SISTEMAS E MÉTODOS DE ENSINO NA REDE PARTICULAR - PERCEPÇÕES DE PROFESSORES SOBRE ARTICULAÇÃO PESQUISA-PRÁTICAS
Eliane De Souza Cruz, Robério Lima, Josias Rogério Paiva, Sara Cristina Pinto Rodrigues
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 28/01/2015
- Linha de pesquisa
- Materiais, Métodos E Estratégias De Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## SISTEMAS E MÉTODOS DE ENSINO NA REDE PARTICULAR PERCEPÇÕES DE PROFESSORES SOBRE 'ARTICULAÇÃO PESQUISA-PRÁTICAS'
*Eliane de Souza Cruz , Robério Lima , Josias Rogério Paiva , Sara Cristina 1 2 3 Pinto Rodrigues 4
11 UNIFESP-Diadema/Departamento de Ciências Exatas e da Terra, ecruz@unifesp.br
2
Escola Mater et Magistra, roberiolima@yahoo.com.br
3 Universidade de São Paulo, josiaspaiva@ig.com.br
4
UFRPE - Recife/Departamento de Física, srodrigues@df.ufrpe.br
## Resumo
Este trabalho enquadra-se na linha de pesquisa 'Articulação da Pesquisa em ensino e Práticas de Ensino dos Professores' iniciada em Cruz (2012) no contexto da formação pós-graduada de professores. Atualmente, a articulação tem sido analisada em vários contextos (eventos científicos, formação inicial, mestrado profissionais, entre outros) pela autora e equipe. A finalidade deste artigo é fomentar a discussão sobre os sistemas de ensino e métodos próprios de ensino da rede particular através das percepções de um grupo de professores-pesquisadores de uma escola que estão envolvidos em repensar pedagogicamente o seu próprio material didático, tendo como base a perspectiva teórica de articulação. Primeiramente, descreve-se referencial teórico da análise assente no conceito 'articulação' apropriado para fins educacionais que implica uma relação bilateral entre a Pesquisa ↔ Práticas. Posteriormente, apresenta-se um estudo preliminar de natureza descritiva que incidiu na análise das percepções de 3 professores de Ciências sobre a articulação das práticas (moldadas pelos sistemas de ensino ou métodos próprios de ensino) e a pesquisa em ensino de ciências. A análise preliminar deste estudo corrobora com alguns dos indicadores de constrangimentos identificados na literatura para a efetiva articulação e evidenciam novos, tais como, obrigações contratuais que os colégios particulares assumem junto aos sistemas de ensino independente do perfil dos seus alunos, dilema dos professores-pesquisadores "pender para a prática ou para a pesquisa", entre outros.
Palavras-chave : Sistemas e métodos de ensino, colégios particulares, articulação pesquisa-práticas
## Introdução
Os primeiros modelos de 'articulação' investigação-ensino (Cachapuz, 1997; Costa, 2003; Cruz, 2005; McIntyre, 2005) restringiram-se fundamentalmente ao impacto da pesquisa nas Práticas e não à articulação. Atualmente, a perspectiva de impacto tem sido substituída pela da articulação da pesquisa-prática no campo acadêmico internacional porque a 'articulação' é entendida como um processo complexo operante em várias dimensões (epistemológica, ontológica, estratégica, política, etc.) e, portanto, mais amplo do que o de 'impacto'. Ou seja, nem todos os processos de impacto envolvem a articulação, mas a articulação inclui necessariamente o impacto mútuo. Poderíamos dizer que a articulação implica uma relação bilateral entre a 'Pesquisa ↔ Práticas' nestas dimensões, traduzida pela
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26 a 30 de janeiro de 2015
influência da pesquisa/pesquisadores nas Práticas/professores, mas também das Práticas/professores na Pesquisa/pesquisadores (Cruz, 2012).
No contexto brasileiro, a temática da articulação da pesquisa e prática no ensino de física merece atenção pelo dilema ' pender para a prática ou para a pesquisa ' enfrentado pelos pesquisadores descrito no trabalho de Vaz, Borges O. & Borges A. (2002). Os pesquisadores são frequentemente confrontados com a decisão de optarem por um tipo de atividade investigativa voltada para a comunidade acadêmica ou voltada para a intervenção no campo prático. Além disso, é notório o reduzido impacto da pesquisa nas práticas (Pena, 2009) e o crescente aumento do número de professores-pesquisadores nas escolas em geral e, em particular na rede particular de ensino. No contexto internacional, os professorespesquisadores da Educação Básica são considerados agentes ligantes ou articuladores da pesquisa e prática (Costa, 2003; Cruz, 2012) porque estão familiarizados com a linguagem utilizada na Pesquisa, podendo adaptá-la de forma a ser mais facilmente apropriada pelos seus pares.
