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A AULA DIÁLOGO COMO ESTRATÉGIA PARA INTEGRAR ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENSINO MÉDIO

Maria Da Glória Fernandes Do Nascimento Albino, Amadeu Albino Júnior, Magnólia Fernandes Florêncio Araújo

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XI
Ano
2008
Data
24/10/2008
Linha de pesquisa
Formação E Prática Profissional De Professores De Física
Tipo
Pôster

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Texto completo

## A AULA DIÁLOGO COMO ESTRATÉGIA PARA INTEGRAR ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENSINO MÉDIO

## THE DIALOGUE CLASS AS A STRATEGY TO INTEGRATE THE HIGH SCHOOL KNOWLEDGE AREAS DEPARTING

Maria da Glória Fernandes do Nascimento Albino 1 , M Magnólia Fernandes Florêncio Araújo 2 , Amadeu Albino Júnior3 r3

1UFRN/Programa de Pós -Graduação em Ensino de Ciências Naturais e Matemática gloriaalbino@gmail.com

2UFRN/Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências Naturais e MaMatemática, a, mag@cb.ufrn.br 3CEFET/RN/ Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte, amadeu@cefetrn.br

## ReResumo

Este trabalho apresenta uma experiência realizada com professores do Ensino Médio de uma instituição particular r na cidade do Natal no Rio Grande do Norte . O objetivo foi promover aulas -d-diálogo interdisciplinares como parte de sua formação continuada. A metodologia foi estabelecida de acordo com os princípios da abordagem qualitativa da pesquisa-ação e c consistiu de cinco etapas: a primeira foi a aplicação de questionário para saber que conceitos de interdisciplinaridade os professores conheciam e se existia alguma relação entre esses e a integraração de conteúdos com a aula diálogo; A A segunda, , realização de aula de campo no no Rio Potengi (Natal/RN) ) e a socialização do que poderia ser abordado o nas três áreas do currículo; A A terceira , reuniões para a elaboração da aula diálogo, envolvendo as disciplinas: Física, Biologia, Químic a, Geografia, História e Literatura; A quarta consistiu em ministrar a aula, estabelecendo relações com os conteúdos científicos e pedagógicos; ; A quinta foi buscar os limites e possibilidades encontradas ao adotar essa prática. Todos os dados foram coletados de maneira dialógica.

Palavras – chaves: aula diálogo, interdisciplinaridade .

## AbAbstract

This paper presents experience whit high school teachers of a private institution in the city of Natal in Rio Grande do Norte. , which aim is to promote dialogue classes integrating the knowledge areas as a part of developing formation of its professionals in teaching practices. The methodology was established in accordance with the principles of qualitative approach of search-h-and action consisted of a survey conducteted in order to check to see what the teachers knew about the interdisciplinarity concepts and whit the dialogue class. That was the first stage of the program. On the second stage, we carried out a field class on which we covered the Potengi River area, in Natal/RN to know the contents that coul be broached in all areas of the e curriculum. On On the third stage, we gathered to work out the dialogue class, involving Physics, Biology, Chemistry, Geography, history and Literature. The fourth stage consisted of administering the class to esestablish the connections between the scientific and pedagogical contents. The fifth stage placed the pursuit of the boundaries and possibilities found by the teachers in approaching this practice . The data of this research, acquired so far, were collected in dialogical foformat meetings.

Keywords: : dialogue classe , interdisciplinarity. y.

## Introdução

O conhecimento é considerado um instrumento de preparação ão - adaptação -- dos indivíduos à sociedade e, além disso, pode ser mediador da relação dos indivíduos com o mundo o (Tozoni-Reis, 2004). O O sujeito pode, pela apropriação do conhecimento, desenvolver-r-se plenamente como ser r reflexivo, crítico e e autônomo. Para que seja possível esse desenvolvimento é preciso que os professores segundo Santomé (1998) ) tenham uma prática mais flexível, em relação ao currículo , e voltada à interdisciplinaridade, uma vez que esta aparece como uma possibilidade de superação e ainda pode dar uma perspectiva de totalidade, imprescindível quando se tem como tema o ambiente.

