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A FORMAÇÃO DA PRÁTICA REFLEXIVA DE FUTUROS PROFESSORES DE FÍSICA A PARTIR DE UMA PROPOSTA DE ELABORAÇÃO DE UMA AULA TEMÁTICA

Francisca Taísa Oliveira Da Silva, Rodolfo Langhi, Fabiana Andrade De Oliveira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Formação De Professores E Prática Docente
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## A FORMAÇÃO DA PRÁTICA REFLEXIVA DE FUTUROS PROFESSORES DE FÍSICA A PARTIR DE UMA PROPOSTA DE ELABORAÇÃO DE UMA AULA TEMÁTICA

Francisca Taísa Oliveira da Silva , Rodolfo Langhi , Fabiana Andrade de 1 2 Oliveira 3

1 Graduanda do Curso de Física da UNESP, taisa.oliveira.silva@gmail.com

Apoio: CNPq

## Resumo

Este trabalho apresenta alguns dos resultados de uma pesquisa qualitativa a partir de reflexões de graduandos de um curso de Licenciatura em Física, registradas durante a disciplina de Instrumentação para o Ensino de Física. A proposta da disciplina foi a elaboração de aulas temáticas durante a primeira parte do primeiro semestre de 2013, acompanhada de discussões coletivas, seguidas pelas suas respectivas aplicações, sendo as aulas ministradas pelos licenciandos na segunda parte do semestre sob a forma de um minicurso de extensão universitária para alunos do Ensino Médio. Visando um modelo formativo reflexista, segundo referenciais da formação de professores, as aulas foram seguidas por reflexões individuais e coletivas, uma das quais se discute neste trabalho. Destarte, eclodiu desta experiência uma análise profunda sobre o papel do professor na construção dos saberes docentes para o enfrentamento do ensino de Física na sociedade contemporânea, assim como a efetiva importância da instrumentação para o gerenciamento de aulas sob a abordagem temática. Este artigo relata uma das análises elaboradas durante este processo de construção de aulas temáticas e de reflexões realizadas em sala, mediadas pelo professor.

Palavras-chave : Abordagem temática; modelo formativo reflexista; professor reflexivo; formação de professores; Três Momentos Pedagógicos

## Introdução

Uma discussão sobre Educação pode se iniciar em qualquer lugar, mas é esperado que esta discussão tenha sua origem nas mentes de professores que se preocupam com outros professores. Avaliar se uma ação é boa ou não implica listarmos pontos que consideramos eticamente e moralmente positivos; o que é tarefa filosoficamente árdua. Assim, as licenciaturas tem sido palco para a manifestação dos muitos pensamentos, discussões, formulações, saberes institucionalizados. Pensar no papel do professor é reelaborar a ação em sala de aula. É redefinir, de tempos em tempos, o que nos motiva e nos permite reconstruir nossa prática de forma reflexiva.

Ao analisar os trabalhos publicados nas revistas cientificas, apresentações em congressos e simpósios, percebe-se um movimento cada vez mais crescente e que tem se configurado em um campo de pesquisa reconhecidamente importante dentro do Ensino de Física: trata-se da formação de professores e da prática

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26 a 30 de janeiro de 2015

docente. O que nos propõe esta recente área da pesquisa em Ensino de Física é o desafio pedagógico de transpor didaticamente os conteúdos da Ciência ao aluno, de modo que o saber possa ser incorporado na sua vivência intelectual, transformando a Física na sua principal ferramenta em aduzir soluções a problemas sociais, exercendo desta forma seu papel na coletividade como personagem ativo do processo da modernização.

Deste modo, o estudo deste artigo é mais uma reflexão que se orienta em suscitar novas discussões e acalorar as que já estão em pauta neste cenário. É ter em mente, como nos faz pensar Langhi e Nardi (2012, p. 19) '[...] o essencial é que ensinem e preparem o professor a começar a ensinar, de modo que estes se sintam responsáveis pelo seu próprio desenvolvimento profissional'. De fato, para que o professor assuma tal responsabilidade, ele precisa vivenciar um processo reflexivo durante sua própria formação inicial.

