ATIVIDADES EXPERIMENTAIS E A ABORDAGEM TEMÁTICA: CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DE FÍSICA NA EJA
Débora Beatriz Nass Marmitt, , Sandra Hunsche, , Rosemar Ayres Dos Santos
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 28/01/2015
- Linha de pesquisa
- Alfabetização Científica E Tecnológica E Abordagem Cts No Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ATIVIDADES EXPERIMENTAIS E A ABORDAGEM TEMÁTICA: CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DE FÍSICA NA EJA 1
Débora Beatriz Nass Marmitt , Sandra Hunsche , Rosemar Ayres dos Santos 1 2 3
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Universidade Federal da Fronteira Sul, e-mail dbnmarmitt@gmail.com 2 Universidade Federal do Pampa, sandrahunsche@yahoo.com.br 3 Universidade Federal da Fronteira Sul, roseayres07@gmail.com
## Resumo
O presente trabalho apresenta um relato de experiência sobre uma prática educativa, desenvolvida em aulas de Física, com base na abordagem temática e nos pressupostos do educador brasileiro Paulo Freire. A atividade consistiu no desenvolvimento de experimentos por 29 estudantes de duas turmas da Educação de Jovens e Adultos, nas modalidades 7 e 9, que correspondem ao 1º e 3º ano do Ensino Médio, respectivamente, em uma escola da rede pública no Rio Grande do Sul. Distribuídos em 10 grupos, os estudantes tiveram total autonomia para a elaboração e desenvolvimento dos experimentos, desde que estivessem associados ao tema trabalhado em sala de aula. Após a realização dos experimentos, os estudantes responderam um questionário com quatro questões sobre a experiência pessoal de desenvolver uma atividade experimental de forma autônoma, na perspectiva da abordagem temática. Com a análise das respostas, percebemos que a utilização da experimentação como recurso metodológico em aulas de Física constitui-se em uma alternativa potencializadora da produção de conhecimento e de criticidade, uma vez que a participação ativa dos estudantes tende a favorecer a aprendizagem dos conceitos físicos e o desenvolvimento da autonomia e criticidade dos mesmos. Também, o desenvolvimento das atividades experimentais contribuiu para despertar a curiosidade e o interesse dos estudantes, bem como para instigar atividades de pesquisa sobre os conceitos científicos envolvidos com o tema desenvolvido em aula e com o experimento proposto por cada grupo.
Palavras-chave : Educação de Jovens e Adultos, Experimentação, Abordagem Temática.
## Contextualizando o relato
As propostas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no país têm passado por mudanças significativas nas últimas décadas. No Rio Grande do Sul (RS), a formação continuada oferecida aos professores que atuam nesta modalidade de ensino, pela Secretaria de Educação do Estado (SEDUC/RS), tem sinalizado, desde 2012, para uma perspectiva educacional fundamentada nos pressupostos pedagógicos do educador brasileiro Paulo Freire, na qual o currículo é estruturado com base em temas (abordagem temática) e busca possibilitar aos estudantes uma melhor compreensão do mundo que os rodeia.
Na proposta, todas as disciplinas têm carga horária equivalente e o programa de conteúdos a serem trabalhados não é preestabelecido. Segundo Fiss (2012), a proposta prioriza não somente formar e preparar o estudante para a vida,
1 Apoio CAPES e CNPq
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26 a 30 de janeiro de 2015
mas sim, permitir que ele seja o construtor de sua identidade pessoal e profissional,
no contexto social no qual está inserido . 2
A abordagem temática, ressaltada na proposta para a EJA, consiste em uma 'perspectiva curricular cuja lógica de organização é estruturada com base em temas, com os quais são selecionados os conteúdos de ensino das disciplinas. Nessa abordagem, a conceituação científica da programação é subordinada ao tema' (DELIZOICOV; ANGOTTI; PERNAMBUCO, 2002, p. 186). Nesse sentido, os conteúdos a serem trabalhados nas disciplinas são os conhecimentos necessários para o entendimento do tema desenvolvido e não tendo o conteúdo como ponto de partida, como ocorre na abordagem conceitual.
