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INCLUSÃO E O ENSINO DE FÍSICA EM UM ESPAÇO NÃO FORMAL DE APRENDIZAGEM

Fernando Custódio Cerqueira Campos, Isabela Franco Costa, Antonio Luiz Fernandes Marques

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Divulgação Científica E Educação Não Formal
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## INCLUSÃO E O ENSINO DE FÍSICA EM UM ESPAÇO NÃO FORMAL DE APRENDIZAGEM

## Fernando Custódio Cerqueira Campos 1 , Isabela Franco Costa , Antonio Luiz 2 Fernandes Marques 3

- 1 Universidade Federal de Itajubá/Licenciando em Física, fernandoc2.campos@gmail.com

## Resumo

O ensino de física para alunos com necessidades especiais é um tema que não pode continuar sendo ignorado pelos educadores. A inclusão, além de um direito para todos os alunos, é também um dever das instituições de ensino. A educação de alunos com necessidades educacionais especiais está garantida por lei e cada vez mais alunos frequentarão as salas de aula regulares e também os espaços não formais de aprendizado. Em 2012 a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) inaugurou o Espaço InterCiências, um pequeno Centro de Ciências. Desde 2011 este espaço não formal de aprendizado está vinculado ao um projeto do Programa de Educação Tutorial (PET) - Formação de Professores de Ciências Exatas. O Espaço InterCiências, Centro de Divulgação Científica da UNIFEI, recebeu a visita de um grupo de professores e pessoas com deficiência do CAIDI Itajubá, Centro de Apoio e Integração do Deficiente de Itajubá "Anísio Cândido Ferreira", para participarem das suas atividades interativas. O objetivo da visita foi de estreitar os laços de interação entre o CAIDI e o InterCiências visando uma maior colaboração no intuito de tornarmos o Espaço acessível e inclusivo. Neste trabalho apresentamos as atividades realizadas durante essa visita e as impressões dos alunos que atuaram como monitores do InterCiências, pois nosso PET tem como um dos seus objetivos o de aprofundar o processo de integração dos cursos de formação de professores da Unifei e, sobretudo, envolver os alunos do curso de Física Licenciatura em processos qualificados de ensino, pesquisa e extensão utilizando a infraestrutura do Centro de Divulgação Científica (Espaço InterCiências). A partir das reflexões apresentadas neste trabalho acreditamos que avançamos no intuito de tornar o Interciência inclusivo.

Palavras-chave : Centro de Ciências, Ensino de Física, Inclusão.

## Introdução

A Educação Inclusiva tem sido tema de reflexão para educadores em todos os níveis de ensino. A inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino regular é um direito.

- A Constituição Federal (BRASIL, 1988) e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996) estabelecem que todas as crianças têm o direito de frequentar uma escola e de serem alfabetizadas, respeitando as diferenças, os limites e as possibilidades de cada um.

De acordo com a Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), os alunos com necessidades educacionais especiais devem ter acesso às escolas regulares e estas devem se adequar para satisfazer às necessidades dos mesmos.

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A inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais só foi incorporada ao conjunto dos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) em 1998, depois da institucionalização dos mesmos, por meio do documento 'Adaptações Curriculares: estratégias para a educação de alunos com necessidades especiais'. (BRASIL, 1998)

Mas, apesar das leis destinadas a normatizar o processo de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais, muitas pessoas ligadas a educação afirmam não se sentirem preparadas para enfrentar tal desafio (FERNANDES & HEALY, 2007). O estudo de metodologias adequadas à aprendizagem que utilizem recursos visando a educação inclusiva e a busca de material didático adequado se torna necessário para qualificar os educadores para este novo desafio. Estes estudos devem visar uma educação de qualidade para todos.

