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CONTRIBUIÇÕES DA ESCOLA DE FÍSICA DO CERN PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM SERVIÇO E O DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES DE ENSINO DE FÍSICA MODERNA e CONTEMPORÂNEA NO COLÉGIO DE APLICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

Gabriela Kaiana Ferreira, Alfredo Mullen Da Paz, Kleber Briz Albuquerque, Toni Fernando Mendes Dos Santos, Israel Müller Dos Santos

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## CONTRIBUIÇÕES DA ESCOLA DE FÍSICA DO CERN PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM SERVIÇO E O DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES DE ENSINO DE FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA NO COLÉGIO DE APLICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

## Gabriela Kaiana Ferreira , Alfredo Mullen da Paz , Kleber Briz Albuquerque , 1 2 3 Toni Fernando Mendes dos Santos 4 , Israel Müller dos Santos 5

- 1 Universidade Federal de Santa Catarina/Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica/Colégio de Aplicação, gabikaiana@gmail.com
- 2 Universidade Federal de Santa Catarina/Colégio de Aplicação, apaz@ufsc.br
- 3 Universidade Federal de Santa Catarina/Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica, kleber.ufsc09@gmail.com

## Resumo

Nesse artigo temos o intuito de abordar o papel formador e motivador para a prática docente desempenhado pela Escola de Física em Língua Portuguesa do CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire), a partir das percepções de dois professores de Física. Apresentamos e analisamos as experiências vividas na Escola de Física e as atividades desenvolvidas ao retorno no Colégio de Aplicação (CA) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Podemos adiantar que as atividades desenvolvidas, como a elaboração de materiais didáticos, organização de palestras e o desenvolvimento da atividade avaliativa no ambiente virtual de aprendizagem, contribuíram para os professores e bolsistas de iniciação à docência (ID) envolvidos se sentirem motivados em modificar suas práticas docentes e incluir conteúdos de Física Moderna e Contemporânea (FMC) no seu programa de ensino, buscando superar assim, algumas das dificuldades apontadas pela literatura da área. Além disso, apesar dos estudantes demonstrarem dificuldades na compreensão de conteúdos de FMC, as experiências positivas vividas por eles com as atividades desenvolvidas indicaram auxiliar na elaboração de explicações mais satisfatórias, e que consequentemente, adquiram um nível de aceitação maior pelos alunos, dada o crescimento na motivação que eles apresentaram em querer aprender Física, consequência também de uma prática docente diferenciada ao longo dessas atividades.

Palavras-chave : Escola de Física do CERN, Prática docente.

## A Escola de Física em Língua Portuguesa do CERN: papel formador e motivador para a prática docente de professores de Física

O CERN (European Organization for Nuclear Research), localizado em Genebra na Suíça, é hoje um dos maiores laboratórios de pesquisa em Física do mundo. Além dos diversos programas de pesquisa que promove, desenvolve um programa de Educação destinado a professores de inúmeros países, inclusive o Brasil. Desde 2007, o CERN vem realizando anualmente Escolas de Física destinada a professores de escolas secundárias portuguesas, passando a convidar também professores de escolas de países lusófonos, a exemplo: Brasil, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, assim como o Timor Leste, a partir de 2009. No Brasil, esse

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26 a 30 de janeiro de 2015

programa é coordenado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF), com apoio do Centro Brasileiro de Pesquisa em Física (CBPF) e recursos oriundos da Coordenação de Aperfeiçoamente de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que selecionam anualmente professores de Física que atuam na Educação Básica.

Nessa Escola são tratados tópicos de Física Moderna e Contemporânea (FMC), mais especificamente de Física de Partículas, necessários ao entendimento do mundo tecnológico em que vivemos, mas ainda ausentes nos currículos de Física, seja pela formação deficiente da maioria dos professores em relação a esse tema, quanto pela falta de estratégias metodológicas para abordagem do tema na educação básica. Nesse contexto, além de contribuir para a formação dos professores, a participação nessa Escola de Física se reflete fortemente na formação dos alunos, que se beneficiam com as atividades previstas e desenvolvidas por todos os professores quando retornam às suas instituições de origem. A curiosidade e interesse dos alunos em conhecer e aprofundar os conceitos da FMC ficam perceptíveis quando, em sala de aula, questionam notícias e informações que ouvem ou leem sobre aceleradores de partículas, antimatéria e novas partículas, por exemplo. Esses temas, dentre outros em evidência nas pesquisas em Física, muitas vezes motivam alunos e professores a quererem conhecer e explorar a complexidade envolvida em um dos maiores e mais importantes experimentos de Física de Partículas da atualidade, conhecido como o LHC (Large Hádrons Colider).

