Pular para o conteúdo
Buscador da Pesquisa em Ensino de Física Busca em texto completo · v0.3.0

A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES SOBRE O CURRÍCULO MÍNIMO DE FÍSICA NAS ESCOLAS DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Thiago Dal Pont Bufon, Jeozadaque Marcos Da Silva, João Gabriel Mourão De Araujo Sartori, Joalisson Dos Santos Borges, Allan Silva Santos, Jehny Daisy C. De Schepper, Pedro Henrique Monteiro De Almeida, Glauco S. F. Da Silva, Luiz Antonio Barbosa Afonso

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Seleção, Organização Do Conhecimento E Currículo
Tipo
Comunicação

Abrir o PDF original ↗ Baixar referência .bib Ver todos do SNEF 2015

Texto completo

## A PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES SOBRE O CURRÍCULO MÍNIMO DE FÍSICA NAS ESCOLAS DA REDE PÚBLICA ESTADUAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Luiz Antonio Barbosa Afonso 1 , Thiago Dal Pont Bufon , Jeozadaque Marcos da 2 Silva , João Gabriel Mourão de Araujo Sartori , Joalisson dos Santos Borges , 2 2 2 Allan Silva Santos², Jehny Daisy Caldas de Schepper², Pedro Henrique Monteiro de Almeida², Glauco S. F. da Silva 3

1 C E. D. Pedro II, lantonioafonso@gmail.com .

- 2 Licenciatura em Física/CEFET - Uned Petrópolis, thiagodalpont@hotmail.com
- 2 Licenciatura em Física/CEFET - Uned Petrópolis, jeozadaquemarcos@yahoo.com.br
- 2 Licenciatura em Física/CEFET - Uned Petrópolis, joaoaraujosartori@gmail.com
- 2 Licenciatura em Física/CEFET - Uned Petrópolis, joalisson\_borges@hotmail.com
- 2 Licenciatura em Física/CEFET - Uned Petrópolis, allansilvasantos@gmail.com

2 Licenciatura em Física/CEFET - Uned Petrópolis, peopedroma@gmail.com

## Resumo

A implementação e mudanças de um currículo num sistema educacional implicam numa série de cuidados que exigem um acompanhamento das Secretarias de Educação, Professores e Comunidade Escolar. Tais mudanças não se limitam a somente conteúdos mas também estratégias, ações, atitudes, enfim um novo olhar. Muito já se discutiu porque o Currículo de Física do Estado do Rio de Janeiro mudou. Cabe agora, avaliarmos como os Professores estão implementando-o, quais as possíveis dificuldades encontradas e os avanços e facilidades. Este artigo resume uma parte desse novo momento. Apresentamos uma pequena amostra de como o Currículo Mínimo de Física (CMF), ao longo dos três últimos anos, foi desenvolvido. Espera-se que ele abra uma discussão privilegiada a esse respeito haja vista que participantes do PIBID - CEFET - Petrópolis e Professores da rede acompanharam as mudanças ocorridas desde o início, ou seja, discussões sobre as possíveis alterações e a implementação propriamente dito e as reações provocadas.

Palavras - chave: Física, Currículo Mínimo, SEEDUC-RJ.

## Introdução

No ano de 2012 foi implantado nas escolas estaduais no Rio de Janeiro o novo Currículo Mínimo (CM) que abrange as 12 disciplinas da Base Nacional 1 Comum dos Anos Finais do Ensino Fundamental e Médio Regular (Matemática, Língua Portuguesa/Literatura, História, Geografia, Filosofia e Sociologia, Ciências/Biologia, Física, Química, Língua Estrangeira, Educação Física e Arte).

1

GLYPH<31>

http://www.rj.gov.br/web/seeduc/exibeconteudo?article-id=759820

Dentro dos objetivos da proposta para um Currículo Mínimo de Física (CMF) destaca-se:

- (...) preparar os estudantes de Ensino Médio para compreender o seu cotidiano e a sociedade em que estão inseridos significa propor um ensino de Física que lhes permita entender como esta ajudou a construir o mundo em que vivemos.

Para ler o mundo com propriedade é fundamental o domínio de conceitos científicos e da lógica de construção de conhecimento que a Física inaugurou a partir da Revolução Científica do século XVII. Para compreender as transformações políticas, econômicas, sociais e culturais, é fundamental que conheçamos como a Física construiu uma nova visão de mundo. Foi o diálogo das ideias dos filósofos naturais (que hoje chamaríamos de cientistas) com as de artistas, de filósofos e outros que abriu as portas para a construção de uma nova realidade e permitiu que surgisse um novo conhecimento sobre a natureza (Rio de Janeiro, 2012, p. 3).