Em 2012 a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) inaugurou o Espaço InterCiências, seu próprio Centro de Ciências, que foi financiado pelos projetos aprovados nos seguintes editais: a) PROMOVE ENGENHARIA NO ENSINO MÉDIO 05/2006, MCT/FINEP/FNDCT, A Engenharia sob um olhar das Ciências: um lugar interdisciplinar; b) Programas de Consolidação das Licenciaturas - PRODOCÊNCIA 2006, 2009 e 2010 (MEC/SESu/DEPEM) e c) Projeto de criação do Núcleo Interdisciplinar de Ensino de Ciências e Tecnologias Associadas , do FINEP. Vinculado a ele, criou-se o grupo PET (BRASIL, 2010), Formação de Professores de Ciências Exatas, tendo como uma de suas funções a formação de monitores capacitados para atuar em um espaço como esse. (FERREIRA, 2008)

Os alunos bolsistas, participantes do projeto, além de adquirir formação para atuarem como monitores do InterCiências, desenvolvem projetos de pesquisa vinculados a espaços não formais de educação de forma a contribuir tanto para a formação dos mesmos como para o desenvolvimento do nosso Centro de Divulgação Científica.

Os museus de ciência podem ser utilizados como instrumentos importantes no ensino de física por transformarem o conteúdo lecionado pelos professores em algo visível, palpável e atrativo, além de incentivarem o interesse pela descoberta e análise do universo científico. Outro grande benefício dos centros de divulgação científica é conseguir reunir diversas áreas do conhecimento em um mesmo lugar, contribuindo para a interdisciplinaridade do ensino.

Para Mamede & Zimmermann (2005), uma das principais funções dos centros de divulgação científica é auxiliar a escola a cumprir o objetivo de letrar cientificamente seus estudantes e também melhorar a percepção pública da população em relação à ciência.

O Espaço InterCiências, Centro de Divulgação Científica da Unifei, recebeu a visita de um grupo de professores e pessoas com deficiência do CAIDI Itajubá, Centro de Apoio e Integração do Deficiente de Itajubá "Anísio Cândido Ferreira", para participarem das suas atividades interativas. Esta visita foi consequência da realização de uma atividade com um deficiente visual indicado pelo CAIDI para interagir com um dos experimentos do InterCiências, Pêndulo de Newton, dentro das atividades proposta por um projeto de pesquisa de iniciação científica dentro do nosso PET. (MARQUES, KIRNER & GUIACOMETTI, 2014)

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O CAIDI Itajubá é uma entidade filantrópica, sem fins econômicos, fundada em 1994, e que trabalha de forma expressiva em Itajubá e sua microrregião na integração e inclusão das pessoas com deficiência. Ele tem como missão resgatar a autoestima, promover a inclusão, a autonomia e a independência de pessoas com deficiência, oferecendo-lhes os apoios necessários a seu desenvolvimento em todos os âmbitos.

O objetivo da visita foi de estreitar os laços de interação entre o CAIDI e o InterCiências visando uma maior colaboração no intuito de tornarmos o Espaço acessível e inclusivo.

Os bolsistas do PET/Conexão de Saberes foram os monitores dessa visita, pois este projeto tem o objetivo de aprofundar o processo de integração dos cursos de formação de professores da UNIFEI e, sobretudo, envolver os alunos dos cursos de Física e Matemática Licenciatura em processos qualificados de ensino, pesquisa e extensão utilizando a infraestrutura do Centro de Divulgação Científica (Espaço InterCiências).

Neste trabalho apresentamos as atividades realizadas durante essa visita e as impressões dos alunos que atuaram como monitores do InterCiências.

## A visita do CAIDI Itajubá ao Espaço InterCiências da UNIFEI

A visita foi agendada na página do nosso PET que tem acesso a do Espaço 1 . Foram 16 visitantes do CAIDI: um cadeirante com paralisia cerebral, cinco deficientes visuais e seis deficientes intelectuais e quatro acompanhantes que trabalham no CAIDI. Os visitantes foram recepcionados por uma equipe formada por um professor e cinco alunos de graduação das licenciaturas de Física, três alunos, e Matemática, dois alunos. A Figura 1, abaixo, mostra os visitantes do CAIDI e a equipe que os recebeu em frente ao Espaço InterCiências da UNIFEI.

