O PROGRAMA DE AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR E A OLIMPÍADA BRASILEIRA DE FÍSICA DAS ESCOLAS PÚBLICAS: uma comparação na visão de alunos e professores
Maria Inês Martins, Filipe Alves De Lima
- Evento
- Simpósio Nacional de Ensino de Física ↗ (SNEF)
- Edição
- XXI
- Ano
- 2015
- Data
- 27/01/2015
- Linha de pesquisa
- Políticas Públicas Em Educação E O Ensino De Física
- Tipo
- Comunicação
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Texto completo
## O PROGRAMA DE AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM ESCOLAR E A OLIMPÍADA BRASILEIRA DE FÍSICA DAS ESCOLAS PÚBLICAS: uma comparação na visão de alunos e professores
Filipe Alves de Lima , Maria Inês Martins 1 2
1 PUC MG/Departamento de Física e Química/ filipe.allim@gmail.com
2 PUC MG/Programa de Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática/ ines@pucminas.br
## RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo analisar, sobretudo na perspectiva de professores e alunos, a compatibilidade entre o Conteúdo Básico Comum (CBC) através do PAAE (Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar) com a Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas (OBFEP), a fim de melhor compreender a baixa participação das escolas nas Olimpíadas. Verificamos os dados de participação e resultados nas Olimpíadas OBF e OBFEP no site da Sociedade Brasileira de Física (SBF). Aplicamos questionários sobre o CBC, a OBFEP e o PAAE em 7 (sete) professores e 15 (quinze) alunos de escolas da rede estadual mineira e entrevista semiestruturada em 1 (um) aluno vencedor da Olimpíada 2012. Além disso, procuramos comparar as duas avaliações, em termos de conteúdos, habilidades e competências, através de documentos oficiais, especialmente para o primeiro ano do Ensino Médio. Os resultados indicam divulgação superficial da OBFEP nas escolas, sem ênfase nos objetivos, na premiação de alunos e professores, na importância da participação de professores na preparação dos alunos, sobretudo na segunda etapa da competição que inclui a experimentação. A maioria de alunos e professores considera que a OBFEP é mais difícil comparada com a avaliação do PAAE, apesar da semelhança nos recursos (competências e habilidades) requeridos nas duas avaliações.
Palavras-chave : CBC. OBFEP. PAAE.
## 1. INTRODUÇÃO
A OBFEP é um Programa da SBF que abrange o 9º ano do Ensino Fundamental (EF), as três séries do Ensino Médio (EM) e, alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2010 a OBFEP envolveu os estados BA, GO, PI, e SP; em 2011 foram incluídos MA e MT e em 2012 todo Brasil. A OBFEP ocorre em duas fases. Na 1ª fase, alunos da escola cadastrada fazem a avaliação contemplando questões de múltipla escolha, corrigidas por professor credenciado. Estudantes com certo nº de acertos passam para a 2ª fase, contemplando questões teóricas e experimentais discursivas, corrigidas por Comissão da OBFEP. Enquanto a OBF pode ser aplicada em escolas particulares e públicas, a OBFEP é exclusiva para escolas públicas. Os objetivos da OBF e OBFEP, respectivamente, são:
'a) despertar e estimular o interesse pela Física; b) proporcionar desafios aos estudantes; c) aproximar a universidade do ensino médio; d) identificar os estudantes talentosos em Física, preparando-os para as olimpíadas internacionais e estimulando-os a seguir carreiras científico-tecnológicas.' (OBF, 2013)
'a) despertar e estimular o interesse pela Física e pelas ciências; b) aproximar as universidades, institutos de pesquisa e sociedades científicas das escolas públicas; c) identificar estudantes talentosos e incentivar seu ingresso nas áreas científicas e tecnológicas; d) incentivar o aperfeiçoamento dos professores das escolas públicas
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26 a 30 de janeiro de 2015
contribuindo para sua valorização profissional; e) promover a inclusão social por meio da difusão do conhecimento; f) contribuir para a melhoria da qualidade da Educação Básica g) proporcionar desafios aos estudantes. (OBFEP, 2013)
A OBFEP engloba os alunos da EJA, mas não possibilita a participação de vencedores nas olimpíadas internacionais. Na OBF, os vencedores, preparados pela SBF, podem participar das Olimpíadas Internacional de Física (IPhO) e Ibero Americana de Física (OIbF), executadas anualmente em países distintos. SATO et al. (1998) afirmam que um dos principais objetivos da OBF é 'motivar o aluno ao estudo de Física como ciência; integrar os estudantes e as escolas e, em nível pedagógico, servir como instrumento de avaliação do ensino de Física da região onde ocorre o evento'. Muitas escolas da rede pública estadual mineira não participam das Olimpíadas, o que nos motivou nesta investigação.