De acordo com o trecho acima, para que a Física possa ajudar de forma construtiva os estudantes a compreender seu cotidiano e a própria sociedade em que estão inseridos, se torna importante um devido conhecimento dos processos políticos, sociais, econômicos e culturais que influenciaram na evolução dos conceitos científicos e consequentemente como a ciência também veio a interferir nos aspectos socioeconômicos e culturais. Para tanto, foi preciso mudar o currículo de Física para que ele pudesse atender não só os objetivos do ENEM, mas também torná-lo mais atraente e próximo da realidade do aluno.

A rede pública de ensino do Estado do Rio de Janeiro foi convocada a implantar o CMF nos três anos do Ensino Médio. Sempre que havia uma mudança curricular na rede, implantava-se no primeiro ano nas séries iniciais e gradativamente nas demais. Dessa vez a orientação era para implantar nas três séries de uma vez só, não levando em conta o que os alunos já tinham tido nas séries anteriores. A grande questão agora é constatar como esse currículo está e se os professores estão de fato seguindo as orientações da SEEDUC RJ.

Em um trabalho realizado por outro grupo de bolsistas do PIBID de nossa instituição, Barcellos et al (2013) fazem um estudo sobre o CMF e as formas de avaliação institucional, evidenciando as incoerências entre um e outro. Já Cerdeira e Almeida (2012) investigam a avaliação institucional na perspectiva dos professores. Entretanto, em nosso estudo, buscamos outra ênfase, uma vez que o nosso objetivo é, de forma preliminar e exploratória, analisar o CMF sob a visão dos professores de Física que o utilizam diariamente.

## O Currículo

O que é um currículo? A resposta a essa pergunta pode ser muito diferente e até ser contraditória, dependendo da visão e da experiência que se tem. Alguns consideram currículo apenas a grade curricular, ou seja, a divisão em disciplinas e os conteúdos trabalhados por elas.

A partir de uma revisão bibliográfica, Barcellos (2013) indica que o termo 'currículo' vem do latim scurrere , o que quer dizer correr ou em curso. Contudo, a autora salienta que o termo está associado a organização e método, caracterizandose como um instrumento cujo objetivo é auxiliar a administração no âmbito escolar. Já no que se refere ao processo de escolarização, a noção de currículo ganha um

sentido mais específico quando a educação se transforma em atividade de massa (ibid).

- O currículo escolar abrange as experiências de aprendizagens implementadas pelas instituições escolares e que deverão ser vivenciadas pelos estudantes. Nele estão contidos os conteúdos que deverão ser abordados no processo de ensino-aprendizagem e a metodologia utilizada para os diferentes níveis de ensino. Ele tem como principal objetivo contribuir para construção da identidade dos alunos na medida em que ressalta a individualidade e o contexto social que estão inseridos. Além de ensinar um determinado assunto, deve aguçar as potencialidades e a criticidade dos alunos. (OLIVEIRA, 2014).

A ênfase do CMF é tornar a física mais interessante e mais presente no cotidiano de todos os alunos e professores de forma que o caminho para a melhoria da qualidade de ensino começa com a abordagem de novos projetos e novas formas de ensino.

Para o cumprimento de um currículo pode-se adotar diferentes estratégias, por exemplo, o CMF utiliza como prática de ensino novas tecnologias e busca tornar as aulas mais práticas e visuais e menos monótonas e cansativas se comparado às aulas tradicionais de física baseadas em 'cuspe e giz' em que o aluno não aprende a pensar e sim a decorar.

A mudança no CMF se refere a grandes temas como: Mecânica, Termodinâmica, Física Ondulatória e Eletromagnetismo que continuam sendo abordados no ensino de física, porém de uma forma diferente. Antes os alunos tinham contato somente com a parte matemática que abrange somente cálculos, por exemplo, de forças em bloquinhos. Ao contrário, "elaborou-se um currículo que contemple tanto temas de Física Moderna e Contemporânea quanto uma abordagem histórico-filosófica"(RIO DE JANEIRO, 2012). Consequentemente,

não se trata de abrir mão da Matemática como linguagem da Física, pois isso seria um absurdo. A partir da Revolução Científica dos séculos XVI e XVII, não podemos mais abrir mão da Matemática como a linguagem da Física; entretanto não podemos cometer o erro inverso de reduzir esta à mera aplicação daquela" (ibid).

