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ASPECTOS SOBRE A RELAÇÃO DOS PROFESSORES DE CIÊNCIAS DO SUL DA BAHIA COM O PROJETO CAMINHÃO COM CIÊNCIA

George Kouzo Shinomiya, Luciano Fernandes Silva

Evento
Encontro de Pesquisa em Ensino de Física ↗ (EPEF)
Edição
XI
Ano
2008
Data
24/10/2008
Linha de pesquisa
Física E Divulgação Científica Em Espaços Educativos Formais E Não Formais
Tipo
Pôster

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Texto completo

## ASPECTOS SOBRE A RELALAÇÃO DOS PROFESSORES Ã DE CIÊNCIAS DO SUL DA BAHIA COM O PROJETO CAMINHÃO COM CIÊNCIA

## ON THE RELATIONSHIP B BETWEEN BAHIA STATE SOUTHERN REGION SCIENCE TEACHERS A AND THE "CAMINHÃO COM CIÊNCIA" PROJECT

## George Kouzo Shinomiya 1 , L Luciano Fernandes Silva 2

- 1 George Kouzo Shinomiya/DCET/UESC, george@uesc.br
- 2 Luciano Fernandes Silva/DCET/UESC, lufesilva@uol.com.br

## Resumo

Nesse trabalho procuramos avaliar qual o papel que tem desempenhado os professores de Ciências do sul da Bahia nas atividades/e/exposições do Projeto Caminhão Com Ciência, segundo a visão dos seus colaboradores fixos - professores universitários e monitores. O Caminhão Com Ciência pode ser entendido como um Centro de Ciência Itinerante. Ele é constituído basicamente de um caminhão babaú e de experimentos de Física, Biologia, Matemática e Química e tem como objetivo principal, levar exposições a localidades pequenas do Sul do Estado da Bahia. Coletamos dados a a partir de entrevistas semi-i-estruturadas, obtidas juntos aos professores universitários e monitores que participam do Caminhão Com Ciência há mais de um ano . Uma parte dos dados analisados indica a que vários professores de Ciências do Ensino Básico não se envolvem diretamente com as nossas exposições. Uma das hipóteses levantadas pelos nossos entrevistados é a de que muitos desses professores se ressentem de uma formação mais sólida na área específica de Ciências, situação que os afastaria das exposições. Tendo em conta esses resultados, passamos a elaborar e construir materiais de apoio aos professores do Ensino Básico que tem interesse e/ou visitam/participam das atividades oferecidas pelo Projeto.

Palavras -chave: Divulgação científica, Centro de Ciência, Caminhão Com Ciência, Aprimoramento Profissional.

## Abstract

In this paper we arare concerned with the role that science teachers of the south region of the Bahia state play in public expositions of the "Caminhão com Ciência" Project (CCP), as can be recorded by this project team. The CCP is a itinerant science centre. The CCP has one ¾ (three-quarter) truck that carries experiments of physics, biology, math and chemistry. Its aim is to organize science expositions in small cities of the south region of the Bahia state. Data has been collected through semi-structured interviews among the CCP team, professors and monitors that have participated for at least one year in CCP. Part of this data reveals that an expressive amount of science teachers in service at elementary and secondary school level does not get directly involved with the activities of the

expositions. A hypothesis raised by the participants --the ones that were interviewedis that these science teachers do not have a solid initial education in the Science field and it could be the cause teachers keep away from the expositions . Considering these results, we propose to develop and work out support materials for elementary and secondary school teachers, who have the interest to visit and/or participate in the activities of the CCP.

Keywords: scientific diffusion, Science Centre, Caminhão com Ciência, professional improvement

## 1 O papel dos Centros e Museus de Ciências

A divulgação científica é um dos caminhos para incentivar e promover o interesse da população, em geral, para a Ciência e a Tecnologia. De acordo com Albagli (1996), a divulgação científica pode ser definida como o processo de utilização de recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral. Dentre as diferentes formas de divulgação científica, destacamos, nesse trabalho, os Museus e Centros de Ciência.

