ATUANDO NA FORMAÇÃO DOCENTE: NARRATIVAS HISTÓRICAS EM PERSPECTIVA REFLEXIVA
José Diogo Dos Santos Nicácio, Juliana Mesquita Hidalgo Ferreira, Arthur Winston Skeete Júnior, Mykaell M. Da Silva
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 28/01/2015
- Linha de pesquisa
- História, Filosofia E Sociologia Da Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## ATUANDO NA FORMAÇÃO DOCENTE: NARRATIVAS HISTÓRICAS EM PERSPECTIVA REFLEXIVA
José Diogo dos Santos Nicácio 1 , Juliana Mesquita Hidalgo Ferreira , 2 Arthur Winston Skeete Júnior , Mykaell Martins da Silva 3 4
- 1 PPG em Ensino de Ciências Naturais e Matemática/UFRN, diogonicacio@yahoo.com.br
- 2 PPG em Ensino de Ciências Naturais e Matemática / UFRN, juliana\_hidalgo@yahoo.com
- 3 PPG em Ensino de Ciências Naturais e Matemática / UFRN, arthurwinston@hotmail.com
- 4
- Departamento de Física Teórica e Experimental/ UFRN, mykaell@dfte.ufrn.br
## Resumo
A inserção da História e Filosofia da Ciência (HFC) no Ensino sendo defendida de forma recorrente, tendo em vista articular conteúdos de física a aspectos relacionados à natureza do conhecimento científico. Contudo, diversos obstáculos vêm sendo relatados, entre os quais se situa a dificuldade de formação dos docentes. É importante que professores participem de reflexões, conheçam exemplos de propostas didáticas de cunho histórico-filosóficas, desenvolvam competências que lhes permitam compreendê-las de modo aprofundado e adaptá-las. Nesse contexto, toma-se como ponto de partida a conscientização sobre o papel fundamental dos professores e a decorrente necessidade de prepará-los de forma reflexiva. Apresenta-se material didático direcionado especificamente para a formação de professores, composto por discussões relacionadas à HFC no Ensino e uma sequência de atividades para esse público específico. O material tem como objetivo discutir aspectos da transposição didática da HFC, retomando desafios e obstáculos para a sua inserção em salas de aula. As atividades propostas aos professores em formação utilizam como exemplo para discussão uma série de narrativas histórico-pedagógicas elaboradas para o Ensino Médio. No presente trabalho, apresentam-se as atividades e, por fim, breve relato destacando aspectos de um curso de extensão voltado para esse público específico, no qual, de forma adaptada, as atividades foram realizadas.
Palavras-chave : História e Filosofia da Ciência no Ensino; Natureza da Ciência; Transposição Didática; Narrativas históricas; Formação de professores.
## Considerações iniciais
A defesa da inserção de episódios históricos no Ensino de Ciências, e, em especial, no Ensino de Física vem ocorrendo há algum tempo. Argumenta-se que uma perspectiva histórica pode trazer benefícios formativos para os estudantes: compreensão de aspectos relacionados à natureza do conhecimento científico, compreensão aprofundada de conteúdos científicos específicos e ampliação do nível cultural dos estudantes (MATTHEWS, 1994; PEDUZZI, 2001; MARTINS, 2006; LEDERMAN, 2007; FORATO; MARTINS; PIETROCOLA, 2012).
Um dos principais desafios relacionados à transposição didática da HFC vem sendo a falta de preparação do docente (FORATO; MARTINS; PIETROCOLA, 2012, p. 131). Conteúdos histórico-filosóficos ainda são pouco presentes em salas de aula. Insegurança e desconhecimento do assunto pelos professores costumam ser apontados como fatores que contribuem para essa situação (MATTHEWS, 1995; HARRES, 1999; LEDERMAN, 2007). Torna-se importante, portanto, que professores participem de reflexões sobre a inserção da HFC em sala de aula, conheçam exemplos de propostas didáticas de cunho histórico-filosóficas para a abordagem de
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26 a 30 de janeiro de 2015
conteúdos de ciência e sobre a ciência, desenvolvam competências que lhes permitam compreendê-las de modo aprofundado e adaptá-las aos seus contextos específicos, bem como elaborar suas próprias intervenções didáticas. A transposição para o contexto educacional do conhecimento aprofundado e especializado em História da Ciência implica enfrentar obstáculos (FORATO, 2009; HÖTTECKE, SILVA, 2010; FORATO; MARTINS; PIETROCOLA, 2012). Essas questões são relevantes nos processos de elaboração de propostas didáticas que objetivam tratar de conteúdos científicos e sobre a Natureza da Ciência de modo contextualizado, por meio de episódios históricos. São também importantes para os próprios professores para que propostas sejam adequadamente adaptadas por eles aos seus diferentes contextos de atuação.