Nesta perspectiva, buscamos como uma das estratégias para a abordagem dos temas, as atividades experimentais, oportunizando a investigação, por entendermos que as mesmas favorecem a autonomia, o posicionamento e pensamento críticos, além da capacidade de tomada de decisão dos estudantes. Ademais, atividades experimentais investigativas possibilitam ao professor promover o interesse dos estudantes com situações problematizadoras (BATISTA; FUSINATO; BLINI, 2009) e estas situações possibilitam um melhor entendimento do tema trabalhado, tendo em vista que a abordagem temática de perspectiva freiriana, na qual a condição humanística é considerada, com problemas de cunho social, pertencentes ao mundo vivido pelo estudante é o principal foco.
As atividades experimentais são destacadas também pelas Orientações Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN+) (BRASIL, 2002), documento que enfatiza a contribuição desta estratégia de ensino para o desenvolvimento de habilidades em Física, pois:
É dessa forma que se pode garantir a construção do conhecimento pelo próprio aluno, desenvolvendo sua curiosidade e o hábito de sempre indagar, evitando a aquisição do conhecimento científico como uma verdade estabelecida e inquestionável. Isso inclui retomar o papel da experimentação, atribuindo-lhe uma maior abrangência para além das situações convencionais de experimentação em laboratório (BRASIL, 2002, p.84).
E, reafirmando a ideia das atividades experimentais não necessitarem ficar restritas a laboratórios ou seguir roteiros fechados, os PCN+ referem que:
A experimentação faz parte da vida, na escola ou no cotidiano de todos nós. Assim, a ideia de experimentação como atividade exclusiva das aulas de laboratório, onde os alunos recebem uma receita a ser seguida nos mínimos detalhes e cujos resultados já são previamente conhecidos, não condiz com o ensino atual. As atividades experimentais devem partir de um problema, de uma questão a ser respondida (BRASIL, 2002, p.55).
No entanto, muitas vezes, professores confundem atividades práticas experimentais com a necessidade de um ambiente com equipamentos especiais para o desenvolvimento dessas atividades. Mas, atividades experimentais podem sim ser realizadas em qualquer sala de aula, sem aparatos sofisticados (BORGES, 2002). Neste sentido, buscamos aliar abordagem temática com atividades experimentais, conduzidas de forma investigativa.
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Com este entendimento, a experiência relatada neste trabalho está baseada na proposição e desenvolvimento de experimentos pelos próprios estudantes, contemplando os temas trabalhados em sala de aula. Esta proposta de realização de experimentos provém de um olhar diferenciado acerca do potencial do estudante, buscando desenvolver a autonomia e a participação ativa deste no processo de construção do conhecimento, contemplando o ideário freiriano. Além disso, 'as atividades práticas, incluindo a experimentação, desempenham um papel fundamental, pois possibilitam aos alunos uma aproximação do trabalho científico e melhor compreensão dos processos de ação das ciências.' (ROSITO, 2000, p.196197).
Diante do exposto, objetivamos com o trabalho discutir as contribuições das atividades experimentais para a aprendizagem dos estudantes ao serem elaboradas e desenvolvidas por eles próprios, bem como apontar para desafios que precisam ser enfrentados na utilização de tal estratégia de ensino concomitante com a abordagem temática de perspectiva freiriana.
## Detalhamento das atividades desenvolvidas
O presente trabalho resulta do desenvolvimento da proposta de abordagem temática fundamentada nos pressupostos freirianos, na disciplina de Física, com um total de 29 estudantes, em turmas das modalidades 7 e 9 da Educação de Jovens e 3 Adultos (EJA), que correspondem ao 1º e 3º ano do Ensino Médio regular, respectivamente, em uma escola da rede pública do estado do Rio Grande do Sul. A atividade consistiu na escolha e desenvolvimento de atividades experimentais pelos estudantes, sem a interferência do professor, durante o primeiro semestre de 2013.
A ideia inicial do desenvolvimento de atividades experimentais partiu de uma estudante da modalidade 7, que estava há muitos anos sem frequentar a escola e sentia dificuldade em compreender os conceitos científicos trabalhados durante a discussão do tema. Ela acreditava que através da experimentação conseguiria visualizar melhor esses conceitos. Sua ideia de experimento era o professor decidir pelas atividades experimentais que seriam desenvolvidas e trabalhá-las (ou demonstrá-las) junto aos estudantes. Porém, no caso relatado neste trabalho, a professora que lecionava nas turmas mencionadas, optou por deixar os estudantes escolherem as atividades experimentais que gostariam de desenvolver com total autonomia, desde que vinculadas ao tema trabalhado.
