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O ENADE NA PERSPECTIVA DE PROFESSORES DE FÍSICA

João Paulo De Castro Costa, Maria Inês Martins

Evento
Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
Edição
XXI
Ano
2015
Data
27/01/2015
Linha de pesquisa
Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
Tipo
Comunicação

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Texto completo

## O ENADE NA PERSPECTIVA DE PROFESSORES DE FÍSICA

## João Paulo de Castro Costa , Maria Inês Martins 1 2

1 Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, joaopaulo@timoteo.cefetmg.br

2 Pontíficia Universidade Católica de Minas Gerais, ines@pucminas.br

## Resumo

Na perspectiva de verificar o cumprimento das Diretrizes Curriculares que orientam os cursos de graduação no Brasil na elaboração do projeto pedagógico e nos diferentes aspectos do perfil do profissional formado, foram criados mecanismos para avaliação dos cursos. O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) é um dos componentes do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) e entende-se como relevante compreender o que pensam os docentes do curso superior sobre o Exame. O que sabem sobre o ENADE? Como o acompanham? Qual a importância do Exame em sua prática e quais as modificações ocorridas após a sua implantação? Qual o nível de complexidade das questões avaliadas? Quais conteúdos são avaliados? Esses e outros questionamentos foram feitos a 10 (dez) docentes que lecionam Física no ensino superior, em instituições distintas, e apresentamos suas respostas com uma análise acerca do que realmente o exame avalia e a importância de seu entendimento para os professores do ensino superior no Brasil. A investigação feita com os docentes que lecionam Física em cursos de graduação revela que eles sabem pouco sobre o ENADE; alguns por falta de interesse e outros mesmo por falta de informações corretas. Além disso, grande parte dos docentes entrevistados não percebe a importância de uma mobilização em sua prática docente, para contribuição do bom desempenho dos estudantes na prova do ENADE. Entende-se que isso ocorre porque os docentes, de modo geral, compreendem superficialmente a complexidade da prova.

Palavras-chave : ENADE, Professores de Física, Questionário.

## Introdução

A avaliação dos cursos superiores no Brasil é importante para a evolução e melhoria da educação e o Ministério da Educação (MEC) acompanha as Instituições de Ensino Superior (IES) e seus cursos, sendo uma preocupação das IES adequarse às suas exigências.

Entre os anos de 1996 a 2003 os alunos egressos dos cursos superiores realizavam o Exame Nacional de Cursos (ENC), conhecido como Provão, porém em abril de 2004, pela Lei n. 10.861, instituiu-se o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), com o objetivo de avaliar as IES, os cursos e o desempenho dos alunos (BRASIL, 2004). Um dos componentes do SINAES, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), consiste em uma prova que avalia o rendimento de alunos concluintes dos cursos de graduação.

- O exame é recente e ainda pouco pesquisado, sobretudo em relação às questões de Física, porém alguns autores discutiram as questões dessa prova. CAVALCANTE et al. (2009) realizaram uma análise das questões objetivas da prova

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26 a 30 de janeiro de 2015

de Licenciatura, avaliadas no ano de 2005, refletindo a partir das DCN sobre a relação entre a teoria e a prática docente nas questões dessa prova. Os autores analisam as questões da prova licenciatura em Física identificando em cada uma delas: o conhecimento do conteúdo de Física, o conhecimento pedagógico ou as duas competências na mesma questão. Observa-se que, das oito questões objetivas da Licenciatura, apenas duas contemplavam o conhecimento pedagógico; as outras seis preocupavam-se em avaliar o conhecimento físico, em questões contextualizadas em situações na prática docente.

Na mesma perspectiva, HIGA et al. (2012) analisaram as questões objetivas e discursivas das provas do ENADE 2005 e ENADE 2008, analisando os itens e categorizando-os em conhecimento do conteúdo (de Física) e em conhecimentos pedagógicos do conteúdo , este nas subcategorias: 'documentos curriculares', 'estratégias didáticas' e 'conhecimento prévio dos aprendizes'. A análise, mais uma vez, evidenciou os conteúdos de Física sendo mais privilegiados que os conteúdos pedagógicos. Na prova de 2005 das dez questões avaliadas para a Licenciatura em Física, apenas três contemplavam o conhecimento pedagógico, referindo-se aos documentos curriculares, estratégias de ensino (relacionadas às práticas experimentais) e problemas nas aulas de Física. Observa-se uma mudança no exame de 2008, com um equilíbrio entre um número de questões em cada uma das 2 principais categorias (Conhecimento do Conteúdo e Conhecimento Pedagógico do Conteúdo).