Relativamente à rede particular de ensino, verifica-se que atualmente os colégios particulares adotam sistemas de ensino (Etapa, Anglo, Objetivo, Positivo, entre outros) ou adotam/desenvolvem métodos próprios de ensino, tais como: (i) método Waldorf (da Pedagogia Waldorf), (ii) método autodidatico-sequencial (da Pedagogia Montessoriana), (iii) método vivencial (da Pedagogia Vivencial), entre outros. Estes métodos/sistemas de ensino dos colégios particulares influenciam indubitavelmente as práticas dos professores que em algum momento do seu percurso profissional passam pela rede particular de ensino e, por vezes, encontram-se a lecionar concomitantemente na rede pública e particular.
No que diz respeito ao conceito de professor-pesquisador adotado neste estudo, diferenciam-se as pesquisas realizadas pelos professores em dois tipos: (i) pesquisa acadêmica para a construção de conhecimento no campo (teórica ou com generalização externa dos resultados empíricos) e (ii) pesquisa centrada nas práticas (com generalização situada nos contextos locais). Estes últimos estudos podem ser realizados no âmbito acadêmico (pela institucionalização destas pesquisas como, por exemplo, no 2º ciclo de Bolonha/Mestrado em Portugal ou Mestrados Profissionais no Brasil) e no âmbito escolar (acontece com menor frequência em ambos os países). Sugere-se, portanto, uma maior transparência da natureza das investigações realizada pelos professores.
Assim, neste trabalho pretende-se discutir as percepções de um grupo de 03 professores-pesquisadores de uma escola que estão envolvidos em repensar pedagogicamente o seu próprio material didático e método de ensino, tendo como base a perspectiva teórica de articulação (norteador teórico das discussão no grupo). O grupo decidiu realizar um estudo preliminar devido à riqueza do debate (reuniões presenciais e e-mails trocados) com a participação de uma pesquisadora externa ao colégio.
## Referencial teórico e metodológico
O modelo de articulação entre a Pesquisa educacional e as Práticas dos Professores de McIntyre (2005) foi apropriado por Cruz (2012) para o contexto específico da Didática das Ciências/Física. Assenta-se numa visão moderada de articulação que pretende ser uma sugestão de novas demandas na pesquisa em
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ensino de Física e não de substituição total do atual modelo de desenvolvimento da pesquisa educacional.
Assim, na apropriação deste modelo em Cruz (2012) foram propostos três caminhos epistemológicos complementares para as iniciativas de articulação entre a Investigação em Didática das Ciências ( IDC )-Práticas no contexto português que adaptamos ao contexto brasileiro, a saber: 1º) Interações entre 'Pesquisa no ensino de Física' -'Ensino de Física' ; 1 2º) Utilização de estratégias na pesquisa especialmente desenhadas para informar as práticas de ensino ; e 3º) Realização de 2 pesquisa pela escola . 3
Esclarece-se ainda que a visão moderada de articulação adotada justifica-se pela necessidade de sermos comedidos nas expectativas da influência da pesquisa educacional nas práticas corroborando com o ' enlightenment model' de Hammersley (1997), por um lado, porque a qualidade pode ser prejudicada ao estar preocupada em ter impacto nas práticas e, por outro, porque considera que nem toda a pesquisa realizada tem que exercer impacto nas práticas e políticas (Costa, 2003).
Os principais constrangimentos à articulação da 'pesquisa-práticas' foram descritos na literatura em Marques et al. (2004) e (Araújo e Sá et al ., 2002a; Costa, Marques & Kempa, 2000; entre outros) citados em Cruz (2012), e agrupados pela autora em quatro blocos, a saber: 1º Bloco : Professores / Escolas; 2º Bloco: Pesquisadores / Instituições de Pesquisa; 3º Bloco: Formadores / Instituições de Formação e 4º Bloco: Políticas Educativas. Para a análise preliminar dos dados deste estudo, incidiremos nosso foco no 1º bloco ('Professores/Escolas') , a saber:
## 1. Atitudes face à inovação emergente da investigação/pesquisa
- i. Resistência dos alunos, dos professores e dos dirigentes da escola;
- ii. Influência da cultura profissional dos professores/escola dificulta o uso da pesquisa pelos práticos/professores.