A necessidade e importância da inserção de tópicos de FMC no programa da disciplina de Física para o ensino médio já são sinalizadas nos livros didáticos e pesquisas por estar presente na vida da sociedade, principalmente através da tecnologia (VALADARES e MOREIRA, 1998; BRASIL, 2002). A compreensão de como se dá a construção de novos conhecimentos a partir da vivência em um ambiente como esse, vê-se refletida na prática docente e consequentemente nas atividades desenvolvidas, com os alunos da educação básica, que abordam tais conteúdos.

Aspectos afetivos como curiosidade e interesse, além de aumentarem a motivação dos alunos para estudarem Física, contribuem para o estabelecimento de vínculos afetivos com o conhecimento, refletindo consequentemente na melhoria da aprendizagem (FERREIRA, 2012; CUSTÓDIO e PIETROCOLA, 2007). Esses vínculos são constituídos pelas experiências do sujeito com o conhecimento em questão. As crenças do sujeito sobre o que é a Física e como ela é construída, por exemplo, influenciam o julgamento sobre sua capacidade de aprender Física (BANDURA, 2006). Participar dessa escola é uma oportunidade singular para qualquer professor de Física promover o estreitamento desses vínculos.

Além disso, a possibilidade de compartilhar experiências e aprender in loco em um dos maiores e mais importantes centros de pesquisa do mundo, onde se faz e com quem faz ciência, de aprender e acompanhar a evolução dos conceitos da Física de Partículas com os pesquisadores que a produzem, ou seja, com aqueles que constroem o saber sábio, pode contribuir para a construção de uma concepção mais adequada de como o conhecimento científico é construído. Gil-Pérez et al (2001) evidenciam a importância de reconhecer as visões deformadas dos professores com relação ao trabalho científico, tendo em vista que a concepção epistemológica adotada por estes, definem suas posturas enquanto docentes. Posicionamentos permeados por concepções inadequadas ou deformadas, formam

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um esquema conceitual integrado e implicam na reprodução de modelos sobre a construção do conhecimento científico socialmente aceito de uma ciência: 1) empírico-indutivista e ateórica; 2) rígida e algorítmica; 3) aproblemática e ahistórica; 4) exclusivamente analítica; 5) acumulativa de crescimento linear; 6) indutivista e elitista; e 7) descontextualizada e socialmente neutra. Entre as justificativas para a aceitação e reprodução desse tipo de concepção pelos professores, são apontados: a falta de reflexão crítica e a experiência de uma formação restrita à apresentação de conhecimentos rígidos e imutáveis. Uma visão aceitável do trabalho científico pode ser construída recusando-se ideias do método científico e de um empirismo ingênuo, refletindo-se sobre o papel do pensamento divergente na investigação, a procura de coerência global e a compreensão do caráter social do conhecimento científico (GIL-PÉREZ ET AL, 2001).

A Escola de Física oportuniza exatamente a desmistificação de uma imagem deformada da produção de conhecimento científico. Palestras e visitas são realizadas sempre com grupos de cientistas e pesquisadores, que valorizam a interação com os professores estimulando constantemente que se façam questionamentos. Ao que parece, os pesquisadores gostam de evidenciar a importância do que fazem, ressaltando o papel do trabalho coletivo em cada uma das equipes dos detectores ATLAS ( A Toroidal LHC ApparatuS ), CMS ( Compact Muon Solenoid ), LHCb (Large Hadron Collider beauty) e ALICE ( A Large Ion Collider Experiment ). Nas visitas aos centros de pesquisas, é possível observar muitos investigadores trabalhando. O coração do fazer científico pulsa enquanto circulamos pelas suas veias e artérias. Sentimos com frequência toda aquela emoção.

## Experiências e percepções de dois professores participantes

As experiências dos professores do CA como participantes da Escola de Física do CERN ocorreram em dois momentos distintos: na primeira edição, no ano de 2009 (30 de agosto a 04 de setembro), e na quinta edição, no ano de 2013 (01 a 06 de setembro).