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Figura 1 - Visitantes do CAIDI e a equipe que os recebeu, na visita, em frente ao Espaço InterCiências da UNIFEI.

## Apresentação do Espaço InterCiências da Unifei

Iniciamos a visita com uma breve apresentação do Espaço InterCiências onde informamos aos visitantes como seriam realizadas as atividades realizadas nas três salas de física: a de mecânica clássica, a de eletricidade e magnetismo e a de ótica. A Figura 2, abaixo, mostra alguns monitores do InterCiências na apresentação, que foi realizada no auditório do Espaço, para o grupo de visitantes. Após a apresentação os visitantes foram divididos em grupos e iniciamos as atividades interativas.

Figura 2 - Monitores do InterCiências na apresentação, que foi realizada no auditório do Espaço, para o grupo de visitantes.

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## Atividades

Na Figura 3, abaixo, é mostrado uma parte do grupo interagindo com o experimento alavanca na sala de mecânica clássica.

Figura 3 - Parte do grupo interagindo com o experimento alavanca na sala de mecânica clássica.

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Na Figura 4, abaixo, é mostrado uma parte do grupo interagindo com o experimento de eletrostática na sala de eletricidade e magnetismo.

Figura 4 - Parte do grupo interagindo com o experimento de eletrostática na sala de eletricidade e magnetismo.

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Nas Figuras 5 e 6, a seguir, são mostradas partes do grupo interagindo com experimentos na sala de ótica. Na Figura 5 temos uma parte do grupo interagindo com o experimento formação de sombras e imagens, e na Figura 6 temos outra parte do grupo interagindo com o caleidoscópio.

Figura 5 - Parte do grupo interagindo com o experimento de sombras e imagens na sala de ótica.

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Figura 6 - Outra parte do grupo interagindo com o caleidoscópio na sala de ótica.

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## Impressões da visita

Nessa seção apresentamos as impressões dos autores sobre a visita do grupo do CAIDI ao Espaço InterCiências da Unifei discutidas na reunião de avaliação da atividade realizada após a visita onde refletimos sobre os comentários dos visitantes participantes durante cada atividade realizada..

A visita foi muito proveitosa tanto para os visitantes do CAIDI Itajubá quanto a equipe do PET da UNIFEI que os recebeu. O grupo de visitantes participou ativamente das atividades propostas e interagiram fazendo comentários e perguntas em cada uma delas.

Tivemos dificuldade em discutir os conceitos de ótica com os deficientes visuais. O que fizemos foi a descrição de cada parte, dos aparatos experimentais, seguida por comentários sobre as suas respectivas funções enquanto eles as tocavam como mostrado na Figura 6. Assim relatamos os efeitos físicos ilustrados em cada equipamento mas, não podemos afirmar que os deficientes visuais entenderam plenamente cada efeito discutido. Outra dificuldade encontrada foi que como os experimentos de elétrica não podem ser encostados, sendo assim, eles devem ser tocados antes de entrar em funcionamento, e após serem ligados, a descrição do que está acontecendo passa a ser inteiramente narrada, como por exemplo o que aconteceu na atividade na máquina de Whimshurst que após ser gerada a centelha percebeu-se um susto por parte deles, mas todos já disseram de imediato o que havia acontecido, 'um raio'. Já na atividade com o gerador de Van de Graaff por poder ser utilizado em contato direto, o deficiente visual de imediato percebe os pelos e cabelos ficarem arrepiados e a narração do fenômeno físico se torna mais esclarecedor. Nas outras salas, a visita foi bem interessante, pois os experimentos de cinemática, dinâmica e acústica, possuem certa facilidade para serem apresentados, já que esses de certa forma emitem som ou demandam diretamente da ação do indivíduo (como o experimento de suspender pesos em um sistema que o número de polias se altera).