Como a complexidade e o formato de sua elaboração, materializados em matrizes de referência, não são públicos, consequentemente, o ENADE pode não ser bem compreendido por muitos profissionais, inclusive por aqueles que trabalham nas IES. Esses aspectos foram investigados com professores docentes da Educação Superior e serão apresentados. Tais lacunas fundamentaram a construção de orientações (COSTA, 2013) sobre o Exame, dirigido, sobretudo, aos professores de Física.

## A visão dos professores de Física acerca do ENADE

Nesse artigo apresentamos e discutimos os resultados obtidos em uma pesquisa qualitativa realizada com docentes (D) da disciplina de Física em cursos superiores, através de um questionário. A pesquisa teve como principal objetivo verificar 'o que sabem' os docentes de Física sobre o ENADE, através de questionário aplicado aos mesmos. Envolvemos 10 (dez) docentes de Física de Cursos Superiores (Licenciatura em Física e Engenharias). O quadro 1, a seguir, apresenta os perfis dos entrevistados.

Quadro 1: Perfis dos Entrevistados

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Os questionários, depois de aplicados, foram analisados para uma prévia noção da visão dos professores e separados por respostas semelhantes iniciando o processo de inferência das mesmas.

Realizou-se uma análise categorial dos questionários começando com a classificação e alistamento das repostas semelhantes, com sua frequência e/ou ausência. A utilização do método das categorias, espécie de caixas ou gavetas, permite a classificação dos conteúdos significativos no teste. É um método taxionômico muito importante para entender uma ordem ou desordem das repostas. (BARDIN, 1977)

Primeiramente foi perguntado aos professores 'De que forma você acompanha o ENADE?'. Em sua maioria disseram acompanham o ENADE via imprensa e informativos divulgados pelas IES em que trabalham, preocupando-se com resultados dos cursos:

'Sempre acompanho o desempenho dos cursos que dou aula para colaborar com os coordenadores, para melhorar as condições dos alunos para que eles se preparem melhor.' (D1)

'Acompanho pela divulgação das notas dos cursos da universidades que trabalho' (D7)

'Em geral acompanho o ENADE por meio das informações disponibilizadas pela coordenação dos cursos em que leciono.' (D10)

Outros apresentam curiosidade em analisar a própria prova dos cursos que lecionam:

'Análise pessoal (particular) das provas' (D3)

'A partir das últimas provas aplicadas nos cursos que ministro aula: Engenharias e área da saúde e para elaborar questões para minhas avaliações' (D8)

'Através de notícias na mídia e também através do site do MEC. Também vejo as provas aplicadas em minha área de atuação' (D9)

- O ENADE é um instrumento valioso para os cursos superiores no que diz respeito à sua regulação junto ao MEC, sobretudo na composição do indicador Conceito Preliminar de Curso (CPC), determinante na renovação do reconhecimento dos cursos. Assim, coordenadores e docentes de cursos superiores devem compreender seus pressupostos e sua complexidade, e, na medida do possível, incorporá-los em sua práxis . Nessa perspectiva, perguntamos aos docentes: 'Em que medida o ENADE alterou sua prática profissional?'. Percebemos que alguns docentes estão preocupados em adequar-se às tendências do exame:

'Nos cursos em que trabalho, preocupo em tratar problemas relacionados com as temáticas do ENADE' (D1)

'Intensifiquei as questões de interdisciplinaridade e contextualização dos conteúdos' (D3)

'Observando as questões das provas pude perceber o que faltava trabalhar (assunto) com os alunos do ensino superior' (D6)

Outros docentes não mobilizaram nenhuma alteração em sua prática docente em relação ao exame, talvez porque ainda não compreendam sua complexidade ou porque julguem que sua prática é condizente com o avaliado no

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ENADE; em suas respostas não especificaram porque não alteraram sua prática docente:

'Para o curso de Física, o ENADE não forneceu dados relevantes para motivar uma alteração' (D2)

'Não alterou. O ENADE não me faz mudar as aulas' (D7)

A partir do momento que o docente entende a estrutura do exame, sua prática pode ser estimulada a mudanças, pois o ENADE não avalia apenas conteúdos, mas estrutura-se em uma matriz de competências e habilidades a serem estimuladas e desenvolvidas durante o curso (COSTA & MARTINS, 2014).