## 2. Gestão do trabalho e dos recursos nas escolas
- i. Condicionantes na gestão de currículos, como a pressão das escolas no cumprimento do programa;
- ii. Falta de estruturas e de condições à intervenção dos ProfessoresPesquisadores nas escolas;
- iii. Número reduzido de Professores com Formação Pós-Graduada nas escolas/colégios;
- iv. Falta de materiais didáticos assentes na pesquisa.
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## 3. Representações dos Professores/Gestores das Escolas
- i. Desvalorização da pesquisa para o exercício da função docente;
- ii. Sobrevalorização da prática letiva (experiência profissional), ou seja, dos saberes experienciais em detrimento de outros.
## Descrição do trabalho desenvolvido
Apresenta-se um estudo preliminar de natureza descritiva centrado nas percepções de um grupo de Professores que trabalham num colégio X que produz o seu próprio material didático. Deste grupo, 3 professores-pesquisadores trabalham também em colégios que utilizam os 3 maiores sistemas de ensino do país.
- O ponto de partida do estudo foi a necessidade sentida por estes 3 professores-pesquisadores deste grupo (após várias reuniões com a equipe de docentes do colégio X) de repensar pedagogicamente o material didático do colégio e discutir o lado operacional.
Relativamente à metodologia de pesquisa, a abordagem deste 1º momento preliminar foi exclusivamente qualitativa, conforme tabela 1 abaixo.
Tabela 1: Momentos versus métodos de investigação
Pretende-se num segundo momento ampliar o estudo para: (i) identificar os professores-pesquisadores que trabalham na rede particular do Estado de São Paulo; (ii) descrever as percepções destes professores sobre a articulação da 'pesquisa-práticas' e (iii) compreender as práticas destes professores (que não foram focos de pesquisa educacional) e suas possíveis relações com a pesquisa.
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## Resultados obtidos
A análise preliminar deste estudo revela alguns indicadores de constrangimentos à articulação da pesquisa-prática que corroboram com estudos anteriores referidos em Cruz (2012), a saber:
## 1. Atitudes face à inovação emergente da investigação
- i. Resistência dos alunos, dos professores e dos dirigentes da escola,
- ii. Influência da cultura profissional dos professores e da escola dificulta o uso da pesquisa pelos professores-pesquisadores.
## O primeiro indicador justifica-se no excerto abaixo:
(PP1) 'dinâmica de banco de respostas' - cada grupo é responsável por 2 exercícios/problemas e posteriormente partilham as dúvidas e respostas inter-grupos. Esta estratégia centrada na 'avaliação das aprendizagens e feedback dos alunos' torna a aula dinâmica através da partilha/feedback entre os pares e responsabiliza o grupo-turma pelas aprendizagens dos individuais e coletivas. Os alunos mais fracos foram reclamar à coordenação que pediu para substituir esta estratégia pela resolução dos exercícios/problemas na lousa pelo professor'.
## O segundo indicador enquadra-se no contexto do colégio X:
(PP2) 'A elaboração deste material segue uma cartilha da própria escola e por isso o lado autoral do professor torna-se bem restrito. Cumprimos uma 'encomenda' da escola, com rígida fiscalização do texto final. Identifico uma preocupação em não desvirtuar o material da linha mestra da escola, o que é positivo. Há uma queixa dos professores, no entanto, de que os critérios para a escrita do material não são bem esclarecidos…'.
Na dimensão ' Gestão do trabalho e dos recursos nas escolas ', destacam-se os três indicadores de constrangimentos:
- i. Falta (não adoção) de materiais didáticos assentes na pesquisa;
- ii. Obrigações contratuais, explícitas ou não, que os colégios assumem junto aos sistemas de ensino (por exemplo, cumprimento da apostila) independente do perfil dos seus alunos;
- iii. Relação entre método de trabalho do professor - materiais didáticos -papel do aluno.
## O primeiro indicador no excerto abaixo corrobora com Cruz (2012):
(PP3) Há onze anos sou participante e colaborador em um grupo de pesquisa na universidade sobre a implementação de física moderna no ensino médio. Há sete anos utilizo material de um determinado sistema de ensino. Manifestei várias vezes sobre a omissão do tema física moderna nas apostilas. … começaram a colocar o assunto no caderno dos alunos, mas notava-se que os autores estavam iniciando o desenvolvimento deste tema , colocando-o de forma tão resumida e tradicional (sem referência a história e epistemologia da ciência, CTSA, entre outros).