No ano de 2009, a Escola contou com a participação de 12 professores brasileiros, 45 portugueses e 5 moçambicanos. Os professores brasileiros dessa primeira turma eram todos provenientes de escolas públicas, critério que foi ampliado com as novas edições. Nessa primeira Escola fomos privilegiados com a oportunidade de visitar todos os grandes detectores (ATLAS, ALICE, CMS e LHCb), pois o experimento estava em manutenção devido ao acidente no sistema de arrefecimento que destruiu alguns ímas supercondutores em 19 de setembro de 2008, conforme anunciado pelo diretor do CERN na época, Robert Aymar (CIÊNCIA HOJE, 2008). As turmas dos programas dos anos subsequentes não puderam descer em todos os detectores, pois se encontravam em funcionamento, o que impossibilitou a circulação de pessoas pelas cavernas e detectores por questão de segurança, tendo em vista a radiação emitida pelas colisões dos feixes e as baixas temperaturas sob as quais o experimento funciona.

Entre as experiências significativas da Escola, vale ressaltar o contato e o trabalho conjunto de professores da educação básica dos três países bastante proveitoso no sentido de compartilhar experiências metodológicas, fundamentalmente quanto ao tratamento das questões discutidas na tentativa de realizar a transposição didática adequada dos conteúdos de FMC para o nível do ensino médio. Outro ponto que merece destaque consiste na preocupação do CERN

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com a transparência de tudo que ocorre nas suas dependências e de todo o processo de divulgação da pesquisa lá realizada de forma clara e didática. Os ambientes do CERN como salas de trabalho, centrais de controle e de manutenção, são todos visíveis ao público, separados apenas por paredes de vidro, e as visitas eram guiadas pelos próprios pesquisadores. Os visitantes podiam circular dentro e entre as pessoas que trabalhavam no laboratório e que se encontram a frente das maiores e mais importantes pesquisas científicas da atualidade.

A detecção do bóson de Higgs pelos detectores ATLAS e CMS no ano de 2012, fez com que as pesquisas e experimentos passaram por aprimoramentos em 2013. O objetivo desses era realizar um upgrade para aumentar a energia dos detectores, levando-os a funcionarem com o dobro da energia utilizada até o momento nas colisões (de 3,5 TeV para 7,0 TeV cada feixe), para que seja possível determinar as características do bóson com maior precisão. Assim, os quatro detectores principais e o próprio LHC encontravam-se desativados, o que nos possibilitou, agora em 2013, descer 100 m abaixo do nível do solo e circular pelos aceleradores e desaceleradores de partículas, visualizar os detectores CMS e LHCb abertos e presenciar os esforços dos engenheiros do CERN em realizar a manutenção deles. Entre outras singularidades desta edição da Escola, tivemos a 'sorte' de encontrar o prêmio Nobel de Física de 1976, Samuel Ting, pelos corredores do CERN, e se já não bastasse a euforia, compartilhar a mesma mesa durante um almoço com o Nobel. Tais acontecimentos acabam tornando cada nova Escola, a cada novo ano, experiência única para os participantes.

No meio de tantas discussões sobre conceitos de Física e a imersão em um contexto em que se respira Ciência, foi possível refletir sobre a atividade científica. A necessidade de um experimento elaboradíssimo para a detecção de partículas ainda não conhecidas, reforça a importância da experimentação na construção do conhecimento científico. É perceptível na fala dos pesquisadores que acompanham os professores nas visitas, a preocupação com a montagem, calibração e execução dos experimentos realizados no CERN a fim de reproduzirem e representarem com precisão os fenômenos conhecidos até então, antes de se pretender buscar novas partículas e explicações para fenômenos ainda não conhecidos. Além do mais, detectar essa partícula é muito mais que uma observação convencional, é um processo de intervenção na realidade, tendo em vista a necessidade de empregar altas energias na busca do bóson de Higgs. Os procedimentos para se conseguir determinar as características do bóson de Higgs, realizados nos anos de 2013 e 2014, consistiram em modificar o experimento, aumentando-se a energia associada a cada colisão, e a repetição, elevando consideravelmente o número de colisões e, consequentemente, de detecções. Esses dois procedimentos foram intervenções necessárias, e por isso, realizadas com muita cautela pelos pesquisadores, tendo em vista que nas ciências físicas frequentemente recorre-se ao experimento como fonte confiável para a validação do conhecimento científico.

