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OFICINAS PEDAGÓGICAS: A EDUCAÇÃO NÃO FORMAL DENTRO DE UMA ESCOLA PÚBLICA

Pedro Zille Teixeira Nasser, Glória Regina Pessôa Campello Queiroz, Douglas Falcão

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## OFICINAS PEDAGÓGICAS: A EDUCAÇÃO NÃO FORMAL DENTRO DE UMA ESCOLA PÚBLICA

## Pedro Zille Teixeira Nasser , Glória Regina Pessôa Campello Queiroz , Douglas 1 2 Falcão 3

- 1 Colégio Estadual Antônio Houaiss (SEEDUC/RJ), pedrozille@gmail.com
- 2 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, gloriapcq@gmail.com
- 3 Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, douglas@mast.br

## Resumo

O presente trabalho destaca a importância da aproximação, bem como apropriação de propostas, técnicas e metodologias comumente pertencentes à espaços de educação não formal (museus e centros de ciências) por parte das escolas públicas do ensino básico. Ressalta-se o papel desta aproximação à qualquer proposta que vislumbre romper com a atual desmotivação do aluno no interior do espaço escolar, pois nos espaços não formais destacam-se o encantamento, a participação (interatividade), o envolvimento, bem como a motivação oportunizadas aos visitantes através de espaços expositivos ambientados/planejados, propostas e atividades de divulgação e popularização da ciência, entre outros. A oficina pedagógica foi a proposta metodológica de trabalho em grupo escolhida para ser realizada em uma escola pública estadual, do Rio de Janeiro, com alunos do ensino médio. Esta se caracteriza como sendo uma atividade não formal, que no processo de ensino, aprendizado e trabalho em grupo ressalta a construção coletiva do saber, e as trocas de experiências diversificadas entre todos os envolvidos. Imersos num cenário marcado pelo fracasso escolar torna-se imprescindível repensar a estrutura da escola (espaço e tempo) e os papéis assumidos pelos principais atores (professores e alunos) no processo de ensino e aprendizagem. Ao professor cabe oportunizar a formação de cidadãos transformadores da realidade.

Palavras-chave : oficina pedagógica, laboratório escolar, educação formal e não formal, ensino e aprendizagem, professores e alunos como protagonistas.

## Introdução

Destacaremos no presente trabalho a importância da aproximação, bem como apropriação de propostas, técnicas e metodologias comumente pertencentes à espaços de educação não formal (museus e centros de ciências) por parte das escolas públicas do ensino básico. Ressalta-se o papel desta aproximação à qualquer proposta que vislumbre romper com a atual desmotivação do aluno no interior do espaço escolar, pois nos espaços não formais o encantamento, a participação, o envolvimento, bem como a motivação são oportunizadas aos visitantes através de propostas e atividades lúdicas e diversificadas de divulgação e popularização da ciência. Miranda (2008) destaca a importância da utilização em sala de aula de propostas e atividades que despertem o prazer pelo aprender.

O aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente pelas atitudes e métodos de motivação em sala de aula. O prazer pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos, pois, não é uma tarefa que cumprem com satisfação, sendo em alguns casos encarada como obrigação. Para que isto possa ser mais bem desenvolvido, o professor deve despertar a curiosidade dos alunos,

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acompanhando suas ações no desenrolar das atividades em sala de aula. (MIRANDA, 2008)

Imersos num cenário marcado pelo fracasso escolar (PERRENOUD, 2004) torna-se imprescindível repensar a estrutura da escola (espaço e tempo) e os papéis assumidos pelos principais atores (professores e alunos) no processo de ensino e aprendizagem. Ao professor cabe oportunizar a formação de cidadãos transformadores da realidade e, neste cenário Trevisan caracteriza o professor competente como sendo um profissional que está:

- (...) sempre pronto a refletir sobre sua metodologia, sua postura em aula, a replanejar sua prática educativa, a fim de estimular a aprendizagem, a motivação dos seus alunos, de modo que cada um deles seja um ser consciente, ativo, autônomo, participativo e agente crítico modificador de sua realidade. (TREVISAN, 2003)