Sendo assim, este trabalho apresenta alguns dos resultados de uma pesquisa qualitativa que visou estudar as reflexões de graduandos de um curso de Licenciatura em Física, registradas durante a disciplina de Instrumentação para o Ensino de Física. Especificamente neste artigo trataremos das reflexões de apenas um dos graduandos do grupo de análise ao trabalhar com uma aula temática que abordou as questões sobre as enchentes da região.

## Referenciais teóricos

As discussões e análises relatadas tiveram sua gênese nos documentos oficiais do PCN (BRASIL, 2002), nas Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (BRASIL, 2006). Mas, a fundamentação teórica teve seu lugar principalmente nos referenciais sobre formação de professores e seus modelos formativos, conforme amplamente discutido em Langhi e Nardi (2012), bem como sobre a abordagem temática no ensino de Física (DELIZOICOV, 2001).

Ao nos referirmos à Educação, a atitude analítica nos conduz a um panorama de múltiplas configurações teóricas. A exemplo, os PCN e as Orientações Curriculares nos apresentam uma proposta que fomenta o pensamento reflexivo e que propõe tanto ao ensino quanto a pesquisa a função de redefinir o professor em sala, proporcionar aos alunos a experiência e aquisição de novas competências e habilidades.

De acordo com as Orientações Curriculares para o Ensino Médio (BRASIL, 2006), um dos primeiros obstáculos durante a escolha da metodologia 'certa', é entender o que se aplica ao conceito de 'Competências'. Assim, os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2002) vislumbram práticas que vão orientar os professores e a escola a entender e buscar em seu ensino a autonomia crítica do aluno, que se acredita, terá reflexo direto em seu discurso político, econômico e social. Os PCN e o Currículo discutem, primordialmente, que um 'bom ensino' é aquele que promove competências e habilidades dos alunos para o enfrentamento da vida social e as exigências do mundo moderno.

Dentro do ambiente escolar, a noção de competência é trabalhada dentro de dois enfoques: quanto aos saberes escolares e quanto à relação didática, inserido no mundo moderno. A tecnologia deve, com primazia, ser tratada como uma atividade humana de valor. A formação crítica do aluno deve, portanto, oferecer além da apropriação da linguagem, subsídios para o questionamento ético e político.

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Assim, a noção de competência é entendida como uma possibilidade de colocar o ensino em destaque. Tal relação didática tenta projetar na escola a relação de um ensino que tem fim na aprendizagem visando objetivos do conhecimento contextualizado. E esta relação somente terá sucesso se todos estes objetivos (presentes no currículo escolar e na atitude reflexiva do professor) modificarem a relação de saber que os alunos apresentaram como pré-conceitos. Neste ponto do processo, é importante, a promoção da competência investigativa, através da contextualização e da interdisciplinaridade. Esta atitude reflexiva é profundamente discutida por Schön (1997) na forma de um tripé: 'conhecimento - na - ação', 'reflexão - na - ação' e 'reflexão sobre a ação e na ação'. Logo, o que o professor deve buscar no ensino é garantir que o aluno desperte a competência investigativa e reflexiva, expandindo a compreensão do mundo e sendo capaz de apropriar-se da linguagem garantindo uma comunicação efetiva.

Neste aspecto, a identificação e o trabalho docente a partir de problemáticas sociais que fazem parte da vivência do aluno potencializam o ensino e o desenvolvimento destas competências. Deste modo nos apoiamos nas reflexões de DELIZOICOV (2001) sobre os TRÊS MOMENTOS PEDAGÓGICOS com o propósito de promover a aula como um ambiente dinâmico da aprendizagem. Assim, partimos da análise do problema real (Enchentes) oferecendo ao aluno a oportunidade de exercer o pensamento reflexivo em busca de soluções contribuindo na formação de uma atitude ativa como sujeito social.

