Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

ATIVIDADE EXPERIMENTAL E O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NO CURRÍCULO OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

Aguinaldo Capeletti Moura, Washington Luiz Pacheco De Carvalho

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Seleção, Organização Do Conhecimento E Currículo
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2015

Texto completo

## ATIVIDADE EXPERIMENTAL E O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS E HABILIDADES NO CURRÍCULO OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

## 1

## Aguinaldo Capeletti Moura Washington Luiz Pacheco de Carvalho

## 2

SEESP/E.E.Prof.ª Lydia Helena F. Stuhr/email: aguimoura@hotmail.com

1

2 Departamento de Física e Química- UNESP-Ilha Solteira- SP-washincar@gmail.com

## Resumo

O presente trabalho tem por finalidade analisar as atividades experimentais propostas em algumas Situações de Aprendizagem do Currículo Oficial do Estado de São Paulo para o tópico de eletricidade e magnetismo na disciplina de Física. O objetivo é identificar indícios que possibilitem realizar inferências a respeito do desenvolvimento das competências e habilidades, sugeridas para as atividades experimentais. Para isso adotamos uma determinada ideia de competência e habilidade apresentada por Zabala e Arnau (2010). Para uma melhor compreensão do uso das atividades experimentais no ensino de Física, trouxemos algumas contribuições da literatura da área e também realizamos um levantamento dos artigos nas publicações de duas das principais revistas da área, com o intuito de compreender a ideia de competência e habilidade utilizada nas atividades experimentais. Assim, para atingir o objetivo de nosso trabalho, utilizamos a Análise Textual Discursiva (ATD) como referencial para análise dos dados. Dessa forma, com o apoio do nosso referencial teórico a respeito do desenvolvimento de competências e habilidades, procuramos identificar indícios no roteiro das atividades que possibilitassem o desenvolvimento das mesmas, o que nos forneceu resultados que apontam para alguns equívocos na forma como as atividades experimentais são propostas no Currículo Oficial do Estado de São Paulo. Percebemos que das competências sugeridas pelo currículo, praticamente todas não são desenvolvidas, devido principalmente às ações das competências não serem condizentes com a abordagem experimental utilizada, já quando as ações são condizentes, não existe a reflexão necessária para o seu entendimento.

Palavras-chave: competências e habilidades, atividade experimental, currículo e competências.

## Introdução

- O presente trabalho é fruto da dissertação de mestrado de um professor de Física, que ao trabalhar com um currículo pautado no desenvolvimento de competências e habilidades, em uma escola da rede pública, questiona a potencialidade das atividades experimentais propostas pelo currículo no desenvolvimento de competências e habilidades.

Acreditamos que o currículo deu um grande passo no sentido de introduzir as atividades experimentais no cotidiano da sala de aula. As atividades propostas são o centro do desenvolvimento de algumas Situações de Aprendizagem (SA),

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

26 a 30 de janeiro de 2015

sendo utilizadas como estratégia para o ensino de Física. Achamos importante olhar cuidadosamente para as atividades experimentais da forma em que são propostas no currículo, tendo como objetivo procurar indícios da contribuição para o desenvolvimento das competências e habilidades.

Para atingir os objetivos desse trabalho, iremos apresentar as ideias de Zabala e Arnau (2010), para que sejam referenciais teóricos a respeito de competência e habilidade, fornecendo suporte teórico para a análise das atividades experimentais. Assim também, buscaremos na literatura a respeito do ensino de Física com a utilização de atividades experimentais, a importância dessa prática no ensino de Física. Para o trabalho com os dados iremos utilizar como metodologia de análise dos dados os conceitos apresentados por Moraes (2003), a respeito da Análise Textual Discursiva.

## Competências e habilidades na educação

A ideia de competência surge no âmbito empresarial na década de 1970 com o objetivo de designar uma atuação eficaz, desde então, o termo passou a ser incorporado ao caráter de formação profissional no meio empresarial e se estendeu ao âmbito educacional, sendo incialmente utilizado nos estudos referentes à formação profissional e depois para os demais níveis. Hoje se tenta identificar as competências básicas para o ensino, e as avaliações com base no domínio de competências são realizadas de forma cada vez mais generalizada. Os currículos oficiais de muitos países são reescritos em função do desenvolvimento de competências Zabala e Arnau (2010).

- O currículo do Estado de São Paulo, foi elaborado pautado no desenvolvimento de competências e habilidades. O currículo referenciado em competências deve desenvolver os conhecimentos próprios de cada disciplina articuladamente às competências e habilidades dos alunos, pois são elas que os discentes utilizarão para fazer leituras críticas do mundo (SÃO PAULO, 2010).