Neste contexto, o eixo articulador dos temas desenvolvidos em ambas modalidades foi Energia. A definição dos temas tiveram como critério a repercussão destes assuntos na mídia, bem como sua relevância social.
Na modalidade 7, o tema trabalhado estava relacionado à 'produção', distribuição e 'consumo' de energia elétrica e na modalidade 9 às mudanças climáticas. Desta forma, foi solicitado aos estudantes que desenvolvessem experimentos relacionados ao tema que estava sendo estudado em aula, particularmente à energia. Foram formados grupos de até quatro estudantes, num total de 10 grupos, tendo cada grupo liberdade para escolher o experimento, ficando com o compromisso de propor o desenvolvimento do mesmo, ou seja, a atividade experimental seria de total autoria do grupo, podendo sempre que necessário, pedir
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orientação para a professora, tanto em dúvidas conceituais quanto no desenvolvimento técnico do experimento.
Para a elaboração das atividades, algumas aulas foram destinadas para os estudantes realizarem pesquisas na internet, no laboratório de informática e/ou nos materiais disponíveis na biblioteca escolar. Em uma data predeterminada, os grupos desenvolveram o experimento com os demais colegas e professora, entregando também, material escrito contendo justificativa, descrição da atividade, referencial teórico e os resultados do experimento.
Ao término das atividades, todos os estudantes responderam a um questionário que continha quatro questões sobre o desenvolvimento das atividades e a experiência pessoal em realizar algo, que contemplasse o tema que estava sendo estudado, de forma autônoma. A seguir são apresentadas e discutidas algumas respostas dos estudantes que indicam contribuições das atividades desenvolvidas por eles para a sua aprendizagem e para as aulas de Física.
## Análise e Discussão
As perguntas contidas no questionário e respondidas pelos estudantes foram: 1) De que forma a realização das atividades experimentais contribuiu para sua aprendizagem? Comente.; 2) Você sentiu alguma dificuldade na escolha das atividades experimentais? Quais?; 3) Na sua opinião, as atividades experimentais despertam o interesse dos estudantes para as aulas de Física? Por quê?; 4) Você sentiu necessidade de mais discussões sobre as atividades experimentais? Quais? Por quê?.
Através da análise, tendo como referência os pressupostos freirianos de abordagem de temas, foi possível identificar que os estudantes indicam vários aspectos da realização das atividades que tenderam a contribuir para aprendizagem dos conceitos e para as aulas de Física. Identificamos ideias que ressaltam o caráter motivador das atividades experimentais, também uma tendência das experiências facilitarem a aprendizagem quando comparadas às aulas teóricas (sem desconsiderar o grau de importância destas), uma possibilidade de ir mais além no processo de aprendizagem na qual o estudante participa ativamente, as contribuições das pesquisas realizadas, os novos conhecimentos sobre diferentes experimentos e as atribuições de sentido nas experiências em seu mundo vivido, abarcando a perspectiva freiriana de abordagem temática.
Os estudantes relatam que as atividades experimentais contribuem para a compreensão dos conceitos físicos quando comparados às aulas denominadas tradicionais , que compactuam com a 'educação bancária' (FREIRE, 2005) na qual 4 a educação ocorre através da transferência do conhecimento. De acordo com os estudantes:
- [...] na prática é mais fácil de entender (E7).
- [...] fazendo experiências que se aprende muito melhor . (E24).
- [...] aprendemos mais com a experiência [...] (E18).
Aprendi melhor com os experimentos [...] (E12).
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- [...] com as experiências apresentadas [pelos colegas] estou conseguindo entender (E15).
Estes trechos das falas revelam a experimentação como uma alternativa profícua para o ensino-aprendizagem. Na mesma perspectiva, os estudantes indicam que através dos experimentos torna-se mais simples de compreender os conceitos presentes nos temas, pois há diferentes elementos que complementam as aulas teóricas. Como exemplo, pode-se citar a frase do estudante E8, no qual indica a visualização do fenômeno acontecendo como uma contribuição ao entendimento dos conceitos: ' [...] visualizando ao vivo, o experimento, o fenômeno físico acontecendo, parece mais simples de ser entendido ' (E8).
