FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ENSINO DE ASTRONOMIA: UMA REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA
Alessandra Daniela Buffon, Marcos Cesar Danhoni Neves
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 28/01/2015
- Linha de pesquisa
- Formação De Professores E Prática Docente
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## FORMAÇÃO DE PROFESSORES NO ENSINO DE ASTRONOMIA: UMA REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA
## Resumo
Este artigo tem como objetivo apresentar os resultados de uma pesquisa sobre o estado da arte a respeito de artigos publicados em quatro periódicos de circulação nacional a respeito da formação de professores no ensino de Astronomia. Foram analisadas as revistas ALEXANDRIA - Revista de Educação em Ciência e Tecnologia, Caderno Brasileiro de Ensino de Física, Revista Brasileira de Ensino de Física, Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia (RELEA), em um recorte temporal de 15 anos. O foco foi identificar essa produção e conhecer as principais tendências da pesquisa nesse campo. Nessa perspectiva, foram localizados 15 artigos de um total de 1751 considerados analisados em função dos seguintes aspectos: objetivo, metodologia, público alvo, foco temático do estudo e conclusões. Por meio de uma análise qualitativa, foi possível identificar que os mesmos abordam tanto a formação inicial quanto a formação continuada, relatando saberes docentes, concepções prévias e atividades desenvolvidas. Por conta do número de artigos encontrados concluí-se que é necessário intensificar tal linha de investigação, tornando mais eficiente e ampla a divulgação da produção acadêmica na área de ensino de astronomia. Com base nos dados encontrados, pretende-se colaborar com a divulgação ampla da produção acadêmica na área. Ao mesmo tempo, o estudo possibilita, a partir de investigações decorrentes, apontar as contribuições dessa produção para o ensino e sinalizar com necessidades a serem supridas por futuras pesquisas.
Palavras-chave : revisão bibliográfica; astronomia; ensino de astronomia; formação de professores; estado da arte.
## Introdução
Neste trabalho são apresentados os resultados de uma pesquisa sobre o estado da arte a respeito de artigos publicados em quatro periódicos de circulação nacional relativos à formação de professores no ensino de Astronomia . O objetivo foi identificar essa produção e conhecer as principais tendências da pesquisa nesse campo. Para tal fim, observou-se um recorte temporal de 15 (quinze) anos (1998 a 2013), no que segue:
- · ALEXANDRIA Revista de Educação em Ciência e Tecnologia - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC ) com publicação inicial em 2008;
- · Caderno Brasileiro de Ensino de Física - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) (publicação quadrimestral) com publicação inicial em 1984;
- · Revista Brasileira de Ensino de Física - Sociedade Brasileira de Física (publicação bimestral) com publicação inicial em 1979;
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- · Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia (RELEA) -Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) com publicação inicial em 2004.
A análise dos periódicos iniciou-se por meio da leitura dos resumos de cada artigo. Ao deparar-se com textos referentes à temática 'Formação de Professores', passou-se à leitura do artigo completo, registrando os dados encontrados. O mesmo possibilitou a organização dos dados em 5 (cinco) eixos: título, autor(es), resumo, palavras-chave e observações. Essa organização permitiu a definição de elementos para a seleção dos artigos que realmente vinham ao encontro do estudo, isto é, referente ao que tem sido produzido sobre a temática 'Formação de professores no Ensino de Astronomia', bem como a ampliação do conhecimento sobre essa mesma temática.
- A determinação desse eixo se deu a partir da necessidade de conhecer mais sobre a formação de professores no Ensino de Astronomia em diferentes instituições, a fim de estabelecer relações entre eles e os saberes docentes dos professores interlocutores de uma futura pesquisa.