Além da influência dos documentos associados ao currículo, no trabalho docente para o desenvolvimento de competências e habilidades, temos também a presença das avaliações em larga escala, que no caso das escolas públicas paulista, acreditamos que os resultados que possuem maior influência no Ensino Médio seja o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP).

- O trabalho pedagógico na escola está cada dia mais orientado para a melhora desses índices, com o objetivo de atingir as metas impostas para cada escola, e o cumprimento dessas metas se tornou sinônimo de qualidade na educação básica. A ideia, de maneira alguma, é desconsiderar os índices produzidos pelos resultados das avaliações em larga escala, pois, como orientam Ferreira e Tenório (2010), a construção de indicadores para avaliação em larga escala é de extrema importância para que possam exprimir aspectos da realidade e que sirvam como um orientador nas tomadas de decisão para a melhoria da educação.

Atividade Experimental e o desenvolvimento de competências e habilidades

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

A atividade experimental a que nos referimos neste trabalho é aquela desenvolvida em sala de aula, com materiais de baixo custo, como é proposto no currículo do Estado de São Paulo. Em uma breve análise da literatura em ensino de Física é possível encontrar inúmeras pesquisas que corroboram a importância da prática experimental para o ensino de Física.

As atividades experimentais têm o potencial de diminuir as dificuldades encontradas no ensino da Física, mas a prática experimental possui diferentes abordagens que proporcionam variados objetivos, sendo necessário utilizá-la de acordo com os objetivos que se deseja alcançar (ABIB ; ARAÚJO, 2003). A atividade experimental reconhecido por professores e pela comunidade científica como uma metodologia de ensino que contribui para o aprendizado de Ciência (NEVES; CABALLERO; MOREIRA, 2006).

- A literatura apresenta inúmeros trabalhos que ressaltam indícios das vantagens de se utilizar as atividades experimentais no ensino de Física, mas como já discutimos nesse trabalho, o contexto das escolas está voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades, sendo o objetivo da aula dos professores. No caso da Física, em que a literatura apresenta a atividade experimental como metodologia a fim de contribuir para o aprendizado, é necessário compreender como o discurso de habilidades e competências está sendo explorado pela área, dessa forma realizamos um levantamento nas duas das principais revistas do Brasil em Ensino de Física, a Revista Brasileira de Ensino de Física e o Caderno Brasileiro de Ensino de Física, no período entre 2001 e 2012, totalizando 128 artigos. Esse levantamento se concentrou nesse período para termos uma visão geral das publicações e para atender a demanda pela conclusão do trabalho de mestrado, do qual esse artigo é fruto.
- O resultado da análise das publicações mostrou um cenário de escassez dos trabalhos que abordam a atividade experimental direcionada ao desenvolvimento de competências e habilidades. Essa conclusão se deve ao fato de termos encontrado apenas um trabalho que teve por objetivo analisar determinada habilidade. Dessa forma, devido escassez de pesquisa na área, ainda se sabe pouco a respeito do entendimento e do domínio de estudantes a respeito de habilidades relacionadas ao processo científico que são cruciais para a resolução de problemas práticos Borges e Gomes (2005).

Agora que temos uma visão da escassez de pesquisa que envolve a atividade experimental e o desenvolvimento de competências e habilidades, precisamos apresentar a metodologia de análise e o objeto de análise.

## Ideias para o desenvolvimento de competências e habilidades

Para o desenvolvimento desse trabalho, utilizaremos as ideias de Zabala e Arnau (2010), que nos fornece subsídios para compreender o desenvolvimento de competências e habilidades. Para ser competente em atividades da vida, é necessário dispor de conhecimentos, mas de nada adianta se não sabemos utilizálos. Ao analisar uma ação competente, é indispensável dispor de conhecimentos e dominar procedimentos, portanto não há nenhuma ação humana em que esses dois elementos apareçam separados.

Os autores, no sentido de esclarecerem melhor as competências definem: ,

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

'As competências, por definição própria, implica uma ação, uma intervenção que, para que seja eficaz, é necessária a mobilização de diferentes recursos formados por esquemas de atuação que integram ao mesmo tempo conhecimentos, procedimentos e atitudes' (ZABALA; ARNAU, 2010, p.94).

Entende-se, no entanto, que a definição apresentada para competência está no sentido de utilizar os conhecimentos adquiridos em situações que possam ser úteis para resolver determinado problema, ser competente é utilizar o conhecimento para intervir em determinada situação.