## O segundo é novo indicador presente nos sistemas de ensino:
(PP2) Ao adotar um sistema, a escola, além de usar as apostilas, assume também obrigações contratuais que podem incluir itens como aplicar 'x' provas de cada matéria, cumprir 'n' lições por semana, seguir o calendário fornecido ... Cada escola passa a replicar o que ocorre em
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todas daquela rede. Certas avaliações são enviadas por uma central para que sejam aplicadas no mesmo dia e no mesmo horário em todas as escolas franqueadas, sem levar em conta as peculiaridades de cada público.
A utilização de um sistema apostilado, voltado ao ensino propedêutico, engessa mais o trabalho do professor quando aliado a uma postura austera e intransigente dos gestores das escolas para completa e efetiva aplicação do material, encarando-o como única e intocável ferramenta pedagógica, reduzindo a autonomia do professor-pesquisador.
Entretanto, o terceiro indicador revela que a existência de materiais didáticos não é suficiente para a sua efetiva utilização na sala de aula porque depende do papel do aluno e do método do professor.
(DC)… necessidade de comprometimento e envolvimento dos professores junto aos materiais, onde foi detectado vários materiais sem uso algum, enfatizamos que não basta os professores apenas "pedir" para os alunos fazerem e sim, do professor se comprometer de verdade com as questões que norteiam a utilização dos mesmos (vistar, corrigir, ...).
Finalmente a última dimensão identificada neste estudo preliminar trata das ' Representações dos Professores/gestores das Escolas ', a saber:
- i. Sobrevalorização da prática letiva (experiência profissional), ou seja, dos saberes experienciais em detrimento de outros;
- ii. Dilemas enfrentados pelos atuais Professores-Pesquisadores: 'pender para a prática ou para a pesquisa'.
O primeiro indicador no excerto abaixo corrobora com Cruz (2012):
(EE1) Há 8 anos atrás …. o material do colégio elaborado pelos professores superava em qualidade muitos materiais didáticos das grandes editoras em uso na época.
(EE2) Vários pesquisadores trabalham há anos nesta linha de pesquisa em didática (elaboração de materiais didáticos) e não é a cabeça individual de um professor (sem investigar vários materiais e trabalhar em equipe) que terá a pretensão de fazer melhor, concorda?
O segundo indicador remete à visão dos colégios que sobrevalorizam a prática (pela obrigatoriedade dos professores contratados elaborarem o material didático da sua disciplina assente no método do colégio) sem qualquer método de pesquisa para a elaboração dos mesmos.
Este novo indicador justifica-se nos excertos abaixo:
(PP2)... fui contratado por uma destas editoras para escrever o material didático do Ensino Médio. (...) No entanto, toda a concepção pedagógica da editora já estava definida em discussões prévias realizadas sem minha participação. (...) Ironicamente, sou autor de um material didático que eu mesmo julgo limitado . (...) Acredito que a elaboração de um material didático deve ser fruto de pesquisa na área de educação e deve seguir um ciclo de conceituação - elaboração -aplicação - avaliação - reelaboração atualização contínua.
(PP1) A minha frustração pela impossibilidade de utilizar as estratégias apreendidas no meu percurso acadêmico, propostas pela pesquisa em didática da física, levou-me a pedir demissão do colégio após 2 meses.
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(PP1) Minha opinião é que o material didático devia ser feito por uma equipe de professores num projeto de pesquisa escolar [professorespesquisadores] com consultoria de pesquisadores das Universidades.
## Considerações Finais
Este estudo revela que alguns colégios particulares têm produzido conhecimento didático prático (materiais didáticos e métodos próprios de ensino utilizados localmente) e outras instituições empresariais têm divulgado os seus sistemas de ensino em diversificadas instituições de ensino do país sem levar em conta as especificidades dos alunos e contextos escolares diversificados.
As expectativas dos colégios que escolhem adotar um sistema de ensino pronto é que cada professor seja parte da engrenagem e não lhe traga novas variáveis. Este processo comercial transforma o trabalho dos professores em uma linha de produção marcada pela sua reduzida autonomia (posição confortável para alguns), contudo, criando frustrações a outros comprometidos com a profissão. No caso dos professores-pesquisadores, é notório que optam por se afastar cada vez mais da Educação Básica em direção ao Ensino Superior (ou seja, pendem para a pesquisa).
Além disso, evidencia que estes colégios elaboram materiais sem a realização de estudos de generalização situada (pesquisa-ação) proposta no modelo de articulação (1º e 3º caminhos) e sem formar uma equipe de trabalho constituída por professores-pesquisadores e pesquisadores acadêmicos especialistas na produção de material didático (proposta no 2º caminho do modelo de articulação). Este fato revela uma sobrevalorização da prática fechada em si mesmo.