Não há dúvidas de que participar da Escola de Física do CERN tenha sido uma experiência paradoxal: conhecer o que há de mais novo no mundo das partículas num 'pedacinho' particular do Velho Mundo. Entre tantas expectativas de entrar nesse universo que até poucos dias nos parecia tão distante, trazemos na bagagem a responsabilidade de compartilhar conhecimentos e experiências que marcaram, não apenas aqueles poucos dias, mas transformaram nossas práticas, nosso mundo e o de nossos alunos.

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## Atividades de ensino desenvolvidas

A renovação da prática docente ficou explícita com tantas aprendizagens, novas ideias e propostas de atividades que foram desenvolvidas. Com as experiências dos professores participantes e apoio dos IDs, foi incluído no programa das 3ªs séries do EM, os conteúdos de Física Moderna pela primeira vez em 23 anos, numa experiência bastante proveitosa para os alunos, IDs e professores da disciplina. Nessa seção, relataremos e analisaremos as atividades implementadas no CA no ano de 2013, entre as quais: a produção de material didático, palestras e a visita virtual ao ATLAS. Essas atividades foram desenvolvidas pelo grupo de professores de Física do CA e bolsistas de iniciação à docência (ID) do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da disciplina de Física que 1 atuam na instituição.

## Produção de material didático

Como já comentado, por terem a oportunidade de visitar um dos maiores centros de pesquisa científica do mundo, os professores do CA demostraram interesse em divulgar a experiência que tiveram e, consequentemente, introduzir os conteúdos de FMC em algum momento ao longo do ano em suas turmas. Até 2012, o professor, que participou da Escola de Física no CERN em 2009, realizava com seus alunos uma palestra contando suas experiências e relacionando os conteúdos de eletromagnetismo com alguns dos processos que ocorrem no acelerador . Em 2 2013, com um engajamento maior dos bolsistas do PIBID e a recém participação de outra professora do CA neste programa do CERN, os professores resolveram modificar a prática realizada para inserção de conteúdos de FMC.

Entre as atividades desenvolvidas, a principal contribuição do grupo foi a elaboração de um material no formato de apostila contendo conteúdos de FMC. Os professores e IDs selecionaram alguns tópicos que consideraram importantes para ampliar a compreensão dos fenômenos físicos envolvidos com as pesquisas realizadas no CERN e buscaram produzir um material que subsidiasse as aulas e discussões, palestras e atividades que se seguiriam. Os tópicos escolhidos para constituírem a apostila foram:

- · Modelos Atômicos, Núcleo, Radioatividade e Efeito Fotoelétrico -Por tratarem da estrutura da matéria, suas propriedades e permitir uma compreensão maior de como são feitos os feixes de partículas utilizados nos aceleradores;

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- · Matéria Escura e Energia - Por ser uma questão científica em aberto, trazida inclusive nos materiais disponibilizados pelo próprio CERN. Além de poder despertar o interesse e a curiosidade dos alunos.
- · Física de Partículas - É o conteúdo principal envolvido no curso que os professores tiveram oportunidade de participar.

Segundo Rezende e Cruz (2009), os conteúdos de FMC trazem conceitos com um formalismo matemático e discussões conceituais bem diferentes daqueles utilizados em tópicos tradicionalmente ensinados na Física, como associação de resistores ou cinemática. Apesar dos professores terem interesse em tratar esses tópicos, uma das maiores dificuldades apontadas por eles é a insegurança ao trabalhar com esses conteúdos, seja por falta de domínio do próprio núcleo conceitual, geralmente associado às fragilidades em sua formação inicial, ou ainda, pela falta de clareza com relação à transposição didática desses conteúdos, a transformação do saber sábio em saber escolar.

Em vista disso, o material foi preparado com antecedência pelos IDs e professora e submetido a revisão do grupo antes que fosse disponibilizado aos alunos. Em geral, cada tópico traz uma descrição histórica que demonstra como os conceitos envolvidos se desenvolveram com o tempo, acompanhado de uma pequena formalização conceitual. O principal objetivo da abordagem escolhida foi chamar a atenção para aspectos conceituais e questões que surgiram ao longo da história, e que permitiram o desenvolvimento e progresso do conhecimento científico. Em outras palavras, buscamos, com esse trabalho, além de abordar conteúdos de FMC, desmistificar algumas das visões inadequadas e deformadas da ciência, como apontado por Gil-Pérez et al (2001).