Algumas vezes, a problematização pode ser representada por meio do uso de atividades experimentais sob um ensino investigativo e reflexivo. Durante a elaboração da atividade experimental, a construção de um ambiente onde as hipóteses possam ser construídas e pensadas a partir de um problema é primordial, abre amplo espaço para a formação de um caráter investigativo. Realizar uma experimentação como uma ferramenta didática vai bem além de uma montagem de procedimentos (GIOPPO, SCHEFFER e NEVES, 1998; SÉRÉ, COELHO e NUNES, 2004). Para que o experimento desempenhe sua finalidade, os procedimentos e métodos requerem muito mais do que o domínio na montagem; requerem gestão de conhecimento e ideias, traduzindo-as em princípios da Ciência. Assim, para compreender o papel da experimentação no ensino de Física é importante considerar as linguagens simbólicas presentes na aprendizagem, na pesquisa e no seu referencial empírico (ou seja, aquilo que permite o experimento para estudo do fenômeno). A forma de como o professor irá abordar a experimentação é que definirá a permanência dos alunos no mundo apenas da teoria, ou os motivarão a viver uma relação entre o mundo empírico e a abstração dos conceitos e da linguagem simbólica. Para LANGHI e NARDI ( 2012, p. 21):

De fato, aprender a ensinar significa percorrer uma trajetória, ou percurso, de sobrevivência profissional, reconhecendo que tal ato é individualizado, personalizado, diferenciado, que depende de suas crenças, atitudes, experiências prévias, motivações, interesses e expectativas, com diversas influências, interações complexas, negociadas e provisórias [...]

Estas fundamentações foram levadas em conta durante o processo de construção de aulas temáticas na disciplina de Instrumentação para o Ensino de Física, bem como a análise de resultados de pesquisa na área de Ensino de Física. Porém, destacamos neste trabalho os episódios formativos cujas reflexões docentes tiveram lugar, quando os graduandos foram submetidos a momentos de reflexões

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individuais e coletivas após a aplicação de suas próprias aulas a alunos 'reais' de Ensino Médio. Uma destas reflexões é apresentada neste trabalho como um resultado positivo neste sentido. De fato, pesquisadores sobre formação docente apontam o modelo formativo reflexista como um meio articulador entre a teoria e a experiência profissional, através de uma reflexão do professor sobre sua prática (GARCIA, 1999; ZEICHNER, 1993; PORLÁN e RIVERO, 1998). A abordagem reflexista na formação de professores concebe o ensino como uma atividade complexa e imprevisível, sendo determinada pelo contexto, obrigando o professor a agir com decisões éticas e políticas. Daí, a importância de uma formação reflexiva desde a sua trajetória formativa na Licenciatura.

## Procedimentos metodológicos e resultados

Para descrever a proposta da disciplina Instrumentação para o Ensino de Física, durante o primeiro semestre de 2013, faremos uso da descrição breve em tempo cronológico, de cada etapa do processo de construção da disciplina.

- · Análise crítica de livros didáticos quanto às atividades experimentais.

Momento marcado pela análise da abordagem conceitual, metodologias, aplicabilidade do experimento, imagens, linguagem. As análises foram apresentadas para a sala e ao final, o professor nos fez refletir sobre a nossa prática ao elaborar material experimental para aulas.

- · Leitura e resenha do artigo: 'O ensino experimental na escola fundamental: uma reflexão no caso do Paraná'

A análise do artigo nos fez pensar no perfil do professor que desejamos ser, pensar na nossa formação e na nossa prática docente.

- · Leitura e resenha do artigo: 'O papel da experimentação no ensino de física'

Análise das várias concepções da atividade experimental. A leitura do artigo nos motivou a refletir como as atividades experimentais são enriquecedoras para o aluno, dando verdadeiro sentido ao mundo abstrato e formal das linguagens, permitindo a observação do meio ambiente, a autonomia face aos objetos técnicos, as técnicas de investigação que possibilitam um olhar crítico sobre os resultados.

