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POR UMA SALA DE AULA AMPLIADA UTILIZANDO AS NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO.

André Luiz Ramos Ferreira

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
28/01/2015
Linha de pesquisa
Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## POR UMA SALA DE AULA AMPLIADA UTILIZANDO AS NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO.

## André Luiz Ramos Ferreira 1

1 Centro de Estudos de Jovens e Adultos do Estado do Rio de Janeiro, CEJA-Niterói, andreluizramosferreira@yahoo.com.br

## Resumo

Apresentamos o conceito de "Sala de Aula Ampliada", isto é, uma sala de aula presencial estendida para o que J. Echeverría chama de "terceiro entorno". Para testar o conceito nos apropriamos de uma atividade didática extracurricular existente no CEJANiterói chamada 'Oficina de Aprendizagem'. Reformatamos essa Oficina nos moldes do que entendemos por uma Sala de Aula Ampliada e aplicamos numa amostra selecionada entre os alunos de Física do Ensino Médio matriculados na Escola e que sofreram reprovação nas suas avaliações. Nesta atividade propomos um novo formato de apresentação dos conteúdos do primeiro fascículo impresso do curso de Física para o Ensino Médio da rede CEJA (Centro de Estudos de Jovens e Adultos do Estado do Rio de Janeiro). Nele os conteúdos são apresentados numa narrativa dialógica baseada na história da física. O fascículo pode ser acessado pelo endereço eletrônico <www.professorbiriba.com.br>. Ele foi utilizado pelos alunos nos seus estudos de preparação para a avaliação. O Fascículo online incorpora um Sistema de Acompanhamento que registra o tempo de permanência e o número de acesso de cada um dos alunos nas páginas do site. Esperamos que esses dados ofereçam informações sobre o comportamento dos alunos durante o seu estudo. As informações obtidas dos questionários aplicados durante a Oficina e os dados coletados pelo sistema de acompanhamento formam a base de dados da pesquisa. Nosso objetivo principal foi testar a aplicabilidade do conceito de Sala de Aula Ampliada e a aceitação do novo formato de apresentação dos conteúdos.

Palavras-chave : EaD, TIC, Ensino de Física, Leis de Newton, cinemática.

## Introdução 1

Os artigos e as reportagens sobre a Educação a Distância (EaD) são presença constante nos meios de comunicação nos dias de hoje. As promessas e o anúncio de uma eminente revolução educacional devida ao emprego das novas tecnologias da informação e comunicação (TIC's) fazem parte da maioria das análises apresentadas. Grandes investimentos são anunciados tanto pelos governos como por grandes grupos empresariais. As Escolas tradicionais com a sua metodologia de aulas presenciais são classificadas nessas notícias e análises como ultrapassadas e ineficientes. As aulas expositivas são descritas como resquícios medievais. Diante disto, como cidadãos e pretensos consumidores, a sensação que nos toma é a de que o céu é o limite para essas tecnologias. Assim opiniões e atitudes mais comedidas se fazem necessárias.

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26 a 30 de janeiro de 2015

Nesta controvérsia, no que se refere a Educação Básica, nos colocamos com firmeza ao lado da modalidade de ensino presencial, mas advogamos que também neste nível as TIC's têm um grande papel a desempenhar. A posição defendida neste trabalho é semelhante àquela adotada pelo jornalista Thomas Wood Jr 2 : o processo de ensino-aprendizagem é [...] 'um processo relacional que vai além dos métodos e das tecnologias. Diz essencialmente respeito a relações humanas. Não é entretenimento ou diversão. Tampouco é sofrimento'.

Ainda que não estejam no centro do processo as TIC's estão destinadas a exercer um papel vital. Nos cursos presenciais elas são muito bem-vindas, pois colocam à disposição dos envolvidos meios que potencializam o processo educacional. Esses meios têm potencial para dar nova feição às nossas salas de aula presenciais, mas exigirão modificações profundas. O professor não pode mais se acomodar no papel de centro irradiador do qual emanam o conhecimento e a experiência de vida. As TIC's formam um conjunto de tecnologias altamente maleáveis e em constante evolução. As ferramentas que inventamos, quase sempre, acabam por se conformar ao uso que fazemos delas. Portanto, aqueles que defendem as aulas presenciais, devem incorporar essas ferramentas. Devem estuda-las, conhece-las e usa-las sem medo.