As escolas públicas estaduais mineiras estão submetidas ao Programa de Avaliação da Aprendizagem Escolar (PAAE), aplicado no 1º ano do EM, com questões pautadas no CBC. O resultado desta prova viabiliza a 'gestão curricular orientada pelo estágio de desenvolvimento dos alunos e pelo CBC' (SUPERINTENDÊNCIA DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL, 2013). O PAAE é executado em três passos. A 1ª avaliação, Diagnóstica, aplicada em fevereiro e março focaliza os conhecimentos prévios dos alunos. A 2ª avaliação, Contínua, é opcional e verifica entre abril e setembro o que/ como o aluno aprende. Por fim, a Avaliação de Aprendizagem Anual, avalia em novembro/dezembro o aprendido no ano. Observa-se, 'que em cada escola o diretor é o responsável pela coordenação geral da Avaliação Diagnóstica e Avaliação da Aprendizagem Anual' (idem). O CBC de Física, disponível no Centro de Referência Virtual do Professor (CRV) da SEE MG (crv.educacao.mg.gov.br), pretende proporcionar aos alunos da Educação Básica o conhecimento, as habilidades e as competências necessárias para os conteúdos essenciais ao ensino de Física, divididos em Conteúdo Básico Comum Obrigatório e Conteúdos Complementares, para aprofundamento.
Valorizar fenômenos do cotidiano, a tecnologia, os conhecimentos produzidos pela Física com as outras disciplinas. Essa nova proposta apresenta novos objetivos para o ensino de Física considerando que o ensino tradicional parece concebido apenas como etapa preparatória para os alunos que irão prosseguir com o estudo da Física no ensino superior... a Física escolar deve se aproximar cada vez mais da Física do mundo real, das coisas do nosso cotidiano. Isso pode ser feito graças aos enormes avanços na produção de equipamentos de laboratório, barateando o seu custo e permitindo a realização de experimentos....(MINAS GERAIS, 2006, p. 13 e 17).
Entretanto, a maioria das escolas públicas não possui laboratório, materializando a lacuna entre o proposto e a realidade. Ainda que docentes incorporem demonstrações em sala, estas não substituem a essência da experimentação que possibilita a manipulação de equipamentos e a coleta de dados, que analisados problematizam a teoria envolvida no fenômeno estudado. Quando um aluno da escola pública chega à 2ª fase da OBF ou OBFEP, sua deficiência em práticas experimentais prejudica seu desempenho.