Uma oficina pedagógica, adaptada a partir de uma atividade educativa desenvolvida para o público de visitação espontânea do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), foi a metodologia escolhida para ser trabalhada com alunos de uma escola pública estadual de ensino médio, da zona norte do município do Rio de Janeiro. Esta se caracteriza como sendo uma atividade não formal de educação em ciências. Em nosso entendimento uma oficina pedagógica é uma proposta metodológica de trabalho em grupo, onde coexistem a construção coletiva do saber, e as trocas de experiências diversificadas entre todos os envolvidos (MOITA e ANDRADE, 2006). Moita e Andrade (2006) destacam as oficinas como dispositivos pedagógicos apropriados á escola pública brasileira, pois:

- (...) dinamizam o processo de ensino-aprendizagem e estimulam o engajamento criativo de seus integrantes. É o que pensamos acerca das oficinas pedagógicas, espaço em que os ideais de transformação e diálogo na escola pública são realidades em permanente construção. (MOITA e ANDRADE, 2006)

Nos últimos anos as oficinas pedagógicas vêm desempenhando papel de destaque no estabelecimento de parcerias entre uma escola pública estadual do Rio de Janeiro, uma a universidade e um museu de ciências (NASSER, 2012). Elas se destacam pelo papel que ocupam tanto nas atividades de formação inicial e continuada de professores de ciências, quanto naquelas promovidas por mediadores para atendimento de público geral e escolar nos espaços de educação não formal, no entanto, este tema não será desenvolvido no presente trabalho.

## Oficina Pedagógica: uma atividade não formal

Levando-se em consideração a ascensão, os avanços e os sucessos obtidos pelo campo da divulgação e popularização da ciência, particularmente nas duas últimas décadas no Brasil (NASSER, CHRISPINO e QUEIROZ, 2011), nos espaços não formais de educação, e considerando que a educação não deve ser algo estático muito menos unidirecional, a escola não deve ser apenas um lugar para se aprender conteúdos teóricos, mas também de/para aprendizagem de competências, habilidades e valores, do desenvolvimento de uma mentalidade científica e participativa, que '(...) poderá possibilitar ao indivíduo, bem orientado, interpretar e transformar a sociedade e a natureza em benefício do bem-estar coletivo e pessoal' (TREVISAN, 2003). Recomendamos uma aproximação entre a escola básica com algumas metodologias desenvolvidas em espaços não formais de educação como, por exemplo, as oficinas pedagógicas.

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Alguns pesquisadores como (FALCÃO, 1999) complexificam a ideia de que uma atividade para ser caracterizada como de ensino não formal independe do espaço físico no qual está inserida, ou seja, uma oficina pedagógica realizada em uma escola pública, com alunos do ensino médio, pode ser entendida como uma atividade de educação não formal. Entende-se que o caráter não formal da atividade está relacionado fundamentalmente às estratégias, metodologias e paradigmas educacionais usados.

Se os objetivos pretendidos são num primeiro momento combater a desmotivação do aluno, ocasionado fortemente pelas propostas metodológicas tradicionais de ensino (aluno como agente passivo do processo de ensino e aprendizagem, professor como transmissor do conhecimento, conteúdo como cerne do currículo, etc.), por que não utilizarmos propostas metodológicas comumente realizadas em espaços não escolares?

## Caracterização

As oficinas pedagógicas realizadas com alunos de um colégio do ensino médio público estadual do Rio de Janeiro foram basicamente divididas em duas etapas: na primeira os alunos participaram de uma breve apresentação seguida de uma discussão da temática científica abordada na oficina. Tem-se como objetivo envolver, motivar, instigar, bem como despertar a curiosidade dos participantes, oportunizando a reflexão e discussão do tema. Para tal são utilizados variados recursos didáticos com intuito de problematizar e organizar os conhecimentos discutidos e apresentados, como exemplo, pode-se citar a utilização de: projeções em multimídia de vídeos (trechos de filmes e/ou desenhos animados), imagens (fotos e/ou desenhos), textos (histórias, poemas e/ou mitos), utilização de experimentos (demonstrativos e/ou participativos de natureza qualitativa), entre outros recursos.