É importante ressaltar que pelo contexto da realização da atividade, não se incluem na fala dos estudantes ideias empíricas, nas quais o conhecimento seria resultado das observações/visualizações, mas percebe-se que há uma aproximação dos fenômenos físicos observados aos conceitos trabalhados em sala de aula, através da abordagem de temas. Esta perspectiva parece estar em vista à superação da fragmentação e descontextualização que muito ainda permeiam as salas de aula. Nessa mesma perspectiva de aproximação dos conhecimentos físicos do ambiente da sala de aula e também da realidade na qual os estudantes estão inseridos, havendo uma aproximação entre o 'mundo da escola' e o mundo vivido, característica da abordagem temática de viés freiriano, alguns ressaltam que o desenvolvimento das atividades ' [...] Contribuiu mostrando experiências práticas que estão tão próximas de nós ' (E28). ' [...] a (experiência da) bomba de fumaça e (a de) eletricidade servem para aprender na (para a) vida ' (E18).
Além disso, há indicativos que a discussão dos conceitos, dos fenômenos observados pelos estudantes e professora, durante o desenvolvimento dos experimentos foi significativo na construção do conhecimento, numa perspectiva de criar condições para a participação dos estudantes, como sujeitos ativos e críticos na construção desse conhecimento, e não como meros objetos e para tal, segundo Freire (1992), é necessário propiciar a 'leitura do mundo '. Os indicativos desse 5 ganho cognitivo através da participação são percebidos quando os estudantes consideram que ' [...] a experiência é muito legal, a gente demonstra o trabalho em grupo e discute sobre a matéria, é muito bom (E17). Fica melhor de aprender, pois ' ' participamos mais ' (E11).
E, para desenvolver os experimentos, os estudantes tiveram que fazer pesquisas na internet ou nos materiais didáticos disponíveis na escola. Essas atividades de pesquisa contribuíram expressivamente, pois possibilitou maior envolvimento dos estudantes na busca pelo conhecimento, '[...] quanto mais pesquisamos, mais aprendemos ' (E9). ' [...] me fez pesquisar e correr atrás e tentar fazer a mesma experiência, aprendi que o Sol é condutor, nem imaginava sem essas pesquisas' (E19).
Grande parte dos estudantes ressalta que os experimentos contribuem para tornar as aulas de Física mais interessantes, instigando a curiosidade e atenção, indicando a existência de um caráter motivador das atividades práticas levando o estudante a ir mais além, aspecto que deve ser aproveitado pelo professor utilizando
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as atividades experimentais nas aulas. ' [...] faz o aluno querer ter mais conhecimento sobre a física ' (E28). ' [...] estimula o interesse para saber como funciona a Física na prática (E ' 3).
Este aspecto está de acordo com o que Paulo Freire (1992) denominou de curiosidade epistemológica, na qual há a superação do propedêutico 'aprender para participar', para o aprender participando, pois a curiosidade estimula o querer aprender , condição fundamental, que antecede o aprender.
As atividades também possibilitaram ampliar os conhecimentos sobre as diversas experiências que podem ser desenvolvidas nas aulas de física, algumas com materiais bem simples, ou seja, não são muito complexas e para fazer experiências com fins didáticos não é necessário um laboratório com equipamentos de última geração (não que esses não sejam interessantes), mas, muitas vezes, com materiais simples e de fácil aquisição conseguimos excelentes resultados, o que é percebido pelos estudantes, como nas falas: 'mais conhecimentos sobre experimentos' (E13). ' Contribuiu para que eu descobrisse quantas experiências proveitosas pode-se fazer com coisas mínimas e, às vezes, simples' (E27).
Pela análise das respostas pode-se indicar, também, que a prática realizada em consonância com o tema trabalhado contribuiu para o aprendizado dos estudantes constituindo-se em ' [...] Uma maneira diferente de aprender, aprendi bastante [...]' (E29).
Há, ainda, nas falas dos estudantes manifestações que indicam que as atividades sendo realizadas novamente só tendem a contribuir para a aprendizagem: ' [...] sempre que tivermos a oportunidade para fazer essas atividades acredito que acrescentará mais no nosso aprendizado ' (E21).
Por último, sinaliza-se para um olhar diferenciado para as aulas de Física, proporcionado pelas atividades desenvolvidas, tornando as práticas de sala de aula mais interessantes, como mostram as falas dos estudantes E2 e E12:
'deixa a aula mais interessante' (E2).
'[...] é mais interessante aprender assim' (E12).