Dessa forma, toma-se como ponto de partida a conscientização sobre o papel fundamental dos professores e a decorrente necessidade de prepará-los de forma reflexiva para a difícil tarefa de atuar em importante etapa da transposição didática da HFC. De acordo com esse ponto de vista, apresenta-se material didático direcionado especificamente para a formação de professores, composto por breve argumentação acerca do papel da HFC no Ensino e uma sequência de atividades para esse público específico. O material tem como objetivo discutir aspectos da transposição didática da HFC, retomando desafios e obstáculos para a sua inserção em salas de aula. As atividades propostas aos professores em formação utilizam como exemplo para discussão uma série de narrativas histórico-pedagógicas , 1 elaboradas visando introduzir no Ensino Médio discussões sobre a Natureza da Ciência a partir de episódios da História do Vácuo e da Pressão Atmosférica. No presente trabalho, apresentam-se as atividades direcionadas aos professores e, por fim, breve relato destacando aspectos de um curso de extensão voltado para esse público específico, no qual, de forma adaptada, as atividades foram realizadas.
## Na formação docente: narrativas históricas em perspectiva reflexiva sobre a transposição didática da HFC
O material didático elaborado para o contexto de formação de professores de Física (disponível no site XXX ) é introduzido por uma breve seção de comentários 2 acerca da temática História e Filosofia da Ciência no Ensino. Destacam-se justificativas apresentadas pela literatura da área e recomendações da legislação educacional brasileira, a qual aponta a relevância da HFC para uma formação cidadã. A mesma seção introduz de forma breve o tema transposição didática da HFC, indicando desafios e obstáculos, destacando, sobretudo, a importância do papel do professor nesse processo e a necessidade de que ele esteja preparado de forma consciente para atuar nessa tarefa não trivial. Seguindo esses aspectos introdutórios, são propostas atividades específicas para o contexto de formação de professores que buscam trazer à tona, de forma reflexiva, questões relativas à transposição didática da HFC. Os aspectos abordados são importantes para que os professores em formação reflitam sobre potencialidades, limitações e possibilidades de utilização de textos histórico-pedagógicos em salas de aula.
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O material didático destacado no presente trabalho pode ser utilizado pelo próprio professor em questão, de forma autodidata, com a realização das atividades propostas e leitura dos comentários e discussões sobre essas atividades. Tanto a própria dinâmica do contato com os textos elaborados para o Ensino Médio, quanto as atividades sugeridas são convenientes a esse público em particular e aos objetivos específicos pretendidos. O material foi elaborado de forma a dialogar diretamente com o professor em formação e conserva essa característica ao longo do seu percurso escrito no qual se comenta sobre as atividades realizadas.
Figura 01 : Sumário do material didático: 'Atuando na formação de professores de Física para a inserção da HFC no Ensino Médio: textos histórico-pedagógicos como exemplares'; Aspecto geral de página de narrativa elaborada para Ensino Médio.
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Pode também ser utilizado como subsídio para a realização de cursos de formação de professores que objetivem discutir sobre a inserção da HFC em salas de aula do Ensino Médio. Nesse caso, as atividades propostas podem ser realizadas no curso, de forma individual ou coletiva, e os comentários sobre as atividades apresentados no material didático podem servir como base para encaminhamento de discussões pelo ministrante do curso de formação.
As atividades têm como ponto de partida para discussão os textos elaborados para utilização no Ensino Médio (disponíveis no site XXX): Texto A - 'As concepções sobre o vácuo na Antiguidade'; Texto B - 'E as ideias continuavam surgindo....'; Texto C - 'E a História da Ciência segue, com rupturas e também continuidades...'; Texto D- 'Ideias sobre o vácuo na Idade Média - Parte 1'; Texto E- 'Ideias sobre o vácuo na Idade Média - Parte 2'; Texto F- 'O vazio na Revolução Científica - Parte 1'; Texto G- 'O vazio na Revolução Científica - Parte 2'. Os textos enfatizam de
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modo explícito e contextualizado aspectos relacionados à natureza do conhecimento científico: a cooperação na ciência, a dependência das observações em relação a pressupostos teóricos, a possibilidade de desacordo entre os pesquisadores e a provisoriedade do conhecimento (MCCOMAS et al., 1998). Procuram, explicitamente, contrariar determinadas visões ingênuas de ciência: a-problemática e a-histórica, individualista e elitista, acumulativa de crescimento linear, indutivista e ateórica da ciência (GIL PÉREZ et al, 2001).