Todos estes recursos se configuram como reais situações problema, onde os participantes são convidados a construírem, individualmente e/ou em grupos, modelos explicativos de funcionamento do experimento ou do fenômeno apresentado, bem como, através da participação ativa dos envolvidos. Segundo Borges (2002) este tipo de atividade, que dá corpo às oficinas pedagógicas cumprem o papel de mobilizar o envolvimento dos alunos, apresentando vantagens frente ao laboratório tradicional, pois contrastam com a simples manipulação repetitiva e irrefletida de objetos e procedimentos predeterminados.

Uma oficina pedagógica requer a utilização de diversos recursos comuns, ou não comuns ao espaço escolar. Como citado anteriormente estes são diversificados e variados, no entanto, além da utilização, ressalta-se a importância da apropriação de uma tendência, que é, a utilização das redes sociais (MINHOTO e MEIRINHOS, 2011): FaceBook, Orkut, YouTube, Twitter. Para tal todas as oficinas são devidamente registradas através de vídeo-filmagens e fotografias, mediante autorização dos participantes estes registros são publicadas nas redes sociais. Com este procedimento de registro e divulgação dá-se a oportunidade aos alunos e professores de uma continuidade das discussões a cerca das atividades realizadas no espaço escolar. Consequentemente oportuniza-se a consolidação de novas propostas que poderão vir a ser realizadas. Bem como, cria-se um ambiente motivador agregando novos alunos (os que ainda não participaram deste tipo de

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atividade), deixando de lado o estranhamento causado por uma atividade diferenciada/inovadora.

Na segunda etapa da atividade os alunos foram convidados a participar da construção de um aparato, ou realização de uma tarefa, onde tiveram a oportunidade de confrontar a teoria discutida e apresentada na primeira etapa, experimentando e colocando literalmente a 'mão na massa'. Ao término, os alunos normalmente podem levar os materiais confeccionados/construídos para casa, salvo algumas exceções de materiais que serão utilizados em atividades futuras na escola.

## Uma alternativa ao laboratório escolar

Utilizar oficinas pedagógicas no espaço escolar é uma forma de suprir a carência da existência de laboratórios de ciências, bem como oferecer uma alternativa a concepção empirista-indutivista da ciência presente em meio aos planos de aulas e roteiros de laboratórios, quando existe infraestrutura para tal. Na ausência de um laboratório, uma trágica e corriqueira consequência desta visão de ciência é o que Borges (2002) argumenta:

(...) muitos professores até se dispõem a enfrentar isso, improvisando aulas práticas e demonstrações com materiais caseiros, mas acabam se cansando dessa tarefa inglória, especialmente em vistas dos parcos resultados que conseguem. (p.4).

Neste contexto as oficinas pedagógicas surgem como uma alternativa promissora aos tradicionais laboratórios escolares e seus roteiros experimentais fechados, ou principalmente quando não existe um laboratório de ciências no espaço escolar. O que gostaríamos de deixar claro é que a escola pública brasileira contemporânea requer uma diversidade maior de ferramentas, além das oferecidas pelo modelo tradicional de educação, onde o aluno é encarado como uma tábula rasa, e os professores têm o papel de preencher este vazio de conhecimento (POZO e CRESPO, 2009). A criatividade e a eficiência devem orientar os novos caminhos para utilização das atividades prático-experimentais, tendo objetivos bem definidos, e assumindo uma postura mais relevante para o ensino e aprendizagem de ciências (BORGES, 2002). Para tal o sistema educacional deve ser continuamente repensado e uma forte tendência é favorecer a construção de um espaço que valorize e oportunize a construção coletiva do saber, onde o protagonismo e interatividade são agentes motores desta nova proposta.