## Palestra sobre dualidade onda-partícula

Como uma das atividades planejadas, convidamos um professor pesquisador da área de Física da UFSC para ministrar uma palestra sobre dualidade onda-partícula. O tema foi essencial, pois, além de não estar incluído nos tópicos selecionados para elaboração da apostila, foi um conteúdo importante para esclarecer a diferença entre a Física Clássica e Quântica, tendo em vista que a discussão realizada pelo professor pesquisador tratou dos modelos utilizados para explicar o comportamento da luz - iniciando com as diferenças entre entes ondulatório e corpuscular, seguindo com o experimento do efeito fotoelétrico para expor a característica corpuscular da luz, finalizando com o experimento do interferômetro de Mach-Zehnder (RICCI, OSTERMANN e PRADO, 2007), demonstrando a característica ondulatória da luz e seu comportamento dual. Os alunos se mostraram bastante curiosos quanto ao tema. As perguntas realizadas após a palestra mostravam que alguns já tinham previamente contato com esse tipo de informação, mas nunca antes a oportunidade de esclarecer suas dúvidas de maneira formal. A estranheza com que alguns viam o tema, inicialmente, já não era mais tão aparente em suas falas ao término da palestra.

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## Visita Virtual ao ATLAS

No dia 18 de novembro de 2013 realizamos uma atividade denominada Visita Virtual ao ATLAS com os alunos das três turmas de 3ª série e uma turma de 3 1ª série do ensino médio do CA que teve duração de aproximadamente 1h. A visita foi conduzida pelo pesquisador brasileiro Denis de Oliveira Damazio, acompanhado pelo estudante brasileiro Rafael Gonçalvez, que nos levou a conhecer as instalações da central de controle e do detector a partir da sala de controle do ATLAS. Ao final da atividade, os alunos e IDs puderam levantar questões sobre a pesquisa em Física de Partículas, entre as quais sobre radiação, antimatéria e história do CERN e construção do LHC, e influência das pesquisas desenvolvidas no CERN em nossas vidas. As questões elaboradas pelos alunos evidenciaram o interesse e curiosidade por conhecerem e até mesmo buscarem esclarecer dúvidas e mitos que muitas vezes são apresentados em livros e documentários.

## Atividade Avaliativa

Após a palestra e a visita virtual ao ATLAS, a apostila foi disponibilizada aos alunos por um período de 10 dias no ambiente virtual de aprendizagem utilizado pelo CA, a plataforma Moodle. Neste mesmo ambiente foi disponibilizada também uma avaliação elaborada pelos IDs, baseada no material didático e na palestra sobre dualidade onda-partícula. A avaliação foi elaborada na ferramenta denominada questionário sendo constituída de oito questões nos seguintes formatos: quatro de múltipla escolha, uma seletiva, duas para relacionar conceitos e sentenças, e uma aberta. As sete primeiras questões tinham respostas fechadas e a última questão exigia uma resposta dissertativa que foi avaliada pelos IDs após a finalização da atividade. Todas as questões eram conceituais e foram elaboradas com o intuito de estimular os alunos a fazerem conexões entre os diferentes tópicos, como exemplo, questões que envolviam, simultaneamente, conceitos de núcleo atômico, modelos atômicos e radioatividade.

O questionário foi respondido por 68 alunos, de um total de 75, sendo que apenas três tiveram desempenho insatisfatório (média abaixo de seis). Apesar de um estudo aprofundado com os dados obtidos ser necessário para que possamos verificar a qualidade de aprendizado por parte dos alunos, durante as atividades foi possível observar um aumento de interesse por parte desses, onde os mesmos demostraram querer aprender mais sobre Física e sobre estes tópicos de FMC. Além disso, o conjunto de atividades elaboradas nos forneceu indícios de que a palestra permitiu desmistificar as concepções erradas da ciência, como podemos ver em algumas respostas à questão aberta:

Aluno A: 'Esse foi um seminário super interessante, que nos mostrou que a física está em, constante transformação .'

Aluno B: 'O seminário vimos que há muito tempo o homem vem discutindo se a matéria tem algo em comum, e como ela é formada.'