Segundo Etges (apud Jantsch & Blanchetti, 1995), a interdisciplinaridade é o princípio da máxima exploração das potencialidades de cada Ciência, da compreensão dos seus limites, mas acima de tudo, é o princípio da diversidade e da criatividade. As sim, a participação dos sujeitos (professores) ocorreria de modo a construir e reconstruir uma prática educativa baseada no diálogo entre os diferentes. Nesse processo de construção e reconstrução, os sujeitos criam e descobrem significações, elaboram conceitos e idéias; são capazes de se conhecerem no ato do conhecimento, ou seja, são capazes de reflexão.

A idéia de interdisciplinaridade pode também indicar a importância de uma dialogicidade entre diferentes disciplinas hierarquicamente iguais (todas têm a mesma importância na construção dos saberes do aluno). ). Cascino (1999) apud Tozoni -Reis (2(2004) trata a interdisciplinaridade como exigência teórico-política na educação ambiental por ser pautada pelo respeito à diversidade. Fica, então, claro que os educucadores (especialistas) devem ter como pressuposto de sua práxis o diálogo, não só com áreas (ou disciplinas) diversas, mas também com os alunos. Esse diálogo pode permitir a tomada de consciência e a aproximação do sujeito à situação-problema, o que pode interferir em uma transformação da consciência ingênua em crítica, caso o sujeito passe a se sentir em uma situação-limite (Freire , 2005) .

O diálogo de vários especialistas pode provocar uma mudança de atitude em relação às às suas práticas educativas, pois os desloca do lugar de destaque onde , segundo a Análise de Discurso francesa, o discurso pedagógico os coloca. Isso faz de seus conhecimentos específicos apenas uma possibilidade dentre os outros conhecimentos acadêmicos e cotidianos que estão, ou deveriam estar, r, sendo usados como ferramentas para a construção de sujeitos sociais críticos, que são capazes de se incluírírem no contexto sócio-ambiental e se verem como transformadores da realidade, sendo assim sujeitos autônomos. Além disso, pode permitir a ocorrência da emancipação dos sujeitos envolvidos (professores) no momento em que , enquanto dialogam sobre o tema ambiente, ocorre uma abertura ou ampliação em relação aos outros conhecimentos, até mesmo os não formais, evitando assim que ocorra uma limitação de seus saberes dentro de sua disciplina ou área. Na interdisciplinaridade, proposta pela prática das aulas diálogo, os participantes são igualmente sujeitos e atores, uma vez que contribuem em alguns momentos e em outros atuam como modificadores das decisisões e das relações de domínio no grupo de estudo.

Essa a participação na elaboração da prática educativa interdisciplinar possibilita aos sujeitos ganhos do ponto de vista pessoal e coletivo, uma vez que eles atuam e sofrem a atuação de outros atores para a construção de um novo conhecimento que será usado na formação de profissionais capazes de se incluírem no contexto sócio -cultural e se verem como transformadores da realidade.

Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é promover um espaço em exercício na escola, onde os professores possam promover aulas -d-diálogo integrando as áreas de conhecimento que constituem o Ensino Médio. Neste trabalho a aula diálogo é compreendida como o uma experiência dialógica entre profissionais especialistas cuja interação permrmite uma ampliação de seus saberes . Esta é gerada pelas várias reuniões de estudos com o objetivo preparar as aulas de maneira coletiva , o que provoca troca de conhecimentos e experiências e, assim, uma melhoria em sua organização o pedagógica .

## A interdisciplinaridade e a aula diálogo: o que têm em comum

Segundo Fazenda (2005), a interdisciplinaridade é um encontro entre pessoas para desenvolver um determinado fazer. É uma troca de idéias e de experiências que surge a partir do querer se envolver. . Tomando como base esse conceito de interdisciplinaridade, percebemos que ele se coaduna com a aula diálogo, uma vez que esta permite um diálogo do professor com sua prática pedagógica e com os demais profissionais docentes, os quais se reúnem para trocar idéias e e experiências e elaborar estratégias viáveis que possam auxiliá-los na prática em sala de aula.