É importante destacar que, no Brasil , as denominações Museu e Centros de Ciências não são utilizadas como na Europa e nos EUA. Segundo Gaspar (1993), ao contrário do que acontece na Europa e nos EUA, onde museus e Centros de Ciências são denominações que sempre se referem a instituições semelhantes, no Brasil podemos encontrar um grande número de instituições denominadas Centros de Ciências que não possuem as características daquelas localizados na Europa e nos EUA.

Essa denominação, além de ser utilizada para centros de pesquisa em algumas universidades, surgiu no Brasil com a criação, no período de 1963 a 1965, por iniciativa do então Ministério da Educação e Cultura, de seis instituições: o Centro de Ciências do Rio Grande do Sul - CECIRS, o Centro de Ciências de S. Paulo -CECISP, o Centro de Ciências da Guanabara -CECIGUA, o Centro de Ciências de Minas Gerais - CECIMIG, o Centro de Ciências da Bahia -CECIBA e o Centro de Ensino de Ciências do Nordeste -CECINE. (GASPAR , p. 33, 1993)

Todavia, segundo Jacobucci et al (2007) a Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências (ABCMC) tende a tratar de forma similar esses espaços, considerando como Centros de Ciências as instituições que realizam trabalhos com divulgação científica. Seguindo essa tendência, também utilizaremos essas palavras sem grandes distinções ao longo desse texto.

Tendo em conta essa tendência, podemos perguntar: que papel exerce, ou deveria exercer, um Museu ou Centro de Ciência?

A principal proposta dos Centros de Ciências está em estimular a experimentação, a iniciativa e a curiosidade dos visitantes. Procura-se construir um ambiente em que a interatividade e o lúdico tenham um papel central.

Segundo Wagensberg (2002) este é um espaço dedicado a instigar a curiosidade pela Ciência e a Tecnologia nos seus visitantes. Para o autor, ao sair de

um Museu de Ciência o visitante deve estar com mais perguntas do que quando entrou.

Para Valente et al (2005) os visitantes dos Museus e Centros de Ciência não se contentam mais em apenas contemplar objetos expostos. . Segundo os autores, há uma maior ênfase à participação dos visitantes nas exposições por meio de aparatos interativos. Ainda segundo os autores,

A interatividade é considerada uma pedagogia não -d-diretiva e deve ser entendida como um conceito ampliado que oferece ao público a oportunidade de experimentar fenômenos e participar nos processos de demonstração ou na aquisição de informações, com o propósito de ampliar seus conhecimentos. (p.198)

Outro aspecto relevante dos Centros de Ciências está na presença dos monitores e guias, que desempenham o importante papel de orientar e estimular a curiosidade do público visitante. No Brasil, freqüentemente os Museus e Centros de Ciências estão atrelados a uma Instituição de Ensino Superior, daí o fato de que normalmente o papel de monitor ser desempenhado por estudantes de graduação.

É importante destacar que os Museus e centros de Ciências constituem -se em espaços não-formais de ensino de Ciências (MARANDINO, 2001). Nesse sentido, o termo educação não-formal pode ser definido como qualquer tentativa educacional organizada e sistemática que, normalmente, se realiza fora dos quadros do sistema formal de ensino e nesse enquadramento encontra-se os Museus e Centros de Ciências (BIANCONI; CARUSO, 2005; SILVA-A-COUTINHO, et al, 2005; VALENTE et al, 2005).

Já em relação ao público, Wagensberg (2002) destaca que os visitantes dos Museus e Centros de Ciências são bem diversificados, sem distinções de idade, formação e e nível cultural. Para o autor, isto é possível porque as exposições se baseiam em emoções e não em conhecimentos prévios.

Para Zimmermann e Mamede (2005) uma das principais funções dos Centros e Museus de Ciência e Tecnologia é o de auxiliar a escola a cumumprir o objetivo de letrar cientificamente a população e também de melhorar a percepção pública da Ciência daqueles que não mais freqüentam ou que não puderam freqüentar a escola.