Ao questionar os docentes como exploram as questões do ENADE em suas aulas, se os mesmos as discutem, se utilizam as questões em suas avaliações ou se consideram o modelo das questões do ENADE para construir seus instrumentos de avaliação, os entrevistados dividiram-se em dois grupos: o primeiro grupo de docentes discute e aplica em suas avaliações ou realiza um dos dois procedimentos:

'Sim sempre discuto questões relacionadas com o ENADE e sempre que posso coloco questões de provas anteriores e na correção mostro as possíveis respostas' (D1)

'Já utilizei questões em Avaliações Parciais. Porém não discuti antes das Avaliações as questões com os alunos' (D8)

Vários docentes não discutem as questões do ENADE em suas aulas, nem utilizam em suas avaliações e não citam se as consideram para construir um instrumento de avaliação. Alguns docentes não justificam o fato de não realizarem esses procedimentos; outros consideram os conteúdos incompatíveis com a disciplina que lecionam, ou se consideram sem tempo para a discussão ou até mesmo por não perceberem relação entre as questões do ENADE com o projeto pedagógico do curso e ementa da disciplina lecionada.

'Não exploro e nem discuto; a aula é muito corrida e não dá tempo' (D6)

'Não exploro as questões do ENADE devido a incompatibilidade de disciplinas lecionadas' (D7)

'Não foi possível explorar muito as questões devido ao alinhamento com o plano de ensino e ementas. Mas chamo a atenção dos alunos para os assuntos tratados no ENADE que coincidem com o conteúdo estudado' (D9)

A resposta do docente D10 para este questionamento é bastante interessante:

'Não para nenhuma das questões acima. Agir desta forma me dá a sensação de que a universidade está preparando para um tipo de vestibular, o que acho muito empobrecedor. Em minha opinião os alunos devem ser preparados para dominar o conteúdo do curso, independente de avaliações externas. Se a disciplina é bem dada, eles não terão problemas com o ENADE.' (D10)

De qualquer forma, concordamos também que o estudante não deve ser 'treinado' para o ENADE, sobretudo por ser um exame que avalia as capacidades (habilidades e competências) desenvolvidas pelos estudantes durante o curso de graduação. Entretanto as DCN dos cursos esclarecem que o estudante deve

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desenvolver habilidades e competências gerais e específicas ao seu curso de graduação. Contemplar o acúmulo de conteúdos sem a preocupação com o desenvolvimento de habilidades no decorrer do curso não possibilita um bom desempenho no exame (COSTA & MARTINS, 2014).

Observamos pouca preocupação por parte dos docentes acerca do ENADE, apesar de seu papel avaliador e regulatório, constituindo-se no principal instrumento de avaliação dos cursos superiores. Talvez isso aconteça por falta de informações relevantes ao exame ou por desinteresse dos docentes.

Perguntamos aos entrevistados: 'Na sua opinião qual o nível de complexidade/dificuldade das questões do ENADE?'. Alguns entrevistados arriscamse em opinar sobre o nível de dificuldade e grande parte avalia a prova nos níveis médio e difícil, o que se confirma na análise de COSTA (2013). Entretanto, essa posição dos professores é meramente opinativa ou por uma avaliação feita pelos próprios alunos, não consubstanciada em dados divulgados. Vejamos as respostas dadas pelos professores com relação a sua opinião sobre o nível de complexidade das questões do exame:

'Na maioria acho bem formuladas mas as vezes acho que são muito complexas' (D1)

'As questões (de Física) tem nível médio de dificuldade: em geral buscam medir raciocínio conceitual transposto para raciocínio quantitativo' (D2)

'Proporcional a competência e habilidade que o aluno deve ter para avaliar sua aprendizagem. Apesar dos alunos terem opinião diferente. Eles julgam a prova como muito difícil e complexa na interpretação de questões' (D3)

- O docente D4 pontua algo interessante em relação ao nível de complexidade das questões, que pode estar relacionado ao nível de questões que o estudante está 'acostumado' durante o curso que, segundo o docente, podem apresentar enunciados bastante específicos.

'Normal em termos de conhecimento mas podem tornar difíceis para os alunos que estão acostumados a questões com enunciados bastante específicos' (D4)

Entendemos que o docente quis dizer que, muitas vezes, os enunciados, principalmente nos conteúdos de Física geral, aparecem sem contextualização de resolução direta, sem que o estudante tenha que mobilizar outros processos cognitivos para sua resolução.