O conteúdo deixa de ser o foco inicial e passa a ser uma consequência de todo o processo de ensino e aprendizagem. O objeto das oficinas pedagógicas, bem como o contexto desenvolvido nestas, está imerso em considerações teóricas de caráter acadêmico e são selecionadas/escolhidas prioritariamente por sua popularidade frente ao público-alvo (premissa advinda do contexto da educação não formal). Admitindo que para se atingir os objetivos (metas) pretendidos, devem-se considerar o meio em que vivem e os interesses do público alvo, valorizando o engajamento através de uma participação ativa, bem como oportunizar a motivação intrínseca dos alunos. Para melhor compreensão do que foi anteriormente exposto, adaptamos o esquema representativo da relação do mundo empírico com linguagens e conceitos de Séré, Coelho e Nunes (2003) para ilustrar as interrelações existentes no processo de construção e realização das oficinas pedagógicas.

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As setas de duplo sentido referem-se ao constante estudo, análise e avaliação das atividades desenvolvidas. Neste esquema as oficinas pedagógicas estabelecem um diálogo direto entre as linguagens da ciência (natural, matemática e simbólica) através da transposição didática, com os conceitos (leis e teorias) que dão corpo as linguagens comuns à comunidade científica, e com o referencial empírico que se relaciona ao contexto trabalhado durante todo o processo que envolve a manipulação de aparatos, sejam direta ou indiretamente por parte dos alunos.

Figura 01: Esquema representativo das inter-relações existentes no processo de construção e realização das oficinas pedagógicas.

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Vale ressaltar, como dito anteriormente, os motivos que levaram a escolha e os encaminhamentos dados na elaboração e desenvolvimento das oficinas pedagógicas. O público alvo, bem como a necessidade de motivar este público é o que define os conceitos, linguagens e um provável referencial empírico.

## Estrutura conceitual das oficinas pedagógicas

A partir dos 'três momentos pedagógicos' (DELIZOICOV, ANGOTTI e PERNAMBUCO, 2007) daremos início à estruturação conceitual do que entendemos como sendo oficina pedagógica, são eles: 1) Problematização inicial - os alunos são apresentados ao tema através de situações problematizadoras interligadas ao cotidiano, onde são estimulados a expor suas ideias sobre o tema. Com isso os professores tomam ciência das concepções (sejam elas alternativas ou não) que seus alunos possuem; 2) Organização do conhecimento - é um momento de sistematização e estudo para a compreensão dos temas e das situações problemas; 3) Aplicação do conhecimento - os alunos utilizam o conhecimento incorporado para analisar e interpretar tanto as situações iniciais como novas situações que podem ser compreendidas mediante o uso dos conhecimentos já incorporados.

Podemos entendê-las como sendo uma dinâmica didático-pedagógica fundamentada na perspectiva de uma abordagem temática, que valoriza a participação ativa do aluno, durante todo o processo. Esta participação não se limita apenas ao fazer prático, construindo ou experimentando algo, mas também na interação e construção coletiva (alunos, professores) do conhecimento.

Na primeira etapa da oficina percebemos fortemente a presença do primeiro momento pedagógico, a problematização. Já o segundo momento pedagógico pode ser encontrado tanto na primeira quanto na segunda etapa, ou seja, a sistematização se prolonga no dialogo tanto teórico, quanto prático. Na segunda

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etapa da atividade, os estudantes são convidados a participar da construção de um aparato, ou seja, colocar a 'mão na massa', além da sistematização destaca-se fortemente a presença da aplicação do conhecimento.

- (...) uma aprendizagem significativa e duradoura é facilitada pela participação dos estudantes na construção de conhecimentos científicos e pela sua familiarização com as estratégias e as atitudes científicas. (PRAIA, GIL-PÉREZ e VILCHES, 2007)

A partir dos três momentos pedagógicos podemos explorar o que Pozo e Crespo (2009) explicitam como sendo a finalidade da educação científica para o ensino médio, ao citarem Jiménez Aleixandre e Sanmartí (1997) que estabelecem cinco metas para a educação científica: a) A aprendizagem de conceitos e a construção de modelos; b) O desenvolvimento de habilidades cognitivas e de raciocínio científico; c) O desenvolvimento de habilidades experimentais e de resolução de problemas; d) O desenvolvimento de atitudes e valores; e) A construção de uma imagem da ciência. Todas estas metas podem ser e são contempladas na realização das oficinas pedagógicas, algumas podem estar mais presentes em determinadas oficinas, mas num contexto geral estão sempre presentes, e como afirma Séré, Coelho e Nunes: '(...) por meio de atividades experimentais o aluno consegue mais facilmente ser 'ator' na construção da ciência (...)' (p.40, 2003).