A interdisciplinaridade e a aula diálogo , permitem a necessidade de um espaço de relações pedagógicas como ambiente de cooperação, ampliação, produção, humildade, realização, reflexão e autonomia. Isso porque os professores trocam idéias, dialogam de forma a contribuir com os demais colegas dando sugestões, criticando positivamente e refletindo sobre o que pode ser melhorado em sua prática de sala de aula. Há um refletir "antes", "durante" e "depois" de sua prática escolar.

Nesse sentido, percebe-se que esse agir pedagógico do professor que assume essa prática como estratégia para auxiliar no processo de ensino aprendizagem dos alunos, deve revelar um profissional competente nos domínios teóricos e práticos de sua disciplina; que reflete sempre sobre a necessidade de ultrapassar ou superar as fronteiras disciplinares, para então ter segurança ao dialogar com as outras áreas de conhecimento. Deve também ser capaz de se apropriar de e avanços e inovações pedagógicas, buscando estabelecer relação entre os conhecimentos pedagógicos e científicos , alalém de desenvolver a capacidade de elaborar projetos interdisciplinares, a partir de situações -problema, com temas ou tarefafas que garantam a articulação das contribuições oriundas das diversas disciplinas.

## Sujeitos da pesquisa

A pesquisa foi realizada com 38 professores dos os 13 componentes curriculares (Biologia, Física, Química e Matemática - - da área das Ciências da Natureza , Matemática e suas tecnologias; Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Língua Espanhola e Artes - - da área de Códigos, Linguagens e suas tecnologias; História,

Geografia, Filosofia, Sociologia e Introdução à Economia - da área de Ciências Humanas e suas tecnologias) que compõem o currículo do Ensino Médio de uma escola da iniciativa privada da Cidade do Natal/RN . Todos os professores participantes são graduados em sua área de atuação, alguns possuem Mestrado e a maioria possui, pelo menos, um curso de e especialização.

## Contexto da pesquisa

A pesquisa foi realizada durante as reuniões pedagógicas que ocorrem 3 vezes por mês sempre às às quartas -feiras . Estas reuniões possuem 3 horas de duração divididas, geralmente, em dois tempos: : o primeiro com os professores da área ou do componente curricular - - de acordo com a necessidade, para planejamento e/ou estudos; e o segundo para os avisos da coordenação. A utilização desse primeiro momento das reuniões para estudos relativos à interdisciplinaridade e planejamento das aulas-diálogo tendo como tema o Meio Ambiente, proporcionou, com o tempo, a criação de e um espaço para a formação continuada dos professores.

## Procedimentos metodológicos

A metodologia foi estabelecida de acordo com os princípios da abordagem qualitativa da pesquisa-a-ação que segundo Thiollent (apud Gil, 2007) é concebida e realizada em estreita associação com uma ação e, na qual, os pesquisadores e participantes estão envolvidos de modo cooperativo. Demo (2005) identifica na pesquisa-açao uma diferença na relação que se estabelece entre o pesquisador e o pesquisado, ele afirma que esta não se dá como mera observação do primeiro pelo segundo, como acontece nas Ciências Naturais, mas ambos acabam por se identificar. André Morin aponta a implicação de todos que estão envolvidos no processo da pesquisa, como fator preponderante para que se realize a pesquisa-aação e compreende a mudança pela transformação recíproca da ação e do discurso, de um modo consciente por meio da reflexão. O mesmo autor complementa dizendo que cada um quer aumentar seu saber prático, aquele saber cotidiano, a fim de sempre aperfeiçoar seus atos profissionais e torna-s-se um profissional que reflete a sua própria ação (MORIN, 2004, p.23).

Todo o processo foi dividido em cinco etapas.