Ademais dentre outros aspectos que foram ressaltados pelos estudantes nas respostas do questionário, percebemos enlaces que afirmam o papel potencializador da abordagem temática desenvolvida, pois serviu como propulsora ao desenvolvimento de outras estratégias de ensino vindo a contribuir para a significação do tema, conforme exposto: 'Eu aprendi que não é só a energia elétrica que pode gerar luz.' (E20) e '[...] é muito fundamental saber como a energia começa, como se forma, qual é a sua função.' (E26).
Oportunizando, ainda, espaço para o novo na sala de aula, tanto metodologicamente, por parte das experiências docentes como para os estudantes '[...] nós vimos coisas novas, coisas que nós poderíamos nunca ter visto.' (E22), ambos resultado de um processo que só foi possível a partir do trabalho desenvolvido com a abordagem temática.
Assim, trazer atividades experimentais para as aulas de Física só tende a contribuir. É importante que se perceba que os experimentos não são algo aparte aos conteúdos programáticos, mas que são complementares à teoria e devem ser trabalhados e estimulados nas aulas de Ciências, em especial, nas aulas de Física, tornando-as, também, mais interessantes. Inclusive, pode contribuir para a
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construção de uma visão construtiva da Física como uma Ciência que estuda fenômenos naturais diretamente associados e próximos da realidade na qual os estudantes estão inseridos.
## Considerações
O desenvolvimento das atividades experimentais pelos próprios estudantes contribuiu para que associassem os experimentos com a sua realidade, aproximando o 'mundo da escola' com o mundo vivido, aspecto essencial na perspectiva da abordagem temática adotada. A prática também possibilitou um maior envolvimento dos estudantes no processo de ensino-aprendizagem que contribui para o entendimento dos conceitos envolvidos com o tema trabalhado nas aulas, evidenciando que a ação-reflexão favorece de forma significativa a aprendizagem.
A proposta (abordagem temática + experimentação) também favoreceu o estímulo ao interesse e à curiosidade dos estudantes pelas aulas de Física. Além disso, possibilitou instigar os estudantes quanto às atividades de pesquisa, através da busca do conhecimento necessário para a compreensão dos experimentos propostos pelos grupos aos demais colegas, contribuindo para o desenvolvimento da autonomia dos estudantes.
A problematização presente nos temas e as atividades experimentais oferecem condições de desenvolver também o hábito de questionar, criar hipóteses, obter e analisar resultados, permitindo criar uma inter-relação do conhecimento aprendido com a vivência do estudante.
É importante ressaltar que tanto a dinâmica de abordagem de temas, quanto as atividades experimentais desenvolvidas pelos estudantes, que contemplem o tema, necessita outro comportamento docente. Requer do professor senso de observação e sensibilidade para perceber se o tema selecionado para o trabalho com os estudantes tem relevância para estes e o quanto os mesmos estão trabalhando de forma autônoma quando desenvolvem atividades experimentais e o quanto e quando precisam da intervenção do professor, para que essa atividade possa ser frutífera, colaborando efetivamente para a produção de conhecimento para estes estudantes.
## Referências
BATISTA, M. C.; FUSINATO, P. A.; BLINI, R. B.. Reflexões sobre a importância da experimentação no ensino de física. In: ActaScientiarum. Human and Social Sciences.Maringá, v. 31, n. 1, p. 43-49, 2009.
BORGES, T. A. Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. In: Caderno Brasileiro de Ensino de Física , 19, n. 3, p. 291-313, dez. 2002.
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM). Brasília: MEC/Semtec, 2000. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ciencian.pdf >. Acesso em: 02 mar. 2011.
\_\_\_\_\_\_. Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. PCN+ Ensino Médio: orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais - Ciências da Natureza, Matemática, e suas Tecnologias . Brasília: MEC/Semtec. 2002. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/CienciasNatureza.pdf >. Acesso em: 02 de mar. 2011.
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DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J. A.; PERNAMBUCO, M. M.. Ensino de Ciências: fundamentos e métodos. São Paulo: Cortez, 2002.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido . 48. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. 213 p.
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ROSITO, Berenice Alvares. O Ensino de Ciências e a Experimentação. In: MORAES, Roque (Org.). Construtivismo e Ensino de Ciências : Reflexões epistemológicas e metodológicas.Porto Alegre: EDIPUCRS, 2000.p.195-207.
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