- · Escolha do tema para aula e análise do PCN+ (p. 4-32; 56-86; 133-137):
- O tema escolhido foi mecânica dos fluidos.

A partir da análise do texto oficial nos propomos a repensar a metodologia tradicionalista do uso do laboratório e propor inovações pedagógicas que façam a diferença e pensar na construção da ciência a partir do conhecimento dos próprios alunos.

- · Levantamento de artigos e trabalhos relacionados ao tema:

Ter conhecimento do que existe na literatura nos fornece uma visão panorâmica da importância do tema e quais as soluções já propostas e a eficácia de cada uma delas.

- · Elaboração do Plano de aula e preparação da atividade:

Amparados pelas discussões e análises de todos os artigos, nos motivamos em DELIZOICOV (2001), nos três momentos pedagógicos: problematização inicial,

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organização do conhecimento e aplicação do conhecimento. Assim, repensamos o tema escolhido inicialmente, mecânica dos fluidos. Desta forma, o tema da aula passou a ser 'O estudo da mecânica dos fluidos a partir do problema das enchentes'.

Para desenvolvimento da aula, houve um pré-planejamento da prática docente acompanhado pelo professor com questões reflexivas tais como: O conteúdo se relaciona ao cotidiano do aluno? Qual a importância deste para o futuro profissional, independente de qual carreira o aluno venha a escolher? Que tipos de equipamentos resultantes da tecnologia e presentes no cotidiano do aluno fizeram parte da aula? Quais relações há com as questões sociais e ambientais? Como o conteúdo contribuiria para a formação de uma cultura científica efetiva? Qual é a relação com CTSA e HFC? Que relação há com fatos recentes? Como escolher a atividade experimental a ser utilizada na aula?

A questão central da aula foi guiada por questionamentos, como: 'Como resolver os problemas das enchentes?' e 'A Física pode ajudar a resolver este problema?'.

As atividades experimentais basearam-se na literatura (TEIXEIRA, O. P. B. et al, 2005 ) e nas discussões em grupo, onde se concluiu a importância da experimentação na formação científica do aluno, assim sendo, foram realizados experimentos que reproduziram realidades de Belo Horizonte (MG) e em Bauru (SP).

Discutem-se, a seguir, os encaminhamentos metodológicos em conjunto com os resultados obtidos, haja vista a forte relação entre si. Durante a primeira metade do primeiro semestre da disciplina de Instrumentação para o Ensino de Física os graduandos, sob a mediação do professor da disciplina (co-autor deste trabalho), realizaram um estudo dos referenciais teóricos acima discutidos e dos resultados de pesquisas da área de Ensino de Física, além da elaboração e reelaboração coletiva de aulas sob a abordagem temática (DELIZOICOV, 2001). Na segunda metade do semestre as aulas foram aplicadas mediante um minicurso de carga-horária de 12 horas para alunos de Ensino Médio convidados a virem à Universidade (disponível em http://sites.google.com/site/proflanghi). Após as aulas ministradas, os futuros professores eram submetidos a episódios de reflexões individuais e coletivas, seguindo as metodologias descritas em Dias (2000). Todo este processo serviu como fonte de dados para uma ampla pesquisa qualitativa sobre formação de professores de Física. No entanto, devido às limitações do tamanho do texto, neste trabalho focaremos como resultados as reflexões registradas por uma das graduandas do grupo de análise, a qual é a autora principal deste artigo. Cada trecho das reflexões a seguir (identificadas em fonte itálica e pelas iniciais FP, de Futuro Professor) é seguido por uma interpretação (identifica em fonte normal e pela inicial P, de Pesquisador) que a Análise do Discurso pode permitir, de acordo com os referenciais e procedimentos de Orlandi (2000 e 2002).