A visita foi uma troca de experiências muito proveitosa para a equipe que os recebeu e destacamos que falta de discussões, e reflexões, mais profundas sobre acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência dentro do nosso grupo PET. No entanto a visita auxiliou aos estudantes da licenciatura em física, monitores do InterCiência, a entender um pouco sobre a realidade dessas pessoas. A dificuldade de enxergar como a pessoa com deficiência entende os conceitos discutidos nas atividades e discuti-los pareceu uma barreira a princípio, contudo ultrapassada pela troca de experiências com os visitantes do CAIDI, sendo assim possível a discussão dos conceitos de física abordados nas atividades. Enfim, a visita mostrou aos monitores do InterCiências uma nova perspectiva sobre tema inclusão, de forma prática, agregando formas inovadoras do ensino de ciências física a alunos com deficiência, que futuramente serão utilizadas por esses futuros profissionais.

## Considerações Finais

A Constituição Federal Brasileira estabelece o direito às crianças de receberem educação de qualidade, independente das limitações e diferenças de cada aluno. Essa ação favorece a formação de um país igualitário, no entanto muitos profissionais do ensino admitem não estarem preparados para a inclusão, ou seja, faz-se necessário a qualificação desses profissionais para atender a cada

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especificidade dos alunos no processo de inclusão. Além de políticas públicas suprirem ausência de recursos básicos para realizar a inclusão nas escolas.

Com a visita do CAIDI ao Espaço InterCiências os estudantes do Curso de Licenciatura em Física da UNIFEI tiveram uma prática inclusiva do ensino de física em espaços não formais de aprendizagem. Desta experiência verificou-se a necessidade de mais discussões, dentro do nosso grupo PET, sobre a acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência, assim, acreditamos que através do desenvolvimento destas atividades melhoraremos significativamente a formação dos licenciandos em física da Unifei.

A partir do relato de dos monitores constatamos a dificuldade de interação entre eles e os visitantes no princípio da atividade, mas superada no seu decorre. Constatamos que ainda precisamos avançar na discussão e na reflexão de como tornar o Espaço InterCiênicas realmente acessível e inclusivo, e também acreditamos que as visitas de pessoas com deficiência, como esta do CAIDI Itajubá, devam se tornar mais frequentes e corriqueiras.

Acreditamos também que a discussão sobre inclusão de pessoas com necessidades especiais nas atividades desenvolvidas no Espaço InterCiências será benéfica não somente para eles, mas também para toda a equipe de monitores e professores que compõem a equipe gestora do Espaço InterCiências.

## Referências

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Imprensa Oficial, 1988.

BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: LDB nº 9394, de 20 de Dezembro de 1996.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Adaptações Curriculares Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial. - Brasília: MEC / SEF/SEESP, 1998.

BRASIL. Ministério da Educação. Manual de Orientações Básicas - PET, 2010.

FERNANDES, S. H. A. A. e HEALY, L. Ensaio sobre a inclusão na Educação Matemática, Rev. Ib. Am. Ed. Mat., n. 10., p. 59-76, Jun 2007.

FERREIRA, T., BONFÁ, M., LIBRELON, R., JACOBUCCI, D. e MARTINS, S.. Formação de Monitores do Museu de Ciências da DICA: Preparo além da prática. XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física. Curitiba, 2008.

MAMEDE, M. e ZIMMERMANN, E., Novas direções para o letramento científico: pensando o Museu de Ciência e Tecnologia da Universidade de Brasília. In: 9a. Reunión Bienal de La Red de Popularización de La Ciência y La Tecnologia para América Latina y Caribe-REDPOP, 2005, Rio de Janeiro - RJ: Atas eletrônicas. Rio de Janeiro, 2005.

MARQUES, A. L. F., KIRNER, C. e GUIACOMETTI, M. S., Experimento com Realidade Virtual e Aumentada e o Ensino de Física para Alunos com Pouca ou Nenhuma Visão. A ser apresentado no XV Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, Maresias, SP, 2014.

UNESCO. Declaração de Salamanca sobre Princípios, Política e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais 1994. UNESCO, 1994.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.