Ao serem questionados sobre quais conteúdos de Física têm sido privilegiados nas provas do ENADE, encontramos algumas divergências nas respostas, pois, acreditamos que, se o docente é capaz de opinar com relação ao nível de complexidade das questões, deve ter conhecimento da prova e, consequentemente, dos conteúdos privilegiados. Através das respostas dos docentes a esse questionamento percebemos que alguns opinaram na complexidade das questões, mas não souberam dizer quais os conteúdos privilegiados pela prova. Por exemplo, os docentes D4 e D7 escreveram que não sabiam quais eram os conteúdos privilegiados; outros preferiram não opinar por não terem acesso a dados precisos:

'Não acompanhei' (D2)

'Para ser rigoroso na resposta necessito fazer uma compilação estatística' (D3)

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Outros docentes afirmaram a incidência de conteúdos de Física, mas analisando suas respostas, e em comparação com a análise realizada por COSTA e MARTINS (2014), percebemos que a afirmação, em muitos casos, foi apenas opinativa, sem um conhecimento profundo do exame. Vejamos:

'Questões relacionadas com energia, conservação, ondas, movimento ondulatório, eletromagnetismo, mecânica'. (D1)

'No último ENADE, de 2011, houve uma distribuição equitativa das questões de Física por temas como oscilações, ondas, termodinâmica, eletromagnetismo e Física Moderna' (D5)

'Energia, Eletricidade, Física Moderna' (D6)

'Vou citar apenas o Equilíbrio Estático, Movimento Circular'(D8)

'O tema Eletromagnetismo chama a atenção'. (D9)

Os entrevistados foram questionados então: 'Em que medida trabalham os conteúdos, níveis de complexidade e de dificuldade compatíveis com o ENADE'. As respostas apresentadas foram diversas. De uma forma geral, percebemos que os docentes, talvez por não conhecer a estrutura e a complexidade do ENADE, não responderam a essa pergunta com os aspectos citados. Há aqueles que citaram a preocupação com alguns aspectos questionados e descreveram como são trabalhados, porém não utilizam questões da prova:

'A abordagem que faço é no mesmo nível dos livros didáticos - Física para cientistas e Engenheiros adotado nas principais universidades do mundo, pelo menos entre as 100 melhores.' (D3)

'De maneira geral, sem me basear em questões do ENADE, realizo um trabalho em nível médio de complexidade, deixando 'problemas desafiadores' para aqueles alunos que demonstram capacidade de resolvê-los.' (D5)

'Trabalho questões objetivas e de interpretação' (D4)

'Não sei responder. Foco na própria disciplina, com questões que obrigam o aluno a pensar na maioria dos casos, poucas questões com aplicação direta de fórmulas. E quando possível, remeto também a aplicações do cotidiano.' (D10)

Ainda, há um grupo que diz trabalhar/discutir as questões do ENADE em sala de aula e em avaliações, todavia não acontece com tanta frequência:

'Tenho trabalhado apenas nas avaliações Parciais. Tenho explorado pouco as questões' (D8)

'Sempre que sinto que existe uma possibilidade dentro dos conteúdos trabalhados levanto questões e discussões referentes ao ENADE' (D1)

Por fim, há o grupo que não tem conhecimento suficiente para trabalhar com os conteúdos e níveis de dificuldade de questões compatíveis com o ENADE, por falta de conhecimento desses aspectos do exame, ou que simplesmente afirmam não realizar esse procedimento em sua prática:

'Não sei, porque para responder essa pergunta eu precisaria saber o nível de complexidade e dificuldade de cada questão. Acho que seria uma análise mais detalhada de cada questão, coisa que não fiz.' (D6)

'Apenas exponho o que é o ENADE para os alunos' (D7)

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Ao final do questionário os docentes escreveram quais informações relevantes sobre o ENADE gostariam de obter. Vejamos esses questionamentos:

'Informações a respeito das respostas dos alunos, com por exemplo de acertos e cada questão' (D1)

'A nota dos alunos em assuntos específicos como por exemplo questões envolvendo Física.' (D4)

'Nível de acerto das questões' (D5)

'Estatística dos conteúdos privilegiados/relevados' (D3)

'Gostaria de entender a maneira como são somados os pontos. Não entendo por que tomase como base, se entendo corretamente, todos os alunos e não individualmente.' (D10)

Percebemos que um grupo estava preocupado apenas com o resultado dos estudantes no exame e com os conteúdos avaliados. Todavia, observa-se que esta não é a melhor solução para o entendimento do exame, pois isso é fornecido pelo INEP através de relatórios-síntese, que detalham o índice de acertos e, consequentemente, de facilidade de cada questão. Acrescenta-se que cada estudante ao realizar o ENADE recebe sua nota individual, enquanto que as IES recebem apenas a nota geral dos seus alunos.