## Como era o currículo de Física do Estado do Rio de Janeiro?

O currículo de Física do Rio de Janeiro era padrão em todo o Estado, começando com Termologia e Ótica para o primeiro ano, Mecânica para o segundo ano, Eletromagnetismo e Física Ondulatória para o terceiro ano do Ensino Médio, permitindo que todos os alunos pudessem ter os mesmos conteúdos em todas as escolas da rede pública e as mesmas habilidades mínimas. Mesmo que isso seja um ponto positivo do currículo, ele ainda estava longe de ser o ideal, pois era pobre em conteúdos e excessivo nas aplicações matemáticas e ainda longe de se aproximar da realidade do aluno.

A Física sempre foi vista pelos alunos como um grande conjunto de fórmulas que devia ser decorado para resolver problemas em provas. Os alunos não conseguiam entender como todas aquelas fórmulas e problemas estavam presentes em sua vida e, pior ainda, a maioria não conseguia sequer manipular as fórmulas. O ensino baseava-se em repassar conteúdos ao longo dos anos sem se importar, de fato, se o aluno realmente aprendia ou não. O método de avaliação usado pelo antigo currículo não permitia que o professor tivesse uma visão mais ampla do

desenvolvimento de seus alunos, de suas dificuldades ou dúvidas, geralmente eram apenas provas e listas de exercícios com questões retiradas de livros didáticos. A evidência de que o aluno 'aprendeu' era simplesmente sua aprovação nas provas e, claro, no vestibular.

- O antigo currículo baseava-se em uma didática tradicional em que o aluno era completamente passivo na aprendizagem e o professor apenas disponibilizava os conteúdos que eram, muitas vezes, textos e problemas retirados de livros didáticos. O ensino era somente para que o aluno passasse no vestibular, não tinha como alvo ajuda-lo a entender o mundo que o cerca ou torna-lo um cidadão ciente dos avanços tecnológicos e científicos que afeta constantemente a sociedade. Além disso, o professor não tinha muita liberdade para discutir com seus alunos os efeitos da Física na sociedade, pois o conteúdo do currículo era desatualizado e com isso, a Física ensinada nas escolas estava, quase sempre, fora dos acontecimentos do diaa-dia.

Essa didática tradicional também deixava no aluno um certo medo de errar, talvez pela competição gerada pelas notas, tirando do aluno uma grande ferramenta para o aprendizado. De acordo com Angel Barriga, historicamente se tem reconhecido o papel do erro ou do engano na aprendizagem escolar, pois seu reconhecimento e o trabalho docente e estudantil sobre ele se converte em um excelente elemento para criar as condições exigidas pelo processo de aprendizagem (BARRIGA, 2008).

## O novo currículo de mínimo de Física do Estado do Rio de Janeiro

- O novo CM do Estado do Rio de Janeiro foi criado com a finalidade de orientar os itens que não podem faltar no processo de ensino-aprendizagem, garantindo que todas as escolas da rede pública estejam alinhadas com as atuais necessidades de ensino. O novo currículo tenta não apresentar a mesma Física ensinada anteriormente, isto é, uma Física distante da realidade do aluno, com problemas e situações que quase nunca apareciam sem seu dia-a-dia, e sim formar cidadãos para o mundo contemporâneo.
- O CMF objetiva preparar o aluno do Ensino Médio para compreender seu cotidiano e a sociedade em que vive, mostrando como a Física ajudou a construí-la. Parte-se da afirmação de que para entender o mundo que nos cerca, é necessário o conhecimento de conceitos científicos e da lógica de construção de conhecimento inaugurada a partir da Revolução Científica de século XVII. Para que o aluno entenda as mudanças políticas, sociais e culturais, é necessário conhecer como a Física construiu uma nova visão de mundo, possibilitando ao professor realizar debates e levantar discussões sobre como a Física tem influenciado a sociedade.
- Os temas ensinados anteriormente como Mecânica, Termodinâmica, Eletromagnetismo e Física Ondulatória, continuam presentes no CMF, mas são abordados de forma diferente, com os conhecimentos considerados essenciais para a compreensão do mundo, procurando partir de uma proposta concreta, por exemplo: a Mecânica, a partir de cosmologia; a Termodinâmica, de máquinas térmicas; a Física Ondulatória, a partir do olho humano; o Eletromagnetismo, a partir de motores elétricos.

