capacidade de educar pela pesquisa. (Demo,1998, p.02 )

## O desenvolvimento das atividades

Para Pietrocola (2004), o foco dessa nova forma de tratar o conhecimento passa a se concentrar na abordagem de situações-problema relacionadas ao cotidiano, podendo ter um caráter utilitarista ou cultural, problemas estes que não tem respostas através do senso comum, onde haverá a comunicação entre os saberes e a existência da interdisciplinaridade. No desenvolvimento do projeto surgirão questões específicas, que possuem potencialidade de serem estudadas. Tais questões recebem o nome de caixas-pretas e cabe ao mediador do projeto, no caso o professor, orientar se as mesmas serão abertas ou não. Ao se adotar o cotidiano como ponto de partida retira do professor ou do livro didático o papel de referência exclusiva na aprendizagem dos estudantes, que terão que recorrer a outras fontes de conhecimento, como jornais, documentos oficiais, consulta a especialistas e ao saber popular. A metodologia utilizada por Pietrocola foi inspirada na ideia original de Gerad Fourez e colaboradores (FOUREZ et al, 1993, apud PIETROCOLA, 2002, p. 09) e é apresentada em oito etapas.

Como os alunos optaram por um tema, o grupo seguiu as orientações propostas no artigo, mas com pequenas adaptações. A seguir descrevemos as atividades por etapas.

Etapa 0 -Definição da situação-problema: Sugerimos 3 questões e 1 tema (apresentadas anteriormente). Fizemos uma breve apresentação sobre cada um e as respectivas áreas de pesquisas que poderiam ser desenvolvidas, o mais votado foi o tema: música e emoção. Todas as etapas seguintes iriam buscar entender e responder questões relacionadas ao tema.

Etapa 1 - Sondagem Inicial: Foi uma atividade de 'problematização'. Não tínhamos um problema e sim um tema, então optamos por solicitar que os alunos escrevessem em um papel 5 perguntas relacionadas ao tema e se eles percebiam a relação da Física com o tema escolhido. O uso de perguntas indicariam a necessidade de busca de respostas.

Etapa 2 - Panorama de investigação: Na reunião do grupo, lemos e separamos todas as perguntas, classificando-as em três grupos, que identificamos como temas de estudo e pesquisa. Para que os temas não parecessem desconectados, um texto foi construído a partir das questões apresentadas pelos estudantes, mostrando em um primeiro momento a conexão entre eles. Os alunos foram divididos de acordo com os respectivos interesses nos seguintes grupos: Grupo 1: Estilos Musicais;

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Grupo 2: Ritmos; Grupo 3: História da música

Etapa 3 - Consulta aos especialistas e às especialidades: a definição dos grupos orientou na identificação da listagem dos atores, locais para o desenvolvimento da pesquisa, uma primeira listagem de caixas-pretas ligadas à situação, organização conceitual do problema, lista de especialidades pertinentes e os especialistas. Os licenciandos e professora supervisora se colocaram como especialista dos conhecimentos específicos de física e para aprofundamento dos demais conhecimentos foi estimulado o processo de pesquisa na internet.

Etapa 4 - Indo à prática: é uma etapa de aprofundamento, definido pelo projeto e pela equipe, na qual ocorre o confronto entre o estudo teórico e as situações concretas. Buscou-se atingir o conhecimento por meio de pesquisas. O objetivo era fazer com que os estudantes percebessem que estavam de certa forma no comando da atividade. No processo explicamos como fazer uma pesquisa, redigir um texto e referenciá-lo. No início muitos alunos apresentavam dificuldades em usar o computador para pesquisa, apesar de usarem as redes sociais, poucos sabiam utilizar a internet como fonte de informação. Ao término das pesquisas realizadas os grupos apresentavam os conhecimentos adquiridos, cartazes foram a principal forma de apresentação dos seus resultados. A dinâmica dos encontros era alternada entre atividades de caráter mais teóricos, como as atividades de pesquisa e de estudos e outras mais práticos, como a construção de instrumentos e a participação em jogos de conhecimentos musicais.

Etapa 5 -Investigação disciplinar: esse é o momento para se tratar de conteúdos específicos das disciplinas. É a etapa caracterizada pelo estudo aprofundado de um determinado assunto, que acontece coma orientação do professor especialista, abrese as caixas-pretas. Os próprios bolsistas através de aulas expositivas e experimentais abriram as caixas-pretas sobre os temas, sempre buscando a relação do conteúdo com as pesquisas realizadas mantendo os alunos ativos no processo.