## Resultado da busca
Foram analisados na ALEXANDRIA - Revista de Educação em Ciência e Tecnologia 140 (cento e quarenta) artigos; no Caderno Brasileiro de Ensino de Física 453 (quatrocentos e cinquenta e três) artigos; na Revista Brasileira de Ensino de Física 1097 (mil e noventa e sete) artigos e na Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia 61 (sessenta e um) artigos, totalizando assim 1751 (mil setecentos e cinquenta e um). Os artigos foram classificados com as seguintes linhas temáticas: Processos Cognitivos de Ensino e Aprendizagem; Materiais, Métodos e Estratégias de Ensino; Seleção, Organização do Conhecimento e Currículo; Formação de Professores e Prática Docente; História, Filosofia e Sociologia da Ciência; Alfabetização Científica e Tecnológica e abordagem CTS; Divulgação Científica e Educação Não Formal; Tecnologia da Informação e Comunicação; Ciência, Cultura e Arte; Educação, Política e Sociedade; Pesquisa em Educação; Linguagem e Ensino, Políticas Públicas em Educação e o Ensino. Ao analisar os dados, inicialmente manteve-se o foco nos aspectos quantitativos.
Com a realização dessa pesquisa, foram encontrados 83 (oitenta e três) estudos abordando a formação de professores e práticas docentes , que equivale a 4,7% dos 1751 (mil setecentos e cinquenta e um) artigos analisados (gráfico 01). Essa organização possibilitou a elaboração de três gráficos, com o objetivo de facilitar a visualização dos dados.
Conforme se percebe com o auxílio do gráfico 02, foram publicados 83 1 (oitenta e três) artigos referentes à formação de professores e práticas docentes , no período anteriormente descrito, nos periódicos analisados, estando assim distribuídos: ALEXANDRIA Revista de Educação em Ciência e Tecnologia (31 37,4%); Caderno Brasileiro de Ensino de Física (25 - 30,1%); Revista Brasileira de
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Ensino de Física (17 - 20,5%) e Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia (10 - 12%).
Gráfico 01: Percentual de artigos relativos a formação de professores e práticas docentes
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Gráfico 02 : Número de artigos publicados relacionados à formação de professores e práticas docentes
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Devido à importância em se acompanhar a publicação temporal dos artigos relacionados à formação dos professores e prática docente, o gráfico 03, mostra que a partir do ano de 2007 as publicações na temática estudada começaram a ficar mais frequentes em todas as revistas, ou seja, percebe-se que a partir dessa época começou-se a dar maior importância para a temática aqui evidenciada. Observa-se que em julho desse mesmo ano foi assinada a Lei nº 11.502 que atribui à
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Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) a responsabilidade pela formação de professores da educação básica -uma prioridade do Ministério da Educação (BRASIL, 2007). O objetivo é assegurar a qualidade da formação dos professores que atuarão ou que já estejam em exercício nas escolas públicas, além de integrar a educação básica e superior visando à qualidade do ensino público. A Política Nacional de Formação de Professores tem como objetivo expandir a oferta e melhorar a qualidade nos cursos de formação dos docentes. Com isso passou a existir mais investimento e reconhecimento nessa área.
Gráfico 03: Números de artigos relacionados à Formação Docente publicados por ano e por periódico
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Após essa primeira análise, foi realizada uma nova filtragem para buscar publicações referentes à formação de professores no Ensino de Astronomia, e para tal fim foi realizada novamente uma leitura nos artigos selecionados obtendo 15 2 (quinze) artigos assim redistribuídos: ALEXANDRIA Revista de Educação em Ciência e Tecnologia (1 - 6,7%); Caderno Brasileiro de Ensino de Física (3 - 20%); Revista Brasileira de Ensino de Física (1 - 6,7%) e Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia (10 - 66,6%).
Com o intuito de compreender em quais anos foram publicados os artigos relacionados à formação de professores no ensino de Astronomia e assim analisar a distribuição temporal dos mesmos, apresenta-se o gráfico 04. A partir dele é perceptível que não há um ano em destaque, ou seja, em quinze anos de análise, em apenas dois anos constatou-se a existência de mais que um trabalho publicado na temática em questão.