Essa nova maneira de explorar os conteúdos, procura dar maior significado ao estudo de cada tema, permitindo que o professor tenha mais autonomia

pedagógica para realizar projetos e experimentos, retirando desses temas os conceitos necessários para a formação dos alunos. Da mesma forma, com CMF o professor também pode procurar diferentes maneiras de avaliar seu trabalho com seus alunos, possibilitando-o perceber quais as dificuldades dos alunos. A avaliação não fica restrita apenas a uma prova com inúmeros exercícios, mas favorece uma avaliação continuada.

## O Instrumento de avaliação externa - SAERJ

O SAERJ é um instrumento de avaliação criado pela SEEDUC-RJ tem como finalidade monitorar o padrão de qualidade do ensino e colaborar com a melhoria da qualidade da educação. Ele é aplicado no final do ano letivo e também faz parte de uma avaliação mais geral que credita aos professores e funcionários uma bonificação às escolas que obtêm os melhores resultados. Ao longo dos bimestres são aplicadas avaliações chamadas de Saerjinho mas que não interfere na avaliação final de cada escola.

Analisando o discurso dos professores, da comunidade acadêmica e da Secretaria Educação do Estado do Rio de Janeiro (SEEDUC-RJ) quanto a utilização do Saerj e Saerjinho como instrumento de avaliação da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro é possível constatar disparidades entre as partes. Entre os aspectos debatidos estão a perda da autonomia do professor e os efeitos perversos do currículo na prática docente, como destacados por Cerdeira e Almeida (2012). As autoras dizem que

com os resultados desse sistema, supõe-se que as instâncias gestoras possam elaborar políticas públicas que tornem as redes de ensino melhores. Quanto às escolas, espera-se que pensem alternativas pedagógicas ajustadas às necessidades e às situações que fazem parte da realidade dos alunos

Os resultados de avaliações em larga escala como o SAERJ apresentam informações importantes para o planejamento de medidas em todos os níveis do sistema de ensino e funcionam como subsídio para ações destinadas a garantir o direito do estudante a uma educação de qualidade.

## Metodologia

O nosso trabalho foi baseado nos princípios de uma pesquisa com abordagem qualitativa, uma vez que está relacionada com "o significado que as pessoas atribuem a eventos e objetos, em suas ações e interações dentro de um contexto social" (MOREIRA, 1990, p.32). A nossa "preocupação com o processo é muito maior do que com o produto" (LÜDKE & ANDRÉ, 1986), conferindo ao nosso trabalho mais uma característica de uma abordagem qualitativa.

Entre as técnicas utilizadas em abordagens qualitativas, como aquelas apresentadas por Lüdke & André (1986), optamos pela entrevista, por garantir a "captação imediata e corrente da informação desejada" (ibid, p. 34). Em nosso trabalho utilizamos um tipo de entrevista com menos estrutura, isto é, as perguntas não foram exatamente as mesmas para cada sujeito e nem foram realizadas por pelo mesmo entrevistador. No entanto, tomamos o cuidado de que as perguntas tivessem o mesmo teor para cada entrevistado, já que em nossa reunião do PIBID estabelecemos juntos um protocolo de entrevista.

## A entrevista

Para compreender o dia a dia da aplicação do Currículo Mínimo, foi feita uma entrevista com alguns professores da rede pública do Estado do Rio de Janeiro cujos nomes fictícios são respectivamente: José, Gabriela e Aline.

No quadro 1 a seguir apresentamos alguns trechos das entrevistas que realizamos com os professores. Na terceira coluna estamos identificando as repostas a partir da natureza das perguntas, ou seja, como as perguntas não foram exatamente iguais para cada professor, estamos indicando sobre o que se tratava. No caso, as perguntas se relacionam com as limitações ou dificuldades do CMF, as potencialidades, elementos que os professores acrescentariam ou retirariam.

Quadro 1 : Trecho das entrevistas dos professores

## Considerações

O CMF, de fato, explora a Física de modo mais conceitual, sem usar a matemática como sua única linguagem. Isso permite que os alunos percebam como a Física está presente em seu dia a dia. A estrutura do CMF é outro ponto positivo, pois permite que o professor tenha certa liberdade para mostrar conceitos que achem importantes para os alunos.