É significativo ressaltar que a articulação entre os Centros de Ciência e as escolas é um importante tema de discussão na área de pesquisa em Educação Científica. Parece existir um consenso sobre a distinção de papeis entre a escola e os Centros de Ciência, porém há interfaces importantes entre essas duas formas de letrar cientificamente a população. A pesquisadora Marandino (2001), ), por exemplo, aborda em seu trabalho o as interfaces na relação Museu-Escola. Segundo a autora

Em linhas gerais, pode-se dizer que os museus trabalham com o saber de referência tanto quanto a escola, porém dão a este saber uma organização diferenciada, além de utilizarem linguagens próprias. Assim, o museu se diferencia da escola não só quanto a seleção e amplitude dos conteúdos abordados, como também em relação a forma de apresentação deles. Os museus de ciências pretendem assim ampliar a cultura científica dos cidadãos, promovendo diferentes formas de acesso a este saber. Através de variados estímulos oferecidos ao público, diferentes daqueles da escola,

o processo de aquisição do conhecimento se torna particular nesses espaços. (p.93)

Esses aspectos gerais que e definem e orientam os Centros de Ciências também nos orientaram na construção de uma proposta de criação de um projeto de Divulgação Científica na região de influência da Universidade Estadual de de Santa Cruz (UESC). Trata-s-se de um Centro de Ciências Móvel, ou itinerante. Mas, por que criar um projeto de Centro de Ciências Móvel para atuar no Sul da Bahia? Que objetivos uma iniciativa dessa natureza deve atingir? Qual é o público alvo prioritário de um projeto dessa natureza?

## 2 O Projeto Caminhão Com Ciência: um Centro de Ciências itinerante

O projeto Caminhão com Ciência teve origem a partir de um projeto piloto desenvolvido na UESC , com apoio do CNPq , chamado Parque do Conhecimento, cujo objetivo vo era criar um ambiente interativo onde fosse viabilizada a realização de experimentos, jogos, demonstrações e brincadeiras envolvendo aspectos diversos do conhecimento cientítífico. Esse "parque" teve caráter itinerante, pois foi utilizado para exposições ababertas ao público em geral nas cidades de Ilhéus e Itabuna - municípios do sul do Estado da Bahia. Em seguida participamos de um edital do Ministério da Ciência e Tecnologia de 2004, que contemplava a Ciência Móvel como ferramenta na inserção social dos cidadãos das áreas mais carentes. Tivemos, com a aquisição de um caminhão em 2005 5 e outros equipamentos , a oportunidade não só de ampliar as temáticas desta exposição, através da associação às outras áreas da Ciência como Biologia e Matemática, mas também de tornar possível o deslocamento destes experimentos às escolas e comunidades carentes da região sul da Bahia.

Constituído basicamente de um caminhão baú (figura 1) e de experimentos de Física, Biologia, Matemática e Química, o projeto Caminhão com Ciência tem como objetivo principal, levar exposições a localidades pequenas e distantes dos grandes centros urbanos, que, de modo geral, apresentam baixos índices educacionais, muito provavelmente devido a uma série de circunstâncias, tais como as condições das escolas locais e à pequena quantidade de alternativas educacionais.

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É importante destacar que a região onde se localiza a nossa universidade (UESC) é constituída de vários pequenos municípios e distritos. Além disso, a universidade fica entre as duas cidades de maior expressão econômica e política da região Ilhéus e Itabuna. Também é importante destacar que o Estado da Bahia possui uma enorme extensão territorial, 564692,669 km², o que representa praticamente o dobro do estado de São Paulo, ou o tamanho de um país como a França. Esse Estado situa-se na região Nordeste do Brasil, região que apresenta historicamente baixos índices educacionais, sociais e econômicos.

Em relação aos objetivos do Projeto, destacamos que as nossas exexposições e atividades destacam -s -se pela promoção de situações de integração Universidade -- Comunidade através de atividades de divulgação científica. Esse projeto também objetiva promover a popularização da Ciência, de forma a motivar crianças, jovens e adultos a se interessarem por esse campo do conhecimento humano.

- As atividades presentes no Caminhão Com Ciência privilegiam o entretenimento através, principalmente, de atividades experimentais participativas e demonstrações de vários tipos, todas com o objejetivo de aproximar as pessoas do universo da Ciência.
- O Caminhão Com Ciência agrega as áreas específicas de Física, Química, Matemática e Biologia. Em relação à Física é possível destacar experiências participativas nas áreas de Mecânica, Óptica, Eletromagagnetismo e Termologia. Também há uma série de referências aos princípios mais básicos da Física Quântica e da Cosmologia.