Neste caso qual o papel que as TIC's podem exercer e qual a utilidade que elas podem ter? Para responder a essas questões é necessário partir do entendimento de que uma Sala de Aula é uma comunidade. Apesar de pequena as interações que ocorrem nela são complexas, pois se trata afinal de introduzir o jovem na cultura da sociedade a que ele pertence. Pessoas formam uma comunidade quando têm interesses em comum e interagem umas com as outras criando no processo laços afetivos entre elas. Logo, a presença física não é essencial. O essencial é a interação entre as pessoas.

Nesses pequenos grupos as TIC's podem assumir a função de criar canais para a interação. Com o tempo esses canais podem vir a se tornar tão eficientes que a presença de um indivíduo se torna independente da distância e do tempo. Numa comunidade desse tipo 'se ausentar' ou estar 'distante' passa a significar 'cortar laços', 'recusar-se a interagir'. Com isto, as modalidades de ensino a distância e presencial tendem a se confundir, pois os termos 'distância' e 'presença' abrigam novos significados. Eles não se referem mais a ocupar ou não o mesmo espaço e tempo físicos, mas a estabelecer ou não interações com os outros.

Argumentamos em favor de uma 'Sala de Aula Ampliada', isto é, de pequenas comunidades de aprendizagem baseadas no uso intensivo das TIC's. Embora uma comunidade de aprendizagem como a que mencionamos não seja criada pela tecnologia, mas pelos laços afetivos estabelecidos entre os alunos e pelo trabalho de motivação e orientação do professor, o uso das TIC's oferece os meios de estendê-la no tempo e no espaço. Cria-se assim uma comunidade virtual de aprendizes onde o conhecimento é criado e compartilhado de modo síncrono e assíncrono, presencialmente ou a distância.

A oportunidade de realizar o primeiro trabalho nesta área surgiu quando a direção da rede CEJA ( Centros de Estudos de Jovens e Adultos do Estado do Rio de Janeiro) iniciou um processo de restruturação de suas rotinas administrativas e

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pedagógicas. Isto levou a implantação um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), chamado de plataforma CEJA Virtual, que servirá como estrutura de apoio aos estudos realizados pelos alunos. Decidimos aproveitar esses tempos de mudanças e realizar a seguinte experiência:

- 1. Construir um site (chamado Fascículo online) e disponibiliza-lo na internet para uso dos alunos. Este site é oferecido como uma alternativa aos fascículos impressos do Curso de Física. Ele deverá ser um site aberto, na medida em que oferece ao estudante os meios de acesso a materiais de terceiros selecionados por nós e disponíveis na web; deverá ser um site interdisciplinar, na medida em que oferece ao estudante os meios de acesso a materiais de terceiros relativos a outras ciências, às artes e a filosofia; deverá adotar uma narrativa que se distancie do discurso lógico-dedutivo dos livros didáticos e que dê relevância aos aspectos históricos e se concentre na exposição dos conceitos em detrimento às técnicas matemáticas.
- 2. Construir e acoplar ao Fascículo online um sistema de coleta de dados que registre e acumule o tempo de permanência em cada página e o número de acessos a ela. Nossa esperança é a de que a análise desses dados seja capaz de fornecer informações sobre o padrão de uso pelos alunos do fascículo online nos estudos de preparação para as avaliações.
- 3. Reunir tudo isso numa estrutura coerente que chamamos de 'Sala de Aula Ampliada' nos termos que serão discutidos nas seções seguintes e, em seguida, testar a aplicabilidade do conceito e a aceitação do material.

## O Contexto.

As Escolas da rede CEJA estão espalhadas por todo o estado e tem como missão fornecer a certificação para o segundo segmento do Ensino Fundamental (do sexto ano ao nono ano) para alunos com idade acima dos 16 anos e para o Ensino Médio (do primeiro ao terceiro ano) para alunos com idade superior a 18 anos.