Uma das grandes limitações encontradas é a relação com livro didático adotado pela escola proveniente do PNLD, que não foi adaptado para seguir o CMF. Com relação à abordagem dos temas, constamos uma dificuldade dos professores uma vez que a coleção adotada não tem a mesma sequência do CMF. Por exemplo, o CMF propõe para o primeiro bimestre da primeira série do EM Cosmologia e Movimento. Na coleção adotada, Cosmologia não se encontra no volume 1, referente ao primeiro ano. Assim, os professores relataram uma dificuldade operacional, pois a cada aula em que se abordava Cosmologia era necessário ir à biblioteca para retirar os exemplares e distribuí-los aos alunos.

O livro tem atividades diversificadas, com possibilidades de trabalho em grupo e com temas atuais; facilita a pesquisa individual e sugere sites de filmes e documentários. Segundo os professores entrevistados, a coleção seria adequada ao CMF se não fosse essa questão da distribuição dos conteúdos. Alguns professores precisam trocar de livros com outras turmas para prosseguir com suas aulas, já que muitos conteúdos que agora são para o 1º ano, estão em livros de 2º ano e viceversa. Alguns professores acharam, também, uma dificuldade em trabalhar com temas novos, como a Cosmologia e Relatividade.

Além disso, alguns softwares de excelente qualidade são sugeridos para cada conteúdo de forma a ilustrar, esclarecer, levar ao debate temas atuais, como por exemplo a construção da usina de Belo Monte. Os professores entrevistados indagaram dizendo "de que adianta ter todas essas sugestões maravilhosas se as

escolas não estão preparadas para poder oferecer esses materiais a todas as turmas ? Como utilizar esses materiais se não dispomos de salas de vídeos suficientes para a apresentação desses vídeos?" Ainda com relação ao material, foi ressaltada na parte de informática a falta da internet, o número de computadores insuficientes, a não impressão de materiais, e especialmente a inexistência de um técnico de manutenção do laboratório de informática.

Desde o início da implantação do Currículo Mínimo nas escolas da rede pública estadual, de acordo com as entrevistas dos professores, podemos constatar que o CMF está trazendo para as escolas a oportunidade de se estudar Física de uma forma diferente. O CMF permite aos professores e aos alunos interagirem mais; sugere a integração com outras disciplinas; facilita e incentiva a realização de experimentos o que torna o ensino da Física, sem dúvida nenhuma, mais atrativo.

Há necessidade de se fazer ajustes das avaliações periódicas. Por outro lado, as escolas devem se equipar com materiais didáticos a fim de poderem ensinar uma Física mais próxima da realidade do aluno. Por último deve existir um diálogo entre quem organiza o SAERJ e quem implementa o Currículo Mínimo, pois como indica o trabalho de Cerdeira e Almeida (2012) bem como foi constatado nas entrevistas, há uma disparidade.

Dessa forma, o currículo mínimo, poderá estabelecer uma harmonia em uma rede de ensino múltipla e diversa, propondo um ponto de partida em comum, que será desenvolvido em cada instituição, por cada professor, de acordo com sua necessidade e peculiaridade. Assim estaremos fornecendo ao educando os meios para a progressão no trabalho, assegurando a formação comum indispensável ao exercício da cidadania.

## Referências

BARCELLOS, M. E. Conhecimento físico e currículo : problematizando a licenciatura em Física. 247f. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências-modalidade Física). Instituto de Física/Faculdade de Educação- Universidade de São Paulo, 2013.

BARCELLOS, M. E. et al. Currículo mínimo e avaliação no estado do Rio de Janeiro: Uma questão de competência ou de conteúdo? IX ENPEC , Águas de Lindóia, 2013

BARRIGA, A. D. Error y acierto : una relación compleja en el campo de la enseñanza.2008.<http://www.grupalfa.com.br/arquivos/Congresso\_trabalhosII/palestr as/Barriga.pdf>. Acesso em: 30 out. 2014.

CERDEIRA, D G S; ALMEIDA, A B. A Evolução das Políticas de Avaliação do RJ na Visão dos Professores: do Nova Escola ao SAERJ. XVI ENDIPE , Unicamp: Campinas, 2012.

LÜDKE, M. E ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação : abordagens qualitativas. Temas básicos da educação e ensino. São Paulo-SP: EPU, 1986.

MOREIRA, M. A. Pesquisa em Ensino: o Vê epistemológico de Gowin. São PauloSP: EPU, 1990.

OLIVEIRA, Emanuelle. Teorias do currículo. Disponível em: <http://www.infoescola.com/educacao/teorias-do-curriculo/>. Acesso em: 23 abr. 2014.

RIO DE JANEIRO, Secretaria de Estado de Educação - SEEDUC - RJ. Conexão Professor. Rio de Janeiro, 2012.

Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.