Enfim, por tudo que descrevemos acima, entendemos que a proposta do Caminhão Com Ciência é inovadora na área de divulgação científica no Brasil. Justamente por ser uma novidade em termos de proposta para Centros de Ciências é que entendemos ser relevante a realização de pesquisas que indiquem os impactos do Projeto sobre as comunidades visitadas , e que apresentem avaliações sobre as relalações estabelecidas entre essas comunidades e o Projeto.

Tendo em conta essa perspectiva construímos o seguinte questionamento: que relações são estabelecidas entre o projeto Caminhão Com Ciência e as comunidades por ele visitadas?

## 3 O contexto e a questão orientadora dessa investigação

- O projeto Caminhão Com Ciência iniciou suas atividades em agosto de 2005, sendo que a nossa primeira exposição ocorreu na cidade de Camacan, situada a aproximadamente duas horas da UESC e com população estimada em 26000 habitantes (IBGE).
- É importante ressaltar que dessa prprimeira visita em 2005 , até o mês de agosto de 2007 , realizamos 22 exposições (vide tabela 1). Dessas visitas duas foram realizadas em dois dias (Camacan e Santa Luzia) ) e outras duduas tiveram a duração de uma semana inteira (Semanas de Ciência e Tecnologia realizadas em Ilhéus) . Nas demais localidades as v visitas foram realizadas em um ú único dia .

Também é importante dizer que a maioria das exposições foi realizada em escolas e em dias de finais de semana. Isto ocorre devido às atividades didáticas e outros afazeres dos docentes e dodos os monitores durante a semana. Outro aspecto

relevante diz respeito ao nosso público majoritário, formando em sua maioria por alunos do Ensino Básico, aspecto plenamente justificável devido à escolha do local das apresentações.

Tabela 1: Locais de exposição e número de visitantes

De fato as nossas atividades ocorreram, majoritariamente, em escolas públicas de Ensino Básico, o que não é uma exigência do projeto que, aliás , privilegia outros espaços, mas sim reflexo da situação das comunidades visitadas, que não dispõem de outros espaços que permitam a exposição. Isto nos traz outras indagações sobre as relações estabelecidas entre o projeto Caminhão Com Ciência e as comunidades por ele visitadas.

Tendo em conta os argumentos de Wagensberg (2002), que apontam que é uma das obrigações dos Museus e Centros de Ciências conhecerem o seu público, compreendemos relevante a construção de pesquisas que nos forneçam informações básicas sobre nosso público majoritário: alunos e professores da escola básica.

Além disso, como salienta Marandino (2001) os professores desempenham um papel importante na articulação da relação entre a escola e o Museu de Ciência. É deles, muitas vezes, a iniciativa de organizar a visita dos alunos aos Museus e Centros de Ciência. Também é através dos professores que os alunos adquirem as primeiras idéias sobre o os Museus e e Centros de Ciência .

Tendo em conta essas observações, consideramos pertinente construir a seguinte questão: que papel tem desempenhado o o professor de Ciências nas atividades/apresentações realizadas pelo Caminhão Com Ciência nas escolas do sul da Bahia?

## 4 Objetivo

Diante da descrição do contexto d de atuação do Caminhão Com Ciência e da questão orientadora desse trtrabalho , temos por objetivo avaliar o papel que os professores de Ciências têm desempenhado em nossas visitas realizadas em escolas públicas.

É importante destacar que, nesse primeiro momento, nossa pesquisa é de natureza mais exploratória e descritiva.

## 5 Procedimentos de Coleta de dados

É um desafio significativo para nós obter dados consistentes sobre o papel que os professores de Ciências têm desempenhado em nossas visitas realizadas em escolas públicas. De fato, a construção daquilo que chamamos de papel desempenhado pelos professores de Ciências ocorre a posteriori, ou seja, após a realização de uma série de visitas/apresentações do Projeto Caminhão Com Ciência.

Nesse sentido, podemos tanto examinar o que os próprios professores t têm a dizer r sobre o papel que desempenham, como podemos avaliar o que outras pessoas dizem sobre esse papel.