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Gráfico 04: Números de artigos relacionados a Formação Docente no Ensino de Astronomia por ano
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## O que dizem os artigos
Ao concluir a etapa quantitativa deste estudo, iniciou-se a análise qualitativa dos fenômenos encontrados. Os artigos foram novamente lidos em busca de elementos que pudessem auxiliar a compreensão dos mesmos. Observou-se que os principais aspectos divergem e convergem entre os artigos analisados. Em geral os artigos abrangem desde a formação inicial até a formação continuada, assim como envolvem professores e alunos das escolas de Educação Básica.
Gonzatti et al (2013) caracterizaram o cenário regional do ensino de Astronomia, estabelecendo um comparativo com o cenário nacional concluindo que os professores têm consciência de suas dificuldades nos diversos âmbitos, e buscam maneiras de melhorar a qualidade de seu trabalho, o que denota seu esforço em tratar tópicos de Astronomia de forma significativa. Nesta mesma perspectiva, Langhi e Nardi (2005) evidenciam as dificuldades de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental quanto ao ensino de Astronomia, objetivando uma contribuição com subsídios para um futuro, sendo que os resultados da pesquisa indicaram dificuldades de ordem pessoal, metodológica, de formação, de infra-estrutura e outras relacionadas às fontes de informações para docentes.
Em relação às concepções prévias e alternativas Leite e Hosoume (2007) destacam o modo de pensar dos professores de ciências do Ensino Fundamental sobre os elementos da Astronomia obtendo como resultado um Universo contendo: Sol, estrelas, planetas e Lua, onde o Sistema Solar é a parte do todo. Muitos indicam o Sol e estelas como coisas diferentes: Sol é um objeto quente e as estrelas são frias. Nessa mesma linha, Sebastià (2004) analisou a situação de ensino (apresentação didática, livros didáticos e como os professores ensinam em sala de aula) e aprendizagem (dificuldades dos alunos) modelo Sol-Terra para o ensino
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secundário e concluiu que uma seqüência didática foi experimentada com diferentes grupos de professores-alunos, que mostram uma melhoria significativa na compreensão de conceitos astronômicos fundamental.
Outro aspecto abordado nos trabalhos diz a respeito às disciplinas dos cursos de formação inicial, como é o exemplo do trabalho de Marandino (1999) que apresenta algumas reflexões sobre o papel da disciplina de Didática de Ciências no Curso de Magistério de 2° grau. A partir de uma experiência concreta, destaca que é fundamental que a disciplina de Didática de Ciências tenha como preocupações a reflexão sobre o objeto de estudo da Ciência a respeito da construção do conhecimento científico e de sua relação com a sociedade, na busca em romper com a visão hegemônica a-histórica e dogmática desta área de conhecimento.
A respeito das atividades desenvolvidas na formação inicial, Longhini (2009) relata como se deu o planejamento, a intervenção e quais os resultados de uma atividade ao ensino de Astronomia, desenvolvida como elemento introdutório a uma disciplina de um curso de licenciatura, e que privilegiou noções de espacialidade, as concepções alternativas dos participantes e o processo de interação entre pares. Bozelli e Nardi (2012) contribuíram com a identificação de saberes que mobilizam futuros professores de Física, durante o contexto interativo discursivo visando à construção do conhecimento científico pelos alunos concluindo que os licenciados mobilizam saberes docentes referentes ao conhecimento do conteúdo e ao conhecimento pedagógico do conteúdo, estando estes relacionados a determinadas situações de integração professor-aluno e aluno-aluno.