FP: Ter conhecimento do que existe na literatura, como estudamos em Gomes, Held e Medeiros (2013); Honorato, Miquelin e Takahashi (2013); Saba (2001); Teixeira et al. (2005 e 2005a); Werlang, Schneider e Silveira (2008), fornecenos uma visão panorâmica da importância do tema e quais as soluções já propostas e a eficácia de cada uma delas. Amparados pelas discussões e análises de todos os artigos, nos motivamos em DELIZOICOV (2001), ao abordar os três momentos pedagógicos: problematização inicial, organização do conhecimento e aplicação do conhecimento. Assim, entendemos a diferença entre tema e conteúdo e repensamos

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nos conteúdos inicialmente propostos, mecânica dos fluidos. 'Qual o tema?', 'Qual a importância do tema?', 'Qual a relação com o nosso cotidiano?' foram questões cruciais para a fase inicial da reelaboração da aula e na escolha da metodologia a ser utilizada. A partir destas reflexões, o tema nasceu da preocupação com as enchentes em Bauru (exemplo local) e na cidade de Belo Horizonte que vitimizam moradores de áreas de riscos. Desta forma, o tema da aula passou a ser 'O problema das enchentes em Bauru'.

- P: O discurso não se limita a textos ou palavras em si, mas também em práticas e ações (ORLANDI, 2000). O excerto discursivo acima não apenas descreve textualmente, mas é representado por uma ação não dita. A partir deste dizer, entende-se que o futuro professor precisa compreender, já na graduação, que a aula é muito mais do que a transmissão de informações, mas que deve ser palco para a construção de conhecimentos, de formação da cidadania, da pessoa e da sociedade. No caso deste futuro professor, preparar a aula fez parte de um esforço contínuo e um olhar atento para que tal formação fosse sempre privilegiada. Foi parte de um processo, alvo de ajustes e reajustes para que a finalidade de um bom ensino pudesse ser alcançada, de modo que a elaboração da aula não se apoiasse apenas à própria experiência pessoal ou à base do senso comum, mas fundamentou-se nas leituras de resultados de pesquisas da área de Ensino de Física. Este futuro professor parece entender a real motivação de uma aula temática ao 'repensar' o seu planejamento. Assim, o sujeito conseguiu identificar o ponto de partida como a problematização (DELIZOICOV, 2001).
- FP: A partir da apresentação aos alunos de ensino médio de uma notícia sobre a problemática local das enchentes na principal avenida da cidade, nossa aula fomentou discussões sobre noções de Fluídos a partir da apresentação e discussão das situações problemáticas evidenciadas através de atividades experimentais, ao usar uma maquete que simulava as enchentes e como poderiam ser solucionadas usando a compreensão de conceitos como pressão, densidade, e os Princípios de Pascal e Stevin, conforme lemos nos artigos para preparar as aulas. Assim, pudemos correlacionar a física/ciência com o seu cotidiano e explorar através de recursos áudio visuais a compreensão de conceitos, construindo-os através do experimento. Para descrever um bom professor, listar características parece tentar classificá-lo como parte de uma estrutura funcional (Ensino). Com a experiência, percebemos que um bom professor, antes de tudo se preocupa com a formação do aluno, a formação da sua consciência social, política e humana, e que a cada aula, possa se reinventar, assumindo compromissos de maneira responsável e que possa garantir conhecimentos qualificados. Que não seja apenas protagonista do Ensino, mas protagonista e coadjuvante do processo de Ensino-aprendizagem, despertando assim, a consciência (pensamento) coletiva.
- P: Entendemos, por meio da análise deste trecho discursivo extraído das reflexões deste futuro professor, que o pré-planejamento da prática docente de um graduando, mediado por um professor da disciplina, pode atuar no sentido de se levar em conta os resultados de pesquisas da área de Ensino de Física (LANGHI e NARDI, 2012). Assim, esta aula sob abordagem temática, levanta algumas questões de natureza reflexiva: como o conteúdo se relaciona ao cotidiano do aluno, qual a importância deste para futuro profissional independente de qual carreira o aluno venha a escolher, que tipos de equipamentos resultantes da tecnologia e presentes no cotidiano do aluno fizeram parte da aula, relações com as questões sociais, ambientais, como o conteúdo contribuiria para a formação de uma cultura científica

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efetiva, relação com CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente) e HFC (História e Filosofia da Ciência), relação com fatos recentes e a reflexão da escolha da atividade experimental utilizada.