Nesse momento, optamos pela segunda opção, ou seja, nessa etapa do trabalho entendemos relevante obter dados sobre o papel desempenhado pelos professores de Ciências do Ensino Básico o nas atividades/apresentações do Caminhão Com Ciência junto aos acadêmicos do Projeto. Nesse caso, decidimos coletar dados junto aos monitores e professores universitários atuantes no Caminhão Com Ciência há pelo menos um ano.

Os monitores e professores universitários atuantes no Caminhão Com Ciência vão, ao longo das visitas, construindo uma visão sobre a participação dos professores de Ciências no Projeto. Eles são observadores privilegiados, sobretudo pelo fato de estarem envolvidos na coordenação e orientação das atividades do Caminhão Com Ciência.

No total são 11 os professores universitários que participam do Projeto Caminhão Com Ciência há pelo menos um ano, sendo 04 da Física, 03 da Química, 02 da Biologia e 02 da Matemática.

São dezesseis os monitores com bolsa de extensão que participam do Projeto Caminhão Com Ciência. Desses, 110 possuem bolsas de extensão da FAPESB 1 e 06 possuem bolsas de extensão da própria Instituição. Há ainda outros quatro monitores que são bolsistas de outros projetos e que rotineiramente participam do Caminhão. Além dos bolsistas há um número significativo de voluntários que acompanham as visitas, dentre esses , alguns com a expectativa de se tornarem bolsistas futuramente.

É importante ressaltar que, com om a finalidade de preservar a identidade dos nossos entrevistados, utilizamos identificação: Monitor e Professor .

Em nossa investigação optamos por realizar entrevistas abertas e exploratórias conduzidas a partir de determinados tópicos ou, em outros termos, foram guiadas por questões mais gerais. Segundo Bogdan e Biklen (1994), este tipo de entrevista, também conhecida por entrevista semi-estruturada, caracteriza-a-s-se pela utilização de um guia mais aberto e flexível, o que possibilita ao entrevistador coletatar dados relativos a dimensões inesperadas referentes ao tópico em estudo .

Para coletar as informações juntos aos professores universitários e aos monitores, utilizamos um gravador de som. Após a transcrição, operamos a sistematização dos dados através de e uma análise de conteúdo (BARDIN, 1991).

## 6 Discussão dos Resultados

Uma das questões que fizemos aos entrevistados pedia que eles avaliassem como têm sido o papel dos professores de Ciências do Ensino Básico nas atividades do Caminhão Com Ciência.

Os dados coletados juntos aos monitores e professores universitários indicam que é baixa a freqüência dos professores de Ensino Básico nas apresentações do Caminhão Com Ciência. Nesse caso, há uma indicação de que é praticamente sem efeito a participação de váririos professores de Ciências nas atividades do Projeto Caminhão Com Ciência. Segundo alguns dos nossos entrevistados, os professores de Ciências têm um papel "s "sem destaque " nas atividades realizadas pelo Projeto . Exemplos:

Vários professores vão apenas lev ar seus alunos, ou seja, não participam das atividades como acho que deveriam. (...) Talvez por receio de o aluno realizar uma determinada pergunta e ele não saber responder. r. (Monitor 1)

Essa participação não existe, dentro do ponto que eu possa avaliar. Ela é assim: eles estão nas escolas visitadas pelo Caminhão ou onde o Caminhão faz as visitas. Em geral vêm os alunos e acham aquilo muito interessante. (...) somente alguns professores visitam o Caminhão . (Professor 1)

Uma possível explicação para esse dado, segundo nossos entrevistados, está no fato de que os professores dessas localidades visitadas, em sua grande maioria, se ressentem de uma formação sólida na área de Ciências da Natureza, fato que causa certo "embaraço" perante as perguntas formuladas pelos alunos, tanto no momento da exposição quanto posteriormente em sala de aula, o que, de certa forma, contribui para o afastamento desses professores da exposição. Além disso, muitos professores não possuem maiores informações sobre a finalidade de uma exposição nos moldes desse Projeto.

Ainda segundo os acadêmicos, em muitas ocasiões os professores solicitam de seus alunos uma descrição detalhada das atividades/experimentos do caminhão, a qual terá um peso na avaliação escolar. Essa situação é evidentetemente contrária ao "e"espírito" do Projeto, tanto que esses alunos ficam muito mais preocupados em anotar as explicações dos monitores. Nesse caso, os alunos perdem a oportunidade

de se "divertir" manipulando os equipamentos, ou de construir com liberdade seus próprios questionamentos.