Os autores dizem que é impossível realizar a ação de uma competência, caso os componentes da competência (fatos, conceitos, procedimentos e atitudes) não tenham sido aprendidos de forma significativa. Se o conhecimento foi adquirido de forma mecânica, não tem como ser utilizado para uma ação competente.

- 'O ensino herdado está cheio de conhecimentos adquiridos por pura e simples repetição, de modo que a memória nos permite reproduzir uma fórmula, resolver uma equação de segundo grau ou identificar o sintagma nominal em uma frase, mas somos incompetentes para aplicar esses conhecimentos na interpretação de situações reais' (ZABALA; ARNAU, 2010, p.94).

'Assim, uma atuação competente significa não só conhecer os instrumentos conceituais e as técnicas disciplinares, mas também, ser capaz de reconhecer quais deles são necessários para ser eficiente em situações complexas, e ao mesmo tempo saber como aplicá-los em função das características específicas da situação' (ZABALA; ARNAU, 2010, p. 112).

Entendemos que agir de forma competente é utilizar os conhecimentos que constituem uma competência para resolver problemas práticos. Segundo os autores, podemos dizer que o conhecimento que constitui uma competência forma um esquema de atuação, que é constituído de fatos, conceitos, procedimentos e atitudes, sendo que os procedimentos correspondem às habilidades. Os conhecimentos que constituem a competência são apresentados abaixo.

Fatos (factual): Nessa categoria se encontra nome de personagens históricos e literários, datas de acontecimentos, fórmulas matemáticas, códigos, e outros. Esses conhecimentos são aprendidos a partir da memorização, repetição e exercícios.

Conceitos e Princípios: são conteúdos de aprendizagem de caráter abstrato, que exigem compreensão. São exemplos de conceitos a densidade, a força, etc., e de princípios a lei de Arquimedes, a segunda lei de Newton, etc. A aprendizagem necessita de atividades que promovam uma elaboração e construção pessoal do conceito.

Procedimentos (habilidades): São exemplos de conteúdos procedimentais (habilidades): ler, desenhar, calcular, classificar, inferir, recortar, etc. Os conteúdos procedimentais são aprendidos por meio de um processo de exercitação tutelada e reflexiva a partir de modelos científicos. A reflexão deve focar em três pontos: 1) tomar consciência da própria atuação; 2) ser capaz de refletir como essa atuação é realizada; 3) verificar quais são as condições ideais para seu uso.

Atitudes: os conteúdos atitudinais englobam valores, atitudes, normas, respeito aos demais, solidariedade, e etc. As atitudes são aprendidas através de modelos ou por meio de vivências continuadas em contextos com grandes implicações afetivas.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Metodologia de Análise

Para alcançar os objetivos da pesquisa utilizaremos como metodologia de análise dos dados a análise textual discursiva, com seus conceitos apresentados em Moraes (2003).

Desmontagem do Texto: tal processo consiste em desintegrar o texto em seus elementos constituintes, resultando em unidades de análise;

Estabelecimento de relações: após a definição das unidades de análise, o próximo passo é a categorização;

Captando o novo emergente: o objetivo da análise textual qualitativa é a produção de metatexto;

Um processo auto-organizado: a análise textual qualitativa culmina com a produção de metatextos, que é o resultado de um processo emergente de compreensão.

Agora que temos definido o processo de análise das informações que nos orientará nesse trabalho, é importante, rapidamente apresentar o nosso objeto de análise, as situações de aprendizagem do currículo do estado de São Paulo, para disciplina de física.

## SA 4: CONSTRUINDO UM MOTOR ELÉTRICO

Objetivo: discutir o funcionamento do motor elétrico como aplicação dos conceitos de campo e força magnética, evidenciando seus principais elementos e aplicações (SÃO PAULO, 2009, p.27).

## SA 5: ENTENDENDO OS GERADORES ELÉTRICOS

Objetivo: discutir o princípio de funcionamento dos geradores de eletricidade e a ampliação dos conceitos do eletromagnetismo; fazer com que o estudante perceba que o movimento de rotação de uma fonte de campo magnético produz energia elétrica (SÃO PAULO, 2009, p.31).

A nossa análise, pode ser dividida em três etapas. Primeiro submetemos as competências e habilidades das SA 4 e 5, ao processo de unitarização, resultando em categorias. Na segunda etapa, procuramos submeter às indicações dos roteiros das atividades experimentais ao processo de unitarização, o que nos forneceu categorias que possibilitou melhor entendimento das ações dos alunos. As categorias surgiram do trabalho com os dados, essas categorias representam ações presentes nas competências e nas orientações do roteiro das atividades analisadas.