Os cursos são oferecidos na modalidade semipresencial e suas principais características são: o aluno estuda individualmente pelos fascículos impressos que são preparados para o estudo autônomo. As provas são presenciais. O aluno tem ampla liberdade para escolher a ordem em que deseja estudar as disciplinas e o ritmo das provas. O ritmo do curso é estabelecido pelo próprio aluno, pois não há tempo mínimo ou máximo para a conclusão. Além dos fascículos impressos o aluno conta com o apoio da plataforma CEJA-Virtual. Para aqueles que não se adaptam a esta modalidade de aprendizado é oferecida a possibilidade de entrevistas de orientação com os professores.

## A Sala de Aula ampliada.

A 'Sala de Aula Ampliada' que defendemos nesta dissertação nada mais é que uma reformatação das salas de aula presenciais. Pensamos nela como uma pequena comunidade de aprendizes que conta com uma extensão para o terceiro

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entorno de Echeverría . O professor Oliveira Soares (ECA-USP), comentando os 3 conceitos de Echeverría afirma que:

'[.,.] o Primeiro Entorno (aquele que gira ao redor do ambiente natural, do próprio corpo do ser humano e da organização de sua vida comunitária: o clã, a família, a tribo, os costumes, os ritos, a língua, a propriedade etc.). Temos, a seguir, um segundo entorno, representado pela condição humana decorrente do denominado progresso material centrado na vida urbana. É o mundo da polis, incorporando hábitos relacionados à vida na cidade, ao mercado, ao local de trabalho, às práticas culturais, às religiões, ao exercício do poder, enfim.' (SOARES, 2010 p. 61).

## Já o 'terceiro entorno', ele continua

'[...] é formado pelo conjunto dos instrumentos de informação e dos meios de comunicação que permitem ao homem deslocar-se dos dois primeiros entornos. Segundo Echeverría, a convivência do homem com o terceiro tem sido possível graças a um conjunto de sete equipamentos: o telefone, o rádio, a televisão, o dinheiro eletrônico, as redes telemáticas, a multimídia e o hipertexto' (SOARES, 2010 p. 61).

O conceito, é claro, está em construção. De todo modo, nos pareceu natural que as novas TIC's, pensadas como adequadas para serem aplicadas em grande escala e para redes de ensino podem também instrumentalizar a criação de um terceiro entorno para as pequenas comunidades de aprendizes que mencionamos anteriormente. Acreditamos que, partindo das nossas tradicionais salas de aula presenciais, a transformação delas numa 'Sala de Aula Ampliada' deve ser tentada em duas frentes de trabalho: a transformação de um grupo passivo de alunos numa comunidade de aprendizes e a procura de meios para a incorporação, de forma orgânica, das TIC's. O presente trabalho está focado na procura de meios eficientes que levem a incorporação orgânica das TIC's nas nossas salas de aulas presenciais.

Quando nos referimos a incorporação de forma 'orgânica' das novas tecnologias nas salas de aula queremos enfatizar que as TIC's devem ser usadas de forma a assumir um papel semelhante ao de um sistema nervoso nos organismos biológicos, isto é, um caminho para troca e compartilhamento de informações. Essa estrutura poderia ser chamada de 'sistema nervoso virtual' e a sua virtualidade cria 4 um 'terceiro entorno' para a sala de aula. Usando as TIC's, por exemplo, o conjunto de aulas e atividades de um curso de Física pode ser estendido para além das paredes da sala e para além do tempo das aulas. Isto possibilita que os alunos e o professor continuem aprendendo juntos mesmo estando fisicamente separados. Elas permitem uma interação intensa entre os estudantes e coloca à disposição do professor meios inteiramente novos de acompanhar e de avaliar o desempenho dos seus alunos. Além disto, incorporar as TIC's de forma orgânica vai além de usar animações computadorizadas e data-show, pois elas devem ser usadas como ferramentas e não como produto.

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## O Fascículo Online.

O Fascículo Online foi construído na forma de um site que se encontra hospedado na empresa UOL HOST e pode ser acessado pelo endereço <http://www.professorbiriba.com.br>. Embora a estrutura de entrada do site esteja montada para o curso completo neste teste de aceitação trabalhamos apenas com o primeiro fascículo. Ele cobre a cinemática, a primeira e a terceira Lei de Newton. Para melhor entendimento das informações expostas nos próximos parágrafos recomendamos ao leitor que acesse o Fascículo online.