Vários textos [VIANNA (2004); SIQUEIRA (2005); SILVEIRA (2006)] mencionam o formato das Olimpíadas. Outros textos [PROBLEMAS OLÍMPICOS (2009; 2010; 2011)] dedicam-se à resolução de problemas de edições anteriores e orientam os alunos sobre o nível exigido. Observa-se o nível destes problemas mais elevado comparado às questões do PAAE, pautadas no CBC. Os trabalhos [MAREGA JR (1995); SANTIAGO (2011) e SANTIAGO e SILVA (2007)] discutem as Olimpíadas, seus resultados e exemplos de problemas olímpicos. SANTIAGO (2011) e SANTIAGO & SILVA (2007) apresentam resultados de estudantes, de escolas
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públicas e privadas, na OBF 2010 no RJ. O autor conclui que 'do ponto de vista do ensino-aprendizagem poucos alunos sabem lidar com atividades experimentais e muitos têm dificuldade em resolver questões discursivas.' (SANTIAGO, 2011, p.1). Ao questionar o desinteresse das escolas estaduais do RJ pela OBF, o autor alega que 'nossa hipótese se dá em função dos professores que neles trabalham serem mais atarefados e provavelmente lecionem em mais de um estabelecimento, somado as distancias nas cidades grandes serem maiores.' (SANTIAGO, 2007). Acredita-se que em MG o desinteresse pelas Olimpíadas ocorra também em função da rotatividade dos professores nas escolas, bem como pelo excesso de trabalho docente. Para se sair bem nestes eventos, é necessário um preparo de longo prazo, com planejamento didático-pedagógico envolvendo empenho das escolas, dos professores supervisores e dos alunos.
## 2. DESENVOLVIMENTO
Segue o conteúdo de 1º ano abordado nas Olimpíadas e no CBC:
Fundamentos da cinemática do ponto material (tratamento escalar e vetorial). Leis de Newton e suas aplicações. Trabalho e energia: sistemas conservativos e nãoconservativos. Potência e rendimento. Teorema do impulso, quantidade de movimento e sua conservação. Gravitação universal. Estática de corpos extensos. Hidrostática. (OBF e OBFEP, 2013)
Energia na vida humana. O Sol e as fontes de energia. Distribuição da energia na Terra. O Conceito de Conservação. Transferência de calor por condução. Transferência de calor por convecção. Transferência de calor por radiação. O efeito estufa e o clima na Terra. Energia cinética. Energia potencial gravitacional. Energia potencial elástica. Trabalho e máquinas simples. Trabalho e calor. Máquinas térmicas. Transformações de energia nos circuitos elétricos. Transformação de energia elétrica em mecânica. Geradores de energia elétrica. Medindo trabalho e calor. Primeiro princípio da termodinâmica. Potência. Voltagem e potência elétrica. (MINAS GERAIS, 2006)
Os programas das olimpíadas estipulados pela SBF são iguais enquanto que no PAAE, pautado no CBC válido entre 2004 e 2013, não constam vários conteúdos dos programas olímpicos, o que pode justificar o desempenho dos alunos participantes. Percebe-se ainda diferença no nível exigido nas provas da OBFEP e OBF em comparação com o PAAE, em que "as provas são geradas a partir de um Banco de Itens/questões definidos segundo os tópicos dos Conteúdos Básicos Comuns - CBC' (SUPERINTENDÊNCIA DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL, 2013)
Na OBF 2012, das 16 escolas mineiras vencedores, com 43 alunos agraciados, não consta escola estadual (EE), apenas 4 (25%) públicas (Centro Tecnológico Dr Joseph Hein, João Monlevade, 1 aluno; Colégio Militar de Belo Horizonte, 1 aluno; Colégio Militar de Juiz de Fora, 2 alunos; Escola Preparatória de Cadetes do Ar, Barbacena, 3 alunos), , totalizando 15% dos alunos. Na OBFEP MG venceram: 1º ano) 17 EE, 34 alunos; 2º ano) 18 EE, 30 alunos; 3º ano) 19 EE, 21 alunos. Destaca-se o desempenho da EE Messias Pedreiro de Uberlândia, nos 1º e 2º anos, respectivamente com 7 (21%) 5 (17%) dos vencedores. Observam-se diferenças na forma de premiação da OBFEP, limitada a recompensar os vencedores com medalhas e certificados de Menção Honrosa, enquanto que a OBF possibilita a disputa internacional e a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), realizada pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) fornece, ainda, Bolsas de Iniciação Cientifica:
Bolsas de Iniciação Científica Jr. (PIC): Aos 6.000 alunos premiados na OBMEP 2013 com medalhas de ouro, prata ou bronze e matriculados em escolas públicas
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em 2014, será oferecida a oportunidade de participar do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC-OBMEP). A participação no Programa dá direito a uma bolsa de Iniciação Científica Jr do CNPq. (OBMEP, 2013)
Aplicamos questionários sobre o CBC, a OBFEP e o PAAE em 7 professores (P1 a P7) e 15 alunos (A1 a A15) de 3 escolas participantes da OBFEP.