A última etapa de nossa análise foi comparar as ações das categorias resultantes do primeiro ponto com as do segundo ponto, assim, com o auxílio das ideias de Zabala e Arnau (2010), buscamos indícios nas atividades experimentais que puderam nos fornecer subsídios para inferir se as competências e habilidades foram desenvolvidas.

Em nossa análise, entendemos que o modelo apresentado ao aluno com ações direcionadas para atingir um objetivo é o roteiro da atividade experimental, então buscamos indícios que proporcionaram desenvolvimento das habilidades previstas. No quadro 01, é apresentado um resumo do resultado de nossa análise.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Quadro 01- Resultados da análise a respeito do desenvolvimento de habilidades

A situação de desenvolvimento das habilidades denominadas desenvolvidas parcialmente refere-se às habilidades que, na realização da atividade, tiveram parte das ações do modelo explicadas de forma a atender os critérios apontados em Zabala e Arnau; enquanto a outra parte das ações do modelo realizadas não atenderam aos critérios de Zabala e Arnau e, portanto, não são desenvolvidas.

- A nossa análise possibilitou ainda identificar os fatores que não proporcionaram o desenvolvimento das habilidades nas atividades experimentais analisadas. Os fatores são apresentados nos tópicos abaixo:
- Habilidades fora do contexto de desenvolvimento: habilidades 4.1a, 4.1b, 5.1a, 5.1b são referentes à leitura e interpretação. Acreditamos serem habilidades que estão em constante aprimoramento, mas em nossa análise percebemos que são apenas utilizadas e não aprimoradas, assim devam ser desenvolvidas em anos anteriores de escolarização, ou seja, em outro contexto de ensino.
- Abordagem experimental inadequada: as habilidades 4.2b, 5.2b, 4.3a, 4.3b, 5.3a, 5.3b não foram desenvolvidas devido à abordagem utilizada na atividade experimental não ser adequada ao desenvolvimento de tais habilidades.

Modelo com ações e ausência de reflexão : habilidades 4.2a, 5.2a, tiveram parcialmente suas ações desenvolvidas segundo os critérios de Zabala e Arnau (2010), por que as outras ações que completam as habilidades, o que permitiria afirmar que as habilidades foram desenvolvidas por completo, não foram desenvolvidas segundo os critérios de nosso referencial teórico.

- Ausência de modelo e de reflexão: as habilidades 4.2c, 5.2c, 4.4a, 4.4b, 5.4a, 5.4b não foram desenvolvidas por falta de modelo com as ações detalhadas passo a passo e o momento de reflexão sugerido por Zabala e Arnau (2010).

Ao realizarmos o processo de unitarização das indicações e questões dos roteiros das atividades experimentais, percebemos uma característica muito marcante no roteiro, que é 'dizer' ao aluno o que ele deve fazer, observar, que informação obter, essa característica segundo Borges (2002), Araújo e Abib (2003), Pinho-Alves (2000), faz parte da abordagem tradicional.

## Considerações Finais

Os resultados provenientes da análise nos leva a pensar no professor que precisa trabalhar as situações de aprendizagens. O docente com as melhores das intenções em seu trabalho em sala de aula, seguindo as orientações das atividades, acredita desenvolver as habilidades e as competências indicadas, mas, segundo os

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

resultados de nossa análise, encontramos indícios de que as atividades experimentais não desenvolvem as respectivas habilidades que compõem o esquema de atuação das competências.

- O referencial utilizado por nós esclarece que para o desenvolvimento de competências e habilidades não existe um único método de ensino, sendo necessário o professor utilizar de diferentes estratégias de ensino.

No sentido de pensar nos ajustes que podem ser realizados nas atividades, procuramos discutir a respeito dos fatores que identificamos em nossa análise e que contribuíram para o não desenvolvimento das habilidades.

Nos fatores associados a habilidades fora do contexto de desenvolvimento, percebemos que as habilidades referentes ao esquema de atuação das competências 4.2 e 5.2 têm um contexto mais adequado para seu desenvolvimento.

Acreditamos que o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita é contínuo, sempre se está aprimorando essas habilidades. Nas situações analisadas não percebemos preocupação em aprimorar essas habilidades, ficou evidente apenas que o aluno precisaria utilizar da habilidade de leitura. Acreditamos que o aprimoramento dessas habilidades exija mais do que apenas seu uso.