Na primeira etapa, O instrumento de pesquisa utilizado foi o questionário. A técnica de coleta de dados foi dividida em duas partes: A primeira tinha como objetivo caracterizar melhor os sujeitos quanto à sua formação profissional, verificando sua titulação, experiência na área, que disciplina leciona, em que tipo de instituição leciona e carga horária semanal.. A segunda era composta por duas questões abertas, o que segundo Triviños (2007) é determinante para uma pesquisa qualitativa . As questões tinham como objetivo averiguar as concepções necessárias à análise do problema de pesquisa, ou seja, saber o que os professores conheciam como interdisciplinaridade e como era possível desenvolver atividades com integração de conteúdos das áreas de conhecimento do Ensino o Médio. Em seguida , propôs-s-se a realização de uma reunião com o objetivo de convidar os professores para uma aula de campo percorrendo o Rio Potengi, ecossistema situado na cidade do Natal/ RN, com sérios problemas de impacto ambiental.

## Quadro 01: questionário aberto sobre interdisciplinaridade aplicado com os professores

Prezados professores, este instrumento faz parte de uma pesquisa sobre as

concepções relativas a interdisciplinaridade. Sua participação é de grande interesse, uma vez que pretendemos estudar e aplicar esse modelo de

aprendizagem no ensino médio. Agradecemos a sua colaboração.

Dados Gerais

Disciplina que leciona: \_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Tempo que atua como professor(a): \_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Formação acadêmica: \_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Atua em escola pública ou particular? \_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Qual a sua carga horária? \_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Série que leciona: \_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

- 1. Escreva os conceitos de multidisciplinaridade e interdisciplinaridade.
- 2. Quais características de um professor interdisciplinar?

Na segunda etapa realizou-s-se uma aula de campo, na qual os professores puderam elencar r quais conteúdos de sua área curricular poderiam ser integrados ao projeto. PoPosteriormente, discutiu-se, em equipe , por área de conhecimento , e por fim, num grande grupo, de modo a permitir a a socialização dos assuntos que seriam selecionados para as aulas .

A terceira etapa do trabalho cononsistiu em reunir as equipes de Física, Biologia, Química, Geografia, História e Literatura para a elaboração da aula diálogo. Na preparação dessa aula, nesse percurso, os professores das diversas áreas iriam socializando seus conhecimentos de maneira dialogada. Previu-s-se que os professores espectadores interfeririam na aula a qualquer momento, durante a sua execução, contribuindo para o seu desenvolvimento. Assim, haveria uma caracterização da aula como sendo dialógica.

A quarta etapa da pesquisa consistiu na apresentação da concepção da aula diálogo para toda a equipe do Ensino Médio da escola, incluindo professores, coordenadores e diretora pedagógica .

A quinta etapa consistiu em uma reunião com os professores responsáveis pelo projeto, para se identificar quais as possibilidades e limites encontrados nessa estratégia de ensino para que posteriormente se realizar a aulas-diálogo com os alunos do Ensino Médio.

## ReResultados e discussão

## PrPrimeira etapa: investigação inicial

As respostas encontradas no questionário mostraram que o tempo de atuação como professor não influencia na descrição dos conceitos de

interdisciplinaridade e multidisciplinaridade. Dentre os entrevistados, 43,3% dos professores da instituição estudada também lecionam em escolas públicas e possuem em média 40 aulas semanais . Em relação à formação , a quase totalidade possui, pelo menos , uma pós graduação e somente um professor ainda está na graduação.

A multidisciplinaridade foi descrita pela maioria como uma prática pedagógica, um projojeto, em que várias disciplinas podem atuar cada uma dentro de sua especificidade.

A interdisciplinaridade foi descrita também dessa maneira por muitos, alguns a conceituaram como um encontro de vários conhecimentos em um mesmo tema a e outros a descreveram como a associação de uma matéria com outra afim.

Quanto à segunda pergunta , que pede as características de um professor interdisciplinar, as respostas foram todas relacionadas com o estudo e a preparação cuidadosa das aulas.