## Apresentando as Atividades 1 e 2
Os textos A, B e C do Anexo 1, fazem parte de uma sequência de textos histórico-pedagógicos elaborados para utilização no Ensino Médio. Convidamos você à leitura desses textos iniciais. Em seguida, para cada deles, pedimos que redija uma breve listagem dos episódios históricos que observou ao longo da leitura.
Figura 02 -Atividade 1
Os textos A, B e C, que você leu anteriormente são direcionados para utilização no Ensino Médio. Vamos agora entrar em contato com um texto sobre a mesma temática produzido sem fins didáticos por um historiador da ciência.
Observe em linhas gerais o volume e detalhamento das informações históricas presentes no texto: MARTINS, Roberto de Andrade. O vácuo e a pressão atmosférica, da antiguidade a Pascal. Cadernos de História e Filosofia da Ciência [série 2] 1 (3): 9-48, 1989. Disponível em: https://archive.org/stream/RobertoMartinsPascalLivro/Roberto-Martins-Pascal-livro\_djvu.txt
O que você pode notar sobre a quantidade de informações contempladas quando compara as suas listagens ao que observa no texto do historiador da ciência?
E quanto ao nível de aprofundamento com que os episódios históricos são tratados, você percebe diferenças? Explique .
Figura 03 - Atividade 2
As Atividades 1 e 2 tencionam que os professores em formação contrastem narrativas históricas elaboradas para utilização no Ensino Médio e textos acadêmicos escritos por historiadores da ciência. Na primeira atividade, apresentada na Figura 02, indicam-se aos professores as leituras dos textos 'As concepções sobre o vácuo na Antiguidade', 'E as ideias continuavam surgindo....', 'E a História da Ciência segue, com rupturas e também continuidades...'. Posteriormente, a Atividade 2 os remete ao contato com um texto acadêmico de História da Ciência sobre a mesma temática histórica, porém com fins não pedagógicos.
Em conjunto, essas atividades têm como objetivo que os professores comecem a se dar conta do processo de transposição didática da HFC. As narrativas levadas à sala de aula possuem limitações e características próprias, as quais precisam ser reconhecidas pelos docentes. O volume de informações e o nível de aprofundamento do discurso acerca dos episódios históricos no texto acadêmico são bem distintos do observado nas narrativas históricas. É notória a diferença entre a História da Ciência acadêmica, especializada, e a História da Ciência transposta para o contexto educacional. O texto produzido pelo historiador da ciência é detalhado, riquíssimo em informações, aprofundado. Essas e outras características fazem com que esse tipo de texto geralmente não possa ser recomendado para utilização direta em uma sala de aula do Ensino Médio. Evidencia-se, assim, aspecto observado por Forato (2009, p. 26): 'o produto dos historiadores da ciência não é adequado para o ensino de ciência, requerendo adaptações'.
## Apresentado as Atividades 3 e 4
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A Atividade 3 tem como objetivo buscar a identificação da temática Natureza da Ciência nas narrativas histórico-pedagógicas. No enunciado da atividade, a única informação fornecida ao professor é uma definição acerca dos assuntos englobados pelo título 'natureza do conhecimento científico'. As discussões sobre NdC costumam ser ainda tímidas em cursos de formação de professores, de modo que os mesmos não se sentem seguros para abordar essa temática em sala de aula (MATTHEWS, 1995; MCCOMAS et al., 1998; HARRES, 1999b; LEDERMAN, 2007). Frente a esse contexto, é possível que os docentes tenham dificuldades para realizar a atividade proposta. Essa possibilidade, no entanto, foi conscientemente levada em conta pelos autores do material didático: trata-se de uma atividade de sensibilização, que introduzirá uma discussão mais aprofundada sobre o assunto no material didático proposto.
bjetivos principais dos textos histórico-pedagógicos que você leu é promover no contexto rmações Um dos o educacional a compreensão de aspectos relacionados à natureza do conhecimento científico (o que a ciência é, como funciona, como os cientistas atuam como grupo social, como a sociedade influencia e reage aos empreendimentos científicos, etc.). Que info sobre a Natureza da Ciência você notou nesses textos? Registre o que você
notou.