As habilidades correspondentes às competências 4.2, 5.2, 4.3, 5.3 não foram desenvolvidas devido aos fatores referentes à abordagem experimental inadequada. As competências contém habilidades com caráter mais investigativo, assim como define Borges (2002), as atividades experimentais com abordagem investigativa proporcionam ao aluno a investigação, enquanto as com abordagem tradicional proporcionam ao aluno a execução do que o roteiro da atividade sugere.

As habilidades, portanto, para serem desenvolvidas necessitam de uma abordagem investigativa e também podem se utilizar de uma abordagem demonstrativa.

As competências 4.4 e 5.4 que não foram desenvolvidas devido à ausência de modelo e reflexão, correspondem ao desenvolvimento de relatório de forma oral ou escrita. Não foi proposto pela atividade modelo com as ações referentes a um relatório científico, portanto, segundo o nosso referencial, não é possível desenvolver as habilidades que correspondam às competências. É preciso ter o cuidado de indicar a competência a ser desenvolvida e propor atividade que garanta a possiblidade de desenvolver a competência.

Percebemos que existem alguns equívocos por parte das propostas de atividades experimentais em relação ao desenvolvimento das habilidades que compõem o esquema de atuação das competências. Mas, como já apontamos anteriormente, o currículo pode ser considerado como um avanço por introduzir as atividades experimentais. No entanto é preciso realizar ajustes em relação às propostas de atividades experimentais, para evitar os equívocos evidenciados pelo nosso trabalho.

É interessante realizar pesquisas que possam esclarecer a respeito de utilizar as atividades experimentais, como sendo situações reais para a aplicação de esquemas de atuação, referentes às competências, que não sejam associadas ao processo experimental, ou seja, pesquisas que possam compreender melhor o desenvolvimento do pensamento complexo e proporcionar uma ideia geral do agir competente utilizando atividades experimentais.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

## Referência

ABIB, M.L.V.S.; ARAÚJO, M.S.T. Atividades experimentais no ensino de física: diferentes enfoques, diferentes finalidades. Revista Brasileira de Ensino de Física , São Paulo, v.25, n.2, p.176-194, 2003.

ANDRADE, J.A.N. Contribuições formativas do laboratório didático de Física sob o enfoque das racionalidades. Dissertação Mestrado- Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2010.

BORGES, A.T. Novos Rumos para o Laboratório Escolar de Ciências. Cad. Brás. Ens. Fís., v. 19, n.3: p.291-313, dez. 2002.

BORGES, A.T.; GOMES, A.D.T. Percepção de estudantes sobre desenhos de testes experimentais. Cad. Brás. de Ens. de Fís. ,v.22, n.1:p71-94, abr. 2005.

MORAES, R. Uma tempestade de luz: a compreensão possibilitada pela análise textual discursiva. Ciência & Educação , Bauru, SP, v. 9, n.2, p. 191-211, 2003.

FERREIRA, R. A.; TENÓRIO, R. M. A construção de indicadores de qualidade no campo da avaliação educacional: um enfoque epistemológico. Revista Lusófona de Educação , 2010, 15, 71-97.

NEVES, M.S.; CABALLERO, C.; MOREIRA, M.A. Repensando o papel do trabalho experimental, na aprendizagem da física, em sala de aula - um estudo exploratório. Investigações em Ensino de Ciências , Porto Alegre, v.11, n.3, p. 383-401, 2006.

PINHO-ALVES, J. F. Regras da Transposição Didática Aplicadas ao Laboratório Didático. Caderno Catarinense de Ensino de Física , Florianópolis,v.17,n.2,p.174182, 2000.

RICARDO, E.C.; ZYLBERSZTAJN, A. O ensino das ciências no nível médio: um estudo das dificuldades da implementação dos parâmetros curriculares nacionais. Cad. Bras. Ens. Fís ., v.19, n.3:p.351-370, dez. 2002.

SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Estado da Educação. Resolução nº 48, de 03 de junho de 2010. Dispõem sobre a realização das provas de avaliação relativas ao Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São PauloSARESP/2010. Diário Oficial Poder Executivo-Seção I. 2010.

\_\_\_\_\_\_, SARESP: Matriz de referência para a avaliação: Ciências, Biologia, Química e Física/ Secretaria da Educação; coordenadora geral, Maria Inês Fini. -São Paulo: SEE, 2009.

\_\_\_\_\_\_, Secretaria de Estado da Educação: Caderno do Professor- Física-Luiz Carlos de Menezes- São Paulo: SEE, 2009.

ZABALA, A.; ARNAU, L. Como aprender e ensinar competências . Trad. Carlos H. Lucas Lima. Porto Alegre, Artmed, 2010. 197p.

\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_\_

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.