Foi possível observar em alguns trabalhos atividades desenvolvidas durante cursos de formação continuada, como citado por Pinto, Fonseca e Vianna (2007) que detalham uma estratégia utilizada em um curso de Astronomia básica de curta duração, desenvolvido, aperfeiçoado e subsidiado por diversas pesquisas sobre concepções prévias de professores e alunos sobre o referido tema. Assim como por Belusso e Sakai (2013) que apresentam atividades desenvolvidas pelo Grupo de Estudos de astronomia (GEA) evidenciando que a realização da pesquisa e das oficinas promoveu o contato direto com a comunidade, a divulgação do projeto de extensão e a disseminação de conhecimentos básicos de astronomia.
Outro foco temático encontrado nos trabalhos diz a respeito à interação com os alunos da Educação Básica. Nessa perspectiva, Queiroz, Sousa e Machado (2009) identificam as atividades que podem ser planejadas numa prática docente de modo que os alunos passem de receptores passivos de informações a elementos ativos no processo de aprendizagem levando a conclusão de que a participação ativa do professor num grupo de pesquisa na universidade o levou à reflexão sobre caminhos didáticos possíveis de serem descritos, analisados e comunicados a outros professores. Langhi (2009) destaca procedimentos de observações astronômicas de um fenômeno natural, estabelecendo, assim, relações entre as comunidades científica, amadora e escolar, levando a uma mudança na prática de trabalho dos professores ficou evidente principalmente durante o encontro em que ocorreram as reflexões coletivas docentes.
Em relação aos instrumentos de ensino, Soares e Nascimento (2012) destacam algumas reflexões sobre a maneira como um grupo de professores se apropriaram dos instrumentos do kit para o ensino de astronomia (KITPEA) concluindo que os mesmos precisam vivenciar o uso desses instrumentos, tendo, assim, a oportunidade de superarem suas próprias limitações.
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Por fim, atividades de extensão são mencionadas por Trevisan e Lattari (2000) ao descreverem os objetivos, a metodologia e a implantação de um Clube de Astronomia, dirigido principalmente a professores de Ciências do Ensino Fundamental e professores de Física do Ensino Médio. Assim como por Damasio, Allain, Rodrigues (2013) ao delinearem a formação de divulgadores científicos durante a sua formação inicial como docentes em Ciências da Natureza por meio de um clube de Astronomia. Ambos os trabalhos concluem que o trabalho de formação docente e divulgação científica por meio do clube de astronomia criam condições para o desenvolvimento do método científico e proporciona oportunidades para que os licenciandos e professores possam desenvolver, também em suas escolas, clubes como estes.
## Considerações Finais
Foi apresentada, neste trabalho, uma revisão bibliográfica a respeito da formação de professores no ensino de Astronomia , a fim de subsidiar um projeto de pesquisa sobre os saberes docentes no Ensino de Ciências com ênfase em Astronomia, em andamento, com professores de ciências do Ensino Fundamental, com o objetivo de contribuir para futuros cursos de formação continuada na área.
Faz-se necessário ressaltar a importância de estudos como o aqui apresentado. Estudos de revisão bibliográfica como este visam colaborar com a divulgação ampla da produção acadêmica nesta determinada área, buscando uma maior socialização dos conhecimentos produzidos, traçando algumas de suas tendências. Ao mesmo tempo possibilita, a partir de investigações decorrentes, apontarem as suas contribuições para o ensino e sinalizar com necessidades a serem supridas por futuras pesquisas.
A partir da revisão aqui delineada pode-se perceber que o cenário da educação brasileira sinaliza para a incorporação de estudos relacionados à formação de professores no ensino de astronomia tanto na formação inicial, quanto na continuada de professores de ciências diante das inúmeras dificuldades relatadas relacionadas a estes temas. Por fim, é preciso, intensificar tal linha de investigação, tornando mais eficiente e ampla a divulgação da produção acadêmica na área.
## Referências
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científicos. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia - RELEA, n. 14, p. 65-77, 2013.
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LANGHI, Rodolfo. Educação em Astronomia e formação continuada de professores: a interdisciplinaridade durante um eclipse lunar total. Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia - RELEA. n. 7, p. 15-30, 2009.
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