As páginas do fascículo online estão classificadas em três níveis identificados para o aluno por uma barra horizontal na cor correspondente. O nível azul para as páginas que contém os conteúdos que serão cobrados nas avaliações. O nível verde para as páginas com os exercícios complementares e as informações que aprofundam os conteúdos do fascículo. Por último o nível vermelho para as páginas que contém os assuntos interdisciplinares e os links externos. A intenção é oferecer ao aluno três tipos de leitura: uma leitura pragmática, consultando somente os conteúdos cobrados na avaliação (estudo das páginas de nível azul); uma leitura mais aprofundada dos conteúdos (estudo das páginas dos níveis azul e verde) e uma leitura aprofundada com estudos interdisciplinares e consulta a fontes externas (estudo das páginas dos níveis azul, verde e vermelho).

A estrutura dos links foi construída de modo a fornecer uma navegação linear pelas páginas muito semelhante àquela adotada nos fascículos impressos. O aluno tem acesso direto às páginas do nível azul e através dela aos links para os demais níveis. O layout das páginas foi pensado para oferecer uma leitura confortável. Procuramos deixar a página limpa com o menor número de elementos possíveis. Assim no nível azul temos uma coluna à esquerda para os conteúdos, uma coluna à direita com os links para as páginas do nível vermelho. Os links para o nível verde estão ao longo do texto e no fundo da página. A navegação é feita pela barra horizontal localizada no topo e pelos links do fundo da página.

Na apresentação dos conteúdos adotamos uma narrativa baseada na história da Física. A linha narrativa segue de perto àquela adotada no livro 'Evolução dos Conceitos da Física. Força e Movimento: de Thales a Galileu' (PEDUZZI, 2014). De modo geral ela segue a evolução histórica dos conceitos da mecânica desde a Grécia até Newton. Construímos o texto do Fascículo online na forma de um diálogo em tom informal e bem humorado entre um professor e seu aluno. Procuramos atender as recomendações do professor Belisário para a construção de textos destinados a EaD. Ele afirma:

'[...] torna-se evidente a importância do desenvolvimento de uma estrutura discursiva própria que permita a aproximação desse discurso científico escrito às condições do discurso narrativo oral, garantindo com isto a compreensão dos estudantes das matérias de estudo, ainda que sem a presença física do professor' (BELISÁRIO, 2006 pag. 142).

Isto aponta para a necessidade de uma linguagem dialógica que busque o envolvimento emocional do leitor e a interatividade daí resultante. O professor Belisário continua:

'Na verdade, uma série de outras características poderia ser listada, de modo a garantir que os textos básicos de leitura a serem utilizados nos cursos a distância cumpram o seu papel [...] entre elas, daria destaque à necessidade de se revestir esses textos de uma boa dose de humor , seja como elemento motivador, seja

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como fator importante na quebra da rotina da leitura ou, ainda, na introdução de um elemento crítico importante no processo de ensino-aprendizagem' (BELISÁRIO, 2006 pag. 144).

## A Oficina de Aprendizagem.

Para a realização da pesquisa decidimos adaptar uma atividade extracurricular existente na Escola chamada 'Oficina de Aprendizagem'. Para que a Oficina se torne o protótipo de uma 'Sala de Aula Ampliada' é necessário que exista um objeto de aprendizagem online e, pelo menos, os rudimentos de um 'sistema nervoso virtual'. Construímos então o Fascículo online e o sistema de acompanhamento. Esta estrutura, no entanto, sofreu graves limitações.

Um canal virtual deve permitir o tráfego de informações em dois sentidos e com isto uma interação em tempo real dos participantes. Nesta experiência isto não foi realizado. O sistema de acompanhamento colhe informações para uma análise a posteriori do processo. Nele as informações percorrem um canal de 'mão única', do aluno para o professor. Esta é uma limitação importante. No entanto, lembramos que nossa intenção é apenas mostrar a aplicabilidade do conceito. Uma experiência mais completa com interação em tempo real e compartilhamento de informações é deixada para os próximos trabalhos.