## Questionários aplicados aos alunos (Questões Q1 a Q5)
Exemplificamos na Q1 (O que você conhece da OBFEP?) as respostas, classificadas em 'não conhece'; 'conhece pela participação' e 'conhece e opinou':
'Não conheço muito, mas gostaria de ter maior conhecimento sobre o assunto.' (A5)
'Ano passado foi a 1ª vez que fiz a olimpíada, até então não tinha ouvido falar.' (A3)
'Não tenho muito conhecimento pelo fato de ter feito uma única vez, mas serve para saber qual o conhecimento dos alunos diante da física.' (A14)
Observa-se o interesse dos alunos em conhecer mais sobre as Olimpíadas.
Exemplificamos na Q2 (O que você conhece do PAAE?) as respostas 'não opinou'; 'como conhece o PAAE' e 'conhece e erra na forma de aplicação'.
'Sei que é uma avaliação em que o governo 'testa' o rendimento das escolas e é uma boa oportunidade para nós alunos porque avalia nosso aprendizado.' (A6);
'O PAAE é um método que o governo utiliza para medir o rendimento dos alunos da escola Estadual.' (A1)
'A avaliação PAAE foi feita no inicio do ano onde busca saber o conhecimento do aluno diante de todas as matérias 'fornecidas' para o 1º ano e creio que para todas as séries do EM.' (A14)
A maioria dos alunos correlaciona a avaliação ao Governo, entretanto alguns alunos (como A13 e A14) parecem confundir o PAAE com outras avaliações.
Exemplificamos na Q3 (Qual foi o seu rendimento no PAAE? E na OBFEP?) as respostas: 'rendimento médio'; 'não sabe o resultado'; 'rendimento bom em ambas'; 'bom rendimento no PAAE' e 'bom rendimento na OBFEP.
'Foi médio em ambas.' (A5)
'Não me lembro bem e depois que eu fiz a prova não houve uma correção nem o gabarito da prova.' (A4).
'Ambos foram bons' (Aluno A8); 'Foi um bom resultado' (Aluno A6)
'O PAAE abrange todas as matérias, creio que fui bem melhor, pois tenho mais facilidade em outras matérias do que em Física que foi a 'área' das OBFEP.' (A14)
'No PAAE não sei, pois não falaram a nota individual e também não me lembro muito bem dela. Na OBFEP não rendi o que eu esperava mas devo ter me saído bem pois consegui uma medalha.' (A9)
Os alunos destacaram não ter recebido as notas do PAAE e da OBFEP.
Exemplificamos na Q4 (Qual das avaliações, OBFEP ou PAAE, você considera mais difícil?) as respostas: 'PAAE'; 'OBFEP' e 'não conhece'.
''PAAE, pois tem mais matérias.' (A11)
'Considero mais difícil a OBFEP, pois possui um conteúdo mais complexo e questões mais bem elaboradas, com um maior grau de dificuldade.' (A3)
'Nunca participei da OBFEP, portanto não sei responder' (A6)
A maioria dos alunos considera mais difícil a OBFEP. Pretendia-se a sua comparação com a avaliação de Física do PAAE, mas alguns alunos compararam o PAAE como um todo com a OBFEP, julgando-o mais complexo.
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Exemplificamos na Q5 (Você se considera preparado para o PAAE e/ou OBF?) as respostas: 'preparada em ambas pela escola'; 'preparada em ambas por mérito próprio'; 'preparado para OBFEP'; 'preparado para PAAE'; 'preparado para o PAAE e mérito da escola' e 'despreparado em ambas'.