- FP: O levantamento das questões referente ao problema das enchentes foi pensando de forma que a física fosse correlacionada com o cotidiano, e a partir do problema, seguiu-se com a problematização, e o levantamento das concepções alternativas e realização de atividades experimentais. A questão central da aula foi guiada por questionamentos, como: 'Como resolver os problemas das enchentes?' e 'A Física pode ajudar a resolver este problema?'. As atividades experimentais basearam-se na literatura e nas discussões em grupo, onde se concluiu a importância da experimentação na formação científica do aluno, assim sendo, foram realizados experimentos que reproduziram realidades de Belo Horizonte (MG) e em Bauru (SP), onde os rios foram canalizados como solução para o problema das enchentes. Assim, privilegiamos discussões com os alunos de Ensino Médio sobre noções de Fluidos a partir da apresentação e análise das situações problemáticas e evidenciadas através de atividades experimentais, com a compreensão de conceitos que foram construídos com o uso do experimento, bem como a compreensão de ideias como pressão, densidade, equação de Bernoulli e os Princípios de Arquimedes, Pascal e Stevin. A aula foi ministrada de forma interativa, onde apenas a exposição demasiadamente expositiva foi evitada. A interação professor-aluno foi construída através da exposição dialógica. O aprendizado que fica é termos a capacidade de lidar com diferentes situações e saber que o professor tem que se reinventar de forma imediata onde o desconhecido ainda prevalece. Notamos que ao relacionar o tema com o problema, o conhecimento foi sendo construído de forma quase que espontânea.
- P: O desenvolvimento de aulas experimentais segundo a visão de pesquisadores da área, conforme já comentado na fundamentação deste artigo, foi incorporado nesta aula, como uma prática experimental didática baseada em pesquisas da área de Ensino de Física. Mediante discussões grupais, a disciplina de Instrumentação possibilitou uma desclassificação de uma aula pré-moldada e tradicionalista e garantiu ao futuro professor a construção de uma a aula sob a racionalidade prática (GARCIA, 1999; ZEICHNER, 1993). Assim, o fato de as reflexões coletivas resultarem na elaboração de uma aula temática tendo como problemática a questão das enchentes nas cidades de Bauru e Belo Horizonte, demonstra que este futuro professor compreende a importância de uma prática reflexiva durante seu processo formativo, seja este inicial ou continuado.

## Considerações

Discutir o papel do professor no Ensino é tão complexo quanto descrever o processo para 'construir' um bom professor. A palavra-chave é Instrumentalizar o professor para administrar conhecimentos de qualidade e, assim garantir um 'bom' ensino. Refletir sobre a experiência do ensino foi rever degrau por degrau construído durante todo o processo de Ensino-aprendizagem e que deve ser contemplado durante sua carreira profissional de forma continuada. Para obtermos um resultado positivo de todo o processo, foi fundamental que outra estrutura funcionasse bem. A estruturação do curso e o planejamento do processo para a construção da aula foram essenciais. Assim, a aula foi construída ao longo de todo o semestre com auxílio e supervisão do professor da disciplina, opinando, criticando e sugerindo,

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além de nos auxiliar na administração do tempo, para que cada fase pudesse ser cumprida com sucesso. As discussões coletivas e as reflexões de outros futuros professores (graduandos da turma) oportunizaram momentos formativos para que repensassem a sua prática docente. Portanto, a disciplina Instrumentação, neste caso, teve como principal objetivo fazer os futuros professores descobrirem que a formação inicial é o momento de escolha pela carreira e que seu término nunca pertencerá ao finito.

## Referências

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