## Segunda etapa: a aula de c campo

Dentro da proposta de interdisciplinaridade dialogada tendo como base o conceito de diálogo de Paulo Freire, o ambiente Rio Potengi, que banha a cidade do Natal (RN) , foi escolhido pelos professores como o primeiro tema para as aulasdiálogo.

Todos os professores e a equipe pedagógica fizeram um passeio no barco escola " chama -maré " pelo Rio Potengi onde puderam observar, anotar e fotografar pontos importantes que poderiam ser abordados posteriormente nas as aulas. Durante todo o percurso os monitores s do barco foram discorrendo sobre aspectos históricos e ambientais relacionados ao rio e à cidade do Natal.

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Figura 1: passeio pelo Rio Potengi para a preparação da aula

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## TeTerceira etapa: preparação da aula (reuniões para estudo)

Nas 04 reuniões feitas para estudo e preparação da aula surgiram várias idéias e todas elas eram discutidas entre os professores que iam, a cada encontro, melhorando suas interações relativas ao tema.

Optou-se por iniciar a partir do Universo até se chegar à Terra e, finalmente , ao tema gerador (Rio Potengi). Planejou-s-se fazer uma discussão inicial sobre ordens de grandeza (sistema solar, planetas, etc) até que chegasse aos limites do planeta Terra. A partir de então, o site do "Google earth" ( fig.2) seria usado como instrumento de localização espacial até que se chegasse ao Rio Potengi, quando os professores começariam o diálogo sobre o rio e sua importância como ambiente natural e social.

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Figura 2 Quarta etapa: a aula propriamente dita

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A aula aconteceu durante a reunião semanal do Ensino Médio (quarta-feira -com duração prevista para 90 min.), participaram 44 indivíduos, entre professores das três áreas -Códigos Linguagens e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias e Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias -coordenadores, , auxiliar de coordenação e direção pedagógica. A aula (começou) foi iniciada a com as as projeções de slides de algumas estrelas, fora de nossa galáxia - a intenção era mostrar aos alunos que nossa estrela - o Sol - pode ser considerarada pequena se comparada a outras. Depois, dentro de nosso sistema, fizemos a comparação da Terra com os outros Planetas. E quando nos detivemos na Terra, passamos a utilizar o "Google EaEarth" com a bússola, chegamos à Região NoNordeste do Brasil situando o Natatal/RN e finalmente, o Rio Potengi - o ececossistema que nos interessava.

No Rio Potengi, os professores que estavam participando diretamente da aula -- os que a planejaram, começaram a abordar a importância histórica, social, econômica e ambiental desse ecoss istema. Foi ressaltada a importância da Fortaleza dos Reis para a defesa da costa pelos poportugueses e da Criação da Cidade do Natal; a a Capitania Hereditária; a invasão dos holandeses e o massacre ocorrido em Cunhau e Uruaçu; a importância do curso do rio no transporte de carga e a construção da ponte ligando a zona norte à zona sul de Natal. Foi focalizada a problemática ambiental causada pela utilização das margens para a construção de favelas e do lançamento de esgoto "in natura" nas águas.

Abordaram -s -se nesse ponto , também , os problemas de saúde e educação básica das populações que vivem às às margens do rio. O momento viabilizou intenso diálogo entre os professores, justificando um tempo maior que previsto para a ocorrência da aula que foi estendida para 130 0 min.

Figura 3: a aula diálogo

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Quinta etapa: reunião para determinar possibilidades e limites da aula diálogo como estratégia para a prática docente

Em reunião realizada durante o encontro pedagógico semanal do Ensino Médio, os professores participantes colocaram como perspectiva, o fato de que, adotar r essa estratégia como prática docente, , permite ao educador saber as necessidades de estar constantemente buscando informações, viabilizando , dessa forma , a reflexão, a criticidade e a autonomia; permitindo assim ao professor uma formação continuada em espaço não formal. Ela possibilita um melhor aproveitamento do tempo para trabalhar os conteúdos pelalas diferentes áreas do conhecimento , o que é corroborado pela experiência de Caldeira e Augusto (2005). Para esses autores, o planejamento conjunto evita a repetição dos conteúdos pelas diferentes disciplinas, o que compensaria o fato de algumas disciplinas possuírem poucas aulas semanais para cumprirem extensos conteúdos . Os professores perceberam, ainda, que essa prática possibilita a contextualização dos conteúdos s de sua disciplina específica, permitindo r relacioná-los à às demais d disciplinas.