As atividades da Oficina foram divididas em três momentos. O momento de acolhida (presencial). Nele os alunos foram recebidos para uma conversa com o professor. Nesse encontro foram explicadas as condições de participação e as tarefas que ele deve executar. Em seguida o aluno recebe uma explicação geral sobre o conteúdo do Fascículo online. Ele é registrado, recebe a senha de acesso e as instruções sobre a melhor maneira de usar o site para a seu estudo. Ele preenche um questionário com informações socioeconômicas e é instruído a estudar pelo Fascículo online e informado de que ao se sentir preparado deve retornar para se submeter à prova. O aluno pode consultar o professor (pela internet ou presencialmente) a qualquer momento para esclarecer suas dúvidas. Observamos que na modalidade semipresencial adotada pela Escola não existe interação entre os alunos durante as suas atividades. Eles estudam individualmente ou com a ajuda do professor. Este primeiro momento presencial que criamos é uma tentativa de mudar essa situação.

No momento virtual o aluno estuda o conteúdo do Fascículo online de forma individual em sua residência ou no laboratório de informática, Durante essas atividades o sistema de monitoramento acumula o tempo de acesso desse aluno em cada página do site. Através dele o professor vai construindo um perfil do comportamento do seu aluno frente ao material de ensino. Esperamos que esses dados forneçam informações que permitam a distinção dos vários estilos de estudo e do interesse dos alunos pelo material. No terceiro momento (presencial) o aluno é avaliado e, logo em seguida, preenche o questionário de avaliação da Oficina.

## Resultados. 5

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No intervalo de 70 dias, entre os meses de março e junho de 2014 atendemos 84 alunos que manifestaram interesse em participar da Oficina. Para esse estudo aceitamos alunos que já tinham sofrido duas reprovações nas avaliações. Demos preferência aos alunos que estão estudando o primeiro fascículo do curso. Fornecemos senha para acesso ao sistema a 61 alunos. Desse total, 32 alunos completaram o processo, isto é, realizaram a avaliação. Todos eles obtiveram aprovação. No entanto, é necessário deixar claro que os alunos já tinham conhecimento dos conteúdos do fascículo uma vez que todos vêm de reprovações anteriores. Além disto, neste trabalho nossa intenção é apenas de testar a aceitação pelos alunos da forma e do tipo de narrativa do Fascículo online. Não estamos interessados na eficiência deste tipo de narrativa.

As análises sobre os dados dos questionários não podem ser generalizadas para o alunado da rede CEJA. No entanto, elas fornecem indícios interessantes. Por exemplo, os dados apontam para um perfil bastante diverso daquele tradicionalmente aceito para o alunado dos cursos de ensino supletivo. Temos agora uma faixa etária bem mais baixa, próxima dos 25 anos. Uma renda familiar mais alta e a procura por profissões de nível técnico e um desejo forte por uma formação universitária. Cerca de 90% dos alunos da amostra têm computador e internet em suas residências. Aproximadamente 80% deles acessam a plataforma CEJA-Virtual embora não a utilize com intensidade.

Os alunos avaliaram positivamente o Fascículo online. A avaliação foi feita sob dois aspectos: a forma e a narrativa. O layout foi bem aceito por 97% dos alunos. Todos eles consideraram fácil a navegação pelas páginas e se sentiram confortáveis com a identificação dos conteúdos em três níveis: azul, vermelho e verde. A linguagem informal recebeu aprovação de todos os alunos e a narrativa histórica adotada no texto foi aprovada por 96% dos alunos.

Após as avaliações tabulamos os dados do tempo de permanência dos 32 alunos nas páginas do Fascículo online. No total o tempo de permanência deles foi de 95,5 horas e o tempo médio de permanência de cada aluno foi de 3,0 horas. Os dados do sistema de acompanhamento mostram que os alunos adotaram um tipo de comportamento pragmático, isto é, se interessaram somente pela leitura dos conteúdos cobrados na avaliação (páginas de nível azul) deixando de lado os conteúdos interdisciplinares.