Em uma análise mais detalhada, uma vantagem que deve ser destacada é que a utilização de metodologias como as oficinas pedagógicas são extremamente adaptáveis ao público e momento pedagógico, pois inserido no contexto de sua utilização, estas podem ser maleáveis quanto aos níveis de interação professoraparato-aluno, cabendo ao professor saber dosar esta interação que pode ser mais bem entendida através da tabela 1.

Tabela 01: Níveis de investigação no laboratório de ciências (TAMIR 1991).

Levando-se em consideração a possibilidade do professor controlar os níveis de interação/investigação do aluno junto a atividade desenvolvida na e durante a oficina, algumas vantagens podem ser destacadas como a superação de determinadas barreiras conceituais geradas e percebidas no decorrer da atividade que em certa medida não são consideradas o foco principal trabalhado e pretendido pelo professor em seu planejamento.

## Considerações Finais

A grande pergunta que professores e pesquisadores vêm se fazendo nas últimas décadas, é como alcançar as metas e objetivos pretendidos para a educação científica? Acreditamos que para responder a este problema um conjunto complexo de medidas devem ser consideradas, e como dito anteriormente deve permear a formação inicial em parceria com a formação continuada de professores incluindo a mudança de postura dos papéis atribuídos a docentes e discentes no espaço escolar. Favorecer e oportunizar atividades que ressaltam o papel da motivação, despertando a curiosidade e prioritariamente tornando os participantes protagonistas

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de todo o processo. Segundo Séré, Coelho e Nunes 'O aluno só conseguirá questionar o mundo, manipular os modelos e desenvolver os métodos se ele mesmo entrar nessa dinâmica de decisão, de escolha, de inter-relação entre a teoria e o experimento' (p.40, 2003).

Foi possível observar que apesar da diferenciação de objetivos entre a realização de oficinas pedagógicas na escola e no museu, o grande aspecto em comum que se destaca é a postura e o compromisso do mediador no museu, e do professor na sala de aula em conduzir a atividade, estimulando o protagonismo intelectual do aprendiz, seja ele um estudante na escola ou um visitante num museu ou centro de ciência.

Acreditamos que as oficinas pedagógicas podem se configurar como uma estratégia de união entre a educação não formal à formal. Neste sentido, os professores do ensino básico devem ser estimulados a vivenciarem espaços pertencentes à educação não formal. Na escola, destaca-se o impacto gerado aos alunos em consequência da utilização de oficinas pedagógicas, ressaltando o desenvolvimento de um espírito de pertencimento ao espaço escolar, por parte do estudante (NASSER, 2012).

As oficinas pedagógicas podem ser potencializadas quando contextualizadas no âmbito de temáticas propostas por projetos de trabalho de curto, médio, ou mesmo de longo prazo, como os realizados no decorrer do ano letivo, deixando assim de serem encaradas como meros momentos lúdicos ou de lazer, e sim como um mecanismo que contribui de forma efetiva para o engajamento dos estudantes e professores na escola.

A utilização de oficinas pedagógicas nas parcerias através de projetos pedagógicos acompanhados por investigações viabiliza: a implantação de projetos interdisciplinares por meio de atividades que privilegiam a participação ativa, crítica e criativa de todos os envolvidos; a formação inicial e continuada do professor; a motivação intrínseca dos alunos; a aproximação da pesquisa acadêmica à docência; o prazer dos alunos por realizar as tarefas, contrapondo a mera recompensa por pontos; o hábito de participação ativa na construção das atividades, levando materiais, trabalhando em grupo, sendo um participante ativo; entre outras (NASSER, 2012).