'Acho que sim, pois a escola em que estudo tem professores adequados para me preparar para as provas.' (A2);
'Para a OBF sim, pois fiz um curso de física.' (A11)
'As questões eram de dificuldade, o PAAE era mais fácil, mas havia questões da OBF que não havíamos aprendido' (A10)
'Sim. Não. Pois o meu conhecimento sobre a física não é bom para participar de uma olimpíada, não por culpa dos professores, mas não tenho muita facilidade com a física. E sim, pois a escola onde estudo não deixa a desejar o ensino.' (A15)
'Não totalmente, porque o ensino nunca foi de grande qualidade e escola publica não apresenta um bom desempenho em nossas vidas.' (A5)
Destaca-se a importância que os alunos atribuem à escola na preparação para as avaliações. O aluno A1, diz ter sido avisado em cima da hora, tornando o tempo de estudo e preparo pequeno, dificultando o desempenho nas avaliações.
## Questionário aplicado aos professores (Questões Q1 a Q7)
Exemplificamos na Q1 (O que você conhece sobre o CBC?) as respostas: 'conhece toda a proposta curricular' e 'conhece boa parte da proposta curricular'.
'Conheço toda a proposta curricular - CBC de física, assim que foi apresentada foi feito um estudo na Escola sobre essa maneira de abordar os conteúdos.' (P4)
'O CBC propõe que os alunos vejam todos os assuntos de física em todas as séries do ensino médio, de forma que sejam explicados mais detalhes nas últimas séries. A ideia é o conhecimento ser construído como em uma espiral crescente.' (P1)
Exemplificamos na Q2 (Como você incorpora o CBC em seu plano de aula?) as respostas: 'não incorpora'; 'como suporte referencial' e 'adapta o CBC ao LD':
'Não incorporo. Os livros didáticos oferecidos pelo Governo do Estado são todos seriados, que acabam por não permitir que o aluno acompanhe e faça exercícios de todo o conteúdo proposto no CBC. O plano de aula é feito pela ordem do livro.' (P1)
'Utilizando as ideias, parâmetros e conceitos na formulação do plano de aula, que muitas vezes necessita de um aprimoramento didático, o que o CBC dirá.' (P6); 'Utilizo o CBC como suporte para ter um referencial de conteúdos que devem ser abordados, o que esperar do meu aluno, quais habilidades auxiliar para desenvolvêlas, bem como quais os frutos desse trabalho eu espero que ele obtenha.' (P2)
'Tudo, acessamos o site e adaptamos o material ao livro curso de Física.' (P7)
Alguns professores não seguem o CBC pela ausência de material didático adequado. O P7 menciona os Módulos Didáticos encontrados no CRV da SEE MG, como orientadores dos conteúdos e habilidades do CBC, entretanto, a maioria dos professores da rede pública estadual utiliza a ordem de abordagem dos conteúdos dos LD para planejar a aula, como cita o professor P1.
Exemplificamos na Q3a (O que você conhece da OBFEP?) as respostas: 'referente a Física que é aplicada ao ensino médio'; 'desenvolvimentos de projetos'; 'interesse pela área' e 'conhece pouco ou não opinou'e na Q3b (Como conheceu a OBEFP?), as respostas: 'conheceu pela escola'; 'não opinou'; 'conheceu por mídia e escola' e 'conhece através do site'.
'É uma prova referente a física, que é aplicada nas escolas públicas.' (P3)
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'Sim. Desenvolvimento de projetos e trabalhos com os alunos através de registros como relatórios e fotografia.' (P6)
'A olimpíada é desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Física, tem entre outros objetivos estimular o interesse pela física, identificar estudantes talentosos e proporcionar desafios aos alunos.' (P4)
'Conheço pouco. A escola participou uma vez.' (P1)
'Tomei conhecimento a partir de uma carta enviada a minha escola.' (P3)
'Conheci por meio de cartaz fixado nos murais da escola.' (P1)
'Através da mídia e divulgação nas escolas' (P6)
'Através do site' (P7)
A maioria conhece a Olimpíada, com os seus objetivos e a sua origem por meio de divulgação feita na escola, interessada, portanto, em participar.