Etapa 6 -Organizando os conhecimentos obtidos: essa etapa consistiu na elaboração de uma síntese das informações e estudos realizados, portanto o texto apresentado nas primeiras atividades ganha uma nova versão com as respostas às perguntas que os próprios estudantes buscaram ao longo do projeto em conjunto com os conhecimentos específicos de Física, desenvolvidos pela abertura das 'caixas-pretas'. Para exemplificar os conhecimentos adquiridos com respeito a instrumentos de sopro e instrumentos de corda, uma flauta de pan e uma cítara

<!-- image -->

(figura 01) foram confeccionados.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Etapa 7 -Elaboração do produto solicitado: Utilizando o pátio da escola, os estudantes participantes do projeto realizaram uma exposição, para toda a escola, utilizando novos cartazes, que juntaram-se aos anteriores, os instrumentos confeccionados e de uma paródia, criada pelos estudantes por iniciativa própria, que encontra-se abaixo.

## NOSSA MELODIA

Prepara, que agora é hora, do PIBID na escola, que agita e ensina a música na Física.

Vamos no PIBID / aprender a Física / toda quarta-feira / a tarde inteira. /Aulas e aulas / de música e emoção / período e frequência / em nossa canção / Então o meio vibra / dissipando o som / E a onda caminha, devido a energia, / e isso a gente não sabia / Ritmo, compasso, harmonia, melodia, melodia, / melodia, isso o que é. / Ritmo, compasso, harmonia, melodia, melodia, melodia, a música. / Ritmo, compasso, harmonia, melodia, melodia / melodia, isso o que é. / Ritmo, compasso, harmonia, melodia, melodia, melodia, a música. / Agora nós já sabemos que existe a onda mecânica, / e ela precisa de um meio para se propagar / diferente da onda eletromagnética. / Mas e o som, que onda é?

Com o envolvimento dos alunos, os licenciandos foram além do desenvolvimento das etapas sugeridas, organizando a apresentação da Orquestra de Câmara da UFLA na escola, sendo o convite feito a toda a comunidade local. O maestro além da regência, apresentou os diversos instrumentos que compõe a orquestra, falando sobre a afinação dos mesmos e mencionando conceitos físicos que já eram de conhecimento dos alunos, sendo uma apresentação bastante interativa, onde alunos foram convidados a reger a orquestra. No evento os estudantes também fizeram a apresentação da paródia. A figura 02 apresenta a imagem da exibição da orquestra e do filme um som do coração, atividade de encerramento.

Figura 01 : Flauta de Pan e cítara

<!-- image -->

<!-- image -->

tra

de Câmara da UFLA e do filme: O som do coração nas dependências da Escola Estadual Cristiano de Souza.

Após seguir o desenvolvimento das etapas, tem-se que:

O sucesso da atividade do projeto reside, principalmente, na boa definição dos seus contornos. Para isso, sugerimos que o professor tenha claro qual a situação-problema a ser proposta ao grupo de estudantes, o contexto no

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

qual ela se insere, e o produto que deve ser produzido a partir dela. (Pietrocola, 2004, p.03)

Cabe ressaltar que as etapas apresentadas, como destacado por Pietrocola (2002) não possuem um caráter de receita a ser seguida, são orientações para o desenvolvimento da atividade, visto que imprevistos podem acontecer e os mesmos não são considerados nas etapas apresentadas. Portanto, caberá ao mediador (professor) administrá-los.

## Resultados e Considerações Finais

No desenvolvimento das atividades, por cerca de 4 meses, buscamos sempre ter em mente que a educação não se esgotava na aprendizagem cognitiva e instrumental, mas envolvia as aprendizagens atitudinais, envolvendo os contextos sociais e culturais. Identificamos os quatro pilares da educação sendo desenvolvidos: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a viver em conjunto (BRASIL,2002). Avaliamos que caminhamos nessa direção, dando condição ao aluno de uma formação ampla. Quanto às conclusões sobre o uso da metodologia de projetos, identificamos no trabalho de Portes (2010), um trecho que traduz nossas percepções.