Em um contexto mais amplo, estaremos desenvolvendo estudos na relação desenvolvida através da parceria Universidade-Escola-Museu, pois se acredita que as oficinas pedagógicas podem assumir uma postura de sensibilização e motivação de alunos e professores da escola pública, para que estes participem de projetos pedagógicos interdisciplinares mais amplos, que envolvam toda a comunidade escolar. Assim sendo as oficinas são desenvolvidas em parceria UniversidadeEscola-Museu (licenciandos, professores, educadores de museus e pesquisadores), o que viabiliza a formação docente (inicial e continuada) através da troca de experiências entre os envolvidos e aproxima a pesquisa acadêmica no âmbito da educação formal e não formal à docência.

## Referências

BORGES, A. T. . Novos Rumos Para o laboratório Escolar de Ciências. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , Florianópolis, SC, v. 19, n.3, p. 291-313, 2002.

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DELIZOICOV, D. ; ANGOTTI, J. A. ; PERNAMBUCO, M. M. . Ensino de Ciências : fundamentos e métodos. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 2007.

FALCÃO, D. Padrões de interação e aprendizagem em museu de ciências . 1999. 279 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Centro de Ciências e Saúde, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 1999.

MINHOTO, P., MEIRINHOS, M. . As redes sociais na promoção da aprendizagem colaborativa: um estudo no ensino secundário. Educação, Formação &amp; Tecnologias , v.4, n.2, p.25-34, 2011.

MIRANDA, E. D. S. . A influência da relação professor-aluno para o processo de ensino-aprendizagem no contexto afetividade (2008). Obtido em &lt;http://www.ieps.org.br/ARTIGOS-PEDAGOGIA.pdf&gt; acessado em 22 de fevereiro de 2012.

MOITA, F. M. G. S. C. ; ANDRADE, F. C. B. . O saber de mão e mão a oficina pedagógica como dispositivo para a formação docente e a construção do conhecimento na escola pública. In: 29ª Reunião da ANPEd , 2006, Caxambu. Educação, Cultura e Conhecimento na contemporaneidade: desafios e compromissos. Caxambu. Minas Gerais: ANPEd, 2006.

NASSER, P. Z. T. . Análise do impacto da utilização de oficinas pedagógicas interdisciplinares . 2012. 105 f. Dissertação (Mestrado). Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca. Rio de Janeiro, RJ, 2012.

NASSER, P. Z. T. ; CHRISPINO, A. ; QUEIROZ, G. R. P. C. . Avaliando o papel da responsabilidade social da divulgação da informação científica. In: XII Reunião Bienal da Red POP , 2011, Campinas. XII Reunión Bienal de la Red POP, 2011.

PERRENOUD, P. . Os ciclos de aprendizagem . Um caminho para combater o fracasso escolar. Porto Alegre: Artmed Editora, 2004.

POZO, J. I. ; CRESPO, M. A. G. . A Aprendizagem e o Ensino de Ciências : do Conhecimento Cotidiano ao Conhecimento Científico. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.

PRAIA, J. ; GIL-PÉREZ, D. ; VILCHES, A. . O papel da natureza da ciência na educação para a cidadania. Ciência &amp; Educação , v.13, n.02, p. 141-156, 2007.

QUEIROZ, G. . Formação de mediadores para museus em Situações Educacionais Ampliadas: saberes da mediação e desenvolvimento profissional. Artigo aceito para publicação em edição especial na Revista Ensino em Re-Vista do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Uberlândia , 2012.

SÉRÉ, M. G. ; COELHO, S. M. ; NUNES, A. D. . O Papel da Experimentação no Ensino da Física. Caderno Brasileiro de Ensino de Física , Florianópolis, v. 20, n.1, p. 30-42, 2003.

SOUZA, C. R. T. . A educação não-formal e a escola aberta. IN: Anais do VIII Congresso Nacional de Educação . Paraná, p. 3118-3128, 2008.

TAMIR, P. . Practical work at school: an analysis of current practice. In: B. Woolnough (ed.) Practical Science . Milton Keynes: Open University Press, 1991.

TREVISAN, D. C. . Relação professor-aluno: uma revisão crítica. Revista Integração (USJT), n.33, p. 97-101, 2003.

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