Figura 04 Atividade 3
- O material proposto para a formação de professores busca, de forma reflexiva, principiar o contato desse público com um aspecto importante do processo de transposição didática e elaboração das narrativas: a escolha de questões sobre a NdC e sua relação com os recortes históricos.
Nesse sentido, descortina-se certo aprofundamento em breve discussão sobre a temática Natureza da Ciência, a qual compõe seção escrita que precede a realização da Atividade 4. Busca-se o reconhecimento das seguintes visões deformadas sobre a ciência (GIL PÉREZ et al , 2001): visão individualista e elitista conhecimento científico como obra de gênios isolados, ignora-se o caráter cooperativista da produção do conhecimento; visão acumulativa de crescimento linear - desenvolvimento científico como consequência de um crescimento linear; visão socialmente neutra - não leva em consideração a complexa relação entre a ciência e a sociedade tornando os cientistas acima 'do bem e do mal'; visão aproblemática e ahistórica - conhecimento transmitido de forma já elaborada, sem contextualizar os problemas que os mesmos tentaram resolver; visão rígida - o 'método científico' é o caminho único para construção do conhecimento científico; concepções empírico-indutivista e ateóricas -destacam o papel 'neutro' da observação e da experimentação, excluindo os pressupostos teóricos inerentes ao processo de construção do conhecimento científico; visão exclusivamente analítica destaca a necessária divisão dos conteúdos para simplificar esses conteúdos.
Na seção anterior realizamos uma breve discussão a respeito de aspectos da natureza do conhecimento científico, indicando oposição a visões deformadas da ciência.
A partir dessa discussão, solicitamos que você releia os textos histórico-pedagógicos, registrando as passagens dos mesmos que ilustram os seguintes aspectos: cooperação na ciência (1), dependência das observações em relação a pressupostos teóricos (2), possibilidade de desacordo entre pesquisadores (3) e provisoriedade do conhecimento (4) .
Identifique as passagens que contrariam as seguintes visões deformadas de ciência: a visão aproblemática e a-histórica (a), a visão individualista e elitista (b), a visão acumulativa de crescimento linear (c) e a visão indutivista e a-teórica da ciência (d). Faça anotações nos próprios textos para identificar/registrar .
Figura 05 -Atividade 4
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Finalizada a discussão dessas visões, a Atividade 4 busca avançar na tentativa de sensibilizar o professor para a percepção da inserção da temática NdC nas narrativas históricas, sobretudo no que diz respeito a identificar trechos que se contrapõem e problematizam as referidas visões.
Pretende-se que o profissional em formação tente perceber especificamente os aspectos sobre a natureza do conhecimento científico tratados nas narrativas, observando como o ensino dessa temática pode se dar de forma explícita e contextualizada por meio dos episódios históricos. Assim, em conjunto, as Atividades 3 e 4 buscam trazer à tona potencialidades dos textos em relação à NdC. Dar-se conta dessas potencialidades é fundamental para que o professor estabeleça, de maneira consciente, quais aspectos pretende enfatizar em possíveis intervenções, realizando adequações ao seu próprio contexto educacional.
## Apresentando a Atividade 5
O foco dessa atividade é observar a superação de determinados obstáculos inerentes à construção das narrativas históricas.
- Observe os textos A a F quanto à formulação discursiva utilizada nos mesmos. Registre seus comentários.
- O que você nota a respeito da linguagem utilizada?
- O que você poderia dizer da relação que se pretende estabelecer entre o aluno e o texto?
- bserva quanto à extensão e formato dos textos? O que o
Figura 06 -Atividade 5
É importante que o professor perceba aspectos da formulação discursiva das narrativas, como a tentativa de estabelecer diálogo com o estudante leitor e a utilização de linguagem coloquial na redação. A extensão dos textos, limitados no máximo a três páginas, bem como a utilização de figuras, também colaboram para a fluidez da leitura. Esses aspectos permitem certa autonomia dos alunos. Por outro lado, não minimizam a importância do papel do professor em intervenções com a utilização dos textos. Muito pelo contrário, é relevante que o professor reconheça tais características (como propõe a Atividade 5) e as explore, tendo em vista a perspectiva de introdução das narrativas em sala de aula. As questões lançadas em diálogo com o leitor, por exemplo, descortinam possibilidades de problematização.