- (...) só em Itabuna eu vi professor de Física. Eu conversei com ele. Notei que ele havia pedido para os alunos assistirem a apresentação e, na seqüência, construírem um relatório. Essa situação não foi assim uma experiência agradável, porque os alunos não prestavam atenção nos experimentos. Eles estavam mais preocupados em anotar a explicação e em fazer o relatório para entregar ao professor. (Monitor 2)
- (...) Geralmente eles utilizam o caminhão para isso, para os alunos irem fazer um resumo, uma atividade valendo nota . (Monitor 3)

Tem professores que acham que o Projeto é uma besteira e que os alunos só vão lá para fazer um trabalhinho e pegar nota. (Monitor 4 )

Nesse caso, o professor assume um papel bem " tradicional " , pois exige dos seus alunos uma coleta de dados durante as apresentações. Posteriormente esses dados, sem nenhuma análise mais criteriosa, tornam-se um amontoado de informações numa folha. É justamente esse material que posteriormente receberá um conceito.

Outro papel assumido pelo professor de Ciências é o de "v "vigia " dos alunos que participam das atividades do Caminhão. Nesse caso, o professor toma conta dos alunos, ou seja, vigia-os para que não quebre nada e nem embarace a escola com indisciplina. Exemplo:

(...) eu tenho visto uma participação, mas é uma participação semelhante a tomar conta de aluno, ao invés de tentar interagir com o experimento. Em alguns casos, digamos que em 70% dos casos, é isso ai que ocorre. (Professor 2)

Para outros entrevistados, o professor de Ciência tem o relevante papel de " parceiro " do Projeto. Exemplo:

Tem os professores que gostam , participam, ajudam e ficam interessados . (Monitor 4)

É importante destacar também que ououtros professores universitários que atuam no Caminhão o Com Ciência alertam que o projeto pode vir a se transformar num simples "apêndice" da escola. Eles apontam que o Projeto tem o propósito de divulgação científica, mas que, diante da realidade, corre o risco de se converter num projeto de realização de aulas formais de Ciências. Um desses alertas foi apresentado quando solicitamos aos docentes do Caminhão que falassem sobre a participação dos professores de Ciências do ensino básico nas atividades do Projeto. Exemplo:

É uma participação... olha do jeito quque é feito.... é preferível que ela não existisse. Quando existe, essa participação é realizada na forma de colocar questões que deveriam ser abordadas na sala de aula (...) não é esse tipo de questão que queremos. A gente quer que aquilo seja mais lúdico e não seja a substituição de uma aula formal. Não é ocupar o lugar da educação formal. A educação formal tem características muito diferentes (...) (Professor 1)

Nesse caso, há um importante questionamento dirigido para as relações do Projeto Caminhão Com Ciência com a escola. Mesmo considerando a relevância de observações como esta, a nossa opinião é a de que ainda não está claro para as pessoas que participam do o Projeto Caminhão Com Ciência qual deve ser a relação com a escola básica.

De um lado é possívível perceber, entre vários participantes acadêmicos , uma postura mais voltada para complementar o trabalho formal da escola. Nesse caso, entende -se que o Caminhão Com Ciência d deve oferecer à escola recursos didáticos apegados aos programas de estudo, ou sejeja, deve oferecer r experiências que venham a reforçar r o que é oferecido normalmente nas aulas .

Além disso, como salienta Marandino (2001, p.90)

(...) o interesse das escolas em visitar o museu tem uma relação direta com o programa de ciências que elas desenvolvem. Geralmente o professor do ensino fundamental e médio que procura o museu está interessado em conteúdos diretamente relacionados com a matéria que ele está dando em aula. Este tipo de anseio se justifica, pois uma visita extra-escolar deve apresentar algum vínculo com o que é desenvolvido em aula.

De outro lado há posturas, como a do Professor 1, que defendem a idéia de que o Caminhão Com Ciência deve ser apenas subsidiário ao sistema educativo formal. Nesse caso, o Projeto deveria apenas assumir tarefas e realizar funções que a escola básica não consegue dar conta como, por exemplo, a divulgação de avanços científicos que, normalmente, leva muitos anos para ser incorporado aos currículos escolares. Além disso, os argumentos do Professor 1 apontam para o fato de que o Caminhão Com Ciência deve atuar especificamente com divulgação de Ciência e, de preferência, junto aos setores da sociedade que não participam, de nenhum modo, da vida escolar.