Na Q4 (Como foi sua participação como professor credenciado da OBFEP?) exemplificamos as respostas, classificadas em 'não participou'; 'participou e teve alunos interessados' e 'participou e teve outras experiências':
'Não, pois, quando entrei nas escolas já havia acontecido' (P6); 'Não, participei apenas como aplicadora.' (P2)
'Sim. Os alunos estavam muito interessados.' (P5)
'Este ano é a 2ª vez. A 1ª experiência foi boa, mas um pouco frustrante, pois apenas 10% dos alunos aprovados para a 2ª fase compareceram' (P1)
Os docentes desconhecem sua premiação, o que os estimularia a preparar seus alunos e incorporar este mérito em seu currículo. Os alunos se sentem vitoriosos por passar para a 2ª fase e muito satisfeitos se a vencem.
Exemplificamos na Q5 (Você observa compatibilidade entre o CBC e o a OBFEP?) as respostas: 'observa alguma compatibilidade'; 'não observa compatibilidade'; 'observam muito pouca compatibilidade'.
'Sim. O conteúdo abordado é o mesmo, porém a profundidade com que é cobrado nas provas do OBFEP, principalmente na 2ª etapa, é maior.' (P4); 'O que os dois possuem em comum é em relação aos conteúdos cobrados e, tendo em vista que o CBC também propõe algumas habilidades e competências que os alunos devem adquirir ao longo dos anos e do contato com a Física, na olímpiada espera-se que o aluno também apresente um amadurecimento, certa familiaridade com os assuntos abordados e habilidades para compreensão dos assuntos.' (P2)
'Não. No CBC, os alunos, em algumas séries não estudam o conteúdo cobrado na OBFEP e, quando estudam, é superficial. Esta diferença se deve ao fato que o CBC é estadual e OBEFP é nacional.' (P3)
'Pouca compatibilidade. Pelo CBC, o aluno do 1º ano deveria ter condição de fazer uma prova de todo o conteúdo. Porém, a OBFEP exige conhecimentos quantitativos que só serão trabalhados no 2º ano e 3º anos, de acordo com o CBC.' (P1)
O professor P2 entende a compatibilidade nas habilidades e competências cobradas nas avaliações, o que se verificou em nossa análise. A maioria dos demais professores afirma não existir ou existir pouca compatibilidade entre eles. Por exemplo, citam conteúdos do programa da OBFEP, não cobrados pelo CBC.
Na Q6 (Em que medida o PAAE pauta-se no CBC?) exemplificamos as respostas, classificadas em 'o PAAE pauta-se no CBC' e 'opiniões variadas'.
'Sim. No conceito sim, o PAAE pauta-se no CBC e até ai tudo bem, porém, na prática não condiz muito com a realidade do ensino médio, pois, a exigência é no nível de faculdade sem ter um rendimento melhor.' (P6); 'Sim. O PAAE é elaborado de acordo com o CBC, as questões são de acordo com a forma de abordagem adotada pelo CBC.' (P4)
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'Ele é uma ferramenta que podemos utilizar para obter informações sobre o desenvolvimento dos alunos. Com isso é possível saber quais os pontos estão sendo bem trabalhados e quais necessitam de uma maior atenção.' (P2)
'No início, ou seja, as primeiras provas foram muito difíceis. Depois as questões foram ficando mais 'fáceis' adequadas com o CBC.' (P5)
A maioria dos professores considera que o PAAE abrange o CBC, mas não o seguem por falta de material didático, como citado anteriormente.
Exemplificamos as respostas 'não'; 'sim' e 'depende' da Q7 (O nível de cobrança do PAAE e da OBFEP é equivalente?).