## Apresentando a atividade 6
A relevância de pressupostos centrais da historiografia da ciência para o trabalho docente com a HFC em sala de aula vem sendo reconhecida pelos especialistas:
[...] conhecer alguns pressupostos básicos da historiografia pode auxiliar nos usos da HFC no ensino de ciência, contribuindo para uma leitura mais crítica das versões históricas presentes no ensino de ciências. Essas críticas às distorções da história presentes na educação científica devem-se menos a um preciosismo histórico em si, e voltam-se muito mais à preocupação sobre a visão de ciência que tais versões fomentam em professores e estudantes. (FORATO; PIETROCOLA; MARTINS,2011,p. 36).
A Atividade 6 discute e explora aspectos da historiografia da ciência levados em conta na elaboração dos textos, buscando a sensibilização do professor quanto a particularidades que remontam a questões como anacronismo, história whig,
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pedigree e hagiografia. Partindo de problematização inicial assinalada pela Atividade 6, em setor que a segue no material escrito, essas questões são discutidas de forma sistematizada (VIDEIRA, 2007; FORATO; PIETROCOLA; MARTINS, 2011).
Observe os textos histórico-pedagógicos A a F e registre suas respostas.
- O que você nota quanto às informações biográficas sobre os personagens? E quanto à frequência de informações sobre datas relacionadas aos episódios históricos?
Segundo os textos, quem é o pai dos conceitos de vácuo e pressão atmosférica?
Os textos transmitem a visão de que a História do Vácuo e da Pressão Atmosférica é um conjunto de descobertas pontuais, independentes, realizadas em datas específicas?
Transmitem a visão de que os pesquisadores do passado eram piores do que os do presente? Segundo os textos, os pesquisadores do passado eram ingênuos, se preocupavam com problemas tolos e não sabiam fazer as coisas?
Figura 07 - Atividade 6
## Considerações finais: utilização da proposta em curso de extensão
Uma iniciativa de utilizar de forma adaptada o material apresentado foi realizada em maio de 2014, em curso de extensão na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Foram trinta e seis participantes, dentre os quais figuravam professores atuantes e licenciandos, bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência. Com base no material escrito, realizou-se exposição dialogada introdutória sobre a temática HFC no Ensino. Em seguida, os participantes foram divididos em grupos para a realização das Atividades 1, 2 e 3. As discussões foram posteriormente socializadas. Em segunda etapa do curso, realizou-se exposição dialogada de aprofundamento sobre o tema Natureza da Ciência. Com base no material didático escrito, foram resgatadas recomendações da legislação educacional brasileira e da literatura da área. De forma problematizada, procurou-se caracterizar visões deformadas sobre a ciência. Em seguida, novamente divididos em grupos, os participantes realizaram as Atividades 4, 5, 6. A socialização das respostas dos grupos abriu reflexão sobre as atividades finais.
Ao longo do curso, notou-se que os participantes puderam construir visões próprias sobre a transposição didática da HFC, identificando seus papéis nesse processo. As discussões se prolongaram trazendo à tona aspectos relacionados às potencialidades, limitações e possibilidades de utilização de textos históricopedagógicos em salas de aula. Os resultados previstos para algumas atividades foram antecipados e, em certo sentido, foram mais aprofundados do que se esperava. A identificação de questões relacionadas à NdC, por exemplo, teve início ainda na primeira atividade, por iniciativa própria de alguns participantes, revelando certa maturidade dos mesmos em relação à temática. Adicionalmente, comentários relacionados à formulação discursiva dos textos vieram à tona de forma explícita e espontânea já nas primeiras discussões. Algumas situações chamaram a atenção, indicando a importância de reflexões sobre a historiografia. Durante a realização da primeira atividade, por exemplo, observou-se que dificuldades de alguns participantes remontavam a uma visão positivista de que cada descoberta ocorreria em data específica: como não conseguiam encontrar essa correspondência nos textos, tinham dificuldade em identificar possíveis episódios históricos.
As atividades chamaram a atenção para a importância do papel do professor a necessidade de explorar potencialidades e flexibilizar propostas de acordo com objetivos e contextos. O diálogo foi bastante profícuo ao longo das duas etapas de curso, contribuindo para reforçar a visão dos autores quanto à necessidade de atuar na formação docente visando à inserção da HFC no contexto educacional.
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## Referências
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