## 7 Considerações Finais

O Projeto Caminhão Com Ciência constitui-s-se numa importante iniciativa de divulgação científica realizada pelos docentes e discentes da Universidade Estadual de Santa Cruz. Esse projeto tem possibilitado uma maior interação entre a Universidade e a Escola Básica .

Nesse trabalho apresentamos os uma investigação exploratória e descritiva que procurou avaliar o papel dos professores de Ciências da Escola Básica. Essa avaliação se deu a partir das informações coletadas juntos aos professores universitários e monitores que participam do Projeto Caminhão Com Ciência.

Os dados analisados indicam que o professor de Ciências do sul da Bahia assume vários papeis ao longo das atividades/apresentações do Projeto Caminhão Com Ciência. Esses papéis foram classificados da seguinte forma: "sem destaque", "t "tradicional", "vigia" e "parceiro".

É importante destacar que alguns dados que coletamos indicam que o distanciamento entre o Projeto e os professores se dá, entre outras coisas, pelo fato de que eles se ressentem de uma formação mais consistente na área das C Ciências.

Tendo em conta esse situação, estamos construindo e iremos distribuir futuramente materiais de apoio aos professores. Essa iniciativa constitui-se na primeira tentativa de nos aproximar dos professores que atuam nas escolas que iremos visitar. Na seqüência queremos convidar os professores para avaliar esse material e, num segundo momento, indagá-los sobre suas necessidades formativas para construirmos, juntos, propostas de aprimoramento profissional.

Dentre esses materiais que estamos construindo, destaca-s-se a iniciativa de fazermos um material escrito que tem a finalidade de dar subsídios à aproximação dos professores ao projeto. Dentro dessa perspectiva, construiremos um pequeno livro contendo uma descrição de todos os experimentos/equipamentos da da área de Física presentes no Caminhão Com Ciência. Esse material também possui uma descrição básica de alguns dos conceitos que estão por trás dos fenômenos observados. É significativo dizer que o material que produziremos também possui dicas de sites e outros materiais bibliográficos em que o professor poderá obter mais informações.

A idéia por trás desse material é muito simples: oferecer um conjunto de informações científicas aos professores das escolas de educação básica dessas localidades visitadas pelo Caminhão Com Ciência. É interessante imaginar que os professores possam utilizar essas informações para subsidiarem seu envolvimento durante a exposição e, posteriormente à visita do Caminhão, em suas atividades de ensino.

Em outros trabalhos de pesquisa temos observado que os professores de Ciências se ressentem de materiais de apoio em suas visitas aos Museus/Centros de Ciências. De acordo com Passos et al (2000), em pesquisa realizada no Parque da Ciência da Universidade Federal de Viçosa, os professores de Ciências demandam materiais que ofereçam suporte às visitas ao Museu. Ainda segundo os autores, há mesmo uma demanda por materiais que esclareçam aos professores alguns dos fenômenos básicos por trás de algumas atividades/exposições.

Um outro desdobramento do nosso trabalho de construção de material de apoio ao professor está sendo a reconstrução do site do Projeto Caminhão Com Ciência. A idéia também é a de descrever todos os experimentos/equipamentos da área de Física constantes do Caminhão, além de de oferecer descrições básicas dos fenômenos a eles relacionados. Vale destacar que o site também terá um espaço reservado para uma interação on-line entre os professores e os monitores do Caminhão Com Ciência.

Do ponto de vista formativo, é significativo indicar que nesse primeiro momento não há discussões com os professores sobre a prática pedagógica, pois, novamente, a intenção é a de fornecer subsídios de conteúdos que sirvam de apoio ao trabalho desses professores .

Num segundo momento pretendemos estrereitar nossa articulação com os professores, de forma a poder oferecer, segundo suas demandas, cursos de aprimoramento profissional. A idéia aqui é a agendar entrevistas com alguns grupos de professores e obter dados relativos às suas demandas formativas na área de Ensino de Ciências.

## Referências

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