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Além disso, nas respostas apresentadas pelos alunos a essa questão, foi possível identificar relações entre o que foi discutido no material didático e o que foi apresentado pelo palestrante, o que podemos associar não apenas a um maior interesse por esses assuntos, mas também uma visão reflexiva sobre esses conteúdos, que consequentemente pode levar a uma aprendizagem mais efetiva.

## Considerações Finais

A experiência e formação adquirida na Escola de Física do CERN permitiu uma melhor compreensão de como são realizadas as atividades científicas, ajudando-os a refletir sobre e evitar a propagação de concepções deformadas, como apontado por Gil-Pérez et al (2001). Nas atividades desenvolvidas, em especial palestra e elaboração do material didático, buscou-se dar ênfase aos aspectos históricos essenciais a construção do conhecimento científico. Em algumas das respostas elaboradas pelos alunos na atividade avaliativa é possível identificar aspectos que contribuíram para formar uma visão de um conhecimento científico não neutro e socialmente construído.

Oportunidades de formação docente como essa marcam profundamente a atividade profissional de qualquer professor de Física. Viver, ainda que por poucos dias, em um mundo que só se vê em livros e filmes de ficção científica, ou melhor, representado, nos documentários científicos é uma experiência singular. A esperança de algum dia poder revivê-la fica latente. Talvez um dia cada professor tenha a oportunidade de voltar.

Com relação às atividades desenvolvidas, podemos afirmar que o interesse demonstrado pelos alunos em participar da palestra, visita virtual e atividade avaliativa contribuíram para os professores e IDs envolvidos se sentirem motivados em incorporar conteúdos de FMC e inovar suas práticas docentes, buscando superar assim, algumas das dificuldades apontadas pela literatura da área (REZENDE JUNIOR e CRUZ, 2009). Entretanto, mesmo considerando os temas de FMC abordados interessantes, os estudantes reconhecem possuirem muitas dificuldades de compreenderem e elaborarem explicações sobre os fenômenos do mundo submicroscópico, mas que as experiências positivas vividas por eles com as atividades podem auxiliar na elaboração de explicações mais satisfatórias, e que consequentemente, adquiram um nível de aceitação maior pelos alunos, dada o crescimento na motivação que eles apresentaram em querer aprender Física, consequência também de uma prática docente diferenciada ao longo dessas atividades (CUSTÓDIO e PIETROCOLA, 2007).

## Referências

BANDURA, A. Adolescent development from an agentic perspective. In: PAJARES, F; URDAN, T. Self-eficacy beliefs of adolescents. Connecticut: Information Age Publishing, 2006. p. 1-43.

BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO.Secretaria de Educação Básica. PCN+ Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias , 2002.

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CIÊNCIA HOJE. Acelerador de partículas: fuga de hélio deveu-se a ligação eléctrica defeituosa, 17 de outubro de 2008. Disponível em:

<http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=28118&op=all>. Acesso em: 16 de julho

de 2014.

CUSTÓDIO, J. F.; PIETROCOLA, M. Status afetivo e sentimento de entendimento: critérios de aceitação de explicações escolares. In: Encontro Nacional De Pesquisa Em Educação Em Ciências , 6., 2007, Florianópolis, SC. Anais... Florianópolis, 2007.

FERREIRA, G. K. Investigando a influência do domínio afetivo em atividades didáticas de resolução de problemas de física no ensino médio . Dissertação de mestrado, Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Tecnológica, Universidade Federal de Santa Catarina, 2012.

PÉREZ, G. et al. Para uma imagem não deformada do trabalho científico. Ciência e Educação . Vol. 7. n. 2, p. 125-153, 2001.

RICCI, T. F.; OSTERMANN, F.; PRADO, S. D. O tratamento clássico do interferômetro de Mach-Zehnder: uma releitura mais moderna do experimento da fenda dupla na introdução da física quântica. Revista Brasileira de Ensino de Física. Vol. 29. n. 1, 79-88, 2007.

REZENDE JUNIOR, Mikael; CRUZ, Frederico. Física moderna e contemporânea na formação de licenciandos em física: necessidades, conflitos e perspectivas. Ciência e Educação (Bauru) , v. 15, n. 2, 2009.

VALADARES, Eduardo de Campos; MOREIRA, Alysson Magalhães. Ensinando Física Moderna no Segundo Grau: Efeito Fotoelétrico, Laser e Emissão de Corpo Negro. Caderno Catarinense de Ensino de Física , ago.1998, v. 15, n. 2: p. 121-135.

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