Em COSTA (2013) apresenta-se uma estatística dos conteúdos privilegiados no exame, porém essa análise não fornece uma compreensão de sua complexidade. Ao discutir a estrutura da prova, percebemos que conteúdos diferentes podem ser avaliados em mesmos perfis com mesmas habilidades e competências. Apenas o docente D8 levantou o questionamento acerca de quais competências e habilidades eram avaliadas na prova:

'Quais competências e habilidades utilizadas por área de conhecimento?' (D8)

Ainda há aqueles que questionam a importância do exame e que gostariam de obter informações de como devem orientar os estudantes em sua realização e até mesmo instruções de como trabalhar os níveis de complexidade de questões compatíveis com o avaliado no ENADE:

'Por que é tão importante realizar a prova do Enade?' (D6)

'Como os alunos são orientados sobre a importância da Avaliação.' (D8)

'Talvez alguma instrução de como trabalhar as questões com o nível de complexidade de cada uma' (D6)

A discussão da elaboração da Matriz de Referência do ENADE e a análise dos aspectos cognitivos de cada questão, apresentada em COSTA (2013) fomentará os docentes de diversas áreas e poderão entender com maior profundidade a estrutura da prova e quais conhecimentos as questões avaliam.

Os docentes entrevistados, em sua maioria, ainda não entenderam a métrica do exame e o que pretende avaliar. Quando se entende a lógica da Matriz de Referência tem-se uma visão geral de conteúdos, perfis profissionais avaliados e habilidades e competências requeridas na resolução de cada questão. De uma forma geral, observamos também algumas discrepâncias nas respostas dadas pelos

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entrevistados no decorrer do questionário, pois algumas respostas são contraditórias.

## Considerações Finais

A pesquisa feita com os docentes que lecionam Física em cursos de graduação buscou compreender o que sabem sobre o ENADE, sua importância, a complexidade de suas questões e os conteúdos que são privilegiados. Revelou, porém, que eles pouco sobre o exame; alguns por falta de interesse e outros mesmo por falta de informações fidedignas.

Acredita-se que os docentes bem como as coordenações de curso devem compreender o ENADE incorporando seus pressupostos e sua complexidade em sua prática docente. Não se trata de treinar os estudantes para o exame, replicando seus itens; mais importante que isso é ter conhecimento de quais aspectos da cognição o exame avalia, discussão essa apresentada por COSTA e MARTINS (2014).

Observa-se que grande parte dos docentes entrevistados não percebe a importância de uma mobilização em sua prática docente, para contribuição do bom desempenho dos estudantes na prova do ENADE. Entende-se que isso ocorre porque os docentes, de modo geral, não conhecem em profundidade a complexidade da prova.

## Referências

BRASIL. Lei nû10.861, de 14 de abr. 2004. Institui o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - SINAES e dá outras providências. Diário Oficial da União , Brasília, 15 abr. 2004. Seção 1, p. 3/4.

BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo . Lisboa: Edições 70, 1977.

CAVALCANTE, N.S.M.; MARTINS, R.B.; GARCIA, M.D.; HIGA, I. A Relação entre a teoria e prática docente e as questões de Física do ENADE: uma reflexão a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação dos professores da educação básica. In: Simpósio Nacional de Ensino de Física, 18., 2009, Vitória, Anais... Espírito Santo: SBF, 2009.

COSTA, João Paulo de Castro. As questões do ENADE para a Licenciatura em Física . 2013. Dissertação (Mestrado em Ensino) - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2013.

COSTA, João Paulo de Castro; MARTINS, Maria Inês. O ENADE para a licenciatura em física: Uma proposta de Matriz de Referência. Revista Brasileira de Ensino de Física (online), v. 36, 3401, 2014.

HIGA, I.; LYZNIK, C.; CAVALCANTE, N.S.M.; GARCIA, N.M.D. O ENADE para os cursos de Licenciatura em Física (Edições 2005 e 2008): que conhecimentos avaliam?. In: Encontro de Pesquisa em Ensino de Física, 14., 2012, Maresias, Atas... São Paulo: SBF, 2012.

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