Relativamente ao dilema ' pender para a prática ou para a pesquisa ', atualmente enfrentado pelos Professores-Pesquisadores na rede particular de ensino, é análogo ao dilema descrito anteriormente no trabalho de Vaz, Borges O. & Borges A. (2002) Entretanto, no caso dos Professores-Pesquisadores, este dilema ocorre pela impossibilidade dos professores em fundamentar as ações/sugestões nos resultados da pesquisa acadêmica quando as instituições desconhecem ou não valorizam as pesquisas educacionais e/ou o potencial do Professor-Pesquisador.
Para finalizar, deixaremos duas sugestões:
A primeira centra-se na necessidade da pesquisa educacional integrar a rede particular de ensino por duas razões:
- (i) crescente aumento do número de matrículas na rede particular versus a diminuição das matrículas na rede pública nos últimos anos. Segundo dados do censo do INEP/2012, 16,5% dos alunos da Educação Básica (8 milhões de alunos) encontram-se na rede particular de ensino. Os demais 83,5% integram a rede pública.
- (ii) qualidade dos colégios particulares deveria ser igualmente tratada como tema da pesquisa educacional quer para fomentar o impacto das práticas destes colégios de métodos próprios na pesquisa educacional (práticas que não constituem objetos de pesquisa e, por vezes, desconhecidas da pesquisa educacional), quer para impedir a proliferação de instituições privadas de reduzida qualidade.
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A segunda sugestão é a valorização dos professores-pesquisadores da educação básica da rede pública e privada que contribuirá por um lado, com o aumento do número de professores a realizarem Pós-Graduação, verificado em outros países (Costa, 2003; Cruz, 2005) como o público-alvos dos cursos de mestrados e doutorados em ensino de física oferecidos pelas universidades (permitindo que os 2º e 3º caminhos da articulação sejam trilhados). Por outro, fomentar a permanência de professores mestres e doutores na Educação Básica.
## Referências
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CACHAPUZ, A., 'Investigação em Didática das Ciências em Portugal: um balanço crítico' , In Pimenta, S. G. (Org.) Didática e Formação de Professores: percursos e perspetivas no Brasil e em Portugal, p. 205-240, São Paulo, Cortez Ed., 1997
COSTA, N. A Investigação Educacional e o seu impacte nas práticas educativas : O caso da Investigação em Didática das Ciências. Lição Síntese das Provas de Agregação não publicada. Universidade de Aveiro, 2003.
CRUZ, E. Avaliação do Impacte de Cursos de Mestrado nos Professores-Mestres O desenvolvimento do Pedagogical Content Knowledge de Professores de Ciências Físico-Químicas. Dissertação de Mestrado em Ensino da Física e da Química, Universidade de Aveiro, Portugal. Publicação no site do Projeto SinBad http://biblioteca.sinbad.ua.pt/Teses/2007000099, 2005.
\_\_\_\_\_\_\_\_. Da Avaliação do Impacte à Articulação da Investigação ↔ Práticas - O caso da Articulação na Formação Didáctica Pós-Graduada de Professores de Ciências e desafios futuros . Tese de Doutoramento em Didáctica e Formação (ramo Didática e Desenvolvimento Curricular) , Universidade de Aveiro, Portugal. Publicação: http://ria.ua.pt/handle/10773/10993 , 2012.
HAMMERSLEY, M. Educational Research and Teaching: a response to David Hargreaves' TTA lecture. British Educational Research Journal , 23(2), 141- 161, 1997.
MARQUES, L., LOUREIRO, M. J., COSTA, N., PRAIA, J., VASCONCELOS, C., OLIVEIRA, T., & NETO, A. Relatório do projecto POCTI/CED/42720/2001 Projecto Cultura de Investigação e cultura de acção em educação em ciência: como aproximá-las . Aveiro: DDTE, Universidade de Aveiro, 2004.
MCINTYRE, D. Bridging the gap between research and practice. Cambridge Journal of Education , 35(3), 357-382, 2005.
VAZ, A., BORGES, O., & BORGES, A . Professores, Pesquisadores e os Problemas da Escola. Texto de comunicação oral apresentada no VIII Encontro de Pesquisa em Ensino da Física , Águas de Lindóia-Brasil, 2002, Disponível em: http://www.sbf1.if.usp.br/events/epef/viii (Última consulta em Junho/2003).
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