Como exigiu reuniões constantes para a elaboração das atividades, também se percebeu que essa estratégia permitiu uma constante articulação entre os conteúdos de aprendizagem (conceituais, procedimentais e e atitudinais) , uma vez que o professor necessitou ter o domínio dos conceitos e procedimentos de sua área de conhecimento , requererendo o rigor em sua realização, bem como o o cumprimento de horários e respeito pelas idéias e experiências dos colegas.

Com relação aos limites dessa prática, foi observada , pelos professores , a falta de mais tempo para planejar e ganhar fundamentação teórica em relação aos conteúdos específicos os e os interdisciplinares, de maneira transversal . Também foi citado como obstáculo, a falta de conhecimento desse modelo de aprendizagem, uma vez que esses professores relataram não terem sido o preparados pela instituição formadora para trabalhar de maneira ra interdisciplinar e com conteúdos transversais. É prática comum nas instituições formadoras a supervalorização dos conhecimentos científicos , em detrimento dos conhecimentos pedagógicos. Os professores relataram que há que se ter cuidado para que não haja uma super citação de conteúdos em tempo curto, pois isso pode levar à superficialidade .

## Considerações finais

Ao se apropriar da aula diálogo interdisciplinar como estratégia para auxiliar no processo de ensino e aprendizagem dos alunos, o professor é capaz de planejar em conjunto, um currículo que explora elos e possibilidades de trocas e diálogos entre os professores e disciplinas.

Por meio do currículo, ele exerce uma interação com as demais áreas do conhecimento escolar, além de recorrer a difeferentes fontes de saberes e experiências .

A participação na elaboração dessa prática educativa possibilitou aos sujeitos ganhos do ponto de vista pessoal e coletivo, uma vez que eles atuaram e sofreram a atuação de outrtros atores para a formação de novos conhecimentos que serão usados para a formação de profissionais capazes de se incluírem no contexto sóciocultural e se verem como indivíduos transformadores da realidade.

Nesse contexto, os resultados até agora obtidos foram bastante relevantes uma vez que esta prática educativa despertou nos professores de todas as áreas envolvidas uma curiosidade em relação à realização de outras práticas interdisciplinares e provocou a ocorrência de outras aulas diálogo para os alunos da segunda série do Ensino Médio envolvendo professores que não haviam participado anteriormente.

## ReReferências

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FAZENDA, Ivani (org). Práticas Interdisciplinares na na Escola. 10º ed. São Paulo: Cortez. 2005.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2005.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas da pesquisa social. 5ª ed - - São Paulo, Atlas, 2007

JANTSCH, Ari Paulo &amp; BIANCHETTI, Lucídio . Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito. Petrópolis, RJ; Vozes, 1995.

LAVILLE, Christian &amp; Dionne Jean. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed, 1999

LEFF, Enrique. Epistemologia ambientatal; 2 ed. - São Paulo : Cortez, 2002.

TOZONI -REIS, Marilha Freitas De CamPOS - - Educação ambiental: natureza, razão e história -Campinas, SP: Autores Associados, 2004. (coleção educação contemporânea)

MORIN, A. Pesquisa-a-ação integral e sistêmica: uma antroropedagogia renovada. Trad. Michel Thiollent. Rio de Janeiro: DP&amp;A, 2004.

TRIVIÑOS, Augusto N. Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais. 1ed - - São Paulo: Atlas, 2007

SANTOMÉ, Jurjo Torres. Globalização e Interdisciplinaridade: o currículo integrado . 1998.

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