O conteúdo do fascículo foi distribuído em 25 páginas. Dessas páginas quatro são páginas de exercícios e uma contém exercícios de revisão. Os dados mostram uma progressiva diminuição do tempo de permanência à medida que a leitura avança pelas páginas e uma concentração da atenção dos alunos nas páginas de exercícios, em especial na página de exercícios de revisão. O Sistema de Acompanhamento mediu também a quantidade de acessos em cada página. Foram 857 acessos nas páginas de nível azul. Isto resulta na média de um acesso por aluno por página. Isto indica que os alunos estudam o conteúdo das páginas, em média, apenas uma vez e logo em seguida partem para fazer a prova.

Analisando os dados identificamos três tipos de comportamento que rotulamos como de 'interesse médio', 'interesse mínimo' e 'interesse máximo'. Da amostra de 32 alunos que concluíram a Oficina verificamos que 18,7% deles não usaram efetivamente o Fascículo online. Este é o grupo de 'interesse mínimo'. Como a amostra selecionou alunos com reprovações nas avaliações todos eles já

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tinham conhecimento do conteúdo estudado. Assim este grupo ignorou o material e partiu direto para a avaliação.

No grupo de 'interesse médio' estão 48% dos alunos. Este grupo tem interesse mediano pelos conteúdos tratados. As medidas indicam que eles estudam os conteúdos de algumas páginas e ignoram as demais. Eles se interessam pelas páginas de exercícios. Por fim, temos o grupo de interesse máximo. A ele pertencem 31,3% dos alunos. Esses alunos percorrem todas as seções lendo o texto com cuidado e têm um número de acesso maior em cada página. Eles percorrem todas as páginas de exercícios. Os alunos deste grupo têm comportamento metódico e sistemático durante o tempo de estudo.

## Conclusões.

Afirmamos ser possível construir e aplicar o conceito de uma 'Sala de Aula Ampliada'. Os resultados alcançados mostram que isto é realmente possível. O Fascículo online foi aceito e utilizado com proveito nos estudos dos alunos. Eles se sentiram confortáveis com o layout , com a classificação e a paginação do site. Além disto, dentro das limitações mencionadas anteriormente, o sistema de acompanhamento tornou possível colher as informações sobre o interesse e o modo de interação dos alunos com o material.

Observamos ainda que, embora não tenha sido tentado neste trabalho, é possível obter informações sobre o comportamento individual de cada aluno. O tempo de permanência numa dada página é uma medida do interesse ou da maior dificuldade de entendimento do assunto tratado. Em ambos os casos estas informações permitem o acompanhamento e intervenções mais efetivas por parte do professor nas atividades de aprendizagem dos alunos.

Reconhecemos que o sistema construído é rudimentar, mas consideramos que conseguimos demonstrar a aplicabilidade do conceito bem como obter a aceitação do Fascículo online. Este é, no entanto, apenas o primeiro passo. Acreditamos que o uso das novas TIC's e de alguns métodos da EaD podem revigorar as salas de aulas presenciais do Ensino Básico de uma maneira que preserve o papel fundamental da relação presencial entre o professor e seus alunos.

## Referências.

BELISÁRIO, Aluízio. 'O material didático na Educação a Distância e a constituição de propostas interativas'. In: SILVA, Marco Antônio da (org.). Educação Online. Teorias, práticas, legislação e formação corporativa, 2º Ed. São Paulo: Edições Loyola, 2006.

ECHEVERRÍA, Javier. 'Educación y Tecnologias Telematicas'. Revista Iberoamericana de Educação (versão monográfica), n.24, pp. 19-26. Set-dez, 2000.

PEDUZZI, Luiz O. Q. 'Evolução dos Conceitos da Física. Força e Movimento: de Thales a Galileu'. Publicação interna do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2008. Disponível na Internet no endereço acessado em 14/05/2014.

SOARES, Ismar de Oliveira. 'Educomunicação e terceiro entorno: diálogos com Galimberti, Echeverría e Martín-Barbero'. Revista Comunicação & Educação. Revista do Departamento de Comunicação e Artes de ECA-USP. Ano XV, n 3, set/dez de 2010.

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Texto extraído automaticamente do PDF: podem existir erros de conversão, especialmente em fórmulas, tabelas e figuras.