'Não. O nível é diferente, pois o objetivo do PAAE é avaliar inicialmente os conhecimentos prévios dos alunos, verificando as habilidades do CBC que possuem. Ao final do ano a avaliação objetiva verificar os tópicos/habilidades que os alunos aprenderam. A OBFEP objetiva identificar estudantes talentosos e desafia-los.' (P4); 'Não. O nível de conhecimento cobrado pela OBFEP é muito mais especializado do que da avaliação do PAAE. A exigência quantitativa na prova da OBFEP é muito mais elaborada, principalmente após a primeira fase.' (P1)
'Sim, uma vez que ele tem como base o CBC.' (P2)
'Depende: As questões da OBFEP buscam mais a realidade dos alunos e essa interação com os alunos, com as aplicações do CBC, diferentemente das questões do PAAE que vai à um nível de faculdade, causando certa confusão mental.' (P6)
A maioria dos professores não considera equivalente o nível das duas avaliações. O P4 afirma que o PAAE avalia os conhecimentos prévios dos alunos e avaliação final verifica a sua aprendizagem no decorrer do ano. Esta perspectiva é diferente da OBFEP que objetiva, por exemplo, identificar talentos para a ciência.
## Entrevista
Aplicamos entrevista semiestruturada em um vencedor da OBFEP em 2012, que a desconhecia antes de sua participação. Para ele, a falta de divulgação o atrapalhou em sua preparação, pois poderia ter estudado durante o período das férias. O aluno considera relevante o auxílio docente na revisão de conteúdos e, sobretudo na familiarização com problemáticas práticas, requerida na 2ª etapa. O aluno se interessa também pela OBMEP e por considerá-la semelhante à OBFEP participou de ambas, o que indica a influência de uma olimpíada sobre a outra.
## 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nossa perspectiva foi compreender o desinteresse das escolas públicas estaduais mineiras nas Olimpíadas. Observa-se que a maioria dos professores aplicadores da OBFEP recebe informações na escola, por meio de e-mail, cartas, ou cartazes fixados na instituição, indicando que a sua divulgação acontece nas escolas, tornando-se o professor a figura central do processo, dependendo do seu interesse aceitar ou não a sua aplicação.
A baixa participação das escolas na OBFEP pode estar associada à rotatividade dos professores, cabendo à direção da escola, dar continuidade às Olimpíadas, incentivando os professores e alunos. De modo geral, os estudantes, não recebem informações sobre a premiação e a importância destas Olimpíadas. Acredita-se que detalhando o seu funcionamento, pode-se aumentar a quantidade de alunos interessados em participar a OBFEP com mais empenho e dedicação.
Observa-se pouca preparação dos alunos para a Olimpíada, sem familiaridade com o nível de questões da OBFEP, sobretudo na parte experimental.
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Ainda que o CBC (Currículo Básico Comum) incentive a utilização da experimentação, a maioria das escolas públicas estaduais não possui laboratórios de Física, prejudicando o desempenho de seus alunos, especialmente na 2ª etapa. Nessa perspectiva, configura-se como fundamental o papel do professor credenciado pela OBFEP para preparar seus alunos para esta etapa.
Percebe-se, por fim, que a maioria dos professores não considera equivalente o nível de conhecimento cobrado nas avaliações do PAAE com o nível das questões da OBFEP, apesar de semelhantes habilidades e competências requeridas em ambas as avaliações. Sugere-se em pesquisa futura comparar as questões do PAAE com a da OBFEP seu grau de dificuldade.
## REFERÊNCIAS
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OLIMPÍADA BRASILEIRA DE MATEMÁTICA DAS ESCOLAS PÚBLICAS 2013, IMPA. Regulamento. < http://www.obmep.org.br/> Acesso em: 28 de out. 2013.
OLIMPÍADA BRASILEIRA DE FÍSICA, SBF. Regulamento da OBF 2012. <http://www.sbfisica.org.br/v1/olimpiada/2012/>. Acesso em: 12 maio 2013.
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SANTIAGO, R. B. Análise dos resultados da Olimpíada Brasileira de Física 2010 no Estado do Rio de Janeiro. CBPF. set. 2011.
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SATO, H. et al. Olimpíadas de Física para Alunos do Curso Secundário. RBEF. v. 20, n. 2, p. 173 - l87. jun. 1998.
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