Um projeto situa-se como uma proposta de intervenção pedagógica que dá à atividade de aprender um sentido novo, no qual as necessidades de aprendizagem afloram na tentativa de se resolver situações problemáticas (...) favorece a construção da autonomia e da autodisciplina por meio de situações criadas em sala de aula para a reflexão, discussão, tomada de decisão (...) implementação do aluno em seu compromisso com o social, tornando-o sujeito do seu próprio conhecimento. (Portes, 2010, p.02)

Para nós pesquisadores, o desenvolvimento da atividade foi um grande aprendizado, fundamental na formação inicial docente e na formação contínua. Verificamos que é possível desenvolver uma atividade interdisciplinar sem que outros atores precisem se comprometer com a mesma. Reconhecemos que a atividade teve um longo período de execução, mas salientamos que todas as atividades foram desenvolvidas apenas no espaço escolar, sem atividades extras, com diversas atividades de integração e de orientação, como ensinar a fazer pesquisa, identificar a confiabilidade das fontes e citar referências. Portanto, avaliamos que a metodologia aqui apresentada é perfeitamente possível de ser desenvolvida na sala de aula, cumprindo com o compromisso de abordar os conteúdos presentes nas diversas orientações de ensino.

Conceitos como gênero musical, estilo musical, ritmo, melodia, compasso, harmônia, acorde foram desenvolvidos em conjunto com os conceitos de som, onda mecânica, propagação do som, comprimento de onda, velocidade do som, frequência, período, altura do som, timbre, harmônicos, ressonância, entre outros, além do conhecimento dos instrumentos musicais. Verifica-se a potencialidade nesse tipo de trabalho, que possibilita relacionar saberes de várias áreas de ensino e também dos conhecimentos da vida cotidiana. A maior dificuldade, é o fato do projeto desenvolver-se pelas situações que vão surgindo ao decorrer do mesmo, necessitando replanejar as atividades constantemente, mas essa dificuldade é

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

gratificante, pois decorre da curiosidade e da participação ativa dos estudantes. O replanejamento é o caminho para o sucesso das atividades, o professor deve ter conhecimento necessário para conduzir a atividade, tanto na orientação da busca de especialistas, quanto na abertura das 'caixas-pretas' específicas de sua disciplina.

- O Projeto realizado com os alunos da EECS foi muito importante para proporcionar maturidade e autonomia na realização de uma pesquisa, no trabalho em grupo, na criatividade e na capacidade de avaliação e seleção de materiais de consulta. Na percepção da professora supervisora, os alunos participantes do projeto tornaram-se mais participativos e curiosos nas aulas, destacando como eles passaram a buscar conexões entre as aulas e seu mundo vivencial. Essa postura não está associada a um conhecimento específico, visto que o projeto envolveu alunos do nono ano do ensino fundamental e de todas as séries do ensino médio.

Por fim, queremos salientar a satisfação de poder proporcionar aos estudante e comunidade o contato com a Orquestra de Câmara da UFLA, merecedora de nossos sinceros agradecimento pelo envolvimento e o encantamento causado nos ouvintes.

## Agradecimentos

Os autores agradecem a CAPES pelo apoio financeiro na aquisição de materiais e pelas bolsas de iniciação à docência e coordenação de área.

## Referências

BRASIL. PCN+ ENSINO MÉDIO: Orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais, Ministério da Educação/ Secretaria da Educação Média e Tecnológica, 2002.

DEMO, Pedro. Educar pela pesquisa . Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1998.

FOUREZ, G., MATHY, P., ENGLEBERT-LECOMTE, V. Un modèle pour un travail interdisciplinaire. Aster , v.17, p.119-140. 1993.

PIETROCOLA, Maurício. Metodologia de trabalhos por projetos , versão preliminar do texto presente na Obra: Água hoje e sempre: Consumo sustentável. São Paulo: Secretaria de Educação, 2004. Disponível em

&lt;http://moodle.stoa.usp.br/mod/resource/view.php?id=43654&gt; Acesso em: 24 jun. 2014.

PIETROCOLA, Maurício et al. As ilhas de racionalidade e o saber significativo: o ensino de ciências através de projetos. Ensaio - Pesquisa em Educação e Ciência , Belo Horizonte, v. 2, n. 1, p. 01-18, março. 2002.

PORTES, Kátia Aparecida Campos. A organização do currículo por projetos de trabalho . Juiz de Fora: UFJF, 2010. Disponível em: &lt;http://www.ufjf.br/virtu/files/2010/04/artigo-2a3.pdf&gt; Acesso em: 24 jun.2014.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

RICARDO, Elio Carlos. Problematização e contextualização no ensino de Física . In: CARVALHO, Anna Maria Pessoa (Org). Coleção Ideias em Ação - Ensino de Física . São Paulo: Cengage Learning, 2010, p 28-47.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.